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O adolescente Cauã e o autismo no Acre

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Cauã atendeu ao chamado da avó. Foto: Danna Anute

Por Bruna Giovanna e Danna Anute

As histórias relacionadas ao autismo geralmente trazem uma porção de crueldade, seja por falta de conhecimento e daí surgir enganos, seja pelo seu teor de tristeza, dor ou indiferença. Há aproximadamente três anos, o adolescente Cauã Victor Silva, de 13 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Risonho, observador e degustador fiel de peito de frango, o menino faz parte de uma estatística que cresceu com nuances a partir de 2007 e teve um boom em 2013. Estima-se que há 2 milhões de pessoas com autismo no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mas não existem dados precisos sobre as pessoas diagnosticadas, que, por lei, serão incluídos no próximo censo populacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Cauã anda nas pontas dos pés desde pequeno e desenvolveu uma lesão nos tendões por isso. O adolescente fala pouco, essencialmente com a avó, Francisca Selma da Silva, funcionária da Saúde há 35 anos. Quando o Cauã ainda era bebê, Selma notava “problemas” no modo de ser do neto, mas a mãe não compartilhava da mesma ideia. Apesar disso, a cozinheira da Saúde continuou a busca para saber o motivo do neto ser diferente das outras crianças que ela estava acostumada a ver.

Cauã tem medo de cachorros, talvez porque quando eles latem, a maioria emite um som agudo ou muito grave, isso gera uma sonoridade que causa medo, irritabilidade ou sofrimento para muitas pessoas com esse transtorno. As reações e  preferências sobre alimentos ou animais podem variar conforme a pessoa, a idade ou estar relacionadas aos estímulos, dados pela família, escola ou serviços de saúde.

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Servidora da saúde relata sua história | Foto: Bruna Giovanna

Francisca Selma Silva completará 60 anos em outubro. A avó, ao insistir na percepção de que havia algo diferente em Cauã, teve sua sanidade questionada… “Minha família achava que eu estava ‘caduca’. Não me importei com as falas das pessoas, fui buscar ajuda e o Cauã foi consultado pela primeira vez com a  Cholen Werklaenhg, que pediu uma ressonância para concluir o diagnóstico de TEA” relatou, se referindo à médica neuropediatra da Fundação Hospitalar do Acre.

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Francisca Selma Silva, avó de Cauã | Foto: Danna Anute

Como diria o acreano do “pé rachado”, dona Selma pelejou para conseguir o diagnóstico do neto, definido aos dez anos de idade. É considerado um diagnóstico tardio, assim como acontece com outros Cauãs, mundo afora. Essa demora pode afetar a qualidade de vida, pois existem intervenções e tratamentos que se iniciados na primeira infância ajudam a desenvolver habilidades e aprendizado. Apesar de ter ocorrido uma mudança a partir de 2013 no Brasil, na região Norte ainda há poucos profissionais qualificados e centros especializados.

Nenhuma criança é igual a outra e isso fica evidente também ao considerar que o autismo não é um transtorno específico, mas sim o espectro de transtornos que variam em cada indivíduo. Em boa parte das vezes, o autismo apresenta dificuldades em relação a comunicação ou interação social, além da repetição de comportamento. Olhar nos olhos e abraçar são tipos de interação que constituem algumas das dificuldades aparentes para alguns autistas.

Separar mitos e verdades sobre o TEA é fundamental para não disseminar preconceitos sobre o transtorno, como a história de que vacinas poderiam estar associadas ao autismo. Isso foi divulgado em larga escala nos Estados Unidos, mas é uma informação falsa. Outra mentira: o mercúrio não causa o transtorno. 

Assim, para não passar por erros ou equívocos, é crucial procurar ajuda médica de pediatras, psicólogos, neuropediatras, neurologistas, psiquiatras e demais profissionais que podem trabalhar em conjunto. Com base em estudos, existem terapias que associadas ao cuidado, carinho e atenção podem elevar os estímulos que busquem melhor qualidade de vida das crianças, adolescentes e adultos com o transtorno.

Serviço público de saúde em Rio Branco

Em Rio Branco, a instituição responsável pelos acompanhamentos dos distúrbios e transtornos do desenvolvimento da aprendizagem é a Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre) | Foto: Danna Anute

Após uma manhã com vários atendimentos e avaliações na Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), a neuropediatra Bruna Beyruth explica sobre o TEA. “O Transtorno do Espectro Autista é uma dificuldade de socialização e comunicação associada a comportamentos estereotipados, repetitivos e rigidez comportamental”.

Pré-consulta para a especialidade de Neuropediatra | Foto: Danna Anute

O autismo precisa ser tratado e acompanhado. Para isso, o ideal é que o diagnóstico ocorra cedo, já que pode prevenir prejuízos de ordem social e cognitiva (no aprendizado).

Em Rio Branco-Acre, O Mundo Azul é um centro especializado direcionado ao tratamento de crianças de 2 até 12 anos. Funciona diariamente, de segunda a sexta-feira, localizado na Travessa São Lázaro, s/n – Conj. Tangará. O espaço tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento da criança por meio dos espaços familiar, educacional e social. 

O espaço fica anexado ao Centro de Saúde Barral y Barral | Foto: Reprodução/ A Gazeta do Acre

No centro são realizados atendimentos terapêuticos com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e assistentes sociais. Devido à alta procura, o espaço está com uma extensa fila de espera.

Espaço em que é realizado alguns dos tratamentos | Foto: Tattiana Jiménez/ Internet
Espaço em que é realizado alguns dos tratamentos | Foto: Tattiana Jiménez/ Internet

A psicóloga Édila Sousa, coordenadora do Mundo Azul, destaca que o autismo tem crescido muito e até pessoas com plano de saúde têm dificuldades para conseguir uma consulta com especialista. “O TEA não pode ser fechado em uma única avaliação, é preciso ser feito um rastreio, é necessário o auxílio de outros profissionais, são fonoaudiólogos, neuropsicólogos, fisioterapeutas ocupacionais e demais especialistas”.

Rodas de conversa

Quando a criança recebe o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) os cuidadores, sobretudo a mãe, tendem a focar a atenção para aquela criança. Muitas vezes resulta em um isolamento, em que eles acabam se afastando dos familiares que demonstram preconceito e, consequentemente, da sociedade. Por não aceitarem a realidade do diagnóstico, alguns pais decidem dar um ponto final no casamento. Algumas mães, sozinhas, vão ter que criar essa criança com todas as dificuldades que são adicionadas ao diagnóstico.

A partir desta realidade, a Coordenadora do Mundo Azul, junto à sua equipe, tiveram a iniciativa de criar rodas de conversa com o objetivo de diminuir o sofrimento dos pais. “O tema da nossa roda de conversa piloto foi ‘Vivendo o infinito Azul’, realizado com o primeiro grupo de pais, que nos rendeu bons frutos e feedbacks positivos das mães participantes”, contou a coordenadora.

Cartaz de divulgação | Foto: Reprodução/ Internet

A terapeuta ocupacional Rosimara Werner explica que eles buscam a cada roda de conversa dar oportunidade para os outros pais que estão na fila de espera por uma vaga para o tratamento no espaço. “A partir de um diálogo com as mães, identificamos quais eram os temas mais pertinentes. Então, criamos os grupos e a partir disso vamos abrindo para outros pais que ainda não participaram da roda”, explicou a especialista.

A coordenadora Édila Sousa explica que muitas questões devem ser trabalhadas após o diagnóstico e que é necessário não apenas o tratamento com a criança, mas também com toda família. As rodas de conversa contam com a participação de profissionais do espaço como fonoaudiólogos, assistentes sociais, psicoterapeutas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

Nessas rodas, os pais encontram temáticas que tem como objetivo auxiliar com dicas de como lidar com a criança em casa, fortalecer as emoções e até mesmo a parte nutricional, pois muitas mães relatam que seus filhos não comem certos alimentos. “Fomos atrás de uma profissional da nutrição que trabalhe com crianças autistas pois não temos esse serviço. E conseguimos uma parceira que está disposta a sempre estar conosco”, completou a coordenadora, acrescentando que buscam ajudar no relacionamento com a família que não está aceitando o diagnóstico.

Outro tema da roda de conversa foi o autocuidado, pois essas mães tinham dificuldades de falar sobre si, elas só queriam falar sobre o filho. Segundo a terapeuta ocupacional Rosimara Werner, nessa roda o primeiro cuidado foi a atividade do espelho: olhar para ela mesma, falar sobre si e se cuidar, com o objetivo de resgatar essa vivência que elas perdem de si mesmas em prol da vivência voltada apenas do filho. 

Tendo em vista o retorno positivo que as rodas de conversas estão tendo, a equipe decidiu continuar com a iniciativa. Quando uma mãe chega em busca do tratamento, eles falam sobre não terem vagas disponíveis no momento, mas recomendam a sua inscrição na roda de conversa, que pode confortar de alguma forma. 

Alguns sinais de autismo 

De acordo com o neurologista Matheus Trilico, referência na área de Neurologia em Curitiba e região, os sintomas de autismo, geralmente, são percebidos durante os três primeiros anos. Mas eles também podem demorar para serem percebidos, principalmente para os indivíduos que apresentam um espectro leve, como os diagnosticados com a Síndrome de Asperger.

É importante dizer que não existe um exame específico que possa identificar o TEA. O diagnóstico para autismo é feito com base no acompanhamento e análise de vários profissionais como psicólogos, pediatras, psiquiatras e neurologistas. No caso de crianças, é imprescindível a avaliação de um neuropediatra. 

Para Matheus Trilico é importante observar qualquer sintoma associado ao transtorno. “Perceber os sintomas do autismo é fundamental em qualquer idade, para que seja realizado o acompanhamento neurológico e o indivíduo consiga se compreender melhor”. E finaliza explicando como esse acompanhamento é essencial para melhorar a sociabilização, obter uma qualidade de vida e bem-estar.   

Flyer produzido por Bruna Giovanna e Danna Anute com dados da Salz Clínica e Paho Org.

TEA nas Américas

O conceito de autismo surgiu em meados de 1943. Os estudos sobre o transtorno tiveram maior envolvimento dos psiquiatras dos Estados Unidos da América.

Após o lançamento da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) em 2013, o autismo recebeu uma nova nomenclatura, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir disso, os especialistas passam a poder avaliar melhor o grau de autismo com base nos espectros e o diagnóstico pode variar de pessoa para pessoa. Dependendo do espectro, o autismo pode ser mais leve ou mais disfuncional.

O TEA pode estar associado a outras deficiências e déficits de aprendizagem. Desta forma, há muitos preconceitos, mitos e vulnerabilidades em torno das sociabilidades entre pais, responsáveis e a sociedade, pois a maioria olha com estranheza as particularidades de uma pessoa autista. 

Autismo no Brasil

No dia 2 de abril é comemorado O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2007. A data foi escolhida com a intenção de levar informação à população com o objetivo de diminuir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que possuem Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acredita-se que, em todo o mundo, há um autista para cada 160 crianças. No Brasil, os dados continuam bem limitados, porém as informações do Censo Escolar apontam que o número de autistas matriculados em classes comuns no Brasil teve um aumento de 37,27% entre os anos de 2017 (77.102) e 2018 (105.842).

Número de autistas matriculados em classes comuns no Brasil teve um aumento de 37,27%. | Gráfico produzido por Bruna Giovanna com dados do Censo Escolar de 2018

De acordo com a neuropsicóloga Joana Portolese, coordenadora do Ambulatório de Autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), não há um remédio para o autismo, porém, algumas comorbidades associadas podem ser tratadas com o uso de medicamentos. Existem também algumas terapias e intervenções que podem auxiliar.

Algumas conquistas importantes para os autistas ocorreram no Brasil, como a Lei Berenice Piana (12.764/12), que oficializou os autistas como pessoas com deficiência instituindo a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtornos do Espectro Autista. E a Lei Romeo Mion (13.977/20), que cria a Ciptea, Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, com o objetivo de identificar pessoas com autismo nos serviços públicos e privados, tendo em vista que não possível identificar se a pessoa é autista apenas pelo olhar.

O professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Estevão Vadasz, ressalta as dificuldades dos autistas, sobretudo relacionadas à falta de profissionais preparados para lidar com o TEA. Para ele, o problema parece começar durante a formação médica: “temos centenas de escolas de Medicina e todas deveriam colocar na graduação o ensino de autismo para pediatras”, reforça.

Redação

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Nascente

Equoterapia auxilia no tratamento de crianças com autismo

Projeto amplia acesso à equoterapia em Rio Branco e oferece tratamento gratuito a centenas de famílias, promovendo inclusão e avanços no desenvolvimento de crianças com autismo e outras condições

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Por Geovana Brana, Eloísa Alves, Miguel Câmara, Thiago Câmara e Micael Lima*

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento principal, melhorando o equilíbrio e o desenvolvimento cognitivo e emocional. A prática é conhecida no Brasil pela Associação Nacional de Equoterapia e pode contribuir para o tratamento de pessoas com diferentes condições de saúde, incluindo o autismo. Em Rio Branco, onde a oferta do tratamento pela rede pública é limitada, o projeto Lado a Lado, criado em 2017, surge como alternativa para famílias que não conseguem arcar com os custos na rede privada, promovendo inclusão e desenvolvimento terapêutico.

O Lado a Lado surgiu a partir de um contato com a realidade enfrentada por famílias atípicas no Acre. Segundo o deputado estadual Emerson Jarude, idealizador da iniciativa, o seu envolvimento com a pauta começou em 2017, após receber uma mensagem de uma mãe relatando a ausência de sinalização adequada para o atendimento prioritário em Rio Branco.

De acordo com a atual gestora do projeto, Natacha Bonan, as famílias interessadas em iniciar a equoterapia devem, obrigatoriamente, passar por um processo de triagem. A avaliação é realizada por profissionais especializados (psicóloga e fisioterapeuta) que coletam informações junto aos responsáveis e o próprio praticante.

 As sessões acontecem uma vez por semana e duram em média 30 minutos, e o acompanhamento é feito de forma individualizada, incluindo registros e relatórios técnicos mensais elaborados pelas profissionais responsáveis. Atualmente, cerca de 550 praticantes de diferentes faixas etárias são atendidos pelo serviço de equoterapia. Segundo Natacha, a maior parte das famílias chegam ao projeto por meio da divulgação institucional das ações do mandato e também pela atuação do projeto Eu Acredito, responsável pela condução das atividades.

Para muitas famílias, a proposta tem feito a diferença no desenvolvimento das crianças. Marcela Rodrigues, uma mãe beneficiada pelo projeto, resumiu a importância da iniciativa: “Embora eu seja nova no grupo, estou achando de suma importância. Seria difícil pagar pela terapia, muitas famílias não têm condições”.

Os resultados também são percebidos no dia a dia das famílias atendidas. A mãe de um dos participantes destacou os benefícios da equoterapia para o filho: “Só tenho a agradecer. É a terapia que ele mais gosta de fazer, e ele melhorou muito, está mais calmo, tanto na escola quanto em casa”.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

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SAÚDE

Mpox preocupa acreanos

Transmissão ocorre por contato direto e sintomas exigem atenção e atendimento rápido

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Por André Nascimento, João Victor Gomes, Marcela Almeida, Rayane Gusmão e Renan Souza*

A confirmação de oito casos de Mpox em Rondônia até o fim de fevereiro, segundo o Ministério da Saúde, e do primeiro caso no Acre neste mês de março,  colocou a população acreana em estado de atenção.  

Moradora de Xapuri, a dona de casa Raquel Silva, realiza o trajeto entre os dois estados regularmente e diz temer as consequências de um possível avanço da doença. Ela acompanha as notícias pelos jornais, rádio e redes sociais, e conta que a preocupação já faz parte do cotidiano. “A gente fica com medo, né? Porque a gente não sabe como proteger a família direito. Falta informação mais clara”, comenta.

A nutricionista Anthoany do Nascimento Silva, e o professor de física  Keudheyson Maia da Silva, moram em Rio Branco e afirmam terem algumas dúvidas sobre o tema e sentem falta de maiores esclarecimento por parte das autoridades públicas. Keudheyson conta que aumentou seu nível de preocupação com o aumento no número de casos em Rondônia. “É num nível acentuado, preocupante, pois estamos muito próximo da população rondoniense”, complementa. 

A população preocupa-se e procura informações de forma clara, tendo em vista que possui dificuldades em identificar o que pode ser informação real ou desinformação. “Quando saiu a ‘conversa’ sobre os casos confirmados em Rondônia, fui pesquisar se era verdade porque tem muita desinformação e fake news sempre que aparece uma doença dessas, que tem potencial pandêmico”, relata o contador Fabiano da Silva Souza, também morador de Rio Branco.

Infecção Viral

De acordo com o infectologista e hepatologista, Thor Dantas, a Mpox é uma infecção viral causada por um vírus semelhante ao vírus da varicela, que causa um quadro de lesões na pele, tipo bolhas, vesículas, parecidos com a catapora. “Ela é transmitida principalmente através do contato, e um tipo de contato muito eficiente na sua transmissão é o contato sexual”, explica.

Imagem: arquivo pessoal

O médico diz ainda que é comum lesões genitais, contudo não é essa a única forma de contágio da doença, podendo ser transmitidas pelo contagio direto em lesões na pele, por objetos e, em alguns casos, por vias respiratórias.

Contudo, o médico afirma que a Mpox geralmente é uma doença benigna, ela não leva a risco de vida e muito raramente tem quadros graves com complicações. “Ela causa sintomas de desconforto, dor, infecção local e a depender do lugar onde afete como região genital ou anal, pode também produzir dores ao evacuar, porém apesar de dificilmente apresentar quadros graves, é uma doença que causa bastante desconforto”, afirma Dantas.

Para o médico, é importante conscientizar a população de forma clara, afim de evitar situações de angústias, de que um surto em grande escala não é provável, pois ela não possui uma transmissibilidade que permita um surto em grandes proporções “Diferente de um vírus respiratório, por exemplo, onde a principal forma de transmissão é a respiratória, a Mpox necessita de um contato pessoa-pessoa”, esclarece.

Sintomas

A Mpox é uma doença viral transmitida pelo contato direto com lesões de pele, secreções corporais ou objetos contaminados. Os principais sintomas incluem: 

– Febre
– Dor de cabeça
– Inchaço dos gânglios linfáticos
– Lesões ou erupções na pele

Imagem: reprodução

A orientação é que, ao surgirem os primeiros sinais, a pessoa deve procurar imediatamente uma unidade de saúde e evitar contato próximo com outras pessoas até que seja realizada avaliação médica.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

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SAÚDE

Um abraço invisível: a importância da doação de plaquetas por aférese

Com validade de apenas cinco dias, as plaquetas exigem reposição constante para garantir o tratamento de pacientes

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Por Alessandra Akemi, Ana Rita Balbino, Gilliane Silva, José Victor Albuquerque, Larissa Rodrigues e Maria Naiara Santos*

Devido ao estado crítico do estoque do Hemocentro, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Acre (Hemoacre) está em busca de novos doadores voluntários de plaquetas por aférese. A mobilização ocorre durante todo o ano e tem como finalidade ajudar pacientes em tratamentos oncológicos e emergenciais que dependem desse componente, cuja validade é de apenas cinco dias, necessitando de reposição constante para garantir a continuidade dos tratamentos.

Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoracre, Quésia Nogueira, destaca que a doação de plaquetas por aférese é essencial. Segundo ela, uma única bolsa coletada pode equivaler a seis ou sete doações de sangue total, permitindo que o paciente receba plaquetas de apenas um doador, reduzindo riscos transfusionais e garantindo maior qualidade e segurança.

Quésia Nogueira, Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoacre. Foto: Larissa Paiva

De acordo com a profissional, para se tornar doador é necessário possuir boa relação entre peso e altura, acesso venoso adequado e disponibilidade de tempo, já que o procedimento dura cerca de 60 minutos. Ela ressalta ainda a importância do comprometimento com o agendamento, pois cada coleta costuma ser destinada a um paciente específico.

Quésia explica que o incentivo à doação de plaquetas começa, geralmente, pela doação de sangue total, momento em que o voluntário conhece o serviço, perde o medo do procedimento e realiza seus primeiros exames. Campanhas informativas, divulgação nos meios de comunicação e o compartilhamento de experiências entre os próprios doadores são estratégias fundamentais para ampliar o número de voluntários. De acordo com ela, a informação acessível e o contato direto entre profissionais e população são essenciais para despertar o interesse e fortalecer a cultura da doação regular.

Enfermeira formada pela Universidade Federal do Acre com Pós Graduação em Clínica Transfusional, Elba Luiza é a profissional referência no Hemocentro do Acre quando o assunto é “plaquetaférese”. “As plaquetas são o hemocomponente responsável pela coagulação sanguínea. Esse tipo de doação é completamente segura. Com o uso de kits descartáveis são realizadas duas etapas: extração e retorno – A máquina fará todo o procedimento sozinha”, explica.

Enfermeira Elba Luiza de Souza Oliveira, especialista em Clínica Transfusional. Foto: Larissa Paiva

Em consideração à baixa procura ou falta de conhecimento por parte da população, Elba alerta: “Estamos com o estoque do Hemocentro em estado crítico. As plaquetas têm uma vida de cinco dias úteis, por isso precisamos de comprometimento dos doadores. Pedimos que o voluntário venha realizar a doação sem pressa, pois essa é uma doação especial de suma importância para tratamento em pacientes oncológicos”.

Motivações para doar plaquetas

Josué Azevedo, técnico em análises clínicas e doador de plaquetas por aférese há dois anos, conta que conheceu o procedimento por meio do trabalho na área da saúde. Segundo ele, apesar da doação durar um pouco mais que a convencional, a experiência é tranquila e segura. “Saber que uma única doação pode ajudar várias pessoas é o que me motiva a continuar”, ressalta.

O arquiteto Ille Derze é doador de sangue há três anos e decidiu aumentar sua contribuição e se tornar um doador de plaquetas após ser convidado pelos profissionais do Hemocentro. Segundo ele, a principal motivação é ajudar pacientes em tratamento contra o câncer. “Eu já doava sangue há muitos anos. Quando me explicaram que as plaquetas são muito usadas no tratamento de crianças com câncer, isso mexeu muito comigo”, relata.

O doador realiza o procedimento sempre que é convocado pelo Hemocentro. Com o tempo, a experiência também mudou sua postura sobre o tema. Ele passou a incentivar familiares e amigos a se tornarem doadores. “Eu virei um testemunho de doador. Fico convidando todo mundo. Já trouxe vários amigos”, conta.

Thatyane Nobre descobriu o linfoma de Hodgkin durante a gestação e precisou iniciar imediatamente o tratamento contra o câncer. Durante esse período, recebeu diversas transfusões de sangue e plaquetas. 

Thatyane Nobre enfrentou o linfoma de Hodgkin e recebeu transfusões durante o tratamento. Hoje, incentiva a doação de sangue e plaquetas. Foto: arquivo pessoal

“Cada bolsa que eu recebi era como um abraço invisível de pessoas que eu nem conhecia. Foram esses doadores que me mantiveram de pé”, relata. Ela, que já foi doadora, passou a ser receptora e hoje reforça a importância de manter os estoques abastecidos. “A gente nunca sabe o dia de amanhã. Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas”, finaliza.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

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