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Psoríase: o preconceito de quem sente na pele

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Fonte: Reprodução/ Internet

Por Bruna Giovanna e Danna Anute

Lesões avermelhadas e/ou esbranquiçadas, descamação da pele, coceira e desconforto podem ser alguns dos sintomas de quem possui a psoríase. Uma doença de pele autoimune e não contagiosa. Segundo dados da ONG Psoríase Brasil, a doença acomete mais de 125 milhões de pessoas no mundo todo e, no Brasil, são mais de cinco milhões de portadores. A doença pode afetar o corpo todo, principalmente os joelhos, cotovelos, mãos, pés e o couro cabeludo.

Além da pele, essa doença atinge principalmente a autoestima daqueles que a tem. É o que aponta um estudo recente realizado pelo HSR Helth, onde diz que 62% dos psoriáticos deixam de expor seus corpos em praias e piscinas no verão. Em média, o diagnóstico para a psoríase leva mais de três anos e 29% não tratam a doença.

Para Adriana Mariano, médica reumatologista da Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), a consequência da psoríase não se limita a lesões na pele, dores articulares e inflamações nos olhos. “A consequência pior é a psicológica, porque ela é estigmatizante e diminui muito a qualidade de vida do paciente. Ele sofre preconceito porque a sociedade não entende que essa não é uma doença infecciosa, não transmissível. Pensam que é uma doença fúngica e transmissível, então, o paciente sofre muito preconceito”, ressalta.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (2015/2016), a prevalência no Brasil varia entre 1,10 e 1,50%, com grande variabilidade entre as regiões: 0,92% (Norte) e 1,88% (Sudeste). No entanto, a SBD informa que a psoríase tem controle e não deve ser motivo de preconceito nem impedimento de praticar atividades e vivenciar as situações do dia a dia. “O esclarecimento das dúvidas da população é uma forma de minimizar o preconceito e de valorizar a autoestima dos pacientes”, salienta Claudia Maia, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

JONAS, FORMADO EM RH, 25 ANOS

Fonte: Arquivo pessoal

Desde os 14 anos, o paulista Jonas Machado diz viver com a condição de pele. Logo após o diagnóstico, iniciou o processo de aceitação. Incialmente, sua psoríase era leve e levou cerca de 10 anos para ficar forte, e seu processo de aceitação foi junto a isso, vindo aos poucos. Jonas diz não ter ido atrás de pessoas com a mesma condição, mas depois que criou uma conta no Instagram para mostrar sua vida pôde conhecer muitas pessoas boas que compartilham experiências semelhantes. 

Quando o assunto é preconceito, o jovem diz ter sofrido no ônibus e nas aulas de natação, com olhares feios, mas um episódio em especial lhe marcou profundamente. “Foi uma vez que eu fui em uma entrevista de emprego. Sou profissional de RH (Recursos Humanos), era uma entrevista com poucas pessoas. Na sala só tinha eu e a entrevistadora, e a todo momento em que eu ia me apresentar ela olhava mais para os meus braços com lesões da psoríase do que para os meus olhos. E teve uma hora em que eu olhei para os meus braços, passei as mãos e olhei para ela, naquele momento ela ficou constrangida e foi exatamente o que eu queria fazer: eu queria deixá-la constrangida por me deixar constrangido.”

Fonte: Arquivo pessoal

Além do preconceito, Jonas diz que muitas pessoas tentam achar a cura para a psoríase, dando sugestões para ele passar coisas em seu corpo. Mas, mesmo assim, ele busca explicar o que é:uma doença autoimune e que não tem cura, só controle. “As pessoas tentam fazer tudo, sabe? Eu já ouvi coisas terríveis e já fiz coisas terríveis. Já fui atrás de auto imunoterapia, que é pegar seu sangue e aplicar em você mesmo, já apareceram tantas receitas malucas na internet… e a gente, por desespero, vai lá e faz. Então, eu acho que as informações boas devem ser disseminadas, porque informação ruim pula no seu colo e a pessoa desesperada faz”, enfatiza.

ANNE, JORNALISTA, 32 ANOS

Fonte: Arquivo pessoal

Para a jornalista acreana Anne Nascimento, além da autoestima, existe um fator externo que tem somado nas dificuldades dos psoriáticos, o preconceito. “As frustrações vêm com os olhares de nojo, que inevitavelmente sinto, com a soberba em certas atitudes. Mas o processo de aceitação foi muito importante para mim e, hoje, creio que a pessoa que tenha um comportamento destes deve ser repreendida, porque, afinal de contas, nem eu nem ninguém é obrigado a aceitar pessoas falando coisas que nos deixem mal. A minha pele é minha, só minha, e embora diferente, ela cumpre com o papel dela”.

A jornalista explica que sua depressão severa foi mais agravada com a situação de sua pele, tendo em vista que a doença autoimune é intimamente ligada com a saúde mental. Além disso, diz ouvir muitos comentários acerca de sua aparência do passado, de como ela era bonita, e outros destinados às suas feridas na pele. “Nossa pele é nosso cartão de visitas. A minha, infelizmente, não é uma pele saudável ou dita bonita pelo padrão. E por alguma razão as pessoas pensam que podem soltar suas opiniões a torto e a direito sem nem saber que machucam. Hoje, aprendi a devolver as respostas e desenvolvi técnicas para deixar a própria pessoa envergonhada em dizer uma barbaridade dessas. Elas têm de aprender. Eu, por ter a condição, devo ensinar”, explica.

Fonte: Arquivo pessoal

Os primeiros sintomas de Anne apareceram logo após um grande trauma emocional, há cinco anos. Ela escondia ainda mais a pele do que esconde hoje, mas a procura por pessoas que estivessem vivendo o mesmo problema foi extremamente necessária. “Conhecer iguais é de suma importância para conseguir, primeiro, a aceitação. Procurei, para evitar de pôr a cara a tapa mesmo, grupos na internet que falavam sobre o tema. Tenho bons amigos até hoje e, obviamente, aproveitamos estes espaços não apenas para nos conhecer, mas para trocar ‘figurinhas’ sobre o tema. Encontrar iguais salvou minha vida, pois notei que, apesar de diferente da maioria, sempre tem alguém que tem algo semelhante ao que você tem, um problema parecido com o seu.”

Apesar das dificuldades de conviver com uma doença psicossomática, Anne tenta levar tudo em sua vida com bom humor. Hoje, para evitar problemas futuros, busca levar uma vida mais leve e saudável, passou a frequentar terapia e respeitar os seus momentos de tristeza, que podem envolver tanto a psoríase ou não. “A psoríase me ensinou a me respeitar: ela sou eu, ela faz parte de mim. Por mais difícil que seja a vida com psoríase, aceitá-la foi o mais eficaz. Afinal de contas, estaremos sempre juntas, eu e minha pele”, finaliza a jornalista.

CONSEQUÊNCIAS

A reumatologista Adriana Marinho explica que o diagnóstico de psoríase é feito com base nos achados clínicos e exames físicos, que geralmente são placas esbranquiçadas, descamativas, na região extensora do cotovelo, joelho e lesões nas unhas. Mas, algumas vezes, ocorre a psoríase invertida, que acontece na prega do cotovelo, na região da virilha e nádegas. Outro local bastante comum é no couro cabeludo. Tão comum que às vezes pode ser confundido com caspa ou com dermatite seborreica.

Fonte: Revista Saúde/ Reprodução

“Por ser uma doença autoimune, a psoríase pode ocasionar a inflamação nos olhos, o que é de conhecimento de poucas pessoas. Chamamos de uveíte, olhos vermelhos. Além de dores articulares, que inclusive podem levar à obstrução das articulações nos joelhos e quadril, como também deformidades nas mãos e punhos.” A reumatologista ainda complementa que cerca de 30% dos pacientes com psoríase têm alguma dor e não relacionam com a doença de pele, pois às vezes a doença não está tão agressiva e nem acometendo a pele em grande quantidade, mas existe a presença da dor articular que incomoda e limita as atividades diárias do paciente.

A especialista explica que uma inflamação na articulação é possível ser quantificada com exame de sangue, para saber se está muito inflamada ou não. Mas quando se trata da questão psicológica, o médico nem sempre consegue quantificar e às vezes isso passa batido para quem é mais objetivo, não pensando e nem avaliando esse aspecto.

“Geralmente a autoestima do paciente é muito comprometida por causa da doença de pele. Ele não tem coragem de usar um short quando acontece a psoríase na pele ou de ir para um banho, pois as pessoas ficam olhando e julgando. Por isso, existe até um questionário para sabermos quantas vezes o paciente deixou de sair por conta das lesões de pele, quantas vezes ele deixou de fazer atividades com os familiares e amigos por conta das lesões e o que isso influencia na vida.” Para Adriana Marinho, médica reumatologista da Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), esse comprometimento emocional nem sempre é percebido pelos profissionais de saúde, que às vezes não questionam, não avaliam, nem quantificam.

Redação

Corriqueiras

A fruta que o gado não come: produção de pitaya ganha espaço no Acre

Produção familiar encontrou na pitaya uma alternativa resistente ao pasto, garantindo renda e evitando prejuízos causados pelo gado

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Por Vitória Messias

Exótica, colorida e cada vez mais presente no cotidiano dos rio-branquenses, a pitaya, conhecida popularmente como fruta-do-dragão ou fruta do cacto, vem ganhando destaque nas ruas de Rio Branco. O crescimento do consumo é impulsionado por uma rede de comércio administrada por mãe e filho, que desde 2020 atua em dois pontos da capital acreana, no Vila Acre e na Avenida Rio de Janeiro, com a proposta de popularizar a fruta e valorizar a produção da agricultura familiar.

Originária da América Central, a pitaya possui registros de consumo desde as civilizações Asteca e Maia, na região que hoje corresponde ao México. Introduzida no Brasil na década de 1990, a fruta passou a ser cultivada em Rio Branco há cerca de seis anos, a partir da produção de Kelarkian Brilhante e de sua mãe, Ivanna Brilhante, com o apoio de outros familiares que enxergaram no cultivo da pitaya uma alternativa sustentável de renda extra.

Ivanna e Kelarkian Brilhante, donos da plantação de pitaya. Foto: Vitória Messias.


Anteriormente, a família Brilhante se dedicava ao cultivo de maracujá e à criação de gado na propriedade. No entanto, um episódio de descuido, aliado a uma cerca mal conservada, permitiu a entrada dos animais na área de plantio, ocasionando a perda total da lavoura.

Segundo Ivanna, a situação motivou uma reflexão sobre o que era plantado ali. “Meu filho queria plantar algo e ter uma produção própria, fruto do esforço dele. Chegou a pensar em macaxeira, mas eu o alertei que o gado poderia comer a plantação, como fez com o maracujá”, explica.

Com esse pensamento, e em meio à pandemia, mãe e filho conseguiram se reerguer. Kelarkian se inspirou ao assistir vídeos sobre a Pitaya no Youtube e conta sobre aconselhamentos da avó para dar início ao que seria a maior fonte de produção de Pitaya do estado.

“Minha avó, que era viva na época, foi uma fonte de orientação. Ela desencorajou a ideia de plantar maracujá novamente. Um dia, navegando no YouTube, encontrei um vídeo sobre pitaya. Fiquei fascinado e pesquisei a fundo. No dia seguinte, mostrei para minha avó, e ela confirmou que a pitaya era a escolha certa, pois o gado não a comeria”, conta.

O agricultor explica que a decisão de iniciar o cultivo amadureceu ao longo dos primeiros meses do ano. “A ideia surgiu entre fevereiro e março. Em junho, fui buscar as mudas e conheci o seu Celeste, um produtor muito atencioso. No início, o plano era plantar mil mudas, mas, por questões financeiras, comecei com 400. A partir daí, passei a reaproveitar as próprias mudas: todo ano eu retirava e replantava. Fiz isso desde 2020. Em 2021, ampliei o plantio e continuei expandindo a área, até chegar ao que temos hoje”, relata.

Plantação das pitayas Brilhante. Foto: Vitória Messias.

Hoje os agricultores somam 2.800 mudas, com apenas 2.500 em produção, porém, a família enfrentou dificuldades para vender no primeiro e segundo ano de safra. “No primeiro a gente colhia mais fruto do que vendia. O pessoal não conhecia e não queria comprar um alto valor agregado em cima e foi difícil nos dois primeiros anos, mas de 2023 para cá, a pitaya só vem avançando e aumentando o sucesso”, conta Ivanna.

Os produtores comercializam mais de 2 mil mudas de pitaya desde 2023. A partir desse período, o público também variou. “Antes eram mais idosos, pessoas que frequentavam a academia. Depois mudou para o público infantil. Várias crianças queriam, aperreavam o pai para comprar”, conta Kelarkian.

Com a barraca montada na Avenida Rio de Janeiro, e plantação ativa no bairro Vila Acre, a família tem conquistado o público e planeja exportar o produto futuramente.

Benefícios à saúde

Seja pitaya vermelha, branca ou roxa, em meio às variações da fruta, os valores nutricionais variam, como aponta o nutricionista Inauã Rodrigues. “A pitaya vermelha e roxa tem mais compostos antioxidantes do que a branca. Um grande benefício é a praticidade, ela congelada não perde nenhum nutriente, perfeito para só depois bater no liquidificador e fazer um sorvete ou vitamina“, recomenda Inauã.

Inauã Rodrigues, nutricionista. Foto: arquivo pessoal.

A fruta contém minerais como magnésio e vitaminas, incluindo a vitamina C, que, segundo o nutricionista, são antioxidantes importantes, responsáveis por auxiliar na redução de processos inflamatórios no organismo, tanto os mais comuns, como a acne, quanto os mais complexos, como a fibromialgia.

Rodrigues complementa. “É uma fruta leve, com baixo teor calórico e rica em água e fibras. Essa composição a torna benéfica para a saciedade e a regulação intestinal, promovendo uma sensação de leveza”.

A pitaya pode ser incluída em diferentes planos alimentares, seja para quem busca emagrecimento, ganho de massa muscular, prevenção ou tratamento de doenças. Para Maria Luiza, consumidora fiel da família Brilhante, a fruta virou parte do cotidiano. Devido sua praticidade, a cliente faz questão de garantir seu estoque pessoal a cada nova safra.

“Eu nunca tinha comido pitaya antes, eu já tinha visto, mas eu fui comer primeiro as pitayas da Dona Ivanna, em 2023. Eu compro muitas pitayas para consumo próprio. Eu como elas o ano todo, só congelo, e faço suco ou shake, porque eu gosto do sabor, e ela faz muito bem ao meu intestino, é por isso que eu compro muitas”, diz Luiza.

E, assim como fez a diferença na trajetória da família Brilhante, a pitaya segue conquistando espaço e se popularizando entre os mais diversos públicos. Presente nas feiras, nas ruas e na mesa dos acreanos, a fruta deixa de ser vista apenas como exótica e passa a integrar o cotidiano, unindo saúde, sabor e fortalecimento da agricultura familiar.

Redação

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AMOR EM QUATRO PATAS

A adoção de pets como equilíbrio entre responsabilidade afetiva e social

Com 65 animais disponíveis no Centro de Controle de Zoonozes de Rio Branco, busca por novos lares para cães e gatos adultos visa combater o abandono

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Por Lis Gabriela e Rhawan Vital

O cenário no Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Rio Branco reforça uma triste realidade: muitas pessoas dão preferência à adoção de filhotes para serem seus novos pets, enquanto cães e gatos adultos enfrentam longos períodos de espera em canis e gatis. Além da questão afetiva, a adoção desses animais também pode ser considerada uma decisão que auxilia na saúde pública e no manejo populacional desses animais no ambiente urbano.

Nesse contexto, foram instituídos os CCZs, com o objetivo de focar na vigilância epidemiológica e no controle de doenças que podem ser transmitidas por animais ao ser humano, como raiva e leishmaniose, além de casos em que os animais apresentam risco aos tutores ou agressividade. Mas, apesar de sua função inicial, essas unidades se tornam lares temporários e, por muitas vezes, permanentes para diversos animais.

Cães e gatos adultos aguardam por uma nova chance de recomeço nos canis e gatis do Centro de Controle de Zoonoses de Rio Branco. Foto: Rhawan Vital

De acordo com o agente de Vigilância em Zoonoses, Joel Pereira, do Centro de Zoonoses de Rio Branco, a busca por outra condição de vida para os animais é um objetivo a ser atingido, seja em um lar ou um ambiente adequado, para que recebam o devido carinho. Os animais adultos, quando acolhidos, também proporcionam uma experiência única para o tutor. Além disso, a quebra do ciclo de abandono passa, obrigatoriamente, pela educação da sociedade e pelo reconhecimento do animal a ser adotado. Escolher um animal adulto é priorizar a consciência ao invés de uma fase momentânea com um pet.

Dessa forma, a cultura da adoção é um indicativo de maturidade social. Ao escolher adotar, as pessoas deixam de ser apenas espectadores do problema do abandono para se envolver de forma ativa na solução. “Ter um bicho de estimação é bom, porque você tem companhia sempre. Também te faz ter um senso de responsabilidade que não tinha antes. Pra mim, é uma companhia que nunca incomoda”, afirma Álvaro Bagnara, tutor dos gatos Cheddar e Grafite.

Além da vigilância em saúde pública, o CCZ também se torna lar temporário e, muitas vezes, permanente, para animais vítimas do abandono. Foto: Rhawan Vital

Álvaro conta sobre seus gatos: Grafite foi adotada ainda filhote, então passou por uma fase de criação e ensinamentos, desde o onde se alimentar à caixa de areia. Já Cheddar chegou um pouco mais tarde na família, já adulto e após ser abandonado pelos antigos tutores, mas mesmo assim não deixou de entregar amor. Em relação à adaptação, o tutor dos felinos conta que o tempo bastou para que houvesse um entendimento de que compartilhavam o mesmo lugar.

“No começo a Grafite brincava muito de perturbar o Cheddar, que sempre foi muito quieto e na paz. Com o passar do tempo, apesar do Cheddar continuar no seu cantinho, a Grafite entendeu que eles moravam juntos. Ela não deixou de perturbá-lo, mas o Cheddar começou a revidar. Essa foi a diferença com o passar do tempo” conta Álvaro, de forma animada.

Adoção responsável

O CCZ de Rio Branco conta com 65 animais disponíveis para adoção, sendo eles cães e gatos, filhotes e adultos. Entre eles estão: 40 cães adultos, oito filhotes, 11 gatos adultos e seis filhotes. Os animais são vacinados e têm carteirinhas próprias, prontos para que seus tutores acompanhem e cuidem de maneira adequada, de acordo com datas e mutirões de vacinação disponíveis no futuro.

A adoção responsável transforma realidades: para quem adota, nasce um vínculo; para quem é adotado, surge a oportunidade de um lar. Foto: Rhawan Vital

A adoção pode ser feita de segunda a sexta-feira, entre as 7h e as 17h, e necessita que o interessado tenha mais de 18 anos, apresente o documento oficial e assine o termo de adoção responsável, documento que valida a adoção e a responsabilidade do novo dono do pet.

Ao retirar um animal adulto de um centro, o cidadão contribui diretamente para a redução da superlotação (tanto das ruas, quanto dos abrigos e CCZs) e permite que o Estado e outros profissionais da área veterinária direcionam recursos para outras frentes de saúde e bem-estar animal. É importante ressaltar que a adoção é um ato de responsabilidade civil, e não deve ser confundida apenas com uma boa ação.

Redação

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CONSCIENTIZAÇÃO

Projeto EducaLeish leva ações de prevenção contra leishmaniose a escolas e comunidades rurais do Acre

Transmissão da leishmaniose segue intensa em áreas rurais e acende alerta entre especialistas no Acre

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Por Julie Siqueira e Ana Luiza Pedroza

A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma doença tropical negligenciada, endêmica no Brasil, com maior concentração de casos na região amazônica. No Acre, apenas na última década, mais de 11 mil casos foram notificados, evidenciando a persistência e a intensidade da transmissão local, especialmente em áreas rurais. Transmitida pelo mosquito-palha, a doença pode se manifestar nas formas cutânea ou mucosa e, quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode causar complicações significativas aos pacientes.

Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por parasitas transmitidos pela picada do mosquito-palha, que pode afetar a pele, mucosas ou órgãos internos. Foto: reprodução

Diante desse cenário, em 2022, durante atividades de campo voltadas à investigação da ecoepidemiologia da doença em áreas rurais, a equipe do Laboratório de Patologia e Biologia Parasitária (LabPBP/CCBN/Ufac) deu início às atividades educativas junto aos moradores dessas comunidades. As ações iniciaram como parte do projeto de doutorado em Medicina Tropical do biólogo Leandro Siqueira, desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e marcaram o surgimento do projeto de ensino e extensão EducaLeish.

O projeto tem como objetivo capacitar profissionais da saúde sobre a leishmaniose, além de promover ações de educação em saúde voltadas à comunidade, com foco nos aspectos básicos da doença, como transmissão, prevenção, sinais e sintomas. A iniciativa é coordenada pelo professor Francisco Glauco de Araújo Santos e pelo biólogo Leandro Siqueira e conta com a participação de estudantes e docentes dos cursos de Medicina, Medicina Veterinária, Biologia e Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Entre as principais iniciativas desenvolvidas pelo EducaLeish estão as visitas anuais a escolas de comunidades rurais da Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema. Nessas mobilizações, são realizadas exposições sobre o ciclo de transmissão da doença, com estratégias que permitem a interação dos alunos e da comunidade com microscópios, lupas, vetores, materiais biológicos didáticos e jogos educativos.

Além das ações em áreas rurais, o projeto também realiza ações de educação em saúde em escolas públicas de Rio Branco, levando informações sobre a leishmaniose de forma acessível para crianças e adolescentes. A proposta é trabalhar a prevenção, os cuidados necessários e a identificação precoce dos sintomas por meio de uma abordagem prática, lúdica e interativa.

A iniciativa tem sido bem recebida pelas instituições de ensino atendidas. Para Laézio Lira, diretor da Escola Tancredo Neves de Almeida, a presença de profissionais e estudantes da área da saúde torna o aprendizado mais efetivo.

Estudantes apresentam atividades práticas sobre a leishmaniose a alunos de escola pública de Rio Branco. Foto: Divulgação/EducaLeish

“A grande importância desse trabalho que a Ufac está trazendo para a escola sobre a leishmaniose é que vai trabalhar a prevenção, os cuidados que devem ser adotados e os sintomas da doença. Uma coisa é o professor estar em sala passando o conteúdo de forma teórica, outra é o pessoal da Medicina e da Medicina Veterinária da UFAC trazendo essa prática. Os alunos ficam muito motivados e encantados com a dinâmica”, afirma.

Nas comunidades rurais, o impacto também é percebido pelos estudantes. Um aluno do ensino fundamental da Escola Hermínio Pessoa, localizada na Reserva Cazumbá-Iracema, comentou sobre a experiência: “Foi a primeira vez que vi um microscópio. Antes a gente só via na televisão. Foi muito legal as atividades e nossa turma gostou bastante”.

Segundo a direção das escolas, as práticas extensionistas contribuem para aproximar os estudantes da ciência e reforçam o papel da escola como espaço de promoção da saúde e do conhecimento científico.

Pesquisadores e estudantes levam o EducaLeish para comunidade rural do interior do Acre. Foto: Divulgação/EducaLeish

A participação dos universitários é outro ponto central do projeto. Para a estudante de Biomedicina Thais Cardeal, de 18 anos, a experiência tem contribuído para seu amadurecimento acadêmico e pessoal.

“A proposta de unir pesquisa, laboratório e ações em escolas me motivou bastante, porque envolve aprendizado e contribuição social”, destaca.

Além das frentes de atuações consolidadas, o EducaLeish prevê uma nova etapa para os próximos meses, comentou o biólogo Leandro Siqueira.

“A educação em saúde é a principal estratégia para a prevenção de doenças. Levar essas atividades para as escolas rurais, onde os alunos e professores não possuem acesso como na zona urbana, é um dos privilégios deste projeto. Para os próximos meses, estamos organizando uma Mostra de Ciências na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, a primeira a ser realizada em comunidades rurais, com objetivo de promover ações de divulgação e popularização da ciência em escolas de comunidades rurais de difícil acesso”, comenta.

A proposta da mostra é ampliar o diálogo com moradores e estudantes da região, fortalecer a divulgação científica e incentivar o interesse pela ciência. A iniciativa se soma às visitas anuais realizadas pelo projeto e marca um novo momento de aproximação entre ensino, pesquisa e extensão, para propiciar a troca de experiências entre a comunidade acadêmica e profissionais de diversas áreas e comunidades tradicionais.

Redação

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