Conterrâneos de Ramon Dino ganham destaque no fisiculturismo
Por Luiz Eduardo e Elis Caetano
O atleta acreano Everson Costta conquistou, em outubro de 2023, o título de Mr. Olympia Brasil, a principal competição nacional de fisiculturismo. Ele é o segundo competidor do estado a conquistar o título e irá representar o país no Mr. Olympia 2024, que acontecerá na cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos.
Natural de Sena Madureira, Everson é educador físico e começou sua jornada no esporte em 2018, competindo em competições amadoras. Ele destaca a emoção que sentiu ao conquistar sua primeira vitória em uma competição profissional e afirma que está determinado a se preparar para o Mr. Olympia 2024.
Everson Costta, atleta da Competição Nacional de Fisiculturismo. Foto: Reprodução/Internet
“Ser campeão do Mr. Olympia Brasil significa muito para mim. Sou o segundo acreano a realizar esse feito, o primeiro foi o Ramon, que é o segundo colocado na categoria (mundial), e estaremos juntos competindo no ano que vem. Isso é muito gratificante e a realização de um sonho em representar o Acre e o Brasil” – destaca.
Não é de hoje que o Acre tem conquistado um reconhecimento no fisiculturismo. A cena dos atletas têm sido bastante comentada mundo afora e vem crescendo não só na capital, mas em todo o estado.
Nos últimos cinco anos muitos destaques acreanos avançaram e se profissionalizaram, ganhando concursos, patrocínios e eventos importantes. Os Acreanos que representam este grupo de competidores profissionais no Acre, além de Everson Costta são, Ramon Dino, Andréa Gadelha e Herlayne Braga.
Andreia Gadelha é natural de Epitaciolândia, cidade do interior do Estado. Foto: Reprodução/Internet
Ramon Dino tem 29 anos, nasceu em Rio Branco e começou a musculação através da calistenia na adolescência e logo se destacou por seu desenvolvimento muscular. Competiu pela primeira vez em 2017 aos 22 anos e já participou de três Mr. Olympia. Na sua estreia em 2021 ficou em quinto lugar, e no seguinte alcançou o segundo lugar.
Em outubro de 2021, Ramon venceu e conquistou o Overall (disputa entre os campeões de todas as divisões da categoria) da Classic Physique, colocando seu nome oficialmente no circuito profissional do fisiculturismo brasileiro.
Conhecido apenas como “Dino”, Ramon atualmente detém o título de vice-campeão do Mr. Olympia e campeão do Arnold Sports na categoria Classic Physique.
Ramon Dino venceu e conquistou o Overall em outubro de 2021. Foto: Reprodução/Internet
O calor e a umidade fazem parte da rotina no Acre, onde rios e florestas densas compõem a paisagem amazônica. A milhares de quilômetros, o cenário é outro: temperaturas abaixo de zero, florestas cobertas de neve e cursos de água congelados. A mudança de ambiente também muda o ritmo, o que antes era tranquilo ganha velocidade, a adrenalina e a prática de esportes de inverno, como o esqui, transformam o frio intenso em experiência e contato com a natureza
Nascido em Rio Branco, no Acre, Manex Salsamendi Silva, de 23 anos, participa pela segunda vez das Olimpíadas de Inverno, na modalidade esqui cross-country. Sua estreia ocorreu na edição de Pequim 2022, e agora ele compete em Milão-Cortina 2026.
Na edição dos jogos de 2026, atleta estreou na prova do Sprint Clássico e conquistou uma posição histórica ao se tornar o primeiro brasileiro a alcançar a 48ª colocação nos Jogos, com o tempo de 3min25s48. Já no dia 13 de fevereiro, ele disputa a prova dos 10 km livre, a partir das 6h30, no horário do Acre.
Eliminatórias do Sprint Clássico. Foto: Gabriel Heusi/COB
Manex Silva mudou-se para o país Basco, localizado entre o norte da Espanha e sudoeste da França, quando tinha apenas dois anos. Aos oito foi para a região mais ao norte que é cercada por montanhas e que neva bastante durante o inverno. Por lá começou a praticar esqui cross-country no clube da região com os amigos da vila.
Crescido entre a cultura brasileira e basca, o acreano conta que não foi difícil escolher representar o Brasil ao invés da Espanha. Em casa, Manex falava português com a mãe e aprendia da cultura brasileira, e com o pai, da cultura basca e falando o euskera.
“Lá em casa eu sempre me senti brasileiro e basco, e não tanto espanhol, então não foi uma escolha muito difícil poder representar o Brasil nesse esporte. Além disso, foi mais fácil também porque naquela época que eu comecei a competir a Federação da Espanha não ajudava tanto os atletas novos e eu encontrei uma oportunidade com a Federação Brasileira. E, na verdade, estou muito feliz com aquela decisão que eu tomei faz anos”.
Manex ainda criança. Foto: Instagram/manexsalsamendi
Com treinos intensos, uma rotina regrada na alimentação, estudos, atividade física e trabalho mental, o atleta revela que seu objetivo a longo prazo é poder competir com os melhores esquiadores do mundo. No entanto, com uma mente focada e um tanto realista, conta que ainda não está nesse nível.
Para as Olimpíadas de 2026, sua meta é estar no meio da tabela ou pelo menos entre os 30 ou 40 primeiros colocados. Na sua primeira competição de sprint, o atleta fico no top 50 primeiros.
“Poder representar o Brasil nos jogos olímpicos é bem legal e uma honra pra mim porque mesmo o Brasil não tendo sido um país muito forte nos esportes de inverno, esses últimos anos a confederação pegou muita força e respeito, porque cada vez tem esportistas melhores”, conta.
Se o Brasil está de olho nos 14 atletas que disputam as Olimpíadas, o Acre está de olho no menino dos seus olhos. Ao ser questionado sobre o que faz ele se identificar como acreano, Manex não hesita:
“Eu tenho boas lembranças lá do Acre, mesmo tendo saído muito cedo dali pra morar na Espanha. Eu voltei várias vezes lá e eu ainda tenho familiares: tios, tias e primos. E eu acho que minha mãe sempre me transmitiu essa cultura brasileira e lá do Acre. Eu sempre me senti representado pelo Acre e pelo Brasil também”.
“Poder representar o Brasil nos jogos olímpicos é bem legal e uma honra pra mim”. Foto: Instagram/manexsalsamendi
Ele conta que quer demonstrar para o Brasil e para o mundo que o país pode ser forte no cross-country. Além disso, busca inspirar brasileiros que tem a oportunidade de competir em esportes de inverno para também representarem o Brasil. Como o esporte na neve não é tão comum no Brasil, os atletas da neve carregam uma responsabilidade especial.
“Sim, eu acho que temos a responsabilidade de poder mostrar pro Brasil esses esportes não tão conhecidos. Poder ter uma boa representação e mostrar pra eles que o Brasil mesmo não tendo neve pode chegar a ser um país bom nos jogos e mostrar pro resto do mundo também que mesmo sendo um país sem muita tradição de neve a gente pode chegar até o topo”.
O Brasil é um país tropical, e por tanto, não investe tanto em esportes de inverno. O acreano é amparado pelo Bolsa Atleta do Governo do Brasil, que investe cerca de R$1,6 milhões ao longo de sua carreira. No entanto, esse valor não é o suficiente para arcar com as despesas de preparar um atleta de alto nível.
“Estamos fazendo um bom trabalho como time. Os países grandes têm muitos patrocinadores, então podem investir muito dinheiro em material, em preparação. O Brasil ainda pode melhorar muito nesse aspecto,” explica o acreano.
O atleta conquistou uma posição histórica ao se tornar o primeiro brasileiro a alcançar a 48ª colocação nos Jogos. Foto: Gabriel Heusi/COB
Conquistas
Manex Silva é dono dos melhores resultados masculinos da história do Brasil no esqui cross-country. Ele conquistou a melhor pontuação FIS – sistema de ranqueamento da Federação Internacional de Esqui e Snowboard – da história do Brasil entre os homens, com 81.36 pontos, na Copa do Mundo de Oberhof, em 2026. E, nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude de Lausanne 2020, conquistou o 39º lugar no sprint.
Em Beijing 2022 fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a disputar quatro provas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, além de ser o primeiro do país a atingir o índice A de classificação olímpica – menos de 150 pontos FIS. Na mesma edição, foi escolhido porta-bandeira do Brasil na Cerimônia de Encerramento e terminou o sprint na 71ª colocação, sendo o melhor sul-americano da prova, e ficando em 58º nos 50 km.
O Esqui Cross-country é um dos esportes mais difíceis e tradicionais das Olimpíadas de Inverno. Foto: Gabriel Heusi/COB
A história do Esqui Cross-country
O Esqui Cross-country é um esporte de resistência, e considerado um dos mais difíceis e tradicionais das Olimpíadas de Inverno. Cross-country, em inglês significa “atravessar o país”, e por séculos, nos países nórdicos as pessoas usavam pedaços de madeira para esquiar e cruzar grandes distâncias.
No século XIX, esta prática se tornou um esporte e os esquis se modernizaram. Os atletas percorrem distâncias variadas com esquis impulsionados por bastões, em duas diferentes técnicas: a Clássica e a Skating. Na primeira, os atletas percorrem trilhos previamente preparados, com os skis paralelos entre si.
Já a técnica Skating é mais veloz e o atleta “empurra” o ski para “fora” em um ângulo de 45 graus, ou em “V”, imitando a patinação no gelo. Outra modalidade é skiathlon, em que os atletas apresentam ambas as técnicas. Nesta Olimpíada ocorrerão 12 eventos de esqui cross-country, com homens e mulheres percorrendo as mesmas distâncias pela primeira vez na história.
Grupos de estudantes têm encontrado no RPG de mesa uma alternativa ao entretenimento e um espaço de desenvolvimento criativo e social. No campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), a prática reúne jovens que trocam as telas por papel, caneta e dados, em jogos de interpretação que estimulam a imaginação, o trabalho em equipe e a construção de narrativas coletivas. Cada vez mais popular, o RPG tem atraído participantes de diferentes idades e perfis.
RPG, ou Role Playing Game (tradução livre para “jogo de interpretação livre”), é um jogo de mesa onde tudo gira ao redor do imaginário. Mundos e problemas são criados por um jogador que controla a história e os acontecimentos, conhecido como mestre, e os jogadores que participam do jogo compondo a mesa devem criar personagens para resolver os problemas criados pelo mestre e explorar o mundo criado pelo mesmo. De guerreiros a espiões, o RPG tem várias formas, regras, modelos e sistemas, para agradar todos os gostos e níveis de experiência.
Para o estudante de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Acre, Thiago Costa, de 19 anos, a prática foi uma mudança de vida. Além de influenciar os conteúdos consumidos nas redes sociais e ampliar o contato com pessoas de outros países, a atividade também reflete no cotidiano do aluno, que vê o jogo como uma forma de treinamento pessoal. “RPG é o que mais trabalha minha criatividade e timidez, é onde pratico muito minha criatividade e interação com outras pessoas", diz o discente.
Thiago, que atua como “Mestre” em um grupo de amigos, frequentemente cria e adapta cenários de Dungeons e Dragons, um sistema que envolve guerreiros, masmorras e dragões protegendo tesouros milenares, para jovens colegas do seu curso, inseridos na realidade acadêmica.
“Para o pessoal que mestro na Ufac, entramos no curso e comecei a mestrar para eles. Quando temos tempo livre e espaço na universidade, tomamos uma das salas de aula e transformamos em um espaço para nosso RPG". O tempo de duração das sessões de RPG pode variar, de acordo com o sistema a ser jogado e o tempo livre de cada participante, podendo ter de quatro à seis horas de duração.
Papel, caneta e dados substituem as telas em mesas de RPG que estimulam a criatividade e o trabalho em equipe na Ufac. Imagem ilustrativa.
Para “mestrar” (o ato de coordenar o mundo, produzir problemas e entregar soluções aos jogadores e interpretar diversos personagens com objetivos e auxílios diferentes durante a aventura da mesa), é necessário aprender sobre o sistema utilizado, conhecer o mundo que está sendo imaginado e, principalmente, se esforçar para não deixar a animação cair, utilizando-se bem de personagens não-jogáveis (os representados pelo mestre) para interagir com jogadores, criar momentos em que personagens específicos possam brilhar e saber improvisar, visto que um RPG é um jogo de mundo aberto, então quase nada é linear e muita coisa pode sair do previsto, dependendo da ação dos jogadores.
Como mestre, é preciso de um conhecimento aprofundado do sistema de regras para exercer essa função técnica. E contando com isso, o acreano Arthur Soares, de 19 anos, estudante de engenharia da computação, utiliza-se dos conhecimentos adquiridos de cursos preparatórios para incrementar as suas histórias.
“Sempre gostei de criar coisas. Fazia cenários, catava isopor onde ia, pintava cenário, pintava miniatura à mão... Eu pensava em qualquer coisa, o que desse pra jogar RPG eu tava jogando. Quando passei quatro horas no aeroporto de Brasília (esperando um voo), programei um código de um quebra-cabeças para que meus jogadores resolvessem. A melhor coisa do RPG pra mim é poder escrever e criar algo que outras pessoas vão poder se inserir nesse universo para fazerem o que quiser”, conta Arthur.
O estudante Thiago afirma que o RPG serve para exalar sua criatividade e aflorar sentimentos. “Busque um pessoal interessado e faça acontecer. Tem muitos sistemas generalistas que você pode adaptar as regras da forma que você quiser”.
Para ambos os jogadores, participar de uma mesa de RPG é uma experiência única. A possibilidade de “fazer o que quiser, como quiser, em um mundo que vai se moldar de acordo” é apontada como um diferencial da prática. Eles destacam que, além de um jogo, a atividade funciona como uma forma de distração e lazer em meio a uma rotina conturbada, já que viver a história de um personagem fictício permite explorar um universo diferente do cotidiano.
"Você só vai saber o que é RPG se jogar. O único requisito para se fazer isso é ter pessoas dispostas a jogar, e ver alguém se divertindo com algo que você imaginou, essa é a euforia do mestre. É gratificante”, completa Arthur.
Falta de incentivo
Apesar de organizarem as próprias campanhas, ambos os mestres concordam com um ponto específico e regional: não existe um local que incentive e colabore com o jogo. Em outras regiões do país, onde Pubs e restaurantes trazem a premissa de juntar desconhecidos e promover campanhas aleatórias, no intuito de integrar e conhecer novas pessoas, isso acaba não existindo na capital acreana. A falta de divulgação e incentivo do jogo acaba ninchando-o cada vez mais.
Mas a criação de espaços assim faria com que o RPG ficasse mais conhecido na cidade? Talvez, por enquanto, esta seja uma aventura que ainda nenhum guerreiro tentou desbravar. Por enquanto, as mesas continuarão dentro das casas do Thiago e do Arthur, com seus conhecidos e com os sistemas que eles já dominam.
O cenário de tecnologia e inovação do Acre logo irá romper fronteiras geográficas. O jogo “Carbon 0”, focado em investigação ambiental, garantiu uma vaga para ser apresentado em um prestigiado evento do setor na Alemanha, em agosto de 2026. O projeto é fruto do trabalho coletivo de Thiago Costa, estudante de Sistemas de Informação, que atuou ao lado dos desenvolvedores Carlos Hygor, André Lucas, Caio Pontes e Felipe de Pádua. A conquista coloca o estado em evidência no mercado global de games e reforça o potencial da produção regional.
A equipe garantiu a vaga após vencer na categoria Escolha do Público da Mostra Competitiva de Jogos da Amazônia Legal, durante a Headscon 2025, realizada em Rio Branco. Além da projeção internacional, a premiação também contou com um incentivo financeiro de R$21,5 mil, destinado aos desenvolvedores.
A equipe acreana celebrando sua participação na Headscon 2025, onde o jogo ‘Carbon 0’ conquistou a Escolha do Público. Foto: arquivo pessoal
A ideia para o desenvolvimento do game surgiu de forma intensa durante uma “game jam”, uma maratona de desenvolvimento de jogos, que tinha como tema central a preservação do meio ambiente. Segundo Thiago Costa, o processo foi marcado pelo imediatismo e pela superação de barreiras técnicas. Os principais desafios enfrentados pela equipe foram o curtíssimo tempo de desenvolvimento, de apenas três dias, e a inexperiência dos integrantes no cenário competitivo. Mesmo com esses obstáculos, a criatividade do grupo sobressaiu, transformando uma ideia inicial em um produto de visibilidade internacional.
Investigação ambiental em forma de jogo
A trama de “Carbon 0” mergulha em uma narrativa de justiça e ética. No jogo, dois irmãos lutam para provar a inocência do pai, que foi falsamente acusado pela empresa em que trabalhava de vazar dados sensíveis. Ao longo da investigação, os protagonistas expõem a verdadeira face das corporações envolvidas, revelando crimes ambientais e negligências.
Imagem de ‘Carbon 0’, o game que mistura investigação e conscientização ambiental, desenvolvido em apenas três dias. Foto: arquivo pessoal
Para Thiago, a conquista representa a quebra de um paradigma sobre a produção tecnológica no Norte do Brasil. “Ele prova que o estado tem força para competir e mostrar que o nosso mercado também tem peso e que merecemos atenção do mercado global”, afirma.
A ida para a Alemanha é descrita pelo estudante como a realização de um sonho que parecia distante. “Nunca na minha vida imaginava que um jogo criado pelos meus amigos e eu iria conseguir atingir um patamar tão alto”, comemora Thiago.
A expectativa agora se volta para as oportunidades que o evento internacional pode proporcionar, especialmente no que diz respeito à criação de contatos com desenvolvedores do mundo todo e à chance de exibir o talento brasileiro.
Os desenvolvedores de ‘Carbon 0’ prontos para levar o talento acreano ao cenário internacional de games. Foto: arquivo pessoal
Para os entusiastas e outros estudantes que desejam ingressar na área, Thiago deixa um incentivo baseado em sua própria trajetória: “Se você tem a vontade de entrar nesse mundo, organize um pessoal que esteja disposto a seguir em frente nele e fazer acontecer”. Segundo ele, o mercado está em constante crescimento e, para quem tem vontade e organização, as ideias nunca vão faltar.