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Além dos muros da educação: estudantes negros falam sobre permanência no ensino superior

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“Quando você põe na ponta da caneta, é muito caro se manter na universidade pública”, analisa Douglas Mero, recém-formado em artes cênicas

Hellen Freitas e Ycla Araújo  

Para a maioria dos alunos, a maior dificuldade na universidade são os trabalhos complexos  e os conteúdos extensos. Para outros, esse não é o principal empecilho. O caminho para a vida acadêmica se torna desafiador pela dificuldade de permanência dos alunos, principalmente pretos ou pardos, da periferia de Rio Branco matriculados na Universidade Federal do Acre – Ufac.

A educação é uma forma de combater o racismo. A tríade gênero, raça e classe entra como algo que precisa ser pensado e refletido dentro do sistema educacional, afinal, quais grupos têm mais acesso à universidade pública? Os resquícios do Brasil Colônia ainda atingem e o avanço do país, principalmente na área da educação. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 71,7% dos jovens fora da escola são negros e apenas 27,3% destes são brancos. O mesmo estudo demonstra a desigualdade de acesso à educação nos índices de analfabetismo. Em 2019, 3,6% das pessoas brancas de 15 anos ou mais eram analfabetas, enquanto entre as pessoas negras esse percentual chega a 8,9%. 

As vagas reservadas às cotas (50% do total de vagas da instituição) são subdivididas metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita e metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e meio. Em ambos os casos, também é levado em conta o percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas no estado, de acordo com o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Jaycelene Brasil, socióloga formada na Ufac, explica: “Nos últimos quatros anos pudemos refletir a falta de incentivo aos alunos, para que eles possam acessar bolsas de estudo, estágios remunerados e outros acessos básicos para que tenham ânimo. Entre estudar ou levar comida para dentro de casa, frente a essa crise econômica que estamos vivendo, esse jovem vai preferir trabalhar”.

          Jaycelene Brasil na Feira Literária Sesc Acre | Foto: Manoelzinho Acre

A socióloga ressalta ainda “o gênero masculino tem mais facilidade de acessar o ensino superior  “mais meninos vão conseguir entrar  na universidade porque as meninas vão ser arrimo de família. Quando você olha o perfil, são pessoas brancas. No geral, a classe média, aquele jovem que tem uma estrutura familiar é que pode fazer um pré vestibular, vem de escolas particulares e não precisa trabalhar para se manter”. 

A lei 12.711 de 2012, chamada lei das cotas, determina que instituições de ensino superior vinculadas ao Ministério da Educação e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia devem reservar 50% de suas vagas para cotas. Mas afinal o que são as cotas e por que são tão importantes? 

Estudante de direito da Ufac, Gabriela da Silva Amorim, 19, fala sobre a importância dessa política pública: “Dentre muitos outros fatores, não temos como reparar a discrepância social que ficou entre negros, brancos, ricos, classe média, pobres, e o sistema de cotas funciona como uma garantia constitucional, a que fala dos direitos iguais. Nossa educação pública não é igualitária se comparada ao ensino privado, por exemplo, sem contar as condições de vida do aluno que são determinantes para um bom desempenho educacional. As cotas são um emblema de equidade, que dá a mesma oportunidade para o pobre, com acesso a um ensino mais ou menos, ingressar no ensino superior como um rico ou pessoa de classe média que teve uma preparação anos luz melhor”.

Douglas Mero, 22, que concluiu o curso de artes cênicas  na Ufac, vivenciou o preconceito contra os cotistas desde que passou a frequentar a universidade como um. “As pessoas pensam que as cotas são para ingressar pessoas que não estudam e por isso utilizam esse recurso, sendo que as cotas são uma reparação histórica para população pobre, negra, indígena e deficiente que teve o direito de estudar no ensino superior negado durante muitos anos. Sofremos preconceito, sim, tanto de forma direta quanto de forma indireta, pois muitas das pessoas se privam de ir atrás das informações verdadeiras e se deixam levar pelas conversas de boca a boca!”, frisa.

Douglas Mero no dia de sua formatura em artes cênicas, em 2022 | Foto: cedida

As cotas são uma maneira de tornar a universidade um espaço mais justo e democrático dando oportunidade aos jovens da periferia. A universidade deve ser colorida, pois só assim a educação brasileira atuará de maneira plural e antirracista , o respeito e o conhecimento juntos.

O racismo ganhou ampla repercussão em discussão recentemente no cenário brasileiro, pois tem sido percebido pelos grupos e populações que sofrem com a interferência direta e indireta dele. “As pessoas têm dificuldade em compreender o que é o racismo, diferenciar o racismo do preconceito e da discriminaçao, e de caracterizar o racismo como um crime, através do que diz a lei 7716/89”, explica a socióloga Jaycelene. Segundo a lei, crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor devem ser punidos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  divulgada em  2018 mostram que 79,2% dos jovens que frequentaram a rede privada de ensino ingressaram no ensino superior em 2017, contra 28,2% de jovens da rede pública. Isto tem grande reflexo na forma como o brasileiro enxerga e entende sobre o racismo.

Racismo ambiental

 Uma outra forma do racismo estrutural é o racismo ambiental , que ocorre quando um jovem se alimenta mal, não tem moradia adequada, saneamento básico ou mora em uma área periférica que coloca em risco sua  vida. Com tudo isso em jogo, chega a ser impossível acreditar que passar no Exame Nacional do Ensino Médio- ENEM o conceito que nasceu em 1982 por Benjamin Chavis nos Estados Unidos e ganhou reconhecimento no Brasil no início dos anos 2000, onde vários cenários de injustiça ambiental são historicamente observados.  

Exposição a locais e instalações de resíduos tóxicos, como a falta de saneamento básico, por exemplo, e ambientes perigosos, como os que moram em comunidades periféricas e sem a instalação do sistema de segurança básica. Com tudo isso, a exclusão das minorias sistemática na formulação e aplicação de políticas ambientais.

A socióloga entende que o descaso com esses espaços se deve ao fato de que eles são habitados  majoritariamente por pessoas negras. “Quando você entra em um bairro periférico,  falta a intervenção do município ou estado, de forma dinâmica planejada para cuidar do determinado espaço. No imaginário social da gestão pública, aquelas pessoas não são dignas de receber atendimento de saneamento”.  

A pandemia como desafio para a educação

O último momento enfrentado pelo mundo, a pandemia de covid-19, evidenciou que  o Brasil precisa melhorar o acesso à saúde e à educação. O isolamento levou centenas de alunos da rede pública e particular a transformar suas casas em salas de aula. Diferença foi entre classes sociais e nas facilidades em ter acesso a internet, é claro que os estudantes mais afetados eram pretos e pardos.

Devido às dificuldades de acesso à educação, muitos alunos da rede básica de ensino ligados à periferia não tinham acesso ou condições de ter o ensino remoto como opção para continuar os estudos. Com o retorno das aulas presenciais em novembro de 2021, cerca de 240 mil crianças e adolescentes não retornaram às salas de aula. 

A economia é outro fator para a evasão dos alunos das salas de aula. Durante o período pandêmico, a Ufac assim como as demais instituições do país, transformou as aulas presenciais em encontros remotos. A vida pessoal se misturou com a vida acadêmica, obrigando muitos alunos a ingressarem no mercado de trabalho para sobreviver à  crise.

Jorge Oliveira, 24, estudante de jornalismo na Ufac, comenta que a principal dificuldade ainda é conseguir conciliar tempo de trabalho e faculdade. “Estudo à noite e preciso trabalhar durante o dia. Na pandemia enfrentei mil dificuldades por não ter computador, precisei me virar e tentar fazer todos os trabalhos e provas pelo celular ”, diz o graduando.

Principal desafio do graduando Jorge Oliveira é conciliar rotina de trabalho e estudos | Foto: cedida 

 Para o  aspirante a jornalista, o trabalho se transformou em uma  obrigação que lhe ajuda a estudar. Mesmo que seja irônico ele não ter tempo de fazer os trabalhos acadêmicos, é o seu emprego o que o mantém na faculdade. “Se eu não trabalhar, não tenho como manter outras coisas dentro da universidade, como alimentação, passagens, xerox e outros materiais necessários. Isso sem incluir a minha própria moradia” explica Jorge. 

A intelectual negra Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra,  concedeu uma entrevista ao observatório da educação e explicou como o racismo estrutural está presente nas escolas e universidades de forma traumatizante. “O pós-abolição não restitui essa humanidade retirada – a escola reitera isso. Não é gratuito que nossas primeiras experiências com o racismo tenham a ver com a entrada na escola”, afirmou.

  A dificuldade em permanecer na universidade se dá pela carência de políticas públicas que  criem condições para o jovem ensino superior federal. Apesar da lei de cotas ter aumentado em 39%  a entrada de pretos, pardos e indígenas  na universidade até 2016, a permanência do aluno na vida acadêmica depende de vários fatores. 

A discussão é não apenas como chegar na universidade, mas também como se manter dentro dela. Nas periferias, o  jovem que sai da escola e encontra a realidade econômica social, como a falta de distribuição de renda e  investimentos na região amazônica, e em especial o Acre, afeta diretamente os sonhos da juventude  que busca por meio dos estudos mudar sua condição social.

Para o futuro jornalista Jorge Oliveira, a realidade do sistema de bolsas de estudos oferecidas pela instituição federal em que estuda é falha.  “Todos sabem que as bolsas da Ufac não são tão fáceis de conseguir, muitos que não precisam de verdade têm, às vezes, mais de uma bolsa, enquanto outros não conseguem nenhuma. E eu faço parte dos que não têm o privilégio de poder apenas estudar enquanto recebe ajuda de familiares ou de bolsas de estudo”,  desabafa.

Gabriel Aguiar, 25, estudante de bacharelado em geografia, faz parte da parcela de alunos que mantém a universidade com ajuda do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Entretanto, nunca pleiteou as bolsas de auxílio da universidade. 

“São bolsas extremamente difíceis de conseguir, além de que tem muito aluno que ganha sem realmente precisar e a bolsa vira uma espécie de mesada, enquanto tem alunos que realmente precisam. Quando você põe na ponta da caneta, é muito caro se manter na universidade pública”, complementa.  

A permanência dentro dos centros universitários depende, acima de tudo, das oportunidades básicas de saneamento básico, transporte e alimentação. Condições financeiras, alimentação de qualidade, moradia e saneamento básico adequados são direitos essenciais  que todo estudante de universidade pública deve usufruir para que seu rendimento acadêmico seja notório. 

Redação

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Rotas

Além da teoria: professoras da zona rural ensinam a sonhar

No interior acreano, educadoras superam obstáculos e mostram que a escola pode ser espaço de resistência e transformação

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Por Amanda Lima, João Paulo Moura, Maria Clara Almeida e Yasminie Kauling*

As mulheres movem a educação no Brasil. Com o seu trabalho, mudam a realidade de suas vidas, de seus familiares e alunos. Elas representam cerca de 73,9% do quadro docente brasileiro de acordo com o Censo Escolar 2025. Com inúmeras histórias não contadas, são heroínas ocultas da nossa sociedade.

Neste Mês da Mulher, o depoimento dessas educadoras é importante para reconhecer a influência que elas exercem sobre jovens, especialmente os de zonas rurais. Jaqueline Lima, Josileia da Silva e Francisca Regiane Souza compartilham parte de sua trajetória profissional como professoras do meio rural acreano, relatando seu início na área da educação, as dificuldades que enfrentam em ser educadoras em um ambiente precário e, apesar das adversidades, transformam a vivência de crianças e adolescentes.

Na vida de Josileia da Silva, ex-gestora da Escola Ercilia Feitosa, na Vila Liberdade, a educação se tornou um pilar quando sua mãe comprou o seringal de outra educadora. Foi na zona rural que se tornou professora provisória em um lugar  onde a perspectiva era, em suas palavras, “se tornar babá ou doméstica”.

Na zona rural os desafios são inúmeros. Quando questionadas, citam o mesmo empecilho: a infraestrutura. Um exemplo é o relato de Jaqueline Lima, professora de Língua Portuguesa. Ela diz que o cumprimento da carga horária é constantemente ameaçado pela ineficiência do transporte, o que evidencia a negligência com as populações do campo.

Nesse meio, onde obstáculos sociais e geográficos são persistentes, as docentes desenvolvem um papel fundamental, ampliando a perspectiva dos alunos da comunidade. Trabalho que vai além dos ensinamentos teóricos, as educadoras ensinam jovens a sonhar e a criar seus próprios caminhos.

A professora Jaqueline recorda a história de uma aluna do Ensino Médio cujo projeto de vida era sufocado pelo conservadorismo familiar. O pai não queria de forma alguma que ela fizesse o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sustentando a visão de que o destino dela era o trabalho doméstico.

Com a  orientação e o incentivo constante da professora, a jovem persistiu em seu sonho acadêmico. “Hoje, ela representa a quebra de um paradigma provando que a escola é, muitas vezes, o único espaço de resistência para jovens em situação de opressão”, completa a docente.

Para a professora Francisca Regiane, quando um aluno do campo aprende a ler e interpretar o mundo, ele começa a protagonizar sua própria história. Porém, não só aos jovens a educação transforma, Francisca afirma que o trabalho na docência mudou a sua vida e de sua família.

A educadora, que era doméstica, encontrou na educação uma nova perspectiva para sua vida, entregando aos seus filhos um exemplo do qual se orgulha. “Hoje, meus filhos vivem em um lar onde o conhecimento é valorizado e não precisam enfrentar barreiras de exclusão que eu vivi. A educação é o nosso alicerce”, conclui.

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

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ELEIÇÃO UFAC

Chapa “Radical é a mudança” defende fortalecimento da permanência estudantil e maior atenção aos campi do interior

Proposta destaca participação da comunidade nas decisões da universidade e ampliação de políticas de inclusão acadêmica

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Por José Henrique Nascimento

A comunidade acadêmica da Universidade Federal do Acre (Ufac) escolhe no dia 19 de março o novo reitor e vice-reitor da instituição para o quadriênio 2026/2030. Entre as chapas concorrentes está “Radical é a mudança”, formada pela professora Raquel Alves, candidata a reitora, e pela professora Suerda Mara, concorrente a vice-reitora.

Segundo a candidatura, a proposta de gestão busca fortalecer o caráter público, gratuito e socialmente comprometido da universidade, ampliando a participação da comunidade acadêmica nas decisões institucionais.

Propostas e eixos de gestão

Entre as propostas defendidas pela chapa está a descentralização do orçamento da universidade, com mais transparência e participação da comunidade acadêmica nas decisões.

Outra prioridade é o fortalecimento das políticas de permanência estudantil. Segundo Raquel, embora a universidade tenha ampliado o acesso ao ensino superior nos últimos anos, muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades para se manter na instituição, principalmente por questões financeiras. “Garantir o acesso é importante, mas é essencial garantir também a permanência”, afirma.

A candidata usou como exemplo o último edital, Nº 23/2025, publicado no site da Universidade Federal do Acre (Ufac) para os programas Pró-Estudo e Pró-Inclusão, bolsas voltadas ao incentivo da permanência dos estudantes na universidade, onde foram ofertadas apenas 60 bolsas ao todo. 

Desse total, 30 bolsas são do programa Pró-Estudo e 30 do programa Pró-Inclusão. A distribuição foi feita entre os dois campi da instituição: 20 bolsas para o campus sede, em Rio Branco, e 10 bolsas para o campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, em cada um dos programas.

A candidata também defende a criação de protocolos institucionais para lidar com casos de assédio e violência dentro da universidade, garantindo acolhimento às vítimas e a devida investigação das denúncias. A discussão sobre o tema ganhou visibilidade na instituição após denúncias de assédio envolvendo um professor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Acre, que resultaram na abertura de processo administrativo e na demissão do servidor em 2024.

Esse episódio mobilizou estudantes, familiares e membros da comunidade acadêmica e reforçou debates sobre a necessidade de mecanismos institucionais mais claros para prevenir e enfrentar situações de violência no ambiente universitário.

Outro ponto destacado é a retomada do debate sobre a criação de um hospital universitário, pauta antiga da instituição e considerada estratégica para fortalecer o ensino, a pesquisa e o atendimento à população acreana.

Perfil das candidatas

Natural de Porto Velho (RO), Raquel mudou-se ainda jovem para Rio Branco, cidade que passou a considerar como seu principal espaço de formação e pertencimento. A relação com a universidade começou ainda na graduação, quando participou do movimento estudantil. Na época, integrou o centro acadêmico do curso e foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

A professora é a primeira pessoa da família a concluir graduação, mestrado e doutorado. Toda a sua formação acadêmica foi realizada na Ufac, no curso de Letras-Inglês e no Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade, onde atualmente também atua como docente. “Foi dentro da universidade que me formei não apenas tecnicamente, mas também politicamente, entendendo o papel social da educação pública”, afirma.

Em suas pesquisas de mestrado e doutorado, Raquel investigou relatos de viajantes e cientistas britânicos sobre a Amazônia, analisando como esses discursos contribuíram para construir visões coloniais sobre a região e seus habitantes.

A candidata defende que a produção científica amazônica precisa afirmar sua própria centralidade e que, por estar localizada na região, a universidade federal deve estar atenta às pautas, saberes e realidades da Amazônia.

Segundo Raquel, a decisão de disputar a reitoria surgiu a partir de debates coletivos dentro da universidade, envolvendo professores, estudantes e técnicos administrativos. De acordo com ela, seu nome foi indicado durante essas discussões sobre os rumos da instituição. “A candidatura nasce de um processo coletivo de reflexão sobre qual universidade queremos construir”, afirma.

Suerda Mara, candidata à vice-reitoria, defende que a gestão da universidade precisa olhar com mais atenção para os campus do interior, unificando os benefícios hoje concentrados na capital com as unidades fora de Rio Branco.

A proposta da chapa é que a vice-reitoria permaneça no município de Cruzeiro do Sul, aproximando a administração central da realidade vivida por estudantes e servidores que estão fora do campus da capital, onde se concentra a maior parte dos alunos.

Natural de Fortaleza (CE), Suerda conta que veio de uma origem humilde. Filha de uma família marcada por dificuldades econômicas, encontrou na educação o principal caminho de transformação. Ela relata que foi incentivada pela avó, que trabalhava como lavadeira e via nos estudos uma forma de mudar de vida.

Ingressou na universidade ainda jovem, no curso de Letras com dupla habilitação em português e Espanhol pela Universidade Federal do Ceará. Em 2009, foi aprovada em concurso para professora da Universidade Federal do Acre e passou a atuar no campus de Cruzeiro do Sul, onde trabalha desde então.

Ao longo da trajetória na instituição, Suerda também construiu sua formação acadêmica na própria Ufac, onde realizou especialização, mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade.

Segundo a professora, o campus de Cruzeiro do Sul ainda enfrenta desafios estruturais que impactam a vida acadêmica. Entre os principais estão dificuldades de acesso à internet, problemas de transporte para estudantes, falta de acessibilidade e limitações em serviços de apoio, como o atendimento a alunos com deficiência.

Para ela, muitas dessas demandas não chegam com a mesma força à gestão central da universidade. “Quem está no interior vive esses desafios diariamente. Por isso é importante que a vice-reitoria permaneça em Cruzeiro do Sul, acompanhando de perto essas demandas e levando essas pautas para a reitoria”, afirma.

Eleição na Ufac

A votação ocorrerá das 8h às 21h (horário do Acre). O processo será realizado de forma totalmente on-line, por meio da plataforma Helios Voting System, acessada pelo portal de eleições da universidade. Para votar, estudantes, professores e técnicos administrativos devem utilizar o login institucional da Ufac.

De acordo com o edital do processo eleitoral, o voto é individual, secreto e intransferível. Cada eleitor poderá votar apenas uma vez, mesmo que possua mais de um vínculo com a universidade.

A disputa pela reitoria da Universidade Federal do Acre conta com três chapas. Concorrem “Juntos pela Ufac”, encabeçada pelo professor Carlos Moraes; “Radical é a mudança”, liderada pela professora Raquel Alves; e “Dialogando com as Pessoas e Construindo o Futuro”, encabeçada pelo professor Josimar Ferreira.

Caso nenhuma chapa obtenha mais de 50% dos votos válidos, haverá um segundo turno, previsto para o dia 26 de março de 2026.

Redação

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ELEIÇÃO UFAC

Chapa “Dialogando com as Pessoas e Construindo o Futuro” apresenta propostas voltadas ao diálogo institucional e fortalecimento acadêmico

Plano de gestão destaca valorização do ensino, pesquisa e extensão, além de melhorias na estrutura universitária

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Por Rhawan Vital

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza no dia 19 de março a votação para a escolha do novo reitor e vice-reitor da instituição para o quadriênio 2026/2030. Entre as chapas concorrentes está “Dialogando com as Pessoas e Construindo o Futuro”, formada pelo professor Josimar Batista Ferreira, concorrente a reitor, e pelo professor Marco Antônio Amaro, candidato a vice-reitor.

A chapa destaca como eixo central da proposta de gestão o fortalecimento do diálogo entre a administração universitária e a comunidade acadêmica, envolvendo estudantes, docentes e técnicos administrativos.

Propostas e eixos de gestão

Entre as propostas apresentadas pela chapa estão ações voltadas à valorização das atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas na universidade.

O plano também menciona a ampliação de políticas de permanência e assistência estudantil, além do incentivo à produção científica e ao fortalecimento da pós-graduação.

Outro ponto destacado é a modernização da gestão administrativa da universidade, com foco em eficiência institucional e melhoria das condições de trabalho para servidores.

A chapa também defende investimentos na infraestrutura acadêmica e no desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação científica e tecnológica, com o objetivo de fortalecer o papel da universidade no desenvolvimento regional.

Perfil dos candidatos

Josimar Batista Ferreira é professor titular do curso de Engenharia Agronômica da Ufac. Ao longo de sua trajetória na universidade, já atuou como coordenador de curso, diretor de centro, pró-reitor e vice-reitor da instituição.

Marco Antonio Amaro é professor do curso de Engenharia Florestal da Ufac desde 2004. Durante sua carreira acadêmica, também ocupou cargos de coordenação de curso, vice-direção e direção de centro. Suas atividades acadêmicas estão ligadas a pesquisas e formação profissional na área ambiental e florestal da Amazônia.

Eleição na Ufac

A votação ocorrerá das 8h às 21h (horário do Acre). O processo será realizado de forma totalmente on-line, por meio da plataforma Helios Voting System, acessada pelo portal de eleições da universidade. Para votar, estudantes, professores e técnicos administrativos devem utilizar o login institucional da Ufac.

De acordo com o edital do processo eleitoral, o voto é individual, secreto e intransferível. Cada eleitor poderá votar apenas uma vez, mesmo que possua mais de um vínculo com a universidade.

A disputa pela reitoria da Universidade Federal do Acre conta com três chapas. Concorrem “Juntos pela Ufac”, encabeçada pelo professor Carlos Moraes; “Radical é a mudança”, liderada pela professora Raquel Alves; e “Dialogando com as Pessoas e Construindo o Futuro”, encabeçada pelo professor Josimar Ferreira.

Caso nenhuma chapa obtenha mais de 50% dos votos válidos, haverá um segundo turno, previsto para o dia 26 de março de 2026.

*A equipe do A Catraia entrou em contato com os candidatos da chapa para obter comentários sobre a candidatura e as propostas apresentadas, bem como para conhecer um pouco mais da história e trajetória dos integrantes da chapa, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria. O canal segue aberto para manifestação e a matéria poderá ser atualizada caso o posicionamento seja enviado.

Redação

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