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Ciclismo no Acre e a epidemia das bicicletas

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Acreanos viram no ciclismo a oportunidade de desenvolver um hobby e de, posteriormente, participar de competições | Foto: Reprodução/Ana Paula Jansen

Com o crescente aumento no número de bikes em decorrência das circunstâncias pandêmicas, ciclistas amadores e profissionais explicam, neste dia do ciclista, como surgiu o amor pela pedalada que conquista simpatizantes a cada dia

Por Ana Luíza Bessa e Renato Menezes

Seja por necessidade, prática esportiva ou hobby, o ciclismo está conquistando novos adeptos a cada dia que passa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um a cada três brasileiros possui uma bicicleta, e isto ficou ainda mais evidente com a pandemia de Covid-19, quando as pessoas começaram a notar, de forma mais assídua, a quantidade de ciclistas que vêm dominando ruas e ciclovias do Acre.

A prova de que a aquisição de bikes vem crescendo de forma avassaladora pode ser confirmada a partir de um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo concluiu que, atualmente, são 50 milhões de bicicletas contra 41 milhões de carros. Além disso, a pesquisa Perfil do Ciclista 2018, realizada pela Transporte Ativo, constatou que os locais onde as pessoas mais seguem em deslocamento são para o trabalho, lazer e compras.

No entanto, um dos motivos pelos quais o ciclismo vem ganhando cada vez mais adeptos é a prática desportiva. Segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), a venda de bikes cresceu em 118% no Brasil no ano de 2020 em comparação com 2019. E um dos motivos pelos quais este número cresceu de forma tão surpreendente tem a ver com a atividade física.

Número de ciclistas cresceu de forma disparada durante a pandemia | Foto: Reprodução/Freitas Fotografias

DIVAS DO PEDAL

A ciclista Silvana Maia, que criou o grupo “Divas do Pedal” com mais duas amigas no dia 28 de junho de 2020, foi uma dessas pessoas que aderiram à prática durante a pandemia de Covid-19. A ideia, que surgiu em decorrência do fechamento das academias e da necessidade de driblar o sedentarismo, ganhou a adesão de cada vez mais mulheres que enfrentavam crises de ansiedade, depressão e medo. “Pensamos nesse grupo para que pudesse inspirar mais meninas a cuidar do corpo, da mente e da saúde. Nosso objetivo não é a competição, mas levamos em conta a superação individual de cada uma”, complementou.

Segundo Maia, o grupo, que foca em empoderar mulheres na luta diária contra o machismo, conta com 94 ciclistas de vários municípios do estado, tais como Brasiléia, Rio Branco e Plácido de Castro. “Muitas vencem diariamente o machismo, pois o marido não compreende (o esporte), mas elas não desistem, acabam convencendo, traz pra pedalar também. Temos outro grupo com ambos, mas o ‘Divas do Pedal’ é só para mulheres”, explicou.

Para a atleta, que costuma pedalar quase todos os dias, o ciclismo traz benefícios indiscutíveis que englobam melhorias na qualidade de vida física e mental. Silvana, por exemplo, perdeu 11kg, conseguiu regular os níveis de colesterol, combateu a ansiedade e diz que muitas parceiras também tiveram resultados bastante animadores. “O ciclismo te dá alegria, te dá prazer, você pedala ao ar livre. Pena que não tem muito apoio aqui no Acre, não tem ciclovia, as ruas são escuras. Esse é o ponto negativo, você convive um pouco com o perigo. Mas é um esporte lindo que só promove bem estar”, contou.

Divas do Pedal contam com quase cem mulheres de vários municípios do AC | Foto: Reprodução/Divas do Pedal

ACOLHIMENTO

De fato, nem tudo são flores, e isto quem afirma é a própria pesquisa da Transporte Ativo, citada no início desta matéria. De acordo com a amostra, 47,6% dos entrevistados afirmaram que ciclovias e ruas mais adequadas seriam os grandes diferenciais para que os ciclistas melhorassem a prática de pedalar. No Acre, mais precisamente no município de Tarauacá, onde a pesquisa deu enfoque, 25,2% dos entrevistados contaram que a maior reivindicação é a segurança/educação no trânsito.

Mesmo diante de tantos empecilhos em torno da infraestrutura oferecida aos ciclistas, isto não desmotivou nem a ciclista e nem as outras divas, que já fizeram percursos de mais de 200km e agora têm como meta ir até a ponte sobre o rio Madeira, na BR 364. Sobre isto, Silvana deixa claro que todas as mulheres que quiserem entrar no grupo serão muito bem vindas, mas que é preciso começar aos poucos, para que cada uma entenda e respeite seus próprios limites.

“Incentivamos, mostramos que temos que começar aos poucos, pedalando 6km, depois 12, 20, e com a prática, vai aumentando. A maioria pedala, atualmente, 24km todo dia. Procuramos nos reunir sempre, e recentemente nos reunimos para comemorar um ano do grupo. Fizemos uma pedalada com mais de 300 pessoas e um arraial. Todo dia recebemos mulheres querendo entrar no grupo, e a gente acolhe muito bem”, destacou.

“Nós lutamos muito pelo empoderamento feminino”, disse Silvana Maia | Foto: Reprodução/Divas do Pedal

ACRE RACE

Com relação a limites e desafios, a prática competitiva em torno do ciclismo vem atraindo cada vez mais atletas. Segundo o organizador do evento Acre Race, Istanrley Rocha, a competição está inserida no calendário estadual desde 2016 e ganhando adeptos a cada edição.

Em 2017, no chamado Desafio 120km, foram 60 ciclistas. Em 2018, 80 pessoas participaram da edição. No ano seguinte, que ocorreu a edição reformatada e oficial do Acre Race, quase 200 atletas participaram. Devido à pandemia, o evento que era para acontecer em 2020 foi postergado e devidamente reformulado para este ano, e contou com mais de 400 ciclistas, com inscritos de Rondônia, Mato Grosso, Minas Gerais e até de países vizinhos, como da Bolívia.

“Tivemos ao todo 11 categorias, todas premiadas, além de diversos outros brindes de patrocinadores e apoiadores do evento, totalizando mais de R$ 25 mil somente em premiação total, tudo convertido para os atletas inscritos”, frisou.

Ciclistas do AC e de outros estados competiram na segunda edição oficial do “Acre Race” | Foto: Reprodução/Ana Paula Jansen

AMADORES E PROFISSIONAIS

A ideia do Acre Race é trazer as novas tendências do esporte aos atletas locais, colocando-os em percursos que sejam condizentes com a modalidade de Mountain Bike (MTB), e que não os limitem apenas às malhas asfálticas.

“A Federação Acreana de Ciclismo, com a entrada de gestores da história mais recente, tem visto o MTB de maneira mais atualizada. Antigamente as provas no Estado eram feitas integralmente em circuitos asfaltados, com MTB totalmente descaracterizadas e com muitas peças de bicicletas de estrada. Nos anos de 2014 em diante, as etapas começaram a ter um foco mais em trilhas, voltando às características do MTB”, falou.

Tais incentivos, segundo Rocha, podem funcionar como um chamamento a novos ciclistas, mas destaca a importância de planejar estratégias que forneçam ao esporte ferramentas e insumos necessários para que o ciclismo continue se desenvolvendo. “Acreditamos que com os órgãos públicos, uma vez estando envolvidos com o esporte, resultados positivos conjuntos podem ser alcançados, com o desenvolvimento de políticas públicas que possam favorecer o crescimento do ciclismo de maneira geral no Estado”, pontuou.

Mountain Bike (MTB) coloca o atleta em diversas condições com obstáculos durante o percurso | Foto: Reprodução/Ana Paula Jansen

AMOR PELA BIKE

O atleta Samuel Lira, que se considera amador, foi um dos mais de 400 ciclistas que participou do Acre Race 2021. Ele se encontrou no ciclismo em meados de 2013, quando seu pai resolveu abrir uma loja de vendas de peças e outros artefatos para bicicletas, chamada Mountain Bike Show. O rapaz, que estava acima do peso, viu reacender em si o desejo de voltar a ser ciclista, assim como fora na adolescência.

Acreano começou na adolescência e criou paixão pelo esporte após decisão em perder peso | Foto: Arquivo pessoal

“Logo que nós abrimos a loja eu comecei a voltar a praticar como hobby e para conciliar esporte e saúde no ciclismo. Daí me apaixonei de vez. Como eu já tinha um pouco de afinidade, comecei a adquirir novamente o amor pela bike. E com um ano de prática, subi um degrau para me tornar um atleta amador e, em 2015, comecei a competir”, disse.

Lira já participou de equipes como a do Corpo de Bombeiros, por exemplo. No primeiro ano de competição estadual, a dedicação ao esporte fez o atleta ser campeão em 2015 na categoria “iniciante” e ser vice-campeão em 2016 em Rondônia, na mesma categoria.

Samuel Lira já foi campeão e vice na categoria “amador”, em competições da Federação Acreana de Ciclismo | Foto: Arquivo pessoal

MUITA DEDICAÇÃO

Atualmente, o atleta treina três vezes por semana, com percursos que atingem em média 50km, e que, segundo ele, duram cerca de 1h30 para serem realizados por completo. Aos sábados, ele e mais um grupo de quarenta atletas amadores e profissionais costumam ir até o município de Senador Guiomard e voltar em até três horas. 

Questionado sobre como vê tantas conquistas neste esporte, Samuel, que participa de pelo menos seis grupos de pedal da cidade, diz que o empenho e a vontade de sempre querer se superar foram os combustíveis que o fizeram continuar no ciclismo. “Não foi fácil, teve muito treino, muita dedicação e muito amadurecimento para que eu pudesse me tornar um atleta cada vez melhor. Eu jamais imaginei me aprofundar e gostar tanto do ciclismo”, complementou.

Grupo costuma fazer percursos intermunicipais em poucas horas | Foto: Arquivo pessoal

DIA DO CICLISTA

A Lei de nº 13.508, de 22 de novembro de 2017, instituiu o dia 19 de agosto como o “Dia do Ciclista”. A data foi estabelecida para que, além de comemorar, as pessoas e as autoridades reflitam e tracem estratégias que visem a proteção que os ciclistas precisam para pedalar com mais tranquilidade nas ruas e ciclovias brasileiras.

A luta para o estabelecimento desta data no Legislativo é embasada a partir de um crime que ocorreu em 2006, nesta mesma data, que vitimou o biólogo Pedro Davison em Brasília, com 25 anos. O jovem não resistiu ao impacto do carro em alta velocidade no Eixo Sul da cidade e morreu na hora. O responsável, Leonardo Luiz da Costa, estava embriagado, com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida e fugiu sem prestar socorro. O rapaz foi condenado a 6 anos de prisão pelo crime, em regime semiaberto, e até hoje paga pensão à filha da vítima, que terá este direito resguardado até completar 25 anos. Na ocasião, a menina tinha 8 anos de idade.

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ESTAMOS DE VOLTA

A Catraia celebra 21 anos e resgata memórias de ex-integrantes

O jornal A Catraia conversou com a ex-estudante de jornalismo, Adrielle Farias, que atua como repórter do jornal Estadão em São Paulo

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Por Danniely Avilis e Isabelle Magalhães 

Ao completar 21 anos de existência, A Catraia entra em um ano especial, que retoma a própria história por meio de relato da ex-integrante. A proposta é revisitar memórias, experiências acadêmicas e trajetórias profissionais que começaram ainda na graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Mais do que relembrar capas ou reportagens antigas, a equipe da A Catraia conversou com Adrielle Farias sobre o período em que era estudante e os primeiros passos na profissão. Adrielle que atuou como editora-chefe do jornal em 2018, ano que define como um dos mais intensos da formação acadêmica.

Foto: Instagram @adriellefarias

Escolha profissional e descoberta no curso

A decisão de cursar Jornalismo não foi imediata. Ainda na escola, Adrielle dividia interesses entre áreas criativas como audiovisual, escrita e comunicação.

“A gente nunca entra na faculdade totalmente sem dúvida, né? Eu gostava de muitas coisas”, afirma Adrielle.

Sem conhecer profundamente o curso da Ufac, ela se inscreveu e, somente após o ingresso, passou a pesquisar sobre professores, disciplinas e possibilidades profissionais. A identificação com a área ocorreu já durante a graduação.

“Eu só entendi que era aquilo que eu queria quando comecei a estudar, ver as matérias. Eu ficava ansiosa para acompanhar a grade curricular”, conta a jornalista.

“Meu pai sempre dizia que eu agarro o mundo com as pernas. Eu queria participar de tudo”, diz Adrielle Farias. Foto: cedida

Rotina intensa e desafios

Durante o curso, a participação nas disciplinas não foi suficiente. Adrielle também esteve envolvida em mostras acadêmicas, eventos e projetos extracurriculares, tendo A Catraia como principal espaço de atuação.

O fato de o curso ser noturno possibilitava trabalhar e estagiar durante o dia, realidade compartilhada por muitos estudantes. A conciliação das atividades, no entanto, trouxe desafios.

A sobrecarga resultou em ansiedade e na necessidade de aprender a administrar o tempo, habilidade que, segundo ela, não costuma aparecer formalmente na grade curricular. Ainda assim, considera que foi nesse período de intensidade que surgiram aprendizados decisivos.

Entre as experiências no jornal, uma reportagem sobre cinema ganhou destaque na trajetória profissional de Adrielle. O tema, que sempre esteve entre seus interesses pessoais, acabou influenciando também a escolha do Trabalho de Conclusão de Curso.

“Eu fui falar sobre cinema, que sempre foi algo de que eu gostei muito e ainda gosto. Inclusive, acho que isso acabou influenciando um pouco a escolha do meu TCC. Eu também usava isso como portfólio, para mostrar meu trabalho; quando me inscrevi para o treininho do Estadão, por exemplo, utilizei esse material como parte do portfólio”, conta a profissional.

Segundo ela, a experiência no jornal contribuiu para a conquista do atual emprego como repórter no Estadão.

Participação de Adrielle Faria no Intercom. Foto: cedida

Trabalho em equipe

Ao relembrar a atuação como editora-chefe, Adrielle destaca o papel do trabalho coletivo no exercício da profissão e orienta como dica para futuros jornalistas que ainda não atuam na profissão.

“O trabalho em equipe é essencial no jornalismo, porque ninguém faz um jornal sozinho. Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito, saber se comunicar e manter o diálogo, para que todos trabalhem pelo mesmo objetivo sem conflitos”, finaliza Adrielle.

“Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito”, afirma a profissional. Foto: cedida

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Independência financeira: um caminho de autonomia para mulheres 

Empreendedorismo feminino cresce como alternativa para conciliar carreira, maternidade e autonomia financeira, apesar dos desafios e preconceitos enfrentados no caminho

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Por Antônia Liz, Barbara Santos, Prisco Martins, Sarah Viviane e Yasmim Barros*

O despertador de Serlândia Marques toca todos os dias às 5h da manhã. Antes de o sol se firmar no céu acreano, ela já prepara o café do filho mais novo, separa o uniforme e o leva para a escola. Depois, segue para o shopping onde abre as portas de sua franquia de cosméticos pontualmente às 10h.  “Venho todos os dias. Não deixo a empresa ausente”, afirma.

A rotina intensa é o retrato de uma nova realidade. Após 26 anos trabalhando sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), Serlândia decidiu, em 2024, recalcular a rota. Mãe de Felipe, Lucas e Pedro, ela percebeu que o emprego formal lhe roubava algo que o dinheiro não comprava:  tempo. 

“A maternidade e a busca por estabilidade financeira foram os pontos principais para eu empreender. Fui CLT por 26 anos e não tinha tanto tempo para os meus filhos. No decorrer do tempo, fui sentindo que deveria estar mais presente nos momentos familiares. Foi uma necessidade”, relata. 

O caso de Serlândia reflete uma tendência que vem ganhando força no Acre e no Brasil. Cada vez mais mulheres enxergam no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas uma ferramenta para conquistar autonomia financeira e, principalmente, flexibilidade para conciliar a carreira com a maternidade. 

Foto: cedida

Rede de apoio

Para que a jornada fosse possível, a empreendedora fez questão de destacar um elemento fundamental: o suporte da família. “Sempre tive minha rede de apoio muito próxima. Meu pai e minha mãe sempre me ajudaram muito. Meus filhos ficavam na casa deles para eu poder trabalhar”, conta Serlândia.

Mas mesmo com planejamento, a vida de mãe e empreendedora reserva surpresas. “Já precisei remarcar reuniões e compromissos várias vezes. Às vezes meu filho ficava doente e eu tinha que levar ao médico. A gente se vira”, comenta

O preconceito velado: “Já fui subestimada” 

Se os desafios logísticos já são grandes, Serlândia revela que precisa lidar também com barreiras comportamentais. A misoginia, infelizmente, ainda é uma realidade para muitas mulheres que ousam empreender. 

“As pessoas às vezes acham que não somos capazes de conciliar. Ter filhos requer muito tempo e atenção. Mas sempre me dediquei, me superei e fui presente tanto na empresa quanto na vida dos meus filhos”, destaca. 

Ela confirma que já enfrentou situações de desconfiança ao longo da trajetória. “Sim, já fui subestimada e desacreditada. Mas a gente aprende a lidar, a não abaixar a cabeça e a seguir em frente.” 

Hoje, aos 52 anos, Serlândia olha para trás com orgulho e para frente com esperança. A decisão de trocar a estabilidade da carteira assinada (CLT) pelo risco de investir no próprio negócio trouxe resultados que vão além do financeiro, mais autonomia, presença na vida dos filhos e a satisfação de construir algo próprio. 

“Eu não trocaria essa experiência por nada. Ver meus filhos crescerem sabendo que a fiz o melhor pra oferecer uma qualidade de vida e conforto , não tem preço. A gente se supera todo dia. É difícil? É. Mas é recompensador”, afirma. 

Sonho em realidade

Se para muitas mulheres o empreendedorismo surge como alternativa para aumentar a renda e conciliar com a maternidade, para outras ele se concretiza a partir de condições mais favoráveis.  É o caso de Aline Mirella, proprietária de uma papelaria , que transformou um sonho antigo em realidade. 

Diferente do que muitas vezes se imagina, Aline não precisou escolher entre a maternidade e a carreira. Ela tinha o desejo de empreender adormecido e decidiu o momento certo para tirar do papel um projeto cultivado desde a infância.  

“A Vontade de empreender é algo que eu sempre desejei desde da minha infância, sempre busquei a independência financeira e a possibilidade de ter mais flexibilidade de horário e qualidade de vida” 

Quando decidiu empreender foi com o objetivo de aumentar a renda. Naquele momento os filhos já estavam maiores e não dependiam tanto dela. Hoje eles também fazem parte do negócio, ajudam na loja e trabalham junto com a mãe. “Acabou virando algo que envolve toda a família. Meu marido e meus filhos sempre estiveram presentes e contribuíram para que tudo funcionasse”, complementa.

Foto: cedida

União e no apoio coletivo 

Muitas mulheres empreendedoras encontram na união e no apoio coletivo uma forma de fortalecer seus negócios. É o que acontece no coletivo de mulheres “Elas Fazem Acontecer”. A coordenadora do coletivo, Teomayra Cristina, explica que o grupo surgiu justamente com o objetivo de criar oportunidades e fortalecer o trabalho das mulheres empreendedoras.  

Segundo ela, o coletivo vai além da realização de feiras e eventos. A proposta também envolve a capacitação e o fortalecimento das empreendedoras.  “A gente organiza eventos, busca parcerias e oferece cursos para ajudar as empreendedoras a melhorar o atendimento e a apresentação dos produtos. Também temos consciência da importância da autonomia e da independência financeira para nós, mulheres”

Outro ponto que ela destaca é a importância da educação financeira para quem decide abrir um negócio. “Temos parceria com o Sebrae, por meio do programa Ser Mulher, que oferece cursos profissionalizantes. Isso ajuda muito na hora da precificação, porque muitas mulheres entram no empreendedorismo sem saber como definir corretamente o preço dos produtos” 

Apesar dos desafios, a coordenadora acredita que o primeiro passo para quem deseja empreender é ter iniciativa. “Se a mulher esperar se organizar totalmente financeiramente, talvez nunca comece. Muitas vezes é preciso ter coragem, dar o primeiro passo e buscar alternativas para fazer o negócio acontecer”, diz.  

Segundo Teomayra, o coletivo reúne mulheres de diferentes perfis e realidades. “Não existe um perfil único. É um espaço muito diverso, com mulheres mais jovens e também aquelas que já estão próximas da aposentadoria, todas buscando algo em comum: independência e estabilidade financeira ”, conclui. 

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

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Brechós movimentam Rio Branco com reaproveitamento de roupas e preços acessíveis

Peças de marcas conhecidas chegam a custar até 80% menos nos brechós da capital acreana

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Por Laianny Sena 

Os brechós fazem parte do cenário de consumo em Rio Branco, oferecendo roupas seminovas por preços mais baixos. A combinação entre economia e reaproveitamento de peças tem atraído moradores da capital acreana e impulsionado o empreendedorismo feminino. Esses espaços também se tornaram uma fonte de renda para muitas mulheres.

A empreendedora Brenda Vidal, de 32 anos, é a criadora do Brechic, brechó online que surgiu em 2020, no início da pandemia. A ideia nasceu quando ela estava em casa, com várias roupas paradas no armário e sem perspectiva de uso. Foi então que decidiu criar um perfil no Instagram para vender as peças. 

“O Brêchic nasceu bem no começo da pandemia. Eu estava em casa, com várias roupas paradas no armário e praticamente zero chances de usar qualquer uma delas. Para ocupar a mente, resolvi criar um Instagram para vender essas peças.”

Vestido da marca Triton. Foto: cedida

Segundo Brenda, um dos diferenciais do negócio foi a forma como construiu a relação com as clientes. “Acho que o diferencial foi humanizar a página. Sempre mostrei a vida real, sem filtro perfeito, sem personagem. Queria que fosse um espaço onde as pessoas se sentissem acolhidas, como se estivessem conversando com uma amiga, mas sem perder o foco na moda consciente”.

Além do reaproveitamento de roupas, o preço das peças também chama a atenção dos consumidores. Segundo Brenda Vidal, um vestido da marca Triton, que pode custar cerca de R$398,00 em lojas ou plataformas online, foi vendido no Brechic por R$80,00. Já uma camisa da Damyller, que em média custa R$150,00 nas lojas, foi comercializada no brechó por apenas R$25,00.

Hoje, o Brechic funciona exclusivamente pelas redes sociais, por meio do perfil @brechic.ac, onde as peças são divulgadas e as vendas realizadas. 

Além das iniciativas individuais, há brecholeiras que também se organizam por meio do Encontro das Brecholeiras. A idealizadora do projeto, Gélly Café, explica que a iniciativa surgiu inspirada em movimentos de moda sustentável dos quais participou quando morou em Brasília. Ao retornar para Rio Branco, percebeu que poderia transformar a experiência em um projeto coletivo, incentivando mulheres a empreender com peças que já tinham no guarda-roupa.

Imagem cedida pela entrevistada

Ao longo de quatro anos, o grupo acompanhou um crescimento significativo dos brechós no Acre, especialmente após a criação do Encontro. A proposta vai além da comercialização de roupas e inclui mentoria e fortalecimento coletivo. 

“Muitas mulheres começaram apenas desapegando peças pessoais e hoje já têm fornecedores, estruturaram uma dinâmica comercial própria e atuam também no online, utilizando estratégias de comunicação e posicionamento”, destaca Gélly Café.

“No brechó, as pessoas conseguem se vestir bem, com qualidade e pagando pouco. A moda se torna acessível, inclusive para famílias que muitas vezes não conseguem comprar roupas em lojas convencionais”, afirma.

Imagem cedida pela entrevistada

Além da economia para os consumidores, o reaproveitamento de roupas também contribui para reduzir o descarte de peças que ainda estão em bom estado.

Para muitas mulheres, o brechó representa geração de renda, autonomia financeira e fortalecimento pessoal. O Encontro das Brecholeiras também promove uma rede de apoio e colaboração entre as participantes.

As agendas e informações sobre os eventos são divulgadas no Instagram, por meio do perfil @encontrodasbrecholeiras, onde também são divulgadas as próximas edições realizadas na cidade.

Entre os diferentes públicos atendidos pelos brechós, também há iniciativas voltadas para roupas e itens infantis. Como as crianças crescem rapidamente, muitas peças são usadas por pouco tempo, o que torna o reaproveitamento mais comum. Por isso, os brechós acabam sendo uma alternativa para pais e responsáveis venderem roupas que já não servem mais e, ao mesmo tempo, permitem que outras famílias encontrem peças infantis em bom estado por preços mais acessíveis.

A presença dos brechós em Rio Branco mostra diferentes formas de consumo e geração de renda na cidade. Mais do que uma opção econômica, esses espaços incentivam o consumo consciente, fortalecem o empreendedorismo feminino e permitem que consumidores tenham acesso a peças de marcas conhecidas e em bom estado por preços mais acessíveis.

Redação

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