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Corriqueiras

As diferenças de gênero nas mortes

Violência das ruas atinge a maioria dos homens, para muitas mulheres o lar não é sinônimo de segurança. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Gabriela Fintelman e Natália Lindoso 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revelou um dado chocante: 64,3% dos feminicídios acontecem dentro da própria casa da vítima. Já entre as mortes violentas intencionais, mais de 90% das vítimas são homens, e quase 58% desses assassinatos ocorrem em via pública. Essa diferença expõe uma realidade cruel: as mulheres morrem principalmente no lar, e os homens, nas ruas.

Para a delegada Juliana de Angelis, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), a casa, longe de ser um espaço seguro, é para muitas mulheres o local de maior risco. “A sociedade patriarcal legitima relações de dominação masculina e encara o espaço doméstico como território privado do homem, onde ele exerce controle e poder sobre a mulher”, afirma.

Juliana de Angelis. Foto: Dhárcules Pinheiro/Sejusp

Muitas mulheres vivem dependência emocional, econômica ou parental em relação ao agressor, o que cria barreiras para romper o ciclo de violência. Esse ciclo segue três fases: tensão crescente, explosão violenta e uma fase de “lua de mel” ou reconciliação, um padrão que se repete e naturaliza a violência no cotidiano.

O medo, a vergonha e a desconfiança no sistema de justiça são motivos comuns para que muitas vítimas não denunciem. Isso mantém os agressores impunes, incentivando a continuidade da violência.

Um caso emblemático em Natal (RN) ilustra esse cenário, o registro em câmeras de uma mulher agredida com mais de 60 socos. Tudo indica o perfil típico de violência de gênero no espaço doméstico: o agressor era namorado da vítima, a agressão ocorreu no elevador do condomínio, havia histórico de relacionamento conturbado e as agressões foram motivadas por ciúmes e posse. 

O Acre no padrão nacional

No Acre, a situação é preocupante. Segundo o Atlas da Violência, o estado apresenta uma das maiores taxas proporcionais de feminicídio no Brasil. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Rio Branco informou que mais de 70% das ocorrências registradas acontecem dentro do lar da vítima.

Os dados locais confirmam que as vítimas são, em sua maioria, mulheres jovens, pardas e negras, envolvidas em relacionamentos afetivos com os agressores. Muitas delas já relataram ameaças anteriores, reforçando o padrão de escalada da violência doméstica.

A Polícia Civil do Acre disponibiliza relatórios mensais com estatísticas que detalham esses casos, ressaltando a urgência de políticas públicas específicas para o combate à violência contra a mulher.

Faixada Deam. Foto: Neto Lucena/Secom

Raça e gênero

Interseccionalidade é um conceito que analisa como diferentes grupos sociais, como raça, gênero, classe, orientação sexual, entre outros, se cruzam e interagem, criando experiências únicas de discriminação ou privilégio.

A advogada criminalista e militante Lúcia Ribeiro destaca que as mulheres negras são as mais afetadas pela violência doméstica e pelo feminicídio no Brasil. Dados do Dossiê Feminicídio e do Ministério da Saúde mostram que mulheres negras têm duas vezes mais chance de serem assassinadas que mulheres brancas.

Entre 2003 e 2013, enquanto o número de homicídios de mulheres brancas caiu quase 10%, os homicídios de mulheres negras aumentaram mais de 54%. Além disso, a maioria das vítimas de violência obstétrica e mortalidade materna também são negras, indicando que o racismo estrutural atravessa diversas formas de violência e exclusão.

Especialistas apontam que o racismo, aliado ao sexismo, cria camadas de discriminação que dificultam o acesso das mulheres negras a direitos, serviços públicos e justiça. “O racismo é um fenômeno ideológico que justifica a hierarquização social e a exclusão das mulheres negras da cidadania plena”, afirma Ana Carolina Querino, do ONU Mulheres.

A socióloga Luiza Bairros lembra que o racismo e o sexismo estão no DNA da sociedade brasileira e que, sem a análise da interseccionalidade, políticas universais dificilmente avançam no combate à violência e à desigualdade.

Invisibilidade política

Apesar de as estatísticas mostrarem a predominância da população negra entre as vítimas, Lúcia Ribeiro alerta para a invisibilidade política dessa realidade. Para transformar o cenário, é fundamental aumentar a presença de pessoas negras em espaços de gestão pública e privada e criar planos de enfrentamento que considerem as múltiplas vulnerabilidades.

Lúcia Ribeiro. Foto: cedida

Nilza Iraci, do Instituto Geledés, destaca que “o racismo institucional e a desigualdade de gênero produzem a falta de acesso ou acesso de menor qualidade aos serviços e direitos para a população negra, perpetuando desigualdades estruturais”.

A violência letal contra homens e mulheres revela que a segurança pública precisa ser pensada de forma segmentada, considerando as diferentes dinâmicas que expõem cada grupo aos riscos.

No caso das mulheres, a compreensão do racismo estrutural, da dominação patriarcal e da interseccionalidade é fundamental para elaborar políticas públicas eficazes que realmente protejam as vítimas e punam os agressores.

Canais de ajuda

O primeiro passo em direção ao pedido de ajuda é desafiador, mas também necessário. Romper com o ciclo da violência é um ato de coragem que pode trazer de volta a segurança para dentro de casa. Você não está sozinha.  

As vítimas podem procurar ajuda na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) pelo telefone (68) 3221-4799.

Também podem entrar em contato com a Central de atendimento à Mulher pelo Disque 180 ou com a Polícia Militar do Acre (PM – AC) através do 190.

Outras opções de atendimento incluem o Centro de Atendimento à Vítima (CAV), no telefone (68) 9999-34701, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), pelo número (68) 99605-0657 e a Casa Rosa Mulher no (68) 3221-0826.

Redação

Corriqueiras

Quem faz turismo no Acre?

Guia revela diferenças entre visitantes de fora e acreanos que redescobrem o próprio estado

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Por Beatriz Ohrana e Rosely Cabral

Com um dos menores fluxos de visitantes do país em 2023, segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo e da Embratur, o Acre enfrenta o desafio de fortalecer sua presença no cenário turístico nacional e internacional. Diante desse cenário, guias e demais profissionais do setor buscam alternativas para inovar, diversificar as ofertas e manter a atividade em funcionamento. Nesse contexto, compreender o perfil de quem escolhe visitar o estado se torna uma etapa estratégica para orientar ações de reposicionamento e impulsionar o turismo local.

Segundo o guia de turismo Tássio Fúria, o perfil predominante dos turistas atendidos está entre 25 e 45 anos, faixa etária que concentra a maior parte do público. Além da idade, outro ponto também chama atenção: diferente do que se imagina, muitos visitantes chegam sozinhos. “Eu atendo bastante gente solo. Depois vêm casais, famílias e grupos de amigos, nessa ordem”, conta.

Guia de Turismo Tássio Fúria Foto: arquivo pessoal

O destaque vai para mulheres que viajam sozinhas, em busca de experiências mais seguras e planejadas. “Com a presença de um guia, muitas mulheres conseguem visitar lugares que sozinhas não iriam”, relata.

Os turistas que chegam ao Acre, geralmente, passam por Belém ou Manaus e vêm com expectativas ligadas à Amazônia: floresta, aldeias indígenas, rios e animais estão entre os principais atrativos.

“O que mais atrai esses turistas, primeiro, são as aldeias. As pessoas querem muito ter contato com as etnias; quanto mais cultural parecer, melhor para elas”, explica o guia.

Além disso, a natureza e a fauna despertam curiosidade. “Se a pessoa entra na floresta e consegue ver uma cobra, uma preguiça ou um boto na água, isso é satisfatório para elas”, comenta.

Os pratos típicos também fazem parte do roteiro dos visitantes. Eles não saem daqui sem experimentar tacacá, baixaria, peixe e suco de cupuaçu.

Turistas no mercado quebrando castanha  Foto: Tássio Fúria

O guia conta ainda que muitos turistas se surpreendem ao conhecer a cidade. Muitos chegam a acreditar que tudo é apenas floresta e se deparam com uma realidade diferente do que imaginavam.

“Se impressionam com o centro organizado, as distâncias curtas, o fato de em 15 minutos do hotel estarem dentro de uma área de floresta, como também de haver espaços de visitação gratuitos com guiamento, são pontos que chamam a atenção deles”, relata.

O turismo visto de dentro

Quem mora no estado costuma enxergar o turismo de forma diferente. Para muitos acreanos, os atrativos locais fazem parte do cotidiano e, por isso, acabam passando despercebidos ou sendo subestimados.

“O acreano é também um turista na própria terra. Ele desconhece as potencialidades do lugar onde vive e, muitas vezes, subestima o que tem aqui”, afirma Fúria.

Nesse contexto, o desafio é apresentar os mesmos destinos sob outra perspectiva. Assim, o acreano tende a buscar trilhas, atividades de aventura, roteiros alternativos, eventos culturais e experiências de lazer que ofereçam novidades dentro do que já é conhecido. Para estimular esse interesse, o guia afirma que cria propostas específicas voltadas ao público regional, explorando novas formas de vivenciar o estado.

“Entre os períodos de chegada de visitantes, eu fico inventando coisas para proporcionar lazer, entretenimento e conscientização para o público local”, relata.

Trilha na Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá  Foto: arquivo pessoal

Dessa forma, o turismo, para quem mora no Acre, deixa de ser apenas visita a pontos turísticos tradicionais e passa a ser uma forma de redescoberta do próprio território, revelando que o estado guarda experiências que nem sempre são percebidas por quem convive com elas todos os dias.

Em meio aos dados e números apresentados, permanece a pergunta: a escassez de turistas no Acre é resultado da falta de investimentos consistentes, de sua localização geográfica e das dificuldades de acesso, ou de um conjunto mais amplo de fatores que ainda precisam ser enfrentados?

A equipe do jornal A Catraia entrou em contato com a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo do Acre (Sete) para comentar os dados e esclarecer as estratégias adotadas pelo governo para ampliar o fluxo de visitantes no estado. Até o fechamento desta edição, no entanto, não houve retorno.

Redação

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Afluentes

Do Oriente Médio ao Acre: como o quibe foi adaptado à culinária local

Adaptado com ingredientes amazônicos, especialmente a macaxeira, o salgado de origem árabe atravessou culturas, ganhou identidade regional

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Por Ana Keli Flores e Raiça Sousa

Presente em padarias, feiras livres, lanchonetes, festas e até nas bicicletas de vendedores ambulantes que circulam com caixas térmicas pelas ruas de Rio Branco, o quibe se tornou parte do cotidiano alimentar no Acre. A versão mais emblemática dessa popularização é o quibe de macaxeira, adaptação regional que substitui o trigo pela raiz amazônica e consolidou o salgado como símbolo da identidade culinária local. 

Originalmente preparado na região do Levante, área que abrange países como Líbano e Síria, o quibe é feito com carne de cordeiro, trigo para quibe (bulgur), hortelã e especiarias, podendo ser assado ou frito. 

A receita chegou ao Brasil com imigrantes sírios e libaneses entre o fim do século XIX e o início do século XX e, ao longo do tempo, passou por adaptações conforme os ingredientes disponíveis e os hábitos alimentares locais.

No Acre, a transformação foi além da simples substituição de itens. Surgiram versões que dialogam diretamente com a cultura alimentar amazônica, como o quibe de arroz e, principalmente, o de macaxeira também conhecida como mandioca ou aipim. Ao trocar o trigo pela raiz ralada ou amassada, o salgado ganhou textura mais macia por dentro, crocante por fora e sabor mais suave, criando uma identidade profundamente regional.

Quibe de arroz, alternativa criativa e econômica, que reaproveita ingredientes do dia a dia sem perder sabor. Foto: arquivo pessoal

Segundo o historiador Francisco Bento da Silva, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), a culinária é uma das expressões mais visíveis da mistura cultural. “A comida muda tanto quanto as pessoas que migram”, afirma. 

Para ele, a presença da macaxeira na receita representa a incorporação de saberes indígenas e amazônicos a um prato de origem árabe. “Não é apenas uma troca de ingrediente; é um encontro de histórias.”

Além da base diferente, o quibe acreano apresenta temperos próprios, formatos variados e recheios adaptados ao gosto local, carne bem temperada, cheiro-verde e pimenta regional.

Em Rio Branco, o salgado é facilmente encontrado em padarias de bairro, mercados, lanchonetes e feiras populares. O preço varia conforme o tamanho e o ponto de venda, mas, em média, custa entre R$5 e R$10 a unidade. 

Em festas e encomendas, também aparece em versões menores, servidas como salgado de evento. Vendedores ambulantes ajudam a manter viva a tradição, levando o produto para diferentes bairros e reforçando sua presença na rotina urbana.

Nutrição e sabor

Do ponto de vista nutricional, a composição varia conforme a receita e o modo de preparo. De acordo com a nutricionista Flávia Dias, o quibe feito com trigo combina carboidrato complexo e proteína, oferecendo fibras, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Já a versão com macaxeira é fonte de energia e naturalmente sem glúten, podendo ser alternativa para pessoas com restrição ao trigo. 

Quibe de trigo, versão tradicional, preparada com trigo para quibe e temperos clássicos da gastronomia árabe. Foto: reprodução

As versões fritas concentram mais gordura e calorias, enquanto o quibe assado tende a ser mais equilibrado. A recomendação é priorizar carnes magras, incluir vegetais na massa e utilizar ervas frescas para agregar valor nutricional.

Quibe cru, preparação típica da culinária árabe, servida crua, com carne fresca, trigo hidratado e especiarias. Foto: reprodução

O quibe no Acre hoje supera a tradição original para abraçar a diversidade local. Com versões que utilizam trigo, arroz ou macaxeira, o salgado demonstra a capacidade de adaptação da gastronomia do estado. 

O prato deixou de ser apenas uma herança do Oriente Médio para se tornar um símbolo da identidade acreana, unindo o saber dos imigrantes aos ingredientes da floresta. Consolidado no cotidiano de Rio Branco, o quibe com sotaque amazônico segue em constante evolução, sem apagar as memórias que o trouxeram até aqui.

Redação

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Corriqueiras

Trilhas em alta no Acre reforçam a importância da ética, da segurança e do cuidado coletivo

Prática cresce no Acre e especialistas alertam que a maioria dos riscos em trilhas está ligada à falta de preparo e ao abandono de integrantes

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Por Ana Keli Flores e Raíça Sousa

A prática de trilhas tem ganhado cada vez mais espaço no Acre, impulsionada pelo interesse em atividades ao ar livre e pelo contato direto com a floresta amazônica. Em meio a esse crescimento, a ética da aventura baseada em segurança, preparo e responsabilidade coletiva torna-se fundamental para evitar riscos e garantir experiências positivas na natureza.

Trilhas são caminhos utilizados para caminhadas em ambientes naturais e têm origem muito antes do lazer. Povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais já utilizavam esses percursos como rotas de deslocamento e sobrevivência. Com o passar do tempo, especialmente a partir do século XX, a prática passou a ser associada ao ecoturismo e às atividades de aventura, sendo conhecida em outros países como hiking, caminhadas curtas feitas no mesmo dia, e trekking, percursos mais longos que envolvem pernoite.

No Brasil, as trilhas ganharam maior visibilidade a partir da criação de parques e unidades de conservação ambiental. No Acre, muitas rotas acompanham antigos caminhos da floresta e ainda apresentam grande potencial para o ecoturismo, como ocorre no Horto Florestal, em Rio Branco, onde trilhas são utilizadas tanto para lazer quanto para educação ambiental.

Segundo o guia de trilhas Tassio Fúria, o envolvimento com atividades ao ar livre começou ainda no ciclismo e foi se aprofundando ao longo dos anos. “Especificamente com trilhas, dá para dizer que comecei em 2018”, afirma. Para atuar profissionalmente, ele explica que é necessário realizar um curso técnico e estar registrado no Cadastro do Ministério do Turismo, o que permite atuar legalmente em segmentos como o ecoturismo.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

A segurança coletiva é um dos pontos centrais destacados pelo guia. De acordo com Tassio, abandonar um integrante durante a trilha é uma falha grave na condução da atividade. Ele explica que cabe ao guia organizar o grupo de acordo com a proposta do percurso, controlar o ritmo e garantir que todos permaneçam juntos do início ao fim.

O tema do abandono em trilhas chama atenção para os riscos da prática sem planejamento adequado. Em situações relatadas por praticantes, pessoas já foram deixadas para trás por não conseguirem acompanhar o ritmo do grupo, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, desorientação e exposição a animais silvestres, especialmente em áreas de floresta fechada.

A diretora-geral da TV5, Simone Oliveira, de 39 anos, pratica trilhas há cerca de três anos e relata que a experiência começou a partir de um convite para participar de uma competição. “Foi amor à primeira ida”, conta. Formada em Educação Física, ela passou a levar alunos de um projeto solidário para as trilhas como forma de incentivo à atividade física.

Simone Oliveira, trilheira. Foto: cedida

Entre as experiências mais marcantes, Simone destaca uma trilha em que acompanhou uma aluna que pesava 115 quilos. “Ela conseguiu concluir o percurso. Todos nós choramos na linha de chegada”, relembra. Para ela, a trilha é uma atividade que deve ser feita em grupo, como forma de incentivo e superação do sedentarismo.

A ética na aventura, segundo Simone, está diretamente ligada ao cuidado com o outro. “É não deixar o grupo para trás, ajudar nos obstáculos e cruzar a linha de chegada todos juntos”, afirma. Ela reforça que cada participante tem seu próprio ritmo e limitação, e que o apoio coletivo faz toda a diferença para a conclusão do percurso.

O preparo antes da trilha também é citado como essencial. Simone destaca o uso de blusa de manga, calça, calçado adequado e alimentação leve antes do início da atividade. Para quem está começando, o conselho é simples: “Vá com calma, tenha cautela e esteja sempre ao lado de alguém de confiança que já tenha experiência”.

Outro fator que interfere diretamente na segurança é o clima amazônico. Durante o período chuvoso, áreas alagadiças fazem com que animais busquem locais mais secos, aumentando a possibilidade de encontros com cobras, insetos e outros animais silvestres. Nessas condições, as atividades ao ar livre ficam mais limitadas e exigem ainda mais atenção.

A experiência de trilha no Horto Florestal, em Rio Branco, reforça o caráter educativo da atividade. Considerada de nível fácil, a trilha pode ser feita em poucos minutos, mas costuma se estender por mais tempo devido às paradas para orientações e explicações. Durante o percurso, o guia recomenda o uso de roupas coloridas para facilitar a visualização do grupo e alerta sobre cuidados básicos de segurança.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

Além da segurança, a trilha se transforma em um espaço de aprendizado ambiental. Ao longo do trajeto, os participantes conhecem rios, aprendem sobre a extração da borracha das seringueiras e observam a fauna local, fortalecendo a relação de respeito com a floresta.

Mais do que uma atividade física, as trilhas no Acre mostram-se uma experiência de convivência e conscientização ambiental. Nesse contexto, a ética da aventura se consolida como um princípio essencial para que a prática aconteça de forma segura, responsável e sustentável.

Redação

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