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Ciclismo no Acre e a epidemia das bicicletas

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Acreanos viram no ciclismo a oportunidade de desenvolver um hobby e de, posteriormente, participar de competições | Foto: Reprodução/Ana Paula Jansen

Com o crescente aumento no número de bikes em decorrência das circunstâncias pandêmicas, ciclistas amadores e profissionais explicam, neste dia do ciclista, como surgiu o amor pela pedalada que conquista simpatizantes a cada dia

Por Ana Luíza Bessa e Renato Menezes

Seja por necessidade, prática esportiva ou hobby, o ciclismo está conquistando novos adeptos a cada dia que passa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um a cada três brasileiros possui uma bicicleta, e isto ficou ainda mais evidente com a pandemia de Covid-19, quando as pessoas começaram a notar, de forma mais assídua, a quantidade de ciclistas que vêm dominando ruas e ciclovias do Acre.

A prova de que a aquisição de bikes vem crescendo de forma avassaladora pode ser confirmada a partir de um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo concluiu que, atualmente, são 50 milhões de bicicletas contra 41 milhões de carros. Além disso, a pesquisa Perfil do Ciclista 2018, realizada pela Transporte Ativo, constatou que os locais onde as pessoas mais seguem em deslocamento são para o trabalho, lazer e compras.

No entanto, um dos motivos pelos quais o ciclismo vem ganhando cada vez mais adeptos é a prática desportiva. Segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), a venda de bikes cresceu em 118% no Brasil no ano de 2020 em comparação com 2019. E um dos motivos pelos quais este número cresceu de forma tão surpreendente tem a ver com a atividade física.

Número de ciclistas cresceu de forma disparada durante a pandemia | Foto: Reprodução/Freitas Fotografias

DIVAS DO PEDAL

A ciclista Silvana Maia, que criou o grupo “Divas do Pedal” com mais duas amigas no dia 28 de junho de 2020, foi uma dessas pessoas que aderiram à prática durante a pandemia de Covid-19. A ideia, que surgiu em decorrência do fechamento das academias e da necessidade de driblar o sedentarismo, ganhou a adesão de cada vez mais mulheres que enfrentavam crises de ansiedade, depressão e medo. “Pensamos nesse grupo para que pudesse inspirar mais meninas a cuidar do corpo, da mente e da saúde. Nosso objetivo não é a competição, mas levamos em conta a superação individual de cada uma”, complementou.

Segundo Maia, o grupo, que foca em empoderar mulheres na luta diária contra o machismo, conta com 94 ciclistas de vários municípios do estado, tais como Brasiléia, Rio Branco e Plácido de Castro. “Muitas vencem diariamente o machismo, pois o marido não compreende (o esporte), mas elas não desistem, acabam convencendo, traz pra pedalar também. Temos outro grupo com ambos, mas o ‘Divas do Pedal’ é só para mulheres”, explicou.

Para a atleta, que costuma pedalar quase todos os dias, o ciclismo traz benefícios indiscutíveis que englobam melhorias na qualidade de vida física e mental. Silvana, por exemplo, perdeu 11kg, conseguiu regular os níveis de colesterol, combateu a ansiedade e diz que muitas parceiras também tiveram resultados bastante animadores. “O ciclismo te dá alegria, te dá prazer, você pedala ao ar livre. Pena que não tem muito apoio aqui no Acre, não tem ciclovia, as ruas são escuras. Esse é o ponto negativo, você convive um pouco com o perigo. Mas é um esporte lindo que só promove bem estar”, contou.

Divas do Pedal contam com quase cem mulheres de vários municípios do AC | Foto: Reprodução/Divas do Pedal

ACOLHIMENTO

De fato, nem tudo são flores, e isto quem afirma é a própria pesquisa da Transporte Ativo, citada no início desta matéria. De acordo com a amostra, 47,6% dos entrevistados afirmaram que ciclovias e ruas mais adequadas seriam os grandes diferenciais para que os ciclistas melhorassem a prática de pedalar. No Acre, mais precisamente no município de Tarauacá, onde a pesquisa deu enfoque, 25,2% dos entrevistados contaram que a maior reivindicação é a segurança/educação no trânsito.

Mesmo diante de tantos empecilhos em torno da infraestrutura oferecida aos ciclistas, isto não desmotivou nem a ciclista e nem as outras divas, que já fizeram percursos de mais de 200km e agora têm como meta ir até a ponte sobre o rio Madeira, na BR 364. Sobre isto, Silvana deixa claro que todas as mulheres que quiserem entrar no grupo serão muito bem vindas, mas que é preciso começar aos poucos, para que cada uma entenda e respeite seus próprios limites.

“Incentivamos, mostramos que temos que começar aos poucos, pedalando 6km, depois 12, 20, e com a prática, vai aumentando. A maioria pedala, atualmente, 24km todo dia. Procuramos nos reunir sempre, e recentemente nos reunimos para comemorar um ano do grupo. Fizemos uma pedalada com mais de 300 pessoas e um arraial. Todo dia recebemos mulheres querendo entrar no grupo, e a gente acolhe muito bem”, destacou.

“Nós lutamos muito pelo empoderamento feminino”, disse Silvana Maia | Foto: Reprodução/Divas do Pedal

ACRE RACE

Com relação a limites e desafios, a prática competitiva em torno do ciclismo vem atraindo cada vez mais atletas. Segundo o organizador do evento Acre Race, Istanrley Rocha, a competição está inserida no calendário estadual desde 2016 e ganhando adeptos a cada edição.

Em 2017, no chamado Desafio 120km, foram 60 ciclistas. Em 2018, 80 pessoas participaram da edição. No ano seguinte, que ocorreu a edição reformatada e oficial do Acre Race, quase 200 atletas participaram. Devido à pandemia, o evento que era para acontecer em 2020 foi postergado e devidamente reformulado para este ano, e contou com mais de 400 ciclistas, com inscritos de Rondônia, Mato Grosso, Minas Gerais e até de países vizinhos, como da Bolívia.

“Tivemos ao todo 11 categorias, todas premiadas, além de diversos outros brindes de patrocinadores e apoiadores do evento, totalizando mais de R$ 25 mil somente em premiação total, tudo convertido para os atletas inscritos”, frisou.

Ciclistas do AC e de outros estados competiram na segunda edição oficial do “Acre Race” | Foto: Reprodução/Ana Paula Jansen

AMADORES E PROFISSIONAIS

A ideia do Acre Race é trazer as novas tendências do esporte aos atletas locais, colocando-os em percursos que sejam condizentes com a modalidade de Mountain Bike (MTB), e que não os limitem apenas às malhas asfálticas.

“A Federação Acreana de Ciclismo, com a entrada de gestores da história mais recente, tem visto o MTB de maneira mais atualizada. Antigamente as provas no Estado eram feitas integralmente em circuitos asfaltados, com MTB totalmente descaracterizadas e com muitas peças de bicicletas de estrada. Nos anos de 2014 em diante, as etapas começaram a ter um foco mais em trilhas, voltando às características do MTB”, falou.

Tais incentivos, segundo Rocha, podem funcionar como um chamamento a novos ciclistas, mas destaca a importância de planejar estratégias que forneçam ao esporte ferramentas e insumos necessários para que o ciclismo continue se desenvolvendo. “Acreditamos que com os órgãos públicos, uma vez estando envolvidos com o esporte, resultados positivos conjuntos podem ser alcançados, com o desenvolvimento de políticas públicas que possam favorecer o crescimento do ciclismo de maneira geral no Estado”, pontuou.

Mountain Bike (MTB) coloca o atleta em diversas condições com obstáculos durante o percurso | Foto: Reprodução/Ana Paula Jansen

AMOR PELA BIKE

O atleta Samuel Lira, que se considera amador, foi um dos mais de 400 ciclistas que participou do Acre Race 2021. Ele se encontrou no ciclismo em meados de 2013, quando seu pai resolveu abrir uma loja de vendas de peças e outros artefatos para bicicletas, chamada Mountain Bike Show. O rapaz, que estava acima do peso, viu reacender em si o desejo de voltar a ser ciclista, assim como fora na adolescência.

Acreano começou na adolescência e criou paixão pelo esporte após decisão em perder peso | Foto: Arquivo pessoal

“Logo que nós abrimos a loja eu comecei a voltar a praticar como hobby e para conciliar esporte e saúde no ciclismo. Daí me apaixonei de vez. Como eu já tinha um pouco de afinidade, comecei a adquirir novamente o amor pela bike. E com um ano de prática, subi um degrau para me tornar um atleta amador e, em 2015, comecei a competir”, disse.

Lira já participou de equipes como a do Corpo de Bombeiros, por exemplo. No primeiro ano de competição estadual, a dedicação ao esporte fez o atleta ser campeão em 2015 na categoria “iniciante” e ser vice-campeão em 2016 em Rondônia, na mesma categoria.

Samuel Lira já foi campeão e vice na categoria “amador”, em competições da Federação Acreana de Ciclismo | Foto: Arquivo pessoal

MUITA DEDICAÇÃO

Atualmente, o atleta treina três vezes por semana, com percursos que atingem em média 50km, e que, segundo ele, duram cerca de 1h30 para serem realizados por completo. Aos sábados, ele e mais um grupo de quarenta atletas amadores e profissionais costumam ir até o município de Senador Guiomard e voltar em até três horas. 

Questionado sobre como vê tantas conquistas neste esporte, Samuel, que participa de pelo menos seis grupos de pedal da cidade, diz que o empenho e a vontade de sempre querer se superar foram os combustíveis que o fizeram continuar no ciclismo. “Não foi fácil, teve muito treino, muita dedicação e muito amadurecimento para que eu pudesse me tornar um atleta cada vez melhor. Eu jamais imaginei me aprofundar e gostar tanto do ciclismo”, complementou.

Grupo costuma fazer percursos intermunicipais em poucas horas | Foto: Arquivo pessoal

DIA DO CICLISTA

A Lei de nº 13.508, de 22 de novembro de 2017, instituiu o dia 19 de agosto como o “Dia do Ciclista”. A data foi estabelecida para que, além de comemorar, as pessoas e as autoridades reflitam e tracem estratégias que visem a proteção que os ciclistas precisam para pedalar com mais tranquilidade nas ruas e ciclovias brasileiras.

A luta para o estabelecimento desta data no Legislativo é embasada a partir de um crime que ocorreu em 2006, nesta mesma data, que vitimou o biólogo Pedro Davison em Brasília, com 25 anos. O jovem não resistiu ao impacto do carro em alta velocidade no Eixo Sul da cidade e morreu na hora. O responsável, Leonardo Luiz da Costa, estava embriagado, com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida e fugiu sem prestar socorro. O rapaz foi condenado a 6 anos de prisão pelo crime, em regime semiaberto, e até hoje paga pensão à filha da vítima, que terá este direito resguardado até completar 25 anos. Na ocasião, a menina tinha 8 anos de idade.

Redação

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Trilhas em alta no Acre reforçam a importância da ética, da segurança e do cuidado coletivo

Prática cresce no Acre e especialistas alertam que a maioria dos riscos em trilhas está ligada à falta de preparo e ao abandono de integrantes

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Por Ana Keli Flores e Raíça Sousa

A prática de trilhas tem ganhado cada vez mais espaço no Acre, impulsionada pelo interesse em atividades ao ar livre e pelo contato direto com a floresta amazônica. Em meio a esse crescimento, a ética da aventura baseada em segurança, preparo e responsabilidade coletiva torna-se fundamental para evitar riscos e garantir experiências positivas na natureza.

Trilhas são caminhos utilizados para caminhadas em ambientes naturais e têm origem muito antes do lazer. Povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais já utilizavam esses percursos como rotas de deslocamento e sobrevivência. Com o passar do tempo, especialmente a partir do século XX, a prática passou a ser associada ao ecoturismo e às atividades de aventura, sendo conhecida em outros países como hiking, caminhadas curtas feitas no mesmo dia, e trekking, percursos mais longos que envolvem pernoite.

No Brasil, as trilhas ganharam maior visibilidade a partir da criação de parques e unidades de conservação ambiental. No Acre, muitas rotas acompanham antigos caminhos da floresta e ainda apresentam grande potencial para o ecoturismo, como ocorre no Horto Florestal, em Rio Branco, onde trilhas são utilizadas tanto para lazer quanto para educação ambiental.

Segundo o guia de trilhas Tassio Fúria, o envolvimento com atividades ao ar livre começou ainda no ciclismo e foi se aprofundando ao longo dos anos. “Especificamente com trilhas, dá para dizer que comecei em 2018”, afirma. Para atuar profissionalmente, ele explica que é necessário realizar um curso técnico e estar registrado no Cadastro do Ministério do Turismo, o que permite atuar legalmente em segmentos como o ecoturismo.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

A segurança coletiva é um dos pontos centrais destacados pelo guia. De acordo com Tassio, abandonar um integrante durante a trilha é uma falha grave na condução da atividade. Ele explica que cabe ao guia organizar o grupo de acordo com a proposta do percurso, controlar o ritmo e garantir que todos permaneçam juntos do início ao fim.

O tema do abandono em trilhas chama atenção para os riscos da prática sem planejamento adequado. Em situações relatadas por praticantes, pessoas já foram deixadas para trás por não conseguirem acompanhar o ritmo do grupo, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, desorientação e exposição a animais silvestres, especialmente em áreas de floresta fechada.

A diretora-geral da TV5, Simone Oliveira, de 39 anos, pratica trilhas há cerca de três anos e relata que a experiência começou a partir de um convite para participar de uma competição. “Foi amor à primeira ida”, conta. Formada em Educação Física, ela passou a levar alunos de um projeto solidário para as trilhas como forma de incentivo à atividade física.

Simone Oliveira, trilheira. Foto: cedida

Entre as experiências mais marcantes, Simone destaca uma trilha em que acompanhou uma aluna que pesava 115 quilos. “Ela conseguiu concluir o percurso. Todos nós choramos na linha de chegada”, relembra. Para ela, a trilha é uma atividade que deve ser feita em grupo, como forma de incentivo e superação do sedentarismo.

A ética na aventura, segundo Simone, está diretamente ligada ao cuidado com o outro. “É não deixar o grupo para trás, ajudar nos obstáculos e cruzar a linha de chegada todos juntos”, afirma. Ela reforça que cada participante tem seu próprio ritmo e limitação, e que o apoio coletivo faz toda a diferença para a conclusão do percurso.

O preparo antes da trilha também é citado como essencial. Simone destaca o uso de blusa de manga, calça, calçado adequado e alimentação leve antes do início da atividade. Para quem está começando, o conselho é simples: “Vá com calma, tenha cautela e esteja sempre ao lado de alguém de confiança que já tenha experiência”.

Outro fator que interfere diretamente na segurança é o clima amazônico. Durante o período chuvoso, áreas alagadiças fazem com que animais busquem locais mais secos, aumentando a possibilidade de encontros com cobras, insetos e outros animais silvestres. Nessas condições, as atividades ao ar livre ficam mais limitadas e exigem ainda mais atenção.

A experiência de trilha no Horto Florestal, em Rio Branco, reforça o caráter educativo da atividade. Considerada de nível fácil, a trilha pode ser feita em poucos minutos, mas costuma se estender por mais tempo devido às paradas para orientações e explicações. Durante o percurso, o guia recomenda o uso de roupas coloridas para facilitar a visualização do grupo e alerta sobre cuidados básicos de segurança.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

Além da segurança, a trilha se transforma em um espaço de aprendizado ambiental. Ao longo do trajeto, os participantes conhecem rios, aprendem sobre a extração da borracha das seringueiras e observam a fauna local, fortalecendo a relação de respeito com a floresta.

Mais do que uma atividade física, as trilhas no Acre mostram-se uma experiência de convivência e conscientização ambiental. Nesse contexto, a ética da aventura se consolida como um princípio essencial para que a prática aconteça de forma segura, responsável e sustentável.

Redação

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Corriqueiras

A fruta que o gado não come: produção de pitaya ganha espaço no Acre

Produção familiar encontrou na pitaya uma alternativa resistente ao pasto, garantindo renda e evitando prejuízos causados pelo gado

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Por Vitória Messias

Exótica, colorida e cada vez mais presente no cotidiano dos rio-branquenses, a pitaya, conhecida popularmente como fruta-do-dragão ou fruta do cacto, vem ganhando destaque nas ruas de Rio Branco. O crescimento do consumo é impulsionado por uma rede de comércio administrada por mãe e filho, que desde 2020 atua em dois pontos da capital acreana, no Vila Acre e na Avenida Rio de Janeiro, com a proposta de popularizar a fruta e valorizar a produção da agricultura familiar.

Originária da América Central, a pitaya possui registros de consumo desde as civilizações Asteca e Maia, na região que hoje corresponde ao México. Introduzida no Brasil na década de 1990, a fruta passou a ser cultivada em Rio Branco há cerca de seis anos, a partir da produção de Kelarkian Brilhante e de sua mãe, Ivanna Brilhante, com o apoio de outros familiares que enxergaram no cultivo da pitaya uma alternativa sustentável de renda extra.

Ivanna e Kelarkian Brilhante, donos da plantação de pitaya. Foto: Vitória Messias.


Anteriormente, a família Brilhante se dedicava ao cultivo de maracujá e à criação de gado na propriedade. No entanto, um episódio de descuido, aliado a uma cerca mal conservada, permitiu a entrada dos animais na área de plantio, ocasionando a perda total da lavoura.

Segundo Ivanna, a situação motivou uma reflexão sobre o que era plantado ali. “Meu filho queria plantar algo e ter uma produção própria, fruto do esforço dele. Chegou a pensar em macaxeira, mas eu o alertei que o gado poderia comer a plantação, como fez com o maracujá”, explica.

Com esse pensamento, e em meio à pandemia, mãe e filho conseguiram se reerguer. Kelarkian se inspirou ao assistir vídeos sobre a Pitaya no Youtube e conta sobre aconselhamentos da avó para dar início ao que seria a maior fonte de produção de Pitaya do estado.

“Minha avó, que era viva na época, foi uma fonte de orientação. Ela desencorajou a ideia de plantar maracujá novamente. Um dia, navegando no YouTube, encontrei um vídeo sobre pitaya. Fiquei fascinado e pesquisei a fundo. No dia seguinte, mostrei para minha avó, e ela confirmou que a pitaya era a escolha certa, pois o gado não a comeria”, conta.

O agricultor explica que a decisão de iniciar o cultivo amadureceu ao longo dos primeiros meses do ano. “A ideia surgiu entre fevereiro e março. Em junho, fui buscar as mudas e conheci o seu Celeste, um produtor muito atencioso. No início, o plano era plantar mil mudas, mas, por questões financeiras, comecei com 400. A partir daí, passei a reaproveitar as próprias mudas: todo ano eu retirava e replantava. Fiz isso desde 2020. Em 2021, ampliei o plantio e continuei expandindo a área, até chegar ao que temos hoje”, relata.

Plantação das pitayas Brilhante. Foto: Vitória Messias.

Hoje os agricultores somam 2.800 mudas, com apenas 2.500 em produção, porém, a família enfrentou dificuldades para vender no primeiro e segundo ano de safra. “No primeiro a gente colhia mais fruto do que vendia. O pessoal não conhecia e não queria comprar um alto valor agregado em cima e foi difícil nos dois primeiros anos, mas de 2023 para cá, a pitaya só vem avançando e aumentando o sucesso”, conta Ivanna.

Os produtores comercializam mais de 2 mil mudas de pitaya desde 2023. A partir desse período, o público também variou. “Antes eram mais idosos, pessoas que frequentavam a academia. Depois mudou para o público infantil. Várias crianças queriam, aperreavam o pai para comprar”, conta Kelarkian.

Com a barraca montada na Avenida Rio de Janeiro, e plantação ativa no bairro Vila Acre, a família tem conquistado o público e planeja exportar o produto futuramente.

Benefícios à saúde

Seja pitaya vermelha, branca ou roxa, em meio às variações da fruta, os valores nutricionais variam, como aponta o nutricionista Inauã Rodrigues. “A pitaya vermelha e roxa tem mais compostos antioxidantes do que a branca. Um grande benefício é a praticidade, ela congelada não perde nenhum nutriente, perfeito para só depois bater no liquidificador e fazer um sorvete ou vitamina“, recomenda Inauã.

Inauã Rodrigues, nutricionista. Foto: arquivo pessoal.

A fruta contém minerais como magnésio e vitaminas, incluindo a vitamina C, que, segundo o nutricionista, são antioxidantes importantes, responsáveis por auxiliar na redução de processos inflamatórios no organismo, tanto os mais comuns, como a acne, quanto os mais complexos, como a fibromialgia.

Rodrigues complementa. “É uma fruta leve, com baixo teor calórico e rica em água e fibras. Essa composição a torna benéfica para a saciedade e a regulação intestinal, promovendo uma sensação de leveza”.

A pitaya pode ser incluída em diferentes planos alimentares, seja para quem busca emagrecimento, ganho de massa muscular, prevenção ou tratamento de doenças. Para Maria Luiza, consumidora fiel da família Brilhante, a fruta virou parte do cotidiano. Devido sua praticidade, a cliente faz questão de garantir seu estoque pessoal a cada nova safra.

“Eu nunca tinha comido pitaya antes, eu já tinha visto, mas eu fui comer primeiro as pitayas da Dona Ivanna, em 2023. Eu compro muitas pitayas para consumo próprio. Eu como elas o ano todo, só congelo, e faço suco ou shake, porque eu gosto do sabor, e ela faz muito bem ao meu intestino, é por isso que eu compro muitas”, diz Luiza.

E, assim como fez a diferença na trajetória da família Brilhante, a pitaya segue conquistando espaço e se popularizando entre os mais diversos públicos. Presente nas feiras, nas ruas e na mesa dos acreanos, a fruta deixa de ser vista apenas como exótica e passa a integrar o cotidiano, unindo saúde, sabor e fortalecimento da agricultura familiar.

Redação

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AMOR EM QUATRO PATAS

A adoção de pets como equilíbrio entre responsabilidade afetiva e social

Com 65 animais disponíveis no Centro de Controle de Zoonozes de Rio Branco, busca por novos lares para cães e gatos adultos visa combater o abandono

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Por Lis Gabriela e Rhawan Vital

O cenário no Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Rio Branco reforça uma triste realidade: muitas pessoas dão preferência à adoção de filhotes para serem seus novos pets, enquanto cães e gatos adultos enfrentam longos períodos de espera em canis e gatis. Além da questão afetiva, a adoção desses animais também pode ser considerada uma decisão que auxilia na saúde pública e no manejo populacional desses animais no ambiente urbano.

Nesse contexto, foram instituídos os CCZs, com o objetivo de focar na vigilância epidemiológica e no controle de doenças que podem ser transmitidas por animais ao ser humano, como raiva e leishmaniose, além de casos em que os animais apresentam risco aos tutores ou agressividade. Mas, apesar de sua função inicial, essas unidades se tornam lares temporários e, por muitas vezes, permanentes para diversos animais.

Cães e gatos adultos aguardam por uma nova chance de recomeço nos canis e gatis do Centro de Controle de Zoonoses de Rio Branco. Foto: Rhawan Vital

De acordo com o agente de Vigilância em Zoonoses, Joel Pereira, do Centro de Zoonoses de Rio Branco, a busca por outra condição de vida para os animais é um objetivo a ser atingido, seja em um lar ou um ambiente adequado, para que recebam o devido carinho. Os animais adultos, quando acolhidos, também proporcionam uma experiência única para o tutor. Além disso, a quebra do ciclo de abandono passa, obrigatoriamente, pela educação da sociedade e pelo reconhecimento do animal a ser adotado. Escolher um animal adulto é priorizar a consciência ao invés de uma fase momentânea com um pet.

Dessa forma, a cultura da adoção é um indicativo de maturidade social. Ao escolher adotar, as pessoas deixam de ser apenas espectadores do problema do abandono para se envolver de forma ativa na solução. “Ter um bicho de estimação é bom, porque você tem companhia sempre. Também te faz ter um senso de responsabilidade que não tinha antes. Pra mim, é uma companhia que nunca incomoda”, afirma Álvaro Bagnara, tutor dos gatos Cheddar e Grafite.

Além da vigilância em saúde pública, o CCZ também se torna lar temporário e, muitas vezes, permanente, para animais vítimas do abandono. Foto: Rhawan Vital

Álvaro conta sobre seus gatos: Grafite foi adotada ainda filhote, então passou por uma fase de criação e ensinamentos, desde o onde se alimentar à caixa de areia. Já Cheddar chegou um pouco mais tarde na família, já adulto e após ser abandonado pelos antigos tutores, mas mesmo assim não deixou de entregar amor. Em relação à adaptação, o tutor dos felinos conta que o tempo bastou para que houvesse um entendimento de que compartilhavam o mesmo lugar.

“No começo a Grafite brincava muito de perturbar o Cheddar, que sempre foi muito quieto e na paz. Com o passar do tempo, apesar do Cheddar continuar no seu cantinho, a Grafite entendeu que eles moravam juntos. Ela não deixou de perturbá-lo, mas o Cheddar começou a revidar. Essa foi a diferença com o passar do tempo” conta Álvaro, de forma animada.

Adoção responsável

O CCZ de Rio Branco conta com 65 animais disponíveis para adoção, sendo eles cães e gatos, filhotes e adultos. Entre eles estão: 40 cães adultos, oito filhotes, 11 gatos adultos e seis filhotes. Os animais são vacinados e têm carteirinhas próprias, prontos para que seus tutores acompanhem e cuidem de maneira adequada, de acordo com datas e mutirões de vacinação disponíveis no futuro.

A adoção responsável transforma realidades: para quem adota, nasce um vínculo; para quem é adotado, surge a oportunidade de um lar. Foto: Rhawan Vital

A adoção pode ser feita de segunda a sexta-feira, entre as 7h e as 17h, e necessita que o interessado tenha mais de 18 anos, apresente o documento oficial e assine o termo de adoção responsável, documento que valida a adoção e a responsabilidade do novo dono do pet.

Ao retirar um animal adulto de um centro, o cidadão contribui diretamente para a redução da superlotação (tanto das ruas, quanto dos abrigos e CCZs) e permite que o Estado e outros profissionais da área veterinária direcionam recursos para outras frentes de saúde e bem-estar animal. É importante ressaltar que a adoção é um ato de responsabilidade civil, e não deve ser confundida apenas com uma boa ação.

Redação

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