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Corriqueiras

O chefe está na calçada

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Bazar Chefe, comércio tradicional no Centro de Rio Branco, vende de tudo um pouco para uma clientela fiel conquistada ao longo de mais de 50 anos

Por Camila Gomes e Maria Fernanda Arival

“O chefe ‘tá’ na calçada”, diz o jornalista Washington Aquino todas as manhãs no telejornal que apresenta. Durante os últimos 50 anos, seu Tancredo Lima, mais conhecido como Seu Chefe, está à frente do seu comércio, o Bazar Chefe, localizado bem no Centro da cidade de Rio Branco, vendendo, proseando, administrando e também fazendo novos clientes.

Aos 15 anos, Seu Chefe e sua esposa, Maria José, se casaram e resolveram abrir o próprio empreendimento. Conseguiram um pequeno espaço na beira do rio onde, naquela época,  só havia barrancos e pequenas casas de madeira. Hoje o lugar é conhecido como Mercado Velho e se tornou uma das principais atrações turísticas da capital acreana. O  casal vendia vassouras de palha, que encomendavam com um amigo de Belém, no Pará; tabaco, produzido aqui mesmo, no Acre, e cigarros. Desde o primeiro dia nomearam a simples loja de Bazar Chefe.  

Onde tudo começou. A Loja Bazar Chefe teve início nessa porta, à beira do Rio Acre, na época. Foto: Camila Gomes

Aos 67 anos, Seu Tancredo conta que o nome Chefe vem desde os oito anos de idade. Seu pai o apelidou assim pois já era uma criança responsável por muitas tarefas e, enquanto o pai estava fora, ele era o homem da casa. Por ser muito obediente e dar conta dos serviços que o pai designava era considerado um pequeno grande chefe na época. 

De tudo um pouco

Quando pensaram em abrir o próprio negócio, o nome já estava pronto: “bazar” por  ser um lugar onde se vende diversos tipos de produtos e mercadorias e “chefe” por ser o apelido que o pai lhe deu quando criança. Ao longo dos anos, Seu Chefe foi percebendo que a clientela era diversa e ele prestava bastante atenção no que as pessoas procuravam no mercado. Foi aí que começou a trazer para seu estabelecimento de tudo um pouco. 

Na tradicional loja, a população de Rio Branco encontra os mais variados objetos e utensílios, desde lamparina, ferro à brasa, botas de borrachas, rádio com antenas, peças para panelas de pressão e, até mesmo, raquetes elétricas para matar os carapanãs – nome regional dos mosquitos. A gama variada de produtos é uma das principais características da loja. Cordas, pulverizadores de veneno, tábuas, vassouras, funis e muitos outros objetos fizeram a fama do estabelecimento que, para quem perguntar onde encontrar qualquer um desses artefatos tradicionais, a resposta será: “vai no Bazar Chefe, ‘maninha’, lá tu encontra”.

Os anos foram passando, o número de clientes crescendo e Seu Chefe construindo seu legado. Teve dois filhos: Cleudo José, hoje com 46 anos, e Cleide Sandra, com 41. Com a esposa, Maria José,  passou 42 anos em sua vida, mas infelizmente há sete anos ela faleceu por complicações renais.

“Meus filhos foram criados aqui. Minha esposa amava o comércio, adorava trabalhar, estava aqui no Bazar Chefe todos os dias. Gostava de vender, limpar, conversar com os clientes, ela gostava muito de tudo isso aqui. A Maria José foi a única mulher que amei na vida, era minha companheira de verdade. A última vez que nos falamos foi quando os médicos já haviam dito que não tinha mais jeito, então a olhei de longe, ela sorriu levantando o polegar dando um “legal” e eu entendi aquilo como nossas últimas palavras. O Bazar só existe hoje porque tive o apoio dela, desde o começo”, recorda.

Seu Chefe e os dois filhos, Cleudo José e Cleide Sandra. Foto: Camila Gomes

Entre os orgulhos de Seu Chefe estão a amizade construída com muitos clientes durante tantos anos de labuta e o público diversificado que conquistou. “Durante todos esses anos conquistamos uma clientela mista, do povão mesmo. Aqui na loja vem do pedreiro ao desembargador, gente dos municípios, colônia, nosso público é diversificado”, conta.

Fora das redes sociais

Ao começar o negócio, Seu Chefe não imaginava crescer e ganhar todo esse reconhecimento com o Bazar. Hoje, o comércio não faz uso de nenhuma rede social para promover a loja. Cleudo José, filho mais velho do Seu Chefe, explica que até já tentaram introduzir a loja no mundo virtual, mas não é algo que deu retorno. “Meu pai tem a clientela há mais de 50 anos e é uma clientela fiel, o comércio tem um nome na praça. Ele é bem atualizado, mas não tanto para trilhar nesse caminho das redes sociais, ele prefere da forma tradicional mesmo”, diz.

Cleudo José acrescenta que o pai tem a propaganda do comércio em apenas um lugar, que é no programa do jornalista Washington Aquino, que alcança até hoje não só as pessoas da zona urbana, como também da zona rural. “Tem muita gente que vem de outros municípios dizendo que ouviu sobre o Bazar Chefe no programa e pedem até pra tirar foto com o pai, então, ele vê que assim continua dando resultados e prefere que continue nesse formato. Se fossemos um comércio que começou há dez anos, por exemplo, realmente seria crucial o uso da internet, das redes sociais e tudo que esse mundo virtual oferece, mas são 50 anos de história e um nome conhecido no Estado”, comenta o filho do Seu Chefe.

Seu Chefe, proprietário. Foto: Camila Gomes

Negócio de família

Cleudo José, filho mais velho de seu Chefe, conta que começou a ajudar no Bazar desde pequeno, tanto ele quanto a irmã sempre o ajudaram a cuidar da loja.  Após começar a  faculdade de Educação Física, curso que não concluiu, percebeu que queria mesmo era estar ali no comércio, no meio das vendas e dos negócios da família.

Já a irmã, Cleide Sandra, concluiu o curso de Psicologia. Sempre esteve no Bazar Chefe, observando os pais trabalhando, fazendo clientes e crescendo no mercado, e com o passar do tempo começou a trabalhar também. Como seu único contrato foi ali, Sandra quis experimentar algo novo e sua paixão era a Psicologia, foi aí que entrou na faculdade, concluiu o curso, mas percebeu que amava mesmo era estar ali no comércio. Então decidiu se especializar, cursou Administração de Empresas e aos 41 anos é responsável por outra loja da família. 

“A loja fica aqui na frente do Bazar Chefe, também vende todo tipo de coisa. Eu continuo amando a Psicologia, mas meu coração é aqui no comércio, com os clientes, vendendo mesmo. Ver meus pais trabalhando juntos me fez ter gosto por isso, um dava suporte para o outro. É vocação e prática, não adianta chegar aqui e ter um currículo cheio de especializações e cursos, mas não ter amor por isso. Até hoje aprendo com meu pai, o comércio é uma caixinha de surpresas e eu gosto de descobrir algo novo todos os dias”.

Para a filha caçula, a internet é uma mão na roda, muito necessária nos dias de hoje, mas eles vendem e fazem clientes diariamente sem o uso do mundo virtual. Os anos de experiência e nome no mercado fazem do Bazar Chefe uma empresa diferente, com legado, histórias e fama que passa de geração em geração no estado do Acre.

Dona Dorisneide, mais conhecida como Neide, é funcionária do Bazar há 12 anos e afirma que mesmo com o mundo mergulhado na internet, no Bazar Chefe não tem disso. Para ela,  o Bazar Chefe é realmente um comércio diferente e a utilização da internet para promover a loja não seria algo que faria tanta diferença. “Aqui é tudo no modo tradicional: o cliente chega, pergunta o preço, realizamos a venda e pronto, lá se vai mais uma pessoa satisfeita”, destaca.

Dona Neide, funcionária mais antiga do estabelecimento. Foto: Camila Gomes

A vendedora Neide relembra a dificuldade que enfrentou assim que começou a trabalhar no Bazar Chefe. “Assim que cheguei aqui, com 30 anos de idade, estranhei bastante, porque tinha de tudo pra vender e tive uma certa dificuldade em memorizar o preço de cada objeto, mas depois de um mês eu já estava acostumada e sabia o preço de cada produto”. 

A boa relação com os clientes é um dos motivos que faz Neide gostar muito de trabalhar no Bazar Chefe. “Também tenho meus clientes, alguns de outros municípios.  Eles me ligam pra saber se chegou alguma mercadoria específica ou se tem algum produto que eles estão precisando. Se tem, eu já deixo separado para virem buscar, tem outros que já chegam aqui perguntando: “cadê a Neide?”. Eu gosto de trabalhar aqui, conheço tudo: mercadoria nova, preços, é o que eu sei fazer de melhor, vender”. 

Pandemia

Como em grande parte do comércio, a pandemia de Covid 19 foi um desafio para Seu Chefe e o Bazar. “Foi um momento que deixou o comércio ‘baqueado’ e quando veio o lockdown foi uma grande preocupação, tivemos altos e baixos durante esse período, mas hoje estamos nos recuperando”, diz.

Loja se tornou tradicional em Rio Branco, capital do Acre. Foto: Camila Gomes

A paixão pelo comércio faz com que Seu Chefe peça para encerrar esta matéria com uma mensagem aos jovens.“Vejo muitos jovens desistindo do comércio muito rápido. É complicado mesmo, mas o comércio é um bom negócio. Hoje em dia é mais difícil, tudo é mais complicado e requer atenção, tem que ser esperto, ter uma cabeça estruturada, não é fácil, mas perseverando e persistindo, dará bons frutos. Tem que usar muito da internet hoje, aproveitar o que dá retorno e fazer dar certo”, finaliza.

*Esta reportagem foi produzida no primeiro semestre letivo de 2021.

Redação

Corriqueiras

A fruta que o gado não come: produção de pitaya ganha espaço no Acre

Produção familiar encontrou na pitaya uma alternativa resistente ao pasto, garantindo renda e evitando prejuízos causados pelo gado

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Por Vitória Messias

Exótica, colorida e cada vez mais presente no cotidiano dos rio-branquenses, a pitaya, conhecida popularmente como fruta-do-dragão ou fruta do cacto, vem ganhando destaque nas ruas de Rio Branco. O crescimento do consumo é impulsionado por uma rede de comércio administrada por mãe e filho, que desde 2020 atua em dois pontos da capital acreana, no Vila Acre e na Avenida Rio de Janeiro, com a proposta de popularizar a fruta e valorizar a produção da agricultura familiar.

Originária da América Central, a pitaya possui registros de consumo desde as civilizações Asteca e Maia, na região que hoje corresponde ao México. Introduzida no Brasil na década de 1990, a fruta passou a ser cultivada em Rio Branco há cerca de seis anos, a partir da produção de Kelarkian Brilhante e de sua mãe, Ivanna Brilhante, com o apoio de outros familiares que enxergaram no cultivo da pitaya uma alternativa sustentável de renda extra.

Ivanna e Kelarkian Brilhante, donos da plantação de pitaya. Foto: Vitória Messias.


Anteriormente, a família Brilhante se dedicava ao cultivo de maracujá e à criação de gado na propriedade. No entanto, um episódio de descuido, aliado a uma cerca mal conservada, permitiu a entrada dos animais na área de plantio, ocasionando a perda total da lavoura.

Segundo Ivanna, a situação motivou uma reflexão sobre o que era plantado ali. “Meu filho queria plantar algo e ter uma produção própria, fruto do esforço dele. Chegou a pensar em macaxeira, mas eu o alertei que o gado poderia comer a plantação, como fez com o maracujá”, explica.

Com esse pensamento, e em meio à pandemia, mãe e filho conseguiram se reerguer. Kelarkian se inspirou ao assistir vídeos sobre a Pitaya no Youtube e conta sobre aconselhamentos da avó para dar início ao que seria a maior fonte de produção de Pitaya do estado.

“Minha avó, que era viva na época, foi uma fonte de orientação. Ela desencorajou a ideia de plantar maracujá novamente. Um dia, navegando no YouTube, encontrei um vídeo sobre pitaya. Fiquei fascinado e pesquisei a fundo. No dia seguinte, mostrei para minha avó, e ela confirmou que a pitaya era a escolha certa, pois o gado não a comeria”, conta.

O agricultor explica que a decisão de iniciar o cultivo amadureceu ao longo dos primeiros meses do ano. “A ideia surgiu entre fevereiro e março. Em junho, fui buscar as mudas e conheci o seu Celeste, um produtor muito atencioso. No início, o plano era plantar mil mudas, mas, por questões financeiras, comecei com 400. A partir daí, passei a reaproveitar as próprias mudas: todo ano eu retirava e replantava. Fiz isso desde 2020. Em 2021, ampliei o plantio e continuei expandindo a área, até chegar ao que temos hoje”, relata.

Plantação das pitayas Brilhante. Foto: Vitória Messias.

Hoje os agricultores somam 2.800 mudas, com apenas 2.500 em produção, porém, a família enfrentou dificuldades para vender no primeiro e segundo ano de safra. “No primeiro a gente colhia mais fruto do que vendia. O pessoal não conhecia e não queria comprar um alto valor agregado em cima e foi difícil nos dois primeiros anos, mas de 2023 para cá, a pitaya só vem avançando e aumentando o sucesso”, conta Ivanna.

Os produtores comercializam mais de 2 mil mudas de pitaya desde 2023. A partir desse período, o público também variou. “Antes eram mais idosos, pessoas que frequentavam a academia. Depois mudou para o público infantil. Várias crianças queriam, aperreavam o pai para comprar”, conta Kelarkian.

Com a barraca montada na Avenida Rio de Janeiro, e plantação ativa no bairro Vila Acre, a família tem conquistado o público e planeja exportar o produto futuramente.

Benefícios à saúde

Seja pitaya vermelha, branca ou roxa, em meio às variações da fruta, os valores nutricionais variam, como aponta o nutricionista Inauã Rodrigues. “A pitaya vermelha e roxa tem mais compostos antioxidantes do que a branca. Um grande benefício é a praticidade, ela congelada não perde nenhum nutriente, perfeito para só depois bater no liquidificador e fazer um sorvete ou vitamina“, recomenda Inauã.

Inauã Rodrigues, nutricionista. Foto: arquivo pessoal.

A fruta contém minerais como magnésio e vitaminas, incluindo a vitamina C, que, segundo o nutricionista, são antioxidantes importantes, responsáveis por auxiliar na redução de processos inflamatórios no organismo, tanto os mais comuns, como a acne, quanto os mais complexos, como a fibromialgia.

Rodrigues complementa. “É uma fruta leve, com baixo teor calórico e rica em água e fibras. Essa composição a torna benéfica para a saciedade e a regulação intestinal, promovendo uma sensação de leveza”.

A pitaya pode ser incluída em diferentes planos alimentares, seja para quem busca emagrecimento, ganho de massa muscular, prevenção ou tratamento de doenças. Para Maria Luiza, consumidora fiel da família Brilhante, a fruta virou parte do cotidiano. Devido sua praticidade, a cliente faz questão de garantir seu estoque pessoal a cada nova safra.

“Eu nunca tinha comido pitaya antes, eu já tinha visto, mas eu fui comer primeiro as pitayas da Dona Ivanna, em 2023. Eu compro muitas pitayas para consumo próprio. Eu como elas o ano todo, só congelo, e faço suco ou shake, porque eu gosto do sabor, e ela faz muito bem ao meu intestino, é por isso que eu compro muitas”, diz Luiza.

E, assim como fez a diferença na trajetória da família Brilhante, a pitaya segue conquistando espaço e se popularizando entre os mais diversos públicos. Presente nas feiras, nas ruas e na mesa dos acreanos, a fruta deixa de ser vista apenas como exótica e passa a integrar o cotidiano, unindo saúde, sabor e fortalecimento da agricultura familiar.

Redação

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AMOR EM QUATRO PATAS

A adoção de pets como equilíbrio entre responsabilidade afetiva e social

Com 65 animais disponíveis no Centro de Controle de Zoonozes de Rio Branco, busca por novos lares para cães e gatos adultos visa combater o abandono

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Por Lis Gabriela e Rhawan Vital

O cenário no Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Rio Branco reforça uma triste realidade: muitas pessoas dão preferência à adoção de filhotes para serem seus novos pets, enquanto cães e gatos adultos enfrentam longos períodos de espera em canis e gatis. Além da questão afetiva, a adoção desses animais também pode ser considerada uma decisão que auxilia na saúde pública e no manejo populacional desses animais no ambiente urbano.

Nesse contexto, foram instituídos os CCZs, com o objetivo de focar na vigilância epidemiológica e no controle de doenças que podem ser transmitidas por animais ao ser humano, como raiva e leishmaniose, além de casos em que os animais apresentam risco aos tutores ou agressividade. Mas, apesar de sua função inicial, essas unidades se tornam lares temporários e, por muitas vezes, permanentes para diversos animais.

Cães e gatos adultos aguardam por uma nova chance de recomeço nos canis e gatis do Centro de Controle de Zoonoses de Rio Branco. Foto: Rhawan Vital

De acordo com o agente de Vigilância em Zoonoses, Joel Pereira, do Centro de Zoonoses de Rio Branco, a busca por outra condição de vida para os animais é um objetivo a ser atingido, seja em um lar ou um ambiente adequado, para que recebam o devido carinho. Os animais adultos, quando acolhidos, também proporcionam uma experiência única para o tutor. Além disso, a quebra do ciclo de abandono passa, obrigatoriamente, pela educação da sociedade e pelo reconhecimento do animal a ser adotado. Escolher um animal adulto é priorizar a consciência ao invés de uma fase momentânea com um pet.

Dessa forma, a cultura da adoção é um indicativo de maturidade social. Ao escolher adotar, as pessoas deixam de ser apenas espectadores do problema do abandono para se envolver de forma ativa na solução. “Ter um bicho de estimação é bom, porque você tem companhia sempre. Também te faz ter um senso de responsabilidade que não tinha antes. Pra mim, é uma companhia que nunca incomoda”, afirma Álvaro Bagnara, tutor dos gatos Cheddar e Grafite.

Além da vigilância em saúde pública, o CCZ também se torna lar temporário e, muitas vezes, permanente, para animais vítimas do abandono. Foto: Rhawan Vital

Álvaro conta sobre seus gatos: Grafite foi adotada ainda filhote, então passou por uma fase de criação e ensinamentos, desde o onde se alimentar à caixa de areia. Já Cheddar chegou um pouco mais tarde na família, já adulto e após ser abandonado pelos antigos tutores, mas mesmo assim não deixou de entregar amor. Em relação à adaptação, o tutor dos felinos conta que o tempo bastou para que houvesse um entendimento de que compartilhavam o mesmo lugar.

“No começo a Grafite brincava muito de perturbar o Cheddar, que sempre foi muito quieto e na paz. Com o passar do tempo, apesar do Cheddar continuar no seu cantinho, a Grafite entendeu que eles moravam juntos. Ela não deixou de perturbá-lo, mas o Cheddar começou a revidar. Essa foi a diferença com o passar do tempo” conta Álvaro, de forma animada.

Adoção responsável

O CCZ de Rio Branco conta com 65 animais disponíveis para adoção, sendo eles cães e gatos, filhotes e adultos. Entre eles estão: 40 cães adultos, oito filhotes, 11 gatos adultos e seis filhotes. Os animais são vacinados e têm carteirinhas próprias, prontos para que seus tutores acompanhem e cuidem de maneira adequada, de acordo com datas e mutirões de vacinação disponíveis no futuro.

A adoção responsável transforma realidades: para quem adota, nasce um vínculo; para quem é adotado, surge a oportunidade de um lar. Foto: Rhawan Vital

A adoção pode ser feita de segunda a sexta-feira, entre as 7h e as 17h, e necessita que o interessado tenha mais de 18 anos, apresente o documento oficial e assine o termo de adoção responsável, documento que valida a adoção e a responsabilidade do novo dono do pet.

Ao retirar um animal adulto de um centro, o cidadão contribui diretamente para a redução da superlotação (tanto das ruas, quanto dos abrigos e CCZs) e permite que o Estado e outros profissionais da área veterinária direcionam recursos para outras frentes de saúde e bem-estar animal. É importante ressaltar que a adoção é um ato de responsabilidade civil, e não deve ser confundida apenas com uma boa ação.

Redação

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ESTAMOS DE VOLTA

Jornal A Catraia volta a navegar em 2026 com Rio Acre no centro das histórias

O jornal-laboratório da Ufac chega à 21ª edição com proposta editorial e visual renovadas, mantendo as matérias cotidianas e adotando o Rio Acre como fio condutor das pautas especiais

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Por Diogo José 

A sociedade nasce da água, escorre, se junta e ganha forma. É por essas águas, que carregam histórias e sonhos, que a catraia transporta vozes, perguntas e sentidos. Com essa premissa, o jornal-laboratório A Catraia, do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), chega à sua 21ª edição, em 2026, marcando o retorno de um dos principais espaços de prática jornalística e formação de profissionais, agora com uma proposta editorial e visual renovadas.

Além das notícias cotidianas, chamadas de corriqueiras, a edição deste ano traz matérias especiais inspiradas no Rio Acre, elemento central da formação histórica, social, cultural e econômica do estado. O rio funciona como eixo temático que atravessa diferentes editorias, conectando pautas de política, cultura, meio ambiente, economia, esporte e sociedade, sem perder o compromisso com a notícia, a crítica e a escuta.

O Rio reúne atividades em seu entorno, como na imagem, onde um grupo se reúne para praticar capoeira. Foto: Wellington Vidal.

Presente há mais de duas décadas na disciplina de Jornal Laboratório, o jornal A Catraia acompanhou gerações de estudantes e funciona como um espaço fundamental de formação profissional. É ali que muitos alunos têm o primeiro contato direto com a rotina do jornalismo, vivenciando processos de apuração, entrevistas, produção de texto, edição e trabalho em equipe, experiências que, para parte da turma, ainda não haviam ocorrido no mercado profissional.

Para a professora da disciplina e coordenadora do jornal, Giselle Lucena, o retorno do projeto movimenta todo o curso. Segundo ela, o Jornal Laboratório concentra expectativas tanto de professores quanto de estudantes, justamente por refletir o percurso formativo vivido ao longo da graduação. 

“Tudo aquilo que os alunos aprenderam até aqui aparece nesse momento. O produto desenvolvido na disciplina acaba sendo um espelho do curso, com seus acertos, desafios e possibilidades”, afirma.

Giselle Lucena, professora da disciplina e coordenadora do jornal A Catraia. Foto: Arquivo pessoal.

Ela destaca que o espaço vai além da simulação do mercado. “Ao mesmo tempo em que buscamos reproduzir a dinâmica do mercado, o Jornal Laboratório também é um lugar de liberdade criativa. É o momento de experimentar formatos, propor outras narrativas e pensar novos modelos de jornalismo, algo que muitas vezes não foi possível em outras disciplinas”, completa.

A experiência prática também é percebida pelos estudantes envolvidos na produção. Para Wellington Vidal, repórter do A Catraia e, nesta edição, gestor de redes sociais, o jornal representa uma oportunidade de crescimento profissional e inovação. 

“Contar histórias de pessoas e lugares do nosso estado, sobretudo com o tema rio como eixo, que é algo que vivenciamos de perto todos os anos, é um desafio que torna-se enriquecedor no meu processo de formação e abrange ainda mais a diversificação da escrita”, afirma.

Wellington Vidal, repórter e gestor de redes sociais da 21ª edição do jornal A Catraia. Foto: Arquivo Pessoal.

Ele ressalta o investimento nas plataformas digitais. “A rede social é o elo que liga tudo, por meio dela a equipe está buscando inovar com produções de vídeos e web reportagens, além de trazer uma nova identidade visual pro jornal”, completa.

Essa renovação também se reflete na repaginação do site e na nova logo do jornal. A identidade visual aposta em traços mais crus, referências amazônicas e uma estética de caráter mais vanguardista, que dialoga diretamente com o território, o rio e a proposta editorial da edição. A mudança marca uma nova fase do jornal, sem romper com sua história.

Identidade visual da edição de 2026 do jornal A Catraia. Imagem: Diogo José.

Nesta edição, a proposta editorial também se materializa na organização das editorias, que passam a dialogar diretamente com o eixo do rio e seus significados:

Rio Acre como pauta

O doutor em Ciência Ambiental e professor do curso de Jornalismo da Ufac, Maurício Bittencourt, reforça que a escolha do Rio Acre como eixo central amplia o papel do jornalismo. Para ele, o rio é essencial para a identidade acreana e para a vida cotidiana da população. “O Rio Acre é fundamental para o transporte, a produção agrícola e o abastecimento de água. Milhares de pessoas dependem diretamente dele”, explica.

Segundo o professor, o jornalismo pode contribuir para uma cobertura que vá além dos períodos de cheia ou seca. “É preciso debater a preservação das nascentes, das matas ciliares e a responsabilidade das cidades em não poluir um manancial que abastece a população. O Rio Acre também é um rio internacional, o que amplia ainda mais os temas possíveis de abordagem, como fronteiras, entre outros”, destaca.

Assim, em 2026, A Catraia volta a navegar, levando informação à sociedade acreana, formando novos profissionais e acompanhando o fluxo do Rio Acre, como sempre foi: em movimento!

Redação

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