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Projeto do Detran entrega habilitação gratuita

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A CNH social é projeto para cidadãos de baixa renda e pode isentar o pagamento de quase R$600 

Por Aline Vitória Gomes Soares e Iza Bruna Santiago

Se fosse perguntado aos jovens acreanos qual sonho eles pretendem realizar ao completar a maioridade, grande parte diria que era tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Porém, os custos para tirar a CNH muitas vezes impedem o acesso para uma parte da população, já que os valores podem chegar aos R$3.000,00. 

Visando contemplar essa oportunidade, o Governo Federal lançou, em 2021, o projeto  CNH Social, um programa que auxilia pessoas de baixa renda a conseguir o documento.

Em 2022, o projeto piloto da CNH Social foi lançado no estado do Acre, contemplando 2 mil pessoas. As vagas foram divididas em categorias, sendo elas: estudantil, urbano e rural. 

A sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), fica localizado na Avenida Ceará, 3059 – Rio Branco. Foto: Reprodução/Internet

Letícia Evelyn, estudante de 19 anos, que foi contemplada na categoria estudantil, conta como descobriu o programa naquele ano. “Minha mãe viu um anúncio de outro estado. Depois, quando saiu falando que ia ter aqui, ela me mostrou”,  afirma a jovem.

Livia Silva também foi contemplada com o projeto CNH Social e se habilitou na categoria A. Foto: Iza Bruna

 Além do Acre, outros estados do país também aderiram ao programa, sendo eles o Amazonas; Distrito Federal (com nome Habilitação Social); Espírito Santo; Goiás; Mato Grosso do Sul; Pará (com nome CNH Pai D’égua); Paraíba; Rio Grande do Norte; Sergipe; Alagoas (somente em Maceió); Pernambuco; Roraima (com nome CNH Cidadã).

Como participar 

Os critérios para se inscrever na CNH Social são: ter mais de 18 anos, saber ler e escrever, estar cadastrado/a como titular ou dependente do CadÚnico há pelo menos 4 meses, ser residente do estado do Acre e possuir CPF.

Nesse processo é comum que os candidatos fiquem apreensivos com o resultado mesmo antes de finalizar a inscrição, como Letícia Evelyn ao se inscrever.

“No site foi tranquilo, bem fácil de fazer, mas eu achava meio difícil de passar porque ia dar muita gente. Porém, como tinha a parte do desempate por nota e eu era uma boa aluna, fiquei mais tranquila”, revelou Evelyn.

Tendo iniciado efetivamente em 2023 com 5 mil vagas através do Detran/AC, a CNH Social tem como objetivo atender 20 mil cidadãos até o fim de 2026, buscando inclusão, cidadania e geração de empregos. Considerando um diferencial no currículo, a jovem pensou neste quesito no momento da inscrição, já que muitas vagas exigem carteira de motorista para se cadastrar . “Pra mim, acho que isso vai ser muito útil no meu currículo, até porque ainda não me resolvi profissionalmente”.

Livia Silva também foi contemplada com o projeto CNH Social e se habilitou na categoria A. Foto: Iza Bruna

A iniciativa também traz esperança às pessoas, como mostra a candidata Pâmela Cristina. “Sempre tive vontade de adicionar a categoria B, mas não tinha condições. Primeiro pelo valor, que está acima das minhas condições. E como eu não tenho um emprego, minha renda é apenas o Bolsa Família, que com ele consigo pagar as contas, comprar alimentos e roupas para meus filhos de 12 anos e meu mais novo de 1 ano e 3 meses. Essa oportunidade para mim e meus filhos foi muito gratificante, porque confio no Senhor que vou conquistar um transporte”, diz ela, confiante, acrescentando que recebeu o diagnóstico de autismo de seu mais velho há poucos dias.

As inscrições para o programa são feitas de forma online através do site do Detran /AC, ainda sem previsão de data de abertura para 2024. O edital abre anualmente, sendo cinco mil vagas a cada ano.  No ano passado, a seleção foi em maio, sendo a concorrência de 1 vaga para cada 5 candidatos.

A tabela a seguir mostra algumas taxas que os contemplados pelo programa não pagam, uma economia que pode chegar a quase R$ 600,00 :

Renovação de CNH com adição ou mudança de categoria com emissão de documentoR$ 210,67
Habilitação em uma categoria com emissão de CNHR$ 210,67
Exame de aptidão física e mentalR$ 130,00
Avaliação PsicológicaR$ 160,00
Tabela de taxas para dar entrada no processo de habilitação.

Há 12 auto escolas credenciadas no projeto CNH Social na capital acreana. A tabela a seguir mostra os valores cobrados por sete delas para tirar a CNH sem as isenções do projeto.

AUTOESCOLACATEGORIA ACATEGORIA B
CFC AQUIRIÀ vista: R$1.860,43
Cartão: entrada de R$ 570,43 (exames + taxas) + 10x de R$148,50
Boleto com entrada: R$ 1.045,21 (exames + taxas) + 3x de R$ 500,00
À vista: R$2.305,21
Cartão: entrada de R$ 700,21 (exames + taxas) + 10x de R$ 190,50
Boleto com entrada: R$ 1.045,21 (exames + taxas) + 3x de R$ 500,00
CFC VISÃOÀ vista: R$ 1.650,00
Cartão: em até 12x de R$ 162,50
Boleto com entrada:R$ 900,00 + 2x R$ 525,00
À vista: R$ 2.100,00 
Cartão: em até 12x de R$ 208,33
Boleto com Entrada:R$ 910,00 + 3x R$ 510,00
CFC MODELOÁ vista: R$1.700,00
Cartão com entrada: R$600,00 + 6x R$200,00
Promissória com entrada: R$900,00 + 3x R$333,33
Á vista R$2.200,00
Cartão com entrada:  R$660 + 8x R$205,00
Promissória com entrada: R$1.000,00 + 3x R$466,66
CFC ADRIANÀ vista: R$1.700,00
À vista: R$2.180,00
CFC VITÓRIAÀ vista: R$1.150,00
Cartão: em até 10x de R$138,00
Boleto com entrada: R$ 399,00 + 3x R$399,00
À vista R$1.590,00
Cartão: em até 10x de R$180,00
Boleto com entrada: R$ 475,00 + 3x R$475,00
CFC SÃO PAULOÀ vista: R$1.500,00
Cartão: em até 4x de R$ 425,00
Boleto com entrada: R$ 800,00 + 2x R$ 450,00 
À vista: R$2.100
Cartão: em até 5x de R$ 500,00
Boleto com entrada: R$ 800,00 + 3x R$ 500,00 
CFC AGUIAA vista: R$ 1.850,00
Cartão em até 6x – R$2.089,00
Boleto: R$2.166,00  
À vista: R$ 2.280,00
Cartão em até 6x – R$2.502,00:
Boleto: R$ 2.670,00
*Valores sujeitos à alteração (referentes à 06/02/2024)

Para saber mais sobre a CNH Social e os critérios para se inscrever no programa, acesse: CNH Social – Detran AC

Redação

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Independência financeira: um caminho de autonomia para mulheres 

Empreendedorismo feminino cresce como alternativa para conciliar carreira, maternidade e autonomia financeira, apesar dos desafios e preconceitos enfrentados no caminho

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Por Antônia Liz, Barbara Santos, Prisco Martins, Sarah Viviane e Yasmim Barros*

O despertador de Serlândia Marques toca todos os dias às 5h da manhã. Antes de o sol se firmar no céu acreano, ela já prepara o café do filho mais novo, separa o uniforme e o leva para a escola. Depois, segue para o shopping onde abre as portas de sua franquia de cosméticos pontualmente às 10h.  “Venho todos os dias. Não deixo a empresa ausente”, afirma.

A rotina intensa é o retrato de uma nova realidade. Após 26 anos trabalhando sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), Serlândia decidiu, em 2024, recalcular a rota. Mãe de Felipe, Lucas e Pedro, ela percebeu que o emprego formal lhe roubava algo que o dinheiro não comprava:  tempo. 

“A maternidade e a busca por estabilidade financeira foram os pontos principais para eu empreender. Fui CLT por 26 anos e não tinha tanto tempo para os meus filhos. No decorrer do tempo, fui sentindo que deveria estar mais presente nos momentos familiares. Foi uma necessidade”, relata. 

O caso de Serlândia reflete uma tendência que vem ganhando força no Acre e no Brasil. Cada vez mais mulheres enxergam no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas uma ferramenta para conquistar autonomia financeira e, principalmente, flexibilidade para conciliar a carreira com a maternidade. 

Foto: cedida

Rede de apoio

Para que a jornada fosse possível, a empreendedora fez questão de destacar um elemento fundamental: o suporte da família. “Sempre tive minha rede de apoio muito próxima. Meu pai e minha mãe sempre me ajudaram muito. Meus filhos ficavam na casa deles para eu poder trabalhar”, conta Serlândia.

Mas mesmo com planejamento, a vida de mãe e empreendedora reserva surpresas. “Já precisei remarcar reuniões e compromissos várias vezes. Às vezes meu filho ficava doente e eu tinha que levar ao médico. A gente se vira”, comenta

O preconceito velado: “Já fui subestimada” 

Se os desafios logísticos já são grandes, Serlândia revela que precisa lidar também com barreiras comportamentais. A misoginia, infelizmente, ainda é uma realidade para muitas mulheres que ousam empreender. 

“As pessoas às vezes acham que não somos capazes de conciliar. Ter filhos requer muito tempo e atenção. Mas sempre me dediquei, me superei e fui presente tanto na empresa quanto na vida dos meus filhos”, destaca. 

Ela confirma que já enfrentou situações de desconfiança ao longo da trajetória. “Sim, já fui subestimada e desacreditada. Mas a gente aprende a lidar, a não abaixar a cabeça e a seguir em frente.” 

Hoje, aos 52 anos, Serlândia olha para trás com orgulho e para frente com esperança. A decisão de trocar a estabilidade da carteira assinada (CLT) pelo risco de investir no próprio negócio trouxe resultados que vão além do financeiro, mais autonomia, presença na vida dos filhos e a satisfação de construir algo próprio. 

“Eu não trocaria essa experiência por nada. Ver meus filhos crescerem sabendo que a fiz o melhor pra oferecer uma qualidade de vida e conforto , não tem preço. A gente se supera todo dia. É difícil? É. Mas é recompensador”, afirma. 

Sonho em realidade

Se para muitas mulheres o empreendedorismo surge como alternativa para aumentar a renda e conciliar com a maternidade, para outras ele se concretiza a partir de condições mais favoráveis.  É o caso de Aline Mirella, proprietária de uma papelaria , que transformou um sonho antigo em realidade. 

Diferente do que muitas vezes se imagina, Aline não precisou escolher entre a maternidade e a carreira. Ela tinha o desejo de empreender adormecido e decidiu o momento certo para tirar do papel um projeto cultivado desde a infância.  

“A Vontade de empreender é algo que eu sempre desejei desde da minha infância, sempre busquei a independência financeira e a possibilidade de ter mais flexibilidade de horário e qualidade de vida” 

Quando decidiu empreender foi com o objetivo de aumentar a renda. Naquele momento os filhos já estavam maiores e não dependiam tanto dela. Hoje eles também fazem parte do negócio, ajudam na loja e trabalham junto com a mãe. “Acabou virando algo que envolve toda a família. Meu marido e meus filhos sempre estiveram presentes e contribuíram para que tudo funcionasse”, complementa.

Foto: cedida

União e no apoio coletivo 

Muitas mulheres empreendedoras encontram na união e no apoio coletivo uma forma de fortalecer seus negócios. É o que acontece no coletivo de mulheres “Elas Fazem Acontecer”. A coordenadora do coletivo, Teomayra Cristina, explica que o grupo surgiu justamente com o objetivo de criar oportunidades e fortalecer o trabalho das mulheres empreendedoras.  

Segundo ela, o coletivo vai além da realização de feiras e eventos. A proposta também envolve a capacitação e o fortalecimento das empreendedoras.  “A gente organiza eventos, busca parcerias e oferece cursos para ajudar as empreendedoras a melhorar o atendimento e a apresentação dos produtos. Também temos consciência da importância da autonomia e da independência financeira para nós, mulheres”

Outro ponto que ela destaca é a importância da educação financeira para quem decide abrir um negócio. “Temos parceria com o Sebrae, por meio do programa Ser Mulher, que oferece cursos profissionalizantes. Isso ajuda muito na hora da precificação, porque muitas mulheres entram no empreendedorismo sem saber como definir corretamente o preço dos produtos” 

Apesar dos desafios, a coordenadora acredita que o primeiro passo para quem deseja empreender é ter iniciativa. “Se a mulher esperar se organizar totalmente financeiramente, talvez nunca comece. Muitas vezes é preciso ter coragem, dar o primeiro passo e buscar alternativas para fazer o negócio acontecer”, diz.  

Segundo Teomayra, o coletivo reúne mulheres de diferentes perfis e realidades. “Não existe um perfil único. É um espaço muito diverso, com mulheres mais jovens e também aquelas que já estão próximas da aposentadoria, todas buscando algo em comum: independência e estabilidade financeira ”, conclui. 

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

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Brechós movimentam Rio Branco com reaproveitamento de roupas e preços acessíveis

Peças de marcas conhecidas chegam a custar até 80% menos nos brechós da capital acreana

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Por Laianny Sena 

Os brechós fazem parte do cenário de consumo em Rio Branco, oferecendo roupas seminovas por preços mais baixos. A combinação entre economia e reaproveitamento de peças tem atraído moradores da capital acreana e impulsionado o empreendedorismo feminino. Esses espaços também se tornaram uma fonte de renda para muitas mulheres.

A empreendedora Brenda Vidal, de 32 anos, é a criadora do Brechic, brechó online que surgiu em 2020, no início da pandemia. A ideia nasceu quando ela estava em casa, com várias roupas paradas no armário e sem perspectiva de uso. Foi então que decidiu criar um perfil no Instagram para vender as peças. 

“O Brêchic nasceu bem no começo da pandemia. Eu estava em casa, com várias roupas paradas no armário e praticamente zero chances de usar qualquer uma delas. Para ocupar a mente, resolvi criar um Instagram para vender essas peças.”

Vestido da marca Triton. Foto: cedida

Segundo Brenda, um dos diferenciais do negócio foi a forma como construiu a relação com as clientes. “Acho que o diferencial foi humanizar a página. Sempre mostrei a vida real, sem filtro perfeito, sem personagem. Queria que fosse um espaço onde as pessoas se sentissem acolhidas, como se estivessem conversando com uma amiga, mas sem perder o foco na moda consciente”.

Além do reaproveitamento de roupas, o preço das peças também chama a atenção dos consumidores. Segundo Brenda Vidal, um vestido da marca Triton, que pode custar cerca de R$398,00 em lojas ou plataformas online, foi vendido no Brechic por R$80,00. Já uma camisa da Damyller, que em média custa R$150,00 nas lojas, foi comercializada no brechó por apenas R$25,00.

Hoje, o Brechic funciona exclusivamente pelas redes sociais, por meio do perfil @brechic.ac, onde as peças são divulgadas e as vendas realizadas. 

Além das iniciativas individuais, há brecholeiras que também se organizam por meio do Encontro das Brecholeiras. A idealizadora do projeto, Gélly Café, explica que a iniciativa surgiu inspirada em movimentos de moda sustentável dos quais participou quando morou em Brasília. Ao retornar para Rio Branco, percebeu que poderia transformar a experiência em um projeto coletivo, incentivando mulheres a empreender com peças que já tinham no guarda-roupa.

Imagem cedida pela entrevistada

Ao longo de quatro anos, o grupo acompanhou um crescimento significativo dos brechós no Acre, especialmente após a criação do Encontro. A proposta vai além da comercialização de roupas e inclui mentoria e fortalecimento coletivo. 

“Muitas mulheres começaram apenas desapegando peças pessoais e hoje já têm fornecedores, estruturaram uma dinâmica comercial própria e atuam também no online, utilizando estratégias de comunicação e posicionamento”, destaca Gélly Café.

“No brechó, as pessoas conseguem se vestir bem, com qualidade e pagando pouco. A moda se torna acessível, inclusive para famílias que muitas vezes não conseguem comprar roupas em lojas convencionais”, afirma.

Imagem cedida pela entrevistada

Além da economia para os consumidores, o reaproveitamento de roupas também contribui para reduzir o descarte de peças que ainda estão em bom estado.

Para muitas mulheres, o brechó representa geração de renda, autonomia financeira e fortalecimento pessoal. O Encontro das Brecholeiras também promove uma rede de apoio e colaboração entre as participantes.

As agendas e informações sobre os eventos são divulgadas no Instagram, por meio do perfil @encontrodasbrecholeiras, onde também são divulgadas as próximas edições realizadas na cidade.

Entre os diferentes públicos atendidos pelos brechós, também há iniciativas voltadas para roupas e itens infantis. Como as crianças crescem rapidamente, muitas peças são usadas por pouco tempo, o que torna o reaproveitamento mais comum. Por isso, os brechós acabam sendo uma alternativa para pais e responsáveis venderem roupas que já não servem mais e, ao mesmo tempo, permitem que outras famílias encontrem peças infantis em bom estado por preços mais acessíveis.

A presença dos brechós em Rio Branco mostra diferentes formas de consumo e geração de renda na cidade. Mais do que uma opção econômica, esses espaços incentivam o consumo consciente, fortalecem o empreendedorismo feminino e permitem que consumidores tenham acesso a peças de marcas conhecidas e em bom estado por preços mais acessíveis.

Redação

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Com 31% da população dependente de transporte público, mobilidade urbana expõe desafios em Rio Branco

Dados mostram crescimento do uso de motocicletas, aumento de acidentes e dificuldades enfrentadas por usuários do transporte público na capital acreana.

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Por Davi Mansour e Daniel Alysson 

Mesmo sem registrar os congestionamentos típicos das grandes metrópoles brasileiras, Rio Branco enfrenta desafios significativos na mobilidade urbana. O modo como os moradores se deslocam pela cidade evidencia limitações no planejamento urbano e no sistema de transporte público, resultado de fatores como tempo de trajeto, segurança no trânsito e centralização de atividades econômicas.

Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que grande parte dos trabalhadores da capital acreana realiza deslocamentos relativamente curtos. 

Em Rio Branco, cerca de 39% da população leva entre 15 e 30 minutos para chegar ao trabalho, enquanto aproximadamente 30% gastam entre 6 e 15 minutos no trajeto diário. Apesar disso, cerca de 21% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao trabalho, e uma pequena parcela chega a gastar até duas horas no deslocamento.

Os números mostram que, embora o tempo médio de deslocamento ainda seja inferior ao observado em grandes centros urbanos, existem sinais de desigualdade no acesso à mobilidade e desafios relacionados ao crescimento da cidade.

Outro dado relevante sobre o perfil da mobilidade na capital acreana foi apontado por pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC). O levantamento mostra que o transporte coletivo é o principal meio de deslocamento para cerca de 31,4% dos trabalhadores da cidade. Em seguida aparecem a motocicleta, utilizada por aproximadamente 16% da população, o carro próprio, com cerca de 8,5%, e a bicicleta, com aproximadamente 4,3%.

A predominância do transporte coletivo demonstra a importância desse serviço para a população. Ao mesmo tempo, a forte presença das motocicletas no cotidiano da cidade revela mudanças no padrão de mobilidade urbana, muitas vezes associadas à busca por alternativas mais rápidas diante das limitações do transporte público.

Usuários relatam atrasos e superlotação

Quem sente os impactos dessas limitações diariamente são os próprios usuários do sistema. Paulo Reis, que depende dos ônibus para se locomover pela cidade, relata as dificuldades enfrentadas no dia a dia.

“Os ônibus demoram muito para passar e, quando chegam, estão superlotados. Muitas vezes, tenho que sair de casa duas horas antes do meu compromisso para não correr o risco de me atrasar. O transporte público precisa melhorar para que possamos ter mais dignidade no nosso dia a dia”, afirma.

Além das dificuldades relacionadas ao transporte coletivo, a mobilidade urbana também está diretamente ligada à segurança no trânsito. Dados do Ministério Público do Estado do Acre indicam que Rio Branco registrou 2.743 ocorrências de trânsito com vítimas em 2023, o que representa cerca de 69% de todos os casos registrados no estado. 

O número de mortes também apresentou crescimento, passando de 39 em 2022 para 46 em 2023. No primeiro semestre de 2024, já haviam sido registradas 47 mortes no trânsito na capital acreana.

Esse cenário evidencia que a mobilidade urbana não envolve apenas o deslocamento das pessoas, mas também questões relacionadas à segurança viária, organização do tráfego e planejamento urbano.

Outro fator que influencia diretamente o deslocamento dos moradores é a concentração de atividades econômicas e serviços em determinadas áreas da cidade, especialmente na região central. 

Esse padrão faz com que muitos trabalhadores precisem se deslocar diariamente para os mesmos pólos urbanos, aumentando a pressão sobre as principais vias e sobre o sistema de transporte coletivo.

Ao mesmo tempo, novas formas de deslocamento têm ganhado espaço em Rio Branco. O crescimento do uso de aplicativos de transporte e mototáxis tem alterado a dinâmica da mobilidade urbana, oferecendo alternativas ao transporte coletivo tradicional. Essas mudanças refletem transformações no comportamento dos usuários e na forma como a população se desloca pela cidade.

Discutir mobilidade urbana em Rio Branco, portanto, significa discutir o futuro da cidade. Investir em planejamento, infraestrutura e políticas públicas voltadas ao transporte e à acessibilidade é essencial para garantir deslocamentos mais eficientes, seguros e sustentáveis. Mais do que uma questão de trânsito, a mobilidade urbana está diretamente ligada à qualidade de vida da população e ao desenvolvimento social e econômico da capital acreana.

Redação

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