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A corrida pela aprovação
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Redação
Alta procura pelo curso de Medicina costuma exigir mais dedicação dos candidatos nas horas de preparação | Foto: Arquivo pessoal/Linda Vitória
A trajetória de estudantes que percorrem diferentes caminhos em busca do sonho de cursar medicina
Por Ana Luíza Bessa e Renato Menezes
Do ponto de partida até a linha de chegada ao ensino superior, a trajetória que milhões de estudantes percorrem para realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) visa um objetivo em comum: entrar no curso dos sonhos em uma universidade pública ou faculdade privada. De acordo com o Relatório Anual do Enem, somente no estado do Acre foram 40.674 inscrições realizadas em 2020 para tentar alcançar a meta de ingressar no ensino superior. Contudo, as dificuldades que a pandemia de Covid-19 trouxe no início desta década em todas as áreas da sociedade refletiram nos dois domingos de prova, sendo as datas realocadas para 17 e 24 de janeiro de 2021, por conta da crise de saúde pública que impede aglomerações.
Dos mais de 40 mil acreanos inscritos em 2020, somente 19.721 pessoas estiveram presentes no primeiro dia de aplicação do exame. No segundo dia, o número caiu para 18.389. Conclui-se que mais de 20 mil alunos deixaram de comparecer aos locais de aplicação para resolverem as questões de Ciências Humanas, Linguagens e Redação. No segundo dia, mais 1.332 estudantes não fizeram a segunda etapa, que continha questões de Ciências da Natureza e Matemática. Vale lembrar que se o candidato não se faz presente nos dois dias, a desclassificação é automática, uma vez que o quadro de notas não ficará completo. Isso impede a inscrição nos programas de acesso ao ensino superior como o Sistema de Seleção Unificada (SiSU), Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Nesta pista de corrida, mais da metade dos acreanos ficaram pelo caminho.
Os motivos foram vários. Alguns contraíram a Covid, outros chegaram atrasados, outros nem sequer conseguiram chegar nos locais de prova em decorrência de problemas pontuais ou de deslocamento. Estes foram eliminados e não tiveram a chance de fazer a prova que define quem entra e quem tem que voltar a tentar no ano seguinte, mesmo que tenham estudado muito para isso.
Este foi o caso das estudantes Andressa Mendes, de 22 anos, e de Linda Vitória Coutinho, de 20 anos. Apesar de terem feito a prova em 2020, ambas não foram aprovadas para o curso de Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac). Então, seguem estudando para alcançar a vaga na graduação pretendida. A caminhada de ambas não começou no ano passado.
A TRAJETÓRIA DE ANDRESSA
Se preparando desde 2016, quando estava no 3º ano do ensino médio, Andressa tentou no ano em questão, nos seguintes e segue estudando para fazer a edição de 2021, que acontecerá nos dias 21 e 28 de novembro. Quem olha para tantas tentativas pode até imaginar que ela perdeu tempo demais ou que poderia ter feito outra graduação. No entanto, ela conta que não sente que está ficando para trás. Muito pelo contrário, considera que está evoluindo a cada ano em prol do objetivo que traçou desde que compreendeu que seu destino era cuidar de gente, aos 13 anos. “A cada ano tenho evoluído, devagar, uma hora eu vou chegar lá. Já estive mais distante, mas creio que tô chegando perto”, falou.
Ela fez um ano de cursinho público (2016), três anos de cursinho particular (2017, 2018 e 2019) e quase dois (2020 e 2021) em modalidade de Ensino à Distância (EaD), devido à pandemia. No primeiro ano que prestou o exame, tinha uma jornada tripla: trabalhava de manhã ajudando a mãe, que é diarista, ia para a escola à tarde e ao cursinho de noite. Quando terminou o ensino médio, começou a se dedicar mais ao Enem, tentando conciliar trabalho e estudo preparatório.
“Eu sempre trabalhei desde o ensino médio. Antes era bem mais difícil, porque eu tinha que trabalhar de manhã, estudar de tarde e fazer cursinho de noite. Quando terminei o ensino médio, fiquei só trabalhando e estudando para o Enem, mas ainda assim não deixou de ser difícil. O bom é que eu não tinha mais a obrigação de ir para a escola e ainda pegar ônibus, me deslocar e me estressar – porque esses ônibus daqui não são fáceis. Mas aí, quando me formei, ficou um pouco mais flexível pra trabalhar e estudar. O cursinho, querendo ou não, é algo mais liberal”, disse.
“É PUXADO”
Esta rotina dupla ainda perdura. Ela continua acompanhando e realizando as faxinas diárias com a dona Rosilene Mendes, de segunda a sexta-feira, para prover o sustento da casa e custear os estudos. Ela considera a rotina puxada. “Minha mãe é faxineira, diarista, e eu vou ajudar ela. Então, não é aquela coisa de todo dia você estar naquele mesmo canto. Aí tem gente que bagunça muito, tem outros que fazem as coisas mais direitinho. Geralmente é só um turno, mas tem dias que a gente faz dois, e aí eu tenho que dar um jeito de conciliar e acabo estudando só à noite”, comentou.
Com o dinheiro das faxinas, Andressa e a mãe conseguiram pagar o cursinho presencial durante três anos, com mensalidade de R$800 na época, e apostilas no valor de R$2 mil que se renovam a cada ano. De manhã, ia para as casas de família; de tarde, para o cursinho; e de noite, mantinha os estudos. Oriunda de escola pública, ela também contou que no próprio pré-Enem fica perceptível a diferença de ensino entre o público e o particular.
“O cursinho que eu fazia era o melhor do Acre. Tinha gente de todas as classes, de todos os níveis e a maioria da sala, tipo 90%, querendo fazer medicina. E quando você chega lá, e você é de escola pública, é possível ver uma diferença discrepante comparando com estudantes de escola privada. Tem coisas que eu ficava ‘meu Deus, eu nunca vi isso na minha vida!’ Mas aí, depois, com muita dificuldade, a gente vai se acostumando”.
COMPARATIVO ENTRE AS ESCOLAS DO
A média de notas das escolas no Enem reflete esta discrepância no ensino. De acordo com uma pesquisa nacional realizada pela empresa de tecnologia ZBS com os resultados do Enem 2019, as maiores médias do exame no Acre se concentram em instituições de ensino privadas. No top 10, somente duas não são deste nicho.
Neste estudo com 5.318 participantes do Acre, a média de notas de alunos de escola pública é de 461,56. A de ensino privado, por sua vez, é de 572,09, sendo que 13,33% destes alunos têm renda média mensal bruta de R$11,9 mil a R$14,9 mil.
Com relação aos que estudaram em escola pública, o maior grupo socioeconômico é composto de participantes que possuem renda de até 1 (um) salário mínimo.

Não há dúvidas que essas diferenças foram ainda mais acentuadas durante a pandemia. Estudos realizados pela Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostram que há desigualdade quando o assunto é internet: 98,4% dos estudantes da rede privada tiveram acesso à rede e este percentual entre os estudantes da rede pública de ensino foi de 83,7%.

Estas disparidades refletem na qualidade de ensino e no desempenho dos alunos no Enem. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2018, apenas 36% dos alunos da rede pública ingressaram na graduação (pública ou privada). Para os da rede privada, o índice registrou 79,2%.

“TEM DIAS QUE O CANSAÇO VENCE A GENTE”
Sobre isto, Andressa destacou que é inevitável a diferença de notas quando se equipara os resultados do Enem de pessoas que vêm de ensino público com os que estudaram em escola particular, principalmente àqueles que não precisam trabalhar e, consequentemente, têm mais tempo de dedicação exclusiva ao estudo. “Uma pessoa que não tem tantos recursos acaba se preocupando bem mais com coisas do tipo ‘como é que vou pagar meu estudo, cursinho e material?’. Querendo ou não, às vezes só o cursinho online não é suficiente. Tem algumas coisas que você tem que pagar um pouco mais caro para ter algo mais individualizado”.
Estes esforços se justificam ao analisar o último relatório anual da Ufac. O “Ufac em Números 2019” mostra que mesmo com a aprovação, em 2018, da cota regional que prioriza alunos que concluíram o ensino médio no estado, a relação candidato/vaga no curso de medicina ainda é alta. Em 2018, foram 17.643 inscritos e 220,54 candidatos por vaga. Em 2019, foram 7.775 candidatos e 97,19 concorrentes para cada vaga, o que ainda configura a maior média entre os cursos, apesar da queda significativa. Anualmente, a universidade oferta 80 vagas distribuídas em duas turmas de 40 alunos nas duas edições do Sisu.
Atualmente, Andressa se prepara com os recursos on-line que tem ao alcance, tanto em decorrência da pandemia, como por questões financeiras. No entanto, afirma que se acostumou a estudar sozinha, mesmo ciente de que requer mais esforço por parte de quem estuda. “No começo (da pandemia) foi bem difícil. Eu não estava acostumada a estudar online porque tinha aquela rotina de estar todo dia no cursinho com os professores para me auxiliar. Depois me adaptei e comecei até a gostar, pois vi que eu podia fazer aquilo, já que antes eu me prendia demais naquele negócio de ter que estar com um tutor ao meu lado”.
No início das restrições, ela e a mãe ficaram sem trabalhar por 2 meses. Agora, ela retomou o trabalho no turno matutino de segunda a sexta-feira e, eventualmente, alguns dias de tarde. Ao chegar em casa, descansa por alguns minutos e tenta focar no estudo, mesmo às vezes exausta do trabalho. E como faz para manter o foco? “Eu tento, mas tem dias que o cansaço vence a gente. Mas aí depois de um banho quente, a gente pensa melhor”.
NA HORA DE TENTAR A VAGA…
Como todo “enembulando”, o nervosismo para verificar a nota e aplicá-la no sistema é inevitável, justamente porque passou o ano inteiro se preparando. Porém, ela sempre tentou tirar uma vantagem diante das tentativas em passar para Medicina, principalmente para ficar motivada em continuar persistindo. “Nos primeiros anos eu me desesperava, mas aí depois eu comecei a tirar proveito disso e me manter mais focada nas disciplinas que eu vi que tinha um desempenho menor.
“TENHO QUE PROSSEGUIR, NÉ?!”
Sobre resultados, ela chegou a passar para Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e relatou que, inicialmente, ficou com vontade de adiar o sonho de ser médica. “No Enem de 2019 eu passei para Direito na Unemat e fiquei com vontade de ir, mas aí conversei com algumas pessoas que estavam se formando no curso de Medicina e que me orientaram a seguir meu coração. E se eu estava há todos esses anos estudando por uma coisa que eu sonho, eu tenho que prosseguir, né? Por mais que demore. Depois de pensar bem, vi que (Direito) não tinha nada a ver comigo”.
A TRAJETÓRIA DE LINDA VITÓRIA
A estudante Linda Vitória Coutinho, de 20 anos, também estuda para entrar no curso de Medicina. Oriunda de escola particular, concluiu o ensino médio em 2017. No ano seguinte, ingressou em um cursinho pré-vestibular pago. Desde então, foca em passar na federal. A rotina dela é totalmente focada nos estudos, com média de 9 horas de dedicação integral.
Linda mora com os pais e possui um local próprio e silencioso para os estudos. “Eu estudo no meu quarto. A maior parte do tempo eu fico em silêncio, tenho mesa, ar-condicionado, ventilador, material e internet. Tenho todo o tempo para estudar e sei que sou bem privilegiada por conta disso, pois tenho apoio dos meus pais”, disse.
Ela começa indo para o pré-Enem às 8h com mensalidade de R$900 e material anual de R$2mil, parando somente ao meio-dia para almoçar em casa. Depois disso, descansa até às 14h e segue estudando até às 20h. Aos finais de semana, Linda paga um valor extra para receber uma correção detalhada de simulados particulares online que costuma fazer no sábado, baseada no sistema de Teoria de Resposta ao Item (TRI). Além disso, assina mais cursos online de resolução de questões que mostram a porcentagem de desempenho diário e faz aulas extras de matérias isoladas.
Com isto, a estudante considera que tem bastante sorte em poder focar somente nos estudos. Ela comentou também que vê muitas pessoas que conciliam outros afazeres enquanto tentam ingressar na universidade. “Durante a trajetória de estudos, vi que na sala do pré-Enem tinha muita gente que só estudava, mas esse ano tem uma galera que estuda e ajuda em casa ou trabalha. Em 2020, teve um policial aprovado que trabalhava de madrugada e ia pra aula no outro dia. Me considero privilegiada, pois já é difícil passar assim, com todo esse apoio que eu tenho para estudar, então imagina se preocupar por dois, em estudar e trabalhar?!”, completou.
FATOR EMOCIONAL
Independente do perfil estudantil, o equilíbrio emocional dos estudantes é um fator muito importante para um bom desempenho na hora da prova. A pressão neste processo de estudo gera ansiedade e o desgaste mental é muito frequente. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Programa de Avaliação Internacional de Estudantes 2018, por exemplo, 56% dos jovens brasileiros sofrem com estresse. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com mais de 18 milhões de pessoas nestas condições.
Linda é uma das estudantes que costuma ficar insegura na hora da prova. Ela ainda não foi a um psicólogo, mas está procurando, pois sabe que o controle emocional conta bastante nos dias de prova do Enem.
“Esse ano fui fazer a prova com a consciência de que eu tinha estudado, de que sabia o conteúdo, mas no fim das contas eu errei por falta de calma. Talvez com cinco segundos a mais de atenção eu poderia ter resolvido as questões que errei, e essas eram as que eu precisava pra passar. Isso afetou demais a minha ansiedade”, disse.
“NINGUÉM VAI TOMAR ISSO DE MIM”
Linda sabe que tem potencial para passar. “A falta de confiança é constante, pois é uma prova que reflete um ano de dedicação. O cursinho, por exemplo, é um ambiente de muita rivalidade. Mas tenho consciência de que eu sou capaz de conquistar minha vaga e de dar o meu melhor. Ninguém tira vaga de ninguém, e ninguém vai tomar isso de mim”.
Andressa também acredita que uma hora essa conquista vai chegar para ela. “Acredito que cada pessoa tem seu momento. Às vezes você quer tanto uma coisa, mas emocionalmente não está preparado, e eu acho que o Enem, por mais duro que seja, ele nos prepara para desafios maiores. A esperança é a última que morre para mim”.
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Amor pelo crochê: estudante acreana conquista próprio negócio e garante permanência na universidade
Ao apostar em uma arte milenar que se tornou tendência de moda no Brasil, Kawanny Santos encontrou uma nova fonte de renda
Publicado há
1 semana atrásem
2 de junho de 2026por
Redação
Por Felipe Souza
Arte milenar de origem incerta, o crochê atravessou séculos, culturas e continentes até se consolidar como uma das principais tendências da moda em 2025. A técnica artesanal carrega histórias, tradições e conhecimentos transmitidos de geração em geração, tornando-se um verdadeiro patrimônio da moda brasileira e da identidade cultural do país.
Embora não haja consenso sobre o surgimento do crochê, historiadores apontam que a prática acompanha a humanidade há milhares de anos. Uma das teorias mais aceitas indica que a técnica, em formato semelhante ao conhecido atualmente, teve origem na Arábia, no Oriente Médio, por volta do século XVI, espalhando-se pelo mundo por meio das rotas comerciais do Mediterrâneo até alcançar diferentes povos e culturas.
No Acre, essa arte manual tem ganhado um significado ainda mais especial. O crochê se tornou uma importante fonte de renda para centenas de mulheres que encontraram no artesanato uma oportunidade de empreender e conquistar independência financeira.
Entre elas está Kawanny Santos, de 20 anos. Apaixonada pelo crochê desde a infância, a jovem transformou a habilidade aprendida ainda na adolescência em um negócio próprio. Hoje, a produção e venda das peças artesanais ajudam a custear seus estudos e representam uma ferramenta importante para a realização do sonho de concluir uma graduação.

Estudante de Psicologia na Universidade Federal do Acre (Ufac), Kawanny explica que, na infância, observava a mãe, artista, fazer crochê, costurar e pintar. Durante a pandemia de Covid-19, a então adolescente decidiu se arriscar e aprender a técnica, dando os primeiros passos no artesanato.
“Era só um hobby, mas ele se misturou à vontade que eu tinha de produzir roupas. Desde criança, eu desenhava. Imaginava que iria aprender a costurar, mas acabei aprendendo crochê e comecei a desenhar e produzir minhas próprias peças. Foi uma mistura de tudo. Tinha 14 anos quando comecei”, contou.
Vestidos, biquínis, blusas, tops e croppeds estão entre as peças confeccionadas por Kawanny em sua marca, a Cacau Crochê. Cada criação é produzida de forma artesanal e personalizada, com modelos desenvolvidos sob encomenda e adaptados às preferências e estilo de cada cliente. Para a empreendedora, o objetivo é oferecer peças únicas.

“Depende do que a cliente me pede. Isso é algo muito legal, porque, na minha loja, normalmente desenvolvo as peças junto com a cliente. Ela me envia várias referências e, juntas, vamos criando algo único”, afirmou.
Empreender e estudar
Conciliar trabalho e estudos faz parte da rotina de milhares de mulheres brasileiras que buscam na educação uma oportunidade de transformar suas vidas. Diante dos desafios financeiros e da necessidade de custear despesas pessoais, muitas estudantes encontram no empreendedorismo uma alternativa para garantir renda sem abrir mão da formação acadêmica.
Kawanny Santos é uma delas. A estudante precisou transformar o que antes era apenas um hobby em uma fonte de renda. Como o curso de Psicologia na Ufac é ofertado em período integral, a jovem encontrou no crochê uma forma de garantir sua permanência na universidade e arcar com os custos da graduação.
“Minha faculdade é integral e estou naquela fase em que tudo está ficando mais complexo. O crochê, para mim, é uma fonte de renda. As vendas praticamente têm me sustentado durante a faculdade, porque eu não recebo bolsa de incentivo”, salientou.

Kawanny revela ainda que as dificuldades financeiras e a carga intensa do curso já a fizeram cogitar interromper a formação para trabalhar. “Quando comecei a fazer crochê, era apenas um dinheiro extra, mas hoje ele é o que me permite permanecer na faculdade. É a minha autonomia financeira até que eu possa me formar.”
“Atualmente, com o crochê, consigo pagar o restaurante universitário, o ônibus, os livros e outras despesas.”
Conforme enfatiza, ela aproveita cada momento livre para produzir suas peças. Entre uma aula e outra, durante os trajetos de ônibus e até no horário de almoço, o crochê está presente em sua rotina diária, dividindo espaço com as demandas da graduação.

Artesanato como refúgio
A relação entre arte e saúde mental ganhou destaque no Brasil graças ao trabalho pioneiro da psiquiatra Nise da Silveira. Reconhecida por revolucionar o tratamento psiquiátrico no país, ela rompeu com práticas consideradas agressivas à época e passou a utilizar atividades artísticas como forma de expressão e cuidado dos pacientes.
Por ser da área da psicologia, Kawanny Santos enxerga essa conexão entre arte e saúde mental também em sua própria trajetória. Entre linhas, agulhas e pontos, a artesã encontrou uma forma de aliviar a ansiedade, organizar os pensamentos e lidar com os desafios do dia a dia, transformando o artesanato em um verdadeiro refúgio emocional.

“O crochê é algo que realmente acalma. É uma terapia. Mesmo que não me proporcionasse retorno financeiro, ele traz diversos outros benefícios, estimula a criatividade e faz a mente trabalhar. Como futura psicóloga, reconheço a importância da arte e gostaria de ensinar outras pessoas a trabalhar com isso”, ponderou.
Kawanny também ressaltou que, mesmo após concluir a graduação, pretende continuar se dedicando à produção de peças em crochê. “Acredito que estará presente na minha vida para sempre. Provavelmente será algo desafiador, mas, se eu puder, vou continuar e tentar conciliar as duas atividades.”

Mulheres que fortalecem mulheres
No universo do empreendedorismo feminino, o apoio entre mulheres tem se consolidado como uma ferramenta essencial para o fortalecimento de negócios e para a superação de desafios comuns enfrentados pelas empreendedoras. Essa união se manifesta de diferentes formas, seja por meio da indicação de serviços, da divulgação de produtos e da troca de conhecimentos.
Porém, a decisão de consumir produtos e contratar serviços de outras mulheres também desempenha um papel fundamental no apoio a esses negócios. Cada compra representa um incentivo direto para que possam ampliar suas atividades e gerar renda.
A jornalista Emilly Souza está entre as consumidoras que fazem questão de apoiar o empreendedorismo feito por mãos femininas, priorizando peças e criações desenvolvidas por mulheres. Apaixonada por moda e sempre atenta às tendências, ela destaca que valoriza a exclusividade e a identidade presentes em produtos feitos à mão.
“É único. Então, valorizo essa exclusividade de algo pensado para você e feito sob medida, além da qualidade e da dedicação das artesãs ao manusearem e produzirem uma peça linda”, afirmou a jornalista.

Emilly salienta ainda que admira o artesanato desde a infância, já que o crochê sempre esteve presente em sua vida por influência da tia, que produzia peças decorativas, como conjuntos para banheiro e tapetes para a casa.
“Nos meus 15 anos, ela me deu um tapete bem grande, com vários tons de rosa e roxo, que tenho até hoje. Como sempre achei o crochê muito bonito e delicado, adoro usar roupas e acessórios feitos com esse material. Considero um diferencial de estilo nos looks”, contou Emilly.
A jornalista complementa afirmando que faz questão de valorizar o trabalho e a dedicação dessas artesãs, pois reconhece o cuidado empregado em cada peça e a durabilidade dos produtos feitos à mãos.
“Ao comprar, sinto que estimulo a continuarem trabalhando com isso.”
Durante um mochilão pela Tailândia, em 2025, Emilly priorizou peças mais leves e confortáveis devido ao clima quente do país. Para compor os looks da viagem, ela apostou não apenas em roupas de crochê, mas também em acessórios que fizeram a diferença nas produções.
“Eu precisava levar poucas peças de roupa e pensei no crochê como um elemento que faria total diferença em um look mais básico. Os acessórios seriam o destaque e, além disso, combinam super com o clima de verão, por serem mais frescos”, frisou.

Empreendedorismo feminino do Acre
Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que, no Acre, o número de mulheres à frente de negócios corresponde a cerca de 25% do total de empreendedores, uma das maiores proporções da Região Norte. O dado demonstra que, cada vez mais, elas têm buscado no próprio negócio uma forma de gerar renda e realizar sonhos.
Segundo Kethleen Diniz, gestora do programa Sebrae Delas, muitas começaram empreender por necessidade, mas hoje também enxergam como oportunidade de crescimento e protagonismo, principalmente nas áreas de beleza, alimentação, artesanato, moda e serviços digitais.
“Cada mulher que empreende gera renda em casa e fortalece não só a própria família, mas também movimenta a economia local e inspira outras mulheres. O Sebrae acompanha esse cenário de perto e entende que apoiar essas empreendedoras é investir no futuro”, declarou a gestora.

O perfil das mulheres que empreendem no Acre é bastante diverso. De acordo com o Sebrae, há uma presença cada vez mais forte de empreendedoras que ingressam no mercado com uma visão inovadora, atentas às novas tendências e às oportunidades oferecidas pelo ambiente digital.
“O crescimento entre as jovens é cada vez mais visível. Muitas já começam cedo, usando as redes sociais, criando marcas próprias e transformando hobbies e talentos em fonte de renda. É um movimento que mostra mais protagonismo, criatividade e confiança das mulheres no ambiente de negócios”, ressaltou Kethleen.
“É só acreditar que dá certo”
Assim como milhares de estudantes da Universidade Federal do Acre, Kawanny Santos precisou se reinventar para garantir sua permanência no ensino superior. Diante dos desafios e da rotina intensa da graduação, a jovem transformou uma paixão em fonte de renda capaz de sustentar seus estudos.

Hoje, ao olhar para a própria trajetória, ela acredita que o empreendedorismo pode abrir caminhos para outras mulheres e deixa uma mensagem de incentivo para aquelas que sonham em iniciar o próprio negócio, mas ainda não encontraram coragem para dar o primeiro passo.
“Eu também já fui uma jovem que, no início da faculdade, pensou em trancar o curso. Empreender é muito incerto, mas, quando colocamos a nossa identidade no que fazemos, as coisas tendem a funcionar. Estamos em um momento em que as mulheres precisam ter autonomia financeira. É importante que nós, especialmente as mulheres LGBTQIAPN+, busquemos nossa independência e não fiquemos em situação de vulnerabilidade. É só acreditar que dá certo”, finalizou.
ESTAMOS DE VOLTA
A Catraia celebra 21 anos e resgata memórias de ex-integrantes
O jornal A Catraia conversou com a ex-estudante de jornalismo, Adrielle Farias, que atua como repórter do jornal Estadão em São Paulo
Publicado há
2 meses atrásem
3 de abril de 2026por
Redação
Por Danniely Avilis e Isabelle Magalhães
Ao completar 21 anos de existência, A Catraia entra em um ano especial, que retoma a própria história por meio de relato da ex-integrante. A proposta é revisitar memórias, experiências acadêmicas e trajetórias profissionais que começaram ainda na graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Mais do que relembrar capas ou reportagens antigas, a equipe da A Catraia conversou com Adrielle Farias sobre o período em que era estudante e os primeiros passos na profissão. Adrielle que atuou como editora-chefe do jornal em 2018, ano que define como um dos mais intensos da formação acadêmica.

Foto: Instagram @adriellefarias
Escolha profissional e descoberta no curso
A decisão de cursar Jornalismo não foi imediata. Ainda na escola, Adrielle dividia interesses entre áreas criativas como audiovisual, escrita e comunicação.
“A gente nunca entra na faculdade totalmente sem dúvida, né? Eu gostava de muitas coisas”, afirma Adrielle.
Sem conhecer profundamente o curso da Ufac, ela se inscreveu e, somente após o ingresso, passou a pesquisar sobre professores, disciplinas e possibilidades profissionais. A identificação com a área ocorreu já durante a graduação.
“Eu só entendi que era aquilo que eu queria quando comecei a estudar, ver as matérias. Eu ficava ansiosa para acompanhar a grade curricular”, conta a jornalista.

“Meu pai sempre dizia que eu agarro o mundo com as pernas. Eu queria participar de tudo”, diz Adrielle Farias. Foto: cedida
Rotina intensa e desafios
Durante o curso, a participação nas disciplinas não foi suficiente. Adrielle também esteve envolvida em mostras acadêmicas, eventos e projetos extracurriculares, tendo A Catraia como principal espaço de atuação.
O fato de o curso ser noturno possibilitava trabalhar e estagiar durante o dia, realidade compartilhada por muitos estudantes. A conciliação das atividades, no entanto, trouxe desafios.
A sobrecarga resultou em ansiedade e na necessidade de aprender a administrar o tempo, habilidade que, segundo ela, não costuma aparecer formalmente na grade curricular. Ainda assim, considera que foi nesse período de intensidade que surgiram aprendizados decisivos.
Entre as experiências no jornal, uma reportagem sobre cinema ganhou destaque na trajetória profissional de Adrielle. O tema, que sempre esteve entre seus interesses pessoais, acabou influenciando também a escolha do Trabalho de Conclusão de Curso.
“Eu fui falar sobre cinema, que sempre foi algo de que eu gostei muito e ainda gosto. Inclusive, acho que isso acabou influenciando um pouco a escolha do meu TCC. Eu também usava isso como portfólio, para mostrar meu trabalho; quando me inscrevi para o treininho do Estadão, por exemplo, utilizei esse material como parte do portfólio”, conta a profissional.
Segundo ela, a experiência no jornal contribuiu para a conquista do atual emprego como repórter no Estadão.

Participação de Adrielle Faria no Intercom. Foto: cedida
Trabalho em equipe
Ao relembrar a atuação como editora-chefe, Adrielle destaca o papel do trabalho coletivo no exercício da profissão e orienta como dica para futuros jornalistas que ainda não atuam na profissão.
“O trabalho em equipe é essencial no jornalismo, porque ninguém faz um jornal sozinho. Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito, saber se comunicar e manter o diálogo, para que todos trabalhem pelo mesmo objetivo sem conflitos”, finaliza Adrielle.

“Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito”, afirma a profissional. Foto: cedida
Especiais
Rio cheio e políticas vazias
Mudanças climáticas, cheias históricas e a fragilidade das políticas públicas que agravam a situação do Rio Acre
Publicado há
2 meses atrásem
2 de abril de 2026por
Redação
Por Aniely Cordeiro e Maria Eduarda Ruiz
O Rio Acre, que nasce no Peru e atravessa municípios acreanos de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia, Xapuri, Rio Branco, Capixaba, Senador Guiomard e Porto Acre, é um dos principais responsáveis pelo abastecimento e pelo sustento de milhares de famílias no estado. No entanto, ao longo dos últimos anos, o manancial tem enfrentado transformações profundas, impulsionadas pelas mudanças climáticas, pelo desmatamento e pela fragilidade das políticas públicas ambientais.
Essas mudanças se refletem tanto nos períodos de cheia quanto nos de seca extrema, que têm se tornado cada vez mais frequentes, afetando diretamente comunidades ribeirinhas e bairros urbanos situados em áreas de risco da capital acreana
Segundo Victor Manoel, do Comitê Chico Mendes, Rio Branco possui um plano de contingência estruturado contra enchentes, algo inexistente até mesmo nas maiores capitais do país brasileiras. Ainda assim, o problema persiste.
“Rio Branco tem um plano de contingência contra enchentes. Esse estudo já foi feito. O que falta, na verdade, é prioridade. Falta uma leitura do material que já existe. A gente vive em um mandato político onde se prioriza muito mais a infraestrutura urbana”, avalia.
Manoel explica que, embora o poder público não tenha controle sobre o clima ou as chuvas, é responsável por não desenvolver ações que reduzem o impacto das cheias. “A prefeitura não controla a chuva nem as mudanças climáticas, mas é totalmente responsável por políticas públicas que mitiguem os impactos dessas mudanças na população e na própria máquina estatal”, completa.
Cheias atípicas e extremos cada vez mais frequentes
Em dezembro de 2025, o Rio Acre registrou uma cheia considerada atípica. De acordo com a Defesa Civil Municipal, foram acumulados 561,6 milímetros de chuva, o que representa 97% acima do esperado para todo o mês, um volume que não era observado havia pelo menos uma década.
O coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Cláudio Falcão, explica que o comportamento do rio é marcado por variações extremas de vazão
“Quando o Rio Acre está abaixo de 11 metros, a vazão chega a cerca de 1 milhão e 100 mil litros de água por segundo. No outro extremo, essa vazão pode cair para cerca de 25 mil litros por segundo. A diferença é muito grande”, explica.

Foto: cedida.
Segundo ele, parte desse comportamento se deve às características naturais do rio. “O Rio Acre é um rio novo, ainda em formação, e por isso muda o curso de vez em quando”, afirma.
Desmatamento e perda da mata ciliar agravam o problema
Além das características naturais, questões ambientais agravam a situação. Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) publicado no site InfoAmazonia aponta que o Rio Acre perdeu cerca de 40% da sua mata ciliar ao longo de 55 anos, equivalente a aproximadamente 4,5 mil hectares de vegetação nativa degradada, de um total original estimado em 11,6 mil hectares.
A mata ciliar é fundamental para a regulação do rio por ajudar a conter a erosão das margens, reduz o assoreamento e permite que a água seja absorvida e liberada gradualmente.
“Ao longo do Rio Acre há muito assoreamento e desmatamento das margens. Com isso, o rio não consegue manter o nível da mesma maneira. Quando a água chega, chega de uma vez só”, explica o coronel Falcão.
Ele destaca o papel da floresta na regulação dos extremos hídrico: “A floresta segura a água no período de cheia e vai soltando aos poucos durante a seca. Além disso, evita o desbarrancamento e o aceleramento do rio. Se tivéssemos a floresta preservada ao longo do rio, não teríamos extremos tão intensos”, afirma
A vida em áreas vulneráveis: relatos de quem convive com o rio
No bairro Cidade Nova, em Rio Branco, as moradoras Vitória Yasmin, de 23 anos, e Alderina Costa, de 65, relatam as dificuldades enfrentadas durante os períodos de cheia do Rio Acre, fenômeno que se repete ano após ano e afeta diretamente a rotina de quem vive em áreas consideradas vulneráveis.
“Quando começa a encher, a gente já levanta tudo. A água é contaminada por causa do esgoto. Eu preciso ir para a casa da minha avó. Em 2015, a água chegou a subir pela parede”, conta Vitória.
Alderina relembra que, diante da recorrência das enchentes, a família precisou investir por conta própria para reduzir os riscos. Sem apoio financeiro do poder público, a solução encontrada foi adaptar a própria estrutura da casa.
“A água entrou bem aqui. Em 2015, na época, não tinha esse apartamento alto. Então a gente fez um segundo andar para ficar lá em cima quando alaga”, relata.
Segundo Alderina, a decisão de construir um segundo pavimento veio do desejo de permanecer no local onde sempre viveu. Para ela, sair da própria moradia e ser levada para abrigos distantes é uma alternativa que muitos moradores não querem enfrentar. Destaca, ainda, que não vê possibilidade de deixar a casa, pois não teria para onde ir: “Se eu pedir 100 mil, aqui na minha casa, eu não vendo. Entendeu? E se eu pedir menos de 50 mil, eu vou comprar outra onde?”, questiona.
Ela defende que o governo ofereça apoio financeiro para que as famílias possam adaptar suas casas com segurança, evitando o deslocamento forçado durante as cheias. Para Alderina, a permanência no território também representa dignidade, pertencimento e menor desgaste emocional.
As adaptações feitas pelas famílias evidenciam como a responsabilidade de lidar com os impactos das cheias acaba sendo transferida do poder público para os próprios moradores. Embora existam políticas públicas voltadas à prevenção de desastres, ainda há um hiato significativo entre o que está previsto no papel e o que, de fato, é executado.
Além disso, moradores que vivem em áreas de risco defendem que as soluções não se limitem apenas à retirada compulsória das famílias de suas casas. Para eles, é fundamental que haja diálogo, escuta e participação das comunidades diretamente afetadas, por meio de audiências públicas e espaços de debate que considerem suas realidades e necessidades. Essas populações não são culpadas pelos desastres recorrentes e precisam ser incluídas na construção das soluções.
As estratégias adotadas por famílias como a de Alderina revelam não apenas a precariedade das políticas habitacionais em áreas vulneráveis, mas também a criatividade, a resistência e a determinação de quem convive há décadas com o avanço das águas.
Diante da ausência de respostas efetivas, são os próprios moradores que buscam alternativas para proteger suas famílias e preservar o vínculo com o território onde construíram suas histórias.
Apesar do cenário preocupante, existem iniciativas públicas voltadas à prevenção e à recuperação ambiental. Em Rio Branco, foi instituído o Plano Municipal de Prevenção e Combate às Enchentes, que prevê ações como o mapeamento de áreas de risco, recuperação de áreas degradadas, melhorias na drenagem urbana e educação ambiental. No entanto, grande parte dessas medidas ainda depende de orçamento, continuidade administrativa e prioridade política.
No campo ambiental, o Governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco firmaram um acordo de cooperação técnica para fortalecer ações de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Em 2025, por exemplo, mais de 400 mudas de espécies nativas foram plantadas em áreas de preservação permanente às margens do Rio Acre, como tentativa de conter a erosão do solo.
O estado também conta com iniciativas como o Viveiro da Floresta, em Rio Branco, responsável pela produção de mudas destinadas à recuperação de áreas degradadas e de matas ciliares em diferentes regiões do Acre. Apesar disso, estudos científicos, avaliam que as ações ainda avançam em ritmo lento diante da dimensão do problema e da frequência cada vez maior das cheias.
Limites orçamentários e desafios estruturais
De acordo com o coronel Falcão, outro entrave importante é a limitação de recursos e a complexidade das soluções necessárias.
“Não existe solução simples. Algumas ações envolvem diplomacia entre países, porque o rio nasce no Peru, e outras dependem de recursos que a Defesa Civil não tem para atender todos os problemas ao mesmo tempo”, afirma.
Ele explica que mudanças estruturais no comportamento do rio demandam tempo. “Nada pode ser mudado em menos de 10 anos. Qualquer ação que a gente faça agora não muda o cenário do Rio Acre em curto prazo”, ressalta.
O futuro do Rio Acre
O coordenador da Defesa Civil alerta ainda para projeções preocupantes. Segundo ele, o climatólogo Carlos Nobre prevê um cenário crítico para o Rio Acre até 2032, caso o modelo atual de ocupação e degradação ambiental continue.
“A gente pode enfrentar uma seca tão severa que o rio pode praticamente parar de correr, como diziam nossos antepassados”, alerta.
O problema é recorrente, que se repete ano após ano, a situação do Rio Acre evidencia que, mais do que planos e ações emergenciais, são necessárias políticas públicas transparentes, contínuas e preventivas, capazes de articular preservação ambiental, planejamento urbano e proteção social. Sem isso, moradores continuarão convivendo com cheias, secas e a incerteza de um rio cada vez mais imprevisível.
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