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Torneio de vôlei abre calendário da Federação de Desporto Universitário

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Quinari no feminino e Alkaida no masculino foram os campeões do torneio Robélia Fernandes.

Por Luiz Eduardo

O torneio de vôlei Robélia Fernandes foi realizado entre os dias 24 e 25 de fevereiro, no Centro de Iniciação ao Esporte (CIE), em Rio Branco, capital do Acre. 

A competição teve a participação de seis equipes no masculino e no feminino. Na final do feminino, a equipe Quinari venceu as Lendárias por 2 sets a 0, com as parciais de 18×10 e 18×14. No masculino, o time da Alkaida bateu a Seleção Acreana por 18×16 e 20×18. 

O torneio foi a competição que abriu as atividades programadas do calendário da Federação de Desporto Universitário (FDUA), que conta com mais 11 eventos.

Jogos Universitários

As seletivas para os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) de e-Sports, lutas, vôlei de quadra e de praia, futsal, basquete, handebol e beach tênis serão realizadas entre os meses de março e junho. 

Segundo o presidente da FDUA, Renner Carvalho, o JUBs deve ocorrer no mês de outubro, mas segue sem local definido. “Estamos fazendo todas as competições no primeiro semestre para dar tempo das universidades, faculdades e equipes se organizarem na compra de passagens e logística”. Como os jogos nacionais serão no segundo semestre, as equipes locais terão alguns meses para se organizarem “para viajar tranquilamente e representar bem o nosso estado”, disse o dirigente. 

A FDUA segue em busca de firmar parcerias para divulgar as datas e os locais das próximas competições.

Redação

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Grupo ocupa antigo terminal com patinação em Rio Branco

Projeto “Patins Integração” nasceu na pandemia e hoje reúne crianças, jovens e adultos em encontros semanais

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Por Fhagner Euripedes, Juliane Brígido, Joana Kelly e Sharda Oliveira*

O som das rodinhas riscando o chão ecoa no antigo Terminal de Integração do bairro Adalberto Sena em Rio Branco duas vezes por semana. O projeto Patins Integração nasceu da necessidade de Joice Souza, 42 anos, combater a ansiedade durante a pandemia.

O que começou com vídeos na internet virou um movimento que hoje reúne mais de 100 pessoas no grupo de mensagens do projeto e, ativamente, de modo presencial, 50 participantes, entre jovens, adultos e crianças.

A dinâmica é simples e baseada na autogestão: não há cobrança de mensalidade nem verba externa, por isso cada participante custeia seus próprios patins e acessórios de segurança. O aprendizado acontece no sistema de colaboração, onde os praticantes mais experientes orientam os mais novos, e os pais participam ativamente das atividades com seus filhos.

Interação social e segurança

Movimentação de patinadores no antigo Terminal de Integração do Adalberto Sena. Foto: Juliane Brígido

Os encontros fixos acontecem às segundas e quartas-feiras no antigo terminal do Adalberto Sena. Já às sextas-feiras são reservadas para a Ufac, onde o grupo aproveita para conhecer melhor os perímetros urbanos. Para participar, é regra obrigatória o uso de kit de segurança: capacete, joelheiras e cotoveleiras.

Alex Pimentel é um dos pais que transformou sua rotina através do projeto. Ele levava a filha para patinar e acabou realizando um sonho de infância ao comprar seu próprio par de patins. Hoje, Alex ajuda na organização e destaca como o grupo acolhe crianças com autismo e jovens que enfrentam a depressão. “Sempre quis andar de patins, mas nunca tinha andado. Realizei esse sonho de infância e hoje é gratificante ver minha filha evoluindo e poder patinar ao lado dela é muito bom!”

A prática esportiva também oportuniza as relações sociais. A pequena Ayla Sofia começou a frequentar por influência de amigas e hoje sente falta quando as companheiras não aparecem. O grupo prova que o esporte é, além de uma ferramenta de pertencimento e ocupação de espaços públicos que antes eram  apenas locais vazios e de passagem, meio de interação e conexão social.

Às sextas-feiras, o grupo ocupa os espaços da Ufac para explorar o perímetro urbano e fortalecer os laços. Foto: Juliane Brígido

Para quem deseja encontrar mais informações ou entrar no grupo, o contato principal é o perfil do Instagram @patins_integracao.ac. Basta ter o equipamento, o interesse em aprender e respeitar as normas de segurança coletiva para começar a deslizar com a turma.

*Matéria escrita sob orientação da professora Giselle Lucena, para a disciplina de Redação 1.

Redação

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Corriqueiras

Trilhas em alta no Acre reforçam a importância da ética, da segurança e do cuidado coletivo

Prática cresce no Acre e especialistas alertam que a maioria dos riscos em trilhas está ligada à falta de preparo e ao abandono de integrantes

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Por Ana Keli Flores e Raíça Sousa

A prática de trilhas tem ganhado cada vez mais espaço no Acre, impulsionada pelo interesse em atividades ao ar livre e pelo contato direto com a floresta amazônica. Em meio a esse crescimento, a ética da aventura baseada em segurança, preparo e responsabilidade coletiva torna-se fundamental para evitar riscos e garantir experiências positivas na natureza.

Trilhas são caminhos utilizados para caminhadas em ambientes naturais e têm origem muito antes do lazer. Povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais já utilizavam esses percursos como rotas de deslocamento e sobrevivência. Com o passar do tempo, especialmente a partir do século XX, a prática passou a ser associada ao ecoturismo e às atividades de aventura, sendo conhecida em outros países como hiking, caminhadas curtas feitas no mesmo dia, e trekking, percursos mais longos que envolvem pernoite.

No Brasil, as trilhas ganharam maior visibilidade a partir da criação de parques e unidades de conservação ambiental. No Acre, muitas rotas acompanham antigos caminhos da floresta e ainda apresentam grande potencial para o ecoturismo, como ocorre no Horto Florestal, em Rio Branco, onde trilhas são utilizadas tanto para lazer quanto para educação ambiental.

Segundo o guia de trilhas Tassio Fúria, o envolvimento com atividades ao ar livre começou ainda no ciclismo e foi se aprofundando ao longo dos anos. “Especificamente com trilhas, dá para dizer que comecei em 2018”, afirma. Para atuar profissionalmente, ele explica que é necessário realizar um curso técnico e estar registrado no Cadastro do Ministério do Turismo, o que permite atuar legalmente em segmentos como o ecoturismo.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

A segurança coletiva é um dos pontos centrais destacados pelo guia. De acordo com Tassio, abandonar um integrante durante a trilha é uma falha grave na condução da atividade. Ele explica que cabe ao guia organizar o grupo de acordo com a proposta do percurso, controlar o ritmo e garantir que todos permaneçam juntos do início ao fim.

O tema do abandono em trilhas chama atenção para os riscos da prática sem planejamento adequado. Em situações relatadas por praticantes, pessoas já foram deixadas para trás por não conseguirem acompanhar o ritmo do grupo, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, desorientação e exposição a animais silvestres, especialmente em áreas de floresta fechada.

A diretora-geral da TV5, Simone Oliveira, de 39 anos, pratica trilhas há cerca de três anos e relata que a experiência começou a partir de um convite para participar de uma competição. “Foi amor à primeira ida”, conta. Formada em Educação Física, ela passou a levar alunos de um projeto solidário para as trilhas como forma de incentivo à atividade física.

Simone Oliveira, trilheira. Foto: cedida

Entre as experiências mais marcantes, Simone destaca uma trilha em que acompanhou uma aluna que pesava 115 quilos. “Ela conseguiu concluir o percurso. Todos nós choramos na linha de chegada”, relembra. Para ela, a trilha é uma atividade que deve ser feita em grupo, como forma de incentivo e superação do sedentarismo.

A ética na aventura, segundo Simone, está diretamente ligada ao cuidado com o outro. “É não deixar o grupo para trás, ajudar nos obstáculos e cruzar a linha de chegada todos juntos”, afirma. Ela reforça que cada participante tem seu próprio ritmo e limitação, e que o apoio coletivo faz toda a diferença para a conclusão do percurso.

O preparo antes da trilha também é citado como essencial. Simone destaca o uso de blusa de manga, calça, calçado adequado e alimentação leve antes do início da atividade. Para quem está começando, o conselho é simples: “Vá com calma, tenha cautela e esteja sempre ao lado de alguém de confiança que já tenha experiência”.

Outro fator que interfere diretamente na segurança é o clima amazônico. Durante o período chuvoso, áreas alagadiças fazem com que animais busquem locais mais secos, aumentando a possibilidade de encontros com cobras, insetos e outros animais silvestres. Nessas condições, as atividades ao ar livre ficam mais limitadas e exigem ainda mais atenção.

A experiência de trilha no Horto Florestal, em Rio Branco, reforça o caráter educativo da atividade. Considerada de nível fácil, a trilha pode ser feita em poucos minutos, mas costuma se estender por mais tempo devido às paradas para orientações e explicações. Durante o percurso, o guia recomenda o uso de roupas coloridas para facilitar a visualização do grupo e alerta sobre cuidados básicos de segurança.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

Além da segurança, a trilha se transforma em um espaço de aprendizado ambiental. Ao longo do trajeto, os participantes conhecem rios, aprendem sobre a extração da borracha das seringueiras e observam a fauna local, fortalecendo a relação de respeito com a floresta.

Mais do que uma atividade física, as trilhas no Acre mostram-se uma experiência de convivência e conscientização ambiental. Nesse contexto, a ética da aventura se consolida como um princípio essencial para que a prática aconteça de forma segura, responsável e sustentável.

Redação

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OLÍMPIADAS DE INVERNO 2026

Acreano Manex Silva garante o melhor resultado da história do Brasil no esqui cross-country

Atleta acreano alcança resultado inédito nos Jogos Olímpicos de Inverno e mira o top 30 em Milão-Cortina 2026

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Por Eleonor Rodrigues e Ranelly Yasmim Pinheiro

O calor e a umidade fazem parte da rotina no Acre, onde rios e florestas densas compõem a paisagem amazônica. A milhares de quilômetros, o cenário é outro: temperaturas abaixo de zero, florestas cobertas de neve e cursos de água congelados. A mudança de ambiente também muda o ritmo, o que antes era tranquilo ganha velocidade, a adrenalina e a prática de esportes de inverno, como o esqui, transformam o frio intenso em experiência e contato com a natureza

Nascido em Rio Branco, no Acre, Manex Salsamendi Silva, de 23 anos, participa pela segunda vez das Olimpíadas de Inverno, na modalidade esqui cross-country. Sua estreia ocorreu na edição de Pequim 2022, e agora ele compete em Milão-Cortina 2026.

Na edição dos jogos de 2026, atleta estreou na prova do Sprint Clássico e conquistou uma posição histórica ao se tornar o primeiro brasileiro a alcançar a 48ª colocação nos Jogos, com o tempo de 3min25s48. Já no dia 13 de fevereiro, ele disputa a prova dos 10 km livre, a partir das 6h30, no horário do Acre.

Eliminatórias do Sprint Clássico. Foto: Gabriel Heusi/COB

Manex Silva mudou-se para o país Basco, localizado entre o norte da Espanha e sudoeste da França, quando tinha apenas dois anos. Aos oito foi para a região mais ao norte que é cercada por montanhas e que neva bastante durante o inverno. Por lá começou a praticar esqui cross-country no clube da região com os amigos da vila.

Crescido entre a cultura brasileira e basca, o acreano conta que não foi difícil escolher representar o Brasil ao invés da Espanha. Em casa, Manex falava português com a mãe e aprendia da cultura brasileira, e com o pai, da cultura basca e falando o euskera.

“Lá em casa eu sempre me senti brasileiro e basco, e não tanto espanhol, então não foi uma escolha muito difícil poder representar o Brasil nesse esporte. Além disso, foi mais fácil também porque naquela época que eu comecei a competir a Federação da Espanha não ajudava tanto os atletas novos e eu encontrei uma oportunidade com a Federação Brasileira. E, na verdade, estou muito feliz com aquela decisão que eu tomei faz anos”.

Manex ainda criança. Foto: Instagram/manexsalsamendi

Com treinos intensos, uma rotina regrada na alimentação, estudos, atividade física e trabalho mental, o atleta revela que seu objetivo a longo prazo é poder competir com os melhores esquiadores do mundo. No entanto, com uma mente focada e um tanto realista, conta que ainda não está nesse nível.

Para as Olimpíadas de 2026, sua meta é estar no meio da tabela ou pelo menos entre os 30 ou 40 primeiros colocados. Na sua primeira competição de sprint, o atleta fico no top 50 primeiros.

“Poder representar o Brasil nos jogos olímpicos é bem legal e uma honra pra mim porque mesmo o Brasil não tendo sido um país muito forte nos esportes de inverno, esses últimos anos a confederação pegou muita força e respeito, porque cada vez tem esportistas melhores”, conta.

Se o Brasil está de olho nos 14 atletas que disputam as Olimpíadas, o Acre está de olho no menino dos seus olhos. Ao ser questionado sobre o que faz ele se identificar como acreano, Manex não hesita:

“Eu tenho boas lembranças lá do Acre, mesmo tendo saído muito cedo dali pra morar na Espanha. Eu voltei várias vezes lá e eu ainda tenho familiares: tios, tias e primos. E eu acho que minha mãe sempre me transmitiu essa cultura brasileira e lá do Acre. Eu sempre me senti representado pelo Acre e pelo Brasil também”.

“Poder representar o Brasil nos jogos olímpicos é bem legal e uma honra pra mim”. Foto: Instagram/manexsalsamendi

Ele conta que quer demonstrar para o Brasil e para o mundo que o país pode ser forte no cross-country. Além disso, busca inspirar brasileiros que tem a oportunidade de competir em esportes de inverno para também representarem o Brasil. Como o esporte na neve não é tão comum no Brasil, os atletas da neve carregam uma responsabilidade especial.

“Sim, eu acho que temos a responsabilidade de poder mostrar pro Brasil esses esportes não tão conhecidos. Poder ter uma boa representação e mostrar pra eles que o Brasil mesmo não tendo neve pode chegar a ser um país bom nos jogos e mostrar pro resto do mundo também que mesmo sendo um país sem muita tradição de neve a gente pode chegar até o topo”.

O Brasil é um país tropical, e por tanto, não investe tanto em esportes de inverno. O acreano é amparado pelo Bolsa Atleta do Governo do Brasil, que investe cerca de R$1,6 milhões ao longo de sua carreira. No entanto, esse valor não é o suficiente para arcar com as despesas de preparar um atleta de alto nível.

“Estamos fazendo um bom trabalho como time. Os países grandes têm muitos patrocinadores, então podem investir muito dinheiro em material, em preparação. O Brasil ainda pode melhorar muito nesse aspecto,” explica o acreano.

O atleta conquistou uma posição histórica ao se tornar o primeiro brasileiro a alcançar a 48ª colocação nos Jogos. Foto: Gabriel Heusi/COB

Conquistas

Manex Silva é dono dos melhores resultados masculinos da história do Brasil no esqui  cross-country.  Ele  conquistou  a  melhor  pontuação  FIS  –  sistema de ranqueamento da Federação Internacional de Esqui e Snowboard – da história do Brasil entre os homens, com 81.36 pontos, na Copa do Mundo de Oberhof, em 2026. E, nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude de Lausanne 2020, conquistou o 39º lugar no sprint.

Em Beijing 2022 fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a disputar quatro provas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, além de ser o primeiro do país a atingir o índice A de classificação olímpica – menos de 150 pontos FIS. Na mesma edição, foi escolhido porta-bandeira do Brasil na Cerimônia de Encerramento e terminou o sprint na 71ª colocação, sendo o melhor sul-americano da prova, e ficando em 58º nos 50 km.

O Esqui Cross-country é um dos esportes mais difíceis e tradicionais das Olimpíadas de Inverno. Foto: Gabriel Heusi/COB

A história do Esqui Cross-country

O Esqui Cross-country é um esporte de resistência, e considerado um dos mais difíceis e tradicionais das Olimpíadas de Inverno. Cross-country, em inglês significa “atravessar o país”, e por séculos, nos países nórdicos as pessoas usavam pedaços de madeira para esquiar e cruzar grandes distâncias.

No século XIX, esta prática se tornou um esporte e os esquis se modernizaram. Os atletas percorrem distâncias variadas com esquis impulsionados por bastões, em duas diferentes técnicas: a Clássica e a Skating. Na primeira, os atletas percorrem trilhos previamente preparados, com os skis paralelos entre si.

Já a técnica Skating é mais veloz e o atleta “empurra” o ski para “fora” em um ângulo de 45 graus, ou em “V”, imitando a patinação no gelo. Outra modalidade é skiathlon, em que os atletas apresentam ambas as técnicas. Nesta Olimpíada ocorrerão 12 eventos de esqui cross-country, com homens e mulheres percorrendo as mesmas distâncias pela primeira vez na história.

Redação

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