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RPG de mesa: jovens acreanos transformam imaginação em criatividade e aprendizado

Mesmo em crescimento, a prática ainda enfrenta a falta de incentivo e visibilidade na capital acreana

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Por Lis Gabriela e Rhawan Vital

Grupos de estudantes têm encontrado no RPG de mesa uma alternativa ao entretenimento e um espaço de desenvolvimento criativo e social. No campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), a prática reúne jovens que trocam as telas por papel, caneta e dados, em jogos de interpretação que estimulam a imaginação, o trabalho em equipe e a construção de narrativas coletivas. Cada vez mais popular, o RPG tem atraído participantes de diferentes idades e perfis.

RPG, ou Role Playing Game (tradução livre para “jogo de interpretação livre”), é um jogo de mesa onde tudo gira ao redor do imaginário. Mundos e problemas são criados por um jogador que controla a história e os acontecimentos, conhecido como mestre, e os jogadores que participam do jogo compondo a mesa devem criar personagens para resolver os problemas criados pelo mestre e explorar o mundo criado pelo mesmo. De guerreiros a espiões, o RPG tem várias formas, regras, modelos e sistemas, para agradar todos os gostos e níveis de experiência.

Para o estudante de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Acre, Thiago Costa, de 19 anos, a prática foi uma mudança de vida. Além de influenciar os conteúdos consumidos nas redes sociais e ampliar o contato com pessoas de outros países, a atividade também reflete no cotidiano do aluno, que vê o jogo como uma forma de treinamento pessoal. “RPG é o que mais trabalha minha criatividade e timidez, é onde pratico muito minha criatividade e interação com outras pessoas", diz o discente.

Thiago, que atua como “Mestre” em um grupo de amigos, frequentemente cria e adapta cenários de Dungeons e Dragons, um sistema que envolve guerreiros, masmorras e dragões protegendo tesouros milenares, para jovens colegas do seu curso, inseridos na realidade acadêmica.

“Para o pessoal que mestro na Ufac, entramos no curso e comecei a mestrar para eles. Quando temos tempo livre e espaço na universidade, tomamos uma das salas de aula e transformamos em um espaço para nosso RPG". O tempo de duração das sessões de RPG pode variar, de acordo com o sistema a ser jogado e o tempo livre de cada participante, podendo ter de quatro à seis horas de duração.

Papel, caneta e dados substituem as telas em mesas de RPG que estimulam a criatividade e o trabalho em equipe na Ufac. Imagem ilustrativa.

Para “mestrar” (o ato de coordenar o mundo, produzir problemas e entregar soluções aos jogadores e interpretar diversos personagens com objetivos e auxílios diferentes durante a aventura da mesa), é necessário aprender sobre o sistema utilizado, conhecer o mundo que está sendo imaginado e, principalmente, se esforçar para não deixar a animação cair, utilizando-se bem de personagens não-jogáveis (os representados pelo mestre) para interagir com jogadores, criar momentos em que personagens específicos possam brilhar e saber improvisar, visto que um RPG é um jogo de mundo aberto, então quase nada é linear e muita coisa pode sair do previsto, dependendo da ação dos jogadores.

Como mestre, é preciso de um conhecimento aprofundado do sistema de regras para exercer essa função técnica. E contando com isso, o acreano Arthur Soares, de 19 anos, estudante de engenharia da computação, utiliza-se dos conhecimentos adquiridos de cursos preparatórios para incrementar as suas histórias.

“Sempre gostei de criar coisas. Fazia cenários, catava isopor onde ia, pintava cenário, pintava miniatura à mão... Eu pensava em qualquer coisa, o que desse pra jogar RPG eu tava jogando. Quando passei quatro horas no aeroporto de Brasília (esperando um voo), programei um código de um quebra-cabeças para que meus jogadores resolvessem. A melhor coisa do RPG pra mim é poder escrever e criar algo que outras pessoas vão poder se inserir nesse universo para fazerem o que quiser”, conta Arthur.

O estudante Thiago afirma que o RPG serve para exalar sua criatividade e aflorar sentimentos. “Busque um pessoal interessado e faça acontecer. Tem muitos sistemas generalistas que você pode adaptar as regras da forma que você quiser”.

Para ambos os jogadores, participar de uma mesa de RPG é uma experiência única. A possibilidade de “fazer o que quiser, como quiser, em um mundo que vai se moldar de acordo” é apontada como um diferencial da prática. Eles destacam que, além de um jogo, a atividade funciona como uma forma de distração e lazer em meio a uma rotina conturbada, já que viver a história de um personagem fictício permite explorar um universo diferente do cotidiano.

"Você só vai saber o que é RPG se jogar. O único requisito para se fazer isso é ter pessoas dispostas a jogar, e ver alguém se divertindo com algo que você imaginou, essa é a euforia do mestre. É gratificante”, completa Arthur.

Falta de incentivo

Apesar de organizarem as próprias campanhas, ambos os mestres concordam com um ponto específico e regional: não existe um local que incentive e colabore com o jogo. Em outras regiões do país, onde Pubs e restaurantes trazem a premissa de juntar desconhecidos e promover campanhas aleatórias, no intuito de integrar e conhecer novas pessoas, isso acaba não existindo na capital acreana. A falta de divulgação e incentivo do jogo acaba ninchando-o cada vez mais.

Mas a criação de espaços assim faria com que o RPG ficasse mais conhecido na cidade? Talvez, por enquanto, esta seja uma aventura que ainda nenhum guerreiro tentou desbravar. Por enquanto, as mesas continuarão dentro das casas do Thiago e do Arthur, com seus conhecidos e com os sistemas que eles já dominam.

Redação

RECONHECIMENTO

“Não imaginei que nosso jogo chegaria tão longe”: acreanos vivem expectativa antes de apresentar game na Alemanha

Desenvolvido em apenas três dias, o game “Carbon 0”, centrado em investigação e crimes ambientais, coloca o Acre no cenário global de inovação

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Por Victor Hugo Santos e Wellington Vidal

O cenário de tecnologia e inovação do Acre logo irá romper fronteiras geográficas. O jogo “Carbon 0”, focado em investigação ambiental, garantiu uma vaga para ser apresentado em um prestigiado evento do setor na Alemanha, em agosto de 2026. O projeto é fruto do trabalho coletivo de Thiago Costa, estudante de Sistemas de Informação, que atuou ao lado dos desenvolvedores Carlos Hygor, André Lucas, Caio Pontes e Felipe de Pádua. A conquista coloca o estado em evidência no mercado global de games e reforça o potencial da produção regional.

A equipe garantiu a vaga após vencer na categoria Escolha do Público da Mostra Competitiva de Jogos da Amazônia Legal, durante a Headscon 2025, realizada em Rio Branco. Além da projeção internacional, a premiação também contou com um incentivo financeiro de R$21,5 mil, destinado aos desenvolvedores.

A equipe acreana celebrando sua participação na Headscon 2025, onde o jogo ‘Carbon 0’ conquistou a Escolha do Público. Foto: arquivo pessoal

A ideia para o desenvolvimento do game surgiu de forma intensa durante uma “game jam”, uma maratona de desenvolvimento de jogos, que tinha como tema central a preservação do meio ambiente. Segundo Thiago Costa, o processo foi marcado pelo imediatismo e pela superação de barreiras técnicas. Os principais desafios enfrentados pela equipe foram o curtíssimo tempo de desenvolvimento, de apenas três dias, e a inexperiência dos integrantes no cenário competitivo. Mesmo com esses obstáculos, a criatividade do grupo sobressaiu, transformando uma ideia inicial em um produto de visibilidade internacional.

Investigação ambiental em forma de jogo

A trama de “Carbon 0” mergulha em uma narrativa de justiça e ética. No jogo, dois irmãos lutam para provar a inocência do pai, que foi falsamente acusado pela empresa em que trabalhava de vazar dados sensíveis. Ao longo da investigação, os protagonistas expõem a verdadeira face das corporações envolvidas, revelando crimes ambientais e negligências.

Imagem de ‘Carbon 0’, o game que mistura investigação e conscientização ambiental, desenvolvido em apenas três dias. Foto: arquivo pessoal

Para Thiago, a conquista representa a quebra de um paradigma sobre a produção tecnológica no Norte do Brasil. “Ele prova que o estado tem força para competir e mostrar que o nosso mercado também tem peso e que merecemos atenção do mercado global”, afirma.

A ida para a Alemanha é descrita pelo estudante como a realização de um sonho que parecia distante. “Nunca na minha vida imaginava que um jogo criado pelos meus amigos e eu iria conseguir atingir um patamar tão alto”, comemora Thiago.

A expectativa agora se volta para as oportunidades que o evento internacional pode proporcionar, especialmente no que diz respeito à criação de contatos com desenvolvedores do mundo todo e à chance de exibir o talento brasileiro.

Os desenvolvedores de ‘Carbon 0’ prontos para levar o talento acreano ao cenário internacional de games. Foto: arquivo pessoal

Para os entusiastas e outros estudantes que desejam ingressar na área, Thiago deixa um incentivo baseado em sua própria trajetória: “Se você tem a vontade de entrar nesse mundo, organize um pessoal que esteja disposto a seguir em frente nele e fazer acontecer”. Segundo ele, o mercado está em constante crescimento e, para quem tem vontade e organização, as ideias nunca vão faltar.

Redação

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NOVOS HÁBITOS

Corridas de rua consolidam nova cultura esportiva em Rio Branco; veja como iniciar a prática

Crescimento dos eventos e dos grupos de corrida fortalece hábitos saudáveis, amplia a ocupação dos espaços urbanos e aproxima a população do esporte

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Por Ana Cristina e Joyce Beatriz

As corridas de rua deixaram de ser eventos pontuais e passaram a integrar o cotidiano de Rio Branco, impulsionando mudanças no estilo de vida da população e consolidando uma nova cultura esportiva na capital acreana. O que antes era uma prática restrita a pequenos grupos hoje se transforma em um fenômeno popular, acessível e cada vez mais presente nas ruas e espaços públicos da cidade.

Ao longo de 2025, o calendário esportivo foi ampliado com eventos marcantes como a Corrida do Fogo, a Corrida Nacional do Sesi, o Circuito Sunset Run, além da tradicional Corrida do Servidor Público e de diversas iniciativas com caráter social e beneficente. A diversidade de eventos acompanha a ampliação do perfil dos participantes, reunindo corredores iniciantes, atletas amadores e pessoas que encontram na corrida o primeiro contato com a atividade física regular.

Para a organizadora de corridas Fran Nobre, a corrida de rua em Rio Branco se consolida como um fenômeno popular e inclusivo. “A corrida deixou de ser uma prática restrita e se tornou um fenômeno acessível a todos, com diversidade de gênero, faixa etária, nível socioeconômico e diferentes motivações”, avalia. Segundo ela, esse movimento reflete a preferência por atividades físicas simples, de baixo custo e realizadas ao ar livre, além da busca por mais qualidade de vida.

Fran Nobre, organizadora de corridas. Foto: arquivo pessoal.

Um dos principais reflexos desse avanço é a expansão dos grupos de corrida. Assessorias esportivas e coletivos informais ocupam com frequência ruas, parques e áreas públicas, especialmente no início da manhã e à noite. Esses grupos funcionam como portas de entrada para novos corredores, oferecendo orientação, apoio coletivo e incentivo à regularidade nos treinos.

Para quem começa, a corrida representa mais do que um desafio físico. Muitos relatam melhorias na saúde, na disciplina diária e no bem-estar emocional, além da criação de vínculos sociais que ajudam na permanência na prática.

É o caso de Pedro Henrique Azevedo, que encontrou na corrida uma mudança significativa de rotina. “Eu tinha uma vida sedentária, estava acima do peso e lidava com ansiedade. A corrida melhorou minha saúde física e emocional e trouxe disciplina para o meu dia a dia”, relata. Segundo ele, a participação em grupos foi fundamental para manter a motivação.

Fotos disponibilizadas pela Organizadora de corrida Fran Nobre, do grupo de corrida Longão Elite.

O organizador de corridas Jefferson Pereira destaca que os impactos vão além da saúde. “A corrida movimenta treinadores, assessorias esportivas, lojas de equipamentos, empresas de eventos e profissionais da área da saúde. Isso cria uma cadeia que fortalece a economia local”, afirma.

Ele ressalta que esse impacto pode ser ampliado com mais apoio do poder público, investimentos em infraestrutura esportiva e uma organização federativa mais estruturada para o atletismo no estado.

Ao transformar estilos de vida, fortalecer laços comunitários e promover saúde e bem-estar, as corridas de rua deixam um legado duradouro em Rio Branco e reforçam o esporte como ferramenta de inclusão e qualidade de vida.

Quem deseja iniciar na corrida de rua pode começar de forma simples:

            • Procure grupos de corrida: assessorias esportivas e coletivos informais divulgam treinos em redes sociais como Instagram e WhatsApp.

            • Escolha locais seguros: espaços como o Parque do Tucumã e áreas urbanas com boa iluminação são os mais utilizados.

            • Comece aos poucos: alternar caminhada e corrida ajuda na adaptação do corpo.

            • Use equipamentos básicos: um tênis adequado já é suficiente para iniciar.

            • Busque orientação profissional, especialmente em caso de problemas de saúde.

A prática em grupo facilita a adaptação, aumenta a motivação e contribui para a permanência na atividade.

Indicação A Catraia: https://chat.whatsapp.com/Fi5AE5zmFhj01DLZONBZjb

Redação

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Fisiculturismo no Acre: atletas ganham competições e espaço mundial em apresentações

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Conterrâneos de Ramon Dino ganham destaque no fisiculturismo

Por Luiz Eduardo e Elis Caetano

O atleta acreano Everson Costta conquistou, em outubro de 2023, o título de Mr. Olympia Brasil, a principal competição nacional de fisiculturismo. Ele é o segundo competidor do estado a conquistar o título e irá representar o país no Mr. Olympia 2024, que acontecerá na cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos. 

Natural de Sena Madureira,  Everson é educador físico e começou sua jornada no esporte em 2018, competindo em competições amadoras. Ele destaca a emoção que sentiu ao conquistar sua primeira vitória em uma competição profissional e afirma que está determinado a se preparar para o Mr. Olympia 2024.

Everson Costta, atleta da Competição Nacional de Fisiculturismo. Foto: Reprodução/Internet

“Ser campeão do Mr. Olympia Brasil significa muito para mim. Sou o segundo acreano a realizar esse feito, o primeiro foi o Ramon, que é o segundo colocado na categoria (mundial), e estaremos juntos competindo no ano que vem. Isso é muito gratificante e a realização de um sonho em representar o Acre e o Brasil” – destaca.

Não é de hoje que o Acre tem conquistado um reconhecimento no fisiculturismo. A cena dos atletas têm sido bastante comentada mundo afora e vem crescendo não só na capital, mas em todo o estado.

Nos últimos cinco anos muitos destaques acreanos avançaram e se profissionalizaram, ganhando concursos, patrocínios e eventos importantes. Os Acreanos que representam este grupo de competidores profissionais no Acre, além de Everson Costta são, Ramon Dino, Andréa Gadelha e Herlayne Braga.

Andreia Gadelha é natural de Epitaciolândia, cidade do interior do Estado. Foto: Reprodução/Internet

Ramon Dino tem 29 anos, nasceu em Rio Branco e começou a musculação através da  calistenia na adolescência e logo se destacou por seu desenvolvimento muscular. Competiu pela primeira vez em 2017 aos 22 anos e já participou de três Mr. Olympia. Na sua estreia em 2021 ficou em quinto lugar, e no seguinte alcançou o segundo lugar.

Em outubro de 2021, Ramon venceu e conquistou o Overall (disputa entre os campeões de todas as divisões da categoria) da Classic Physique, colocando seu nome oficialmente no circuito profissional do fisiculturismo brasileiro.

Conhecido apenas como “Dino”, Ramon atualmente detém o título de vice-campeão do Mr. Olympia e campeão do Arnold Sports na categoria Classic Physique. 

Ramon Dino venceu e conquistou o Overall em outubro de 2021. Foto: Reprodução/Internet

Redação

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