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Curso de Jornalismo da Ufac comemora 20 anos

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História do curso é marcada pelo empenho, carinho e dedicação dos professores e alunos

Por Pâmela Celina e Marcus V. Almeida

O curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac) comemora 20 anos em 2021. A pandemia modificou a maneira de se festejar datas especiais, mas relembrar a história e a trajetória do curso é essencial para conhecer as conquistas que ele alcançou. Os laboratórios, equipamentos, premiações e eventos são somente alguns dos elementos que fazem parte da rotina dos estudantes de comunicação da Ufac. 

A ideia de criar e trazer o curso para a instituição foi do professor Jacó Piccoli. Fundado em 2001, ele foi o primeiro curso do Acre voltado para a área de Comunicação. Em 2013, foi iniciada a reformulação do curso, na qual o nome e a grade curricular são mudados. O curso deixa de ser Bacharelado em Comunicação Social e passa a se chamar Bacharelado em Jornalismo. Em 2015, ingressa a primeira turma da nova grade.

A professora mais antiga do curso, Juliana Lofêgo, tem muita história para relembrar. “Realmente eu fui a primeira professora contratada do curso, só que ele começou em 2001 e eu só fui contratada em 2002”. Lofêgo conta que outra professora também foi contratada no mesmo concurso, a Mara Vidal, mas ela retornou para sua terra natal. 

A vivência da professora no curso acompanha todas as transformações e evoluções que ele passou. O upgrade dos laboratórios, como a professora chama, é um exemplo de conquista por parte dos alunos, que se manifestaram ao bater panelas na reitoria. Os resultados da manifestação foram a instalação dos atuais laboratórios e a compra de equipamentos melhores, já que os antigos não eram bons.

Com o tempo, Lofêgo se tornou a primeira coordenadora e também viu novos professores sendo contratados, já que no começo eram de outras áreas.  “Era eu e mais uma professora, os outros professores eram de Letras e Ciências Sociais e eu fui a segunda coordenadora. Era eu com o secretário numa sala que só tinha um computador e com tudo para fazer. Eu vi os professores chegando, mas no começo eu ficava muito isolada”, relembra a professora.

O curso foi criado do zero e contou com passagens de diversos professores, principalmente da área de Ciências Sociais, que não tinham interesse em permanecer no curso. “Teve muita reclamação de alunos, porque o curso deixava a desejar, os professores não eram adequados à área, faltava livros, faltava equipamentos, essas coisas todas. Então, os primeiros anos foram difíceis, mas a gente ainda sabe que precisa de muita coisa pra melhorar”, conta Lofêgo.

Passadas duas décadas, Lofêgo vê que o curso é estruturado e possui diversas conquistas e prêmios ganhos em congressos de comunicação. Além das premiações, alguns alunos também demonstram interesse em seguir carreira acadêmica. “Todos os alunos que saíram para um mestrado voltam e falam do reconhecimento que eles têm dos professores e dos colegas porque eles fizeram leituras importantes e necessárias”.

A professora enfatiza que além de preparar os alunos para o mercado de trabalho, os professores buscam também auxiliar no desenvolvimento do pensamento crítico. Saberem olhar as coisas e identificarem o tipo de produto. Entenderem que os processos de comunicação estão além dos meios, como eles são pensados e o tipo de poder que atravessam eles. Os alunos aprendem a refletir sobre como eles mesmos estão fazendo as coisas.

O perfil de aluno que ingressa no curso também mudou. Lofêgo descreve que hoje os novos ingressantes têm interesse genuíno no Jornalismo. “Hoje em dia os alunos têm mais foco do que é o jornalismo, do que eles querem. Antes vinham muitos só porque era a noite ou queriam fazer outras coisas, acho que isso mudou com relação aos alunos. Os alunos têm chegado mais novos, anteriormente tinha pessoas que já estavam no mercado de trabalho e queriam um diploma”.

Além dos novos tipos de alunos, algo que é sempre enfatizado pela professora é a importância e o crescimento dos laboratórios do curso, assim como o auxílio que os técnicos oferecem aos alunos. “Os laboratórios cresceram muito, os nossos técnicos foram um avanço, porque no começo a gente tinha laboratório, mas não tinha técnico. Então eles ajudam no processo de formação e são essenciais”, conta.

Os professores possuem uma boa relação e o ambiente entre eles é de aprendizado, Lofêgo descreve que eles conseguem avançar como um conjunto. Segundo a professora, as atividades de extensão como a Semana Acadêmica de Comunicação (Seacom), que é realizada todos os anos, contam com a participação de diversos alunos. “Eu acho que os saraus foram muito interessantes também. A gente teve uma cena cultural, musical e autoral forte nos saraus das Seacoms, muita banda boa, muito som legal. Os alunos também fizeram parte dessa cena na cidade”

O ensino de maneira remota é uma realidade no ano de 2021. No aniversário de 20 anos do curso, as aulas acontecem por meio de computadores ou celulares, pois com a pandemia da Covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2, o distanciamento social é uma medida de proteção básica contra a doença.

A forma de ensino no pós-pandemia também é pensado pela professora.  “O presencial é essencial, o olho no olho, a conversa, tem outra dinâmica. Mas eu acho que para o futuro o ensino vai ser híbrido. Temos que conversar, ver o que deu certo, a gente vai ter que sentar depois da pandemia para ver o que vai permanecer. Eu acho que os alunos são os principais nessa discussão”, comenta Lofêgo.

A professora conta que, além de tudo o que já foi dito, uma outra mudança positiva com as novas turmas é a inclusão dos alunos. Questões como raça e classe social tornam o curso mais rico, mais plural. 

“Eu acho que é uma marca do nosso curso também, esse acolhimento das pessoas . Da forma como ela vier, ela é muito bem vinda. Independente de qualquer questão, seja religiosa, de classe, gênero, condição, orientação… Então, eu acho que o nosso curso tem essa questão do respeito muito forte”, finaliza a professora.

Valor do aprendizado

Há 14 anos no jornalismo acreano, Chrisna Lima foi a primeira mulher a se formar no curso de Jornalismo da Ufac. Editora e apresentadora na TV Gazeta, ela conta que passou por diversos setores dentro do telejornalismo, desde a produção de uma pauta até os atuais cargos que desempenha. “Quando olho para trás vejo o valor do aprendizado que me levou a estar onde estou agora”, conta a apresentadora. 

Entrando na Ufac em 2002 e se formando em 2007, Chrisna relembra das limitações que o curso tinha e como os estágios supervisionados serviram para aprender sobre a rotina de um jornalista em uma redação. “Como o curso de jornalismo era novo dentro da Ufac então engatinhamos em muitas atividades. Os laboratórios eram bem limitados e eventos com foco no jornalismo também. Aprendemos bastante em nossos estágios supervisionados. Foi justamente aí que começamos a ver o dia a dia e a realidade de um jornalista dentro de uma redação. Podemos perceber que muitas coisas eram bem diferentes da teoria dentro da sala de aula para a prática na rua no dia a dia”.

Vivência e coordenação

A professora Aleta Dreves é a atual vice-coordenadora do curso. Atualmente, ela divide a tarefa de cuidar da coordenação em parceria com a professora Luci Teston. Aleta foi efetivada em 2006 e conta que sempre quis ser professora e que dar aulas na Ufac ajudou no amadurecimento profissional dela. 

A possibilidade de realizar um evento regional na Ufac, trouxe mudanças positivas para o curso.  O Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte (Intercom Norte) de 2010 foi um marco para a história da professora Aleta no curso. Além de ser uma realização pessoal por conseguir colocar o curso de Jornalismo da Ufac no cenário nacional, o Intercom Norte trouxe mais dinamismo para ele.

Outro marco para a vivência de Aleta como professora de Jornalismo foi presenciar a formação dos primeiros alunos do curso e ver a transformação da imprensa acreana, o antes e depois de todas as turmas formadas. “Obviamente que a gente não está desmerecendo o trabalho de ninguém, muito menos de todos os jornalistas que são de tempo de carreira, mas houve uma mudança significativa de pensamento”.

“De volta ao lar”

Os alunos do curso têm diferentes trajetórias, seja atuando no rádio, na televisão, em sites de notícias e até mesmo se tornando professores universitários. O professor Aquinei Timóteo é um exemplo de aluno que retorna ao curso como professor. Ele conta que entrou como aluno em 2003, se formou em 2007 e desde muito jovem queria ser professor. “Não sabia como seria ou de que forma seria, só sabia que queria ser professor. Trabalhei em jornal impresso e em assessoria de comunicação, porém minha inclinação sempre foi para a docência”.

Após se formar em 2007, Aquinei fez especialização com o objetivo de se qualificar para quando surgisse a oportunidade de concorrer a um concurso. “O certame para professor do curso de Jornalismo da Ufac ocorreu em 2008. Felizmente passei em todas as etapas. Um ano depois de formado, eu voltava na condição de professor. Curiosamente, eu orientei e dei aulas para alguns colegas da minha turma. Foi uma situação peculiar”, relembra Aquinei.

Complexificar o jornalismo possibilita a abertura do olhar

A vivência acadêmica como aluno possibilitou experiências marcantes para Aquinei que pôde trabalhar, na disciplina de Jornal Laboratório, o tipo de jornalismo que atraía e chamava a atenção dele. “Fiz dois perfis. O primeiro sobre o senhor Domingues, que vivia no Lar dos Vicentinos. O segundo, sobre a prostituta Vanessa. Nesses dois textos pude abandonar um pouco das amarras e do estilo sacralizado que determinam nossas práticas e direcionar a minha escrita para outra dimensão, uma dimensão que possibilita a compreensão das personagens retratadas, dos seus temores e de suas aflições”.

Como professor, Aquinei conta que foi uma alegria ministrar a disciplina de Jornalismo Literário. Para o professor, ao falar de Jornalismo nunca se deve esquecer que a prática da área vem atravessada por fatores sociais, culturais, econômicos e políticos. Dessa forma, não é possível falar em “jornalismo”, no singular, mas em “jornalismos”, no plural.

“Compreendo que possibilitar ao aluno o entendimento e o acesso a diferentes formatos e práticas jornalísticas, abre um leque para assimilar a realidade a partir das suas problemáticas, saberes e circulação de conhecimentos. Complexificar o jornalismo possibilita a abertura do olhar para compreender as problemáticas que atravessam o social”, afirma o professor.

A transição de aluno para professor foi rápida. Aquinei conta que no dia que assumiu como docente, a Aleta (que na época era coordenadora do curso) estava na porta esperando para recepcionar ele e disse: “ Tu tem duas DPLE’S. Começa na próxima semana”. 

Além destas disciplinas, que são ofertadas no período das férias de fim de ano, no primeiro semestre como professor da Ufac deu aula em cinco disciplinas: três em Rio Branco e duas em Cruzeiro do Sul (que tinha o curso de Jornalismo na época). 

“É muito bom trabalhar com os meus antigos professores. Acredito que a forma particular como cada um observa a prática, complementa o pensamento sobre o campo do Jornalismo no Acre”, finaliza o professor.

Novas gerações

Com a mudança no perfil de alunos que ingressam no curso, começam a aparecer pessoas que têm interesse na área. Jornalismo literário, investigativo, cultural, assessoria de imprensa, radiojornalismo, telejornalismo e jornalismo online são somente alguns segmentos que um futuro jornalista pode seguir. 

A aluna do quinto período, Bruna Giovanna, disse que um dos motivos de ter escolhido cursar jornalismo foi a possibilidade de poder se comunicar por meio de diferentes canais. “[…] A comunicação sempre me despertou muito interesse. E após a graduação, pretendo seguir os estudos na área”.

Já o aluno do terceiro período, Samuel Cruz, tem interesse por investigação criminal e até chegou a cursar Farmácia em outra instituição. Contudo, como ele não tem afinidade com a área, decidiu trancar o curso e migrar para o Jornalismo. “ A minha ideia é que eu poderia ser um jornalista criminal, investigativo que escrevesse reportagem e tudo mais.[…] Sempre fui apaixonado por jornalismo. […] Quando eu entrei na faculdade, o ar era diferente, como se eu tivesse me encontrado e me fez ficar 100% apaixonado por jornalismo”.

O exercício e formação jornalística envolve a associação da teoria com a prática. Os alunos ingressantes e os que já estão há algum tempo no curso reconhecem a importância que ele tem para a prática e o desenvolvimento profissional.

“A formação é imprescindível para que nos tornemos jornalistas éticos e profissionais, pois tudo que aprendemos na academia também colocamos em prática com produções textuais, podcasts, vídeos, diagramações e outros. Então quando eu chego no estágio, além da teoria eu também já presenciei a prática no curso”, afirma Bruna. 

Para Samuel, o curso é fundamental para o seu desenvolvimento profissional. Ele conta que tinha um programa de TV, em uma pequena emissora da igreja que e frequenta, que ele desenvolvia com um amigo. “Depois que eu fiz jornalismo, muita coisa que eu vi em aula, que eu vi no sistema emergencial de ensino, eu percebi que eu fazia errado quando estava numa TV. E quando eu passei a trabalhar em um site de notícias, essas mudanças foram ficando cada vez mais aparentes e eu comecei a me desenvolver mais”.

A pandemia não afetou somente a rotina dos professores, os estudantes também lidam com a “migração” para os trabalhos e estudos no mundo digital. A interatividade entre aluno e professor não é a mesma da que seria no ensino presencial. 

“O sistema EAD, o Sistema Emergencial de Ensino, eles não possibilitam a livre troca de conhecimento entre aluno e professor. Claro que a gente tem o e-mail do professor, às vezes alguns até passam o whatsapp para a gente conversar. Mas não é a mesma coisa que o presencial, não é a mesma coisa que a gente estar ali escrevendo no papel, mostrando para o professor. Não é a mesma coisa que visitar o laboratório de jornalismo. Então tudo isso interfere demais na nossa aprendizagem”, desabafa Samuel.

Além do distanciamento social e das aulas retornarem no formato online, outras preocupações válidas envolvem a questão da saúde mental e o receio de contrair a Covid-19. “Eu vivia na Ufac por conta das aulas e do estágio. Nesse cenário de isolamento social e sem as aulas, comecei a sentir um forte desânimo por não saber quando voltaríamos a estudar e se eu teria alguma queda no rendimento por ter perdido o ritmo da minha rotina. Além da saúde mental, a pandemia também afetou a minha produção, pois o desânimo e o medo de contrair a Covid-19 era muito grande”, finaliza Bruna.

Algumas premiações

O curso de Jornalismo da Ufac produz muitos produtos nas disciplinas ministradas durante os oito semestres de formação dos alunos. De radionovela a revistas impressas, os acadêmicos do curso se dedicam a produzir trabalhos de qualidade que podem ser inscritos em diversos eventos e premiações da grande área de Comunicação.

O xodó de todo o curso é o jornal A Catraia, produto elaborado para as disciplinas de Jornal Laboratorial I e II, já foi produzido no formato de jornal impresso, revista e site. Os alunos do quinto e sexto período são responsáveis por produzir os conteúdos.

Primeira e segunda edição da Revista A Catraia premiada no Expocom Norte em 2020

No ano de 2020, o curso inscreveu oito trabalhos na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) do Intercom Norte que, devido a pandemia, integrou o I  Encontro Inter-Regiões Intercom e ganhou prêmios em sete categorias.

A conquista desses prêmios permitiu que o curso competisse na modalidade nacional do evento. Com dois prêmios ganhos no Expocom Nacional, o curso finalizou o ano de 2020 com nove prêmios no total. Em 2021, dois trabalhos estão inscritos na segunda edição Encontro Inter-Regiões Intercom. 

O objetivo do curso é continuar incentivando a produção acadêmica e a participação dos alunos em eventos que auxiliem no desenvolvimento e integração deles com estudantes e professores de outras instituições.

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Além dos muros da educação: estudantes negros falam sobre permanência no ensino superior

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“Quando você põe na ponta da caneta, é muito caro se manter na universidade pública”, analisa Douglas Mero, recém-formado em artes cênicas

Hellen Freitas e Ycla Araújo  

Para a maioria dos alunos, a maior dificuldade na universidade são os trabalhos complexos  e os conteúdos extensos. Para outros, esse não é o principal empecilho. O caminho para a vida acadêmica se torna desafiador pela dificuldade de permanência dos alunos, principalmente pretos ou pardos, da periferia de Rio Branco matriculados na Universidade Federal do Acre – Ufac.

A educação é uma forma de combater o racismo. A tríade gênero, raça e classe entra como algo que precisa ser pensado e refletido dentro do sistema educacional, afinal, quais grupos têm mais acesso à universidade pública? Os resquícios do Brasil Colônia ainda atingem e o avanço do país, principalmente na área da educação. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 71,7% dos jovens fora da escola são negros e apenas 27,3% destes são brancos. O mesmo estudo demonstra a desigualdade de acesso à educação nos índices de analfabetismo. Em 2019, 3,6% das pessoas brancas de 15 anos ou mais eram analfabetas, enquanto entre as pessoas negras esse percentual chega a 8,9%. 

As vagas reservadas às cotas (50% do total de vagas da instituição) são subdivididas metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita e metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e meio. Em ambos os casos, também é levado em conta o percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas no estado, de acordo com o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Jaycelene Brasil, socióloga formada na Ufac, explica: “Nos últimos quatros anos pudemos refletir a falta de incentivo aos alunos, para que eles possam acessar bolsas de estudo, estágios remunerados e outros acessos básicos para que tenham ânimo. Entre estudar ou levar comida para dentro de casa, frente a essa crise econômica que estamos vivendo, esse jovem vai preferir trabalhar”.

          Jaycelene Brasil na Feira Literária Sesc Acre | Foto: Manoelzinho Acre

A socióloga ressalta ainda “o gênero masculino tem mais facilidade de acessar o ensino superior  “mais meninos vão conseguir entrar  na universidade porque as meninas vão ser arrimo de família. Quando você olha o perfil, são pessoas brancas. No geral, a classe média, aquele jovem que tem uma estrutura familiar é que pode fazer um pré vestibular, vem de escolas particulares e não precisa trabalhar para se manter”. 

A lei 12.711 de 2012, chamada lei das cotas, determina que instituições de ensino superior vinculadas ao Ministério da Educação e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia devem reservar 50% de suas vagas para cotas. Mas afinal o que são as cotas e por que são tão importantes? 

Estudante de direito da Ufac, Gabriela da Silva Amorim, 19, fala sobre a importância dessa política pública: “Dentre muitos outros fatores, não temos como reparar a discrepância social que ficou entre negros, brancos, ricos, classe média, pobres, e o sistema de cotas funciona como uma garantia constitucional, a que fala dos direitos iguais. Nossa educação pública não é igualitária se comparada ao ensino privado, por exemplo, sem contar as condições de vida do aluno que são determinantes para um bom desempenho educacional. As cotas são um emblema de equidade, que dá a mesma oportunidade para o pobre, com acesso a um ensino mais ou menos, ingressar no ensino superior como um rico ou pessoa de classe média que teve uma preparação anos luz melhor”.

Douglas Mero, 22, que concluiu o curso de artes cênicas  na Ufac, vivenciou o preconceito contra os cotistas desde que passou a frequentar a universidade como um. “As pessoas pensam que as cotas são para ingressar pessoas que não estudam e por isso utilizam esse recurso, sendo que as cotas são uma reparação histórica para população pobre, negra, indígena e deficiente que teve o direito de estudar no ensino superior negado durante muitos anos. Sofremos preconceito, sim, tanto de forma direta quanto de forma indireta, pois muitas das pessoas se privam de ir atrás das informações verdadeiras e se deixam levar pelas conversas de boca a boca!”, frisa.

Douglas Mero no dia de sua formatura em artes cênicas, em 2022 | Foto: cedida

As cotas são uma maneira de tornar a universidade um espaço mais justo e democrático dando oportunidade aos jovens da periferia. A universidade deve ser colorida, pois só assim a educação brasileira atuará de maneira plural e antirracista , o respeito e o conhecimento juntos.

O racismo ganhou ampla repercussão em discussão recentemente no cenário brasileiro, pois tem sido percebido pelos grupos e populações que sofrem com a interferência direta e indireta dele. “As pessoas têm dificuldade em compreender o que é o racismo, diferenciar o racismo do preconceito e da discriminaçao, e de caracterizar o racismo como um crime, através do que diz a lei 7716/89”, explica a socióloga Jaycelene. Segundo a lei, crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor devem ser punidos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  divulgada em  2018 mostram que 79,2% dos jovens que frequentaram a rede privada de ensino ingressaram no ensino superior em 2017, contra 28,2% de jovens da rede pública. Isto tem grande reflexo na forma como o brasileiro enxerga e entende sobre o racismo.

Racismo ambiental

 Uma outra forma do racismo estrutural é o racismo ambiental , que ocorre quando um jovem se alimenta mal, não tem moradia adequada, saneamento básico ou mora em uma área periférica que coloca em risco sua  vida. Com tudo isso em jogo, chega a ser impossível acreditar que passar no Exame Nacional do Ensino Médio- ENEM o conceito que nasceu em 1982 por Benjamin Chavis nos Estados Unidos e ganhou reconhecimento no Brasil no início dos anos 2000, onde vários cenários de injustiça ambiental são historicamente observados.  

Exposição a locais e instalações de resíduos tóxicos, como a falta de saneamento básico, por exemplo, e ambientes perigosos, como os que moram em comunidades periféricas e sem a instalação do sistema de segurança básica. Com tudo isso, a exclusão das minorias sistemática na formulação e aplicação de políticas ambientais.

A socióloga entende que o descaso com esses espaços se deve ao fato de que eles são habitados  majoritariamente por pessoas negras. “Quando você entra em um bairro periférico,  falta a intervenção do município ou estado, de forma dinâmica planejada para cuidar do determinado espaço. No imaginário social da gestão pública, aquelas pessoas não são dignas de receber atendimento de saneamento”.  

A pandemia como desafio para a educação

O último momento enfrentado pelo mundo, a pandemia de covid-19, evidenciou que  o Brasil precisa melhorar o acesso à saúde e à educação. O isolamento levou centenas de alunos da rede pública e particular a transformar suas casas em salas de aula. Diferença foi entre classes sociais e nas facilidades em ter acesso a internet, é claro que os estudantes mais afetados eram pretos e pardos.

Devido às dificuldades de acesso à educação, muitos alunos da rede básica de ensino ligados à periferia não tinham acesso ou condições de ter o ensino remoto como opção para continuar os estudos. Com o retorno das aulas presenciais em novembro de 2021, cerca de 240 mil crianças e adolescentes não retornaram às salas de aula. 

A economia é outro fator para a evasão dos alunos das salas de aula. Durante o período pandêmico, a Ufac assim como as demais instituições do país, transformou as aulas presenciais em encontros remotos. A vida pessoal se misturou com a vida acadêmica, obrigando muitos alunos a ingressarem no mercado de trabalho para sobreviver à  crise.

Jorge Oliveira, 24, estudante de jornalismo na Ufac, comenta que a principal dificuldade ainda é conseguir conciliar tempo de trabalho e faculdade. “Estudo à noite e preciso trabalhar durante o dia. Na pandemia enfrentei mil dificuldades por não ter computador, precisei me virar e tentar fazer todos os trabalhos e provas pelo celular ”, diz o graduando.

Principal desafio do graduando Jorge Oliveira é conciliar rotina de trabalho e estudos | Foto: cedida 

 Para o  aspirante a jornalista, o trabalho se transformou em uma  obrigação que lhe ajuda a estudar. Mesmo que seja irônico ele não ter tempo de fazer os trabalhos acadêmicos, é o seu emprego o que o mantém na faculdade. “Se eu não trabalhar, não tenho como manter outras coisas dentro da universidade, como alimentação, passagens, xerox e outros materiais necessários. Isso sem incluir a minha própria moradia” explica Jorge. 

A intelectual negra Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra,  concedeu uma entrevista ao observatório da educação e explicou como o racismo estrutural está presente nas escolas e universidades de forma traumatizante. “O pós-abolição não restitui essa humanidade retirada – a escola reitera isso. Não é gratuito que nossas primeiras experiências com o racismo tenham a ver com a entrada na escola”, afirmou.

  A dificuldade em permanecer na universidade se dá pela carência de políticas públicas que  criem condições para o jovem ensino superior federal. Apesar da lei de cotas ter aumentado em 39%  a entrada de pretos, pardos e indígenas  na universidade até 2016, a permanência do aluno na vida acadêmica depende de vários fatores. 

A discussão é não apenas como chegar na universidade, mas também como se manter dentro dela. Nas periferias, o  jovem que sai da escola e encontra a realidade econômica social, como a falta de distribuição de renda e  investimentos na região amazônica, e em especial o Acre, afeta diretamente os sonhos da juventude  que busca por meio dos estudos mudar sua condição social.

Para o futuro jornalista Jorge Oliveira, a realidade do sistema de bolsas de estudos oferecidas pela instituição federal em que estuda é falha.  “Todos sabem que as bolsas da Ufac não são tão fáceis de conseguir, muitos que não precisam de verdade têm, às vezes, mais de uma bolsa, enquanto outros não conseguem nenhuma. E eu faço parte dos que não têm o privilégio de poder apenas estudar enquanto recebe ajuda de familiares ou de bolsas de estudo”,  desabafa.

Gabriel Aguiar, 25, estudante de bacharelado em geografia, faz parte da parcela de alunos que mantém a universidade com ajuda do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Entretanto, nunca pleiteou as bolsas de auxílio da universidade. 

“São bolsas extremamente difíceis de conseguir, além de que tem muito aluno que ganha sem realmente precisar e a bolsa vira uma espécie de mesada, enquanto tem alunos que realmente precisam. Quando você põe na ponta da caneta, é muito caro se manter na universidade pública”, complementa.  

A permanência dentro dos centros universitários depende, acima de tudo, das oportunidades básicas de saneamento básico, transporte e alimentação. Condições financeiras, alimentação de qualidade, moradia e saneamento básico adequados são direitos essenciais  que todo estudante de universidade pública deve usufruir para que seu rendimento acadêmico seja notório. 

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Na Ufac, eleições diretas do Diretório Central dos Estudantes não acontecem desde 2018

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Último presidente eleito deixou gestão em 2020; quem representa os estudantes há dois anos?

Por Luana Dourado

As últimas eleições para a gestão que representa os estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) no Diretório Central dos Estudantes (DCE) aconteceram em 2018 e  foram válidas até o dia 14 de março de 2020. De acordo com o último presidente eleito, Richard Brilhante, as eleições estavam programadas para ocorrer em abril do mesmo ano, o que não ocorreu, por conta da suspensão das aulas presenciais no dia 16 de março do mesmo ano devido à pandemia de covid-19. 

“O final do mandato coincidia com a conclusão do meu curso. Continuei respondendo até 14 de agosto de 2020, quando perdi o vínculo institucional e me afastei. Com a pandemia, as eleições foram adiadas até um momento mais oportuno”, conta o ex-presidente do DCE. 

O atual presidente do DCE é Danilo Lopes, do curso de Engenharia Florestal, que fazia parte da chapa eleita em 2018. Danilo explica que o estatuto da entidade representativa não previa eleições online: “Para que a gente fizesse essa alteração no estatuto, a proposta de alteração seria online também. Então, estaríamos em desconformidade com o estatuto desde o princípio de fazer alteração e uma eleição online. A gente tinha o entendimento de que era necessária a ampla participação dos estudantes. Na época, alguns movimentos de oposição defendiam que o ensino remoto não era participativo, porque, em tese, nem todos os estudantes conseguiriam participar. Então, se não poderiam participar do ensino remoto em uma eleição remota, também não teria como ter a participação ampla dos estudantes”.

Mesmo atuando de forma irregular, há estudantes que se sentem representados pela atual gestão que, de acordo com Danilo, é composta por cerca de 12 pessoas, sendo que algumas permanecem desde a última eleição e outras são voluntárias, estudantes que não foram eleitos no último processo eleitoral, mas que atualmente trabalham no Diretório. Com  a pandemia, alguns Centros Acadêmicos foram desativados, por conta de dificuldades de conexão. Mesmo assim, alguns cursos conseguiram se manter contato frequente com o DCE. “Eles sempre buscam saber qual é a demanda do curso. Como estávamos sem representantes no Centro Acadêmico, eles estavam fazendo essa mediação, temos esse contato próximo”, contou Elias Silva, acadêmico do curso de Teatro. 

Há estudantes, no entanto, que não conhecem as ações desenvolvidas pelo Diretório. É o caso do acadêmico do 5º período do curso de Medicina, Leonardo Novais. “Não sei quem é o presidente, nem como eles atuam, porque não acompanho”, conta. 

Já Graciela Sales, do curso de Bacharelado em Educação Física, tem conhecimento sobre algumas ações porque acompanha as redes sociais da entidade, “eu não estava aqui quando aconteceram as últimas eleições, só vejo assim por cima o que eles postam em relação aos jogos porque sigo a página no Instagram. Eu acho que me sinto representada por eles, mas não ligo muito para essas coisas”, admite. 

Nas redes sociais do Diretório é possível acompanhar os eventos promovidos na universidade, principalmente pelas atléticas, associações desportivas dos cursos. Também é possível monitorar as ações em relação ao transporte coletivo, algo que tem causado transtorno para a comunidade acadêmica. 

“A gente entende que o serviço é insatisfatório em toda a cidade e estamos em constante monitoramento da questão do transporte público. Há uma atenção especial da parte da RBtrans para a comunidade acadêmica e isso se comprova na configuração das rotas. Fizemos uma agenda com a RBtrans para tratar dessa pauta e eles se comprometeram inclusive com a reativação do terminal de integração do Ifac”, explica o presidente.

Novas eleições devem acontecer ainda neste semestre

De acordo com a União Nacional dos Estudantes (UNE), o DCE é a entidade representativa de todos os estudantes da universidade em que ele está alocado e tem o papel de discutir, definir e lutar pelos interesses do conjunto dos estudantes dentro da universidade. Ainda de acordo com a UNE, o DCE congrega diversos Centros Acadêmicos (CA’s) que são as entidades representativas dos estudantes de um curso. 

Segundo Danilo Lopes, com a pandemia, diversos Centros Acadêmicos foram desativados, o que também impossibilita o rito eleitoral do Diretório. “O processo eleitoral do DCE depende dos Centros Acadêmicos. Com o surgimento de algumas competições desportivas, algumas atléticas foram reativadas e voltaram ao funcionamento. Mas a maioria dos Centros Acadêmicos só começou a reativar a gestão com o retorno presencial. No primeiro semestre que passou foi um retorno presencial ainda muito acanhado. Com o arraial da Ufac, houve uma mobilização de reativação dos CA’s, então, houve um ganho. Estamos auxiliando no processo de reativação de vários Centros Acadêmicos que fazem parte desse processo natural do rito do processo eleitoral do DCE, que tem previsão para acontecer neste semestre letivo corrente”, detalha.

DCE não pode perder a essência

Faixa de protesto contra os cortes nas universidades | Foto: Luana Dourado

Para o ex-presidente Richard Brilhante, faltam mais debates sobre políticas estudantis e de assistência. “Eu respeito as pessoas que estão conduzindo a entidade no momento. Mesmo com o mandato vencido, é importante reconhecermos o esforço de manter uma atuação até que possam realizar novas eleições. Mas sinto falta de mais debates sobre políticas estudantis e de assistência, além de uma conversa franca com a comunidade acadêmica sobre o cenário das universidades, sobretudo da nossa Ufac. Ficou comum perdermos direitos e benefícios e não questionarmos. Acho que isso precisa mudar. Historicamente, o DCE da Ufac liderou as principais movimentações políticas na cidade. Nós sempre pautamos a melhoria do transporte público, discutimos políticas educacionais em todo o estado, apoiamos greves de categorias, sempre fomos front nas lutas e nos debates. Não podemos perder essa essência”, pondera. 

Na visão do cientista social Hugo Costa, a necessidade dos estudantes se organizarem para melhorar a formação acadêmica e reivindicar a solução de problemas, no sentido democrático de uma representação estudantil, mostra os valores da sociedade organizada. Sendo a universidade um exemplo micro, onde não só as questões individuais são levadas em conta e sim um bem maior, o todo, refletindo, assim, questões da sociedade no macro. 

No entanto, a situação da universidade e do Diretório, de acordo com o cientista social, é preocupante. “Nos últimos anos, o Brasil considera que mais investimentos em educação pública são gastos. Seria de fundamental importância que os acadêmicos estivessem cientes do risco que correm com tal política educacional. Percebo, infelizmente, que essas questões entraram no rol da polarização política onde defender ensino público de qualidade virou ‘coisa de esquerdista’, basta comparar uma reunião do colegiado com uma reunião das atléticas. Observo que é necessária uma autocrítica de mobilização dentre as representações estudantis não somente para compor chapa de eleições para o DCE, mas também para expandir o debate e explicar quais perdas são consequências dessa desorganização. Não considero que as atléticas tenham esvaziado o movimento estudantil, mas sim que o movimento estudantil perdeu tal contato”, conclui.

Onde está o estatuto?

De acordo com o ex-presidente do DCE, Richard Brilhante, o estatuto da entidade precisa estar disponível na sede do Diretório para todo estudante que solicitá-lo. Essa informação foi reforçada pelo atual presidente, Danilo Lopes, que disse que “para ter acesso ao estatuto basta solicitar”. No entanto, não foi possível encontrar o estatuto na sede do Diretório localizada no campus Rio Branco. O documento também foi solicitado ao atual presidente da entidade representativa, mas até a publicação desta reportagem não obtivemos retorno.

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Editais aprovam novas e renovadas ações de extensão

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Ufac atrai comunidade externa em diversos cursos e eventos, como o Pré-Enem

Por Kezio Araújo e Karina Paiva

A Universidade Federal do Acre (UFAC), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex) tem como objetivo oportunizar o intercâmbio de saberes,   proporcionando encontros entre a comunidade externa e a acadêmica. De acordo com a assessoria da Proex, somente neste ano de 2022 já foram cadastradas 53 ações em 6 editais. Os editais 11/2022 (Cursos de Extensão – resultados) e 12/2022 (Eventos Acadêmicos – resultados) tiveram inscrições finalizadas em 29 de abril e os resultados divulgados em 20 de maio.

Os editais têm o objetivo de potencializar e operacionalizar a realização de cursos de Extensão e de eventos ligados aos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da UFAC, a serem realizados no segundo semestre de 2022. Ambos buscam oferecer apoio financeiro para a realização de ações (cursos e eventos) através do pagamento de Auxílio Financeiro (bolsas) aos estudantes selecionados pelos projetos. Os estudantes que tiverem interesse devem ficar atentos aos processos seletivos para seleção de bolsistas que acontecerão após a publicação dos resultados dos projetos contemplados.

De acordo com a Proex, os cursos pré-Enem e Libras estão entre os que são oferecidos todos os anos e que possuem maior público. A Diretoria de Ações de Extensão (Daex) conduz o projeto de extensão pré-Enem, um curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio. O público-alvo são alunos oriundos de escola pública que cursam a 3ª série do ensino médio ou que concluíram há no máximo três anos, em instituição pública de ensino. 

O curso é ministrado por estudantes de graduação e bolsistas de extensão da UFAC, com o objetivo de contribuir para que alunos de escolas públicas obtenham melhores resultados no Enem, habilitando-os de forma mais competitiva para o certame e auxiliando-os a ingressar na referida universidade ou em outras instituições de ensino superior.

As aulas do Pré-Enem estão previstas para iniciar no dia 30 de maio, em Rio Branco, Assis Brasil, Epitaciolândia, Cruzeiro do Sul e Porto Walter. Na capital acreana as aulas serão 100% presenciais e no interior do Estado, o curso será dividido entre os formatos presencial e online.

Os frutos do investimento

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Estudante participou de pré-Enem no interior e hoje já está cursando Saúde Coletiva na UFAC (Foto: Kezio Araújo)

Antonia Roseli Cavalcante Melo, 20 anos, foi uma das alunas contempladas com o pré-Enem “Tô na Ufac” no ano de 2019, no município de Jordão, interior do Acre. Na ocasião, a Universidade e a prefeitura haviam assinado um acordo de cooperação para a oferta do projeto de extensão, com objetivo de aumentar as chances de acesso ao ensino superior de pessoas de baixa renda.

Melo cursa o primeiro período de Saúde Coletiva. Ela diz que o curso foi fundamental no processo de preparação para o Enem para conquistar a vaga na UFAC. “Com certeza foi muito importante. Uma base preparatória que foi útil para conquistar essa vaga e realizar o meu sonho de ingressar no ensino superior em uma Universidade Federal”, destacou.

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