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Profissionais de saúde se destacam no atendimento de pacientes com covid-19. Durante a pandemia, abandonaram suas famílias, mudaram rotinas, passaram por longas jornadas de trabalho, tudo para prestar o melhor atendimento e salvar vidas

Entre a fé e a ciência: a médica do 4º piso que viu milagres

Por Maria Fernanda Arival, Juilyane Abdeeli e Gustavo Almeida de Sousa

No quarto andar do prédio do Pronto Socorro de Rio Branco, no Acre, a médica endocrinologista Fabíola Helena de Souza atua desde a chegada do primeiro paciente contaminado com Covid-19 em meados de março de 2020. Os três andares superiores do prédio foram destinados às enfermarias Covid e Fabíola tira seus plantões no quarto andar, onde exerce a medicina sem medo e com muita fé.

“Confirmei que nasci para ser médica. Para mim é uma satisfação atender um paciente covid – como são chamados os pacientes contaminados com o vírus -. Com eles, eu assisti milagres, ouvi e vi o renascimento deles e o meu a cada alta hospitalar. Entrei em luto junto das famílias daqueles que eu não consegui ajudar”, diz.

Casada e mãe de duas meninas, Fabíola jamais se viu amedrontada pelo vírus. Cumpria seus plantões fazendo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI),  mas sem as luvas e acabou por deixar uma marca registrada entre seus pacientes: as unhas com alongamento de fibra de vidro. 

Cada paciente que recebia a visita da Dra. Fabíola do 4º piso via suas unhas sempre bem feitas e com manutenção em dia, além dos cílios que também são alongados fio a fio e estão sempre acompanhados de um olhar que transmite aconchego e força.

Um presente enviado por familiares de paciente como forma de gratidão. As unhas de vidro da médica também estão sempre presentes/ Arquivo Pessoal

“Eu passei a tirar as minhas luvas para que na hora que eu passasse minha visita pegasse na mão deles e olhasse para dizer que eles tenham fé. O paciente precisava sentir um calor humano e precisava saber que eu estaria ali com ele até o final. Não é por acaso que meus pacientes me conheciam pelas minhas unhas de vidro. Eu nunca tirei minhas unhas de vidro, meus cílios eram tirados pelas lágrimas quando a gente perdia um paciente. Eu sempre chegava de bom humor, mesmo que ele estivesse muito cansado eu sentava ao lado e ficava lá até encorajá-lo a fazer o uso novamente do tratamento da Ventilação Não Invasiva (VNI)”, relata a médica com orgulho.

“Essa foi minha pior experiência com Covid: atender os meus”

Apesar de não mostrar medo em suas falas e no tom de voz, Fabíola conta que o único medo que ela tinha era de contaminar os familiares, mas mesmo se cuidando por diversas vezes precisou cuidar da família até dentro do hospital. Em junho de 2020, Fabíola recebe a ex cunhada com 10% do pulmão comprometido, mas o quadro se agravou muito e chegou a quase 80% de comprometimento pulmonar, e ali estava um dos maiores desafios: evitar a intubação daquela paciente que é também mãe da sua sobrinha. Outro desafio em 2020: receber o irmão também em estado grave na enfermaria que trabalha.

“Minha ex cunhada foi muito grave, fiz do medo uma questão de honra para devolvê-la às filhas. Com ela conseguimos escapar, nasceu de novo, foi uma das pacientes mais graves que eu tive para não deixar intubar. Eu sempre fui contra a intubação, nós tínhamos que investir no paciente até onde ele e Deus nos permitisse”, diz.

Aquele medo que Fabíola tinha de contaminar os familiares e não conseguir salvá-los a tempo se concretizou: no pico da segunda onda de Covid-19 no Acre, a médica recebe o tio e faz todos os procedimentos possíveis para evitar a intubação. “Quando meu tio chegou eu falei: ‘vai dar’, mas chegou um momento que ele precisava ser intubado, já estava muito exausto. No dia em que me ligaram pedindo permissão para inturbar, eu me senti a pior pessoa e soube que tinha perdido uma batalha. No momento da intubação, eu vi meu tio com o coração parado por 12 minutos e eu não pude fazer nada, não era meu plantão naquele setor”, diz emocionada.

O tio de Fabíola esteve na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por 12 dias e não resistiu, vindo a óbito no plantão dela. Cinco dias depois, a confirmação da mãe da médica e da cunhada contaminadas pelo Coronavírus. “Depois de 15 dias do tratamento delas, eu soube que estava com o vírus junto com meu marido e minha filha mais velha. Com meu marido foi outra experiência muito ruim. Ele chegou a 100% de comprometimento pulmonar, mas com toda fé e orações que as pessoas fizeram e com o tratamento convencional daquilo que eu acredito, ele aguentou firme”, recorda Fabíola.

Gratidão

Desde o início da pandemia, os pacientes que recebiam alta hospitalar exalavam gratidão a toda equipe e a Dra. Fabíola. “Todos os pacientes têm minha rede social e meu número, todos que ficaram internados na enfermaria do 4º piso tiveram um contato muito grande com a equipe, parecia que éramos família, e saber que em algum lugar eu estou nas orações de alguém que eu ajudei e hoje conta que sobreviveu a Covid, para mim não tem preço”, fala Fabíola ao ser questionada como se sente recebendo presentes e visitas de ex pacientes sempre que pode.

Registro do momento da alta hospitalar de um paciente/ Reprodução Facebook

A senhora da janela e o filho que ficou sozinho

“Eu jamais vou ter outra experiência como essa. Eu vi histórias marcantes como a da senhora da janela. Ela olhava a casa dela do prédio da enfermaria onde ficou internada por 33 dias. A senhora dormia e acordava olhando para a casa dela. Uma senhora muito educada, passiva, semi analfabeta, mas de uma educação de três vidas, precisaria disso para ter essa educação. Uma generosidade e fé que poucas vezes eu vi antes da Covid”, a médica fala quando indagada sobre histórias e experiências que marcaram a vida dela como pessoa e como profissional durante a pandemia.

Fabíola também conta a história de um paciente do interior que perdeu a mãe, o pai, dois irmãos e a esposa e questionou diversas vezes o motivo de Deus ter escolhido ele para ficar. “A partir daquele dia, eu fui para casa e pedi em orações que me mostrasse o caminho, pois tinha que ter um”,  fala.

O amor e o cuidado não acabam

Por Juilyane Abdeeli

Edvan Ferreira de Meneses, enfermeiro do Pronto Socorro de Rio Branco, lotado na UTI Covid e Observação Adulto, se viu sem saída quando foi escalado para fazer parte da linha de frente da Covid-19 no início da pandemia. Enquanto a segurança de seus familiares estava ameaçada, Edvan teve que se afastar de todos com medo de infectar aqueles que ama. 

O enfermeiro conta o sentimento que teve ao receber o primeiro paciente infectado. “Foi um plantão extremamente estressante, pois passei horas sem ir ao banheiro e sem beber água. Tinha muito medo de tirar a roupa e acabar me contaminando”, recorda.

Casado há 5 anos, Edvan relata o quanto foi difícil ficar longe do esposo que tem um quadro de Anemia Talassêmica Crônica. Por medo de contaminá-lo, passou a morar sozinho por três meses, trabalhando em uma escala dobrada de plantões, enquanto o esposo ficou com a família que mora no interior do Acre.

O primeiro plantão da SEC COVID onde foi recebido o primeiro paciente no dia 8 de abril de 2020/ Arquivo Pessoal

Mesmo a angústia em ficar longe de quem ama, a satisfação em saber que ele se encontrava seguro era maior. Após esses meses separados, o enfermeiro já estava se familiarizando com os riscos e conhecendo mais sobre a Covid-19 e o esposo voltou para casa.

Edvan, quando sentia os sintomas, dormia em quartos separados até ter a certeza que não estava com a doença. “Mesmo com todos os cuidados, tinham dias que eu imaginava ter sido contaminado, pois sentia alguns sintomas que estavam correlacionados com a sobrecarga de trabalho.’’

“A pressão, o medo e a desconfiança dos vizinhos construíram momentos intensos e muito difíceis para mim e meu esposo”, relembra o enfermeiro as situações difíceis que passou. No início da pandemia, os vizinhos evitavam cruzar com ele no prédio em que mora. “Muitas pessoas têm a ideia de que os profissionais da saúde são os principais vetores da doença, mas não é verdade. O que poucos sabem é que os profissionais seguem corretamente os protocolos exigidos, ou seja, não há o que temer”, diz.

Equipe do Pronto Socorro preparando-se para a recepção dos primeiros contaminados da Covid-19/ Arquivo Pessoal

Para o enfermeiro, a pandemia está sendo um período de aprendizados. “Trouxe também a humanização e um olhar completo para o paciente e suas necessidades. Nos fez lembrar do uso adequado de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), lavagem adequada das mãos e o cuidado redobrado com as contaminações cruzadas que existem dentro do hospital”

O enfermeiro conta que só existem arrependimentos na escolha da profissão quando perde confraternizações familiares e datas comemorativas, pois sempre está de plantão, mas o amor que tem pela profissão e por cuidar dos pacientes chega a suprir qualquer outro descontentamento que possa vir a ter. “A enfermagem é uma das profissões que atua diretamente na devolução da dignidade das pessoas, na devolução da autonomia, do autocuidado, da saúde, da vida”, finaliza.

Enfermeiros a postos para ajudar no combate ao Coronavírus/ Arquivo Pessoal

A fisioterapeuta que encontra apoio na família

Por Gustavo Sousa

“Sou mãe de um casal de filhos. Fiquei muito tempo longe deles porque tínhamos muitos casos acontecendo e poucos profissionais dispostos a ficarem na linha de frente por medo do desconhecido, por medo de ficarem doentes e passarem para as suas famílias”. O isolamento da família foi uma das decisões mais difíceis para a profissional de saúde Helen Freitas, 50 anos, que atua na Unidade de Terapia Intensiva do Pronto Socorro de Rio Branco.

Apesar do medo da contaminação, foi com o apoio da família que ela encontrou forças para transformar o medo em determinação. Helen e o marido conversaram bastante antes do vírus chegar ao Brasil e, por conta disso, ela decidiu optar por ficar isolada devido ao que estava acontecendo no mundo.

A fisioterapeuta segurando uma dose da vacina contra Covid-19/ Arquivo Pessoal

Área de atuação

O fisioterapeuta com título em terapia intensiva é o especialista que conduz a ventilação mecânica tanto invasiva como a não invasiva, ou seja, o fisioterapeuta que mantém o quadro pulmonar do paciente juntamente com a equipe médica.

“O nosso papel é melhorar as trocas gasosas e expandir os pulmões para que eles se reestabeleçam e os pacientes possam ser extubados (sair da intubação). Inicialmente a função dos profissionais dessa área é evitar que o paciente seja entubado, mantendo-o em oxigenoterapia (terapia feita com a utilização de oxigênio) e Ventilação Não Invasiva (VNI) método para ajudar na respiração por meio de aparelhos que não são introduzidos no sistema respiratório. Nos casos mais graves, em que a intubação seja inevitável, administramos a ventilação mecânica conduzindo o funcionamento dos pulmões para que o paciente possa se recuperar.

Helen e parte da sua equipe de fisioterapeutas/ Arquivo Pessoal

Dificuldades 

A pandemia de Covid-19 não é a primeira que a fisioterapeuta enfrenta. “Já tive experiência com outra pandemia. A do H1N1 foi mais branda, porém eu já imaginava que essa que estava por vir seria de uma maior proporção”, diz. Helen menciona algumas dificuldades que enfrentou ao longo dos últimos meses intensos de trabalho. O seu psicológico estava ficando afetado pela distância da família e a falta de um carinho ao chegar do trabalho e a mudança repentina na sua rotina acabou impactando bastante, apesar da família ter se acostumado com a rotina de plantões diários. Outra complicação é a exaustão física que vinha por conta da nova rotina de plantões cada vez mais prolongados.

Caso Marcante 

Dentre tantos casos, um especificamente a marcou pois era um desafio. Eles estavam no início do processo para conhecer a doença  “Foi em um momento que ainda estávamos começando a conhecer a doença, o Estado ainda estava se equipando e ainda tínhamos muito medo de fazer VNI. Alguns estudos da época afirmavam que a VNI contaminava os profissionais”, recorda. Como o paciente ainda respirava, a equipe com a qual Helen trabalha tomou a decisão de fazer de tudo para salvar o paciente e usar a VNI. “Ele está vivo hoje, graças a Deus, e valeu muito a pena os nossos esforços”

 Helen explica que essa técnica era usada em outras doenças e ao usarem nesses casos do covid e notarem os resultados positivos não pararam mais de usar esse método. A profissional ressalta que no Brasil todos estão usando a técnica o que vem evitando muitas intubações.

Superação

Mesmo com tantas dificuldades em torno dessa nova pandemia, Helen encontra forças e compreensão na família. Os encontros com o marido e os filhos retornaram quando os casos tiveram uma baixa considerável.

“Passado um ano de pandemia, posso dizer que é impossível presenciar esse acontecimento com tantos óbitos e tanto sofrimento não mudar a sua essência”. A força que precisa para seguir em frente encontra na religião e no sorriso dos seus pacientes  recuperados. “Essas pequenas vitórias do dia a dia impulsionam a nossa jornada”, fala.

Freitas recebendo a primeira dose da vacina contra a Covid-19/ Arquivo Pessoal

Redação

Corriqueiras

A fruta que o gado não come: produção de pitaya ganha espaço no Acre

Produção familiar encontrou na pitaya uma alternativa resistente ao pasto, garantindo renda e evitando prejuízos causados pelo gado

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Por Vitória Messias

Exótica, colorida e cada vez mais presente no cotidiano dos rio-branquenses, a pitaya, conhecida popularmente como fruta-do-dragão ou fruta do cacto, vem ganhando destaque nas ruas de Rio Branco. O crescimento do consumo é impulsionado por uma rede de comércio administrada por mãe e filho, que desde 2020 atua em dois pontos da capital acreana, no Vila Acre e na Avenida Rio de Janeiro, com a proposta de popularizar a fruta e valorizar a produção da agricultura familiar.

Originária da América Central, a pitaya possui registros de consumo desde as civilizações Asteca e Maia, na região que hoje corresponde ao México. Introduzida no Brasil na década de 1990, a fruta passou a ser cultivada em Rio Branco há cerca de seis anos, a partir da produção de Kelarkian Brilhante e de sua mãe, Ivanna Brilhante, com o apoio de outros familiares que enxergaram no cultivo da pitaya uma alternativa sustentável de renda extra.

Ivanna e Kelarkian Brilhante, donos da plantação de pitaya. Foto: Vitória Messias.


Anteriormente, a família Brilhante se dedicava ao cultivo de maracujá e à criação de gado na propriedade. No entanto, um episódio de descuido, aliado a uma cerca mal conservada, permitiu a entrada dos animais na área de plantio, ocasionando a perda total da lavoura.

Segundo Ivanna, a situação motivou uma reflexão sobre o que era plantado ali. “Meu filho queria plantar algo e ter uma produção própria, fruto do esforço dele. Chegou a pensar em macaxeira, mas eu o alertei que o gado poderia comer a plantação, como fez com o maracujá”, explica.

Com esse pensamento, e em meio à pandemia, mãe e filho conseguiram se reerguer. Kelarkian se inspirou ao assistir vídeos sobre a Pitaya no Youtube e conta sobre aconselhamentos da avó para dar início ao que seria a maior fonte de produção de Pitaya do estado.

“Minha avó, que era viva na época, foi uma fonte de orientação. Ela desencorajou a ideia de plantar maracujá novamente. Um dia, navegando no YouTube, encontrei um vídeo sobre pitaya. Fiquei fascinado e pesquisei a fundo. No dia seguinte, mostrei para minha avó, e ela confirmou que a pitaya era a escolha certa, pois o gado não a comeria”, conta.

O agricultor explica que a decisão de iniciar o cultivo amadureceu ao longo dos primeiros meses do ano. “A ideia surgiu entre fevereiro e março. Em junho, fui buscar as mudas e conheci o seu Celeste, um produtor muito atencioso. No início, o plano era plantar mil mudas, mas, por questões financeiras, comecei com 400. A partir daí, passei a reaproveitar as próprias mudas: todo ano eu retirava e replantava. Fiz isso desde 2020. Em 2021, ampliei o plantio e continuei expandindo a área, até chegar ao que temos hoje”, relata.

Plantação das pitayas Brilhante. Foto: Vitória Messias.

Hoje os agricultores somam 2.800 mudas, com apenas 2.500 em produção, porém, a família enfrentou dificuldades para vender no primeiro e segundo ano de safra. “No primeiro a gente colhia mais fruto do que vendia. O pessoal não conhecia e não queria comprar um alto valor agregado em cima e foi difícil nos dois primeiros anos, mas de 2023 para cá, a pitaya só vem avançando e aumentando o sucesso”, conta Ivanna.

Os produtores comercializam mais de 2 mil mudas de pitaya desde 2023. A partir desse período, o público também variou. “Antes eram mais idosos, pessoas que frequentavam a academia. Depois mudou para o público infantil. Várias crianças queriam, aperreavam o pai para comprar”, conta Kelarkian.

Com a barraca montada na Avenida Rio de Janeiro, e plantação ativa no bairro Vila Acre, a família tem conquistado o público e planeja exportar o produto futuramente.

Benefícios à saúde

Seja pitaya vermelha, branca ou roxa, em meio às variações da fruta, os valores nutricionais variam, como aponta o nutricionista Inauã Rodrigues. “A pitaya vermelha e roxa tem mais compostos antioxidantes do que a branca. Um grande benefício é a praticidade, ela congelada não perde nenhum nutriente, perfeito para só depois bater no liquidificador e fazer um sorvete ou vitamina“, recomenda Inauã.

Inauã Rodrigues, nutricionista. Foto: arquivo pessoal.

A fruta contém minerais como magnésio e vitaminas, incluindo a vitamina C, que, segundo o nutricionista, são antioxidantes importantes, responsáveis por auxiliar na redução de processos inflamatórios no organismo, tanto os mais comuns, como a acne, quanto os mais complexos, como a fibromialgia.

Rodrigues complementa. “É uma fruta leve, com baixo teor calórico e rica em água e fibras. Essa composição a torna benéfica para a saciedade e a regulação intestinal, promovendo uma sensação de leveza”.

A pitaya pode ser incluída em diferentes planos alimentares, seja para quem busca emagrecimento, ganho de massa muscular, prevenção ou tratamento de doenças. Para Maria Luiza, consumidora fiel da família Brilhante, a fruta virou parte do cotidiano. Devido sua praticidade, a cliente faz questão de garantir seu estoque pessoal a cada nova safra.

“Eu nunca tinha comido pitaya antes, eu já tinha visto, mas eu fui comer primeiro as pitayas da Dona Ivanna, em 2023. Eu compro muitas pitayas para consumo próprio. Eu como elas o ano todo, só congelo, e faço suco ou shake, porque eu gosto do sabor, e ela faz muito bem ao meu intestino, é por isso que eu compro muitas”, diz Luiza.

E, assim como fez a diferença na trajetória da família Brilhante, a pitaya segue conquistando espaço e se popularizando entre os mais diversos públicos. Presente nas feiras, nas ruas e na mesa dos acreanos, a fruta deixa de ser vista apenas como exótica e passa a integrar o cotidiano, unindo saúde, sabor e fortalecimento da agricultura familiar.

Redação

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AMOR EM QUATRO PATAS

A adoção de pets como equilíbrio entre responsabilidade afetiva e social

Com 65 animais disponíveis no Centro de Controle de Zoonozes de Rio Branco, busca por novos lares para cães e gatos adultos visa combater o abandono

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Por Lis Gabriela e Rhawan Vital

O cenário no Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Rio Branco reforça uma triste realidade: muitas pessoas dão preferência à adoção de filhotes para serem seus novos pets, enquanto cães e gatos adultos enfrentam longos períodos de espera em canis e gatis. Além da questão afetiva, a adoção desses animais também pode ser considerada uma decisão que auxilia na saúde pública e no manejo populacional desses animais no ambiente urbano.

Nesse contexto, foram instituídos os CCZs, com o objetivo de focar na vigilância epidemiológica e no controle de doenças que podem ser transmitidas por animais ao ser humano, como raiva e leishmaniose, além de casos em que os animais apresentam risco aos tutores ou agressividade. Mas, apesar de sua função inicial, essas unidades se tornam lares temporários e, por muitas vezes, permanentes para diversos animais.

Cães e gatos adultos aguardam por uma nova chance de recomeço nos canis e gatis do Centro de Controle de Zoonoses de Rio Branco. Foto: Rhawan Vital

De acordo com o agente de Vigilância em Zoonoses, Joel Pereira, do Centro de Zoonoses de Rio Branco, a busca por outra condição de vida para os animais é um objetivo a ser atingido, seja em um lar ou um ambiente adequado, para que recebam o devido carinho. Os animais adultos, quando acolhidos, também proporcionam uma experiência única para o tutor. Além disso, a quebra do ciclo de abandono passa, obrigatoriamente, pela educação da sociedade e pelo reconhecimento do animal a ser adotado. Escolher um animal adulto é priorizar a consciência ao invés de uma fase momentânea com um pet.

Dessa forma, a cultura da adoção é um indicativo de maturidade social. Ao escolher adotar, as pessoas deixam de ser apenas espectadores do problema do abandono para se envolver de forma ativa na solução. “Ter um bicho de estimação é bom, porque você tem companhia sempre. Também te faz ter um senso de responsabilidade que não tinha antes. Pra mim, é uma companhia que nunca incomoda”, afirma Álvaro Bagnara, tutor dos gatos Cheddar e Grafite.

Além da vigilância em saúde pública, o CCZ também se torna lar temporário e, muitas vezes, permanente, para animais vítimas do abandono. Foto: Rhawan Vital

Álvaro conta sobre seus gatos: Grafite foi adotada ainda filhote, então passou por uma fase de criação e ensinamentos, desde o onde se alimentar à caixa de areia. Já Cheddar chegou um pouco mais tarde na família, já adulto e após ser abandonado pelos antigos tutores, mas mesmo assim não deixou de entregar amor. Em relação à adaptação, o tutor dos felinos conta que o tempo bastou para que houvesse um entendimento de que compartilhavam o mesmo lugar.

“No começo a Grafite brincava muito de perturbar o Cheddar, que sempre foi muito quieto e na paz. Com o passar do tempo, apesar do Cheddar continuar no seu cantinho, a Grafite entendeu que eles moravam juntos. Ela não deixou de perturbá-lo, mas o Cheddar começou a revidar. Essa foi a diferença com o passar do tempo” conta Álvaro, de forma animada.

Adoção responsável

O CCZ de Rio Branco conta com 65 animais disponíveis para adoção, sendo eles cães e gatos, filhotes e adultos. Entre eles estão: 40 cães adultos, oito filhotes, 11 gatos adultos e seis filhotes. Os animais são vacinados e têm carteirinhas próprias, prontos para que seus tutores acompanhem e cuidem de maneira adequada, de acordo com datas e mutirões de vacinação disponíveis no futuro.

A adoção responsável transforma realidades: para quem adota, nasce um vínculo; para quem é adotado, surge a oportunidade de um lar. Foto: Rhawan Vital

A adoção pode ser feita de segunda a sexta-feira, entre as 7h e as 17h, e necessita que o interessado tenha mais de 18 anos, apresente o documento oficial e assine o termo de adoção responsável, documento que valida a adoção e a responsabilidade do novo dono do pet.

Ao retirar um animal adulto de um centro, o cidadão contribui diretamente para a redução da superlotação (tanto das ruas, quanto dos abrigos e CCZs) e permite que o Estado e outros profissionais da área veterinária direcionam recursos para outras frentes de saúde e bem-estar animal. É importante ressaltar que a adoção é um ato de responsabilidade civil, e não deve ser confundida apenas com uma boa ação.

Redação

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CONSCIENTIZAÇÃO

Projeto EducaLeish leva ações de prevenção contra leishmaniose a escolas e comunidades rurais do Acre

Transmissão da leishmaniose segue intensa em áreas rurais e acende alerta entre especialistas no Acre

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Por Julie Siqueira e Ana Luiza Pedroza

A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma doença tropical negligenciada, endêmica no Brasil, com maior concentração de casos na região amazônica. No Acre, apenas na última década, mais de 11 mil casos foram notificados, evidenciando a persistência e a intensidade da transmissão local, especialmente em áreas rurais. Transmitida pelo mosquito-palha, a doença pode se manifestar nas formas cutânea ou mucosa e, quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode causar complicações significativas aos pacientes.

Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por parasitas transmitidos pela picada do mosquito-palha, que pode afetar a pele, mucosas ou órgãos internos. Foto: reprodução

Diante desse cenário, em 2022, durante atividades de campo voltadas à investigação da ecoepidemiologia da doença em áreas rurais, a equipe do Laboratório de Patologia e Biologia Parasitária (LabPBP/CCBN/Ufac) deu início às atividades educativas junto aos moradores dessas comunidades. As ações iniciaram como parte do projeto de doutorado em Medicina Tropical do biólogo Leandro Siqueira, desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e marcaram o surgimento do projeto de ensino e extensão EducaLeish.

O projeto tem como objetivo capacitar profissionais da saúde sobre a leishmaniose, além de promover ações de educação em saúde voltadas à comunidade, com foco nos aspectos básicos da doença, como transmissão, prevenção, sinais e sintomas. A iniciativa é coordenada pelo professor Francisco Glauco de Araújo Santos e pelo biólogo Leandro Siqueira e conta com a participação de estudantes e docentes dos cursos de Medicina, Medicina Veterinária, Biologia e Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Entre as principais iniciativas desenvolvidas pelo EducaLeish estão as visitas anuais a escolas de comunidades rurais da Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema. Nessas mobilizações, são realizadas exposições sobre o ciclo de transmissão da doença, com estratégias que permitem a interação dos alunos e da comunidade com microscópios, lupas, vetores, materiais biológicos didáticos e jogos educativos.

Além das ações em áreas rurais, o projeto também realiza ações de educação em saúde em escolas públicas de Rio Branco, levando informações sobre a leishmaniose de forma acessível para crianças e adolescentes. A proposta é trabalhar a prevenção, os cuidados necessários e a identificação precoce dos sintomas por meio de uma abordagem prática, lúdica e interativa.

A iniciativa tem sido bem recebida pelas instituições de ensino atendidas. Para Laézio Lira, diretor da Escola Tancredo Neves de Almeida, a presença de profissionais e estudantes da área da saúde torna o aprendizado mais efetivo.

Estudantes apresentam atividades práticas sobre a leishmaniose a alunos de escola pública de Rio Branco. Foto: Divulgação/EducaLeish

“A grande importância desse trabalho que a Ufac está trazendo para a escola sobre a leishmaniose é que vai trabalhar a prevenção, os cuidados que devem ser adotados e os sintomas da doença. Uma coisa é o professor estar em sala passando o conteúdo de forma teórica, outra é o pessoal da Medicina e da Medicina Veterinária da UFAC trazendo essa prática. Os alunos ficam muito motivados e encantados com a dinâmica”, afirma.

Nas comunidades rurais, o impacto também é percebido pelos estudantes. Um aluno do ensino fundamental da Escola Hermínio Pessoa, localizada na Reserva Cazumbá-Iracema, comentou sobre a experiência: “Foi a primeira vez que vi um microscópio. Antes a gente só via na televisão. Foi muito legal as atividades e nossa turma gostou bastante”.

Segundo a direção das escolas, as práticas extensionistas contribuem para aproximar os estudantes da ciência e reforçam o papel da escola como espaço de promoção da saúde e do conhecimento científico.

Pesquisadores e estudantes levam o EducaLeish para comunidade rural do interior do Acre. Foto: Divulgação/EducaLeish

A participação dos universitários é outro ponto central do projeto. Para a estudante de Biomedicina Thais Cardeal, de 18 anos, a experiência tem contribuído para seu amadurecimento acadêmico e pessoal.

“A proposta de unir pesquisa, laboratório e ações em escolas me motivou bastante, porque envolve aprendizado e contribuição social”, destaca.

Além das frentes de atuações consolidadas, o EducaLeish prevê uma nova etapa para os próximos meses, comentou o biólogo Leandro Siqueira.

“A educação em saúde é a principal estratégia para a prevenção de doenças. Levar essas atividades para as escolas rurais, onde os alunos e professores não possuem acesso como na zona urbana, é um dos privilégios deste projeto. Para os próximos meses, estamos organizando uma Mostra de Ciências na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, a primeira a ser realizada em comunidades rurais, com objetivo de promover ações de divulgação e popularização da ciência em escolas de comunidades rurais de difícil acesso”, comenta.

A proposta da mostra é ampliar o diálogo com moradores e estudantes da região, fortalecer a divulgação científica e incentivar o interesse pela ciência. A iniciativa se soma às visitas anuais realizadas pelo projeto e marca um novo momento de aproximação entre ensino, pesquisa e extensão, para propiciar a troca de experiências entre a comunidade acadêmica e profissionais de diversas áreas e comunidades tradicionais.

Redação

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