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Quem quer ser um professor?

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Pesquisa realizada pelo Inep mostrou que 8 em cada 10 professores já pensaram em desistir da profissão após ingressarem no mercado de trabalho

Por Pedro Amorim e Gabriela Fintelman

Os cursos de licenciatura, no Brasil, enfrentam um cenário de desafios registrando uma baixa procura e indices de evasão consideráveis. Na Universidade Federal do Acre (Ufac), por exemplo, as notas de corte estão entre as mais baixas da instituição. Dados da primeira parcial de 2025 revelam que nenhum dos cursos de Licenciatura atingiu a média de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ficando em torno de 550. Além disso, a evasão é superior a dos Bacharelados, chegando a 59%  no país em alguns cursos, segundo levantamento divulgado pelo jornal O Globo referente ao último censo.

A desvalorização da carreira docente é apontada como um dos principais motivos para esse cenário. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostrou que 8 em cada 10 professores já pensaram em desistir da profissão após ingressarem no mercado. A carga horária de trabalho extensa e os salários desproporcionais são os principais fatores de insatisfação.

 Quem vive a realidade da sala de aula

Marcos Freire, 27 anos, recém-formado em Licenciatura em Letras Português pela Ufac, é um exemplo de quem enfrenta os desafios da profissão. Atualmente, ele leciona para turmas do 1º e 2º anos do ensino médio, em Rio Branco. Apesar de não ter sido a primeira opção de curso, ele se apaixonou pela área durante a graduação. No entanto, critica a desvalorização da profissão.

“A forma como o professor é tratado me fez questionar se estava na carreira certa. Há muita desvalorização em comparação à quantidade exorbitante de trabalho”, enfatiza.

Formado em 2019, o professor de Matemática Sandro Souza da Silva compartilha da mesma opinião. Com anos de experiência na área, ele não se arrepende da escolha profissional, mas reconhece as dificuldades. Sandro destaca que muitos alunos ingressam em cursos de licenciatura com o intuito de migrar para outras áreas.

“O mercado de trabalho para professores tem vagas, inclusive falta profissionais, principalmente na área de Matemática. No entanto, a carga horária com salário não compensa. Há profissões que trabalham menos e ganham muito mais. No meu curso de Matemática, cerca de 50% dos matriculados entravam com o objetivo de pegar vagas residuais e depois mudar de curso”, afirma.

Foto: cedida por Sandro Souza

Desafios estruturais e falta de políticas pública

 A situação dos cursos de Licenciatura e dos professores no Acre reflete um problema nacional. A falta de atratividade para a carreira docente somada a desvalorização salarial e as condições de trabalho tem contribuído para a evasão nas graduações.

Aurilene Barbosa Batista Lima, professora com 28 anos de experiência, formada em Letras Português, Letras Espanhol, Letras Inglês, Educação Especial, Pedagogia, Direito e, atualmente, concluindo Filosofia, critica a falta de valorização do professor e relata que a desvalorização começa na formação e se intensifica no mercado de trabalho.

“Muitos pais transferem a responsabilidade da educação dos filhos para os professores, como se fôssemos babás. Não temos apoio da gestão das escolas, que só cobram resultados, sem oferecer condições adequadas para o trabalho”, desabafa.

Foto: cedida por Aurilene Barbosa

Maria Oliete Pereira da Silveira, 58 anos, coordenadora pedagógica do Colégio Joelma Oliveira de Lima, com 30 anos de experiência na educação, também destaca a falta de reconhecimento e apoio por parte dos governantes e da sociedade.

“O professor é um profissional fundamental para a sociedade, pois dele dependem todas as demais profissões. No entanto, não vemos políticas públicas voltadas para a valorização do professor”, critica.

 Araújo Santana da Rocha, 23 anos, estudante do 6º período de Licenciatura em Geografia na Ufac, desde a educação básica e agora na educação superior, percebe a desvalorização dos professores. Apesar disso, ele sempre quis ser professor, inspirado pela mãe, que o incentivou a estudar.

“Nas escolas onde estudei, era visível a precariedade da infraestrutura e a desvalorização dos professores. Lembro que minha professora de Matemática dormiu na sala de aula porque estava exausta, já que trabalhava em quatro escolas como professora provisória”, relata.

Foto: cedida por Araújo Santana de Rocha

Ele critica políticas como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio, que, segundo ele, tiram o professor da área de conhecimento e o colocam para ministrar disciplinas que não domina. Apesar da paixão pela sala de aula, Araújo já pensou em seguir outra área. No entanto, não desistiu do sonho de ser professor.

“Penso em complementar minha graduação com o Bacharelado em Geografia para ampliar minhas oportunidades de emprego. Sou grato aos meus professores, que tornam esse percurso mais leve. A sala de aula é minha verdadeira paixão”, afirma.

Greves e desvalorização: um ciclo que se repete

Rosana Nascimento, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), não hesita em apontar a desvalorização como a principal causa das greves e movimentos nacionais realizados pelos professores. Ela destaca que o problema não é local, mas nacional, e que o governo federal precisa assumir um papel central na valorização dos professores.

“As greves são justamente por isso: pela desvalorização, pela data base, pela falta de políticas que reconheçam a importância da profissão. O déficit de professores é muito grande, inclusive de alunos interessados em cursar Licenciaturas. Eles veem que a profissão não é valorizada e optam por outras carreiras. Até o piso que foi criado para os professores é questionado na justiça por prefeitos e governadores”, explica.

Foto: reprodução

Apesar das greves e mobilizações, as conquistas são limitadas. Ela também critica políticas recentes de incentivo à formação de professores.

“Toda greve traz avanços, mas nunca são 100% do que reivindicamos. Conseguimos algumas gratificações e melhorias na carreira, mas a profissão continua desvalorizada. Criaram incentivos para jovens fazerem Licenciatura, mas de que adianta se, ao se formar, ele ingressa em uma carreira desvalorizada? É um investimento sem resultado”, afirma.

Reflexo no Acre e estratégias do governo

O secretário estadual de Educação, Aberson Carvalho, reconhece que a falta de professores é um desafio persistente, especialmente nas áreas de Exatas e Ciências da Natureza. Para enfrentar o problema, o governo tem investido em concursos públicos e formação continuada.

“Muitos jovens deixam de escolher a docência como carreira, seja pela falta de incentivos ou pela formação, que muitas vezes não se conecta à realidade. É preciso ir além: a formação de professores deve ser repensada para torná-la mais atrativa e alinhada às demandas do mundo moderno”, explica.

Foto: reprodução

Carvalho também destaca a importância da tecnologia no processo educacional. O secretário ressalta que a valorização salarial é um dos pilares para o avanço da educação no Acre, e que o governo tem realizado algumas mudanças no piso, o que garantiu salários acima da média para o segmento.

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Por meio do NAI, Ufac avança em inclusão e acessibilidade para estudantes com necessidades específicas

Estudantes com necessidades específicas enfrentam constantes desafios nas universidades brasileiras. Na Universidade Federal do Acre (Ufac), o Núcleo de Apoio à Inclusão (NAI) foi criado para desempenhar um papel fundamental no processo de inclusão, garantindo que esses acadêmicos tenham acesso à educação com as adaptações necessárias para sua permanência e desenvolvimento na instituição.

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Buscando garantir um ambiente com mais acessibilidade, a universidade implementa adaptações e suporte para estudantes autistas e com outras necessidades.

Por Niélia Magalhães, Sérgio Henrique Corrêa e Gabriela Queiroz Mendonça

Estudantes com necessidades específicas enfrentam constantes desafios nas universidades brasileiras. Na Universidade Federal do Acre (Ufac), o Núcleo de Apoio à Inclusão (NAI) foi criado para desempenhar um papel fundamental no processo de inclusão, garantindo que esses acadêmicos tenham acesso à educação com as adaptações necessárias para sua permanência e desenvolvimento na instituição.

Criado em 2008, o NAI procura executar políticas de inclusão e acessibilidade, oferecendo suporte pedagógico e promovendo ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas para estudantes com deficiência e neurodivergência. 

A Ufac conta, atualmente, com 100 estudantes cadastrados no banco de dados do NAI. O suporte oferecido inclui adaptações acadêmicas, como tempo maior para realização de avaliações, provas em locais silenciosos, enunciados mais objetivos e intervalos em avaliações longas. Alunos que necessitam de assistência extra podem contar com monitores selecionados via edital, embora muitos prefiram somente ajustes no ambiente acadêmico.

“Cada estudante neurodivergente tem suas particularidades, portanto, o que é adotado para um pode não ser necessário para outro. O importante é garantir que cada um tenha suas necessidades respeitadas”, explica Carla Simone, coordenadora do NAI.

Segundo a coordenadora, a universidade avançou na instalação de pisos táteis, rampas, elevadores e banheiros adaptados, além da implementação de intérpretes de Libras e recursos audiovisuais para alunos com deficiência auditiva ou visual.

“Apesar dos avanços, um dos principais desafios enfrentados pelos alunos com TEA na Ufac ainda é a falta de conhecimento da comunidade acadêmica sobre o transtorno. Frases como ‘mas você não tem cara de autista’ impactam diretamente a experiência dos estudantes, levando muitos a adiar a busca por suporte por medo de julgamentos e falta de empatia”, enfatiza Carla Simone.

Para estudantes autistas, um avanço importante foi a criação da Sala Aquário, um espaço no Restaurante Universitário reservado para refeições em um ambiente mais silencioso e confortável. “Essa foi uma conquista do Coletivo Autista, garantindo um espaço adequado para os alunos que sofrem com sobrecarga sensorial”, destaca a coordenadora.

No entanto, Carla Simone enfatiza que a inclusão é um processo contínuo e que ainda há muito a ser feito. “O essencial é garantir que os estudantes com deficiência que ingressam na universidade tenham condições de acessar, permanecer e concluir seus cursos com dignidade”, afirma.

Capacitação e conscientização

Um dos pontos de atenção do NAI é a formação da comunidade acadêmica. Atualmente, o núcleo já realiza capacitação para monitores que atuam diretamente no suporte aos estudantes, mas ainda não há um programa estruturado para professores e servidores.

A partir do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2025-2029, a Ufac pretende implementar treinamentos para docentes e técnicos, promovendo maior sensibilização sobre a inclusão e as necessidades dos estudantes neurodivergentes.

O NAI trabalha em parceria com diversos setores da universidade e instituições externas para encaminhar alunos a serviços assistenciais, previdenciários e de saúde, além de organizar palestras e eventos sobre acessibilidade e inclusão.

Arte: Agência Câmara

O futuro da inclusão na UFAC

Quando questionada sobre os próximos passos do NAI, Carla Simone aponta que as principais metas incluem:

  • Atendimento eficaz e de qualidade aos estudantes com deficiência;
  • Criação de um laboratório de tecnologia assistiva;
  • Promoção de formações continuadas para docentes, técnicos e estudantes;
  • Ampliação das ações já existentes, garantindo um impacto maior na universidade.

A coordenadora também reforça que a construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo não depende apenas da gestão institucional. “Ter um olhar mais humanizado para todos, independentemente de cor, raça, religião, gênero ou deficiência, é essencial. A universidade precisa ser um espaço acolhedor para todos os diferentes”, conclui.

Entendendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O TEA afeta o neurodesenvolvimento, impactando a comunicação, linguagem, interação social e comportamento. O diagnóstico precoce é essencial para estimular a independência e melhorar a qualidade de vida. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma rede de cuidados para o atendimento integral das pessoas com TEA.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. No Brasil, a estimativa é de que 2 milhões de pessoas possuam algum grau do transtorno.

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Geração Z: um desafio para o mercado de trabalho

A geração Z, as pessoas nascidas entre 1990 e 2012, chegam ao mercado de trabalho trazendo mudanças em alguns dos padrões antes estabelecidos. Os integrantes da geração millennial, ou seja, os nascidos entre 1980 e 1990, são os que mais se mostram resistentes a enfrentar os desafios apresentados por esses novos profissionais.

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Por Andriw Yago, João Marcelo, Pedro Henrique e Wayllo Cardozo*

A geração Z, as pessoas nascidas entre 1990 e 2012, chegam ao mercado de trabalho trazendo mudanças em alguns dos padrões antes estabelecidos. Os integrantes da geração millennial, ou seja, os nascidos entre 1980 e 1990, são os que mais se mostram resistentes a enfrentar os desafios apresentados por esses novos profissionais.

Ana Cristina Vale,  33 anos, psicóloga e atuante na área de Recursos Humanos durante 12 anos, diz que a geração Z enxerga o trabalho como algo passageiro, já a geração anterior não, é uma geração que quer construir uma carreira sólida, naquele ambiente que se encontra: “São pessoas que se esforçam, têm iniciativa, comprometimento, desenvolvem perfis e habilidades todos os dias, já a geração atual não”, complementa. 

No Relatório de Tendência de Gestão de Pessoas 2025, desenvolvido pelo Ecossistema GPTW e Great People, dentre os participantes, 76% apontaram a geração Z como o maior desafio para a gestão de pessoas. Segundo a revista Forbes, entre os profissionais da geração Z, 58% querem trabalhar de forma híbrida ou remota e recusariam ofertas de emprego ou promoções que os fizessem trabalhar presencialmente todos os dias. Além disso, 15% destacam a questão dos processos, planejamento e foco estratégico e desejam ter lideranças inspiradoras, tratamento mais humano e reconhecimento. 

Estudante de Jornalismo, Diogo José, de 19 anos, é estagiário há um ano em um site local e diz priorizar em suas escolhas profissionais o ambiente de trabalho: “O ambiente é primordial, pois não vou ficar em um local que eu não tenha os mesmos ideais ou que as pessoas desse ambiente não pensem da mesma forma que eu”. 

Sobre as diferenças entre a geração millennial e a geração Z no ambiente de trabalho, Diogo observa que não há como negar que há uma diferença discrepante. Eles vão ser priorizados pois já estão contratados na empresa, e por atuarem no mercado há mais tempo eles têm mais noção, e quando o estagiário se dá bem com essa galera, acaba criando um vínculo de aprendizado que é muito importante:

“Atualmente tenho uma relação muito boa em meu ambiente de trabalho, e isso é graças aos meus supervisores, que são muito comunicativos, perguntam se estou entendendo e se estão ajudando, então toda essa questão do diálogo me ajuda muito”.

Camila Holsbach, 36 anos, é editora-chefe de um site jornalístico onde as duas gerações estão em constante interação e cita que a relação entre ambas vai além das obrigações do trabalho, já que sempre vai existir a troca de experiência de vida entre os millenials e a geração Z.

“Nossa relação com a turma da geração z na redação é bem tranquila. Não se limita somente ao trabalho pelo trabalho, é uma relação de troca de informações e aprendizado, todo mundo ensina e todo mundo aprende, não existe um “detentor de todo o saber”. Acredito que a cada geração que nasce, nasce também a necessidade de mudanças e adaptações. O mundo não é o mesmo que o de uma década atrás, e não será o mesmo que o de hoje daqui a 10 anos “, completa.

A gestora de RH, Ana Cristina Vale, ressalta que iniciar no mercado de trabalho não é fácil, porque você vai sair de uma zona de conforto e entrar numa área que de fato exige muito.

“É onde você vai criar hábitos responsáveis e conhecer outras pessoas que possam também abrir outras portas. Eu acredito que é levar a sério até o último dia, para que você saia de lá deixando a sua marca, e assim as pessoas sempre ao falar de você vão ter a memória do bom profissional que você foi”, finaliza.

*Texto produzido na disciplina Fundamentos do Jornalismo sob supervisão do professor Wagner Costa

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Cultura

Coletivo acreano de teatro rompe estereótipos e aborda temas diversos nos palcos

As artes cênicas, das quais o teatro faz parte, reúnem milhares de entusiastas em diversas instituições de ensino, desde escolas de artes até universidades. Esse cenário se repete na Universidade Federal do Acre, onde o curso de Artes Cênicas se destaca por formar novos talentos e promover o desenvolvimento do teatro na região.

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Por Beatriz Mendonça e Victor Manoel

O teatro ocidental tem suas raízes na Grécia Antiga, onde era realizado em homenagem aos deuses, especialmente a Dionísio, divindade associada ao vinho e a diversão. Essas celebrações teatrais evoluíram ao longo do tempo, tornando-se parte fundamental da cultura grega e influenciando profundamente a forma como a sociedade contava histórias e se expressava artisticamente.

Com o passar dos séculos, o teatro se consolidou como uma das mais importantes manifestações artísticas da humanidade. Grandes autores contribuíram para o desenvolvimento dessa arte, entre eles o inglês William Shakespeare, considerado um dos dramaturgos mais influentes da história. Suas peças, como Romeu e Julieta, Hamlet e Macbeth, tornaram-se clássicos e continuam a ser encenadas em todo o mundo.

As artes cênicas, das quais o teatro faz parte, reúnem milhares de entusiastas em diversas instituições de ensino, desde escolas de artes até universidades. Esse cenário se repete na Universidade Federal do Acre, onde o curso de Artes Cênicas se destaca por formar novos talentos e promover o desenvolvimento do teatro na região.

Teatro Candeeiro está há 10 anos em atividade. Foto: Reprodução

Foi no contexto acadêmico que surgiu o Coletivo Teatro Candeeiro, fundado em setembro de 2016 por alunos do curso. Idealizado pelos professores, Nolram Rocha e Micael Cortês, o grupo se consolidou como um espaço de experimentação teatral, permitindo aos estudantes explorarem diferentes estéticas, práticas cênicas e desenvolverem dramaturgias autorais.

Abrem-se as cortinas

Com quase 10 anos de atuação, o coletivo já realizou diversos espetáculos, desde peças autorais como “Depois de Dora” e “Afluentes Acreanas” até os de popularidade nacional e internacional, como “Liberdade, Liberdade” e “Romeu e Julieta”. A co-fundadora e diretora da companhia, Jaqueline Chagas, fala sobre os trabalhos desenvolvidos: “Tentamos trazer para o palco algo que tem nos inquietado e que acreditamos que é uma oportunidade para o público ter um olhar diferente sobre determinada situação”. 

Para a artista, trabalhar com teatro é satisfatório e caótico ao mesmo tempo.

Jaqueline Chagas é co-fundadora do coletivo. Foto: Reprodução/Instagram

 “Quando falo de caótico é justamente este pré espetáculo, a insegurança se o elenco irá até o fim, se teremos dinheiro para fazer o que estamos pensando e se o público irá gostar, são camadas pouco faladas, mas que estão presentes em quem vive de teatro”. Apesar dos desafios, a paixão pela arte traz motivação e ver o público ir ao teatro e apreciar o trabalho é algo prazeroso.

Detrás da coxia

Jaqueline também é a diretora do novo espetáculo do Teatro Candeeiro, intitulado “ELE”, que estreia no dia 30 de março e segue nos dias 06, 12 e 13 de abril, na Usina de Artes João Donato, às 19h. A produção tem como tema central as pessoas em situação de rua, ELE é o personagem principal que não tem nome mas existe, tem uma história e passa por aventuras e adversidades ao longo da montagem. 

A obra começou a ser escrita em 2020, motivada pela observação da autora do número de pessoas em situação de rua e a reflexão sobre o cenário em um momento tão delicado como a pandemia de covid19. A montagem é um projeto desafiador, independente, que foi realizado em sete semanas e tem uma proposta diferente das feitas anteriormente. 

Cartaz da peça “ELE”. Foto: Reprodução

A produção visa levar para os palcos a temática do aumento de pessoas em situação de rua. O Brasil possui uma população em situação de rua de aproximadamente 227 mil pessoas, refletindo um aumento expressivo nos últimos anos. No Acre, esse contingente soma 303 indivíduos, resultando em uma taxa de 36,5 pessoas em situação de rua para cada 100 mil habitantes. Os dados são de 2023.

Dados do Brasil em Mapas, baseados em estatísticas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de agosto de 2023, indicam que o número de pessoas vivendo nessa condição no país é mais de dez vezes superior ao registrado em 2013. Esse crescimento está diretamente relacionado a fatores estruturais, como os impactos socioeconômicos da pandemia de Covid-19.

Aplausos e aplausos

O espetáculo narra a trajetória de ELE, uma pessoa que, apesar de todas as adversidades, conseguiu se tornar o protagonista de sua própria história. ELE não tem nome, mas isso não o torna menos real. Pelo contrário, conhecê-lo será uma jornada que se estenderá por dias e, quando menos se esperar, você saberá exatamente quem ELE é.

Pessoas em situação de rua são uma discussão emergente em Rio Branco. Foto: Juan Diaz/ContilNet

“É totalmente diferente do que já fizemos nesses oito anos de existência, quem já assistiu nossos espetáculos vai entender logo de primeira e quem vai assistir pela primeira vez, vai ser surpreendido. É um desafio psicológico para o espectador”, dizem os organizadores da peça nas redes sociais.

Serviço:

Ingressos

R$ 30 (inteira)

R$ 15 (meia)

Lote promocional: Todos pagam meia-entrada até 24 de março.

Adquira seu ingresso antecipado

@teatrocandeeiro | (68) 99229-8226

Ficha Técnica

Direção e dramaturgia: Jaqueline Chagas

Elenco: Ajotta, Bia Araújo, Julia Aimee e Felipe Nicolli

Coringa: Elias Silva

Iluminação: Jaqueline Chagas

Produção: Jaqueline Chagas

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