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Saúde

Histórias de heróis

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Profissionais de saúde se destacam no atendimento de pacientes com covid-19. Durante a pandemia, abandonaram suas famílias, mudaram rotinas, passaram por longas jornadas de trabalho, tudo para prestar o melhor atendimento e salvar vidas

Entre a fé e a ciência: a médica do 4º piso que viu milagres

Por Maria Fernanda Arival, Juilyane Abdeeli e Gustavo Almeida de Sousa

No quarto andar do prédio do Pronto Socorro de Rio Branco, no Acre, a médica endocrinologista Fabíola Helena de Souza atua desde a chegada do primeiro paciente contaminado com Covid-19 em meados de março de 2020. Os três andares superiores do prédio foram destinados às enfermarias Covid e Fabíola tira seus plantões no quarto andar, onde exerce a medicina sem medo e com muita fé.

“Confirmei que nasci para ser médica. Para mim é uma satisfação atender um paciente covid – como são chamados os pacientes contaminados com o vírus -. Com eles, eu assisti milagres, ouvi e vi o renascimento deles e o meu a cada alta hospitalar. Entrei em luto junto das famílias daqueles que eu não consegui ajudar”, diz.

Casada e mãe de duas meninas, Fabíola jamais se viu amedrontada pelo vírus. Cumpria seus plantões fazendo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI),  mas sem as luvas e acabou por deixar uma marca registrada entre seus pacientes: as unhas com alongamento de fibra de vidro. 

Cada paciente que recebia a visita da Dra. Fabíola do 4º piso via suas unhas sempre bem feitas e com manutenção em dia, além dos cílios que também são alongados fio a fio e estão sempre acompanhados de um olhar que transmite aconchego e força.

Um presente enviado por familiares de paciente como forma de gratidão. As unhas de vidro da médica também estão sempre presentes/ Arquivo Pessoal

“Eu passei a tirar as minhas luvas para que na hora que eu passasse minha visita pegasse na mão deles e olhasse para dizer que eles tenham fé. O paciente precisava sentir um calor humano e precisava saber que eu estaria ali com ele até o final. Não é por acaso que meus pacientes me conheciam pelas minhas unhas de vidro. Eu nunca tirei minhas unhas de vidro, meus cílios eram tirados pelas lágrimas quando a gente perdia um paciente. Eu sempre chegava de bom humor, mesmo que ele estivesse muito cansado eu sentava ao lado e ficava lá até encorajá-lo a fazer o uso novamente do tratamento da Ventilação Não Invasiva (VNI)”, relata a médica com orgulho.

“Essa foi minha pior experiência com Covid: atender os meus”

Apesar de não mostrar medo em suas falas e no tom de voz, Fabíola conta que o único medo que ela tinha era de contaminar os familiares, mas mesmo se cuidando por diversas vezes precisou cuidar da família até dentro do hospital. Em junho de 2020, Fabíola recebe a ex cunhada com 10% do pulmão comprometido, mas o quadro se agravou muito e chegou a quase 80% de comprometimento pulmonar, e ali estava um dos maiores desafios: evitar a intubação daquela paciente que é também mãe da sua sobrinha. Outro desafio em 2020: receber o irmão também em estado grave na enfermaria que trabalha.

“Minha ex cunhada foi muito grave, fiz do medo uma questão de honra para devolvê-la às filhas. Com ela conseguimos escapar, nasceu de novo, foi uma das pacientes mais graves que eu tive para não deixar intubar. Eu sempre fui contra a intubação, nós tínhamos que investir no paciente até onde ele e Deus nos permitisse”, diz.

Aquele medo que Fabíola tinha de contaminar os familiares e não conseguir salvá-los a tempo se concretizou: no pico da segunda onda de Covid-19 no Acre, a médica recebe o tio e faz todos os procedimentos possíveis para evitar a intubação. “Quando meu tio chegou eu falei: ‘vai dar’, mas chegou um momento que ele precisava ser intubado, já estava muito exausto. No dia em que me ligaram pedindo permissão para inturbar, eu me senti a pior pessoa e soube que tinha perdido uma batalha. No momento da intubação, eu vi meu tio com o coração parado por 12 minutos e eu não pude fazer nada, não era meu plantão naquele setor”, diz emocionada.

O tio de Fabíola esteve na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por 12 dias e não resistiu, vindo a óbito no plantão dela. Cinco dias depois, a confirmação da mãe da médica e da cunhada contaminadas pelo Coronavírus. “Depois de 15 dias do tratamento delas, eu soube que estava com o vírus junto com meu marido e minha filha mais velha. Com meu marido foi outra experiência muito ruim. Ele chegou a 100% de comprometimento pulmonar, mas com toda fé e orações que as pessoas fizeram e com o tratamento convencional daquilo que eu acredito, ele aguentou firme”, recorda Fabíola.

Gratidão

Desde o início da pandemia, os pacientes que recebiam alta hospitalar exalavam gratidão a toda equipe e a Dra. Fabíola. “Todos os pacientes têm minha rede social e meu número, todos que ficaram internados na enfermaria do 4º piso tiveram um contato muito grande com a equipe, parecia que éramos família, e saber que em algum lugar eu estou nas orações de alguém que eu ajudei e hoje conta que sobreviveu a Covid, para mim não tem preço”, fala Fabíola ao ser questionada como se sente recebendo presentes e visitas de ex pacientes sempre que pode.

Registro do momento da alta hospitalar de um paciente/ Reprodução Facebook

A senhora da janela e o filho que ficou sozinho

“Eu jamais vou ter outra experiência como essa. Eu vi histórias marcantes como a da senhora da janela. Ela olhava a casa dela do prédio da enfermaria onde ficou internada por 33 dias. A senhora dormia e acordava olhando para a casa dela. Uma senhora muito educada, passiva, semi analfabeta, mas de uma educação de três vidas, precisaria disso para ter essa educação. Uma generosidade e fé que poucas vezes eu vi antes da Covid”, a médica fala quando indagada sobre histórias e experiências que marcaram a vida dela como pessoa e como profissional durante a pandemia.

Fabíola também conta a história de um paciente do interior que perdeu a mãe, o pai, dois irmãos e a esposa e questionou diversas vezes o motivo de Deus ter escolhido ele para ficar. “A partir daquele dia, eu fui para casa e pedi em orações que me mostrasse o caminho, pois tinha que ter um”,  fala.

O amor e o cuidado não acabam

Por Juilyane Abdeeli

Edvan Ferreira de Meneses, enfermeiro do Pronto Socorro de Rio Branco, lotado na UTI Covid e Observação Adulto, se viu sem saída quando foi escalado para fazer parte da linha de frente da Covid-19 no início da pandemia. Enquanto a segurança de seus familiares estava ameaçada, Edvan teve que se afastar de todos com medo de infectar aqueles que ama. 

O enfermeiro conta o sentimento que teve ao receber o primeiro paciente infectado. “Foi um plantão extremamente estressante, pois passei horas sem ir ao banheiro e sem beber água. Tinha muito medo de tirar a roupa e acabar me contaminando”, recorda.

Casado há 5 anos, Edvan relata o quanto foi difícil ficar longe do esposo que tem um quadro de Anemia Talassêmica Crônica. Por medo de contaminá-lo, passou a morar sozinho por três meses, trabalhando em uma escala dobrada de plantões, enquanto o esposo ficou com a família que mora no interior do Acre.

O primeiro plantão da SEC COVID onde foi recebido o primeiro paciente no dia 8 de abril de 2020/ Arquivo Pessoal

Mesmo a angústia em ficar longe de quem ama, a satisfação em saber que ele se encontrava seguro era maior. Após esses meses separados, o enfermeiro já estava se familiarizando com os riscos e conhecendo mais sobre a Covid-19 e o esposo voltou para casa.

Edvan, quando sentia os sintomas, dormia em quartos separados até ter a certeza que não estava com a doença. “Mesmo com todos os cuidados, tinham dias que eu imaginava ter sido contaminado, pois sentia alguns sintomas que estavam correlacionados com a sobrecarga de trabalho.’’

“A pressão, o medo e a desconfiança dos vizinhos construíram momentos intensos e muito difíceis para mim e meu esposo”, relembra o enfermeiro as situações difíceis que passou. No início da pandemia, os vizinhos evitavam cruzar com ele no prédio em que mora. “Muitas pessoas têm a ideia de que os profissionais da saúde são os principais vetores da doença, mas não é verdade. O que poucos sabem é que os profissionais seguem corretamente os protocolos exigidos, ou seja, não há o que temer”, diz.

Equipe do Pronto Socorro preparando-se para a recepção dos primeiros contaminados da Covid-19/ Arquivo Pessoal

Para o enfermeiro, a pandemia está sendo um período de aprendizados. “Trouxe também a humanização e um olhar completo para o paciente e suas necessidades. Nos fez lembrar do uso adequado de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), lavagem adequada das mãos e o cuidado redobrado com as contaminações cruzadas que existem dentro do hospital”

O enfermeiro conta que só existem arrependimentos na escolha da profissão quando perde confraternizações familiares e datas comemorativas, pois sempre está de plantão, mas o amor que tem pela profissão e por cuidar dos pacientes chega a suprir qualquer outro descontentamento que possa vir a ter. “A enfermagem é uma das profissões que atua diretamente na devolução da dignidade das pessoas, na devolução da autonomia, do autocuidado, da saúde, da vida”, finaliza.

Enfermeiros a postos para ajudar no combate ao Coronavírus/ Arquivo Pessoal

A fisioterapeuta que encontra apoio na família

Por Gustavo Sousa

“Sou mãe de um casal de filhos. Fiquei muito tempo longe deles porque tínhamos muitos casos acontecendo e poucos profissionais dispostos a ficarem na linha de frente por medo do desconhecido, por medo de ficarem doentes e passarem para as suas famílias”. O isolamento da família foi uma das decisões mais difíceis para a profissional de saúde Helen Freitas, 50 anos, que atua na Unidade de Terapia Intensiva do Pronto Socorro de Rio Branco.

Apesar do medo da contaminação, foi com o apoio da família que ela encontrou forças para transformar o medo em determinação. Helen e o marido conversaram bastante antes do vírus chegar ao Brasil e, por conta disso, ela decidiu optar por ficar isolada devido ao que estava acontecendo no mundo.

A fisioterapeuta segurando uma dose da vacina contra Covid-19/ Arquivo Pessoal

Área de atuação

O fisioterapeuta com título em terapia intensiva é o especialista que conduz a ventilação mecânica tanto invasiva como a não invasiva, ou seja, o fisioterapeuta que mantém o quadro pulmonar do paciente juntamente com a equipe médica.

“O nosso papel é melhorar as trocas gasosas e expandir os pulmões para que eles se reestabeleçam e os pacientes possam ser extubados (sair da intubação). Inicialmente a função dos profissionais dessa área é evitar que o paciente seja entubado, mantendo-o em oxigenoterapia (terapia feita com a utilização de oxigênio) e Ventilação Não Invasiva (VNI) método para ajudar na respiração por meio de aparelhos que não são introduzidos no sistema respiratório. Nos casos mais graves, em que a intubação seja inevitável, administramos a ventilação mecânica conduzindo o funcionamento dos pulmões para que o paciente possa se recuperar.

Helen e parte da sua equipe de fisioterapeutas/ Arquivo Pessoal

Dificuldades 

A pandemia de Covid-19 não é a primeira que a fisioterapeuta enfrenta. “Já tive experiência com outra pandemia. A do H1N1 foi mais branda, porém eu já imaginava que essa que estava por vir seria de uma maior proporção”, diz. Helen menciona algumas dificuldades que enfrentou ao longo dos últimos meses intensos de trabalho. O seu psicológico estava ficando afetado pela distância da família e a falta de um carinho ao chegar do trabalho e a mudança repentina na sua rotina acabou impactando bastante, apesar da família ter se acostumado com a rotina de plantões diários. Outra complicação é a exaustão física que vinha por conta da nova rotina de plantões cada vez mais prolongados.

Caso Marcante 

Dentre tantos casos, um especificamente a marcou pois era um desafio. Eles estavam no início do processo para conhecer a doença  “Foi em um momento que ainda estávamos começando a conhecer a doença, o Estado ainda estava se equipando e ainda tínhamos muito medo de fazer VNI. Alguns estudos da época afirmavam que a VNI contaminava os profissionais”, recorda. Como o paciente ainda respirava, a equipe com a qual Helen trabalha tomou a decisão de fazer de tudo para salvar o paciente e usar a VNI. “Ele está vivo hoje, graças a Deus, e valeu muito a pena os nossos esforços”

 Helen explica que essa técnica era usada em outras doenças e ao usarem nesses casos do covid e notarem os resultados positivos não pararam mais de usar esse método. A profissional ressalta que no Brasil todos estão usando a técnica o que vem evitando muitas intubações.

Superação

Mesmo com tantas dificuldades em torno dessa nova pandemia, Helen encontra forças e compreensão na família. Os encontros com o marido e os filhos retornaram quando os casos tiveram uma baixa considerável.

“Passado um ano de pandemia, posso dizer que é impossível presenciar esse acontecimento com tantos óbitos e tanto sofrimento não mudar a sua essência”. A força que precisa para seguir em frente encontra na religião e no sorriso dos seus pacientes  recuperados. “Essas pequenas vitórias do dia a dia impulsionam a nossa jornada”, fala.

Freitas recebendo a primeira dose da vacina contra a Covid-19/ Arquivo Pessoal

Saúde

Amor de mãe

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Por Claudya Simone Oliveira, Gercineide Maia  e John Catão

Rodrigo nasceu com uma condição especial, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que logo foi percebido pela mãe e outros familiares. Lavínia Melo, 25 anos, empreendedora, formada em Engenharia Agronômica pela UFAC, é mãe dos gêmeos Rodrigo e Murilo Barcelos, de apenas 3 anos e 2 meses. 

Para ela, ser mãe de uma criança com TEA é um aprendizado diário, ela aprende muitas coisas com seu filho ao mesmo tempo que também ensina. “O Rodrigo é uma criança extremamente metódica, então, procuram sempre mantê-lo dentro da rotina, mas em contrapartida, é um bebê muito carinhoso e brincalhão”, declara a genitora.

Melo diz que foi observando a forma de seu filho brincar que começou a perceber algumas características: muitos movimentos repetitivos, sempre rodando objetos, gostava muito de brincar sozinho e não de socializar com outras crianças, apenas com adultos. “Notei essas características e procurei ajuda profissional”, conta.

O diagnóstico

De acordo com o Ministério da Saúde, o Transtorno do Espectro Autista (TEA)¹ é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 70 milhões de pessoas no mundo vivem com alguma forma do transtorno do espectro autista e frequentemente são sujeitas à estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos. Globalmente, o acesso aos serviços e apoio para essas pessoas ainda é inadequado.

De acordo com a Organização Panamericana de Saúde, “o TEA começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, as condições são aparentes durante os primeiros cinco anos de vida”. E uma em cada 160 crianças têm algum grau do Transtorno.

No Brasil, a estimativa é que no país existam cerca de 2 milhões de pessoas com TEA. No Acre, segundo dados da Associação Família Azul, há atualmente cerca de 10 mil autistas, incluindo crianças e adultos.

A identificação de atrasos no desenvolvimento, o diagnóstico rápido e encaminhamento para apoio de especialistas na idade mais precoce possível pode levar a melhores resultados.

Preconceito e discriminação

Em 2012 foi aprovada a Lei 12.764, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, que segundo seu  Art. 4º,  a pessoa não será submetida a tratamento desumano ou degradante, não será privada de sua liberdade ou do convívio familiar nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência.  

Mesmo com os últimos avanços nas leis, muitas pessoas com TEA passam por  preconceito e discriminação e a falta de informação contribui para o aumento desse quadro. Melo relata que houve um caso dessa natureza ainda quando as crianças eram muito pequenas. 

 “A ex-babá usou palavras ofensivas direcionadas não somente aos filhos, mas para toda à família e isso nos deixou muito tristes”.  No momento, não temos sofrido nenhum tipo de preconceito e esperamos que isso não aconteça mais de forma alguma. Não se trata apenas de amor de mãe, mas de um amor que ultrapassa as barreiras do coração e que defende o direito de uma criança que precisa ser respeitada pela sociedade, acrescenta Melo.

Inclusão escolar

Atualmente, Rodrigo estuda na Escola Solar Kids, onde conta com acompanhamento qualificado, que procura dialogar com a família ao desenvolver atividades. “Sempre informamos as condições de nosso filho, que se dá muito bem com os coleguinhas de sua turma. Mas essa não é realidade de todas as escolas no país, afirma a mãe.

De acordo com Art. 7º da Lei 12.764, o gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos e segundo Parágrafo 1º dessa mesma lei, em caso de reincidência, apurada por processo administrativo, assegurado o contraditório e a e a ampla defesa, haverá a perda do cargo.

Lavínia Melo deixa uma mensagem para os pais que não aceitam o diagnóstico.  “É uma condição que não passa, mas fechar os olhos para isso, eu chamo até de egoísmo, porque o quanto antes você aceitar, mais cedo você poderá ajudar o seu filho a ter um estilo de vida ‘comum’ e independente”, finaliza. 

Não deixe que a desinformação contribuía para o aumento do preconceito e discriminação!

Falando com um especialista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo a psicóloga, Drª Marina Almeida, é uma condição de saúde que se caracteriza por um dano em três áreas muito importantes para o desenvolvimento do ser humano, que são: as habilidades socioemocionais, a atenção compartilhada e a linguagem. “Nos dias atuais, a ciência nos fala de muitos tipos de autismo, e não apenas um, como se imaginava, o qual se manifesta de forma única em cada pessoa” informa a psicóloga. 

A pandemia e a obrigatoriedade do distanciamento social ocasionaram grandes mudanças nas rotinas das crianças com autismo e seus familiares. “Quem convive com um autista, já sabe que a rotina é muito importante para eles, independente do grau diagnosticado. E a interrupção dessa rotina se transforma em um grande desafio para a continuidade do tratamento”, acrescenta.

Marina Almeida nos fala que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é clínico, devendo ser feito conforme os critérios impostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), “fazendo-se uma observação direta do comportamento do paciente, e uma entrevista com os pais e/ou cuidadores”. Esse diagnóstico requer uma avaliação completa por todos os profissionais que fazem parte da equipe, para orientar o tratamento adequado.

Conforme a psicóloga, “existem alguns sinais que podem alertar os pais e professores quanto à possibilidade do TEA, sinais esses que devemos nos ater, com muita atenção, como um comportamento atípico e um desenvolvimento diferente ao que se espera para aquela faixa etária”. Ela explica que as crianças com TEA possuem certa dificuldade em olhar no olho das pessoas, costumam andar na pontinha dos pés, geralmente apresentam atrasos ou ausência da fala. 

Segundo Marina Almeida, esses sinais geralmente se apresentam antes dos 3 anos de idade. E mesmo sendo comum aos pais notarem algumas alterações no desenvolvimento dos filhos antes dos 2 anos, eles tardam a procurar por uma ajuda especializada. Mas vale ressaltar que a atenção básica é fundamental para a identificação inicial dos sinais e sintomas de risco para o portador do TEA.

Olhar nos olhos é uma estratégia comunicacional, facilita uma melhor compreensão da fala do outro, passando também a impressão de atenção, respeito e confiança. “Mas, no caso de crianças com TEA, isso não tem a menor importância, pois dão maior atenção à fala, perdendo, dessa forma, de aprender e entender os significados das expressões faciais”, explica  a psicóloga.

“A explicação para essa dificuldade de olhar no olho parece estar relacionada à forma como o cérebro dessas crianças se organiza, eles percebem o mundo de um jeito diferente, que é só dele. E essa é uma das primeiras formas de tratamento para o TEA (Transtorno do Espectro Autista), que é o fortalecimento da comunicação através do contato olho no olho”, esclarece.

Quando a criança com TEA tem um comportamento que não é adequado, esses podem ser moldados para que diminuam ou, até mesmo, deixem de existir. Para isso, têm-se à disposição a Terapia Comportamental, que trabalha visando melhorar a inserção social da criança ao meio que está inserida, ajudando também os familiares a conviver melhor com essas questões. Muitas dúvidas ainda pairam sobre possibilidades de cura, mas esta é uma condição permanente, a criança nasce e torna-se um adulto com TEA . 

Apesar de todo avanço da Ciência com pesquisas, ainda não foi possível encontrar uma cura, mas o tratamento costuma diminuir dificuldades encontradas, favorecendo o desenvolvimento e a interação social de cada pessoa.

Associação Família Azul do Acre

O grupo surgiu após 30 mães de autistas reunirem-se todos os meses para tratar algum assunto relacionado à saúde, educação, suas angústias do dia a dia, compartilhar terapias, segundo Heloneida da Gama, presidente da Associação. A partir disso, em 2014, houve o entendimento de formalizar a associação juridicamente, para que a causa pelos direitos e necessidades dos autistas se tornassem mais eficazes.

A Associação Família Azul do Acre (Afac) tem  por  finalidade  defender  os  direitos  e  interesses  das  pessoas  com  o Transtorno do Espectro Autista – TEA, devendo, para tanto, promover, apoiar e incentivar a realização de todas as ações necessárias para esse fim, podendo ainda desenvolver programas de adaptação e inclusão social das pessoas com TEA e apoio a seus familiares.

A presidente Gama deixa claro que a Afac presta assistência social às famílias que têm filhos com autismo por meio da execução direta de projetos, palestras, acolhimentos de pessoas, orientações escolares e familiares, terapias psicossociais, treinamentos a profissionais da saúde, educação, programas ou planos de ações. “Esta associação também conta com parceiros, pessoas que se disponibilizam a ajudar, doar um sacolão ou um remédio. A maior dificuldade, acredito, é que não temos uma sede própria, um espaço para receber, acolher as famílias. Não temos um profissional da psicologia ou da assistência social que nos ajude”, destaca a presidente.

A Afac possui uma página no Instagram: @afac.familia_azul, uma página no Facebook: Autismo no Acre – AFAC. 

As Instituições que atendem no momento são:

  • CER III (Estadual), com especialidade em fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional;
  • Centro Municipal de Autismo, especialidades em fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, equoterapia, que segundo a Associação Nacional de Equoterapia – ANDE, trata-se de um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar e interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais;
  • APAE, especialidades fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia. 

Lei Romeo Mion

Sancionada com vetos em 2020, a Lei Nº 13.977 – conhecida como Lei Romeo Mion – estabelece a emissão de uma Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Seu nome foi inspirado no adolescente Romeo, de 16 anos, que é filho do apresentador de televisão Marcos Mion e tem TEA. 

A Lei Romeo Mion cria a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA – CipTEA em sua versão abreviada – ou seja, garante a todos aqueles com o diagnóstico de autismo um documento que possa ser apresentado para informar a condição do indivíduo. Além disso, ela altera dispositivos da Lei 12.764/2012, a Lei Berenice Piana.

Garantias e benefícios da Lei Romeo Mion

Além da documentação que facilita a identificação de uma pessoa no espectro autista, a Lei Romeo Mion ainda oferece outros benefícios aos usuários. Alguns deles são: 

  • Atenção integral;
  • Pronto atendimento e prioridade no atendimento e acesso aos serviços públicos e privados (em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social).

Documentos necessários para emitir a carteirinha

A CipTEA pode ser emitida por órgãos estaduais, distritais e municipais que executam a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Ao solicitar o documento, a família deve apresentar os seguintes dados:

  • Requerimento; 
  • Relatório médico com a indicação do código da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID).

O requerimento deve conter dados como: 

  • Nome completo;
  • Filiação;
  • Local e data do nascimento;
  • Número da carteira de identidade;
  • Número do CPF;
  • Tipo sanguíneo;
  • Endereço residencial e telefone;
  • Foto 3×4;
  • Assinatura ou impressão digital do interessado.

Da pessoa cuidadora são exigidos: 

  • Nome completo;
  • Documento de identificação;
  • Endereço residencial;
  • Número de telefone e e-mail.

Com validade de cinco anos, a legislação ainda exige que a família mantenha os dados cadastrais atualizados e que, sempre que a carteira for renovada, o número de identificação seja mantido. Isso porque ele permite a contagem das pessoas com TEA no território nacional.

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Saúde

Os riscos do cigarro eletrônico

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Por Eduardo Menezes Almeida

Os cigarros eletrônicos ou vapes, como são popularmente conhecidos, foram criados originalmente para servir como opção para quem deseja largar o vício nos cigarros convencionais.

Os dispositivos podem ser recarregáveis, com bateria ou descartáveis, além disso possuem um designer tecnológico e chamativo, o que tem atraído muitos jovens e adolescentes para o seu consumo.

A venda, distribuição e comercialização do produto é proibida no Brasil, apesar disso o seu consumo é permitido, isso faz com que exista um mercado ilegal do produto no país. O PROCON é o responsável pela fiscalização e apreensão do produto.

Em 2009, a AVISA emitiu uma resolução informando que não há dados que comprovem a eficácia do produto contra o vício dos cigarros convencionais. Segundo pneumologistas o uso do cigarro eletrônico pode causar uma dependência ainda maior do que o cigarro de combustão, pois pode chegar a possuir o dobro de nicotina, substância essa altamente viciante e que pode variar de acordo com a marca do fabricante.

Segundo o médico Mastologista e Cirurgião Oncologista, Wesley Pereira Andrade a troca do cigarro convencional para o cigarro eletrônico não é segura. “Houve uma troca de nicotina, ou seja, o produto de consumo mudou, mas o vício permaneceu o mesmo, mantendo assim os mesmos riscos de doenças que um cigarro de combustão causaria”, completou.

Em 2019, segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), foram registradas seis mortes nos Estados Unidos e outras 380 enfrentaram tratamentos contra doenças pulmonares causadas pelo consumo do cigarro eletrônico.

Os registrados tinham entre 15 e 35 anos. A venda e comercialização do produto é permitida no país, o que vem aumentando os casos de doenças pulmonares principalmente nos jovens dessa faixa etária.

O oncologista explicou que além da nicotina outras toxidades podem ser encontradas nos cigarros eletrônicos e que causam consequências irreversíveis para a saúde dos usuários. “Podemos dizer que o cigarro eletrônico possui dois ricos: o individual, que seria o surgimento das doenças relacionadas a seu uso e a ocorrência de explosões e intoxicação pelo contato com seu líquido; e o risco coletivo, esse seria um risco mais social, o impacto da entrada desse produto na sociedade, entrando como medida de controle do tabaco de um país”, disse.

 Um dos agravamentos que podem ser notados nos usuários do cigarro eletrônico seria o aumento no risco de infarto agudo do miocárdio e de doenças respiratórias e pulmonares, como asma. Além de possuírem substancias cancerígenas que a longo prazo podem evoluir para um câncer no pulmão.

De acordo com o advogado especialista em Direito Médico e Planos de saúde, Luan Santos, a indústria foi o principal motivador para o aumento no número de usuários do cigarro eletrônico.

Santos explanou que a indústria foi o principal impulsionador para o aumento de usuários, ao perceber que decorrer do tempo vinha perdendo muitos usuários do cigarro convencional. “Traz uma nova cara para a mesma droga, de preferência um instrumento tecnológico, com design bonito, cores diferentes, descolado e inovador, isso acaba atraindo novos usuários e resinificando algo que em tese não mudou nada”, complementou.

De acordo com o advogado existe outro projeto de lei do deputado Cataqui (DEM-SP), que quer regularizar o cigarro eletrônico e aprovar a sua venda e comercialização de forma comparável como é feito com o cigarro convencional.

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Saúde

Impactos da pandemia no Lar Vicentino Raimunda Odília

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Por Gercineide Maia

O Lar dos Vicentinos, Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPIS) mais antiga do Acre, fundada em 1955, apenas para homens e que atualmente abriga um total de 50 idosos (34 homens e 16 mulheres), ao longo da pandemia de Covid-19 sofreu diversos impactos entre seus colaboradores e abrigados.

Como forma de evitar a disseminação da doença o Denor (Departamento de Normatização e Orientação), órgão de assessoramento para assuntos relacionados às Unidades Vicentinas, decidiu adotar todas as medidas de segurança propostas pelos órgãos sanitários, inclusive a suspensão das visitas.

Embora os cuidados tomados, 23 idosos foram diagnosticados com Covid-19 em março de 2021, e desses, 3 chegaram a óbito devido a contaminação. Na época o surto foi informado a Secretaria de Saúde do município que diante da situação o Ministério Público (MP) acompanhou o fato e pediu que os testes fossem refeitos.

A presidente do Conselho Particular do Lar dos Vicentinos, Ana Maria Sobreira, relata que com a restrição de visitas, o contato com a família passou a ser online e para manter essa comunicação foi comprado um celular para que as pessoas idosas mantenham contato com às suas famílias por meio videochamadas. “Porém muitas vezes eles não se satisfazem em falar somente a distância”, enfatizou.

A diretora do Lar, Waldenize Rebelo explicou que que neste período de pandemia o distanciamento social tornou-se um grande desafio pois antes existiam uma presença constante da comunidade, faculdades e igrejas. “Eram realizadas atividades motoras, música, pintura, modelagem, dentre outras e com a pandemia tudo foi suspenso, inclusive a visita, a presença da família”, lamentou.

Rebelo destaca que nesse período da pandemia notaram um estresse mais alto nos idosos, aquela situação de arengar o tempo todo dentro do quarto.  “Na realidade, a pandemia machucou o emocional, por causa dessa falta da comunidade, porque boa parte deles não tem família, o carinho, a atenção que recebem é da comunidade, do estranho que se senta e ouve, que escuta, que dá uma palavra de apoio e a falta da comunidade dentro do lar nesse período de pandemia foi a parte mais difícil para eles”, destaca a diretora.

Para a diretora com esse distanciamento, a maioria das pessoas idosas que já são ansiosas e tomam medicamentos psicotrópicos para essa ansiedade, com essa falta de contato ficaram mais tristes. “Só a equipe interna não estava dando conta de assistir emocionalmente, por mais que você se entregasse, se doasse, o atendimento estava sendo insuficiente”, acrescenta.

Segundo a assistente social Alzirene Diógenes Saldanha, a pandemia afetou a todos diretamente e indiretamente em vários sentidos e isso não foi diferente para as pessoas idosas que estão institucionalizadas, que fazem parte do lar. “Elas sofrem com algumas mudanças como a questão das visitas dos parentes que só podem visitar mediante da terceira dose, conforme comprovação da carteira de vacina, uma vez que a vida dos abrigados precisa ser preservada, declara.

Mudanças ocorridas a partir da intervenção do Ministério Público

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por intermédio da Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Pessoa Idosa e Pessoa com Deficiência,  emitiu em fevereiro de 2021 a Recomendação Nº 001/2021/PJEDPIPCD, notificação para corrigir algumas irregularidades identificadas e melhorar a prestação de serviço no Lar

A atuação do Ministério Público do Acre (MP) foi muito importante para que houvesse melhoramentos no lar, principalmente nesse tempo de pandemia.  A antiga diretoria foi afastada e houve nomeação da atual direção, foi constatado ter documentação atrasada, e consequentemente, o lar ficou quebrado financeiramente, sem condições de pagar esses documentos, só de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a instituição pagou 21 mil.  Para sair dessa negatividade e mostrar o que realmente o lar é para a comunidade, os Lares Vicentinos de todo Brasil se juntaram para ajudar o de Rio Branco, confirma a diretora.

Segundo relato da presidente do Conselho Particular de Rio Branco do Lar Vicentino, Ana Maria Sobreiro, desde que assumiram em março do ano passado, os cuidados com as pessoas idosas aumentaram,  se criou os protocolos, através do Ministério da Saúde todos foram vacinados com a terceira dose contra Covid-19, contra a gripe, todos os funcionários são obrigados a usar  equipamentos de proteção individual (EPI’s) como máscara, touca, luvas,  álcool em gel,  em cumprimento às orientações sanitárias.

“Hoje as pessoas idosas que vivem no Lar Vicentino têm o que merecem, que estava faltando hoje eles têm. Antes eles não tinham psicólogo, assistente social, nutricionista, fisioterapeutas e depois que assumimos, conseguimos trazer esses profissionais para o lar e para um melhor atendimento aumentamos o número de cuidadores, tudo isso solicitado pelo Ministério Público (MP)”, declara a diretora.

No início de dezembro, o Lar Vicentino Raimunda Odília abriu seu espaço para visitação para familiares e comunidade mediante agendamento e respeitando protocolo de saúde e orientações

Rotinas e atividades

Com a pandemia da Covid-19, com restrição da visitação, atividades internas foram propostas e reajustadas, seguindo protocolo.  “Tentamos, fazer festinhas de aniversário, danças, forró, criamos um cantinho para que eles se socializassem. Estas atividades juntamente com as visitas virtuais, realizadas por videochamadas, ajudaram a melhorar, principalmente, a saudade, a tensão, o nervosismo”, ressaltou a diretora Waldenize Rebelo.

No início de dezembro, o Lar Vicentino Raimunda Odília abriu seu espaço para visitação para familiares e comunidade mediante agendamento e respeitando protocolo de saúde e orientações do Departamento de Normatização e Orientação (Denor) nacional da Sociedade São Vicente de Paulo. “Mesmo abrindo as portas para a família, desde dezembro, somente 4 famílias compareceram para visitar e alguns dos familiares ainda não estão com a vacinação atualizada e isso interfere nas visitas”, conta a diretora Rebelo.

A assistente social Alzirene Saldanha pontua a importância que o vínculo familiar seja estabelecido e explicou a complexidade do assunto, pois se houvesse um vínculo familiar forte, as pessoas idosas não estariam no lar. “O fato é e pouquíssimos têm vínculo e que várias situações levam a institucionalização da pessoa idosa”, destacou.

Depoimentos dos idosos

Maria Barroso Rufino, 80 anos, natural de Boca do Acre, viúva, mãe de 4 filhos disse que quando ocorreu o número de infecção no lar não teve medo e que não sentiu nada, a não ser as pernas cansadas. “Só tenho medo daquele lá de cima”, acrescenta.

Rufino relatou que durante a quarentena, mesmo no quarto com mais duas idosas, se sentia sozinha. “Meu Deus que solidão que eu estou aqui dentro, mas Deus vai me dar força, fazer com que eu saia daqui doente eu não estou porque dizem quando bate o negócio dessa doença dá febre, fastio e eu não tive febre, bebia água, comia bem, brigava quando a comida vinha pouco. Eu falava mesmo e eu só pensava em sair de lá, pois eu me sentia presa e aí foi quando eu saí”.

João Batista Oliveira, 66 anos, solteiro, natural de Rio Branco, contou que exerceu a profissão de técnico de enfermagem em várias instituições e emocionado demostrou seu medo diante da pandemia. “Fiquei com muito medo da pandemia, muita gente pegando, então fiquei com medo de contrair a doença”, afirmou o aposentado.

Maria Geralmira Bandeira, 62 anos, natural de Senador Guiomard, viúva, professora de educação especial aposentada, mãe de dois filhos, foi uma das primeiras idosas a tomar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 disse que ter medo e que reza por proteção de seus parentes.

Despesas e manutenção

As despesas e custos no Lar Vicentino são diversas e exigem recursos altos para a sua manutenção e sustentabilidade.  “O idoso contribui com 70% de seu benefício e aquele idoso que não tem parente, não tem ninguém, o dinheiro, o resto dos 30% fica na casa para quando ele precisar de uma medicação, dentre outras necessidades pessoais como pintar o cabelo, fazer as unhas”, declara a presidente do Lar.

De acordo com a diretora Waldirene Rebelo, há gastos com refeições diárias, produtos de higiene e limpeza, fraldas geriátricas, remédios, energia elétrica, água mineral, internet, telefone, combustível, gás de cozinha, material para papelaria e escritório, manutenção predial e encargos como Guia da Previdência Social (GPS), folha de pagamento do salário dos funcionários, gastos com Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), dentre outros.

Rebelo destacou que o Lar Vicentino de Rio Branco Raimunda Odília é um prédio antigo e precisa ser reformado e ampliado. “Um exemplo dessa necessidade é que foi solicitado que fossem instalados chuveiros elétricos em todos os banheiros e foram instalados, porém a fiação não comporta, precisa ser mudada”.

Segundo a diretora Rebelo, a entidade é a única instituição do Brasil que não recebe Orçamento participativo do município, dinheiro que poderia ser empregado em pequenas reformas, dentre outras atividades.

Diante desse quadro, representantes do Lar Vicentino, em reunião realizada no dia 6 janeiro, expuseram a situação ao prefeito de Rio Branco Tião Bocalom que afirmou que a prefeitura não vai medir esforços para ajudar na reforma do Lar Vicentino.

A diretora disse que o lar não tem recursos financeiros para fazer essa reforma, para deixar o prédio bonito, mas que eles, enquanto instituição, capricham na higiene, na alimentação, no amor, no atendimento da saúde para que as pessoas idosas que vivem no abrigo tenham uma qualidade de vida melhor”.

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