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Centro de Referência Paralímpico na UFAC promove inclusão e forma atletas

Criado para fomentar a inclusão e o desenvolvimento esportivo de pessoas com deficiência, o Centro de Referência Paralímpico do Acre, localizado dentro da Universidade Federal do Acre (UFAC) tem se consolidado como referência na formação de atletas e no incentivo à prática esportiva. O espaço funciona graças a parceria entre o governo Federal, governo do Estado, por meio da Secretaria de Esportes e Ufac.

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Projeto atende 118 alunos e se prepara para o Meeting Paralímpico em abril

Por Paula Amanda, Thaynar Moura e Jhenyfer Lima

Criado para fomentar a inclusão e o desenvolvimento esportivo de pessoas com deficiência, o Centro de Referência Paralímpico do Acre, localizado dentro da Universidade Federal do Acre (UFAC) tem se consolidado como referência na formação de atletas e no incentivo à prática esportiva. O espaço funciona graças a parceria entre o governo Federal, governo do Estado, por meio da Secretaria de Esportes e Ufac.

Aluno Rikley Sampaio saindo da piscina em mais um treino de natação. Foto: Thaynar Moura 

 Coordenado pelo professor Clodoaldo Castro, o projeto existe há dois anos e atende 118 alunos, oferecendo quatro modalidades: atletismo, natação, bocha e halterofilismo, além de duas atividades de cunho participativo, como futebol recreativo e exercícios rítmicos.

Alunos treinando. Foto: Paula Amanda

O Centro recebe crianças, jovens e adultos de 7 a 35 anos com deficiência visual, intelectual ou física. Para participar, os interessados devem apresentar documentos pessoais e um laudo médico. Cada modalidade é adaptada ao perfil do atleta, garantindo que todos tenham acesso ao esporte de forma segura e adequada.

 Aluna/atleta arremessando pino em mais um treino. Foto: Thaynar Moura

Meeting Paralímpico – evento que revela talentos acreanos 

No dia 5 de abril, Rio Branco sediará o Meeting Paralímpico, evento promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), destinado exclusivamente a alunos-atletas ingressantes da escola ou universidade. Crianças de 7 a 10 anos, independentemente de estarem matriculadas, também participarão como parte do Centro de Referência Paralímpico.

Aluno/atleta treinando na modalidade petra. Foto: Thaynar Moura

As competições serão realizadas nos espaços esportivos do Serviço Social da Indústria (SESI), no caso do  atletismo e da Assiciação Atlética do Banco do Brasil (AABB) para os competidores de natação. “O principal objetivo do projeto é massificar o esporte para pessoas com deficiência dentro do Acre. O projeto busca encontrar pessoas que queiram praticar esportes, independentemente da deficiência ser visual, física ou intelectual”.

Formação de atletas e conquistas

Além das atividades realizadas no estado, os atletas do Centro Paralímpico participam de diversas competições em nível nacional ao longo do ano. Após o Meeting Paralímpico Estadual, em abril, os atletas seguem para disputar as três etapas do Circuito Caixa, em São Paulo. Posteriormente, representarão o Acre no Meeting Paralímpico – Fase Regional, que será realizado em Brasília, e, no final do ano, competirão no Meeting Paralímpico Nacional.

Aluno/atleta no lançamento de dardo.  Foto: Thaynar Moura

Na modalidade de bocha, os atletas também competem em níveis regional e nacional, ampliando a representatividade do esporte paralímpico acreano no cenário brasileiro. No total, os alunos participam, em média, de oito a dez competições anuais, distribuídas entre atletismo, bocha, halterofilismo e natação.

Destaques e revelações

Um dos grandes talentos revelados pelo projeto é Ricardo Campos, atleta da bocha de 23 anos, natural de Assis Brasil, no interior do Acre. Atualmente, ele treina em um clube em São Paulo e já integrou a Seleção de Jovens da Bocha, disputando competições internacionais, incluindo um torneio em Bogotá, na Colômbia. Após essa experiência, ele retornou ao clube paulista, onde segue sua trajetória esportiva.

Aluna/atleta Isabelly treinando bocha. Foto: Thaynar Moura

Outro nome promissor é Rikley Sampaio, de 16 anos, que representa o centro na natação e já compete na modalidade. Ele frequenta o projeto desde a sua inauguração e, ao longo dos anos, tem apresentado grandes avanços, especialmente na coordenação motora.

Alunos/atletas do centro de  referência paralímpico ufac treinando a modalidade bocha. Foto: Thaynar Moura

A participação dos alunos no esporte tem sido uma grande conquista também para suas famílias. Francisleide Gonçalves, mãe dos trigêmeos Isabelly, Karen e Luiz Henrique, de 12 anos, destaca o impacto positivo do projeto, especialmente para Isabelly.

Coordenador/professor do Centro de Referência Paralímpico Ufac, Clodoaldo. Foto: Paula Amanda

“Depois que conheceu o esporte, o desenvolvimento que teve, principalmente a Isabelly, foi incrível. A postura dela, o equilíbrio, mudou tudo. Antes, ela não queria, mas quando foi para a primeira competição e já conquistou a medalha de ouro, voltou com outra visão.” A conquista aconteceu nas Olimpíadas Escolares, em São Paulo.

Redação

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Fotógrafos registram momentos no Parque do Ipê e vendem imagens pela plataforma Foco Radical

Plataforma reúne mais de 6 mil fotógrafos, publica cerca de 50 milhões de imagens por mês e transforma registros de treinos em oportunidade de renda digital

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Por Priscila Pinheiro

Fotógrafos autônomos estão transformando as caminhadas e corridas realizadas na pista do Ipê, em Rio Branco, em oportunidade de renda por meio da comercialização de imagens na plataforma digital Foco Radical. Os profissionais registram corredores, ciclistas e frequentadores durante as atividades físicas e disponibilizam as fotos para venda no site.

Francisco do Nascimento, de 26 anos, atua na área há cerca de um ano e meio. Segundo ele, o trabalho começou como uma forma de complementar a renda e passou a se consolidar com o apoio da plataforma. “É um trabalho que começou como uma forma de ganhar dinheiro e acabou dando certo”, afirma. Ele destaca ainda que o sistema facilita o processo, já que “a gente faz o registro e a plataforma cuida da parte da venda”.

Sistema digital facilita busca e compra das fotografias

Página inicial da plataforma Foco Radical. Foto: site do Foco Radical.

Após os registros feitos com câmera profissional, as imagens são enviadas ao site, onde ficam organizadas por data e local, além de ferramentas que auxiliam na identificação dos participantes. O cliente acessa a plataforma, localiza a foto e escolhe o formato disponível, geralmente em arquivo digital de alta resolução.

O pagamento é realizado diretamente pelo sistema, com opções via Pix, boleto bancário ou cartão de crédito. A empresa intermedeia a transação e repassa ao fotógrafo o valor correspondente às vendas efetuadas.

Os dados da plataforma mostram a dimensão do serviço: são mais de 6 mil fotógrafos ativos, mais de 50 milhões de fotos publicadas mensalmente, mais de 140 mil eventos esportivos cadastrados, um acervo superior a 1 bilhão de imagens, mais de 2 milhões de clientes e mais de 15 milhões de fotos vendidas.

Experiência surpreende e agrada praticantes de atividade física

Parque do Ipê localizado na estrada Dias Martins. Foto: Diogo José

Entre os frequentadores que já adquiriram imagens está Lucas Araújo, de 30 anos. Ele relata que ficou surpreso ao perceber que estava sendo fotografado durante o treino. “Foi uma grande surpresa”, comenta. Apesar disso, afirma que se sentiu confortável com a situação.

Após acessar a plataforma e encontrar sua imagem, decidiu realizar a compra motivado pela qualidade do registro. Para o corredor, a fotografia representa mais do que um momento esportivo. “É um registro que faz parte da minha história”, afirma. Ele também avalia de forma positiva a presença dos fotógrafos no local.

Plataforma concentra acervo bilionário de fotos esportivas

A pista do Ipê, localizada no Condomínio Ipê, é um dos pontos mais movimentados para a prática de atividades físicas na capital acreana. O fluxo constante de pessoas transformou o espaço em cenário favorável para registros fotográficos, integrando esporte, tecnologia e geração de renda em um mesmo ambiente.

Redação

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“Começamos plantando árvores e hoje plantamos ideias”: projeto na fronteira amazônica vira referência internacional

Iniciativa já recebeu mais de 170 voluntários de 18 países, capacitou 890 pessoas e regenerou hectares de solo na região de Cobija

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Por José Henrique Nascimento

“Começamos plantando árvores e hoje plantamos ideias.” A frase é da bióloga brasileira Elenn Ferreira, cofundadora da Associação Florestania, e resume a trajetória do projeto criado em 2015, em Cobija, cidade boliviana localizada na fronteira com o Brasil.

Criada a partir da recuperação de uma área degradada pela pecuária, a Florestania transformou um solo seco em um centro de educação ambiental, agricultura regenerativa e turismo sustentável. Ao longo dos anos, a iniciativa passou a defender a floresta amazônica não apenas como um recurso natural, mas como protagonista e sujeito de direitos.

O que começou como um esforço técnico de recuperação ambiental ganhou novos sentidos com o tempo. A iniciativa incorporou dimensões políticas, educativas e comunitárias, ampliando seu impacto para além da restauração do solo e se consolidando como um movimento de transformação social na região de fronteira amazônica.

A Florestania também atrai voluntários de diferentes partes do mundo. Para Ashley Vliet, da Holanda, que participou do projeto em julho de 2024 por meio da plataforma Workaway, a experiência na Amazônia representou um encontro com outras formas de existir. 

“Vim para a Amazônia para aprender sobre diferentes culturas e modos de vida. Aqui, a relação com a natureza e com as plantas é diferente de tudo o que conhecia na Europa, e isso muda a forma como a gente enxerga o mundo”, afirma.

Ao longo dos últimos anos, o espaço recebeu mais de 170 voluntários de 18 países e promoveu dezenas de oficinas, formações e atividades educativas. O trabalho dialoga tanto com o saber acadêmico quanto com o conhecimento popular, envolvendo estudantes, pesquisadores e moradores de bairros periféricos de Cobija.

Nesse período, a associação também avançou na recuperação ambiental, regenerando hectares de solo arenoso e transformando áreas degradadas em espaços biodiversos e produtivos. Cerca de 90 toneladas de resíduos orgânicos por ano são gerenciadas para recuperar o solo e fortalecer a produção de alimentos. Ao todo, 890 pessoas, com idades entre 5 e 85 anos, já foram capacitadas em práticas agroecológicas, incluindo voluntários de 15 países.

Para os idealizadores, o próprio nome Florestania expressa uma conexão profunda com o território. “Não se pode pensar nada neste território sem entender que a floresta é a grande protagonista”, explicam. A iniciativa se orienta pelo conceito do viver bem, filosofia que defende que só há desenvolvimento verdadeiro quando ele acontece em favor da vida. Sob essa lógica, qualquer atividade que atente contra o meio ambiente não pode ser considerada progresso.

A atuação da associação também ganhou destaque nas ações de prevenção de queimadas e na mobilização de jovens. Pelo trabalho desenvolvido, a Florestania recebeu o Emblema de Ouro, a maior honraria concedida pelo Corpo de Bombeiros da Bolívia.

No campo do turismo, o projeto foi reconhecido como Embaixador do Turismo na Bolívia, ao oferecer uma experiência baseada no respeito a todas as formas de vida. A proposta, definida pelos organizadores como turismo consciente, busca romper com práticas predatórias e estimular uma relação ética com o território.

Atividades tradicionais, como a extração de borracha e a coleta da castanha-do-brasil em áreas rurais e florestais, vêm sendo pressionadas pela expansão da agricultura e da pecuária, o que provoca degradação do solo, redução de corredores ecológicos para a fauna e desmatamento. Além disso, os efeitos crescentes das mudanças climáticas tornam Cobija altamente vulnerável a secas intensas, incêndios, enchentes e surtos epidemiológicos.

A proposta da Florestania também é reconhecida por profissionais que atuam na área do desenvolvimento sustentável na região. Para a especialista em arquitetura sustentável e paisagismo, Ana Lucia, capacitada em técnicas de bioconstrução pelo Tiba e pelo Ebiobambu, o projeto ocupa uma posição estratégica, especialmente por estar localizado próximo à área urbana de Cobija, o que amplia seu potencial de impacto social e ambiental.

“Florestania é um centro de educação ambiental e agrofloresta com grande potencial para o desenvolvimento sustentável. A iniciativa atua na regeneração do habitat e se consolida como um importante agente na promoção dos serviços ecossistêmicos”, avalia.

Redação

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Atraso no pagamento de dívidas cresce 2,71% no Acre e atinge jovens universitários

Com orçamento apertado entre estágio, aluguel e estudos, estudantes acumulam pequenas despesas no cartão

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Por Jerfeson Gadelha

No intervalo entre uma aula e outra, Vinícius Silva, universitário de 24 anos, confere o aplicativo do banco no celular e faz as contas para saber se conseguirá pagar a fatura do cartão do mês. Morando sozinho pela primeira vez, dividindo aluguel e equilibrando estágio e estudos, ele precisou parcelar despesas básicas e hoje carrega uma dívida que, apesar de não ultrapassar mil reais, pesa no orçamento apertado de quem ainda está construindo a própria renda.

“Eu nunca achei que fosse me enrolar com uma dívida tão cedo. Comecei parcelando uma compra pequena e, quando vi, estava acumulando fatura do cartão com outras contas do mês. Como estudante, a gente depende de estágio ou ajuda da família, e qualquer imprevisto desorganiza tudo”, afirma.

A realidade de Vinícius dialoga com um cenário mais amplo no estado. O número de pessoas inadimplentes no Acre cresceu 2,71% em novembro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo relatório mensal do SPC Brasil, que monitora registros de dívidas em atraso em todo o país.

Na passagem de outubro para novembro, o avanço foi de 0,73%. Apesar do crescimento, o índice estadual ficou abaixo da média da Região Norte (8,62%) e da média nacional (8,93%) no comparativo anual.

O levantamento considera informações consolidadas nas bases administradas pelo SPC Brasil, que reúnem registros de instituições financeiras, comércio, empresas de serviços e concessionárias credoras.

Para Istanrley Rocha, do setor financeiro da Câmara de Dirigentes Lojistas de Rio Branco (CDL), os dados indicam um cenário que exige atenção, especialmente no que se refere à duração da inadimplência.

“Embora o crescimento percentual no Acre esteja abaixo das médias regional e nacional, o tempo médio de permanência na inadimplência é um dado que preocupa. Quando o consumidor permanece mais de dois anos com restrição, a reorganização financeira se torna mais difícil e o acesso ao crédito fica comprometido”, explica.

Segundo ele, o perfil das dívidas mostra que grande parte dos débitos envolve valores relativamente baixos, situação semelhante à enfrentada por muitos jovens como Vinícius, que acumulam pequenas despesas no cartão ou no crediário.

“Quase metade das dívidas é de até mil reais. Isso demonstra que pequenos compromissos, quando acumulados ou mal planejados, podem gerar restrição prolongada e afetar o orçamento familiar”, pontua.

Perfil do inadimplente

A faixa etária com maior participação entre os devedores no Acre é a de 30 a 39 anos, representando 26,99% do total. A idade média dos negativados é de 43,6 anos.

A distribuição por gênero permanece equilibrada: 50,45% são mulheres e 49,55% homens. Em relação aos valores, 47,51% das dívidas registradas são de até R$ 1.000. O valor médio devido por consumidor no estado é de R$4.572,52.

Planejamento financeiro se torna desafio para jovens que conciliam estudos, estágio e aluguel. Foto: reprodução

O tempo médio de atraso chega a 29,2 meses, e 35,95% dos devedores permanecem inadimplentes entre um e três anos. Cada consumidor negativado no Acre possui, em média, 2,137 dívidas em atraso, número inferior à média da Região Norte (2,180) e à média nacional (2,227).

O setor bancário concentra 53,85% das dívidas registradas no estado, seguido por comércio, serviços essenciais e comunicação, áreas que fazem parte do dia a dia de estudantes e trabalhadores.

Apesar das dificuldades, Vinícius diz que começou a reorganizar as finanças e acredita que é possível sair do vermelho com planejamento. “Eu parei de usar o cartão por enquanto, anotei todos os meus gastos e estou tentando negociar a dívida para pagar com desconto”

Segundo ele, a solução é buscar ter mais educação financeira. “É necessário esse apoio para quem está começando a vida adulta, porque muita gente se endivida sem nem entender direito como isso acontece”, finaliza.

Redação

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