Siga a Catraia

Nascente

Histórias de heróis

Publicado há

em

Profissionais de saúde se destacam no atendimento de pacientes com covid-19. Durante a pandemia, abandonaram suas famílias, mudaram rotinas, passaram por longas jornadas de trabalho, tudo para prestar o melhor atendimento e salvar vidas

Entre a fé e a ciência: a médica do 4º piso que viu milagres

Por Maria Fernanda Arival, Juilyane Abdeeli e Gustavo Almeida de Sousa

No quarto andar do prédio do Pronto Socorro de Rio Branco, no Acre, a médica endocrinologista Fabíola Helena de Souza atua desde a chegada do primeiro paciente contaminado com Covid-19 em meados de março de 2020. Os três andares superiores do prédio foram destinados às enfermarias Covid e Fabíola tira seus plantões no quarto andar, onde exerce a medicina sem medo e com muita fé.

“Confirmei que nasci para ser médica. Para mim é uma satisfação atender um paciente covid – como são chamados os pacientes contaminados com o vírus -. Com eles, eu assisti milagres, ouvi e vi o renascimento deles e o meu a cada alta hospitalar. Entrei em luto junto das famílias daqueles que eu não consegui ajudar”, diz.

Casada e mãe de duas meninas, Fabíola jamais se viu amedrontada pelo vírus. Cumpria seus plantões fazendo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI),  mas sem as luvas e acabou por deixar uma marca registrada entre seus pacientes: as unhas com alongamento de fibra de vidro. 

Cada paciente que recebia a visita da Dra. Fabíola do 4º piso via suas unhas sempre bem feitas e com manutenção em dia, além dos cílios que também são alongados fio a fio e estão sempre acompanhados de um olhar que transmite aconchego e força.

Um presente enviado por familiares de paciente como forma de gratidão. As unhas de vidro da médica também estão sempre presentes/ Arquivo Pessoal

“Eu passei a tirar as minhas luvas para que na hora que eu passasse minha visita pegasse na mão deles e olhasse para dizer que eles tenham fé. O paciente precisava sentir um calor humano e precisava saber que eu estaria ali com ele até o final. Não é por acaso que meus pacientes me conheciam pelas minhas unhas de vidro. Eu nunca tirei minhas unhas de vidro, meus cílios eram tirados pelas lágrimas quando a gente perdia um paciente. Eu sempre chegava de bom humor, mesmo que ele estivesse muito cansado eu sentava ao lado e ficava lá até encorajá-lo a fazer o uso novamente do tratamento da Ventilação Não Invasiva (VNI)”, relata a médica com orgulho.

“Essa foi minha pior experiência com Covid: atender os meus”

Apesar de não mostrar medo em suas falas e no tom de voz, Fabíola conta que o único medo que ela tinha era de contaminar os familiares, mas mesmo se cuidando por diversas vezes precisou cuidar da família até dentro do hospital. Em junho de 2020, Fabíola recebe a ex cunhada com 10% do pulmão comprometido, mas o quadro se agravou muito e chegou a quase 80% de comprometimento pulmonar, e ali estava um dos maiores desafios: evitar a intubação daquela paciente que é também mãe da sua sobrinha. Outro desafio em 2020: receber o irmão também em estado grave na enfermaria que trabalha.

“Minha ex cunhada foi muito grave, fiz do medo uma questão de honra para devolvê-la às filhas. Com ela conseguimos escapar, nasceu de novo, foi uma das pacientes mais graves que eu tive para não deixar intubar. Eu sempre fui contra a intubação, nós tínhamos que investir no paciente até onde ele e Deus nos permitisse”, diz.

Aquele medo que Fabíola tinha de contaminar os familiares e não conseguir salvá-los a tempo se concretizou: no pico da segunda onda de Covid-19 no Acre, a médica recebe o tio e faz todos os procedimentos possíveis para evitar a intubação. “Quando meu tio chegou eu falei: ‘vai dar’, mas chegou um momento que ele precisava ser intubado, já estava muito exausto. No dia em que me ligaram pedindo permissão para inturbar, eu me senti a pior pessoa e soube que tinha perdido uma batalha. No momento da intubação, eu vi meu tio com o coração parado por 12 minutos e eu não pude fazer nada, não era meu plantão naquele setor”, diz emocionada.

O tio de Fabíola esteve na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por 12 dias e não resistiu, vindo a óbito no plantão dela. Cinco dias depois, a confirmação da mãe da médica e da cunhada contaminadas pelo Coronavírus. “Depois de 15 dias do tratamento delas, eu soube que estava com o vírus junto com meu marido e minha filha mais velha. Com meu marido foi outra experiência muito ruim. Ele chegou a 100% de comprometimento pulmonar, mas com toda fé e orações que as pessoas fizeram e com o tratamento convencional daquilo que eu acredito, ele aguentou firme”, recorda Fabíola.

Gratidão

Desde o início da pandemia, os pacientes que recebiam alta hospitalar exalavam gratidão a toda equipe e a Dra. Fabíola. “Todos os pacientes têm minha rede social e meu número, todos que ficaram internados na enfermaria do 4º piso tiveram um contato muito grande com a equipe, parecia que éramos família, e saber que em algum lugar eu estou nas orações de alguém que eu ajudei e hoje conta que sobreviveu a Covid, para mim não tem preço”, fala Fabíola ao ser questionada como se sente recebendo presentes e visitas de ex pacientes sempre que pode.

Registro do momento da alta hospitalar de um paciente/ Reprodução Facebook

A senhora da janela e o filho que ficou sozinho

“Eu jamais vou ter outra experiência como essa. Eu vi histórias marcantes como a da senhora da janela. Ela olhava a casa dela do prédio da enfermaria onde ficou internada por 33 dias. A senhora dormia e acordava olhando para a casa dela. Uma senhora muito educada, passiva, semi analfabeta, mas de uma educação de três vidas, precisaria disso para ter essa educação. Uma generosidade e fé que poucas vezes eu vi antes da Covid”, a médica fala quando indagada sobre histórias e experiências que marcaram a vida dela como pessoa e como profissional durante a pandemia.

Fabíola também conta a história de um paciente do interior que perdeu a mãe, o pai, dois irmãos e a esposa e questionou diversas vezes o motivo de Deus ter escolhido ele para ficar. “A partir daquele dia, eu fui para casa e pedi em orações que me mostrasse o caminho, pois tinha que ter um”,  fala.

O amor e o cuidado não acabam

Por Juilyane Abdeeli

Edvan Ferreira de Meneses, enfermeiro do Pronto Socorro de Rio Branco, lotado na UTI Covid e Observação Adulto, se viu sem saída quando foi escalado para fazer parte da linha de frente da Covid-19 no início da pandemia. Enquanto a segurança de seus familiares estava ameaçada, Edvan teve que se afastar de todos com medo de infectar aqueles que ama. 

O enfermeiro conta o sentimento que teve ao receber o primeiro paciente infectado. “Foi um plantão extremamente estressante, pois passei horas sem ir ao banheiro e sem beber água. Tinha muito medo de tirar a roupa e acabar me contaminando”, recorda.

Casado há 5 anos, Edvan relata o quanto foi difícil ficar longe do esposo que tem um quadro de Anemia Talassêmica Crônica. Por medo de contaminá-lo, passou a morar sozinho por três meses, trabalhando em uma escala dobrada de plantões, enquanto o esposo ficou com a família que mora no interior do Acre.

O primeiro plantão da SEC COVID onde foi recebido o primeiro paciente no dia 8 de abril de 2020/ Arquivo Pessoal

Mesmo a angústia em ficar longe de quem ama, a satisfação em saber que ele se encontrava seguro era maior. Após esses meses separados, o enfermeiro já estava se familiarizando com os riscos e conhecendo mais sobre a Covid-19 e o esposo voltou para casa.

Edvan, quando sentia os sintomas, dormia em quartos separados até ter a certeza que não estava com a doença. “Mesmo com todos os cuidados, tinham dias que eu imaginava ter sido contaminado, pois sentia alguns sintomas que estavam correlacionados com a sobrecarga de trabalho.’’

“A pressão, o medo e a desconfiança dos vizinhos construíram momentos intensos e muito difíceis para mim e meu esposo”, relembra o enfermeiro as situações difíceis que passou. No início da pandemia, os vizinhos evitavam cruzar com ele no prédio em que mora. “Muitas pessoas têm a ideia de que os profissionais da saúde são os principais vetores da doença, mas não é verdade. O que poucos sabem é que os profissionais seguem corretamente os protocolos exigidos, ou seja, não há o que temer”, diz.

Equipe do Pronto Socorro preparando-se para a recepção dos primeiros contaminados da Covid-19/ Arquivo Pessoal

Para o enfermeiro, a pandemia está sendo um período de aprendizados. “Trouxe também a humanização e um olhar completo para o paciente e suas necessidades. Nos fez lembrar do uso adequado de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), lavagem adequada das mãos e o cuidado redobrado com as contaminações cruzadas que existem dentro do hospital”

O enfermeiro conta que só existem arrependimentos na escolha da profissão quando perde confraternizações familiares e datas comemorativas, pois sempre está de plantão, mas o amor que tem pela profissão e por cuidar dos pacientes chega a suprir qualquer outro descontentamento que possa vir a ter. “A enfermagem é uma das profissões que atua diretamente na devolução da dignidade das pessoas, na devolução da autonomia, do autocuidado, da saúde, da vida”, finaliza.

Enfermeiros a postos para ajudar no combate ao Coronavírus/ Arquivo Pessoal

A fisioterapeuta que encontra apoio na família

Por Gustavo Sousa

“Sou mãe de um casal de filhos. Fiquei muito tempo longe deles porque tínhamos muitos casos acontecendo e poucos profissionais dispostos a ficarem na linha de frente por medo do desconhecido, por medo de ficarem doentes e passarem para as suas famílias”. O isolamento da família foi uma das decisões mais difíceis para a profissional de saúde Helen Freitas, 50 anos, que atua na Unidade de Terapia Intensiva do Pronto Socorro de Rio Branco.

Apesar do medo da contaminação, foi com o apoio da família que ela encontrou forças para transformar o medo em determinação. Helen e o marido conversaram bastante antes do vírus chegar ao Brasil e, por conta disso, ela decidiu optar por ficar isolada devido ao que estava acontecendo no mundo.

A fisioterapeuta segurando uma dose da vacina contra Covid-19/ Arquivo Pessoal

Área de atuação

O fisioterapeuta com título em terapia intensiva é o especialista que conduz a ventilação mecânica tanto invasiva como a não invasiva, ou seja, o fisioterapeuta que mantém o quadro pulmonar do paciente juntamente com a equipe médica.

“O nosso papel é melhorar as trocas gasosas e expandir os pulmões para que eles se reestabeleçam e os pacientes possam ser extubados (sair da intubação). Inicialmente a função dos profissionais dessa área é evitar que o paciente seja entubado, mantendo-o em oxigenoterapia (terapia feita com a utilização de oxigênio) e Ventilação Não Invasiva (VNI) método para ajudar na respiração por meio de aparelhos que não são introduzidos no sistema respiratório. Nos casos mais graves, em que a intubação seja inevitável, administramos a ventilação mecânica conduzindo o funcionamento dos pulmões para que o paciente possa se recuperar.

Helen e parte da sua equipe de fisioterapeutas/ Arquivo Pessoal

Dificuldades 

A pandemia de Covid-19 não é a primeira que a fisioterapeuta enfrenta. “Já tive experiência com outra pandemia. A do H1N1 foi mais branda, porém eu já imaginava que essa que estava por vir seria de uma maior proporção”, diz. Helen menciona algumas dificuldades que enfrentou ao longo dos últimos meses intensos de trabalho. O seu psicológico estava ficando afetado pela distância da família e a falta de um carinho ao chegar do trabalho e a mudança repentina na sua rotina acabou impactando bastante, apesar da família ter se acostumado com a rotina de plantões diários. Outra complicação é a exaustão física que vinha por conta da nova rotina de plantões cada vez mais prolongados.

Caso Marcante 

Dentre tantos casos, um especificamente a marcou pois era um desafio. Eles estavam no início do processo para conhecer a doença  “Foi em um momento que ainda estávamos começando a conhecer a doença, o Estado ainda estava se equipando e ainda tínhamos muito medo de fazer VNI. Alguns estudos da época afirmavam que a VNI contaminava os profissionais”, recorda. Como o paciente ainda respirava, a equipe com a qual Helen trabalha tomou a decisão de fazer de tudo para salvar o paciente e usar a VNI. “Ele está vivo hoje, graças a Deus, e valeu muito a pena os nossos esforços”

 Helen explica que essa técnica era usada em outras doenças e ao usarem nesses casos do covid e notarem os resultados positivos não pararam mais de usar esse método. A profissional ressalta que no Brasil todos estão usando a técnica o que vem evitando muitas intubações.

Superação

Mesmo com tantas dificuldades em torno dessa nova pandemia, Helen encontra forças e compreensão na família. Os encontros com o marido e os filhos retornaram quando os casos tiveram uma baixa considerável.

“Passado um ano de pandemia, posso dizer que é impossível presenciar esse acontecimento com tantos óbitos e tanto sofrimento não mudar a sua essência”. A força que precisa para seguir em frente encontra na religião e no sorriso dos seus pacientes  recuperados. “Essas pequenas vitórias do dia a dia impulsionam a nossa jornada”, fala.

Freitas recebendo a primeira dose da vacina contra a Covid-19/ Arquivo Pessoal

Redação

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe sua mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nascente

Equoterapia auxilia no tratamento de crianças com autismo

Projeto amplia acesso à equoterapia em Rio Branco e oferece tratamento gratuito a centenas de famílias, promovendo inclusão e avanços no desenvolvimento de crianças com autismo e outras condições

Publicado há

em

por

Por Geovana Brana, Eloísa Alves, Miguel Câmara, Thiago Câmara e Micael Lima*

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento principal, melhorando o equilíbrio e o desenvolvimento cognitivo e emocional. A prática é conhecida no Brasil pela Associação Nacional de Equoterapia e pode contribuir para o tratamento de pessoas com diferentes condições de saúde, incluindo o autismo. Em Rio Branco, onde a oferta do tratamento pela rede pública é limitada, o projeto Lado a Lado, criado em 2017, surge como alternativa para famílias que não conseguem arcar com os custos na rede privada, promovendo inclusão e desenvolvimento terapêutico.

O Lado a Lado surgiu a partir de um contato com a realidade enfrentada por famílias atípicas no Acre. Segundo o deputado estadual Emerson Jarude, idealizador da iniciativa, o seu envolvimento com a pauta começou em 2017, após receber uma mensagem de uma mãe relatando a ausência de sinalização adequada para o atendimento prioritário em Rio Branco.

De acordo com a atual gestora do projeto, Natacha Bonan, as famílias interessadas em iniciar a equoterapia devem, obrigatoriamente, passar por um processo de triagem. A avaliação é realizada por profissionais especializados (psicóloga e fisioterapeuta) que coletam informações junto aos responsáveis e o próprio praticante.

 As sessões acontecem uma vez por semana e duram em média 30 minutos, e o acompanhamento é feito de forma individualizada, incluindo registros e relatórios técnicos mensais elaborados pelas profissionais responsáveis. Atualmente, cerca de 550 praticantes de diferentes faixas etárias são atendidos pelo serviço de equoterapia. Segundo Natacha, a maior parte das famílias chegam ao projeto por meio da divulgação institucional das ações do mandato e também pela atuação do projeto Eu Acredito, responsável pela condução das atividades.

Para muitas famílias, a proposta tem feito a diferença no desenvolvimento das crianças. Marcela Rodrigues, uma mãe beneficiada pelo projeto, resumiu a importância da iniciativa: “Embora eu seja nova no grupo, estou achando de suma importância. Seria difícil pagar pela terapia, muitas famílias não têm condições”.

Os resultados também são percebidos no dia a dia das famílias atendidas. A mãe de um dos participantes destacou os benefícios da equoterapia para o filho: “Só tenho a agradecer. É a terapia que ele mais gosta de fazer, e ele melhorou muito, está mais calmo, tanto na escola quanto em casa”.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

Continue lendo

SAÚDE

Mpox preocupa acreanos

Transmissão ocorre por contato direto e sintomas exigem atenção e atendimento rápido

Publicado há

em

por

Por André Nascimento, João Victor Gomes, Marcela Almeida, Rayane Gusmão e Renan Souza*

A confirmação de oito casos de Mpox em Rondônia até o fim de fevereiro, segundo o Ministério da Saúde, e do primeiro caso no Acre neste mês de março,  colocou a população acreana em estado de atenção.  

Moradora de Xapuri, a dona de casa Raquel Silva, realiza o trajeto entre os dois estados regularmente e diz temer as consequências de um possível avanço da doença. Ela acompanha as notícias pelos jornais, rádio e redes sociais, e conta que a preocupação já faz parte do cotidiano. “A gente fica com medo, né? Porque a gente não sabe como proteger a família direito. Falta informação mais clara”, comenta.

A nutricionista Anthoany do Nascimento Silva, e o professor de física  Keudheyson Maia da Silva, moram em Rio Branco e afirmam terem algumas dúvidas sobre o tema e sentem falta de maiores esclarecimento por parte das autoridades públicas. Keudheyson conta que aumentou seu nível de preocupação com o aumento no número de casos em Rondônia. “É num nível acentuado, preocupante, pois estamos muito próximo da população rondoniense”, complementa. 

A população preocupa-se e procura informações de forma clara, tendo em vista que possui dificuldades em identificar o que pode ser informação real ou desinformação. “Quando saiu a ‘conversa’ sobre os casos confirmados em Rondônia, fui pesquisar se era verdade porque tem muita desinformação e fake news sempre que aparece uma doença dessas, que tem potencial pandêmico”, relata o contador Fabiano da Silva Souza, também morador de Rio Branco.

Infecção Viral

De acordo com o infectologista e hepatologista, Thor Dantas, a Mpox é uma infecção viral causada por um vírus semelhante ao vírus da varicela, que causa um quadro de lesões na pele, tipo bolhas, vesículas, parecidos com a catapora. “Ela é transmitida principalmente através do contato, e um tipo de contato muito eficiente na sua transmissão é o contato sexual”, explica.

Imagem: arquivo pessoal

O médico diz ainda que é comum lesões genitais, contudo não é essa a única forma de contágio da doença, podendo ser transmitidas pelo contagio direto em lesões na pele, por objetos e, em alguns casos, por vias respiratórias.

Contudo, o médico afirma que a Mpox geralmente é uma doença benigna, ela não leva a risco de vida e muito raramente tem quadros graves com complicações. “Ela causa sintomas de desconforto, dor, infecção local e a depender do lugar onde afete como região genital ou anal, pode também produzir dores ao evacuar, porém apesar de dificilmente apresentar quadros graves, é uma doença que causa bastante desconforto”, afirma Dantas.

Para o médico, é importante conscientizar a população de forma clara, afim de evitar situações de angústias, de que um surto em grande escala não é provável, pois ela não possui uma transmissibilidade que permita um surto em grandes proporções “Diferente de um vírus respiratório, por exemplo, onde a principal forma de transmissão é a respiratória, a Mpox necessita de um contato pessoa-pessoa”, esclarece.

Sintomas

A Mpox é uma doença viral transmitida pelo contato direto com lesões de pele, secreções corporais ou objetos contaminados. Os principais sintomas incluem: 

– Febre
– Dor de cabeça
– Inchaço dos gânglios linfáticos
– Lesões ou erupções na pele

Imagem: reprodução

A orientação é que, ao surgirem os primeiros sinais, a pessoa deve procurar imediatamente uma unidade de saúde e evitar contato próximo com outras pessoas até que seja realizada avaliação médica.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

Continue lendo

SAÚDE

Um abraço invisível: a importância da doação de plaquetas por aférese

Com validade de apenas cinco dias, as plaquetas exigem reposição constante para garantir o tratamento de pacientes

Publicado há

em

por

Por Alessandra Akemi, Ana Rita Balbino, Gilliane Silva, José Victor Albuquerque, Larissa Rodrigues e Maria Naiara Santos*

Devido ao estado crítico do estoque do Hemocentro, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Acre (Hemoacre) está em busca de novos doadores voluntários de plaquetas por aférese. A mobilização ocorre durante todo o ano e tem como finalidade ajudar pacientes em tratamentos oncológicos e emergenciais que dependem desse componente, cuja validade é de apenas cinco dias, necessitando de reposição constante para garantir a continuidade dos tratamentos.

Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoracre, Quésia Nogueira, destaca que a doação de plaquetas por aférese é essencial. Segundo ela, uma única bolsa coletada pode equivaler a seis ou sete doações de sangue total, permitindo que o paciente receba plaquetas de apenas um doador, reduzindo riscos transfusionais e garantindo maior qualidade e segurança.

Quésia Nogueira, Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoacre. Foto: Larissa Paiva

De acordo com a profissional, para se tornar doador é necessário possuir boa relação entre peso e altura, acesso venoso adequado e disponibilidade de tempo, já que o procedimento dura cerca de 60 minutos. Ela ressalta ainda a importância do comprometimento com o agendamento, pois cada coleta costuma ser destinada a um paciente específico.

Quésia explica que o incentivo à doação de plaquetas começa, geralmente, pela doação de sangue total, momento em que o voluntário conhece o serviço, perde o medo do procedimento e realiza seus primeiros exames. Campanhas informativas, divulgação nos meios de comunicação e o compartilhamento de experiências entre os próprios doadores são estratégias fundamentais para ampliar o número de voluntários. De acordo com ela, a informação acessível e o contato direto entre profissionais e população são essenciais para despertar o interesse e fortalecer a cultura da doação regular.

Enfermeira formada pela Universidade Federal do Acre com Pós Graduação em Clínica Transfusional, Elba Luiza é a profissional referência no Hemocentro do Acre quando o assunto é “plaquetaférese”. “As plaquetas são o hemocomponente responsável pela coagulação sanguínea. Esse tipo de doação é completamente segura. Com o uso de kits descartáveis são realizadas duas etapas: extração e retorno – A máquina fará todo o procedimento sozinha”, explica.

Enfermeira Elba Luiza de Souza Oliveira, especialista em Clínica Transfusional. Foto: Larissa Paiva

Em consideração à baixa procura ou falta de conhecimento por parte da população, Elba alerta: “Estamos com o estoque do Hemocentro em estado crítico. As plaquetas têm uma vida de cinco dias úteis, por isso precisamos de comprometimento dos doadores. Pedimos que o voluntário venha realizar a doação sem pressa, pois essa é uma doação especial de suma importância para tratamento em pacientes oncológicos”.

Motivações para doar plaquetas

Josué Azevedo, técnico em análises clínicas e doador de plaquetas por aférese há dois anos, conta que conheceu o procedimento por meio do trabalho na área da saúde. Segundo ele, apesar da doação durar um pouco mais que a convencional, a experiência é tranquila e segura. “Saber que uma única doação pode ajudar várias pessoas é o que me motiva a continuar”, ressalta.

O arquiteto Ille Derze é doador de sangue há três anos e decidiu aumentar sua contribuição e se tornar um doador de plaquetas após ser convidado pelos profissionais do Hemocentro. Segundo ele, a principal motivação é ajudar pacientes em tratamento contra o câncer. “Eu já doava sangue há muitos anos. Quando me explicaram que as plaquetas são muito usadas no tratamento de crianças com câncer, isso mexeu muito comigo”, relata.

O doador realiza o procedimento sempre que é convocado pelo Hemocentro. Com o tempo, a experiência também mudou sua postura sobre o tema. Ele passou a incentivar familiares e amigos a se tornarem doadores. “Eu virei um testemunho de doador. Fico convidando todo mundo. Já trouxe vários amigos”, conta.

Thatyane Nobre descobriu o linfoma de Hodgkin durante a gestação e precisou iniciar imediatamente o tratamento contra o câncer. Durante esse período, recebeu diversas transfusões de sangue e plaquetas. 

Thatyane Nobre enfrentou o linfoma de Hodgkin e recebeu transfusões durante o tratamento. Hoje, incentiva a doação de sangue e plaquetas. Foto: arquivo pessoal

“Cada bolsa que eu recebi era como um abraço invisível de pessoas que eu nem conhecia. Foram esses doadores que me mantiveram de pé”, relata. Ela, que já foi doadora, passou a ser receptora e hoje reforça a importância de manter os estoques abastecidos. “A gente nunca sabe o dia de amanhã. Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas”, finaliza.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

Continue lendo

Mais Lidas