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População de Rio Branco diminui frequência no uso de cortinados; entenda

Moradores da capital acreana abandonam o mosquiteiro, popularmente conhecido como cortinado, e aderem ao uso de inseticidas


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Por Rebeca Martins e William Liberato

Adriana da Costa Silva, quando criança, adorava aniversários, pois era a oportunidade perfeita de levar balões para casa e enfeitar seu cortinado, como é popularmente conhecido o mosquiteiro no Acre. “Eu pegava o balão e botava no buraco do meio (do cortinado). Era uma alegria, ninguém podia estourar”, recorda, hoje, a servidora pública. Ela, como outros rio-branquenses, deixou de lado o uso dos mosquiteiros.

Em 1997, com a chegada no bairro novo, o Santa Inês, no segundo distrito de Rio Branco, Adriana abandonou de vez o uso do mosquiteiro. “A gente começou a ter preguiça de colocar e viu que a necessidade era pouca. O pai comprava muito veneno, acabávamos utilizando mais veneno do que o cortinado”. Os momentos inesquecíveis, com seu cortinado rosa, ficaram no passado, guardado em suas lembranças.

Adriana da Costa e sua família. Foto: Arquivo Pessoal/ Adriana Silva

Hoje, a criança encantada com o balão pendurado no meio do cortinado é uma mulher atarefada e prática. Adriana da Costa Silva, de 37 anos, tem uma rotina cheia. Além do seu intenso trabalho no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), ainda precisa cuidar de seus dois filhos — um deles bebê —, fazer comida, limpar a casa e estudar para os concursos. Com uma vida tão corrida, ela adotou o inseticida como o seu principal aliado contra os mosquitos.

O que explica essa mudança de comportamento?

Imagem ilustrativa demonstra a disparidade no preço dos produtos. Arte: William Liberato.

Ao relembrar sua infância, o professor de História José Dourado de Souza, Diretor do Centro de Filosofias Humanas da Universidade Federal do Acre, apontou hipóteses para o abandono dos cortinados no cotidiano dos rio-branquenses. “Lembro de quando eu era ainda criança no seringal. A gente usava, obrigatoriamente, tinha que usar, senão as carapanãs, os bichos carregavam. Todos nós usávamos mosquiteiro. Eu vim para cá (Rio Branco) com 12 anos. Aqui também se usava, mas já era um período que começaram a surgir alguns produtos, os inseticidas”.

O professor também acredita que esse processo de abandono dos cortinados permanecerá, devido às facilidades oferecidas pelos inseticidas modernos. “Acho que eles (rio-branquenses) estão abandonando, em razão dessas novas tecnologias de combate aos insetos. Aqui, dentro da cidade, eu acho que esta tendência (dos cortinados) é diminuir e (aumentar) o uso de produtos industrializados para combater o inseto. Hoje, você bota lá (na tomada) e pronto. Já resolve o problema.”

A popularidade e praticidade dos inseticidas pode ser exemplificada na facilidade a qual encontramos esses produtos. Numa rápida busca pelo principal supermercado de Rio Branco, é possível encontrar variados venenos de diferentes formatos, fórmulas, cheiros e valores. O inseticida, no qual o professor José Dourado se refere, é popular por sua praticidade e pela proteção oferecida contra o mosquito Aedes Aegypti, responsável pela transmissão da Dengue, Zika e Chikungunya.

Fator socioeconômico

Enquanto os inseticidas ganham as prateleiras e o coração dos acreanos, os cortinados tornam-se escassos, caros e só são encontrados em lojas específicas, como o Bazar Chefe, estabelecimento popular por vender de tudo, e lojas de produtos e roupas infanto-juvenis. Para melhor ilustrar essa disparidade, observe a diferença do valor dos produtos, um inseticida, da marca Buzz, de 400ml, custa R$ 10,69 no mais popular supermercado; enquanto o mosquiteiro de casal, da marca Durma Bem, está R$ 77,20 no maior e-commerce do Brasil.

A estrutura dos domicílios e os serviços de saneamento básico, como tratamento de esgoto, água encanada e coleta de lixo, pode ser outro fator nessa mudança de comportamento dos rio-branquenses. Segundo o professor Dourado, “as pessoas que vivem numa situação precária, numa residência precária, é mais difícil combater os insetos, porque eles (os mosquitos) entram, não tem janela apropriada, nas casas há buracos, brechas”. Ou seja, pessoas em situação de pobreza são mais vulneráveis às doenças transmitidas por mosquitos.

É o que aponta um estudo norte-americano, realizado em 2010, que analisa a incidência de casos de dengue na cidade de Brownsville, no sul do Texas; e no município Matamoros, no norte de Tamaulipas, no México. Os dados apontam que as cidades vizinhas apresentam uma elevada disparidade, com a cidade mexicana tendo sete vezes mais casos do que os 4% registrados na cidade estadunidense. Segundo Jaime Torres, “a forma de armazenar a água, de tratar (ou não) os resíduos e o uso do ar-condicionado, são determinantes para que esses insetos criem, vivam, se reproduzam e alimentem em um ou outro lugar”, afirmou o diretor do departamento de Medicina Tropical da Universidade Central da Venezuela, XVIII Conferência Internacional de Doenças Infecciosas, realizada em março de 2018, na cidade de Buenos Aires.

Imagem ilustrativa, proximidade entre a cidade americana e a mexicana. Arte: William Sousa.

Em Rio Branco, os índices de saneamento básico não são nada satisfatórios, é o que demonstra o ranking do saneamento 2023, do Instituto Trata Brasil, com a capital acreana ocupando a posição 94, entre as 100 cidades analisadas. Atualmente, 60,73% da população rio-branquense tem acesso à água e apenas 22,67% têm coleta de esgoto. Esse quadro atual deixa a população das regiões periféricas vulneráveis às picadas e doenças transmitidas pelo mosquito. A realidade força os cidadãos a gastarem parte de sua renda com inseticidas.

Antes, Malária; agora, Dengue

No início da década de 1940, por exemplo, momento em que a incidência da Malária era maior, cerca de 6 milhões de pessoas foram atingidas, o que correspondia a pelo menos, 20% da população do Brasil. No estado do Acre, não era diferente. Conforme o Acre, diário oficial da época, em 1947, quase 900 pessoas contraíram a doença só na cidade de Rio Branco. Na época, os seringueiros eram um dos grupos mais afetados, pois estavam em contato direto com a floresta. Os inseticidas não faziam parte da realidade dessa população, que para se proteger contava com fumacês e mosquiteiros.

Hugo Carneiro, governador do território do Acre, entre 1927 a 1930, criou políticas de prevenção contra a malária. Entre elas, a curricularização de práticas de higiene no ensino primário. Dentre as orientações, também estava o uso de mosquiteiros.

Atualmente, a incidência de Malária está diminuindo no Acre. Segundo o boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), em 2023, estima-se que 1,5 mil cidadãos foram acometidos pela doença entre janeiro e março. As estimativas apontam uma queda nos números, tendo em vista que no mesmo período de 2022, foram contabilizados 2,1 mil casos. As cidades com mais diagnósticos foram: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, todas do Vale do Juruá.

O professor Marcelo Urbano Ferreira, coordenador de pesquisas no Acre, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao jornal da USP, em 2021, comentou que o quadro de Malária urbana, hoje contido nos grandes centros da Amazônia, como Rio Branco, pode aumentar. “Os moradores das cidades frequentemente transitam em localidades rurais de alta transmissão, onde podem infectar-se. Assim, temos mosquitos e parasitos presentes na periferia das cidades, potencialmente se espalhando em áreas de população mais adensada. São elementos que propiciam surtos de Malária em áreas urbanas.”

No momento, as políticas públicas estão sendo eficazes no controle da Malária no Acre, mas o mesmo não ocorre com a Dengue. Segundo o boletim epidemiológico da Sesacre, nos três primeiros meses de 2023, mais de 3 mil casos suspeitos foram diagnosticados. Rio Branco obteve mais de 1 mil notificações da doença, outro fator de atenção, é o aumento no número de casos de Zika, a capital registrou 243 casos entre janeiro e março. Em 2022, no mesmo período, nenhum caso havia sido registrado na cidade.

Infográfico dos casos de malária. Arte: William Liberato.

Cortinado, por favor

Mesmo com inseticidas disponíveis como opção atualmente, em Rio Branco, há pessoas que ainda preferem o uso dos cortinados. Esse é o caso de Rute de Oliveira dos Santos do Nascimento, de 42 anos. Ela conta que durante toda a infância, quando morava no interior do estado, para se proteger de insetos e até morcegos, ela e sua família utilizavam o mosquiteiro, hábito que ainda mantém até hoje.

“É desde a infância. Quando eu morava com meus pais, os colonos tinham o hábito de usar, principalmente devido aos morcegos, eles ferravam a pessoa. Lembro da minha mãe não pisando direito porque o morcego tinha roído o pé dela. Era uma regra muito recomendada à noite. E a questão das carapanãs também”, disse.

Rute aponta também possíveis motivos para o abandono dos mosquiteiros pela população, e reforça que a desigualdade social impacta nessa mudança de comportamento. “As casas forradas, que tem ar-condicionado, eu acredito que não há necessidade de usar o mosquiteiro, porque o ambiente não é aconchegante para esses mosquitos. Acredito que se parou de usar o cortinado porque incomoda e é algo a mais para arrumar, para enrolar, guardar, lavar e colocar”, finaliza Rute.

Nas lembranças

Da geração Z, posterior a de Adriana e Rute. Paulo Victor Alves de Oliveira, de 21 anos, guarda nas lembranças o cortinado da vizinha, responsável por seus cuidados quando criança. “Era só eu e minha mãe. Grande parte do dia a minha mãe ficava trabalhando e eu ia para escola. No tempo que eu não estava com ela, normalmente ficava com uma vizinha. A casa dela era de madeira, era um terreno mais aberto e com muito mais vegetação. Lembro que sempre existia esse cuidado de colocar o mosquiteiro e ver se ele estava certo. Sempre escutava os mosquitos quando acordava no meio da noite, assim, fora do mosquiteiro”.

O jovem, hoje, estudante de biologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) abandonou, assim como Adriana, o cortinado. “Queremos as coisas muito mais fáceis. Lembro que sempre se tinha o cuidado de levantar e amarrar o mosquiteiro e quando fosse dormir o cuidado de não deixar um espaço, um buraco. Na minha concepção, as pessoas (jovens) querem as coisas na hora. O mosquiteiro traz uma dificuldade, por conta da montagem e desmontagem”.

O cortinado, presente por muitas gerações no dia-a-dia dos rio-branquenses na hora de dormir, sofre relutância para se manter como opção na proteção contra os mosquitos. Hoje, com o acentuado processo de urbanização, a popularização dos inseticidas e o controle da Malária, o mosquiteiro parece não atender às necessidades da população, se tornou obsoleto, ficando nas memórias de quem usou durante a infância ou até depois, na vida adulta.

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ESTAMOS DE VOLTA

A Catraia celebra 21 anos e resgata memórias de ex-integrantes

O jornal A Catraia conversou com a ex-estudante de jornalismo, Adrielle Farias, que atua como repórter do jornal Estadão em São Paulo

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Por Danniely Avilis e Isabelle Magalhães 

Ao completar 21 anos de existência, A Catraia entra em um ano especial, que retoma a própria história por meio de relato da ex-integrante. A proposta é revisitar memórias, experiências acadêmicas e trajetórias profissionais que começaram ainda na graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Mais do que relembrar capas ou reportagens antigas, a equipe da A Catraia conversou com Adrielle Farias sobre o período em que era estudante e os primeiros passos na profissão. Adrielle que atuou como editora-chefe do jornal em 2018, ano que define como um dos mais intensos da formação acadêmica.

Foto: Instagram @adriellefarias

Escolha profissional e descoberta no curso

A decisão de cursar Jornalismo não foi imediata. Ainda na escola, Adrielle dividia interesses entre áreas criativas como audiovisual, escrita e comunicação.

“A gente nunca entra na faculdade totalmente sem dúvida, né? Eu gostava de muitas coisas”, afirma Adrielle.

Sem conhecer profundamente o curso da Ufac, ela se inscreveu e, somente após o ingresso, passou a pesquisar sobre professores, disciplinas e possibilidades profissionais. A identificação com a área ocorreu já durante a graduação.

“Eu só entendi que era aquilo que eu queria quando comecei a estudar, ver as matérias. Eu ficava ansiosa para acompanhar a grade curricular”, conta a jornalista.

“Meu pai sempre dizia que eu agarro o mundo com as pernas. Eu queria participar de tudo”, diz Adrielle Farias. Foto: cedida

Rotina intensa e desafios

Durante o curso, a participação nas disciplinas não foi suficiente. Adrielle também esteve envolvida em mostras acadêmicas, eventos e projetos extracurriculares, tendo A Catraia como principal espaço de atuação.

O fato de o curso ser noturno possibilitava trabalhar e estagiar durante o dia, realidade compartilhada por muitos estudantes. A conciliação das atividades, no entanto, trouxe desafios.

A sobrecarga resultou em ansiedade e na necessidade de aprender a administrar o tempo, habilidade que, segundo ela, não costuma aparecer formalmente na grade curricular. Ainda assim, considera que foi nesse período de intensidade que surgiram aprendizados decisivos.

Entre as experiências no jornal, uma reportagem sobre cinema ganhou destaque na trajetória profissional de Adrielle. O tema, que sempre esteve entre seus interesses pessoais, acabou influenciando também a escolha do Trabalho de Conclusão de Curso.

“Eu fui falar sobre cinema, que sempre foi algo de que eu gostei muito e ainda gosto. Inclusive, acho que isso acabou influenciando um pouco a escolha do meu TCC. Eu também usava isso como portfólio, para mostrar meu trabalho; quando me inscrevi para o treininho do Estadão, por exemplo, utilizei esse material como parte do portfólio”, conta a profissional.

Segundo ela, a experiência no jornal contribuiu para a conquista do atual emprego como repórter no Estadão.

Participação de Adrielle Faria no Intercom. Foto: cedida

Trabalho em equipe

Ao relembrar a atuação como editora-chefe, Adrielle destaca o papel do trabalho coletivo no exercício da profissão e orienta como dica para futuros jornalistas que ainda não atuam na profissão.

“O trabalho em equipe é essencial no jornalismo, porque ninguém faz um jornal sozinho. Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito, saber se comunicar e manter o diálogo, para que todos trabalhem pelo mesmo objetivo sem conflitos”, finaliza Adrielle.

“Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito”, afirma a profissional. Foto: cedida

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Independência financeira: um caminho de autonomia para mulheres 

Empreendedorismo feminino cresce como alternativa para conciliar carreira, maternidade e autonomia financeira, apesar dos desafios e preconceitos enfrentados no caminho

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Por Antônia Liz, Barbara Santos, Prisco Martins, Sarah Viviane e Yasmim Barros*

O despertador de Serlândia Marques toca todos os dias às 5h da manhã. Antes de o sol se firmar no céu acreano, ela já prepara o café do filho mais novo, separa o uniforme e o leva para a escola. Depois, segue para o shopping onde abre as portas de sua franquia de cosméticos pontualmente às 10h.  “Venho todos os dias. Não deixo a empresa ausente”, afirma.

A rotina intensa é o retrato de uma nova realidade. Após 26 anos trabalhando sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), Serlândia decidiu, em 2024, recalcular a rota. Mãe de Felipe, Lucas e Pedro, ela percebeu que o emprego formal lhe roubava algo que o dinheiro não comprava:  tempo. 

“A maternidade e a busca por estabilidade financeira foram os pontos principais para eu empreender. Fui CLT por 26 anos e não tinha tanto tempo para os meus filhos. No decorrer do tempo, fui sentindo que deveria estar mais presente nos momentos familiares. Foi uma necessidade”, relata. 

O caso de Serlândia reflete uma tendência que vem ganhando força no Acre e no Brasil. Cada vez mais mulheres enxergam no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas uma ferramenta para conquistar autonomia financeira e, principalmente, flexibilidade para conciliar a carreira com a maternidade. 

Foto: cedida

Rede de apoio

Para que a jornada fosse possível, a empreendedora fez questão de destacar um elemento fundamental: o suporte da família. “Sempre tive minha rede de apoio muito próxima. Meu pai e minha mãe sempre me ajudaram muito. Meus filhos ficavam na casa deles para eu poder trabalhar”, conta Serlândia.

Mas mesmo com planejamento, a vida de mãe e empreendedora reserva surpresas. “Já precisei remarcar reuniões e compromissos várias vezes. Às vezes meu filho ficava doente e eu tinha que levar ao médico. A gente se vira”, comenta

O preconceito velado: “Já fui subestimada” 

Se os desafios logísticos já são grandes, Serlândia revela que precisa lidar também com barreiras comportamentais. A misoginia, infelizmente, ainda é uma realidade para muitas mulheres que ousam empreender. 

“As pessoas às vezes acham que não somos capazes de conciliar. Ter filhos requer muito tempo e atenção. Mas sempre me dediquei, me superei e fui presente tanto na empresa quanto na vida dos meus filhos”, destaca. 

Ela confirma que já enfrentou situações de desconfiança ao longo da trajetória. “Sim, já fui subestimada e desacreditada. Mas a gente aprende a lidar, a não abaixar a cabeça e a seguir em frente.” 

Hoje, aos 52 anos, Serlândia olha para trás com orgulho e para frente com esperança. A decisão de trocar a estabilidade da carteira assinada (CLT) pelo risco de investir no próprio negócio trouxe resultados que vão além do financeiro, mais autonomia, presença na vida dos filhos e a satisfação de construir algo próprio. 

“Eu não trocaria essa experiência por nada. Ver meus filhos crescerem sabendo que a fiz o melhor pra oferecer uma qualidade de vida e conforto , não tem preço. A gente se supera todo dia. É difícil? É. Mas é recompensador”, afirma. 

Sonho em realidade

Se para muitas mulheres o empreendedorismo surge como alternativa para aumentar a renda e conciliar com a maternidade, para outras ele se concretiza a partir de condições mais favoráveis.  É o caso de Aline Mirella, proprietária de uma papelaria , que transformou um sonho antigo em realidade. 

Diferente do que muitas vezes se imagina, Aline não precisou escolher entre a maternidade e a carreira. Ela tinha o desejo de empreender adormecido e decidiu o momento certo para tirar do papel um projeto cultivado desde a infância.  

“A Vontade de empreender é algo que eu sempre desejei desde da minha infância, sempre busquei a independência financeira e a possibilidade de ter mais flexibilidade de horário e qualidade de vida” 

Quando decidiu empreender foi com o objetivo de aumentar a renda. Naquele momento os filhos já estavam maiores e não dependiam tanto dela. Hoje eles também fazem parte do negócio, ajudam na loja e trabalham junto com a mãe. “Acabou virando algo que envolve toda a família. Meu marido e meus filhos sempre estiveram presentes e contribuíram para que tudo funcionasse”, complementa.

Foto: cedida

União e no apoio coletivo 

Muitas mulheres empreendedoras encontram na união e no apoio coletivo uma forma de fortalecer seus negócios. É o que acontece no coletivo de mulheres “Elas Fazem Acontecer”. A coordenadora do coletivo, Teomayra Cristina, explica que o grupo surgiu justamente com o objetivo de criar oportunidades e fortalecer o trabalho das mulheres empreendedoras.  

Segundo ela, o coletivo vai além da realização de feiras e eventos. A proposta também envolve a capacitação e o fortalecimento das empreendedoras.  “A gente organiza eventos, busca parcerias e oferece cursos para ajudar as empreendedoras a melhorar o atendimento e a apresentação dos produtos. Também temos consciência da importância da autonomia e da independência financeira para nós, mulheres”

Outro ponto que ela destaca é a importância da educação financeira para quem decide abrir um negócio. “Temos parceria com o Sebrae, por meio do programa Ser Mulher, que oferece cursos profissionalizantes. Isso ajuda muito na hora da precificação, porque muitas mulheres entram no empreendedorismo sem saber como definir corretamente o preço dos produtos” 

Apesar dos desafios, a coordenadora acredita que o primeiro passo para quem deseja empreender é ter iniciativa. “Se a mulher esperar se organizar totalmente financeiramente, talvez nunca comece. Muitas vezes é preciso ter coragem, dar o primeiro passo e buscar alternativas para fazer o negócio acontecer”, diz.  

Segundo Teomayra, o coletivo reúne mulheres de diferentes perfis e realidades. “Não existe um perfil único. É um espaço muito diverso, com mulheres mais jovens e também aquelas que já estão próximas da aposentadoria, todas buscando algo em comum: independência e estabilidade financeira ”, conclui. 

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

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Brechós movimentam Rio Branco com reaproveitamento de roupas e preços acessíveis

Peças de marcas conhecidas chegam a custar até 80% menos nos brechós da capital acreana

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Por Laianny Sena 

Os brechós fazem parte do cenário de consumo em Rio Branco, oferecendo roupas seminovas por preços mais baixos. A combinação entre economia e reaproveitamento de peças tem atraído moradores da capital acreana e impulsionado o empreendedorismo feminino. Esses espaços também se tornaram uma fonte de renda para muitas mulheres.

A empreendedora Brenda Vidal, de 32 anos, é a criadora do Brechic, brechó online que surgiu em 2020, no início da pandemia. A ideia nasceu quando ela estava em casa, com várias roupas paradas no armário e sem perspectiva de uso. Foi então que decidiu criar um perfil no Instagram para vender as peças. 

“O Brêchic nasceu bem no começo da pandemia. Eu estava em casa, com várias roupas paradas no armário e praticamente zero chances de usar qualquer uma delas. Para ocupar a mente, resolvi criar um Instagram para vender essas peças.”

Vestido da marca Triton. Foto: cedida

Segundo Brenda, um dos diferenciais do negócio foi a forma como construiu a relação com as clientes. “Acho que o diferencial foi humanizar a página. Sempre mostrei a vida real, sem filtro perfeito, sem personagem. Queria que fosse um espaço onde as pessoas se sentissem acolhidas, como se estivessem conversando com uma amiga, mas sem perder o foco na moda consciente”.

Além do reaproveitamento de roupas, o preço das peças também chama a atenção dos consumidores. Segundo Brenda Vidal, um vestido da marca Triton, que pode custar cerca de R$398,00 em lojas ou plataformas online, foi vendido no Brechic por R$80,00. Já uma camisa da Damyller, que em média custa R$150,00 nas lojas, foi comercializada no brechó por apenas R$25,00.

Hoje, o Brechic funciona exclusivamente pelas redes sociais, por meio do perfil @brechic.ac, onde as peças são divulgadas e as vendas realizadas. 

Além das iniciativas individuais, há brecholeiras que também se organizam por meio do Encontro das Brecholeiras. A idealizadora do projeto, Gélly Café, explica que a iniciativa surgiu inspirada em movimentos de moda sustentável dos quais participou quando morou em Brasília. Ao retornar para Rio Branco, percebeu que poderia transformar a experiência em um projeto coletivo, incentivando mulheres a empreender com peças que já tinham no guarda-roupa.

Imagem cedida pela entrevistada

Ao longo de quatro anos, o grupo acompanhou um crescimento significativo dos brechós no Acre, especialmente após a criação do Encontro. A proposta vai além da comercialização de roupas e inclui mentoria e fortalecimento coletivo. 

“Muitas mulheres começaram apenas desapegando peças pessoais e hoje já têm fornecedores, estruturaram uma dinâmica comercial própria e atuam também no online, utilizando estratégias de comunicação e posicionamento”, destaca Gélly Café.

“No brechó, as pessoas conseguem se vestir bem, com qualidade e pagando pouco. A moda se torna acessível, inclusive para famílias que muitas vezes não conseguem comprar roupas em lojas convencionais”, afirma.

Imagem cedida pela entrevistada

Além da economia para os consumidores, o reaproveitamento de roupas também contribui para reduzir o descarte de peças que ainda estão em bom estado.

Para muitas mulheres, o brechó representa geração de renda, autonomia financeira e fortalecimento pessoal. O Encontro das Brecholeiras também promove uma rede de apoio e colaboração entre as participantes.

As agendas e informações sobre os eventos são divulgadas no Instagram, por meio do perfil @encontrodasbrecholeiras, onde também são divulgadas as próximas edições realizadas na cidade.

Entre os diferentes públicos atendidos pelos brechós, também há iniciativas voltadas para roupas e itens infantis. Como as crianças crescem rapidamente, muitas peças são usadas por pouco tempo, o que torna o reaproveitamento mais comum. Por isso, os brechós acabam sendo uma alternativa para pais e responsáveis venderem roupas que já não servem mais e, ao mesmo tempo, permitem que outras famílias encontrem peças infantis em bom estado por preços mais acessíveis.

A presença dos brechós em Rio Branco mostra diferentes formas de consumo e geração de renda na cidade. Mais do que uma opção econômica, esses espaços incentivam o consumo consciente, fortalecem o empreendedorismo feminino e permitem que consumidores tenham acesso a peças de marcas conhecidas e em bom estado por preços mais acessíveis.

Redação

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