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Cultura

Turismo no Acre

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Conheça um pouco sobre um dos estados que compõe a Amazônia Ocidental 

Por Emilly Souza

Está visitando o Acre e gostaria de conhecer mais sobre o bioma que compõe aproximadamente 40% do território nacional? O estado é ainda pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, mas vem se desenvolvendo cada vez mais na área do turismo. 

Além de ser um lugar repleto de belezas naturais, o Acre tem diversas curiosidades sobre sua história. Foi o único estado que lutou para se tornar parte do território brasileiro quando, em 1903, após diversos conflitos políticos e sociais, foi comprado da Bolívia.

Mirante na Serra do Divisor Foto: Marcos Vicentti 

A cultura acreana é composta por um mix de influências portuguesas, amazonenses, nordestinas, árabes e indígenas. Por fazer fronteira com Peru e Bolívia também possui traços culturais destes países e influência se reflete na culinária e em dialetos.

Em seu território, o Acre possui dois parques (estadual e nacional) com belezas naturais, fauna e flora que podem ser apreciadas por todos. 

Parque Nacional da Serra do Divisor

Evastur Agência de Viagens: (68) 3322-3533

Calçadão Viagens e Turismo: (68) 3322-1900

Localização: Acesso fluvial pelo Rio Moa – Cruzeiro do Sul

O Parque Nacional da Serra do Divisor é o ponto mais ocidental do Brasil com 837 mil hectares preservados, diversidade de pássaros, borboletas, árvores e exuberantes cachoeiras. Os turistas podem chegar até o parque por via terrestre, pela BR-364, ou de avião até Cruzeiro do Sul e de estrada até Mâncio Lima (35km). Chegando lá, é necessário subir os rios Moa e Japiin em uma viagem de aproximadamente oito horas. A Serra dispõe de três pousadas que servem café, almoço e jantar.

Cachoeira do Ar Condicionado Foto: Marcos Vicentti/Secom

Parque Estadual Chandless

Telefone:(68) 99217-1364

Manoel Urbano/Sena Madureira e Santa Rosa do Purus

O Parque Chandless está localizado entre os municípios de Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus, tendo como limite a fronteira com o Peru, e conta com uma das áreas mais ricas em biodiversidade da Amazônia.  O parque é conhecido internacionalmente pela sua biodiversidade, como observatório de pássaros e sua fauna. 

Araras vermelhas sobrevoando o Parque Estadual Chandless Foto: Pedro Devani 

 O turista também pode conhecer a região do Juruá, com a natureza inigualável e rios de águas escuras. 

Rio Croa 

Agendamentos e informações estão disponíveis pelos telefones (68) 99966-5122 e 99924-2783.

A vitória-régia é uma planta característica do Rio Croa, que está localizado no município de Cruzeiro do Sul, e possui a famosa “pasta verde” que durante o verão cobre as águas do rio, num exuberante tapete verde. Há também  árvores centenárias como a samaúma e as seringueiras. Além disso, é possível fazer um retiro espiritual e conhecer mais sobre o uso da Ayahuasca na Pousada da Cíntia. Para agendar a hospedagem o turista pode entrar em contato direto com a Cíntia pelo telefone +55 68 99958-2794.

Tapete verde sobre o rio Croa Foto: Pedro Devani/Secom.

Outro ponto turístico de Cruzeiro do Sul é o Igarapé Preto, um balneário com suas águas escuras, um dos pontos mais visitados da cidade. 

Igarapé Preto Foto: Elaine Villatoro

Voltando para o Alto Acre e chegando à capital acreana, em Rio Branco é possível conhecer um pouco mais sobre a história, cultura e culinária acreana, visitando o Mercado Velho, Palácio Rio Branco, Museu da Borracha, Biblioteca Pública e Universidade Federal do Acre (Ufac). 

Palácio Rio Branco Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

Outra coisa que chama atenção no Acre é o etnoturismo. É possível visitar aldeias indígenas e conhecer um pouco mais sobre sua história, cultura e suas tradições. 

Indígenas usando rapé Foto: Cleiton Lopes

No Acre vivem os povos indígenas das etnias Jaminawa, Manchineri, Huni Kuin, Kulina, Ashaninka, Shanenawa, Yawanawá, Katukina, Sayanawa, Jaminawa-Arara, Apolima-Arara, Shawãdawa, Poyanawa, Nukini, Nawas e os “isolados”. 

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Cultura

MPB – a brasilidade em forma de música

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VITOR PAIVA 

A Música Popular Brasileira (MPB), gênero musical que surgiu por volta dos anos 60 em meio a um momento político conturbado na história do país, e foi se tornando, para além da música, um movimento de protesto contra a ditadura militar. 

Dentre as suas principais características estão o combate à censura instaurada pelos militares e o resgate a diversos aspectos da cultura nacional. Apesar da postura subversiva dos músicos, alguns consideravam o movimento um tanto elitista, já que, boa parte das pessoas que faziam parte da MPB, eram ligados às universidades ou intelectuais. 

(Nando Reis e Jão, em foto promocional da música Sim)

Para aqueles que não conhecem muito bem essa criação nacional, grandes artistas brasileiros fizeram parte desse movimento, como Chico Buarque e Caetano Veloso, como dois grandes expoentes desse gênero, que conta com muitos outros artistas de peso. 

Entretanto, a realidade do país, assim como seus costumes, produções culturais e formas de se consumir arte, se modificaram, e, consequentemente, a MPB também sofreu alterações, o que resultou no movimento conhecido como a Nova MPB.

Hoje, o gênero se expande de maneira muito mais horizontal, abrangendo diversos estilos e gêneros diferentes, possuindo várias facetas dentro das diversas áreas, através dos seus inúmeros artistas, indo do brega nordestino até ao rap, indo de Duda Beat a Emicida (para quem duvida, basta conferir o álbum Amarelo do cantor e procurar todas as referências). 

Os mais puristas dizem que o gênero foi desvirtuado, que perdeu suas raízes,; e sim, isso é verdade, o que vemos hoje é muito menos referente à a antiga bossa nova, e muito mais próximo a gêneros populares da atualidade, como o pop, o sertanejo, o rap e muitos outros, e, mesmo assim, não deixa de ser MPB, pois em essência, o movimento é uma grande batida de brasilidades em um grande liquidificador de criatividade. 

Outra grande mudança dentro do gênero foram as temáticas abordadas em suas letras, o que é completamente natural, já que elas refletem sentimentos intrínsecos ao seu tempo. 

Imagine você, em meio a uma ditadura, e discordando de tudo o que está acontecendo em seu país, o sentimento de revolta e protesto contra o que está sendo imposto posto é óbvio, assim como relatos pessoais do que está acontecendo. 

Já a nova onda da MPB, segue o mesmo espírito, de certa maneira, entretanto, nos tempos atuais, as discussões são mais subjetivas, internas e reflexivas, com como pode ser observado na canção Masculinidade, de Tiago Iorc. 

Essa diferença nos temas abordados não quer dizer que não existam existem inspirações, referências ou paralelos com a antiga MPB, e outros artistas nacionais. O próprio Iorc é caracterizado pela realização de diversas canções apenas com voz e violão, que é uma característica muito presente na obra de Chico Buarque, por exemplo.

Tiago Iorc em apresentação ao vivo do álbum Troco Likes

Ponto de vista técnico 

Para o professor de música Denilson Carneiro, da Escola de Música do Acre, localizada no bairro Tucumã, “definir o que é a MPB é muito difícil, dada a sua pluralidade, o que cria sonoridades muito diferentes dentro do mesmo gênero”. Além disso, ele afirma que o rótulo surgiu meramente por motivos comerciais, e que, por definição, qualquer música regional e tradicional poderia se encaixar como música popular brasileira. 

“O termo MPB, seria uma forma de rótulo inventado pela indústria fonográfica para conseguir vender o que era inclassificável. Imagina que num supermercado os produtos têm seus rótulos e você sabe o que vai encontrar dentro da embalagem, tem ali escrito arroz e você sabe que vai ter arroz dentro do saco, no caso de artistas como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, etc, você pega um disco deles e tem Rock, tem Samba, tem Bolero, Samba Reggae, Blues, Baião.”, exemplifica Denilson. 

Ele também explica o motivo do gênero, – se é que podemos chamar a MPB desta forma agora -, ter ficado de lado após a explosão dos seus grandes nomes no

país. “Com o avanço da internet, essas indústrias (fonográficas) perdem força econômica, pois não se vende mais discos como antes, e eles passam a investir menos na produção do seu casting, e, inclusive, reduzem os seus castings de artistas. Isso é relevante pro surgimento de novos nomes que tivessem a mesma proporção de fama de seus nomes e trabalhos”, disse o professor. 

Denilson ainda comenta sobre a incapacidade de se comparar artistas das duas épocas, visto que são mercados, formas de se consumir, e também de se vender, completamente diferentes. 

“Na época do Chico Buarque existiam algumas poucas rádios e canais de televisão, e na época do Tiago Iorc existe o YouTube e as plataformas de streaming, apesar do Tiago ter tido uma certa expressividade, eu considero que são contextos muito diferentes, inclusive musicais”, explica Denilson. 

Outro ponto que ele destaca, sobre a dificuldade de compará-los, são as influências que construíram o estilo musical de ambos os artistas citados, já que Iorc certamente teve influências muito distintas de Chicho, mesmo que o segundo tenha influenciado também o primeiro. 

“Os trabalhos são muito diferentes, o que tocava na época do Chico Buarque que foi influência musical pra ele, não toca na época do Tiago Iorc, e talvez o Chico seja uma influência pro Tiago, só que o Chico condensa muita coisa, e o Tiago tem outras influências musicais que na época do Chico nem existiam ainda”, finalizou ele.

Chico Buarque em show ao vivo

Liquidificador de referências 

Apesar dos apontamentos feitos pelo professor Denilson Carneiro, é impossível, na prática, não fazer essa comparação entre velhos e novos artistas, alguns têm influências claras na antiga MPB e também em outros gêneros. 

Dizer que os contextos de ambos são diferentes é uma realidade, mas no campo das ideias, pensar no “e se…”, abre um enorme leque de possibilidades., como por exemplo: Como seria o trabalho do jovem em ascensão Jão, com suas músicas que relatam um amor e suas desilusões, por vezes de maneira exagerada, se ele tivesse produzido suas músicas na década de 80? 

Certamente diversos nomes seriam levantados como forma de traçar uma proximidade lírica e sonora. E se o contrário fosse proposto? Comparar essas situações, refletir sobre as produções e seus contextos podem nos ajudar a entender de onde a música veio, onde ela está e para onde ela está indo. Já que a cada segundo que passa, devido à grande facilidade em se consumir arte na atualidade, os novos músicos, cantores e compositores, são cada vez mais um grande liquidificador de referências. 

(Marisa Monte e Silva, em clipe da música Noturna)

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Cultura

Artistas se reinventam em meio a cortes de verba

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Por Eduardo Fragoso

A pandemia chegou de surpresa e ninguém esperava passar por tudo isso. O mundo parou e todos ficaram trancados em casa com medo. As pessoas tiveram prejuízo tanto financeiro quanto emocional e uma das classes mais afetadas foram os artistas, a cultura.

E quem não precisou da cultura e da arte para sobreviver nessa pandemia? Seja através de filmes, séries, jogos, apresentações musicais em lives, entre outras atividades culturais, todos consumiram algum produto cultural nesse período. Mais do que nunca foi possível evidenciar a importância da arte e dos artistas. 

Sarah Jainy é atriz, diretora e produtora cultural, faz uma importante reflexão sobre o quanto a pandemia foi abrupta e os artistas precisaram se reinventar de forma rápida: “Pra mim foi muito difícil ter que lidar com a pandemia e me adequar a esse novo formato do fazer artístico, do fazer cultura através das telas”. 

Sarah foi contemplada com editais de apoio emergencial à cultura e isso foi de extrema importância financeira e mental para que ela sobrevivesse durante período pandêmico. 

INCERTEZAS E MEDO 

Para os artistas do Teatro Candeeiro, a pandemia veio e os pegou desprevenidos. Estavam com espetáculo em cartaz quando tudo precisou ser fechado, inclusive o teatro. Alguns membros do grupo tiveram que sobreviver financeiramente apenas do auxílio emergencial. 

A atriz Jaqueline Chagas, uma das fundadoras do grupo, relata que “por volta do dia 13 ou 18 de março a pandemia parou tudo, né? E a gente simplesmente parou. Nossas coisas ficaram todas no teatro. E a gente não sabia o que fazer…”

Grupo de pessoas a noite

Descrição gerada automaticamente

Ela disse que no início da pandemia tudo era incerto e dava medo. Mas aos poucos apareceram alguns editais para realizar projetos de forma online. Segundo a atriz, foi um “respiro”, uma salvação. Os editais de incentivo à cultura e de apoio emergencial, como a Lei Aldir Blanc, foram essenciais não só para a sobrevivência do Teatro Candeeiro, como para outros artistas. 

O Teatro Candeeiro existe desde 2016, e se intitula assim pois também funciona como espaço físico e associação. O grupo foi contemplado com os editais de apoio emergencial e puderam voltar aos poucos com os espetáculos.  

OS CORTES NA CULTURA 

Segundo os dados do Siga Brasil, plataforma de informações orçamentárias mantida pelo Senado Federal, o orçamento federal disponível para políticas culturais recuou 46,8% entre 2011 e 2021. Há dez anos, o extinto Ministério da Cultura tinha à disposição R$3,33 bilhões. Neste ano, o valor autorizado é de R$1,77 bilhão. Recentemente houve vetos do presidente Jair Bolsonaro às leis emergenciais como Lei Paulo Gustavo e Lei Aldir Blanc 2. 

A diretora Sarah Jayne acredita que os cortes na cultura não prejudicam apenas os artistas, mas toda a sociedade. “Quando não se tem recurso para arte e todas as suas linguagens, quem perde é a sociedade. Porque é a arte que nos ajuda a preservar e contar nossa história”, afirma.

Enquanto isso, Jaqueline Chagas diz que se sente frustrada quando vê os cortes acontecendo. “Porque quando corta dinheiro da cultura não adianta dizer que tá mandando dinheiro para a educação ou saúde. Porque, na teoria, era pra ter dinheiro para todas essas áreas. Qualquer oportunidade que têm, eles tiram dinheiro da cultura. Como se a gente não precisasse desse dinheiro!”

READAPTACÃO AO PRESENCIAL 

Atualmente Sarah está finalizando os projetos aprovados nos editais do ano passado. Segundo ela, com tudo voltando ao normal, todos ainda estão se readaptando aos eventos presenciais. De certa forma, nada é como era antes e precisam continuar se reinventando. 

Já o Teatro Candeeiro busca alternativas para custear suas apresentações e pagar o mínimo de cachê aos atores. Arrecadam dinheiro em forma de rifas, com apoio de amigos, vakinhas online e vendas de ingressos. “Tivemos que achar outros meios para continuar”, diz Jaqueline.

Por fim, a atriz traz uma importante reflexão, de que a cultura nunca foi ensinada como essencial, nem na escola e nem na maioria dos lares. Por este motivo, muitas pessoas não têm acesso a essa arte. Segundo ela, quem pisa no teatro pela primeira vez se encanta de não para mais de ir. 

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Cultura

Cinemas, protestos e farofas: um panorama do Festival de Cinema de Cannes

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Na 75a edição, o grande vencedor da Palma de Ouro foi a comédia sueca Triangle of Sadness

por Aldeir Oliveira e Miguel França

O Festival de Cinema de Cannes celebrou sua 75a edição em 2022. Dos dias 17 a 28 de maio, o Palais des Festivals et des Congrès recebeu profissionais, artistas, celebridades e produtores de conteúdo do mundo inteiro. Este ano o festival voltou à sua capacidade total de espectadores após as duas últimas edições terem tido restrições por conta da pandemia da Covid-19. Com as salas cheias, o júri e os espectadores puderam prestigiar os 21 filmes que disputaram o prêmio máximo do festival e comemorar a vitória da Palma de Ouro para a comédia sueca Triangle of Sadness, do diretor Ruebn Ostlund.

O festival de cinema ocorre anualmente na cidade turística de Cannes, na Riviera Francesa. Ano após ano, o evento reúne os profissionais mais admirados e respeitados da indústria cinematográfica mundial, além de revelar novos artistas a cada edição. A ideia do Festival surgiu em 1938, quando o ministro francês da Educação Nacional, Jean Zay, decidiu criar um festival cinematográfico internacional que fosse contra o viés fascista do Festival de Cinema de Veneza pois, por oito anos, Benito Mussolini e Adolf Hitler anularam a decisão do júri de Veneza e decidiam quais filmes levariam melhor filme e melhor filme de guerra. 

Hoje, o Festival de Cannes é um dos três grandes festivais de cinema europeus, ao lado do Festival de Cinema de Veneza (Itália) e do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Alemanha), bem como um dos cinco grandes grandes festivais internacionais de cinema, que consistem nos três grandes festivais de cinema europeus mais o Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, e o Festival de Cinema de Sundance, nos Estados Unidos.

Palma de Ouro, o principal troféu do Festival de Cannes – Pierre Albouy/AFP

As duas últimas edições do Festival sofreram muito com a Pandemia da Covid-19. Em 2020 o evento foi cancelado e em 2021 foi passado para o mês de julho, contrariando a tradição de realizar o festival em maio. Este ano, Cannes recebeu a todos sem máscaras, sem restrições e com a capacidade total das salas. Mas o que realmente marcou essa 75a edição foi sua imprevisibilidade.

Faltando menos de um mês para o Festival começar, já haviam sido decididos o pôster oficial, o filme de abertura e os filmes selecionados para exibição, mas não o júri. Parte essencial do evento, pois decidem quem leva os prêmios da edição, o corpo de jurados teve que sofrer alterações por conta de um escândalo envolvendo um dos integrantes. O cineasta iraniano Asghar Farhadi, que seria o presidente do júri, foi acusado de plagiar o argumento de uma ex-aluna sua, e a partir dele ter feito seu mais recente filme, Um Héroi. Diante dessa situação, a comissão organizadora decidiu manter Farhadi como membro do júri, mas o cargo de presidente passou para o ator francês, Vincent Lindon.

Ladj Ly, Jasmine Trinca, Joachim Trier, Rebecca Hall, Vincent Lindon, Deepika Padukone, Asghar Farhadi, Noomi Rapace e Jeff Nichols – Foto: Future Publishing/Getty Images

O Festival de Cinema de Cannes começou no dia 17 de maio homenageando o ator, produtor e diretor de cinema americano Forest Whitaker com a Palma de Ouro Honorária. Um prêmio que celebra a carreira do profissional. Esse foi o segundo prêmio dado a Whitaker em Cannes, pois, em 1988, ele recebeu o prêmio de Melhor Ator por sua performance no filme Bird. No dia seguinte, foi o momento do ator e produtor Tom Cruise receber a Palma de Ouro Honorária por sua carreira e levar o seu mais novo filme, Top Gun: Maverick, ao festival. O filme foi aplaudido de pé por 5 minutos após o encerramento da sessão. 

Protestos também marcaram o tapete vermelho. Na sexta-feira, 20, uma mulher semi nua invadiu o tapete vermelho para realizar um protesto a favor da Ucrânia. Em seu corpo estava escrita a frase “Stop Raping Us” (parem de nos estuprar) sobre as cores da bandeira da Ucrânia, além disso ela tinha tinta vermelha espalhada pelo baixo ventre e a palavra “escória” nas costas. E no domingo, 22, ocorreu outro protesto, mas esse era contra os feminicídios que ocorriam na França. Ativistas levantaram uma faixa com os nomes das 129 mulheres assassinadas no país desde a última edição do evento.

Como consta no site oficial do Festival, ele é patrocinado por grandes marcas como L’Oréal Paris, Kering, MasterCard, BMW e Chopard, mas como um evento de grande magnitude não se sustenta apenas de seus patrocinadores, os organizadores do festival chamam artistas, celebridades e produtores de conteúdo do mundo inteiro para estarem presentes e divulgarem o evento e as respectivas marcas que os patrocinam. Somente está presente quem foi convidado, pois não há a possibilidade de compra de ingressos. E nesta 75a edição, foram tantos produtores de conteúdo e celebridades, incluindo um certo número de brasileiros, que fez o jornalista da Folha de São Paulo, Guilherme Genestreti, afirmar que “tapete vermelho se torna vitrine para que subcelebridades desfilem looks e empresários melhorem branding pessoal”.

O fato é que esse tipo de ação não é nenhuma novidade, mas esse ano foi destaque, pois essas pessoas que estavam lá apenas para promoverem as marcas chamaram atenção tanto quanto os profissionais da indústria cinematográfica convidados para promoverem os filmes. Em artigo de 2018 para a Vanity Fair, a jornalista Julie Miller afirma que “as marcas podem pagar entre 1.000 e 20.000 euros por uma única postagem de mídia social, mas como o festival oferece aos influenciadores tanta exposição internacional – sem mencionar a proximidade de estrelas de cinema e um cenário lindo – as taxas em Cannes são frequentemente negociadas”. Situação que pode gerar indignação por parte de alguns, como o caso de Guilherme Genestreti, e questionar os limites da necessidade de tanto marketing para um festival já mundialmente reconhecido e consolidado.

Ao todo, este ano o Festival de Cinema de Cannes contou com uma seleção de 47 longas metragens selecionados para exibição. Destes, 21 estavam concorrendo à Palma de Ouro, o prêmio máximo do Festival, e 7 concorreram fora da competição. Entre estes se destacam Top Gun: Maverick do diretor Joseph Kosinski, já citado; Elvis, a cinebiografia do cantor, músico, ator estadunidense e “Rei do Rock and Roll”, Elvis Presley, do diretor Baz Luhrmann, e Three Thousand Years of Longing, do diretor George Miller, seu filme seguinte ao sucesso Mad Max: Estrada da Fúria de 2015.

Faltando apenas um dia para o encerramento do Festival, nem o júri nem a crítica especializada tinham um favorito à Palma de Ouro. Muito se comentava sobre os filmes EO, The Eight Mountains, Boy From Heaven, Broker, R.M.N, Holy Spider, Decision to Leave, Crimes of the Future e Armageddon Time, mas nenhuma unanimidade. Foi apenas no entardecer do dia 28 de maio, em encerramento apresentado pela atriz belga Virginie Efira, que o júri firmou seus vencedores e encerrando assim a 75ª edição do Festival de Cinema de Cannes.

Abaixo a lista dos vencedores: 

  • O vencedor da Camera d’Or de Melhor Filme Estreante foi ‘War Pony’, de Riley Keough e Gina Gammell.
  • Zar Amir Ebrahimi venceu como Melhor Atriz por sua performance em ‘Holy Spider’, de Ali Abbasi
  • Song Kang venceu como Melhor Ator por sua performance em ‘Broker’, de Kore-eda Hirokazu
  • O vencedor em Melhor Roteiro foi ‘Boy From Heaven’, de Tarik Saleh
  • Os filmes vencedores do Prêmio do Júri foram ‘EO’ e ‘The Eight Mountains’
  • O filme vencedor do Prêmio Especial de 75 anos do Festival de Cannes é ‘Tori and Lokita’ de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
  • Park Chan-wook venceu como Melhor Diretor por seu trabalho em ‘Decision To Leave’
  • Os filmes vencedores do Grand Prix foram ‘Close’ (Lukas Dhont) e ‘Stars at Noon’ (Claire Denis)
  • E o filme vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2022 foi ‘Triangle of Sadness’ de Ruebn Ostlund
Júri e vencedores na cerimônia de encerramento do Festival de Cinema de Cannes 2022  – Foto: Valery Hache/ AFP

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