Se você é um usuário de redes sociais como o Instagram e o X (Twitter), certamente já viu ou participou de debates acalorados sobre quem paga as despesas do primeiro encontro. A discussão volta e meia reaparece e assombra os corredores da internet, revelando como ainda estamos presos a certos papéis de gênero, com expectativas e tradições que insistem em resistir ao tempo.
Para muitas pessoas heterossexuais (que se atraem sexualmente pelo sexo oposto), sejam elas solteiras ou não, muitas vezes é algo natural que o homem tome a iniciativa. “É o mínimo que o homem pode fazer”, diz o diretor de audiovisual Laércio Oliveira, de 35 anos. Esse pensamento divide opiniões e resulta, muitas vezes, em debate nas redes.
O editor de vídeo Ilgner Fernandes acha que depende da intenção de quem está fazendo o convite. “Se ele quiser um relacionamento no futuro, eu acho que ele vai pensar em pagar a conta. Mas hoje em dia, com o empoderamento das mulheres e o movimento feminista, a situação está meio querendo se equilibrar, cada um está pagando a sua conta”, relata.
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Henrique Damasceno, de 22 anos, bissexual e solteiro, afirma que a sua forma de lidar com a questão fianceira no primeiro encontro muda de acordo com o gênero da pessoa com quem ele está saindo. “Na questão de sair com um homem, quem convida paga o jantar, já com uma mulher muda muito. É sempre bom ser cavalheiro com a moça que está afim. Então, convidar e pagar a conta no primeiro encontro é muito importante”, disse.
A jornalista Camila Holsbach, casada há 18 anos com o também jornalista Márcio Bleiner, relata diferenças entre primeiros encontros e relacionamento sério. “Ele que pagava todas as contas no início do nosso namoro. Hoje já é uma coisa mais fluída. Por exemplo, na maioria das contas, tanto em casa quanto nas saídas, é ele quem banca. Mas se um dia do mês eu estiver afim de comer e a grana para ele está curta ou tem outras coisas que ele tem que pagar, eu pago sem problema”, diz.
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A operadora de áudio Lília Moreira, de 26 anos, não vê problema em dividir a conta: “eu não me importo em dividir a conta, mas eu acho que é um cavalheirismo. Se ele convidou, então, acho que o correto seria ele pagar a conta”, avalia.
Embora não se sinta pressionado e ache que a mulher pode pagar ou dividir a conta, o repórter João Cardoso assume que até gosta de pagar em um primeiro encontro. “Eu acho que isso depende muito da iniciativa da pessoa, afinal de contas quando eu saí com a pessoa que eu estou, fui eu que chamei. Então, se eu estava chamando, eu tinha que pagar”, explica.
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Padrões impostos
Nos dias atuais, com a complexidade das relações contemporâneas, que se estende para fora de um padrão tradicional, é necessário que haja espaço para novas maneiras de pensar. A pesquisadora Lisânia Ghisi, Mestre em Letras, estuda e desenvolve pesquisas sobre questões de gênero e afirma que essa binariedade que define os papéis de homens e mulheres é quase que uma lógica universalizante.
“A nossa sociedade foi constituída de discursos que carregam dualismos. Ou seja, um mundo dividido em dois: entre certo e errado, bonito e feio, homem e mulher, quem paga e quem não paga. O binarismo heteronormativo que está impregnado no nosso cotidiano”, explica Ghisi.
A pesquisadora ainda ressalta que esse padrão imposto socialmente também atinge os outros modelos de relacionamento que divergem da heteronormatividade. Ou seja, a partir da lógica histórica e cultural, relacionamentos homossexuais também podem ser afetados por essa perspectiva do “quem deve pagar a conta”. “Afinal, dentro de uma sociedade heteronormativa, quaisquer relações vão sempre partir do binarismo masculino e feminino. Consequentemente, cada pessoa terá ali, um papel ou dever a ser seguido dentro desse encontro”, acrescentou.
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Conservadorismo virou tendência
A discussão sobre pagar a conta em primeiros encontros ganhou força em 2022 na Internet, quando o ator global Caio Castro viralizou ao dizer em um podcast que se sente incomodado de ter a obrigação de pagar a conta no primeiro encontro. Essa declaração gerou discussão nas redes e o artista foi duramente criticado por muitos internautas. Os desdobramentos mostraram que o conservadorismo está vivíssimo entre os jovens.
O pensamento conservador ganha força nas redes sociais através de jovens e adolescentes que reforçam padrões comportamentais tradicionais. Termos como “esposa troféu” e “macho alfa” circulam junto com uma lista de comportamentos a serem seguidos.
Lisânia Ghisi destaca que as supostas obrigações existem tanto para homens como para mulheres e o debate da “dinâmica de encontros”, no entanto, é bem mais antigo. “Há séculos, papéis de gênero são definidos, disseminados e ordenados dentro da sociedade. Assim, quando a gente diz que o homem ‘deve’ pagar a conta, seria semelhante quando alguém diz que é obrigação da mulher lavar a louça, por exemplo”.
Ghisi explica que por trás dessa ideia do “dever”, existem questões socioculturais que acompanham e influenciam diretamente a compreensão sobre o mundo das pessoas. Esse contexto histórico, social e cultural traz a ideia de que o homem fica destinado aos custos financeiros, pois trabalha e detém os recursos, enquanto a mulher espera o convite.
“Essa noção sobre papéis de gênero não abarca só encontros, as diversas dinâmicas que compõem nosso cotidiano estão entranhadas de divisões socioculturais binárias. Ou você acha que é ‘normal’, numa festinha de escola, por exemplo, os meninos ficarem responsáveis por pagar os refrigerantes, enquanto para as meninas a obrigação é de providenciar a comida, quando não a ornamentação do espaço”, diz.
Quem tá liso não namora
O pensamento conservador traz com ele a capitalização do romance. A ideia de que o homem deve sempre pagar a conta, ou que apenas uma das partes deva arcar com isso, levanta a hipótese de que quem não têm abundância de recursos financeiros não deva viver uma relação amorosa.
Bordões como “tá liso dorme” ou “se não tem dinheiro para levar a namorada para sair, não tem que namorar, tem que procurar emprego” denunciam que, além de gênero, a classe social também define quem é você no campo das relações. O amor vale muito, mas não precisa custar caro.
A discussão sobre “quem paga a conta?”, é um reflexo de desigualdades maiores presentes nas relações afetivas e sociais. A estrutura social e capitalista, com a qual a sociedade se organiza, reflete nas relações amorosas. Para a socióloga Marisol Brandt, isso também é um legado do patriarcado, que coloca o homem na posição de provedor, e a mulher na posição de quem cuida.
Para Brandt, a cultura que se constituiu sobre quem paga espelha a base da sociedade brasileira. “Essa discussão também reflete a desigualdade econômica e social. A gente não pode desvincular desse ponto. Eu penso que existe um fator histórico, que é a forma como a sociedade brasileira se organizou ao longo do tempo, profundamente desigual”, explica.
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A estudante de Letras Português, Brenda Feitosa, de 22 anos, é pansexual (pessoas que não determinam com quem se relacionam por gênero) e acredita que mesmo em relações sem um homem, podem existir preconceitos, “se na teoria o homem tem que pagar a conta, sem o homem fica complicado. Mas tem outros preconceitos, digamos assim, outros estereótipos, como a pessoa mais velha, a pessoa que tem mais dinheiro, por exemplo”, diz.
Isso revela que a discussão vai além da escolha individual e está diretamente conectada a construções sociais mais amplas. Para a socióloga, essas expectativas são reflexo de uma desigualdade histórica e estrutural, marcada por um legado patriarcal e patrimonial que ainda influencia as relações afetivas atuais.
“As desigualdades econômicas e socioeconômicas podem influenciar sobre quem tem maior poder aquisitivo e também, nesse sentido, sobre quem paga. Por outro lado, também a expectativa da sociedade, a expectativa cultural pode variar de acordo com a classe social e com a raça. A expectativa sobre quem paga é sociocultural”, resume.
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As definições de “primeiro encontro” foram atualizadas
Não se assuste com o barulho, esse é o som do tabu sendo quebrado. E se, ao invés de vivermos como nossos pais, vivêssemos como nossos irmãos? Aquele irmão “ovelha negra” que tem coragem de questionar, e não tem medo de remar contra a maré.
O médico Lucas Lins, de 25 anos, é homossexual e se encontra em um relaciomento sério com outro homem. Para ele, a definição de “quem paga a conta?” deve ser natural, e não é algo tão complexo quanto muitas pessoas acabam interpretando.
“Pessoalmente, não me sinto pressionado em relação a esse tema. Por exemplo, se eu convido meu namorado para sairmos, não espero que ele arque com os custos; eu pago com tranquilidade, sem qualquer problema”, relata.
Para a psicóloga Madge Porto, existe uma ideia de que não se deve discutir sobre dinheiro nas relações afetivas, o que causa um certo constrangimento. Esse ideal impregnado na sociedade é encarado como uma “quebra” do romantismo, entretanto, é necessário que cada um se posicione acerca do que espera em uma relação.
“Estamos em um momento em que há a colocação de duas referências de modelos de relacionamento, modelos conservadores e tradicionais e modelos igualitários. Cada pessoa precisa ter noção de que tipo de relacionamento pretende e que é mais positivo e saudável para apresentar o seu desejo”.
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A psicóloga ressalta que, nos primeiros encontros, muitas pessoas acabam tentando adotar estratégias para agradar o outro, mesmo que isso signifique se submeter a situações desconfortáveis. No entanto, ela explica que esse esforço é temporário, já que, com o tempo, a forma como cada indivíduo realmente vive e se posiciona na vida inevitavelmente aparece.
“Que pagar ou não pagar não seja o mais importante, mas sim o que cada um está disponível para construir junto com o outro”, finaliza.
Dividir as despesas não é mesquinho, é esforço mútuo. Aceitar que paguem a sua parte não é vergonha, é saber aceitar um gesto de generosidade. Se prender a uma só “fórmula” não é só atraso, mas também limitante.
Por Beatriz Guedes, Islana Wiciuk, Lauana Brito e Laylanne Barros*
O projeto “Frente Animal” disponibiliza sete atendimentos veterinários e uma castração por semana para animais resgatados das ruas, oferecendo serviços gratuitos como consultas, exames e cirurgias. O cadastro é feito por formulário on-line e os atendimentos ocorrem na Clínica Veterinária da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.
A iniciativa é voltada para protetores que resgatam animais e não têm condições de arcar com os custos do tratamento. Entre os serviços oferecidos estão consultas clínicas, exames laboratoriais e exames de imagem, como ultrassonografia e radiografia, com laudo opcional ao custo de R$50. O programa também realiza cirurgias de tecidos moles e castrações.
Não há oferta de vacinas, medicamentos para levar para casa, testes de cinomose e parvovirose ou procedimentos ortopédicos. Caso o animal necessite permanecer internado, o tutor recebe encaminhamento para uma clínica particular e assume os custos. O projeto também não realiza resgates, sendo o tutor totalmente responsável pelo animal durante todo o processo. Os serviços são realizados por médicos veterinários contratados pela Ufac e também por alunos dos programas de aprimoramento e residência, sempre sob supervisão profissional.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h, mediante agendamento prévio. Após o preenchimento do formulário, o cadastro entra em fila de espera e o responsável é chamado conforme a ordem de inscrição e a gravidade do caso. A voluntária Isabella Macowski, que faz a ponte entre a comunidade e a clínica, alerta: “Em caso de desistência, é necessário avisar com antecedência, pois a ausência é contabilizada como uma vaga perdida”.
Para facilitar o acesso ao serviço, o programa também disponibiliza transporte para levar os animais até a clínica. A ambulância funciona às segundas e quintas-feiras e pode buscar o pet na residência do tutor. No entanto, o responsável deve acompanhar o animal durante todo o trajeto, segurá-lo e colocá-lo no veículo, já que a equipe não realiza resgates.
O atendimento contempla principalmente cães e gatos, mas também pode atender animais considerados não convencionais, como coelhos, jabutis e capivaras, ampliando o acesso ao cuidado veterinário para diferentes espécies resgatadas.
O médico veterinário Lucas Carvalho, que atua nos atendimentos, destaca que a iniciativa contribui para garantir diagnóstico e tratamento para animais que passam longos períodos sem qualquer tipo de cuidado. “A evolução da medicina, dos medicamentos e dos tratamentos faz com que os animais tenham uma expectativa de vida maior e também uma melhor qualidade de vida”, afirma.
Viver em Rio Branco, capital do Acre, envolve desafios que vão além da distância geográfica em relação aos grandes centros do país. O custo de vida elevado pressiona o orçamento das famílias e evidencia um descompasso entre renda média e despesas básicas. Alimentação, combustível, moradia e mercado de trabalho são fatores que ajudam a explicar o peso crescente no bolso da população.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal dos trabalhadores no Acre foi de aproximadamente R$2.563 em 2024. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mostra que o valor está R$662 abaixo da média nacional, estimada em R$3.225.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
Essa realidade é sentida diariamente pela população e aparece de forma direta no orçamento de trabalhadores, famílias e até estudantes.
“A gente sente no bolso todo mês. O salário praticamente acaba só com as contas básicas. Quando paga aluguel, energia e mercado, já sobra muito pouco para outras coisas”, afirma a auxiliar administrativa Maria das Dores Silva, moradora de Rio Branco.
Alimentação fora de casa
O custo das refeições também reflete esse cenário. Em restaurantes considerados de padrão médio ou elevado na capital acreana, o valor de uma refeição varia entre R$45 e R$100.
Embora os preços sejam menores do que os de outras capitais brasileiras, o impacto é proporcionalmente maior quando comparado à renda média do estado.
Combustíveis entre os mais caros do país
Outro fator que influencia diretamente o custo de vida é o preço dos combustíveis. A gasolina comercializada em Rio Branco figura entre as mais caras do país, reflexo das dificuldades logísticas da região Norte.
Atualmente, o litro é vendido em média entre R$6,69 e R$7,68, dependendo do posto e da localização. Em municípios do interior, especialmente durante o período do verão amazônico, o preço pode alcançar R$10 por litro.
Esse custo elevado impacta toda a cadeia de preços, desde o transporte individual até o valor final de alimentos, serviços e deslocamentos em comunidades mais isoladas.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
Aluguel compromete grande parte da renda
A moradia também representa uma parcela significativa das despesas. Em Rio Branco, o aluguel de um apartamento de um quarto varia entre R$700 e R$1.200, enquanto imóveis maiores podem alcançar R$2.000 ou R$2.500, dependendo da localização e da infraestrutura.
Em cidades como Florianópolis ou Santos, imóveis semelhantes podem custar entre R$1.800 e R$3.000. No entanto, nesses municípios a renda média da população é significativamente maior.Em Rio Branco, trabalhadores com rendimento mensal próximo de R$2.500 podem comprometer entre 30% e 50% da renda apenas com aluguel, o que limita o acesso a moradias próximas ao trabalho ou a áreas com melhor oferta de serviços públicos.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
Mercado de trabalho ainda apresenta desafios
O cenário econômico também é influenciado pelo mercado de trabalho. Dados do IBGE indicam que a taxa de desocupação no Acre variou entre 7,3% e 8,2% no primeiro semestre de 2025, o que representa cerca de 30 mil pessoas fora do mercado de trabalho.
Mesmo em períodos de leve redução da taxa de desemprego, a pesquisa aponta que os indicadores devem ser analisados em conjunto com outros fatores, como informalidade, renda média e oferta de empregos qualificados.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
A dificuldade de conseguir emprego ou de encontrar trabalhos com melhor remuneração também afeta diretamente jovens que ainda estão em processo de formação.
“Não é só o custo de vida que pesa, é a dificuldade de encontrar um trabalho que pague melhor. Muita gente acaba aceitando o que aparece para conseguir se manter”, avalia a estudante de economia Carla Mendes, de 23 anos.
Para ela, enfrentar o alto custo de vida no estado depende de uma combinação de fatores, incluindo investimentos em infraestrutura logística, incentivo à produção regional e ampliação de oportunidades de trabalho e renda.
Enquanto essas medidas não avançam de forma consistente, o custo de vida segue sendo um dos principais desafios para quem vive na capital acreana.
Com um dos menores fluxos de visitantes do país em 2023, segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo e da Embratur, o Acre enfrenta o desafio de fortalecer sua presença no cenário turístico nacional e internacional. Diante desse cenário, guias e demais profissionais do setor buscam alternativas para inovar, diversificar as ofertas e manter a atividade em funcionamento. Nesse contexto, compreender o perfil de quem escolhe visitar o estado se torna uma etapa estratégica para orientar ações de reposicionamento e impulsionar o turismo local.
Segundo o guia de turismo Tássio Fúria, o perfil predominante dos turistas atendidos está entre 25 e 45 anos, faixa etária que concentra a maior parte do público. Além da idade, outro ponto também chama atenção: diferente do que se imagina, muitos visitantes chegam sozinhos. “Eu atendo bastante gente solo. Depois vêm casais, famílias e grupos de amigos, nessa ordem”, conta.
Guia de Turismo Tássio Fúria Foto: arquivo pessoal
O destaque vai para mulheres que viajam sozinhas, em busca de experiências mais seguras e planejadas. “Com a presença de um guia, muitas mulheres conseguem visitar lugares que sozinhas não iriam”, relata.
Os turistas que chegam ao Acre, geralmente, passam por Belém ou Manaus e vêm com expectativas ligadas à Amazônia: floresta, aldeias indígenas, rios e animais estão entre os principais atrativos.
“O que mais atrai esses turistas, primeiro, são as aldeias. As pessoas querem muito ter contato com as etnias; quanto mais cultural parecer, melhor para elas”, explica o guia.
Além disso, a natureza e a fauna despertam curiosidade. “Se a pessoa entra na floresta e consegue ver uma cobra, uma preguiça ou um boto na água, isso é satisfatório para elas”, comenta.
Os pratos típicos também fazem parte do roteiro dos visitantes. Eles não saem daqui sem experimentar tacacá, baixaria, peixe e suco de cupuaçu.
Turistas no mercado quebrando castanha Foto: Tássio Fúria
O guia conta ainda que muitos turistas se surpreendem ao conhecer a cidade. Muitos chegam a acreditar que tudo é apenas floresta e se deparam com uma realidade diferente do que imaginavam.
“Se impressionam com o centro organizado, as distâncias curtas, o fato de em 15 minutos do hotel estarem dentro de uma área de floresta, como também de haver espaços de visitação gratuitos com guiamento, são pontos que chamam a atenção deles”, relata.
O turismo visto de dentro
Quem mora no estado costuma enxergar o turismo de forma diferente. Para muitos acreanos, os atrativos locais fazem parte do cotidiano e, por isso, acabam passando despercebidos ou sendo subestimados.
“O acreano é também um turista na própria terra. Ele desconhece as potencialidades do lugar onde vive e, muitas vezes, subestima o que tem aqui”, afirma Fúria.
Nesse contexto, o desafio é apresentar os mesmos destinos sob outra perspectiva. Assim, o acreano tende a buscar trilhas, atividades de aventura, roteiros alternativos, eventos culturais e experiências de lazer que ofereçam novidades dentro do que já é conhecido. Para estimular esse interesse, o guia afirma que cria propostas específicas voltadas ao público regional, explorando novas formas de vivenciar o estado.
“Entre os períodos de chegada de visitantes, eu fico inventando coisas para proporcionar lazer, entretenimento e conscientização para o público local”, relata.
Trilha na Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá Foto: arquivo pessoal
Dessa forma, o turismo, para quem mora no Acre, deixa de ser apenas visita a pontos turísticos tradicionais e passa a ser uma forma de redescoberta do próprio território, revelando que o estado guarda experiências que nem sempre são percebidas por quem convive com elas todos os dias.
Em meio aos dados e números apresentados, permanece a pergunta: a escassez de turistas no Acre é resultado da falta de investimentos consistentes, de sua localização geográfica e das dificuldades de acesso, ou de um conjunto mais amplo de fatores que ainda precisam ser enfrentados?
A equipe do jornal A Catraia entrou em contato com a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo do Acre (Sete) para comentar os dados e esclarecer as estratégias adotadas pelo governo para ampliar o fluxo de visitantes no estado. Até o fechamento desta edição, no entanto, não houve retorno.