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Tripanofobia: Como o medo de agulhas afeta a saúde pública e pessoal

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Por Raquel de Paula e Liz Melo

Muitas pessoas sentem ansiedade ao tomar vacinas ou injeções, para algumas esse medo pode se tornar um verdadeiro desafio para manter a imunização em dia. Esse medo, conhecido como “tripanofobia”, pode ter diversas origens, desde experiências traumáticas na infância até a associação com dor ou desespero. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou a hesitação vacinal como uma das dez principais ameaças à saúde pública, e o medo de agulhas pode prejudicar a adesão a campanhas de imunização.

De acordo com a psicóloga Nuriá Oliveira, o medo de injeções pode estar ligado a causas psicológicas variadas como traumas passados ou predisposições biológicas. “Experiências negativas com agulhas, especialmente na infância, podem criar associações duradouras com dor ou desconforto. Além disso, a sensação de vulnerabilidade e perda de controle ao tomar uma injeção pode intensificar esse medo”, explica. A forma como cada pessoa lida com o medo também influencia a intensidade e persistência desse sentimento, que pode evoluir de um receio comum para uma fobia.

Elis Caetano compartilha seu trauma pessoal relacionado a vacinas. “Eu tenho um trauma desde que eu era criança. Minha mãe me segurava, e eu não sei dizer bem o porquê desse medo, apenas tenho pavor”, conta. Ela relata que, por conta desse medo, deixou de tomar diversas vacinas na adolescência, incluindo as da COVID-19. “A vacina contra o COVID, por exemplo, tomei apenas duas doses, pois tive muito medo. Não tenho medo dos efeitos colaterais, mas da situação em si, de tomar a injeção.”

 Ela ainda revela que as dificuldades para encontrar sua veia durante exames intensificaram a aversão ao procedimento. “É torturante aquela agulha ficar dentro de mim procurando minha veia. O braço fica roxo e sou furada mais de três vezes até dar certo”, desabafa. Elis admite que o medo a impede de completar seu ciclo vacinal e não se sente confortável com a situação.

A especialista Nuriá Oliveira alerta que, quando o medo se torna excessivo e prejudica o acesso a cuidados médicos, é necessário buscar ajuda profissional. “Se o medo de agulhas impede tratamentos importantes, é hora de buscar estratégias para lidar com ele, como a exposição gradual e técnicas de respiração”, sugere. Ela também destaca que o medo de injeções pode estar relacionado a outros transtornos, como a ansiedade generalizada, e é importante tratar essas questões de forma integrada.

Para quem enfrenta esse desafio, a psicóloga recomenda diversas abordagens, como a psicoeducação, o foco no propósito da vacina e a presença de um acompanhante de confiança. “Desenvolver uma relação saudável com o medo é essencial para superá-lo e continuar a cuidar da saúde. Não se trata de nunca sentir medo, mas de aprender a lidar com ele de forma construtiva”, conclui Nuriá.

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SAÚDE

Você sabia que absorventes são gratuitos pelo SUS? Entenda como acessar o Programa Dignidade Menstrual

No Brasil, uma em cada quatro meninas deixa de ir à escola durante o período menstrual por falta de absorventes, segundo dados do UNFPA e do UNICEF

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Por Maria Lídia

Você sabia que absorventes são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? Criado pelo governo federal, o Programa Dignidade Menstrual é uma política pública voltada ao enfrentamento da pobreza menstrual no Brasil, garantindo a distribuição gratuita de absorventes e promovendo ações de orientação sobre saúde menstrual.

Apesar da iniciativa, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para que o programa chegue a quem mais precisa. “Muita gente ainda não sabe que tem direito ao benefício”, afirma Jeane Moura, coordenadora da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Bom Jesus, em Rio Branco, ao comentar as dificuldades enfrentadas por pessoas que menstruam em situação de vulnerabilidade social.

Esse desconhecimento se insere em um contexto mais amplo de desigualdade. Pesquisa realizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com o UNICEF, revela que uma em cada quatro meninas brasileiras deixa de frequentar a escola durante o período menstrual por falta de absorventes e de condições adequadas de higiene. O levantamento também aponta que cerca de 4 milhões de estudantes vivem em situação de privação de higiene menstrual nas escolas.

O cenário evidencia a pobreza menstrual como um problema estrutural que afeta diretamente a permanência escolar, a saúde e a dignidade de mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade. Como forma de enfrentamento, o governo federal instituiu o Programa Dignidade Menstrual, que assegura a distribuição gratuita de absorventes por meio do SUS e da rede da Farmácia Popular.

Distribuição nas farmácias credenciadas. Foto: EBC

Como acessar os absorventes gratuitos

O acesso aos absorventes não é automático, mas o processo é simples. Podem solicitar o benefício pessoas que menstruam com idade entre 10 e 49 anos, que tenham renda familiar mensal de até R$218 por pessoa e estejam inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).

A solicitação pode ser feita pelo aplicativo Meu SUS Digital ou diretamente em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), alternativa importante para quem não tem acesso à internet ou enfrenta dificuldades no uso de aplicativos.

Após a autorização, é possível retirar até 40 absorventes por vez em farmácias credenciadas ao Programa Farmácia Popular, mediante apresentação de documento oficial com foto e CPF. Não é necessária receita médica nem qualquer tipo de pagamento. A autorização tem validade de 180 dias.

Em Rio Branco, as UBS também funcionam como pontos de apoio para facilitar o acesso ao programa. “Quando a pessoa não consegue utilizar o aplicativo, a UBS emite a autorização”, explica Jeane Moura. Segundo ela, agentes comunitários de saúde atuam na divulgação do benefício durante visitas domiciliares, orientando a população sobre quem tem direito e como acessar o programa.

Onde retirar os absorventes

No Acre, 17 farmácias localizadas em 11 municípios estão credenciadas para a distribuição gratuita de absorventes. Em Rio Branco, há unidades em diferentes regiões da cidade, o que amplia o acesso ao benefício.

Farmácias credenciadas no Acre:

  • Acrelândia – Farmácia do Trabalhador de Acrelândia LTDA (Centro)
  • Cruzeiro do Sul – H.R Lima (Centro)
  • Cruzeiro do Sul – Empreendimentos Pague Menos S/A (Baixa)
  • Epitaciolândia – Maria da Silva Freitas (Centro)
  • Feijó – R V N Felício – ME (Centro)
  • Plácido de Castro – Sérgio Carlos Vieira – EPP (Centro)
  • Rio Branco – Empreendimentos Pague Menos S/A (Centro)
  • Rio Branco – Empreendimentos Pague Menos S/A (Bosque)
  • Rio Branco – Empreendimentos Pague Menos S/A (Estação Experimental)
  • Rio Branco – J Cruz LTDA – EPP (Cadeia Velha)
  • Rio Branco – J Cruz LTDA – EPP (Seis de Agosto)
  • Rodrigues Alves – Drogaria Minha Saúde LTDA
  • Sena Madureira – E.J da Silva de Araújo LTDA (Centro)
  • Sena Madureira – J Cruz LTDA (Centro)
  • Senador Guiomard – Aurélio Alves de Lima – ME (Cohab)
  • Tarauacá – Valdicélio Lima da Silva LTDA (Centro)

Apesar da estrutura disponível, profissionais da atenção básica reforçam que a falta de informação ainda é o principal entrave para que o Programa Dignidade Menstrual alcance plenamente seu público-alvo, especialmente pessoas em situação de vulnerabilidade menstrual.

Redação

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CONSCIENTIZAÇÃO

Com mais de 440 mil afastamentos por transtornos mentais, Janeiro Branco alerta para cuidado com a saúde emocional

Estigma e desinformação ainda afastam brasileiros da terapia, alertam especialistas

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Por Arielly Casas

O número de brasileiros afastados do trabalho por transtornos mentais tem crescido de forma acelerada nos últimos anos. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2014, cerca de 203 mil pessoas precisaram se afastar de suas atividades profissionais em razão de problemas relacionados à saúde mental no Brasil. Uma década depois, em 2024, último dado registrado, esse número ultrapassou 440 mil afastamentos, o maior já contabilizado. Para compreender os tabus em torno da busca por ajuda psicológica, especialistas apontam que a psicoterapia ainda é amplamente mal compreendida pela população. É a partir dessa premissa de conscientização que a campanha Janeiro Branco chega a mais uma edição, em 2026.

O psicólogo Francisco Souza afirma que essa resistência está ligada à forma distorcida como a psicoterapia foi apresentada ao longo do tempo. Segundo ele, quando o processo terapêutico é confundido com conselhos simples ou autoajuda, muitas pessoas acreditam que já sabem do que se trata e passam a desacreditar no acompanhamento psicológico. “Quando essa experiência não gera mudanças reais, surge a ideia de que a terapia não funciona”, resume.

Francisco Souza, psicólogo. Foto: Arquivo Pessoal.

De acordo com o profissional, a campanha Janeiro Branco busca justamente romper esse estigma ao incentivar a reflexão sobre como as emoções impactam os relacionamentos, a rotina de trabalho e a qualidade de vida, além de estimular a busca por apoio psicológico como forma de cuidado e prevenção.

Francisco Souza destaca ainda que a terapia é uma ferramenta fundamental para o autoconhecimento e para o enfrentamento de desafios emocionais, ao permitir que a pessoa compreenda melhor a si mesma e promova mudanças necessárias para uma vida mais equilibrada, contribuindo diretamente para a saúde mental e o bem-estar.

A paciente Yasmine Albuquerque relata que a terapia foi fundamental para compreender melhor os próprios sentimentos e lidar com dificuldades emocionais. Segundo ela, o acompanhamento psicológico contribuiu para um processo contínuo de autoconhecimento e mudança de perspectiva sobre si mesma.

Para Yasmine, ainda existe resistência em buscar ajuda por medo de julgamento. “Reconhecer a necessidade de apoio é um passo importante no cuidado com a saúde mental. A terapia mudou muito a minha vida”, resume.

Atendimentos acessíveis

Para quem deseja iniciar a terapia, existem alternativas mais acessíveis, especialmente para pessoas de baixa renda. Plataformas como a PsyMeet Terapia oferecem atendimento psicológico online com profissionais de todo o Brasil, com sessões de 30 minutos ao custo de R$ 30, ampliando o acesso ao cuidado emocional para quem não consegue arcar com valores da rede privada.

No Acre, a Universidade Federal do Acre (Ufac) também disponibiliza atendimento psicológico por meio do Serviço Escola de Psicologia (Serpsi), onde alunos do curso realizam atendimentos supervisionados por professores. O serviço é voltado tanto para estudantes da universidade quanto para a comunidade em geral, funcionando como uma alternativa gratuita ou de baixo custo para quem busca acompanhamento psicológico.

Horários de funcionamento do Serviço Escola de Psicologia (Serpsi). Imagem: Serviço Escola de Psicologia da Ufac.

Terapia infantil

Além do público adulto, o Janeiro Branco também chama atenção para a importância da terapia infantil. O acompanhamento psicológico desde a infância é considerado essencial para o desenvolvimento emocional saudável. A psicóloga infantil Raquel Marques reforça que observar e acolher as crianças desde cedo contribui para a formação de adultos mais equilibrados emocionalmente.

“A terapia infantil auxilia na identificação de dificuldades emocionais e comportamentais, fortalece a autoestima e ajuda as crianças a compreenderem e expressarem melhor seus sentimentos”, relata

O Janeiro Branco reforça que o cuidado com a saúde mental deve estar presente em todas as fases da vida. Com informação, acesso à terapia e construção de ambientes mais acolhedores, o bem-estar emocional se torna um passo fundamental no presente e para a construção do futuro.

Canais de ajuda

Para quem precisa de apoio em saúde mental, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que acolhem pessoas em sofrimento psíquico e oferecem acompanhamento psicológico, psiquiátrico e atividades terapêuticas. Além disso, a Atenção Básica, nas Unidades de Saúde, pode orientar e encaminhar para serviços especializados. Em situações de crise emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimento 24 horas pelo telefone 188, chat ou e-mail, oferecendo escuta e apoio emocional de forma gratuita e sigilosa.

Redação

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Nascente

As dores silenciosas das mulheres com endometriose

Para a Sociedade Brasileira de Endometriose, o diagnóstico da doença ainda é um desafio. Foto: Reprodução

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Por Beatriz Mendonça

Um momento significativo para todas as meninas é o dia do seu primeiro período menstrual. É o marco da mudança de fases, da infância para adolescência, e, por isso, se torna uma memória que permanece na mente por muitos e muitos anos. Naturalmente, não é algo fácil, sair da inocência infantil para a intensidade dos anos de adolescência, com muitos questionamentos e hormônios à flor da pele. 

Mas para algumas mulheres, esse é o início de uma vida com dores e sintomas que afetam suas vidas negativamente. Esse é o caso de Vanderleia Dias e Tácita Muniz, ambas diagnosticadas com endometriose e que começaram a sentir os sintomas, principalmente as dores de cólicas intensas, desde os primeiros ciclos menstruais.

“Além de fluxo intenso, os primeiros dias eram de muita dor, inchaço, enjoo, dor nas pernas e, mais nova, muitos desmaios por conta da queda de pressão”, relata Tácita Muniz.

Jornalista acreana Tácita Muniz, integrante da equipe da Agência de Notícias do Acre. Foto: Wendell Silva

Nascida em Cruzeiro do Sul, Tácita Muniz é jornalista e foi diagnosticada com endometriose aos 24 anos, após seus sintomas ficarem mais graves:

“Chegou ao ponto de ir várias vezes ao pronto atendimento e tomar Tramal na veia pra tentar aliviar. Isso começou a afetar diretamente meu trabalho e minha vida pessoal”, conta.

O caminho até o diagnóstico foi longo e teve início quando a jornalista fazia uma reportagem sobre mulheres que sonhavam em engravidar. Ela identificou seus sintomas com os de uma das mulheres, que tinha o diagnóstico de endometriose.

A partir daí, Tácita enfrentou um desafio comum entre as mulheres que compartilham a condição, o de conseguir o diagnóstico.

“Fiz todo exame que você imaginar e não dava nada. Endoscopia, de sangue, raio-X, e ainda ouvia algumas vezes que era muito estranho eu relatar uma dor tão forte e não aparecer nada nos exames”, relembra.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose, ainda é um desafio o diagnóstico da doença, estudos revelam que há uma grande demora entre o início dos sintomas e o resultado oficial. 

Tradicionalmente, em textos ou livros, é considerado que a investigação é feita através de cirurgia e biópsia para o estudo do caso. Porém, atualmente, com o histórico ginecológico e análise dos sintomas é possível saber se a pessoa possui a doença ou não. Exames de imagem, como ressonância magnética, também podem auxiliar nesse processo.

Um ambulatório especializado em endometriose foi inaugurado em abril de 2025, na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre). Foto: Gleison Luz/Fundhacre

Afinal, o que é endometriose?

No filme “Endometriose, a minha dor não é normal”, da diretora Marcia Paraiso, os médicos Claudio Crispi e Kárin Rossi explicam que é necessário entender a endometriose como uma doença inflamatória. Ela ocorre devido ao crescimento do tecido do endométrio – camada interna da cavidade uterina – crescer fora do útero, e afetar outros órgãos como ovários, tubas, intestino, bexiga, rins e entre outros.

“Fora do seu habitat natural, ele é um corpo estranho, e o seu organismo então passa a brigar com ele, ele não pode estar ali. E esta briga dos nossos anticorpos com esse corpo estranho passa a dar uma reação inflamatória”, explica Claudio Crispi.

Segundo o Ministério da Saúde, ainda não são compreendidas as causas da endometriose, mas as hipóteses levantam fatores genéticos, hormonais e imunológicos. Já os principais sintomas da doença são cólicas menstruais intensas, bem como dor crônica na pelve, dores durante a relação sexual e problemas intestinais e urinários.

O tratamento é feito de acordo com fatores como a gravidade de sintomas, idade, extensão e localização da doença e entre outros. Dentre as opções estão o uso de anticoncepcionais, medicamentos para alívio dos sintomas, implante do DIU hormonal e, em alguns casos, procedimento cirúrgico.  Mesmo com a perspectiva de melhora, o tratamento também é um processo desafiador.

“Tive muitos efeitos colaterais. Desde o aumento de peso, miopia pelo uso excessivo do hormônio, perda de cálcio e eu fiquei muito inchada. Muito mesmo”, conta Tácita.

Além do seu acompanhamento com o médico ginecologista, ela defende que é um tratamento que necessita ser feito com uma equipe multidisciplinar, como psicólogos e nutricionistas.

Endometriose atinge diversas mulheres brasileiras. Foto: Reprodução/Internet

“Eu passei por muitas fases. O sobrepeso, e eu ter que me reconhecer em outro corpo, por questões estéticas e também funcionais. É uma doença que só quem convive sabe. Então, é difícil você explicar o motivo de não estar bem. E os acompanhamentos médicos, dietas, são cansativos”, completa.

O suporte no tratamento

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose, 1 em cada 10 mulheres sofrem com endometriose no Brasil. Os números do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que de 2022 para 2024, houve um aumento de 76,24% no número de atendimentos de atenção primária relacionados ao diagnóstico de endometriose, contabilizando 145.744 atendimentos em 2024. Isso mostra um avanço recente no diagnóstico da doença, principalmente através da rede pública.

Vanderleia Dias, de 32 anos, relata como começou a ter sintomas muito cedo, com um fluxo menstrual muito intenso e as dores de cólicas intensas. Apesar dos anos com os sintomas, ela só veio ter o diagnóstico dois anos atrás.

“Como a maioria dos brasileiros, a gente vai seguindo a vida de acordo com o fluxo da correria da vida, vai levando. Quando sente aquilo no mês, diz ‘eu vou me consultar’, vou atrás, mas isso acaba nunca acontecendo”, comenta.

Mesmo com o diagnóstico, Vanderleia ainda não iniciou o tratamento, principalmente pelo valor elevado, em torno de 5 a 6 mil reais por ano.

Um dos principais incentivadores da criação do ambulatório, o secretário de Saúde, Pedro Pascoal, reforçou a importância desse avanço. Foto: Gleison Luz/Fundhacre

No Acre, um ambulatório especializado em endometriose foi inaugurado em abril de 2025, na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre). A iniciativa partiu da médica especializada Fernanda Bardi, que também coordena o ambulatório, frente às queixas observadas pelas pacientes diagnosticadas com a doença. A proposta recebeu prontamente apoio da gestão do hospital e da Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre), e em poucas semanas o projeto foi efetivado.

Conforme orientações da Sesacre, para ter acesso ao serviço é necessário o encaminhamento obtido em uma unidade básica de saúde (UBS), que avalia os sinais e sintomas da endometriose e direciona a paciente para o tratamento na Fundação Hospitalar. Nos 5 meses de funcionamento desde a inauguração, mais de 100 pessoas foram atendidas pelo serviço.

“Esse número mostra a importância desse espaço, que garante diagnóstico e tratamento adequado para mulheres que, muitas vezes, sofrem em silêncio com dores intensas. Nosso compromisso é ampliar cada vez mais esse cuidado, oferecendo acolhimento e qualidade de vida às pacientes”, declara Soron Steiner, presidente da Fundhacre.

Sobre a implantação do ambulatório, Vanderleia e Tácita concordam: é um grande avanço.

“Eu achei fundamental. Além de toda a dificuldade, é um tratamento bem caro, porque os exames, medicamentos, enfim, tudo, é bem caro. Além disso, amplia o debate sobre a doença e faz com que mais pessoas conheçam e consigam identificar os sintomas”, afirma a jornalista. 

Redação

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