O atendimento a pessoas com lúpus é garantido na rede pública de saúde estadual e municipal. Foto: Dana Anute
Por Ediogley Levi, Ingrid Moura, Suene Almeida, Márcio Levi e Pamela Caetano
No Acre, pessoas com lúpus passaram a ter atendimento preferencial em instituições públicas, privadas, estabelecimentos comerciais, como também estacionar em vagas específicas. As novas garantias integram a Lei nº 4.128/2023, publicada em Diário Oficial do Estado, e estão em vigor desde julho deste ano.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), o lúpus é considerado uma doença inflamatória crônica de origem autoimune e que ataca o sistema imunológico. Cientificamente, são reconhecidos dois tipos de lúpus: o cutâneo, em que os sintomas se manifestam na pele, e o sistêmico, quando são afetados um ou mais órgãos.
No Brasil, a SBR informa que não há números exatos sobre as pessoas com lúpus, porém ela é registrada com mais frequência em mulheres com idade de 20 a 45 anos. As estimativas indicam que, no país, cerca de 65 mil pessoas têm lúpus. Acredita-se que uma a cada 1,7 mil mulheres tenha a doença. Se pensarmos nos dados, em Rio Branco, mais de 200 pessoas contariam com diagnóstico positivo para o lúpus.
De acordo com a médica reumatologista, Adriana Marinho, que trabalha na Fundação Hospital do Acre, unidade de saúde referência no tratamento da doença, o diagnóstico muitas das vezes é realizado tardiamente. “O diagnóstico era para ser feito pela Unidade Básica de Saúde, mas a maioria dos pacientes têm o diagnóstico realizado pelo Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco. Muitos deles acabam recebendo o exame de forma tardia quando tem algum órgão gravemente acometido”.
A médica reumatologista, Adriana Marinho, auxilia no diagnóstico de pessoas com lúpus na Fundhacre. Foto: Arquivo pessoal/Adriana Marinho
Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de Rio Branco, as Unidades de Rápido Atendimento do município realizam o atendimento de pacientes, no entanto não dispõem de especialistas para obtenção de diagnósticos.
“As unidades do município não dispõem de médicos especialistas para realizar o diagnóstico, uma vez que nestes locais contamos apenas de clínicos gerais. O médico pode solicitar exames, como hemograma e outros, mas serão encaminhados para especialistas para dar continuidade ao diagnóstico”, informa o assessor especial da prefeitura, Ailton Oliveira.
Adriana Marinho explica também que o ambulatório para atendimento a pessoas com lúpus não suporta a demanda local. “O ambulatório de lúpus conta com 18 vagas. Todas as sextas-feiras, no Hospital das Clínicas, era para se ter um acesso mais fácil, sobrando vagas, mas, às vezes, os pacientes se queixam que o atendimento demora um mês ou dois”, explica a reumatologista.
Em resposta ao apontamento sobre a pouca oferta de vagas, a assessoria de comunicação da Fundhacre informou que atualmente há uma fila de espera com 236 pacientes em busca por atendimento, no entanto a unidade já disponibilizou mais um médico especialista para atender a demanda.
“Anteriormente tínhamos apenas dois profissionais atendendo na área, agora vamos contar mais um profissional, totalizando três médicos. É preciso entender que os serviços são destinados para todo o Acre, não apenas Rio Branco. Por isso a demanda por diferentes especialistas para se chegar a um diagnóstico é muito grande”, informa a chefe de comunicação do hospital, Juliana Queiróz.
Rotina e cuidados
O autocuidado e a realização de exames de rotina são fundamentais para a descoberta do lúpus, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com outras doenças. Contudo, existem alguns critérios prévios que ajudam na realização do diagnóstico, conforme informa a médica Adriana Marinho.
“Os sintomas do lúpus são diversos, por isso o diagnóstico não é tão fácil. Seguimos alguns critérios específicos para identificar a doença, como por exemplo, feridas na boca e nariz, sensibilidade à exposição ao sol, inflamação das articulações (artrite), alteração nas artérias renais, lesões avermelhadas no rosto, dentre outras”.
Segundo a especialista, após identificação dos sintomas, o paciente é encaminhado para a realização do exame de Fator Antinuclear (Fan), que é feito a partir da coleta de sangue, para identificar suspeitas de doenças autoimunes. Após diagnóstico da doença, o tratamento é iniciado.
“O tratamento ocorre a partir da prescrição médica, em conjunto com adoção de uma vida mais saudável. A depender dos sintomas, são indicados anti-inflamatórios, corticoides, protetor solar, analgésicos, além de outros medicamentos que variam de acordo solicitação médica”, detalha Adriana Marinho.
A médica reforça que é importante que o paciente com lúpus adote um estilo de vida mais saudável, como não fumar, praticar atividades físicas, não consumir bebidas alcóolicas, dietas ricas em cálcio, descanso, realização de exames periódicos do coração e manter as vacinas em dia.
Para Adriana Marinho, a nova lei que garante atendimento preferencial às pessoas com lúpus deve ser entendida como mais um benefício. “Levando em conta que essas pessoas sofrem com diversas condições de mobilidade, a lei é imprescindível para que essas pessoas tenham um atendimento de qualidade, tendo em vista seu quadro clínico”.
Do diagnóstico ao tratamento
Jamile Romano, que é estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), foi diagnosticada com lúpus em 2010. A jovem conta que antes de receber o parecer médico final, sofria muito com dores articulares e por diversas vezes foi ao hospital. No entanto, as dores eram mais intensas e a princípio ela foi diagnosticada com artrite reumatoide.
A jovem conta que o diagnóstico de lúpus ocorreu somente depois que surgiu um novo sintoma. Uma queimadura de grau elevado na pele, na região do ombro, fez com que a médica que a atendeu suspeitasse da doença autoimune e devido à gravidade do sintoma descartou o diagnóstico anterior.
“Quando a médica viu a queimadura, ela disse que eu não tinha artrite, mas sim lúpus. Com isso, ela me encaminhou para fazer vários exames, que realmente constaram que eu tinha lúpus”, conta a estudante.
Sobre a nova lei, Jamile Romano entende que o atendimento prioritário às pessoas que têm lúpus como algo positivo. “Essa lei é um benefício muito importante para nós. É uma conquista, porque a partir de agora teremos um atendimento de qualidade e mais ágil”.
Nova legislação
Para que a nova legislação fosse publicada, desde 2019 vinham sendo realizadas discussões na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). O deputado estadual Émerson Jarude, autor da proposta que incluiu pacientes com lúpus nos atendimentos prioritários, explica as motivações que levarem a Aleac a seguir a demanda.
Deputado Emerson Jarude foi autor da lei. Foto: Aleac
“Assim como as pessoas com fibromialgia, pessoas com lúpus também passam por diversas dificuldades no acesso preferencial aos serviços públicos e privados. Considerando o fato de que o lúpus é uma doença inflamatória de origem autoimune, podendo causar diversas consequências negativas, a exemplo de fraqueza e dores nas articulações, este projeto proporcionou os mesmos direitos já garantidos aos pacientes com fibromialgia e previstos na Lei 3.752/2021”, explica o parlamentar.
Para ter acesso aos benefícios da nova legislação, o paciente deverá apresentar laudo médico e cartão de identificação, que será expedido de forma gratuita por órgãos competentes. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), os locais responsáveis para emissão das carteirinhas ainda estão sendo definidos e serão informados à comunidade por meio dos canais oficiais do Governo do Estado.
Por Alessandra Akemi, Ana Rita Balbino, Gilliane Silva, José Victor Albuquerque, Larissa Rodrigues e Maria Naiara Santos*
Devido ao estado crítico do estoque do Hemocentro, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Acre (Hemoacre) está em busca de novos doadores voluntários de plaquetas por aférese. A mobilização ocorre durante todo o ano e tem como finalidade ajudar pacientes em tratamentos oncológicos e emergenciais que dependem desse componente, cuja validade é de apenas cinco dias, necessitando de reposição constante para garantir a continuidade dos tratamentos.
Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoracre, Quésia Nogueira, destaca que a doação de plaquetas por aférese é essencial. Segundo ela, uma única bolsa coletada pode equivaler a seis ou sete doações de sangue total, permitindo que o paciente receba plaquetas de apenas um doador, reduzindo riscos transfusionais e garantindo maior qualidade e segurança.
Quésia Nogueira, Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoacre. Foto: Larissa Paiva
De acordo com a profissional, para se tornar doador é necessário possuir boa relação entre peso e altura, acesso venoso adequado e disponibilidade de tempo, já que o procedimento dura cerca de 60 minutos. Ela ressalta ainda a importância do comprometimento com o agendamento, pois cada coleta costuma ser destinada a um paciente específico.
Quésia explica que o incentivo à doação de plaquetas começa, geralmente, pela doação de sangue total, momento em que o voluntário conhece o serviço, perde o medo do procedimento e realiza seus primeiros exames. Campanhas informativas, divulgação nos meios de comunicação e o compartilhamento de experiências entre os próprios doadores são estratégias fundamentais para ampliar o número de voluntários. De acordo com ela, a informação acessível e o contato direto entre profissionais e população são essenciais para despertar o interesse e fortalecer a cultura da doação regular.
Enfermeira formada pela Universidade Federal do Acre com Pós Graduação em Clínica Transfusional, Elba Luiza é a profissional referência no Hemocentro do Acre quando o assunto é “plaquetaférese”. “As plaquetas são o hemocomponente responsável pela coagulação sanguínea. Esse tipo de doação é completamente segura. Com o uso de kits descartáveis são realizadas duas etapas: extração e retorno – A máquina fará todo o procedimento sozinha”, explica.
Enfermeira Elba Luiza de Souza Oliveira, especialista em Clínica Transfusional. Foto: Larissa Paiva
Em consideração à baixa procura ou falta de conhecimento por parte da população, Elba alerta: “Estamos com o estoque do Hemocentro em estado crítico. As plaquetas têm uma vida de cinco dias úteis, por isso precisamos de comprometimento dos doadores. Pedimos que o voluntário venha realizar a doação sem pressa, pois essa é uma doação especial de suma importância para tratamento em pacientes oncológicos”.
Motivações para doar plaquetas
Josué Azevedo, técnico em análises clínicas e doador de plaquetas por aférese há dois anos, conta que conheceu o procedimento por meio do trabalho na área da saúde. Segundo ele, apesar da doação durar um pouco mais que a convencional, a experiência é tranquila e segura. “Saber que uma única doação pode ajudar várias pessoas é o que me motiva a continuar”, ressalta.
O arquiteto Ille Derze é doador de sangue há três anos e decidiu aumentar sua contribuição e se tornar um doador de plaquetas após ser convidado pelos profissionais do Hemocentro. Segundo ele, a principal motivação é ajudar pacientes em tratamento contra o câncer. “Eu já doava sangue há muitos anos. Quando me explicaram que as plaquetas são muito usadas no tratamento de crianças com câncer, isso mexeu muito comigo”, relata.
O doador realiza o procedimento sempre que é convocado pelo Hemocentro. Com o tempo, a experiência também mudou sua postura sobre o tema. Ele passou a incentivar familiares e amigos a se tornarem doadores. “Eu virei um testemunho de doador. Fico convidando todo mundo. Já trouxe vários amigos”, conta.
Thatyane Nobre descobriu o linfoma de Hodgkin durante a gestação e precisou iniciar imediatamente o tratamento contra o câncer. Durante esse período, recebeu diversas transfusões de sangue e plaquetas.
Thatyane Nobre enfrentou o linfoma de Hodgkin e recebeu transfusões durante o tratamento. Hoje, incentiva a doação de sangue e plaquetas. Foto: arquivo pessoal
“Cada bolsa que eu recebi era como um abraço invisível de pessoas que eu nem conhecia. Foram esses doadores que me mantiveram de pé”, relata. Ela, que já foi doadora, passou a ser receptora e hoje reforça a importância de manter os estoques abastecidos. “A gente nunca sabe o dia de amanhã. Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas”, finaliza.
*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.
Por Beatriz Guedes, Islana Wiciuk, Lauana Brito e Laylanne Barros*
O projeto “Frente Animal” disponibiliza sete atendimentos veterinários e uma castração por semana para animais resgatados das ruas, oferecendo serviços gratuitos como consultas, exames e cirurgias. O cadastro é feito por formulário on-line e os atendimentos ocorrem na Clínica Veterinária da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.
A iniciativa é voltada para protetores que resgatam animais e não têm condições de arcar com os custos do tratamento. Entre os serviços oferecidos estão consultas clínicas, exames laboratoriais e exames de imagem, como ultrassonografia e radiografia, com laudo opcional ao custo de R$50. O programa também realiza cirurgias de tecidos moles e castrações.
Não há oferta de vacinas, medicamentos para levar para casa, testes de cinomose e parvovirose ou procedimentos ortopédicos. Caso o animal necessite permanecer internado, o tutor recebe encaminhamento para uma clínica particular e assume os custos. O projeto também não realiza resgates, sendo o tutor totalmente responsável pelo animal durante todo o processo. Os serviços são realizados por médicos veterinários contratados pela Ufac e também por alunos dos programas de aprimoramento e residência, sempre sob supervisão profissional.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h, mediante agendamento prévio. Após o preenchimento do formulário, o cadastro entra em fila de espera e o responsável é chamado conforme a ordem de inscrição e a gravidade do caso. A voluntária Isabella Macowski, que faz a ponte entre a comunidade e a clínica, alerta: “Em caso de desistência, é necessário avisar com antecedência, pois a ausência é contabilizada como uma vaga perdida”.
Para facilitar o acesso ao serviço, o programa também disponibiliza transporte para levar os animais até a clínica. A ambulância funciona às segundas e quintas-feiras e pode buscar o pet na residência do tutor. No entanto, o responsável deve acompanhar o animal durante todo o trajeto, segurá-lo e colocá-lo no veículo, já que a equipe não realiza resgates.
O atendimento contempla principalmente cães e gatos, mas também pode atender animais considerados não convencionais, como coelhos, jabutis e capivaras, ampliando o acesso ao cuidado veterinário para diferentes espécies resgatadas.
O médico veterinário Lucas Carvalho, que atua nos atendimentos, destaca que a iniciativa contribui para garantir diagnóstico e tratamento para animais que passam longos períodos sem qualquer tipo de cuidado. “A evolução da medicina, dos medicamentos e dos tratamentos faz com que os animais tenham uma expectativa de vida maior e também uma melhor qualidade de vida”, afirma.
A rede municipal de ensino de Assis Brasil incluiu o prato peruano Lomo Saltado no cardapio da merenda escolar a partir desta última quinta-feira, 5. A iniciativa surgiu após a boa aceitação do arroz chaufa, outro prato da região peruana introduzido no ano passado.
Segundo o nutricionista responsável técnico pela merenda, Carlos Felipe Pinto Lima, a gastronomia dos países vizinhos, Peru e Bolívia, exerce forte influência na região. “Muitos alunos já conhecem esse prato porque, por estarmos em uma região de fronteira, as famílias costumam ir a Inapari, que fica a cerca de 1 km de Assis Brasil, onde há diversos restaurantes com comidas típicas peruanas”, explica.
O especialista destaca que o consumo dessas iguarias é comum em datas comemorativas e eventos familiares. Para integrar o Lomo Saltado à rotina escolar, seja como lanche no ensino parcial ou almoço no ensino integral, foram necessárias adaptações na receita original.
“O molho shoyo, apesar de ser um dos ingredientes principais da receita original, não é utilizado, pois, de acordo com a Resolução nº 6/2020 do FNDE, que regulamenta a alimentação escolar no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), não é permitida a utilização de alimentos ultraprocessados e produtos com alto teor de sódio. Dessa forma, o prato é adaptado sem o molho para garantir uma alimentação saudável, equilibrada e adequada às normas da merenda escolar”, relata.
Com um cardápio bem diversificado, as escolas da rede municipal de ensino de Assis Brasil ganham mais um prato para compor a alimentação das crianças, incentivando a aceitação de novos sabores e promovendo uma alimentação mais variada, saudável e alinhada à realidade cultural da comunidade escolar.
Prato de Lomo Saltado servido em escola da rede municipal de Assis Brasil . Foto: Carlos Felipe Pinto Lima/Nutricionista responsável técnico
Ao todo, três escolas municipais são contempladas com a inserção do prato em seus cardápios, que atendem uma média de 400 estudantes, distribuídos em três turnos. Além disso, há a previsão de inserção de novos pratos que compõem o cotidiano alimentar particular daquela região.
*Matéria escrita sob orientação da professora Giselle Lucena, para a disciplina de Redação 1.