CAV conseguiu capacitar mais de 100 funcionários da rede pública do estado contra a discriminação de gênero e recebe primeira colocação em prêmio nacional o de direitos humanos
GUILHERME LIMES
O Brasil ainda é considerado o país que mais discrimina e violenta o público LGBTQIA+ no mundo, e mesmo diante do isolamento social provocado pela pandemia de covid-19, os casos só tenderam aumentar. Tendo em vista essa situação, o Ministério Público do Estado do Acre (MPE/AC) atuou no amparo de grupos sociais que são alvos de discriminação e violência de gênero no nosso estado e se tornou referência nacional com as atividades executadas durante os últimos anos, e na pandemia.
A luta pela garantia de direitos e por políticas públicas que possam atender a este público ainda é pouco discutida em espaços políticos, públicos e privados, por serem considerados “polêmicos”. Apesar tudo, muitos espaços já estão atendendo as demandas que conferem a não exercício da discriminação de raça e gênero em alguns estabelecimentos.
Afinal, apenas em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a considerar homofobia como crime no nosso país. Lei que entrou em vigor e passou a ser punida pela Lei de Racismo ao considerar aos casos que envolvem discriminação e preconceito por orientação sexual e identidade de gênero como crimes. Antes disso, o MPE havia fundado o órgão auxiliar Centro de Atendimento à Vítima (CAV) especializado em atender demandas que atingissem a violência de gênero e sexualidade.
O assunto da homotransfobia foi discutido em webinário promovido pelo Ministério Público do Acre (MP-AC)
Ainda no ano passado, mesmo com os riscos que a pandemia provocava socialmente, o órgão trouxe a premiação ao MPE ao ser considerado referência no atendimento de enfrentamento de violência de gênero. Tendo em vista, que durante a pandemia, o Acre foi considerado o estado com maior registro de violência contra mulher de risco de vulnerabilidade de gênero do país. Assim, o CAV começou a ser acionado com mais efetividade justamente pelas estratégias que foram adotadas para atender pessoas em situação risco.
CAV como referência
O MPE se tornou referência nacional no atendimento e acolhimento ao público LGBTQIA+ devido as atividades exclusivas efetuadas pelo CAV e tendo o reconhecimento da premiação, obtida em 2020, em 1º lugar na categoria na Defesa de Direitos Humanos. De acordo com órgão, o atendimento é realizado por diversos tipos de profissionais, entre eles: psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e assessores jurídicos capacitados para atender exclusivamente estas
Ainda neste ano, o órgão foi responsável por capacitar mais de 100 profissionais ao promover palestras e oficinas que contemplassem temáticas LGBTQIA+ em promoção a sensibilização e conscientização. Estas campanhas de capacitação foram lançadas em uma parceria feita entre o MPE, a Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
De acordo com o CAV, entre 2016 a 2020, foi acompanhado o número de 148 casos de pessoas que compõem o público LGBTQIA+ em que o órgão pôde fazer um atendimento de situações em que não envolviam apenas violência, mas também no fornecimento de outras necessidades pessoais, como na promoção de cidadania, seja orientando, encaminhando ou fazendo os acompanhamentos.
Por outro lado, de junho de 2016 a outubro de 2021, o órgão conseguiu acompanhar cerca de 54 casos que envolviam LGBTIfobia no Acre. Todos esses registros foram realizados utilizando as estratégias para que as vítimas pudessem realizar as denúncias com segurança e não se sentissem em situação de risco após solicitarem.
Para a estudante Angel Souza sem o apoio que pôde receber o CAV, sua situação para retificar seu nome social estaria estagnada há mais tempo, mas desde que os solicitaram, muitos dos protocolos puderam ser efetivados com facilidade e rapidez.
“A recepção deles foi ótima. Me senti muito contemplada, porque me ajudaram a conseguir os outros documentos que eu necessitava retificar e autenticar. Sem contar que foram muito atenciosos comigo. Só estamos no aguardo de outros documentos que estão faltando para poderem me acompanhar na mudança deles também. Não tenho o que reclamar, apenas agradecer ao suporte.”, contou.
A estudante de Saúde Coletiva explica que ainda faltam dois documentos para serem retificados e conseguir seu nome social. Mas que o CAV tem dado o suporte necessário. (Arquivo pessoal)
Levando em consideração ao contexto de pandemia, o CAV também passou a disponibilizar atendimento psicológico remoto gratuito para pessoas LGBTQIA+. Em que diversos profissionais da psicologia se voluntariam para a realização do atendimento exclusivo através de telefone ou por meio de mensagem de texto de aplicativo.
Estratégia e projetos
Uma de suas estratégias utilizadas durante a pandemia foi a internet. O MPE criou um aplicativo “Centro de Atendimento à Vítima” disponível para sistema operacional Android. O app tem o recurso para a realização de denúncia, que são diretamente encaminhadas para as Promotorias responsáveis pelo tipo situação, além de informar os casos que são considerados como violência doméstica, violência sexual e LGBTIfobia. O órgão também tem realizado atendimentos por meio do WhatsApp como outra medida para as pessoas conseguirem realizar suas denúncias.
O CAV também tem realizado alguns projetos voltados totalmente ao público LGBTQIA+ neles estão sendo pautadas questões que envolvem campanhas e ações que visem a resolução do combate a discriminação e também suporte às vítimas de violência e preconceito. Como o “Ser diferente não é crime” e o “Coletivo de psicólogas (os): acolhimento psicológico para a população LGBTIQA+”, que fornece atendimento psicológico gratuito.
Suporte e combate à discriminação
Ano passado, o Acre registrou o caso fatal de Fernanda Machado que foi vítima de transfobia. E nessa última sexta-feira (30), O MPE por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), perante o Juízo da Vara de Delitos de Organizações Criminosas do Estado do Acre, a condenação de Rafael Kevew Braga e Vítor Alexandre Junqueira a penas que somam quase 40 anos de reclusão pela tortura qualificada pelo assassinato de Machado.
Durante esse período, o CAV se tornou alinhado da família da vítima, e prestou apoio de acolhimento. De acordo com o MPE, o órgão atua nesse segmento assistencial dando suporte exclusivo para familiares e amigos da vítima que tenham ficado vulneráveis.
“Às vítimas de crimes e seus familiares, inicia-se com a abertura do caso e posteriormente são realizados atendimentos presenciais, visitas domiciliares, visitas institucionais (acompanhamento de procedimentos e de tratamento de vítimas), contato telefônico, encaminhamentos às instituições que fazem parte (ou não) da rede de atendimento, reuniões institucionais, estudos de casos, abrigamentos de mulheres e crianças em situações de vulnerabilidade e extrema ameaça, e demais eventos que envolvem a temática do atendimento à vítima.”, explica o CAV.
O CAV começou a ser acionado com mais efetividade justamente pelas estratégias que foram adotadas para atender pessoas em situação risco
Desde o julho do ano passado, a Coordenadora-Geral do Centro de Atendimento à Vítima – CAV, Procuradora de Justiça Patrícia Rêgo, participou da “Capacitação Multidisciplinar para o Enfrentamento de Violência Doméstica e Familiar”, promovida pela Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AC), “Ações do Ministério Público no Combate à Violência de Gênero” foi a temática abordada pela. Em sua apresentação, destacou a importância do planejamento estratégico, que vem sendo realizado na instituição desde 2011, para melhorar os resultados dos serviços para a população. Desde então, a coordenadora também tem atuado no combate à discriminação contra LGBTIfobia no Acre, dentro de todos os parâmetros que garantem os direitos e promoções à população LGBTQIA+ nos segmentos se encontram em vulnerabilidade ou em outras condições que necessitem de atendimento especial a este público.
Com um dos menores fluxos de visitantes do país em 2023, segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo e da Embratur, o Acre enfrenta o desafio de fortalecer sua presença no cenário turístico nacional e internacional. Diante desse cenário, guias e demais profissionais do setor buscam alternativas para inovar, diversificar as ofertas e manter a atividade em funcionamento. Nesse contexto, compreender o perfil de quem escolhe visitar o estado se torna uma etapa estratégica para orientar ações de reposicionamento e impulsionar o turismo local.
Segundo o guia de turismo Tássio Fúria, o perfil predominante dos turistas atendidos está entre 25 e 45 anos, faixa etária que concentra a maior parte do público. Além da idade, outro ponto também chama atenção: diferente do que se imagina, muitos visitantes chegam sozinhos. “Eu atendo bastante gente solo. Depois vêm casais, famílias e grupos de amigos, nessa ordem”, conta.
Guia de Turismo Tássio Fúria Foto: arquivo pessoal
O destaque vai para mulheres que viajam sozinhas, em busca de experiências mais seguras e planejadas. “Com a presença de um guia, muitas mulheres conseguem visitar lugares que sozinhas não iriam”, relata.
Os turistas que chegam ao Acre, geralmente, passam por Belém ou Manaus e vêm com expectativas ligadas à Amazônia: floresta, aldeias indígenas, rios e animais estão entre os principais atrativos.
“O que mais atrai esses turistas, primeiro, são as aldeias. As pessoas querem muito ter contato com as etnias; quanto mais cultural parecer, melhor para elas”, explica o guia.
Além disso, a natureza e a fauna despertam curiosidade. “Se a pessoa entra na floresta e consegue ver uma cobra, uma preguiça ou um boto na água, isso é satisfatório para elas”, comenta.
Os pratos típicos também fazem parte do roteiro dos visitantes. Eles não saem daqui sem experimentar tacacá, baixaria, peixe e suco de cupuaçu.
Turistas no mercado quebrando castanha Foto: Tássio Fúria
O guia conta ainda que muitos turistas se surpreendem ao conhecer a cidade. Muitos chegam a acreditar que tudo é apenas floresta e se deparam com uma realidade diferente do que imaginavam.
“Se impressionam com o centro organizado, as distâncias curtas, o fato de em 15 minutos do hotel estarem dentro de uma área de floresta, como também de haver espaços de visitação gratuitos com guiamento, são pontos que chamam a atenção deles”, relata.
O turismo visto de dentro
Quem mora no estado costuma enxergar o turismo de forma diferente. Para muitos acreanos, os atrativos locais fazem parte do cotidiano e, por isso, acabam passando despercebidos ou sendo subestimados.
“O acreano é também um turista na própria terra. Ele desconhece as potencialidades do lugar onde vive e, muitas vezes, subestima o que tem aqui”, afirma Fúria.
Nesse contexto, o desafio é apresentar os mesmos destinos sob outra perspectiva. Assim, o acreano tende a buscar trilhas, atividades de aventura, roteiros alternativos, eventos culturais e experiências de lazer que ofereçam novidades dentro do que já é conhecido. Para estimular esse interesse, o guia afirma que cria propostas específicas voltadas ao público regional, explorando novas formas de vivenciar o estado.
“Entre os períodos de chegada de visitantes, eu fico inventando coisas para proporcionar lazer, entretenimento e conscientização para o público local”, relata.
Trilha na Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá Foto: arquivo pessoal
Dessa forma, o turismo, para quem mora no Acre, deixa de ser apenas visita a pontos turísticos tradicionais e passa a ser uma forma de redescoberta do próprio território, revelando que o estado guarda experiências que nem sempre são percebidas por quem convive com elas todos os dias.
Em meio aos dados e números apresentados, permanece a pergunta: a escassez de turistas no Acre é resultado da falta de investimentos consistentes, de sua localização geográfica e das dificuldades de acesso, ou de um conjunto mais amplo de fatores que ainda precisam ser enfrentados?
A equipe do jornal A Catraia entrou em contato com a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo do Acre (Sete) para comentar os dados e esclarecer as estratégias adotadas pelo governo para ampliar o fluxo de visitantes no estado. Até o fechamento desta edição, no entanto, não houve retorno.
Presente em padarias, feiras livres, lanchonetes, festas e até nas bicicletas de vendedores ambulantes que circulam com caixas térmicas pelas ruas de Rio Branco, o quibe se tornou parte do cotidiano alimentar no Acre. A versão mais emblemática dessa popularização é o quibe de macaxeira, adaptação regional que substitui o trigo pela raiz amazônica e consolidou o salgado como símbolo da identidade culinária local.
Originalmente preparado na região do Levante, área que abrange países como Líbano e Síria, o quibe é feito com carne de cordeiro, trigo para quibe (bulgur), hortelã e especiarias, podendo ser assado ou frito.
A receita chegou ao Brasil com imigrantes sírios e libaneses entre o fim do século XIX e o início do século XX e, ao longo do tempo, passou por adaptações conforme os ingredientes disponíveis e os hábitos alimentares locais.
No Acre, a transformação foi além da simples substituição de itens. Surgiram versões que dialogam diretamente com a cultura alimentar amazônica, como o quibe de arroz e, principalmente, o de macaxeira também conhecida como mandioca ou aipim. Ao trocar o trigo pela raiz ralada ou amassada, o salgado ganhou textura mais macia por dentro, crocante por fora e sabor mais suave, criando uma identidade profundamente regional.
Quibe de arroz, alternativa criativa e econômica, que reaproveita ingredientes do dia a dia sem perder sabor. Foto: arquivo pessoal
Segundo o historiador Francisco Bento da Silva, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), a culinária é uma das expressões mais visíveis da mistura cultural. “A comida muda tanto quanto as pessoas que migram”, afirma.
Para ele, a presença da macaxeira na receita representa a incorporação de saberes indígenas e amazônicos a um prato de origem árabe. “Não é apenas uma troca de ingrediente; é um encontro de histórias.”
Além da base diferente, o quibe acreano apresenta temperos próprios, formatos variados e recheios adaptados ao gosto local, carne bem temperada, cheiro-verde e pimenta regional.
Em Rio Branco, o salgado é facilmente encontrado em padarias de bairro, mercados, lanchonetes e feiras populares. O preço varia conforme o tamanho e o ponto de venda, mas, em média, custa entre R$5 e R$10 a unidade.
Em festas e encomendas, também aparece em versões menores, servidas como salgado de evento. Vendedores ambulantes ajudam a manter viva a tradição, levando o produto para diferentes bairros e reforçando sua presença na rotina urbana.
Nutrição e sabor
Do ponto de vista nutricional, a composição varia conforme a receita e o modo de preparo. De acordo com a nutricionista Flávia Dias, o quibe feito com trigo combina carboidrato complexo e proteína, oferecendo fibras, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Já a versão com macaxeira é fonte de energia e naturalmente sem glúten, podendo ser alternativa para pessoas com restrição ao trigo.
Quibe de trigo, versão tradicional, preparada com trigo para quibe e temperos clássicos da gastronomia árabe. Foto: reprodução
As versões fritas concentram mais gordura e calorias, enquanto o quibe assado tende a ser mais equilibrado. A recomendação é priorizar carnes magras, incluir vegetais na massa e utilizar ervas frescas para agregar valor nutricional.
Quibe cru, preparação típica da culinária árabe, servida crua, com carne fresca, trigo hidratado e especiarias. Foto: reprodução
O quibe no Acre hoje supera a tradição original para abraçar a diversidade local. Com versões que utilizam trigo, arroz ou macaxeira, o salgado demonstra a capacidade de adaptação da gastronomia do estado.
O prato deixou de ser apenas uma herança do Oriente Médio para se tornar um símbolo da identidade acreana, unindo o saber dos imigrantes aos ingredientes da floresta. Consolidado no cotidiano de Rio Branco, o quibe com sotaque amazônico segue em constante evolução, sem apagar as memórias que o trouxeram até aqui.
A prática de trilhas tem ganhado cada vez mais espaço no Acre, impulsionada pelo interesse em atividades ao ar livre e pelo contato direto com a floresta amazônica. Em meio a esse crescimento, a ética da aventura baseada em segurança, preparo e responsabilidade coletiva torna-se fundamental para evitar riscos e garantir experiências positivas na natureza.
Trilhas são caminhos utilizados para caminhadas em ambientes naturais e têm origem muito antes do lazer. Povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais já utilizavam esses percursos como rotas de deslocamento e sobrevivência. Com o passar do tempo, especialmente a partir do século XX, a prática passou a ser associada ao ecoturismo e às atividades de aventura, sendo conhecida em outros países como hiking, caminhadas curtas feitas no mesmo dia, e trekking, percursos mais longos que envolvem pernoite.
No Brasil, as trilhas ganharam maior visibilidade a partir da criação de parques e unidades de conservação ambiental. No Acre, muitas rotas acompanham antigos caminhos da floresta e ainda apresentam grande potencial para o ecoturismo, como ocorre no Horto Florestal, em Rio Branco, onde trilhas são utilizadas tanto para lazer quanto para educação ambiental.
Segundo o guia de trilhas Tassio Fúria, o envolvimento com atividades ao ar livre começou ainda no ciclismo e foi se aprofundando ao longo dos anos. “Especificamente com trilhas, dá para dizer que comecei em 2018”, afirma. Para atuar profissionalmente, ele explica que é necessário realizar um curso técnico e estar registrado no Cadastro do Ministério do Turismo, o que permite atuar legalmente em segmentos como o ecoturismo.
Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa
A segurança coletiva é um dos pontos centrais destacados pelo guia. De acordo com Tassio, abandonar um integrante durante a trilha é uma falha grave na condução da atividade. Ele explica que cabe ao guia organizar o grupo de acordo com a proposta do percurso, controlar o ritmo e garantir que todos permaneçam juntos do início ao fim.
O tema do abandono em trilhas chama atenção para os riscos da prática sem planejamento adequado. Em situações relatadas por praticantes, pessoas já foram deixadas para trás por não conseguirem acompanhar o ritmo do grupo, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, desorientação e exposição a animais silvestres, especialmente em áreas de floresta fechada.
A diretora-geral da TV5, Simone Oliveira, de 39 anos, pratica trilhas há cerca de três anos e relata que a experiência começou a partir de um convite para participar de uma competição. “Foi amor à primeira ida”, conta. Formada em Educação Física, ela passou a levar alunos de um projeto solidário para as trilhas como forma de incentivo à atividade física.
Simone Oliveira, trilheira. Foto: cedida
Entre as experiências mais marcantes, Simone destaca uma trilha em que acompanhou uma aluna que pesava 115 quilos. “Ela conseguiu concluir o percurso. Todos nós choramos na linha de chegada”, relembra. Para ela, a trilha é uma atividade que deve ser feita em grupo, como forma de incentivo e superação do sedentarismo.
A ética na aventura, segundo Simone, está diretamente ligada ao cuidado com o outro. “É não deixar o grupo para trás, ajudar nos obstáculos e cruzar a linha de chegada todos juntos”, afirma. Ela reforça que cada participante tem seu próprio ritmo e limitação, e que o apoio coletivo faz toda a diferença para a conclusão do percurso.
O preparo antes da trilha também é citado como essencial. Simone destaca o uso de blusa de manga, calça, calçado adequado e alimentação leve antes do início da atividade. Para quem está começando, o conselho é simples: “Vá com calma, tenha cautela e esteja sempre ao lado de alguém de confiança que já tenha experiência”.
Outro fator que interfere diretamente na segurança é o clima amazônico. Durante o período chuvoso, áreas alagadiças fazem com que animais busquem locais mais secos, aumentando a possibilidade de encontros com cobras, insetos e outros animais silvestres. Nessas condições, as atividades ao ar livre ficam mais limitadas e exigem ainda mais atenção.
A experiência de trilha no Horto Florestal, em Rio Branco, reforça o caráter educativo da atividade. Considerada de nível fácil, a trilha pode ser feita em poucos minutos, mas costuma se estender por mais tempo devido às paradas para orientações e explicações. Durante o percurso, o guia recomenda o uso de roupas coloridas para facilitar a visualização do grupo e alerta sobre cuidados básicos de segurança.
Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa
Além da segurança, a trilha se transforma em um espaço de aprendizado ambiental. Ao longo do trajeto, os participantes conhecem rios, aprendem sobre a extração da borracha das seringueiras e observam a fauna local, fortalecendo a relação de respeito com a floresta.
Mais do que uma atividade física, as trilhas no Acre mostram-se uma experiência de convivência e conscientização ambiental. Nesse contexto, a ética da aventura se consolida como um princípio essencial para que a prática aconteça de forma segura, responsável e sustentável.