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Conheça a Seleção Acreana de Basquete de Cadeira em Rodas
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Redação

A primeira modalidade paralímpica praticada no Brasil foi o basquete em cadeira de rodas. Este esporte coletivo é jogado por pessoas com deficiências físico-motoras, que são aquelas com paraplegia ou deficiência nos membros inferiores. Atletas andantes podem jogar, mas devem usar a cadeira de rodas durante a prática do esporte. Atualmente é um dos esportes mais procurados no cenário paralímpico mundial. No Brasil, 110 clubes integram e se destacam nesta modalidade.
O basquete em cadeira de rodas surgiu como uma alternativa de reabilitação para ex-soldados norte-americanos que se feriram na 2ª Guerra Mundial. No Brasil, o esporte ficou conhecido em 1958, quando brasileiros com deficiência, que se tratavam nos Estados Unidos, conheceram a prática esportiva e a trouxeram para o país. Com ajuda do amigo Aldo Miccolis, que também é desportista, Robson Sampaio de Almeida criou, em abril do mesmo ano, o primeiro time de jogadores de basquete em cadeira de rodas, na época se chamava “Clube do Otimismo”.
Em 1960, a modalidade esportiva integrou a 1ª edição das Paralimpíadas, que aconteceu em Roma. Apesar de ser um esporte inclusivo, a primeira participação feminina aconteceu somente oito anos depois, em 1968, na cidade de Tel Aviv. Esse esporte também tem levado qualidade de vida às atletas femininas que participam da Seleção de Basquetebol em Cadeiras de Rodas do Estado do Acre/Brasil e que treinam juntamente com os atletas masculinos.
Maria Tailine da Silva Marques tem 28 anos e é estudante do curso de técnico em Enfermagem. Ela foi atingida por um tiro nas costas, quando assaltantes tentaram roubar sua moto. “A bala ficou alojada minha coluna e causou uma grande lesão em minha medula e, assim, fiquei sem o movimento de meus membros inferiores. Antes do acidente eu fazia estágio do curso técnico em Enfermagem e no ano passado voltei para concluir o curso”, relata.
A jovem participa da seleção desde maio de 2022 e fala do quanto o basquete melhorou sua qualidade de vida e a ajudou a sair de um quadro de depressão. Acompanhe, abaixo, o depoimento da atleta:
Benefícios do basquete
Além de melhorar a qualidade de vida, essa prática esportiva traz muitos benefícios para a saúde física e mental dos atletas. Para as pessoas com deficiência, os ganhos são ainda maiores. “Essa modalidade de esporte desenvolve a coordenação motora, o espírito de equipe, ajuda o atleta a ter noção de espaço(temporal), a ganhar resistência, flexibilidade e velocidade, a respeitar as regras e seus adversários, a tomar decisões. Também aumenta a independência na vida diária, oferece oportunidades sociais, melhora a autoconfiança, a autoestima e auxilia na prevenção de doenças secundárias”, afirma Manielden Lima Távora, professor de Educação Física e treinador da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas do Acre.

Segundo o técnico desportivo do Núcleo de Esporte Paralímpico da Secretaria Adjunta de Articulação Esportiva e Juventude, João Paulo Sena Fernandes, ter uma boa performance é muito importante para o atleta e o trabalho do fisioterapeuta contribui para isso.
“O fisioterapeuta esportivo pode atuar não apenas na avaliação, mas também na prevenção, recuperação (tratamento) de lesões e classificação funcional, que é específica para o esporte paralímpico. Esse trabalho auxilia o atleta a se sentir mais seguro, consequentemente, ajuda a ter um melhor rendimento e se sentir mais confiante para praticar sua modalidade desportiva”, acrescenta o profissional.

De acordo com a Aristeia Nunes Sampaio, professora do Centro de Ciências da Saúde e Desporto, da Universidade Federal do Acre (Ufac), ao analisarmos a prática do basquete em cadeiras de rodas é possível vislumbrar diversos aspectos de saúde, como a melhoria da condição cardiopulmonar.
“Esse aluno vai ter uma capacidade respiratória pulmonar aumentada e isso favorece, não só a prática esportiva, mas também as atividades do cotidiano, como impulsionar a cadeira por longas distâncias, por exemplo. Essa melhoria se dá a partir do preparo do atleta, pelo tempo de prática e condições fisiológicas que foram impostas pela lesão ou do tipo de lesão que o praticante tem”, comenta a professora.
Ainda segundo Aristeia Sampaio, a prática esportiva auxilia na diminuição da gordura corporal e no aumento da massa magra dos membros que são funcionais, sendo condições, de uma maneira geral, que ajudam na prática esportiva e no cotidiano. Abaixo, você pode ouvir um pouco mais sobre os benefícios do basquete em cadeira de rodas.
Com relação aos demais aspectos que perpassam a questão física, a professora do Centro de Ciências da Saúde e Desporto destaca a questão da socialização do atleta que sairá do ambiente de casa ou de tratamentos para ocupar outros locais. “Ele vai conhecer outras pessoas, outras histórias, e, consequentemente, ampliar suas amizades. Isso acaba o inspirando para ter força, para continuar tentando, se esforçando. Esse resultado é muito interessante para a sua própria autoestima, para que se sinta valorizado, para que desenvolva bem sua função”, ressalta.

Sobre os benefícios para a saúde, Márcio Cleide José de Lima, que é atleta e ex-presidente da Federação Acreana de Basket Cadeirante (FEABC), declara que o esporte melhorou a coordenação motora e batimentos cardíacos. “Não tem coisa melhor do que fazer o que a gente gosta. No meu caso é jogar basquete. Uma das melhores coisas que me aconteceu, depois do acidente, foi ter conhecido o basquete. De lá para cá, só tenho a agradecer a Deus e as nossas atividades físicas dentro do esporte adaptado”.

O atleta ainda ressalta que com a prática esportiva até mesmo seu humor mudou. “Foi onde eu vi pessoas com menos mobilidade que eu, brigando por espaço na quadra. Eu vi que a gente tinha que ser mais ativo e ter amor pelo que faz. Criei um amor tão grande pelo basquete que não me vejo fora dele. Mesmo quando eu não tiver mais condições de jogar, quero fazer parte de alguma forma para ajudar e incentivar outras pessoas a praticarem esporte”.
Regras e como de jogar
De acordo com as regras oficiais aprovadas em 2018, pela Confederação Internacional de Basquetebol em Cadeira de Rodas (International Wheelchair Basketball Federation – IWBF), Regra Um – O jogo, art. 1, o jogo de Basquetebol em Cadeira de Rodas é jogado por 2 equipes de 5 jogadores cada. O objetivo de cada equipe é converter pontos na cesta do adversário e evitar que a outra equipe converta pontos em sua própria cesta.
Com poucas diferenças da modalidade convencional, no basquete em cadeira de rodas os atletas devem arremessar ou passar a bola a cada dois toques dados na cadeira de rodas. Com duas equipes, cada uma com cinco jogadores, as partidas duram em média 40 minutos e são divididas em quatro sets.
Na modalidade é obrigatório que todos os jogadores utilizem um tipo de cadeira de rodas, que é específica para a esporte. A cadeira deve possuir uma barra protetora lateral para evitar acidentes e na parte de trás do equipamento, uma roda de apoio que tem a função antiqueda.
Seguindo as regras da IWBF, esta modalidade é monitorada pela Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC). Para quem tem o desejo de praticar e competir no basquete em cadeira de rodas, é preciso procurar um clube para se filiar e seguir todas as regras de proteção.
O Acre presente no basquete em cadeira de rodas
As federações de basquete ganham um papel muito importante no desenvolvimento do esporte no país por diversos motivos. A promoção da inclusão de pessoa com deficiência por meio dessa atividade esportiva é uma delas. No Acre, a Federação Acreana de Basket Cadeirante (FEABC) foi fundada no dia 9 de janeiro 2010 e atua em vários âmbitos.
Segundo Frank Thieny Brito de Lima, presidente da FEABC, a organização “tem por objetivo atuar no âmbito do esporte adaptado e busca desenvolver e executar programas de formação continuada nas áreas de assistência social, direitos humanos, saúde, prevenção, educação, reabilitação, cultura, esportes, lazer, visando à inclusão e emancipação social das pessoas com deficiência física no Estado do Acre”.
A Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas faz parte da Federação, mas sua data de criação é anterior. O atleta e ex-presidente da FEABC, Márcio Cleide, relata que em 2008 conheceu Raimundo Correia, presidente da Associação Riobranquense de Pessoas com Deficiência Física do Acre (Ardef). Na época, desenvolveu um projeto de incentivo ao esporte do Acre.
“Com a aprovação do projeto, foram compradas oito cadeiras de rodas adaptadas e a partir dessa aquisição começamos a desenvolver o basquete”, conta Márcio Cleide. O time da época foi fundado por Manielden Távora (atual treinador), Frank Thieny Brito de Lima (presidente em exercício), Emerson de Souza Monte, José Ricardo Freitas da Silva, Luiz Carlos Aragão Ferreira, Raimundo Rocha Pereira, Wemerson Pereira Sobrinho, entre outros atletas. Porém, em 2010 a equipe começou a enfrentar dificuldades, foi então que criaram a Federação Acreana de Basket Cadeirante.
José Firmino Lima tem 41 anos e é atleta da equipe acreana de basquete em cadeira de rodas. Ele conta que não imaginava encontrar no basquete uma paixão, uma forma de se ressignificar. Ele ainda comenta que pretende ficar por muito mais tempo praticando a modalidade. No vídeo abaixo, você assiste ao depoimento do atleta falando sobre o esporte.
Lourenço Moreira Vieira Neto tem 25 anos e é o atleta mais nova da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas. Ele é tecnólogo em Logística e trabalha como autônomo. Neto já foi atleta paralímpico de natação e chegou para o time há dois meses, graças ao convite de um colega atleta. “É um esporte bem diferente do que eu vim, mas quero dar o meu melhor e ajudar a equipe”.
Márcio Cleide José de Lima tem 47 anos e é ex-presidente da (FEABC). Hoje é o atleta mais velho da equipe acreana. Começou a jogar quando tinha 32 anos. Ele conta que percebeu a importância do esporte, após participação de sua primeira competição em Manaus, no ano de 2008.

Francisco Lima de Souza, mais conhecido como Manoel Izo, é acadêmico de Jornalismo, na Universidade Federal do Acre, e integra a equipe de basquete da Federação Acreana. Ele conta que conheceu o basquete por intermédio de um amigo, no ano de 2010, quando foi convidado para participar de um jogo. Na época, o atleta não deu a devida atenção, mas a situação mudou em 2021.
“No início de 2021, ao retornar os treinos após a pandemia, eu voltei a participar dos treinos, me apaixonei pelo basquete e estou lá até hoje. Além da diversão, tem a questão do alto rendimento. Nossa Federação é de alto rendimento e tem a parte social também. Participar do basquete é muito gratificante. Mudou meu ritmo de vida, melhorou muito. Fico contando as horas pra chegar o dia do basquete. Sou apaixonado pelo esporte”, conta o atleta.
Assista abaixo um trecho do depoimento de Manoel Izo sobre a prática do basquete em cadeira de rodas.
Da Seleção Acreana de Basquete em Cadeiras de Rodas para o time ADD Magic Hands e Seleção Brasileira
O atleta João Vitor (JJ), que tem 20 anos e é natural de Ariquemes (RO), é apaixonado pelo esporte. Antes mesmo de fazer parte da equipe da ADD Magic Hands, jogou futebol na base dos Santos no Acre. Em 2015, após sofrer um acidente no terminal urbano de Rio Branco (AC), perdeu seu membro inferior esquerdo, e durante sua reabilitação os fisioterapeutas recomendaram a prática de esportes. “Fui para natação e depois de um ano conheci o basquete, por meio da Federação Acreana de Basquete, como uma nova paixão no meu coração”, afirma.

Segundo JJ, após integrar ao time da Seleção Acreana de Basquete em Cadeiras de Rodas, aos 14 anos foi morar em Goiás em busca de novas oportunidades. Por sua habilidade conseguiu chamar a atenção dos treinadores do Brasil. Em 2022, alcançou um de seus sonhos que era jogar na equipe da ADD MAGIC HANDS. Junto com seu novo time, João Vitor já se tornou campeão brasileiro e paulista de basquete em cadeira de rodas.
A história de João Vitor não parou por aí. Durante esse processo, ele foi convocado para integrar as Seleção Brasileira Sub-23, garantindo vaga para o mundial e se classificando na oitava posição. Na Seleção Sub-21, junto com sua equipe, o jovem conquistou o 2º lugar no Parapan de Jovens em Bogotá.
“Os jogos escolares foram de suma importância para meu desenvolvimento de atleta e pessoa. Contribuíram para que eu fosse visto até para as seleções e outros times. Eu saí dos escolares, mas os escolares nunca vão sair de mim. Espero que mais atletas tenham a oportunidade de integrar outros times”, relata o jovem.
Um esporte com muitos parceiros
O presidente da Federação, Frank Thieny Brito de Lima, revela que ao longo desses 13 anos, a FEABC enfrentou e ainda enfrenta diversas dificuldades. Segundo ele, a principal delas “é a pessoa com deficiência reconhecer que a vida não parou, que sempre tem mais uma chance e oportunidade de vencer e viver dignamente. Seja na área do esporte, da educação ou do lazer”
Brito avalia que, atualmente, a Federação está entre as melhores da região Norte, mas que ainda é preciso muito investimento para continuar o trabalho e, dessa forma, conseguirem se filiar à Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC).
Hoje, a FEABC funciona em uma sala da Comissão de Acessibilidade e de Atletas Paralímpicos, situada na região do Distrito Industrial. Para alcançar suas metas, a instituição tem firmado cada vez mais parcerias. Desde o final do ano de 2019, empresas e órgãos públicos têm contribuído para a permanência da prática do basquete em cadeira de rodas no Acre. Abaixo, estão alguns dos parceiros e recentes ações realizadas.
Caixa Econômica Federal: Em 2019, por meio do projeto Caixa Mais Desenvolvimento, que tem o objetivo de levar investimentos diversos para várias regiões do país, a FEABC recebeu, por meio da Prefeitura de Rio Branco, a doação de 12 cadeiras de rodas;
Universidade Federal do Acre: De acordo com Jefferson Feitosa de Almeida, Coordenador do Programa de Esporte Paralímpico da Ufac/comunidade, a universidade em parceria com a Federação e o Centro de Referência Paralímpico do Acre, possibilita o treinamento dos atletas, dentre outras outros eventos. Além disso, a instituição também cede espaço para treinos e eventos. “Por enquanto, prestadores de serviços e bolsistas atletas recebem recurso financeiro no valor de R$ 400,00, por meio de assinatura de convênio, mas as propostas estão passando por tramites legais para haver alterar para o valor de R$ 700,00”, informa o coordenador do programa Almeida.
Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes: Um dos investimentos mais recentes feitos pela SEE, conforme explica o secretário estadual Aberson Carvalho, foi a realização de um convênio para aquisição de cadeiras de rodas adaptadas. Ao todo foram investidos R$ 50 mil em recursos. “O que estiver ao alcance do Governo para contribuir na transformação da vida desses atletas, vamos fazer”.

Outra ação promovida pela SEE foi a compra de passagens aéreas para os atletas do basquete em cadeira de rodas disputares os Jogos Brasileiros Universitários. A equipe acreana voltou para casa com medalhas de bronze.
Secretaria Municipal do Esporte: Para que os atletas possam realizar os treinos e competições, a Secretaria disponibiliza o espaço do Centro de Iniciação ao Esporte (CIE).
Medplus: Atualmente, é o principal patrocinador da FEABC, dando suporte com material hospitalar, além de ajudar os atletas em momentos de doença e com a aquisição de uniformes.
Uma equipe muito premiada
A primeira competição da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas aconteceu em 2008, em Manaus. “O time não tinha experiência e acabou ficando na última colocação, mas isso nos motivou e no ano seguinte ficamos em oitavo lugar entre as 16 equipes que participaram”, revela Manielden Lima.
Um troféu muito importante para a equipe veio em 2021, com a participação nas Paralimpíadas Universitárias. Os atletas trouxeram para o Acre a medalha de bronze. No ranking geral, a equipe que disputou em nome da Ufac ficou em primeiro lugar. O evento aconteceu no Centro de Treinamento da Confederação Paralímpica do Brasil, em São Paulo, entre os dias 16 e 19 de setembro.

Para 2023, a Seleção Acreana de Basquete em Cadeiras de Rodas quer conquistar ainda mais. A ideia é integrar competições regionais, participar do Campeonato Universitário, da Copa da Revolução e também da Copa Acre x Rondônia, que acontecerá em Porto Velho. A ideia, segundo o presidente da Federação, Frank Thieny, é retornar dessas competições com mais medalhas e troféus.
Conheça a atual equipe da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas: Manielden Lima Távora (técnico) e Pâmela Jhemiule (auxiliar), além dos atletas Agnaldo Casoti Borges, Ana Clara Alves de Lima, Ana Keyla da Silva Macedo, Elizeu Barros Machado Junior, Emerson de Souza Monte, Fabio Mendes de Souza, Francisco Lima de Souza, Frank Thieny Brito de Lima, Jhonathan Mendes do Vale, José Firmino de Lima, José Ricardo Freitas da Silva, Lourenço Moreira Vieira Neto, Luiz Carlos Aragão Ferreira, , Márcio Cleide José de Lima, Maria Nisse Rodrigues Ferreira, Maria Tailine da Silva Marques, Raimundo da Rocha Pereira, Thomas Rodrigues Silva, Wanderley Matos e Wemerson Pereira Sobrinho.
O esporte contra o capacitismo
O capacitismo é toda a forma de preconceito que acontece contra a pessoa com deficiência. A crença do capacitista é alimentada toda vez que há a ideia de que a deficiência é um empecilho determinante para a independência, realização de tarefas cotidianas, inserção no mercado de trabalho, entre outras atividades.
Contrariando princípios de equidade, o comportamento capacitista é um crime de discriminação e opressão contra a pessoa com deficiência. O capacitismo vai além da inferiorização, ele mostra âmbitos que ferem a dignidade da pessoa que sofre o preconceito. Muitas vezes, as ações e falas capacitistas vêm disfarçadas de discursos de que pessoas com deficiência são heróis ou pessoas especiais que precisam sempre ser cuidadas. São atos como estes que ignoram as competências individuais de cada um, a partir de um olhar humanizado.
De acordo com Francisco Héliton do Nascimento, professor do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Acre (IFAC), na legislação brasileira está caracterizado, apesar de não aparecer, o termo capacitismo ou capacitista, que é justamente é o preconceito e discriminação que as pessoas com deficiência sofrem na sociedade.
“A sociedade pode permitir, que as pessoas com deficiência interajam, ocupem seus lugares. Se elas têm deficiência, não cabe a sociedade julgar se ela é digna ou não estar. Devemos combater toda e qualquer forma de capacitismo. Conforme a Lei Brasileira de Inclusão, Capítulo II – Da Igualdade e da Não Discriminação, Art. 4º, “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

Elizeu de Souza é atleta, tem de 27 anos e pratica basquete em cadeira de rodas desde os sete anos de idade. A iniciativa veio de sua mãe, Francelina de Souza, que conta que o inseriu no esporte para seu filho levasse uma vida saudável e possível. Ela ressalta que o esporte desempenha medidas contra doenças, como depressão e ansiedade.
No vídeo abaixo, você confere um pouco do que a mãe de Elizeu de Souza diz sobre a prática do basquete em cadeira de rodas:
Texto: Edilárdia Idalgo, Gercineide Maia, Marcos Jorge Dias, Petronilio Neto e Vitória Lauane Araújo
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Especiais
Cine Teatro Recreio resiste às cheias do Rio Acre
Em uma década, o teatro histórico precisou fechar ao menos três vezes após o Rio Acre ultrapassar os 17 metros
Publicado há
2 dias atrásem
27 de fevereiro de 2026por
Redação
Interior do Cine Teatro Recreio alagado durante a cheia do Rio Acre, em março de 2024. O espaço precisou ser fechado por segurança e preservação do patrimônio. Imagem: Eldérico Silva
Por Daniel Alysson e Davi Mansour
O Cine Teatro Recreio ocupa um lugar central na história cultural de Rio Branco. Localizado no calçadão da Gameleira, às margens do Rio Acre, o espaço atravessou quase um século como ponto de exibição de filmes, espetáculos de música, dança, teatro entre outros eventos culturais. Essa mesma localização, no entanto, tornou o Cine um dos equipamentos públicos mais expostos às cheias do rio, que ao longo dos anos provocaram alagamentos, paralisações e prejuízos recorrentes.
Nos últimos dez anos, o espaço foi afetado pelas grandes enchentes de 2015, 2023 e 2024, quando o nível do Rio Acre ultrapassou os 17 metros e invadiu o Segundo Distrito da capital. Em todos esses episódios, o Cine Teatro precisou ser fechado temporariamente por questões de segurança e preservação do patrimônio.

Fachada do Cine Teatro Recreio. Foto: Ingrid Kelly
Além das cheias provocadas pela subida do Rio Acre, o Cine Teatro Recreio enfrenta dificuldades relacionadas à manutenção do prédio e às condições urbanas do entorno. Em períodos de enchente, o alagamento do espaço exige a retirada de equipamentos, a suspensão da programação cultural e intervenções emergenciais para evitar danos maiores à estrutura. As chuvas intensas passaram a causar transtornos, ampliando a frequência das paralisações e evidenciando a vulnerabilidade do prédio histórico diante das mudanças na dinâmica urbana da Gameleira.
Um patrimônio que ajudou a formar a cidade
O Cine Teatro Recreio surgiu ainda nas primeiras décadas do século XX, quando Rio Branco dava seus primeiros passos como núcleo urbano. Inicialmente conhecido como Cine Ideal e depois Cine Éden, o prédio foi inaugurado oficialmente como Cine Teatro Recreio em 13 de junho de 1948, consolidando-se como uma das principais casas de espetáculo da capital.
Ao longo das décadas, o Cine Teatro Recreio concentrou exibições regulares de filmes, sessões especiais e apresentações artísticas que marcaram a vida cultural de Rio Branco. No Segundo Distrito, o espaço se firmou como um dos principais pontos de encontro do público com o cinema e as artes, sendo frequentado por gerações de moradores que tiveram ali uma das principais opções de lazer em uma cidade que ainda contava com poucas alternativas culturais organizadas.
Antes de assumir definitivamente o nome que mantém até hoje, o prédio integrava a rotina urbana quando funcionava como Cine Éden. Inaugurado em 1946, no Calçadão da Gameleira, o cinema de rua exibia produções nacionais e estrangeiras, além de seriados bastante populares à época, especialmente os ambientados no velho oeste norte-americano. Registros históricos indicam que títulos como Tambores de Fu Manchu, Adaga de Salomão, Perigos de Nioka e O Segredo da Ilha Misteriosa eram repetidos em cartaz, atraindo um público fiel, mesmo diante da dificuldade de acesso a novos filmes, que chegavam a Rio Branco com meses de atraso por via fluvial.

Produção estrangeira exibida no Cine Éden: Tambores de Fu Manchu, seriado popular entre o público do cinema na década de 1940. Imagem: arquivo MUBI
A programação do Cine Éden também incluía longas-metragens de aventura, faroestes e dramas, com nomes populares do cinema da época, como Roy Rogers, Bill Elliott e Charles Starrett, além de exibições especiais que combinavam cinema e apresentações ao vivo. O espaço não era considerado uma sala de luxo nem voltada à elite local. Classificado nos registros da época como um cinema “popular”, o Éden funcionava como ponto de encontro acessível, frequentado por trabalhadores, famílias e jovens, em sessões que reuniam públicos diversos.
Em reportagem da época, o antigo frequentador Raimundo Ferreira, morador do bairro Quinze, no Segundo Distrito, relatou que “quando o alto-falante tocava anunciando as matinês, as pessoas que iam de um lado a outro corriam para a sessão, esperando com ansiedade os filmes, que demoravam a chegar cerca de três meses, porque tudo era feito por transporte fluvial, eram as chatas que traziam os filmes”.

Fachada do Cine Éden, no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco, onde funcionou o cinema que antecedeu o atual Cine Teatro Recreio. Imagem: arquivo DPHC
Além das projeções, o palco do Cine Éden também recebia apresentações musicais e eventos culturais. Em 1948, por exemplo, o cinema sediou a despedida do tenor pernambucano José Brasileiro, em uma noite que combinou apresentação ao vivo e exibição de filme, prática comum naquele período. Ao longo dos anos seguintes, o espaço passou por adaptações técnicas, incluindo a modernização das lentes para formatos como Cinemascope e Vistavision, acompanhando as transformações do cinema e da própria cidade.
Essa memória também aparece no relato de Terezinha Maria, que chegou ao Acre vinda da Bahia ainda jovem e passou a frequentar o Cine Teatro Recreio nos anos seguintes à inauguração oficial. “Era um dos poucos lugares onde a gente se encontrava para se distrair.
O cinema fazia parte da rotina. As pessoas se arrumavam para ir, encontravam conhecidos, conversavam antes da sessão começar”, lembra. Segundo ela, o Cine Teatro reunia públicos diferentes e funcionava como ponto de convivência em uma cidade que ainda se estruturava. “Não era só assistir ao filme. A gente ia para ver o filme, mas também para ver as pessoas, saber das novidades, passar a noite ali.”

O público acompanhou a sessão no Cine Éden, no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco. Imagem: arquivo
Segundo a historiadora da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Iri Nobre, o Cine Teatro sempre teve papel central na formação cultural de Rio Branco. “Muitas pessoas iniciaram suas trajetórias artísticas ali. Mesmo hoje, quando existem outros espaços culturais, o Cine Teatro continua sendo procurado, principalmente para exibição audiovisual e festivais de cinema”, afirma.
Vulnerabilidade histórica em área de várzea
A vulnerabilidade do Cine Teatro Recreio está diretamente ligada à forma como Rio Branco se desenvolveu. O prédio está localizado em uma área de várzea, próxima ao leito do Rio Acre, região naturalmente sujeita a alagamentos durante o período chuvoso, que vai de dezembro a março.
Apesar disso, o edifício não foi projetado para conviver com cheias frequentes. “Não há registros de que o prédio tenha sido pensado para resistir à subida do rio. Na década de 1920, a relação da cidade com o rio era outra, e não existia preocupação com hidrografia ou drenagem urbana”, explica a historiadora.

Registro comparativo do Calçadão da Gameleira antes e após a cheia de 2015, que deixou a região alagada com a elevação do nível do Rio Acre. Imagem: Google Street View e Iryá Rodrigues
Na enchente de 2015, considerada a maior da história do Acre, o Rio Acre atingiu 18,40 metros e a água invadiu o interior do Cine Teatro. O espaço permaneceu fechado por cerca de dois meses para recuperação. Segundo a historiadora, não houve perda documental porque o material havia sido retirado preventivamente, e o prédio não abrigava acervo histórico permanente.
Reformas, urbanização e novos problemas
Ao longo dos anos, o Cine Teatro Recreio passou por reformas importantes, como as realizadas em 1987 e 2010. A mais recente incluiu a construção de um novo espaço de alvenaria, numa tentativa de tornar o prédio mais resistente a interrupções causadas pelas cheias do Rio Acre. Apesar das intervenções, os alagamentos continuaram a ocorrer, especialmente nos últimos anos.

Auditório do Cine Teatro Recreio após as reformas da década de 1990, período de retomada das atividades culturais no espaço. Foto: reprodução
Para o arquiteto e chefe da Coordenação de Patrimônio Histórico da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Ítalo Facundes, parte da vulnerabilidade atual do Cine Teatro está diretamente relacionada às mudanças ocorridas no entorno do prédio. Segundo ele, intervenções recentes de infraestrutura e saneamento alteraram o comportamento natural da água na região da Gameleira.
“Obras de infraestrutura e saneamento mudaram a dinâmica do solo e do escoamento da água. Hoje, o solo satura mais rapidamente e a drenagem não funciona como deveria. Por isso, o Cine Teatro é um dos primeiros prédios a sentir os alagamentos”, explica.
Facundes destaca que, além da subida do Rio Acre, a água passou a retornar pelo solo e pelo sistema de escoamento urbano. “Antes, o impacto vinha basicamente do transbordamento do rio. Agora, mesmo chuvas intensas já provocam alagamentos internos”, afirma.
Segundo o arquiteto, uma solução definitiva exigiria uma intervenção estrutural profunda, com obras de drenagem de grande porte sob o prédio, o que envolve alto custo e complexidade técnica. Ainda assim, ele ressalta que não há garantia total de proteção em cheias extremas. “Quando o rio sobe muito, não existe solução arquitetônica que segure completamente”, resume.
Fechamentos e impacto cultural
As paralisações frequentes do Cine Teatro Recreio provocam impactos diretos na rotina cultural de Rio Branco. Durante os períodos de cheia, apresentações programadas são suspensas, eventos são cancelados ou adiados, e grupos artísticos precisam buscar outros espaços para ensaios e apresentações, muitas vezes com limitações de estrutura e agenda. A interrupção também afeta festivais, mostras audiovisuais e atividades formativas que costumam ocorrer no espaço.
Para a historiadora Antonia Odiceula de Souza, o fechamento do Cine Teatro durante as cheias não atinge apenas o Segundo Distrito, mas repercute em toda a cidade. “A Gameleira sempre foi um espaço de encontro, lazer e manifestações culturais desde a fundação de Rio Branco. Quando o Cine Teatro fecha, a cidade perde um ponto de referência cultural e simbólica”, afirma.
Ela explica que, por questões de segurança e preservação do patrimônio, o fechamento temporário se torna inevitável nos períodos de cheia. No entanto, ressalta que essas interrupções comprometem a continuidade das atividades culturais e o acesso do público a um dos principais espaços históricos de programação artística da capital.
Funcionamento entre cheias e interrupções
Em março de 2024, com o Rio Acre acima de 17,60 metros, o Cine Teatro Recreio voltou a ser atingido e precisou ser fechado novamente, junto a outros espaços culturais da Gameleira. O episódio evidenciou um problema recorrente: a dificuldade de manter em funcionamento um patrimônio histórico localizado em uma área cada vez mais impactada por eventos climáticos extremos e por intervenções urbanas que alteraram a dinâmica natural do espaço.
Enquanto soluções estruturais mais amplas não são viabilizadas, o Cine Teatro Recreio segue funcionando entre períodos de reabertura e novas interrupções. Um espaço que ajudou a formar a vida cultural de Rio Branco e que, ainda hoje, depende do comportamento do Rio Acre para manter suas atividades.
Afluentes
Do Oriente Médio ao Acre: como o quibe foi adaptado à culinária local
Adaptado com ingredientes amazônicos, especialmente a macaxeira, o salgado de origem árabe atravessou culturas, ganhou identidade regional
Publicado há
3 dias atrásem
26 de fevereiro de 2026por
Redação
Por Ana Keli Flores e Raiça Sousa
Presente em padarias, feiras livres, lanchonetes, festas e até nas bicicletas de vendedores ambulantes que circulam com caixas térmicas pelas ruas de Rio Branco, o quibe se tornou parte do cotidiano alimentar no Acre. A versão mais emblemática dessa popularização é o quibe de macaxeira, adaptação regional que substitui o trigo pela raiz amazônica e consolidou o salgado como símbolo da identidade culinária local.
Originalmente preparado na região do Levante, área que abrange países como Líbano e Síria, o quibe é feito com carne de cordeiro, trigo para quibe (bulgur), hortelã e especiarias, podendo ser assado ou frito.
A receita chegou ao Brasil com imigrantes sírios e libaneses entre o fim do século XIX e o início do século XX e, ao longo do tempo, passou por adaptações conforme os ingredientes disponíveis e os hábitos alimentares locais.
No Acre, a transformação foi além da simples substituição de itens. Surgiram versões que dialogam diretamente com a cultura alimentar amazônica, como o quibe de arroz e, principalmente, o de macaxeira também conhecida como mandioca ou aipim. Ao trocar o trigo pela raiz ralada ou amassada, o salgado ganhou textura mais macia por dentro, crocante por fora e sabor mais suave, criando uma identidade profundamente regional.

Quibe de arroz, alternativa criativa e econômica, que reaproveita ingredientes do dia a dia sem perder sabor. Foto: arquivo pessoal
Segundo o historiador Francisco Bento da Silva, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), a culinária é uma das expressões mais visíveis da mistura cultural. “A comida muda tanto quanto as pessoas que migram”, afirma.
Para ele, a presença da macaxeira na receita representa a incorporação de saberes indígenas e amazônicos a um prato de origem árabe. “Não é apenas uma troca de ingrediente; é um encontro de histórias.”
Além da base diferente, o quibe acreano apresenta temperos próprios, formatos variados e recheios adaptados ao gosto local, carne bem temperada, cheiro-verde e pimenta regional.
Em Rio Branco, o salgado é facilmente encontrado em padarias de bairro, mercados, lanchonetes e feiras populares. O preço varia conforme o tamanho e o ponto de venda, mas, em média, custa entre R$5 e R$10 a unidade.
Em festas e encomendas, também aparece em versões menores, servidas como salgado de evento. Vendedores ambulantes ajudam a manter viva a tradição, levando o produto para diferentes bairros e reforçando sua presença na rotina urbana.
Nutrição e sabor
Do ponto de vista nutricional, a composição varia conforme a receita e o modo de preparo. De acordo com a nutricionista Flávia Dias, o quibe feito com trigo combina carboidrato complexo e proteína, oferecendo fibras, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Já a versão com macaxeira é fonte de energia e naturalmente sem glúten, podendo ser alternativa para pessoas com restrição ao trigo.

Quibe de trigo, versão tradicional, preparada com trigo para quibe e temperos clássicos da gastronomia árabe. Foto: reprodução
As versões fritas concentram mais gordura e calorias, enquanto o quibe assado tende a ser mais equilibrado. A recomendação é priorizar carnes magras, incluir vegetais na massa e utilizar ervas frescas para agregar valor nutricional.

Quibe cru, preparação típica da culinária árabe, servida crua, com carne fresca, trigo hidratado e especiarias. Foto: reprodução
O quibe no Acre hoje supera a tradição original para abraçar a diversidade local. Com versões que utilizam trigo, arroz ou macaxeira, o salgado demonstra a capacidade de adaptação da gastronomia do estado.
O prato deixou de ser apenas uma herança do Oriente Médio para se tornar um símbolo da identidade acreana, unindo o saber dos imigrantes aos ingredientes da floresta. Consolidado no cotidiano de Rio Branco, o quibe com sotaque amazônico segue em constante evolução, sem apagar as memórias que o trouxeram até aqui.
Margens
Entrega voluntária de bebês para adoção garante sigilo, proteção e direitos às mulheres
Procedimento previsto em lei assegura acompanhamento psicossocial e não configura abandono
Publicado há
4 dias atrásem
25 de fevereiro de 2026por
Redação
Por Bruna Feitosa
Entre o silêncio, o medo do julgamento social e a falta de informação, muitas mulheres ainda desconhecem que entregar um filho para adoção não é crime, abandono ou negligência. No Acre, a entrega voluntária é um direito garantido por lei, mas que segue cercado por estigmas, desinformação e barreiras de acesso aos serviços públicos.
Prevista na legislação brasileira, através do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a entrega voluntária pode ser manifestada durante a gestação ou após o parto, ainda na maternidade. A solicitação pode ser feita em unidades de saúde ou em órgãos como o Conselho Tutelar, a Defensoria Pública, o Ministério Público e diretamente na Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). Na prática, porém, o caminho até esses espaços nem sempre é claro para mulheres em situação de vulnerabilidade social, emocional ou econômica.

A entrega voluntária é um direito garantido por lei (Estatuto da Criança e do Adolescente e Lei 13.509/2017). Imagem: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
No Acre, apenas sete casos de entrega voluntária foram registrados, segundo dados do Juízo da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Rio Branco, vinculada ao TJAC. O número levanta questionamentos: trata-se de um índice baixo ou apenas um reflexo da falta de informação e de políticas públicas que garantam orientação adequada?
Para a juíza Isabelle Sacramento, integrante da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJAC, o procedimento tem impacto direto na redução do tempo de acolhimento institucional. “Esse procedimento assegura maior celeridade e evita que a criança permaneça por longo período em acolhimento institucional enquanto tramita uma ação de destituição do poder familiar”, afirma.

Isabelle Sacramento, juíza e integrante da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJAC. Foto: Tribunal de Justiça do Acre
Como funciona o procedimento
Após a manifestação de interesse, a mulher é encaminhada obrigatoriamente à Justiça da Infância e da Juventude, onde passa a ser acompanhada por uma equipe técnica formada por profissionais da Psicologia e do Serviço Social. O atendimento deve ocorrer de forma sigilosa e sem constrangimentos, conforme determina o Marco Legal da Primeira Infância.
Após a formalização do pedido, ocorre uma audiência em que a mulher confirma sua decisão perante o juiz. Mesmo depois dessa etapa, a legislação prevê um prazo de até dez dias para eventual desistência. Durante esse período, o recém-nascido permanece acolhido institucionalmente.
Confirmada a decisão, a criança é encaminhada a pretendentes previamente habilitados no Sistema Nacional de Adoção, respeitando a ordem do cadastro e os critérios legais. Todo o procedimento é conduzido sob sigilo, preservando a identidade da mãe e da criança.
A juíza aponta que o receio de julgamento moral ainda é um dos principais fatores que afastam mulheres desse direito, porém ressalta a importância da ação. “Mais do que um ato jurídico, a entrega voluntária representa uma escolha amparada pela lei que busca assegurar à criança à convivência familiar e à mulher o respeito à sua autonomia”, finaliza.
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