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Saúde

Os riscos do cigarro eletrônico

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Por Eduardo Menezes Almeida

Os cigarros eletrônicos ou vapes, como são popularmente conhecidos, foram criados originalmente para servir como opção para quem deseja largar o vício nos cigarros convencionais.

Os dispositivos podem ser recarregáveis, com bateria ou descartáveis, além disso possuem um designer tecnológico e chamativo, o que tem atraído muitos jovens e adolescentes para o seu consumo.

A venda, distribuição e comercialização do produto é proibida no Brasil, apesar disso o seu consumo é permitido, isso faz com que exista um mercado ilegal do produto no país. O PROCON é o responsável pela fiscalização e apreensão do produto.

Em 2009, a AVISA emitiu uma resolução informando que não há dados que comprovem a eficácia do produto contra o vício dos cigarros convencionais. Segundo pneumologistas o uso do cigarro eletrônico pode causar uma dependência ainda maior do que o cigarro de combustão, pois pode chegar a possuir o dobro de nicotina, substância essa altamente viciante e que pode variar de acordo com a marca do fabricante.

Segundo o médico Mastologista e Cirurgião Oncologista, Wesley Pereira Andrade a troca do cigarro convencional para o cigarro eletrônico não é segura. “Houve uma troca de nicotina, ou seja, o produto de consumo mudou, mas o vício permaneceu o mesmo, mantendo assim os mesmos riscos de doenças que um cigarro de combustão causaria”, completou.

Em 2019, segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), foram registradas seis mortes nos Estados Unidos e outras 380 enfrentaram tratamentos contra doenças pulmonares causadas pelo consumo do cigarro eletrônico.

Os registrados tinham entre 15 e 35 anos. A venda e comercialização do produto é permitida no país, o que vem aumentando os casos de doenças pulmonares principalmente nos jovens dessa faixa etária.

O oncologista explicou que além da nicotina outras toxidades podem ser encontradas nos cigarros eletrônicos e que causam consequências irreversíveis para a saúde dos usuários. “Podemos dizer que o cigarro eletrônico possui dois ricos: o individual, que seria o surgimento das doenças relacionadas a seu uso e a ocorrência de explosões e intoxicação pelo contato com seu líquido; e o risco coletivo, esse seria um risco mais social, o impacto da entrada desse produto na sociedade, entrando como medida de controle do tabaco de um país”, disse.

 Um dos agravamentos que podem ser notados nos usuários do cigarro eletrônico seria o aumento no risco de infarto agudo do miocárdio e de doenças respiratórias e pulmonares, como asma. Além de possuírem substancias cancerígenas que a longo prazo podem evoluir para um câncer no pulmão.

De acordo com o advogado especialista em Direito Médico e Planos de saúde, Luan Santos, a indústria foi o principal motivador para o aumento no número de usuários do cigarro eletrônico.

Santos explanou que a indústria foi o principal impulsionador para o aumento de usuários, ao perceber que decorrer do tempo vinha perdendo muitos usuários do cigarro convencional. “Traz uma nova cara para a mesma droga, de preferência um instrumento tecnológico, com design bonito, cores diferentes, descolado e inovador, isso acaba atraindo novos usuários e resinificando algo que em tese não mudou nada”, complementou.

De acordo com o advogado existe outro projeto de lei do deputado Cataqui (DEM-SP), que quer regularizar o cigarro eletrônico e aprovar a sua venda e comercialização de forma comparável como é feito com o cigarro convencional.

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Saúde

Amor de mãe

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Por Claudya Simone Oliveira, Gercineide Maia  e John Catão

Rodrigo nasceu com uma condição especial, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que logo foi percebido pela mãe e outros familiares. Lavínia Melo, 25 anos, empreendedora, formada em Engenharia Agronômica pela UFAC, é mãe dos gêmeos Rodrigo e Murilo Barcelos, de apenas 3 anos e 2 meses. 

Para ela, ser mãe de uma criança com TEA é um aprendizado diário, ela aprende muitas coisas com seu filho ao mesmo tempo que também ensina. “O Rodrigo é uma criança extremamente metódica, então, procuram sempre mantê-lo dentro da rotina, mas em contrapartida, é um bebê muito carinhoso e brincalhão”, declara a genitora.

Melo diz que foi observando a forma de seu filho brincar que começou a perceber algumas características: muitos movimentos repetitivos, sempre rodando objetos, gostava muito de brincar sozinho e não de socializar com outras crianças, apenas com adultos. “Notei essas características e procurei ajuda profissional”, conta.

O diagnóstico

De acordo com o Ministério da Saúde, o Transtorno do Espectro Autista (TEA)¹ é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 70 milhões de pessoas no mundo vivem com alguma forma do transtorno do espectro autista e frequentemente são sujeitas à estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos. Globalmente, o acesso aos serviços e apoio para essas pessoas ainda é inadequado.

De acordo com a Organização Panamericana de Saúde, “o TEA começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, as condições são aparentes durante os primeiros cinco anos de vida”. E uma em cada 160 crianças têm algum grau do Transtorno.

No Brasil, a estimativa é que no país existam cerca de 2 milhões de pessoas com TEA. No Acre, segundo dados da Associação Família Azul, há atualmente cerca de 10 mil autistas, incluindo crianças e adultos.

A identificação de atrasos no desenvolvimento, o diagnóstico rápido e encaminhamento para apoio de especialistas na idade mais precoce possível pode levar a melhores resultados.

Preconceito e discriminação

Em 2012 foi aprovada a Lei 12.764, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, que segundo seu  Art. 4º,  a pessoa não será submetida a tratamento desumano ou degradante, não será privada de sua liberdade ou do convívio familiar nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência.  

Mesmo com os últimos avanços nas leis, muitas pessoas com TEA passam por  preconceito e discriminação e a falta de informação contribui para o aumento desse quadro. Melo relata que houve um caso dessa natureza ainda quando as crianças eram muito pequenas. 

 “A ex-babá usou palavras ofensivas direcionadas não somente aos filhos, mas para toda à família e isso nos deixou muito tristes”.  No momento, não temos sofrido nenhum tipo de preconceito e esperamos que isso não aconteça mais de forma alguma. Não se trata apenas de amor de mãe, mas de um amor que ultrapassa as barreiras do coração e que defende o direito de uma criança que precisa ser respeitada pela sociedade, acrescenta Melo.

Inclusão escolar

Atualmente, Rodrigo estuda na Escola Solar Kids, onde conta com acompanhamento qualificado, que procura dialogar com a família ao desenvolver atividades. “Sempre informamos as condições de nosso filho, que se dá muito bem com os coleguinhas de sua turma. Mas essa não é realidade de todas as escolas no país, afirma a mãe.

De acordo com Art. 7º da Lei 12.764, o gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos e segundo Parágrafo 1º dessa mesma lei, em caso de reincidência, apurada por processo administrativo, assegurado o contraditório e a e a ampla defesa, haverá a perda do cargo.

Lavínia Melo deixa uma mensagem para os pais que não aceitam o diagnóstico.  “É uma condição que não passa, mas fechar os olhos para isso, eu chamo até de egoísmo, porque o quanto antes você aceitar, mais cedo você poderá ajudar o seu filho a ter um estilo de vida ‘comum’ e independente”, finaliza. 

Não deixe que a desinformação contribuía para o aumento do preconceito e discriminação!

Falando com um especialista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo a psicóloga, Drª Marina Almeida, é uma condição de saúde que se caracteriza por um dano em três áreas muito importantes para o desenvolvimento do ser humano, que são: as habilidades socioemocionais, a atenção compartilhada e a linguagem. “Nos dias atuais, a ciência nos fala de muitos tipos de autismo, e não apenas um, como se imaginava, o qual se manifesta de forma única em cada pessoa” informa a psicóloga. 

A pandemia e a obrigatoriedade do distanciamento social ocasionaram grandes mudanças nas rotinas das crianças com autismo e seus familiares. “Quem convive com um autista, já sabe que a rotina é muito importante para eles, independente do grau diagnosticado. E a interrupção dessa rotina se transforma em um grande desafio para a continuidade do tratamento”, acrescenta.

Marina Almeida nos fala que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é clínico, devendo ser feito conforme os critérios impostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), “fazendo-se uma observação direta do comportamento do paciente, e uma entrevista com os pais e/ou cuidadores”. Esse diagnóstico requer uma avaliação completa por todos os profissionais que fazem parte da equipe, para orientar o tratamento adequado.

Conforme a psicóloga, “existem alguns sinais que podem alertar os pais e professores quanto à possibilidade do TEA, sinais esses que devemos nos ater, com muita atenção, como um comportamento atípico e um desenvolvimento diferente ao que se espera para aquela faixa etária”. Ela explica que as crianças com TEA possuem certa dificuldade em olhar no olho das pessoas, costumam andar na pontinha dos pés, geralmente apresentam atrasos ou ausência da fala. 

Segundo Marina Almeida, esses sinais geralmente se apresentam antes dos 3 anos de idade. E mesmo sendo comum aos pais notarem algumas alterações no desenvolvimento dos filhos antes dos 2 anos, eles tardam a procurar por uma ajuda especializada. Mas vale ressaltar que a atenção básica é fundamental para a identificação inicial dos sinais e sintomas de risco para o portador do TEA.

Olhar nos olhos é uma estratégia comunicacional, facilita uma melhor compreensão da fala do outro, passando também a impressão de atenção, respeito e confiança. “Mas, no caso de crianças com TEA, isso não tem a menor importância, pois dão maior atenção à fala, perdendo, dessa forma, de aprender e entender os significados das expressões faciais”, explica  a psicóloga.

“A explicação para essa dificuldade de olhar no olho parece estar relacionada à forma como o cérebro dessas crianças se organiza, eles percebem o mundo de um jeito diferente, que é só dele. E essa é uma das primeiras formas de tratamento para o TEA (Transtorno do Espectro Autista), que é o fortalecimento da comunicação através do contato olho no olho”, esclarece.

Quando a criança com TEA tem um comportamento que não é adequado, esses podem ser moldados para que diminuam ou, até mesmo, deixem de existir. Para isso, têm-se à disposição a Terapia Comportamental, que trabalha visando melhorar a inserção social da criança ao meio que está inserida, ajudando também os familiares a conviver melhor com essas questões. Muitas dúvidas ainda pairam sobre possibilidades de cura, mas esta é uma condição permanente, a criança nasce e torna-se um adulto com TEA . 

Apesar de todo avanço da Ciência com pesquisas, ainda não foi possível encontrar uma cura, mas o tratamento costuma diminuir dificuldades encontradas, favorecendo o desenvolvimento e a interação social de cada pessoa.

Associação Família Azul do Acre

O grupo surgiu após 30 mães de autistas reunirem-se todos os meses para tratar algum assunto relacionado à saúde, educação, suas angústias do dia a dia, compartilhar terapias, segundo Heloneida da Gama, presidente da Associação. A partir disso, em 2014, houve o entendimento de formalizar a associação juridicamente, para que a causa pelos direitos e necessidades dos autistas se tornassem mais eficazes.

A Associação Família Azul do Acre (Afac) tem  por  finalidade  defender  os  direitos  e  interesses  das  pessoas  com  o Transtorno do Espectro Autista – TEA, devendo, para tanto, promover, apoiar e incentivar a realização de todas as ações necessárias para esse fim, podendo ainda desenvolver programas de adaptação e inclusão social das pessoas com TEA e apoio a seus familiares.

A presidente Gama deixa claro que a Afac presta assistência social às famílias que têm filhos com autismo por meio da execução direta de projetos, palestras, acolhimentos de pessoas, orientações escolares e familiares, terapias psicossociais, treinamentos a profissionais da saúde, educação, programas ou planos de ações. “Esta associação também conta com parceiros, pessoas que se disponibilizam a ajudar, doar um sacolão ou um remédio. A maior dificuldade, acredito, é que não temos uma sede própria, um espaço para receber, acolher as famílias. Não temos um profissional da psicologia ou da assistência social que nos ajude”, destaca a presidente.

A Afac possui uma página no Instagram: @afac.familia_azul, uma página no Facebook: Autismo no Acre – AFAC. 

As Instituições que atendem no momento são:

  • CER III (Estadual), com especialidade em fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional;
  • Centro Municipal de Autismo, especialidades em fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, equoterapia, que segundo a Associação Nacional de Equoterapia – ANDE, trata-se de um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar e interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais;
  • APAE, especialidades fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia. 

Lei Romeo Mion

Sancionada com vetos em 2020, a Lei Nº 13.977 – conhecida como Lei Romeo Mion – estabelece a emissão de uma Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Seu nome foi inspirado no adolescente Romeo, de 16 anos, que é filho do apresentador de televisão Marcos Mion e tem TEA. 

A Lei Romeo Mion cria a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA – CipTEA em sua versão abreviada – ou seja, garante a todos aqueles com o diagnóstico de autismo um documento que possa ser apresentado para informar a condição do indivíduo. Além disso, ela altera dispositivos da Lei 12.764/2012, a Lei Berenice Piana.

Garantias e benefícios da Lei Romeo Mion

Além da documentação que facilita a identificação de uma pessoa no espectro autista, a Lei Romeo Mion ainda oferece outros benefícios aos usuários. Alguns deles são: 

  • Atenção integral;
  • Pronto atendimento e prioridade no atendimento e acesso aos serviços públicos e privados (em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social).

Documentos necessários para emitir a carteirinha

A CipTEA pode ser emitida por órgãos estaduais, distritais e municipais que executam a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Ao solicitar o documento, a família deve apresentar os seguintes dados:

  • Requerimento; 
  • Relatório médico com a indicação do código da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID).

O requerimento deve conter dados como: 

  • Nome completo;
  • Filiação;
  • Local e data do nascimento;
  • Número da carteira de identidade;
  • Número do CPF;
  • Tipo sanguíneo;
  • Endereço residencial e telefone;
  • Foto 3×4;
  • Assinatura ou impressão digital do interessado.

Da pessoa cuidadora são exigidos: 

  • Nome completo;
  • Documento de identificação;
  • Endereço residencial;
  • Número de telefone e e-mail.

Com validade de cinco anos, a legislação ainda exige que a família mantenha os dados cadastrais atualizados e que, sempre que a carteira for renovada, o número de identificação seja mantido. Isso porque ele permite a contagem das pessoas com TEA no território nacional.

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Saúde

Impactos da pandemia no Lar Vicentino Raimunda Odília

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Por Gercineide Maia

O Lar dos Vicentinos, Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPIS) mais antiga do Acre, fundada em 1955, apenas para homens e que atualmente abriga um total de 50 idosos (34 homens e 16 mulheres), ao longo da pandemia de Covid-19 sofreu diversos impactos entre seus colaboradores e abrigados.

Como forma de evitar a disseminação da doença o Denor (Departamento de Normatização e Orientação), órgão de assessoramento para assuntos relacionados às Unidades Vicentinas, decidiu adotar todas as medidas de segurança propostas pelos órgãos sanitários, inclusive a suspensão das visitas.

Embora os cuidados tomados, 23 idosos foram diagnosticados com Covid-19 em março de 2021, e desses, 3 chegaram a óbito devido a contaminação. Na época o surto foi informado a Secretaria de Saúde do município que diante da situação o Ministério Público (MP) acompanhou o fato e pediu que os testes fossem refeitos.

A presidente do Conselho Particular do Lar dos Vicentinos, Ana Maria Sobreira, relata que com a restrição de visitas, o contato com a família passou a ser online e para manter essa comunicação foi comprado um celular para que as pessoas idosas mantenham contato com às suas famílias por meio videochamadas. “Porém muitas vezes eles não se satisfazem em falar somente a distância”, enfatizou.

A diretora do Lar, Waldenize Rebelo explicou que que neste período de pandemia o distanciamento social tornou-se um grande desafio pois antes existiam uma presença constante da comunidade, faculdades e igrejas. “Eram realizadas atividades motoras, música, pintura, modelagem, dentre outras e com a pandemia tudo foi suspenso, inclusive a visita, a presença da família”, lamentou.

Rebelo destaca que nesse período da pandemia notaram um estresse mais alto nos idosos, aquela situação de arengar o tempo todo dentro do quarto.  “Na realidade, a pandemia machucou o emocional, por causa dessa falta da comunidade, porque boa parte deles não tem família, o carinho, a atenção que recebem é da comunidade, do estranho que se senta e ouve, que escuta, que dá uma palavra de apoio e a falta da comunidade dentro do lar nesse período de pandemia foi a parte mais difícil para eles”, destaca a diretora.

Para a diretora com esse distanciamento, a maioria das pessoas idosas que já são ansiosas e tomam medicamentos psicotrópicos para essa ansiedade, com essa falta de contato ficaram mais tristes. “Só a equipe interna não estava dando conta de assistir emocionalmente, por mais que você se entregasse, se doasse, o atendimento estava sendo insuficiente”, acrescenta.

Segundo a assistente social Alzirene Diógenes Saldanha, a pandemia afetou a todos diretamente e indiretamente em vários sentidos e isso não foi diferente para as pessoas idosas que estão institucionalizadas, que fazem parte do lar. “Elas sofrem com algumas mudanças como a questão das visitas dos parentes que só podem visitar mediante da terceira dose, conforme comprovação da carteira de vacina, uma vez que a vida dos abrigados precisa ser preservada, declara.

Mudanças ocorridas a partir da intervenção do Ministério Público

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por intermédio da Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Pessoa Idosa e Pessoa com Deficiência,  emitiu em fevereiro de 2021 a Recomendação Nº 001/2021/PJEDPIPCD, notificação para corrigir algumas irregularidades identificadas e melhorar a prestação de serviço no Lar

A atuação do Ministério Público do Acre (MP) foi muito importante para que houvesse melhoramentos no lar, principalmente nesse tempo de pandemia.  A antiga diretoria foi afastada e houve nomeação da atual direção, foi constatado ter documentação atrasada, e consequentemente, o lar ficou quebrado financeiramente, sem condições de pagar esses documentos, só de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a instituição pagou 21 mil.  Para sair dessa negatividade e mostrar o que realmente o lar é para a comunidade, os Lares Vicentinos de todo Brasil se juntaram para ajudar o de Rio Branco, confirma a diretora.

Segundo relato da presidente do Conselho Particular de Rio Branco do Lar Vicentino, Ana Maria Sobreiro, desde que assumiram em março do ano passado, os cuidados com as pessoas idosas aumentaram,  se criou os protocolos, através do Ministério da Saúde todos foram vacinados com a terceira dose contra Covid-19, contra a gripe, todos os funcionários são obrigados a usar  equipamentos de proteção individual (EPI’s) como máscara, touca, luvas,  álcool em gel,  em cumprimento às orientações sanitárias.

“Hoje as pessoas idosas que vivem no Lar Vicentino têm o que merecem, que estava faltando hoje eles têm. Antes eles não tinham psicólogo, assistente social, nutricionista, fisioterapeutas e depois que assumimos, conseguimos trazer esses profissionais para o lar e para um melhor atendimento aumentamos o número de cuidadores, tudo isso solicitado pelo Ministério Público (MP)”, declara a diretora.

No início de dezembro, o Lar Vicentino Raimunda Odília abriu seu espaço para visitação para familiares e comunidade mediante agendamento e respeitando protocolo de saúde e orientações

Rotinas e atividades

Com a pandemia da Covid-19, com restrição da visitação, atividades internas foram propostas e reajustadas, seguindo protocolo.  “Tentamos, fazer festinhas de aniversário, danças, forró, criamos um cantinho para que eles se socializassem. Estas atividades juntamente com as visitas virtuais, realizadas por videochamadas, ajudaram a melhorar, principalmente, a saudade, a tensão, o nervosismo”, ressaltou a diretora Waldenize Rebelo.

No início de dezembro, o Lar Vicentino Raimunda Odília abriu seu espaço para visitação para familiares e comunidade mediante agendamento e respeitando protocolo de saúde e orientações do Departamento de Normatização e Orientação (Denor) nacional da Sociedade São Vicente de Paulo. “Mesmo abrindo as portas para a família, desde dezembro, somente 4 famílias compareceram para visitar e alguns dos familiares ainda não estão com a vacinação atualizada e isso interfere nas visitas”, conta a diretora Rebelo.

A assistente social Alzirene Saldanha pontua a importância que o vínculo familiar seja estabelecido e explicou a complexidade do assunto, pois se houvesse um vínculo familiar forte, as pessoas idosas não estariam no lar. “O fato é e pouquíssimos têm vínculo e que várias situações levam a institucionalização da pessoa idosa”, destacou.

Depoimentos dos idosos

Maria Barroso Rufino, 80 anos, natural de Boca do Acre, viúva, mãe de 4 filhos disse que quando ocorreu o número de infecção no lar não teve medo e que não sentiu nada, a não ser as pernas cansadas. “Só tenho medo daquele lá de cima”, acrescenta.

Rufino relatou que durante a quarentena, mesmo no quarto com mais duas idosas, se sentia sozinha. “Meu Deus que solidão que eu estou aqui dentro, mas Deus vai me dar força, fazer com que eu saia daqui doente eu não estou porque dizem quando bate o negócio dessa doença dá febre, fastio e eu não tive febre, bebia água, comia bem, brigava quando a comida vinha pouco. Eu falava mesmo e eu só pensava em sair de lá, pois eu me sentia presa e aí foi quando eu saí”.

João Batista Oliveira, 66 anos, solteiro, natural de Rio Branco, contou que exerceu a profissão de técnico de enfermagem em várias instituições e emocionado demostrou seu medo diante da pandemia. “Fiquei com muito medo da pandemia, muita gente pegando, então fiquei com medo de contrair a doença”, afirmou o aposentado.

Maria Geralmira Bandeira, 62 anos, natural de Senador Guiomard, viúva, professora de educação especial aposentada, mãe de dois filhos, foi uma das primeiras idosas a tomar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 disse que ter medo e que reza por proteção de seus parentes.

Despesas e manutenção

As despesas e custos no Lar Vicentino são diversas e exigem recursos altos para a sua manutenção e sustentabilidade.  “O idoso contribui com 70% de seu benefício e aquele idoso que não tem parente, não tem ninguém, o dinheiro, o resto dos 30% fica na casa para quando ele precisar de uma medicação, dentre outras necessidades pessoais como pintar o cabelo, fazer as unhas”, declara a presidente do Lar.

De acordo com a diretora Waldirene Rebelo, há gastos com refeições diárias, produtos de higiene e limpeza, fraldas geriátricas, remédios, energia elétrica, água mineral, internet, telefone, combustível, gás de cozinha, material para papelaria e escritório, manutenção predial e encargos como Guia da Previdência Social (GPS), folha de pagamento do salário dos funcionários, gastos com Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), dentre outros.

Rebelo destacou que o Lar Vicentino de Rio Branco Raimunda Odília é um prédio antigo e precisa ser reformado e ampliado. “Um exemplo dessa necessidade é que foi solicitado que fossem instalados chuveiros elétricos em todos os banheiros e foram instalados, porém a fiação não comporta, precisa ser mudada”.

Segundo a diretora Rebelo, a entidade é a única instituição do Brasil que não recebe Orçamento participativo do município, dinheiro que poderia ser empregado em pequenas reformas, dentre outras atividades.

Diante desse quadro, representantes do Lar Vicentino, em reunião realizada no dia 6 janeiro, expuseram a situação ao prefeito de Rio Branco Tião Bocalom que afirmou que a prefeitura não vai medir esforços para ajudar na reforma do Lar Vicentino.

A diretora disse que o lar não tem recursos financeiros para fazer essa reforma, para deixar o prédio bonito, mas que eles, enquanto instituição, capricham na higiene, na alimentação, no amor, no atendimento da saúde para que as pessoas idosas que vivem no abrigo tenham uma qualidade de vida melhor”.

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Saúde

Impacto da pandemia na Coreia do Sul

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Por Andreana Lucas e Souza e Ycla Araújo

O novo vírus covid-19 se tornou um dos maiores e mais graves casos sanitários do século XXI. Era esperado que em resposta a essa nova doença, os países adotassem métodos de amenizar os impactos causados pela doença.

Em diversas pesquisas, a Coreia do Sul aparece como um país que teve um trabalho bem-sucedido no controle contra o coronavírus. Nos primeiros dois meses da crise, o país se destaca mantendo uma baixa taxa de letalidade, em comparação a outros países no mesmo período, sem a necessidade de fechar fronteiras e comércios, mesmo sendo fronteira com a China, onde se iniciou às infecções. Como mostra o gráfico a seguir do site “Our World in Data” que registra e faz  mapeamento dos casos da doença no mundo desde de o começo da pandemia:

Comparativo dos países no início da pandemia em 2020

Muitos métodos foram organizados para que houvesse uma facilidade em detectar os infectados, como tecnologias de rastreamento, além do governo ter distribuído equipamentos de segurança e testes individuais para a população.

Entretanto, a propagação do vírus não diminui com o passar dos dias, e o crescimento de infectados acontece em todo o mundo e mesmo com os cuidados da Coreia, os números continuam a subir.

O mundo neste momento de primeira “onda”, passa por um momento de grande caos por conta do grande número de pessoas que contraíram, enquanto a Coreia se organiza em três formas de combate considerando: as características governamentais e de saúde no país, a evolução da, até então, epidemia e medidas e métodos de resposta à covid-19. Todas elas são levando em consideração situações como a infraestrutura, cobertura populacional com atenção à saúde, a taxa de médicos por habitantes, prestação de serviço, histórico do sistema de saúde. Tudo isso é levado em consideração o estudo desde a data do primeiro caso, a sua evolução até o centésimo caso, a letalidade e as medidas de vigilância no país.

Com todos esses cuidados, o país fecha o ano de 2020 com 1.029,57 casos registrados, enquanto nos Estados Unidos fecha com 182.680,86 e o Brasil com 36.278,43.

Casos confirmados em dezembro de 2021 onde coreia está abaixo dos outros países

A população coreana conta com mais de 52 milhões de habitantes, ocupando uma área de 100.210km e é a 13ª maior economia mundial. O sistema de saúde conta com dois subsistemas: 1) seguro de saúde com gerenciamento público, que cobre cerca de 96% da população; 2) o sistema de saúde público é custeado através do imposto e é voltado para os mais pobres, cobre cerca de 4%. O seguro adota a compra dos serviços nos meios privados e sua infraestrutura se destaca com a alta disponibilidade e qualidade de serviço.

O país já tinha uma estrutura para lidar em casos de situações epidemiológicas e investigações de surtos sanitários e a resposta usada foi com base no Plano Nacional de Gestão das Doenças Infecciosas. No início, a Coreia adotou medidas baseada em dados e na ciência, o protocolo assegurava uma atuação em conjunto com a participação da sociedade e lideranças. O primeiro alerta foi em 3 de janeiro de 2020, após a notificação do primeiro caso na China, o segundo alerta veio em 20 de janeiro com o primeiro caso registrado na Coreia do Sul. Esse caso foi registrado em uma mulher vinda da China, e ela foi interceptada logo no aeroporto. O terceiro alerta aconteceu em 27 de janeiro devido ao aumento de confirmados. Entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2020 mostra que os principais registros são da China, porém também acontece em países próximos como Singapura, Japão e Tailândia. A Coreia em 20 de fevereiro registra seu centésimo caso positivo é a primeira morte por covid-19.

Casos Confirmados onde a china está em destaque no início de 2020

Adotou-se também infraestruturas como: implantação de centros de triagem no nível distrital de avaliação dos sintomas, organização de unidades de terapia intensiva, definição de hospitais e alocação de especialistas em doenças respiratórios; implantação de leitos em espaços de hospitais de campanha em casos leves, qualificação dos profissionais, destinação de ações para proteção dos profissionais da saúde.

A comunicação social foi usada para incentivar a população sobre as questões de distanciamento e trabalho em casa, além do governo ter cancelado eventos públicos, restrição de viagens e o fechamento de escolas e universidades. As atualizações sobre as condições e avanços da pandemia eram atualizados constantemente nos sites do país, além do estado mandar mensagens de alerta aos celulares dos cidadãos. As divulgações de prevenção eram divulgadas constantemente para a população sul coreana.

O protocolo de isolamento não contava com o fechamento das fronteiras, no entanto o sistema de rastreamento por meio de um aplicativo no celular era bastante eficaz aos viajantes que passavam ou retornavam ao país. Os identificados por suspeita ou confirmados positivos eram colocados em quarentena domiciliar e aos estrangeiros, o governo disponibiliza centros públicos para abrigo sem cobrar taxa durante os dias de isolamento.

Os centros de triagem na modalidade drive-thru tiveram o objetivo de ampliar diagnósticos e reduzir a exposição dos profissionais, os testes levam em média 10 minutos para serem realizados e os resultados enviados por mensagem aos pacientes no prazo de três dias. Regiões de difícil acesso, foram desenvolvidos veículos com cabines capacitados para a entrada nesses lugares para a realização dos exames. Além disso, uma linha telefônica também foi criada com atendimento 24h para triagem e orientação, conduta e direcionamento dos casos. Todas essas atenções foram essenciais para para que o ritmo de infecções não fosse extremas, que mesmo sem fechar o país e nem impor o lockdown, a população teve a consciência dos cuidados e se pode observar uma diminuição de mobilidade nos centros de transporte público, como em estações que reduziu 40,6% entre janeiro e março e foi observado que o uso de bicicletas se mostrou maior nesse período.

A Coréia do Sul buscou a diversificação das vacinas, podendo ser essa uma das justificativas do início da imunização quase três meses depois do Reino Unido, que foi o pioneiro na vacinação em dezembro de 2020 . Nisso, em fevereiro de 2021 a imunização foi iniciada para a população sul coreana com as primeiras doses da Pfizer-BioNTech e foram priorizadas e destinadas aos profissionais da saúde que estavam na linha de frente  no combate a covid-19. Pelo gráfico a seguir, podemos perceber constantemente que o país se mostrou estável nos registros de novos casos da doença e relação como países como o Brasil, Estados Unidos e o Reino Unido:

Estabilidade de casos confirmados na Coreia do Sul

Comparativo da Coreia do Sul com o Brasil

Como a imagem também mostra, o aumento de casos no Brasil enquanto se tem o declínio dos outro países devido a imunização no nosso país ter iniciado tardiamente e lentamente, visto que o interesse público não foi respeitado pelos responsáveis da aquisição e distribuição da vacina,  o que resultou além do grande número de várias vidas brasileiras perdidas, como também o colapso na economia. Os impactos vão muito além da saúde no Brasil  o que não podem ser mensurados e não existem as expectativas de reestruturação e estabilidade. Enfim imunização no país iniciou em março de 2021 e demorou cerca de nove meses para alcançar 75% da população com a primeira dose da vacina, como mostra o gráfico a seguir com o espelho de vacinação do mês de novembro do mesmo ano:

Comparativo de doses aplicadas entre os países em novembro de 2021

Se realizarmos um comparativo da imagem percebemos que na Coréia do Sul quase a mesma porcentagem já estava na segunda dose do imunizante evidenciando como os coreanos mais uma vez souberam direcionar as medidas públicas contra o covid-19 o que refle atualmente nos registros dos países analisado, sendo assim a Coreia do Sul está em primeiro lugar na imunização de seu país, como mostra o gráfico abaixo do site Our World in Data:

Em 2022 Coreia permanece na frente com a imunização e aplicação de doses da vacina

Disso tudo, a Coreia do Sul investiu majoritariamente em medidas ao combate a doença covid-19  e os impactos causados por ela. Com providências compensatórias e de proteção social destinadas a reduzir o impacto econômico e garantir que a vida dos cidadãos seja preservada, o governo anunciou um orçamento  com o qual foi aprovada uma série de planejamentos fiscais, incluindo garantias de crédito, apoio de emergência às famílias, empresas de turismo e indústrias de exportação.

Em comparação com o Brasil, que teve ações tardias e lentas no combate à doença, os coreanos sulistas mostraram forma de lidar com uma crise epidemiológica  com combinações de vigilâncias, tecnologias, inteligências artificiais e monitoramento, ou seja, conjunto de ensinamentos baseados na experiência sul-coreana com o objetivo de controle e manejo da doença.

Portanto os impactos da pandemia do novo vírus covid-19 foram bem menores do que os que foram causados no Brasil, tantos de casos quanto a mortes causadas na Coreia do Sul ao todo foram 719 mil casos registrados e 6.501 mortes desde o início da pandemia, já no território brasileiro foram 23,6 mil casos e 622 mil mortes, ou seja, dez vezes mais que na coreia do sul. Mesmo que haja o comparativo de habitantes é nítido como as ações de combate interferiram na vida da população de cada país. Neste caso temos dois países que agiram de formas diferentes e os resultados mostram como as medidas tomadas ajudam ou pioram a situação.

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