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Redação
Ensino Remoto possibilita permanência de estudantes na Universidade durante a pandemia, mas recebe críticas de alunos e professores
Por Carlos Alexandre, Bianca Alexandre Cabanelas Disney Mendes de Oliveira
Com as aulas presenciais suspensas desde março de 2020, a Universidade Federal do Acre (Ufac), na tentativa de dar continuidade ao processo de formação dos alunos e evitar mais atrasos, deu início as aulas do Ensino Remoto Emergencial (ERE) em 26 de outubro do mesmo ano, que foram finalizadas em janeiro de 2021. Os mais de 70% dos alunos em situação de vulnerabilidade social foram contemplados com dois editais, lançados pela Ufac, que garantiram internet e equipamento digital para os estudos.
Em 25 de março deste ano, a Ufac retornou com o ensino remoto para dar continuidade as atividades acadêmicas relativas aos anos de 2020 e 2021. As aulas deste primeiro semestre devem se estender até o dia 28 de junho, enquanto no dia 12 de julho devem se iniciar as aulas referentes ao segundo semestre do ano de 2020, de acordo com o calendário da Universidade. A instituição planeja iniciar o primeiro semestre referente ao ano de 2021 em 20 de outubro e a previsão é que este seja finalizado no fim de janeiro de 2022.
Mesmo garantindo que muitos alunos consigam se formar neste período de pandemia, a decisão do Ensino Remoto não foi bem aceita por uma parte dos estudantes e professores. As principais razões são a falta de um ambiente físico propício para alunos, a falta de aulas práticas, a ausência de equipamentos corretos para estudo e a situação social em que vivemos.

(Foto: Arquivo pessoal)
A coordenadora do Curso de Bacharelado em Psicologia da Ufac, Madge Porto, leciona há seis anos no curso, mas antes disso já atuava como psicóloga na Universidade, atendendo estudantes e servidores.
A professora se coloca contra as aulas online no momento em que vivemos: “Entendendo que a situação não é sobre ter aula online e sim sobre estar vivendo uma pandemia, onde o número de pessoas adoecidas e de luto só aumenta. A população e nossos alunos estão com medo e sofrendo com a perda de familiares. Era um clima que não cabia a gente retomar aula como se nada estivesse acontecendo”, ressalta.
Para a professora, as atividades que se relacionam com a pandemia seriam de maior valor do que ter aulas regulares, pois acredita que o papel ideal para a Universidade seja o de ajudar a população nesse momento. Ela também pontua que mesmo para aqueles que têm pressa para se formar com a ajuda do ensino remoto, a situação do mercado de trabalho não é favorável: “Se não há emprego, não há como se trabalhar. Precisamos repensar esse sistema capitalista de vida. As pessoas estavam com muito mais medo de perder o emprego do que de morrer. Para mim, o foco é pensar a pandemia e formas de auxiliar a população”.
Mesmo relatando que muitos alunos sentem dificuldades de se concentrar nas aulas e realizar seus trabalhos em um ambiente que não é propício, além da falta de incentivo e fornecimento de equipamentos apropriados para os professores, Madge falou que as dificuldades do ensino remoto são muito maiores do que as estruturas físicas que deixam de ser oferecidas com ele e que é preciso pensar de modo social como esses alunos irão acessar esse ensino.
Com conhecimento de causa por seus nove anos de trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS) e mestrado em Saúde Coletiva, ela espera que os alunos entendam a gravidade da situação que está sendo vivenciada: “Posso afirmar que não há política de saúde pública nesse governo e consequentemente não sabemos o número de pessoas que morreram por conta dessa doença. Considero este um momento muito difícil vendo o desprezo do governo diante da calamidade, vendo mortes que poderiam ser evitadas e o investimento sendo retirado da Universidade”.
A coordenadora acredita que não existe possibilidade de melhora no ensino remoto, entendendo que a impossibilidade de se relacionar com a turma e ver o andamento da disciplina não é favorável com o atual modelo.
Sobre futuras esperanças, ela se emociona ao falar da possibilidade de se vacinar e mostra descontentamento com a falta de organização do governo atual: “Diante da possibilidade desse governo acabar, tenho mais esperança acreditando em uma gerência com um presidente como o Lula. Essa pandemia será enfrentada de uma outra forma. É um momento muito difícil, mas eu carrego a esperança de dias melhores”, finaliza a docente.

(Foto: Arquivo Pessoal)
O professor Henrique Jorge de Freitas que leciona nos cursos de Agronomia e Veterinária vê o ensino remoto como uma ferramenta válida para o momento que vivemos. Freitas atua como professor há 27 anos e viu como uma possibilidade a opção de ministrar aulas à distância, mas se diz preocupado de como aulas práticas seriam realizadas, a adaptação dos professores com as novas ferramentas de ensino e as condições dos alunos de acessar a internet.
Ele sente que por meio de telas há uma menor interação entre professor e aluno, sentindo uma diminuição nos questionamentos que eram mais recorrentes na sala de aula, assim minando a discussão sobre os conteúdos apresentados. A falta de aulas práticas e o convívio com seus alunos são outros fatores que se perderam com o ensino remoto. O docente enfatiza a importância das aulas práticas que aconteciam nos laboratórios, uma experiência essencial para a formação dos futuros profissionais.
Freitas, que já teve a oportunidade de se vacinar, têm a expectativa de que as aulas presenciais retornem no início de 2022 e diz estar aprendendo muito com o atual tipo de ensino. Ele pretende levar para suas aulas presenciais essas novas experiências, como enviar material complementar para seus alunos.
Desgaste dos alunos
A falta do ambiente da Universidade que costumavam frequentar diariamente e de estrutura em alguns ambientes familiares que não são favoráveis para se estudar com tranquilidade estão entre os principais problemas apontados pelos alunos. O espaço físico da Universidade também é destacado como de extrema importância por possibilitar que os alunos tenham acesso aos materiais que os auxiliem no estudo, um exemplo é a biblioteca central que era um dos espaços de recorrente uso por muitos universitários.
A aluna Ranna Macedo, estudante de psicologia, comenta sobre como o ambiente também era um espaço onde as dificuldades financeiras eram minimizadas por meio de pequenos empreendimentos que alunos exerciam fora das salas de aula.
“No ensino remoto essa renda extra, que era feita na faculdade, não é possível. Quem passa fome, não estuda. Quem não tem estrutura para se alimentar, não tem estrutura para estudar. E quando falo de estrutura, falo de um ambiente silencioso e favorável, acesso à luz, internet e materiais que eram possíveis com a Universidade. Estamos falando de pessoas que passam a ter um ambiente escolar adequado e possibilidades de se reinventarem dentro daquele ambiente”.
Cursando o nono período do curso, ela se encontra a um passo da tão sonhada formação. Mas mesmo com a possibilidade de conseguir o diploma com o ensino remoto, ela acredita que a medida tenha mais desvantagens do que vantagens.
‘’Sou contra o ensino remoto. Trata-se de uma situação que assegura a divisão e a diferença exorbitante que tem entre as pessoas que são a favor do EAD e as pessoas que não conseguem acompanhar. Isso porque existe uma grande diferença na situação econômica das pessoas que conseguiram estar em uma Universidade. Essa segregação estimula e acaba sendo favorável ao sucateamento da educação pública no nosso país.”
A futura psicóloga reforça a necessidade de um olhar cuidadoso com as pessoas que não estão sendo alcançadas nesse momento, de políticas de assistencialismo e auxílios que possam garantir maior igualdade entre esses estudantes. Além disso, ela se mostra ansiosa para a tão sonhada volta às aulas presenciais:
“A psicologia, antes do período pandêmico, recebeu nota 5 no ENADE, e conseguimos isso presencialmente. É de forma presencial que o nosso trabalho é feito, mesmo que exista um ou outro que seja possível a realização de forma online, e ainda assim, não é o ideal.
É inegável que o ensino presencial também tem problemas e questões para serem repensadas e remodeladas, mas de modo geral, ele é muito mais vantajoso do que o ensino remoto. Desejar voltar ao presencial é o sonho mais puro que tenho tido. Infelizmente, parece tão distante graças ao governo atual. Poderíamos estar tirando nossas máscaras, mas ao invés disso, continuamos contabilizando mortes.”
Outro ponto em comum entre os entrevistados é a preocupação de se ter um ensino remoto igualitário, que não prejudique ainda mais alunos mais desfavorecidos. A aluna do sétimo período do curso de direito bacharelado, Ana Flávia Carvalho se mostra contra o ensino remoto e fala sobre as dificuldades que o modelo de ensino expõe:
“Me posicionei contra desde o início, primeiramente pela injustiça frente aos alunos que não possuíam equipamentos e segundo pela qualidade das aulas. Acredito que esteja comprometendo a qualidade do ensino. Eu não tinha computador quando o ensino começou, mas com os esforços do meu pai, pude adquirir um. Estudo dentro do meu quarto, sem escrivaninha ou cadeira, e sinto muita falta de um ambiente adequado para os estudos e um lugar silencioso. E também considero essencial a presença do professor, de forma física, para ter mais foco.”
A estudante reforça que, apesar de ter apenas aulas teóricas, outros cursos estão sendo prejudicados por conta das aulas práticas que acabam não sendo realizadas. E que os problemas do ensino remoto vão muito além das questões simples e técnicas que envolvem as discussões sobre o sistema:
“Entretanto, as matérias teóricas também precisam ser repassadas da melhor forma possível. E mesmo assim, se o aluno não estiver focado, num ambiente adequado, não vai absorver o conteúdo de forma proveitosa. Estamos envoltos por muita tristeza, insegurança, incerteza e medo. É difícil estudar, é difícil trabalhar, mas continuamos cumprindo nossos deveres como se o mundo não estivesse um verdadeiro caos. É muito complicado pensar em prazos das faculdades enquanto um tio está sendo velado, pensar em corrigir provas enquanto o irmão está entubado, lutar pela Universidade enquanto o governo federal corta todas as verbas em meio a uma pandemia, entre outros cenários.”
Apesar de ter receios em relação a uma possível volta as aulas presenciais, Ana Flávia conta que se sentia muito mais estimulada antes justamente por conta do ambiente universitário já que este “é fundamental para o sentimento de pertencimento e para impulsionar os alunos”.
De acordo com uma estudante do curso de bacharelado em Enfermagem ouvida pelo A Catraia, mas que não quis se identificar, existem muitas dificuldades no ensino remoto como um conteúdo mais denso, dificuldade nos horários assíncronos e síncronos e atividades mais extensas, além de perceber as adversidades que seus professores enfrentam, como a de se adaptarem com as plataformas utilizadas na nova modalidade de ensino.
A futura profissional da saúde acredita que a Universidade deveria investir em auxiliar e ensinar os docentes no manuseio das plataformas digitais: “Principalmente nos cursos da área de saúde, temos que exercitar nossa imaginação de maneira mais precisa e o conteúdo de doenças mais complexas são dadas de forma corrida devido ao tempo reduzido de aula. O aluno deve ter consciência e estudar com mais afinco do que no presencial, para que os prejuízos sejam menores para si mesmo na sua futura profissão.”
Esperando retomar às aulas presenciais no ano que vem, Juliana pontua sobre o atual governo e a situação pandêmica que nosso país vive: “É compreensível a indignação e raiva que essa pandemia nos gera. Um sentimento de revolta contra esse governo genocida que nega à sua população e o sucateamento das universidades, tendo inclusive a nossa Universidade como vítima de cortes e o futuro cada vez mais sombrio. Tento pensar que o brasileiro vai perceber o buraco que se enfiou ao escolher o pára-quedista ao invés do professor.”
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Rotas
Atraso no pagamento de dívidas cresce 2,71% no Acre e atinge jovens universitários
Com orçamento apertado entre estágio, aluguel e estudos, estudantes acumulam pequenas despesas no cartão
Publicado há
19 horas atrásem
3 de março de 2026por
Redação
Por Jerfeson Gadelha
No intervalo entre uma aula e outra, Vinícius Silva, universitário de 24 anos, confere o aplicativo do banco no celular e faz as contas para saber se conseguirá pagar a fatura do cartão do mês. Morando sozinho pela primeira vez, dividindo aluguel e equilibrando estágio e estudos, ele precisou parcelar despesas básicas e hoje carrega uma dívida que, apesar de não ultrapassar mil reais, pesa no orçamento apertado de quem ainda está construindo a própria renda.
“Eu nunca achei que fosse me enrolar com uma dívida tão cedo. Comecei parcelando uma compra pequena e, quando vi, estava acumulando fatura do cartão com outras contas do mês. Como estudante, a gente depende de estágio ou ajuda da família, e qualquer imprevisto desorganiza tudo”, afirma.
A realidade de Vinícius dialoga com um cenário mais amplo no estado. O número de pessoas inadimplentes no Acre cresceu 2,71% em novembro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo relatório mensal do SPC Brasil, que monitora registros de dívidas em atraso em todo o país.
Na passagem de outubro para novembro, o avanço foi de 0,73%. Apesar do crescimento, o índice estadual ficou abaixo da média da Região Norte (8,62%) e da média nacional (8,93%) no comparativo anual.
O levantamento considera informações consolidadas nas bases administradas pelo SPC Brasil, que reúnem registros de instituições financeiras, comércio, empresas de serviços e concessionárias credoras.
Para Istanrley Rocha, do setor financeiro da Câmara de Dirigentes Lojistas de Rio Branco (CDL), os dados indicam um cenário que exige atenção, especialmente no que se refere à duração da inadimplência.
“Embora o crescimento percentual no Acre esteja abaixo das médias regional e nacional, o tempo médio de permanência na inadimplência é um dado que preocupa. Quando o consumidor permanece mais de dois anos com restrição, a reorganização financeira se torna mais difícil e o acesso ao crédito fica comprometido”, explica.
Segundo ele, o perfil das dívidas mostra que grande parte dos débitos envolve valores relativamente baixos, situação semelhante à enfrentada por muitos jovens como Vinícius, que acumulam pequenas despesas no cartão ou no crediário.
“Quase metade das dívidas é de até mil reais. Isso demonstra que pequenos compromissos, quando acumulados ou mal planejados, podem gerar restrição prolongada e afetar o orçamento familiar”, pontua.
Perfil do inadimplente
A faixa etária com maior participação entre os devedores no Acre é a de 30 a 39 anos, representando 26,99% do total. A idade média dos negativados é de 43,6 anos.
A distribuição por gênero permanece equilibrada: 50,45% são mulheres e 49,55% homens. Em relação aos valores, 47,51% das dívidas registradas são de até R$ 1.000. O valor médio devido por consumidor no estado é de R$4.572,52.

Planejamento financeiro se torna desafio para jovens que conciliam estudos, estágio e aluguel. Foto: reprodução
O tempo médio de atraso chega a 29,2 meses, e 35,95% dos devedores permanecem inadimplentes entre um e três anos. Cada consumidor negativado no Acre possui, em média, 2,137 dívidas em atraso, número inferior à média da Região Norte (2,180) e à média nacional (2,227).
O setor bancário concentra 53,85% das dívidas registradas no estado, seguido por comércio, serviços essenciais e comunicação, áreas que fazem parte do dia a dia de estudantes e trabalhadores.
Apesar das dificuldades, Vinícius diz que começou a reorganizar as finanças e acredita que é possível sair do vermelho com planejamento. “Eu parei de usar o cartão por enquanto, anotei todos os meus gastos e estou tentando negociar a dívida para pagar com desconto”
Segundo ele, a solução é buscar ter mais educação financeira. “É necessário esse apoio para quem está começando a vida adulta, porque muita gente se endivida sem nem entender direito como isso acontece”, finaliza.
Rotas
Jacarés e tartarugas gigantes são destaque na reabertura na exposição de fósseis na Ufac
Acervo reúne mamíferos extintos e vestígios raros da paleofauna amazônica; visitas são
gratuitas e podem ser guiadas.
Publicado há
1 semana atrásem
23 de fevereiro de 2026por
Redação
Réplica do Purussaurus brasiliensis – Foto: Kauã Lucas
Por: Eleonor Rodrigues e Ranelly Yasmim Pinheiro
O que hoje é floresta, há milhões de anos, foi o domínio de uma megafauna que desafia a
ideia de cotidiano da nossa sociedade. Esse universo pré-histórico voltou a ganhar
destaque no campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, onde a
reabertura da exposição do Laboratório de Paleontologia (LPP), permite um encontro com
o passado da bacia amazônica. A coleção, reúne achados fundamentais para a ciência
mundial, ajuda a decifrar a razão de o Acre possuir tantos fósseis, atraindo pesquisadores e
curiosos.
Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, a
exposição apresenta fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do
Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A
entrada é gratuita, e estudantes e comunidade geral de todas as idades podem participar.
Para grupos com mais de 10 pessoas, é necessário realizar agendamento prévio. Nesse
caso, o responsável pela visita deve entrar em contato pelo e-mail
labpaleonto.ufac@gmail.com, informando a data e o horário desejados. Após a
confirmação, a visita será agendada e contará com o acompanhamento de um guia, que
ficará responsável por apresentar o acervo, fornecer informações detalhadas e esclarecer
dúvidas ou curiosidades dos visitantes.

Acervo
A bióloga Andrea Maciente, responsável pela exposição, conta que o local reúne fósseis
que revelam a diversidade e a grandiosidade da fauna pré-histórica que habitou o Acre há
milhões de anos. Entre os principais destaques estão grandes crocodilomorfos, como o
Purussaurus brasiliensis, além do Acresuchus pahytemporalis, conhecido como
“jacaré-de-chifre” por causa da sua extrutura óssea acima das órbitas oculares, e do
Mourasuchus amazonensis, popularmente chamado de jacaré-bico-de-pato, que chama
atenção pelo focinho largo, achatado e bastante alongado.
“Entre os quelônios, temos a Stupendemys geographicus, considerada a maior tartaruga de
água doce que já existiu, além de tartarugas dos gêneros Podocnemis e Chelus, e o
Chelonoidis, que inclui os jabutis gigantes, como os do arquipélago de Galápagos. A
exposição também apresenta fósseis de outros animais, como boto, roedor gigante,
preguiça gigante, toxodontes e mastodonte, entre outros”, afirma a professora.

Foto: Kauã Lucas
Qual a razão do Acre ter tantos fósseis?
Durante os períodos do Mioceno Médio e Mioceno Superior, entre 15 e 5 milhões de anos
atrás, a Amazônia apresentava um cenário completamente diferente do atual. A região era
dominada por grandes lagos e extensos corpos d’água, que se espalharam por muitas
áreas da Amazônia Ocidental, em um período em que os rios como são conhecidos hoje
ainda não existiam.
Esse ambiente favoreceu a diversidade de animais, muitos deles extintos, com destaque
para répteis de grande porte, como crocodilos gigantes, gaviais e tartarugas enormes, além
de diversos grupos de mamíferos. Mesmo já sendo um ecossistema diverso, a Amazônia
desse período possuía características ambientais muito diferentes das que marcam a
floresta nos dias atuais.
Exposição
O professor e pesquisador Giovanne Mendes Cidade explicou que, na maioria das vezes,
os fósseis encontrados no estado estão em formações rochosas, especialmente às rochas
expostas nos barrancos dos rios. Segundo ele, esses materiais são retirados das margens e
levados ao laboratório ainda incrustados nas rochas, o que exige um trabalho técnico
cuidadoso antes que possam ser estudados ou exibidos ao público.
Ele detalhou que o processo de preparação dos fósseis consiste, basicamente, na remoção
dessas rochas para que o material fique totalmente exposto. “Então é interessante para nós
que os fósseis que sejam expostos no museu não tenham nenhum resto de rocha
atrapalhando a visão”, afirmou. Para isso, são utilizados instrumentos, como pincéis e
ferramentas específicas, que permitem a limpeza minuciosa e a preservação das estruturas
fósseis para posterior exposição no museu.

Foto: Kauã Lucas
Purussaurus brasiliensis
As pesquisas desenvolvidas no laboratório colocam o Acre em evidência no cenário
científico nacional e internacional, especialmente nos estudos sobre crocodilomorfos
fósseis, que ajudam a reconstruir o passado da região.
“Nossos crânios de Purussaurus, são provavelmente, um dos candidatos a ser o maior
jacaré de todos os tempos, os crânios completos e mandíbulas completas que nós temos
dele com certeza são os nossos achados mais raros”, afirma.
A paleontologia é fundamental para compreender a evolução da vida na Terra, explicar a
formação da fauna e da flora atuais e ajudar a identificar, a partir das extinções do passado,
os desafios e ameaças que as espécies podem enfrentar no futuro. Quem deseja
acompanhar as pesquisas, novas descobertas e atividades do laboratório pode seguir o
perfil @lpp.ufac no Instagram.
Margens
Estudantes da Ufac enfrentam atrasos e superlotação em transporte coletivo do Acre
Problemas no deslocamento e falta de segurança, sobretudo de noite, impactam rotina e desempenho dos universitários
Publicado há
3 semanas atrásem
11 de fevereiro de 2026por
Redação
Por Ana Cristina e Joyce Beatriz
Para muitos estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac), o transporte coletivo é o único meio de locomoção disponível, fundamental para desempenhar diversas atividades ao longo do dia e chegar à universidade. No entanto, o que deveria ser um simples deslocamento se transforma em uma rotina desgastante e cheia de obstáculos.
Ônibus superlotados e em condições precárias percorrem rotas incompletas e, muitas vezes, não chegam ao destino final. Paradas mal iluminadas e sem segurança se transformam em pontos de tensão: cada espera é marcada por olhares atentos, passos apressados e o receio constante de assaltos. A sensação de vulnerabilidade se junta ao desconforto físico, tornando o trajeto uma experiência desgastante que vai muito além da perda de alguns minutos.

Universidade Federal do Acre, onde estudantes enfrentam diariamente dificuldades de acesso devido à precariedade do transporte coletivo. Foto: reprodução
Essa realidade evidencia um grave problema estrutural. A precariedade da infraestrutura do transporte público e a fragilidade das políticas de segurança comprometem diretamente a qualidade de vida dos estudantes, interferindo na permanência na universidade e na conquista de seus objetivos acadêmicos. Entre o silêncio tenso nos pontos de ônibus e a incerteza de chegar em segurança, a mobilidade estudantil se revela um desafio diário que exige atenção urgente do poder público e das autoridades responsáveis.
A Ufac conta, atualmente, com três linhas de ônibus: Ufac/Avenida Ceará, Rodoviária e Ifac. Segundo alunos do período da manhã, os veículos não suprem a demanda que a universidade possui.
Impactos no rendimento acadêmico e na saúde mental
A acadêmica do curso de Educação Física, Raiça Azevedo, relata que sua experiência usando o transporte coletivo para chegar à Ufac é desgastante. “Minhas aulas começam às 7h30, além de morar longe da universidade, acabo tendo que pegar o ônibus das 5h no meu bairro para não chegar atrasada. No terminal, pego o ônibus Ufac/Avenida Ceará das 5h30 e chego à Ufac por volta de 6h05 ou 6h10. Para não precisar acordar tão cedo, tentei pegar o ônibus do meu bairro às 6h10, porém acabei chegando atrasada na aula”.
Dependentes quase exclusivamente dos ônibus urbanos e municipais, estudantes como Raiça relatam longos intervalos entre as viagens, superlotação e incompatibilidade entre os horários dos ônibus e o início das aulas, especialmente nos turnos da manhã e da noite. Para quem mora em bairros distantes como a estutante, o dia começa ainda de madrugada.
“Em uma dessas tentativas, peguei o ônibus no bairro às 6h10, ele chegou ao terminal às 6h50 e fiquei esperando o Ufac/Avenida Ceará até as 8h50, ou seja, duas horas no terminal até conseguir chegar à universidade”, relata.
O estresse causado pelos atrasos frequentes e pela incerteza do deslocamento afeta o rendimento acadêmico e a saúde mental dos estudantes. Além desses pontos, a falta de segurança, principalmente no horário noturno, causa medo e insegurança aos universitários.

Parada de ônibus no entorno da Ufac durante a noite: falta de iluminação e sensação de insegurança fazem parte da rotina dos universitários. Foto: arquivo pessoal
O acadêmico de Jornalismo, José Henrique, relata que “não há iluminação no ponto de ônibus próximo ao bloco de Jornalismo da Ufac. A parada de ônibus chega a ser completamente escura, assim como o estacionamento do bloco. Há relatos frequentes de assaltos, o que gera uma aflição”.
José também revela que em um desses casos chegou a ficar depois do horário de fechamento da Universidade, pois não havia transporte coletivo no período noturno. Segundo ele, alunos passaram horas na parada esperando por um ônibus que não apareceu.
“Foi desesperador”. O estudante afirma que quem não tinha dinheiro para pagar aplicativo de transporte, precisou procurar outra alternativa dentro da universidade, e relata alunos que dormiram em Centros Acadêmicos, por falta de outras alternativas.
Ausência de políticas públicas de mobilidade
Os acadêmicos também destacam a sensação de abandono e descaso por parte da Prefeitura de Rio Branco. A ausência de políticas públicas consistentes de mobilidade estudantil e de um transporte coletivo eficiente representa, assim, um obstáculo significativo ao direito à educação e à igualdade de oportunidades, demandando atenção urgente das autoridades e da sociedade civil.
De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufac, a falta de linhas compatíveis com os horários das aulas, principalmente no período noturno, agrava a situação e dificulta a permanência estudantil.

À noite, a precariedade da infraestrutura se intensifica: paradas sem iluminação adequada expõem estudantes a riscos e reforçam a sensação de abandono. Foto Diogo josé
Enquanto cobramos melhorias, como aumento da frota e ampliação do passe estudantil, o transporte coletivo segue como um dos principais obstáculos para quem busca acesso e permanência no ensino superior no estado.
A equipe do jornal laboratório A Catraia tentou contato com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans) para apurar os fatos relatados pelos estudantes. Entretanto, até o fechamento desta edição, o órgão não respondeu de forma oficial às solicitações enviadas.
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