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Por Júlio Queiroz e Karina Paiva 

A cultura dos DJs vem ganhando destaque no cenário musical do Acre,  impulsionada pelo crescimento de eventos independentes, festivais e pela  popularização das plataformas digitais. 

Em meio a uma cena musical  majoritariamente voltada para o sertanejo e o forró, DJs locais têm conquistado espaço promovendo festas alternativas, mixando ritmos regionais com batidas  eletrônicas e atraindo um público jovem e engajado. Em cada apresentação, estilos globais combinados com a cultura local, resultam  na criação de sets únicos que oferecem experiências sonoras diferenciadas para  o público presente.

Com uma atuação multifacetada, que vai além de  entretenimento, tornaram-se fazedores de uma cultura que não está  sendo construída somente em baladas noturnas, mas em lugares diversos. O trabalho desses profissionais tem sido cada  vez mais procurado, para animar de tudo um pouco: casamentos, aniversários,  festas públicas e até eventos políticos.

Dj Lauro Félix. Foto: Reprodução

Mas entre cabos, luzes e batidas, os DJs do Acre vivem uma rotina  intensa. Do planejamento de sets à montagem de  equipamentos, passando por longas madrugadas de trabalho e a constante  busca por atualização musical, esses profissionais transformam paixão em  ofício. 

Lauro Félix, que atua como DJ há mais de 15 anos aqui no estado, conta como foi o início da carreira, experiência e as dificuldades enfrentadas ao longo desses anos como DJ: 

Sempre fui colecionador de músicas, sempre gostei de estar atualizado, de ter  CDs, fitas também, escutava rádio e assistia TV, principalmente programas  que passavam clipes. Eu peguei curiosidade com isso, comecei a pesquisar, fiz  aulas também. E de lá para cá foi dessa forma, como colecionador de músicas e  badalando em aniversário de amigos e vizinhos que me convidaram para tocar”, conta.

Criação da Semana Acreana de DJs, de autoria do deputado estadual Chico Viga. Foto: Reprodução

Ser reconhecido, ser visto como um profissional e aceito pelo público é uma complicação que muitos DJs enfrentam. A DJ Nareza Barros  acha que o maior obstáculo são as pessoas que não consideram DJ como profissão. “Quando as  pessoas levam como hobby ou não colocam a profissionalização como deve ser feita, isso acaba atrapalhando muito a gente, principalmente na hora de cobrar”, ressalta a DJ.

Também há um processo invisível ao público:  horas de pesquisa musical, testes em softwares de mixagem, organização de  playlists e, muitas vezes, o transporte do próprio equipamento.

LEI MUNICIPAL  SEMANA DOS DJs  

No último dia 18 de junho, em sessão plenária da Assembleia Legislativa do Acre  (Aleac), foi  aprovado por unanimidade pelos parlamentares da casa a Lei que institui a semana  estadual do DJ no Acre, apresentada pelo deputado Chico Viga (PDT). 

DJ Nareza Barros. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o texto da proposta, a comemoração será realizada anualmente na  primeira semana de novembro. A iniciativa busca valorizar, reconhecer e  incentivar os profissionais que atuam como DJs no estado, destacando a  importância cultural e artística para a cena local.O evento passa a integrar o Calendário Oficial de Eventos do  Município de Rio Branco a partir de 2026. “A partir de agora todos os DJs do estado do Acre terão uma semana cultural, voltada ao DJ, com workshop, apresentações em praças, escolas”, enfatiza Roney Matos. 

A prefeitura municipal de Rio Branco convidou para a assinatura da lei o produtor musical com vasta experiência no mercado da música eletrônica Mateus Bruschi Basso, O DJ Jay Boo. O consultor da Pioneer DJ BR estava em Rio Branco ministrando um  workshop para DJs. O encontro reuniu representantes do poder público e  grande parte dos DJs atuantes no estado do Acre. 

CRIAÇÃO DA LIGA  

A cena da música eletrônica no Acre alcançou um feito inédito com a criação da  Liga Acreana de DJs (LACDJ), primeira entidade representativa da categoria no  estado. A oficialização ocorreu em 25 de outubro de 2024, em Rio Branco.  

Criação da Semana Municipal de DJs, com a presença do poder público e grande parte dos DJs de Rio Branco – Acre. Foto: Acervo Pessoal

A iniciativa é fruto da união entre duas gerações da cena eletrônica local: DJ  Roney Mattos, um dos pioneiros e nomes mais respeitados do segmento, e DJ  El Mascarado, expoente da nova geração. 

A proposta da associação surgiu um ano antes, durante uma reunião entre os dois artistas, que identificaram a necessidade de fortalecer, organizar e dar visibilidade à atuação dos DJs locais. “A partir desse encontro, fizeram o projeto da fundação da Liga Acreana de DJs, entidade  voltada exclusivamente a fortalecer a representação dos valores dos DJs no  Acre.“A associação surge com o objetivo de promover união da categoria, fomentar  a oportunidade de formação técnica e profissional, além de representar os DJs em eventos culturais, festivais, políticas públicas, um espaço institucional, o mais  importante”, destaca Roney Matos, presidente da Liga.

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Entre bancos de areia e celebrações: festivais de praia revelam o lado vivo dos rios amazônicos

Mais do que lazer, os festivais de praia impulsionam o turismo sustentável e resgatam a relação histórica da população amazônica com os rios

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Por Jerfeson Gadelha e Laianny Sena

Durante o período de estiagem na Amazônia, quando o nível das águas começa a baixar, os rios ganham novas formas e significados. Os bancos de areia que surgem ao longo de seus leitos deixam de ser apenas marcas da seca e se transformam em espaços de convivência, lazer e celebração cultural. Nos municípios acreanos e em outros da região Norte, como Boca do Acre (AM), esse fenômeno dá origem aos tradicionais festivais de praia, eventos que unem cultura, turismo e desenvolvimento econômico, ressignificando a relação da população com os rios.

Em 2025, no município de Feijó, localizado no estado do Acre, foi realizada a 26ª edição do Festival de Praia de Feijó, evento tradicional que ocorre anualmente no verão amazônico, geralmente em conjunto com o Festival do Açaí. Reconhecido pela produção de um dos açaís mais tradicionais do estado, o município utiliza o evento como espaço de promoção da música, do esporte, do lazer e da cultura às margens do rio, atraindo milhares de pessoas e movimentando a economia local.

Na última edição, o festival contou com apresentações de artistas nacionais como Lucas Lucco, Natanzinho e Dilsinho, reunindo cerca de 40 mil pessoas no último dia da programação, segundo a prefeitura local. A programação musical foi marcada por gêneros populares como sertanejo, forró, piseiro e arrocha, além da valorização de artistas locais e da música regional.

Com 26 edições realizadas, o Festival de Praia de Feijó se consolidou como uma das principais manifestações culturais do município durante o período de estiagem. Além dos shows musicais, a programação inclui competições esportivas, atividades recreativas e espaços destinados à comercialização de alimentos e produtos regionais, fortalecendo a economia local e incentivando o empreendedorismo de pequenos comerciantes.

Festival de Praia de Brasiléia. Foto: Giovanny Endres

O festival também atrai visitantes de outros municípios e até de estados vizinhos, impulsionados pela presença de atrações nacionais e pela possibilidade de lazer às margens do rio, onde o público aproveita os bancos de areia para banho, convivência e celebração cultural.

No município de Brasiléia, no Alto Acre, a tradição dos festivais de praia também ganhou novo fôlego em 2025, com o retorno de um evento que não era realizado há mais de duas décadas. Às margens do rio Acre, o festival contou com mais de dez atrações musicais, entre bandas, cantores e DJs, além de uma programação diversificada de atividades culturais e esportivas, como a escolha do Garoto e da Garota Verão, torneios de futevôlei e uma corrida de motocross.

A competição sobre duas rodas reuniu pilotos do Acre, de outros estados e até do Peru, ampliando o alcance regional do evento e movimentando a economia local com a presença de moradores, turistas e comerciantes.

Para quem trabalhou diretamente no evento, o retorno do Festival de Praia representou uma oportunidade importante de geração de renda. O proprietário da Adega Imperial, Lindomar, que participou pela primeira vez da festividade, avaliou de forma positiva a retomada após tantos anos sem realização no município.

“Fazia muito tempo que não tinha Festival de Praia aqui na cidade, então no início houve um pouco de desconfiança. Mesmo com a organização acontecendo em cima da hora, o público surpreendeu. Economicamente foi muito positivo, conseguimos vender bastante e muitas pessoas saíram satisfeitas”, relata.

Segundo o comerciante, apesar da necessidade de melhorias estruturais, o impacto do evento para o comércio local foi significativo. “Por ter sido a primeira edição depois de tanto tempo, é natural que alguns pontos precisem ser ajustados, mas acredito que o próximo será ainda melhor, com mais pessoas interessadas em participar e trabalhar”, destaca.

Lindomar também ressaltou que festividades desse porte são fundamentais para o fortalecimento da economia local. “Esses eventos movimentam a economia de Brasiléia e de toda a região de fronteira. São oportunidades importantes para quem vive do comércio”, conclui.

O impacto econômico e social do evento também foi destacado pelo prefeito de Brasiléia, Carlos Armando, conhecido como Carlinhos do Pelado. Para ele, o festival representou uma retomada importante para o município após mais de duas décadas sem a realização da festividade.

“O Festival de Praia que ocorreu em Brasiléia no ano passado foi uma festa maravilhosa. Nós aquecemos a economia local, os hotéis, os barraqueiros de alimentação, de sorvete, de bebida alcoólica e de refrigerante. As pessoas que participaram ficaram maravilhadas, porque havia mais de 20 anos que esse evento não acontecia no município. Hotéis, postos de gasolina e restaurantes tiveram uma movimentação muito boa, mostrando que o festival foi um sucesso”, destaca.

Segundo ele, a expectativa é que o evento continue crescendo nos próximos anos. “Este ano iremos realizar novamente, já estamos nos organizando e, se Deus quiser, será um sucesso mais uma vez, ainda melhor do que o do ano passado”, afirma.

Identidade amazônica

Além de Feijó e Brasiléia, municípios acreanos como Tarauacá e Porto Acre também realizam festivais de praia durante o período de estiagem, reforçando a tradição cultural ligada aos rios no estado.

A tradição dos festivais de praia não se limita ao Acre. Em outros municípios da Região Norte, esses eventos também se consolidam durante o período de estiagem, reunindo música, lazer e convivência às margens dos rios.

Um exemplo é o Festival de Praia de Boca do Acre, realizado anualmente às margens do rio Purus, no Amazonas. Em 2025, o evento chegou à 27ª edição, ocorrida entre 30 de agosto e 14 de setembro, com programação que incluiu competições esportivas, apresentações culturais e grandes shows musicais. A programação musical mesclou gêneros como forró, sertanejo, piseiro e música dançante, com participação de atrações locais e regionais, com destaque para o encerramento com o cantor Zé Vaqueiro.

Festival de Praia de Boca do Acre. Foto: reprodução

Consolidado no calendário cultural da cidade, o festival atrai visitantes do Acre, do Amazonas e de outros estados, movimentando intensamente a economia local. Durante o evento, setores como alimentação, transporte e hospedagem registram aumento significativo na demanda, evidenciando o potencial turístico gerado pelas praias fluviais formadas no período da seca.

A rede hoteleira de Boca do Acre reflete esse aquecimento. Empreendimentos locais alcançam alta taxa de ocupação, com reservas próximas do limite, impulsionadas pelo fluxo de turistas que buscam acompanhar a programação do festival. Para comerciantes e empresários, o evento representa não apenas visibilidade cultural, mas também geração de renda e empregos temporários.

Festival de Praia de Boca do Acre. Foto: reprodução

Mais do que entretenimento, os festivais de praia ajudam a fortalecer o turismo sustentável e a preservar uma relação histórica entre a população amazônica e seus rios. Em um contexto em que o Rio Acre costuma ser lembrado principalmente por enchentes e alagações, essas festividades revelam um outro olhar: o do rio como espaço de encontro, alegria e oportunidade.

Ao transformar os bancos de areia em palcos de festa, os festivais de praia reafirmam o papel dos rios amazônicos como elementos centrais da identidade regional, mostrando que, além de sua força natural, também carregam histórias, sorrisos e possibilidades de desenvolvimento para o Acre e toda a região.

Redação

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RESENHA CRÍTICA

“Noite Acreana Volume 3” reafirma força da música autoral no Acre

Projeto idealizado pela banda Maya retornou em 2026 com identidade consolidada e diálogo entre tradição e contemporaneidade

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Por Ádrya Miranda

O show “A Noite Acreana Volume 3” marcou o retorno do projeto em 2026, em apresentação realizada no dia 16 de janeiro, no Studio Beer. Idealizada pela banda Maya, a iniciativa se reafirma como um espaço de valorização da música autoral no Acre. Ao acompanhar o evento, ficou evidente a proposta de romper com a lógica de shows apenas com covers, abrindo palco para produções próprias e experimentações sonoras.

Nesta edição, além do show principal da banda Maya, o evento contou com apresentações de Carol Freitas e Diego Arantes, ampliando o diálogo entre diferentes expressões da cena musical local. O line-up reuniu artistas que compartilham processos criativos e referências estéticas parecidas, o que contribuiu diretamente para a construção de uma identidade própria do projeto.

A cantora Karol Freitas foi responsável pela abertura do show. Foto: Ádrya Miranda

No palco, a banda Maya se apresentou acompanhada por Isabel Darah, Kauê Canedo e Saulo Olímpio, formação que mostrou uma sintonia entre eles. A interação entre os integrantes trouxe uma performance segura e envolvente.

Como espectadora, percebi uma sintonia entre os músicos, com arranjos que transitam por gêneros como hip-hop, rock, maracatu e guitarrada, revelando maturidade artística e domínio de linguagem.

Maya dourado durante show. Foto: Ádrya Miranda

Um dos pontos fortes da Noite Acreana foi a forma como as referências contemporâneas se uniram com os elementos da cultura regional. A mistura de ritmos aparece de maneira orgânica, resultando em uma sonoridade que dialoga com o território acreano sem recorrer a estereótipos. Essa escolha, a meu ver, aumentou o alcance do projeto e reforçou o seu potencial de circulação para além do cenário local, algo que veio desde sua primeira edição, realizada em São Paulo.

Divulgação do evento. Fonte: redes sociais

Durante o show, o público teve contato com composições autorais e com a música inédita “Saltenha de Jambú”, apresentada como um indicativo dos próximos passos da banda. A proposta do evento foi algo entre o espaço de experiências musicais e a construção de caminhos futuros. 

Ao final, a Noite Acreana se consolidou como uma iniciativa relevante dentro da cena cultural acreana. Mais do que um evento musical, o projeto funcionou como uma plataforma de visão e fortalecimento da produção autoral local, apontando para a continuidade e expansão da música independente no estado.

Redação

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Afluentes

25 anos de histórias nas margens do rio Acre

Ser catraieiro, para Antônio Viana, é mais que uma profissão, é herança. Foto: Autores

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Por Raquel de Paula, Elis Caetano e Tales Gabriel

Entre o vai e vem das águas do rio Acre, Antônio Viana encontrou na catraia mais que um sustento: encontrou um novo rumo para a vida. Há 25 anos, depois de perder o comércio, ver portas se fecharem e a tristeza quase vencer, foi no balanço das águas, com o remo nas mãos e a tradição da família no coração, que ele se reergueu. Hoje, mesmo com pontes, carros e aplicativos de transporte ocupando o espaço de antes, Antônio segue firme: “Eu amo o que faço. É honesto, é tradição. Não tenho vergonha de dizer para ninguém que sou catraieiro.”

O ano era 2000 quando a vida de Antônio parecia encalhada. O comércio que sustentava a família havia quebrado, as dívidas se acumulavam e a situação quase o empurrou para a depressão. Foi então que um amigo lhe estendeu a mão e o convidou para trabalhar como catraieiro. O serviço era duro, das cinco da manhã às seis da tarde, por apenas oito reais ao dia. Às vezes o pagamento atrasava, outras vezes nem vinha. Mas a vida, aos poucos, voltou a se movimentar. “Eu passei um tempo difícil, quase peguei depressão. Mas foi aqui, na catraia, que eu achei um rumo de novo. Peguei gosto pelo trabalho e nunca mais larguei”, conta.

Ser catraieiro, para Antônio, é mais que uma profissão, é herança. Seu tio e até parentes distantes que foram figuras históricas da família, como o poeta e pintor Hélio Melo, também viveram do remo. A catraia foi, durante décadas, o elo que ligava margens, pessoas, mercadorias e sonhos. Antes das pontes, era nas pequenas embarcações que a cidade respirava os famosos portos. “Antigamente o porto era cheio de movimento, vinha peixe, banana, melancia, jerimum. Os ribeirinhos desciam com os batelões cheios. Hoje, o que a gente vê são só umas duas, três canoas”, afirma.

Foto: Autores

As pontes chegaram, os carros e as motos tomaram espaço, os aplicativos de transporte mudaram a rotina da cidade e a catraia perdeu seu público. O que antes era a principal forma de atravessar o Acre hoje é quase peça de museu, viva apenas nas margens onde o tempo ainda passa mais devagar. “Tem gente que diz que prefere pagar um Uber do que pagar três reais para atravessar. Mas aqui, se você chegar sem um centavo, eu levo do mesmo jeito. Quero ver se o Uber faz isso”, diz Antônio, com o orgulho de quem sabe o valor que seu trabalho carrega, mesmo quando a sociedade parece esquecer.

Mesmo com os dias de baixa, com o corpo já cansado e a saúde exigindo cuidados, Antônio insiste em permanecer. Para ele, não é apenas sobre ganhar dinheiro, é sobre significado, sobre amor àquilo que construiu sua história. “Tem gente que tem vergonha do que faz. Eu, não. Eu digo com orgulho: sou catraieiro. Tudo o que eu tenho, construí aqui, com o remo na mão e a cabeça erguida.”

Foto: Autores

Ao olhar o rio, Antônio vê um tempo que já não existe, mas que insiste em permanecer, mesmo que só na memória de quem viveu. Vê as corridas de catraieiros no 7 de setembro, os passageiros leais, a amizade que atravessa as margens junto com as embarcações. Vê também o risco de tudo isso desaparecer, engolido pelo silêncio e pela pressa de uma cidade que olha pouco para o próprio passado.

“A catraia é tradição. Podem fazer dez, cem pontes aqui, que ainda vai ter gente atravessando com a gente. O pessoal gosta, mesmo os poucos que restaram. E enquanto Deus me der força, eu continuo aqui.”

Foto: Autores

O remo corta a água devagar, levando mais um passageiro ao outro lado. Para quem olha de fora, pode parecer só uma travessia, para Antônio, é a reafirmação de uma vida inteira dedicada ao rio, ao trabalho honesto, à história de um Acre que começou sobre as águas e que, apesar de tudo, ainda respira nelas.

Redação

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