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Retratos: Serviço Delivery mantém crescimento mesmo após abertura de comércio

‘’Atualmente temos 10 entregadores para dar conta da demanda com precisão e fazer com que o pedido chegue com rapidez na casa do cliente.’’ afirma Maraya. / Foto: Ana Michele

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Foto: Ana Michele.

Conforme pesquisa realizada pela Kantar, houve um rápido crescimento no uso do serviço de delivery no Brasil, saltando de 80% em 2020 para 89% em 2022. O Instituto Foodservice Brasil (IFB) indica que o setor de delivery apresenta um crescimento em torno de 7,5% no ano de 2023.

Ana Michele, Tiago Soares

No dia 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional devido ao surto do novo coronavírus, uma doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Levando em consideração esse fato e os primeiros três casos confirmados de COVID-19 no estado do Acre, em 17 de março de 2020, a Prefeita do Município de Rio Branco, Socorro Neri, decreta Situação de Emergência em Saúde na cidade. Para conter a propagação da doença, várias medidas são implementadas. Além das práticas individuais de higiene, uma das principais recomendações emitidas pela OMS foi o estabelecimento do distanciamento social. As pessoas passam a evitar o contato físico e quem podia, se manteve sem sair de casa, o que consequentemente levou ao fechamento de empresas.Maraya Keury Melo Muniz é uma das pessoas que experienciou os impactos que vieram com a pandemia. Ela não só acompanhou de perto as transformações, como superou as dificuldades e cresceu com a empresa em que trabalha. Hoje, aos 20 anos, é gerente de um estabelecimento do ramo alimentício. Maraya conta que antes da pandemia, trabalhavam com dois pontos: um presencial e outro que já atendia através do “Delivery”, serviço de entrega em domicílio, onde o cliente realiza seu pedido através do celular ou computador, pagando e recebendo o produto sem sair de casa. Eles tinham um salão com mesas, cadeiras, pratos e talheres. As pessoas saiam para jantar, se reuniam com amigos e família, mas repentinamente, precisaram abrir mãos desses momentos para manter a própria saúde e das pessoas que amavam. Em consequência, o estabelecimento precisou fechar as portas, ficando apenas no atendimento delivery, que já era usado, mas não na proporção atual. Uma pesquisa encomendada pela VR Benefícios e realizada pelo Instituto Locomotiva mostra que, no Brasil, o serviço de delivery aumentou de 49% antes da pandemia para 81% após as medidas restritivas. Maraya, na época, era atendente. Ela conta que no início enfrentaram desafios para conseguir atender e se adaptar ao grande número de entregas que foram surgindo. ‘’ Não esperávamos que a quantidade de pedidos fosse aumentar de forma tão rápida.’’ relata. “É claro que a empresa busca sempre o melhor, mas não imaginávamos que cresceria tanto e de forma tão rápida. Foi como um ‘Boom’.’’ relembra Maraya.Com a rápida expansão, vieram problemas inesperados, como a dificuldade em manter os prazos de entrega no início, chegando ao ponto em que, em algumas ocasiões, não conseguir realizar as entregas a tempo. Maraya recorda de uma situação particular em que ficou claro que a capacidade de atender a todos os bairros de Rio Branco, mesmo em uma cidade não tão extensa, era uma tarefa difícil. “Foi nesse momento que optamos por limitar as entregas para determinados bairros, para podermos atender aos nossos clientes com rapidez e eficiência.’’Além de alterar as estratégias de atendimento e de entregas, foi preciso adotar medidas de higiene para garantir a segurança dos funcionários, entregadores e clientes. ‘’Foi exigido o uso de máscara para todos na cozinha, por mais que não tivessem em contato direto com os clientes.’’ O mesmo cuidado se aplicava aos entregadores. ‘’Mesmo com o capacete precisavam estar de máscara’’, relata Maraya. Além da máscara, o uso de álcool em gel era indispensável, assim como o hábito de sempre higienizar os alimentos após chegar do mercado. Outra mudança foi em relação ao pagamento. ‘’Ao invés do dinheiro, preferíamos sempre o pix ou pagamento por aproximação.’’ conta. Ela relata ainda que o atendimento começou sendo feito pelo WhatsApp. Mas para promover o serviço de entrega, optaram por utilizar outros meios, como o ‘Ifood’, uma empresa que atua no serviço de delivery de alimentos por meio de um aplicativo. “Também temos um sistema que tira pedidos online.’’ Essa forma de atendimento ajudou a alcançar e manter mais clientes, pois facilita o processo de pedidos, pagamento e acompanhamento das entregas. ‘’Temos um link onde o cliente realiza seu próprio pedido, coloca o endereço e forma de pagamento, e em seguida o pedido vai direto para a cozinha.’’ explica Maraya. Além de alterar a dinâmica de atendimento e investir na qualidade dos produtos, foi necessário também modificar a logística das rotas de entregas. ‘’Atualmente temos 10 entregadores para dar conta da demanda com precisão e fazer com que o pedido chegue com rapidez na casa do cliente.’’ afirma Maraya.

Entre Desafios e Entregas: A Jornada dos Motoboys na Pandemia

“Motoboy”, profissão que utiliza uma motocicleta para fazer entregas.”/Foto: Ana Michele

Elissandro Matos do Nascimento, assim como mais de 13 milhões de brasileiros em 2020, estava desempregado. No caso dele foi por opção. Decidiu sair do seu emprego como atendente. Foi tentar uma vaga como “motoboy”, profissão que utiliza uma motocicleta para fazer entregas.  Ao mesmo tempo que precisou se adaptar à nova ocupação, precisou se adaptar à nova rotina da pandemia e as exigências que surgiram com ela. Sua preocupação não era só entregar os pedidos no prazo, mas fazer isso de maneira segura para todos. E para garantir sua segurança e a dos clientes, passou a usar máscara constantemente, assim como álcool em gel. Com o distanciamento social imposto, ele precisou ter muito cuidado ao realizar as entregas. “Chegou um tempo em que tivemos até que usar luvas porque os clientes não queriam contato físico com a gente.” relata. Nos condomínios, que antes era preciso subir escadas para entregar na porta dos clientes, a entrada já não era mais permitida e as entregas eram feitas na portaria, medida tomada para minimizar o contato. ‘’Tinha clientes que nem abriam a porta para a gente. Tinha uma mesinha do lado de fora onde eu deixava o pedido”, conta. Essa nova dinâmica também se estendeu ao pagamento, a fim de evitar a troca direta de dinheiro. “Às vezes o dinheiro já estava em um saquinho amarrado”, explica.

 Além disso, outra dificuldade enfrentada por ele foi o aumento inesperado da demanda. Com o fechamento de estabelecimentos que antes atendiam presencialmente, o distanciamento social e a crescente preocupação com a saúde, as pessoas voltaram-se mais para as entregas em casa. “Quando comecei, fazíamos cerca de 50 a 60 entregas por dia, mas de repente, tudo mudou”, relata Elissandro. “A quantidade de pedidos aumentou de forma rápida, e passamos a fazer de 100 a 150 entregas em um dia.’’ Essa mudança repentina trouxe um desafio adicional à sua rotina já adaptada, exigindo agilidade e organização para cumprir todas as entregas com excelência.

Hoje, aos 34 anos, “Sandro”, como é chamado por seus colegas, superou esse momento desafiador e continua na mesma profissão. Há alguns dias mais estressantes que outros, dois ou mais clientes que não atendem a ligação ou demoram para pegar o pedido, mas apesar disso, ama o que faz. Uma pesquisa de Harvard realizada desde 1983, estudou mais de 700 profissões e estabeleceu as sete que mais causam insatisfação nos trabalhadores. Entregador está em primeiro lugar. Sandro não concorda. Essa pesquisa relaciona a infelicidade ao trabalho solitário. Porém, o que chamam de solidão, ele chama de liberdade. “Trabalho de motoboy é bom porque não tem ninguém no teu pé direto, falando o que tem que fazer.” afirma.

Mudanças de comportamento perduram

Mesmo com a reabertura dos estabelecimentos físicos, o delivery de alimentos continua sendo bastante usado. Conforme pesquisa realizada pela Kantar, empresa de consultoria da Inglaterra, houve um rápido crescimento no uso do serviço de delivery no Brasil, saltando de 80% em 2020 para 89% em 2022. O Instituto Foodservice Brasil (IFB) o que o setor de delivery apresenta um crescimento em torno de 7,5% no ano de 2023.

Ainda segundo a Kantar, além do hábito, essa mudança foi impulsionada pela busca por conveniência, sabor e prazer no consumo de refeições. Ela analisou que 70% dos brasileiros compram por conveniência e 55% dos que têm maior poder aquisitivo decidem experimentar novos pratos. Em uma análise mundial, ela determinou que as principais razões de realizarem compras de comida pelo delivery é por não ter que cozinhar em casa (25%) ou por preferir realizar suas refeições na comodidade do lar (15%). Após as restrições e o isolamento social, o delivery se tornou não apenas uma alternativa, mas uma escolha frequentemente preferida.

Para a pesquisadora Luci Praun, da Universidade Federal do Acre (UFAC), a pandemia favoreceu uma experimentação maior por parte das empresas, permitindo que elas testassem novas tecnologias, mercados e públicos. 

Dessa forma foi possível atingir consumidores que antes tinham uma resistência maior em relação à tecnologia, como as gerações mais velhas que por conta da pandemia e do isolamento social tiveram que fazer usos desses aparelhos cotidianamente, criando assim, novos hábitos sociais.

Cyber socialização e mudança de hábitos 

Ao tentarmos entender como a pandemia favoreceu o serviço de delivery através da mudança de costumes sociais, recorremos à professora Ana Letícia de Fiori da UFAC, pesquisadora do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana (LabNAU) da USP.

Perguntamos a ela se a pandemia não potencializou, de alguma forma, o vínculo entre cibercultura e indivíduo pós-moderno, gerando alterações na forma de sociabilidade desse sujeito, ou a aceitação de práticas que antes não eram. 

Como exemplo temos a tentativa de substituir os livros didáticos por digitais, através da retirada do estado de São Paulo do PNDL (Programa Nacional de Livros Didáticos) em uma tentativa de aprofundamento de conteúdo.

A Prof. Fiori lembra que a virtualização de formas de sociabilidade, através da internet e das redes sociais gera o hábito de “estarmos em contato constante, e a acreditar que devemos estar. Temos dificuldade hoje de não consultar as redes sociais a cada instante, o que tem impacto nas nossas interações e em nossos lazeres.”

Jovens vão ao cinema e não conseguem ficar toda a sessão sem mexer no celular. O senso comum descreve isso como excesso de informação, mas na verdade de fato é excesso de estímulos.

Essas mudanças na sociabilidade criam uma geração mais caseira   mais adaptada a permanecer em casa, desde que haja um aparelho conectado à internet, a pandemia favoreceu esses costumes, complementa a Professora. 

É o que demonstra o relatório Covitel 2023, segundo ele os mais jovens, a geração Z, está bebendo menos álcool e voltando para casa antes da meia noite, se comparado aos millennials (pessoas que nasceram entre 1981 e 1985).

O setor de alimentação soube aproveitar essas mudanças através de aplicativos ou redes sociais, para não falir. O que antes era questão de sobrevivência através do empreendedorismo torna-se inovação e oportunidade e por que não, hábito social.      

Redação

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ESTAMOS DE VOLTA

A Catraia celebra 21 anos e resgata memórias de ex-integrantes

O jornal A Catraia conversou com a ex-estudante de jornalismo, Adrielle Farias, que atua como repórter do jornal Estadão em São Paulo

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Por Danniely Avilis e Isabelle Magalhães 

Ao completar 21 anos de existência, A Catraia entra em um ano especial, que retoma a própria história por meio de relato da ex-integrante. A proposta é revisitar memórias, experiências acadêmicas e trajetórias profissionais que começaram ainda na graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Mais do que relembrar capas ou reportagens antigas, a equipe da A Catraia conversou com Adrielle Farias sobre o período em que era estudante e os primeiros passos na profissão. Adrielle que atuou como editora-chefe do jornal em 2018, ano que define como um dos mais intensos da formação acadêmica.

Foto: Instagram @adriellefarias

Escolha profissional e descoberta no curso

A decisão de cursar Jornalismo não foi imediata. Ainda na escola, Adrielle dividia interesses entre áreas criativas como audiovisual, escrita e comunicação.

“A gente nunca entra na faculdade totalmente sem dúvida, né? Eu gostava de muitas coisas”, afirma Adrielle.

Sem conhecer profundamente o curso da Ufac, ela se inscreveu e, somente após o ingresso, passou a pesquisar sobre professores, disciplinas e possibilidades profissionais. A identificação com a área ocorreu já durante a graduação.

“Eu só entendi que era aquilo que eu queria quando comecei a estudar, ver as matérias. Eu ficava ansiosa para acompanhar a grade curricular”, conta a jornalista.

“Meu pai sempre dizia que eu agarro o mundo com as pernas. Eu queria participar de tudo”, diz Adrielle Farias. Foto: cedida

Rotina intensa e desafios

Durante o curso, a participação nas disciplinas não foi suficiente. Adrielle também esteve envolvida em mostras acadêmicas, eventos e projetos extracurriculares, tendo A Catraia como principal espaço de atuação.

O fato de o curso ser noturno possibilitava trabalhar e estagiar durante o dia, realidade compartilhada por muitos estudantes. A conciliação das atividades, no entanto, trouxe desafios.

A sobrecarga resultou em ansiedade e na necessidade de aprender a administrar o tempo, habilidade que, segundo ela, não costuma aparecer formalmente na grade curricular. Ainda assim, considera que foi nesse período de intensidade que surgiram aprendizados decisivos.

Entre as experiências no jornal, uma reportagem sobre cinema ganhou destaque na trajetória profissional de Adrielle. O tema, que sempre esteve entre seus interesses pessoais, acabou influenciando também a escolha do Trabalho de Conclusão de Curso.

“Eu fui falar sobre cinema, que sempre foi algo de que eu gostei muito e ainda gosto. Inclusive, acho que isso acabou influenciando um pouco a escolha do meu TCC. Eu também usava isso como portfólio, para mostrar meu trabalho; quando me inscrevi para o treininho do Estadão, por exemplo, utilizei esse material como parte do portfólio”, conta a profissional.

Segundo ela, a experiência no jornal contribuiu para a conquista do atual emprego como repórter no Estadão.

Participação de Adrielle Faria no Intercom. Foto: cedida

Trabalho em equipe

Ao relembrar a atuação como editora-chefe, Adrielle destaca o papel do trabalho coletivo no exercício da profissão e orienta como dica para futuros jornalistas que ainda não atuam na profissão.

“O trabalho em equipe é essencial no jornalismo, porque ninguém faz um jornal sozinho. Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito, saber se comunicar e manter o diálogo, para que todos trabalhem pelo mesmo objetivo sem conflitos”, finaliza Adrielle.

“Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito”, afirma a profissional. Foto: cedida

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Independência financeira: um caminho de autonomia para mulheres 

Empreendedorismo feminino cresce como alternativa para conciliar carreira, maternidade e autonomia financeira, apesar dos desafios e preconceitos enfrentados no caminho

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Por Antônia Liz, Barbara Santos, Prisco Martins, Sarah Viviane e Yasmim Barros*

O despertador de Serlândia Marques toca todos os dias às 5h da manhã. Antes de o sol se firmar no céu acreano, ela já prepara o café do filho mais novo, separa o uniforme e o leva para a escola. Depois, segue para o shopping onde abre as portas de sua franquia de cosméticos pontualmente às 10h.  “Venho todos os dias. Não deixo a empresa ausente”, afirma.

A rotina intensa é o retrato de uma nova realidade. Após 26 anos trabalhando sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), Serlândia decidiu, em 2024, recalcular a rota. Mãe de Felipe, Lucas e Pedro, ela percebeu que o emprego formal lhe roubava algo que o dinheiro não comprava:  tempo. 

“A maternidade e a busca por estabilidade financeira foram os pontos principais para eu empreender. Fui CLT por 26 anos e não tinha tanto tempo para os meus filhos. No decorrer do tempo, fui sentindo que deveria estar mais presente nos momentos familiares. Foi uma necessidade”, relata. 

O caso de Serlândia reflete uma tendência que vem ganhando força no Acre e no Brasil. Cada vez mais mulheres enxergam no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas uma ferramenta para conquistar autonomia financeira e, principalmente, flexibilidade para conciliar a carreira com a maternidade. 

Foto: cedida

Rede de apoio

Para que a jornada fosse possível, a empreendedora fez questão de destacar um elemento fundamental: o suporte da família. “Sempre tive minha rede de apoio muito próxima. Meu pai e minha mãe sempre me ajudaram muito. Meus filhos ficavam na casa deles para eu poder trabalhar”, conta Serlândia.

Mas mesmo com planejamento, a vida de mãe e empreendedora reserva surpresas. “Já precisei remarcar reuniões e compromissos várias vezes. Às vezes meu filho ficava doente e eu tinha que levar ao médico. A gente se vira”, comenta

O preconceito velado: “Já fui subestimada” 

Se os desafios logísticos já são grandes, Serlândia revela que precisa lidar também com barreiras comportamentais. A misoginia, infelizmente, ainda é uma realidade para muitas mulheres que ousam empreender. 

“As pessoas às vezes acham que não somos capazes de conciliar. Ter filhos requer muito tempo e atenção. Mas sempre me dediquei, me superei e fui presente tanto na empresa quanto na vida dos meus filhos”, destaca. 

Ela confirma que já enfrentou situações de desconfiança ao longo da trajetória. “Sim, já fui subestimada e desacreditada. Mas a gente aprende a lidar, a não abaixar a cabeça e a seguir em frente.” 

Hoje, aos 52 anos, Serlândia olha para trás com orgulho e para frente com esperança. A decisão de trocar a estabilidade da carteira assinada (CLT) pelo risco de investir no próprio negócio trouxe resultados que vão além do financeiro, mais autonomia, presença na vida dos filhos e a satisfação de construir algo próprio. 

“Eu não trocaria essa experiência por nada. Ver meus filhos crescerem sabendo que a fiz o melhor pra oferecer uma qualidade de vida e conforto , não tem preço. A gente se supera todo dia. É difícil? É. Mas é recompensador”, afirma. 

Sonho em realidade

Se para muitas mulheres o empreendedorismo surge como alternativa para aumentar a renda e conciliar com a maternidade, para outras ele se concretiza a partir de condições mais favoráveis.  É o caso de Aline Mirella, proprietária de uma papelaria , que transformou um sonho antigo em realidade. 

Diferente do que muitas vezes se imagina, Aline não precisou escolher entre a maternidade e a carreira. Ela tinha o desejo de empreender adormecido e decidiu o momento certo para tirar do papel um projeto cultivado desde a infância.  

“A Vontade de empreender é algo que eu sempre desejei desde da minha infância, sempre busquei a independência financeira e a possibilidade de ter mais flexibilidade de horário e qualidade de vida” 

Quando decidiu empreender foi com o objetivo de aumentar a renda. Naquele momento os filhos já estavam maiores e não dependiam tanto dela. Hoje eles também fazem parte do negócio, ajudam na loja e trabalham junto com a mãe. “Acabou virando algo que envolve toda a família. Meu marido e meus filhos sempre estiveram presentes e contribuíram para que tudo funcionasse”, complementa.

Foto: cedida

União e no apoio coletivo 

Muitas mulheres empreendedoras encontram na união e no apoio coletivo uma forma de fortalecer seus negócios. É o que acontece no coletivo de mulheres “Elas Fazem Acontecer”. A coordenadora do coletivo, Teomayra Cristina, explica que o grupo surgiu justamente com o objetivo de criar oportunidades e fortalecer o trabalho das mulheres empreendedoras.  

Segundo ela, o coletivo vai além da realização de feiras e eventos. A proposta também envolve a capacitação e o fortalecimento das empreendedoras.  “A gente organiza eventos, busca parcerias e oferece cursos para ajudar as empreendedoras a melhorar o atendimento e a apresentação dos produtos. Também temos consciência da importância da autonomia e da independência financeira para nós, mulheres”

Outro ponto que ela destaca é a importância da educação financeira para quem decide abrir um negócio. “Temos parceria com o Sebrae, por meio do programa Ser Mulher, que oferece cursos profissionalizantes. Isso ajuda muito na hora da precificação, porque muitas mulheres entram no empreendedorismo sem saber como definir corretamente o preço dos produtos” 

Apesar dos desafios, a coordenadora acredita que o primeiro passo para quem deseja empreender é ter iniciativa. “Se a mulher esperar se organizar totalmente financeiramente, talvez nunca comece. Muitas vezes é preciso ter coragem, dar o primeiro passo e buscar alternativas para fazer o negócio acontecer”, diz.  

Segundo Teomayra, o coletivo reúne mulheres de diferentes perfis e realidades. “Não existe um perfil único. É um espaço muito diverso, com mulheres mais jovens e também aquelas que já estão próximas da aposentadoria, todas buscando algo em comum: independência e estabilidade financeira ”, conclui. 

*Matéria escrita sob orientação do professor Wagner Costa e da monitora Ranelly Pinheiro, para a disciplina de Fundamentos do Jornalismo.

Redação

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Brechós movimentam Rio Branco com reaproveitamento de roupas e preços acessíveis

Peças de marcas conhecidas chegam a custar até 80% menos nos brechós da capital acreana

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Por Laianny Sena 

Os brechós fazem parte do cenário de consumo em Rio Branco, oferecendo roupas seminovas por preços mais baixos. A combinação entre economia e reaproveitamento de peças tem atraído moradores da capital acreana e impulsionado o empreendedorismo feminino. Esses espaços também se tornaram uma fonte de renda para muitas mulheres.

A empreendedora Brenda Vidal, de 32 anos, é a criadora do Brechic, brechó online que surgiu em 2020, no início da pandemia. A ideia nasceu quando ela estava em casa, com várias roupas paradas no armário e sem perspectiva de uso. Foi então que decidiu criar um perfil no Instagram para vender as peças. 

“O Brêchic nasceu bem no começo da pandemia. Eu estava em casa, com várias roupas paradas no armário e praticamente zero chances de usar qualquer uma delas. Para ocupar a mente, resolvi criar um Instagram para vender essas peças.”

Vestido da marca Triton. Foto: cedida

Segundo Brenda, um dos diferenciais do negócio foi a forma como construiu a relação com as clientes. “Acho que o diferencial foi humanizar a página. Sempre mostrei a vida real, sem filtro perfeito, sem personagem. Queria que fosse um espaço onde as pessoas se sentissem acolhidas, como se estivessem conversando com uma amiga, mas sem perder o foco na moda consciente”.

Além do reaproveitamento de roupas, o preço das peças também chama a atenção dos consumidores. Segundo Brenda Vidal, um vestido da marca Triton, que pode custar cerca de R$398,00 em lojas ou plataformas online, foi vendido no Brechic por R$80,00. Já uma camisa da Damyller, que em média custa R$150,00 nas lojas, foi comercializada no brechó por apenas R$25,00.

Hoje, o Brechic funciona exclusivamente pelas redes sociais, por meio do perfil @brechic.ac, onde as peças são divulgadas e as vendas realizadas. 

Além das iniciativas individuais, há brecholeiras que também se organizam por meio do Encontro das Brecholeiras. A idealizadora do projeto, Gélly Café, explica que a iniciativa surgiu inspirada em movimentos de moda sustentável dos quais participou quando morou em Brasília. Ao retornar para Rio Branco, percebeu que poderia transformar a experiência em um projeto coletivo, incentivando mulheres a empreender com peças que já tinham no guarda-roupa.

Imagem cedida pela entrevistada

Ao longo de quatro anos, o grupo acompanhou um crescimento significativo dos brechós no Acre, especialmente após a criação do Encontro. A proposta vai além da comercialização de roupas e inclui mentoria e fortalecimento coletivo. 

“Muitas mulheres começaram apenas desapegando peças pessoais e hoje já têm fornecedores, estruturaram uma dinâmica comercial própria e atuam também no online, utilizando estratégias de comunicação e posicionamento”, destaca Gélly Café.

“No brechó, as pessoas conseguem se vestir bem, com qualidade e pagando pouco. A moda se torna acessível, inclusive para famílias que muitas vezes não conseguem comprar roupas em lojas convencionais”, afirma.

Imagem cedida pela entrevistada

Além da economia para os consumidores, o reaproveitamento de roupas também contribui para reduzir o descarte de peças que ainda estão em bom estado.

Para muitas mulheres, o brechó representa geração de renda, autonomia financeira e fortalecimento pessoal. O Encontro das Brecholeiras também promove uma rede de apoio e colaboração entre as participantes.

As agendas e informações sobre os eventos são divulgadas no Instagram, por meio do perfil @encontrodasbrecholeiras, onde também são divulgadas as próximas edições realizadas na cidade.

Entre os diferentes públicos atendidos pelos brechós, também há iniciativas voltadas para roupas e itens infantis. Como as crianças crescem rapidamente, muitas peças são usadas por pouco tempo, o que torna o reaproveitamento mais comum. Por isso, os brechós acabam sendo uma alternativa para pais e responsáveis venderem roupas que já não servem mais e, ao mesmo tempo, permitem que outras famílias encontrem peças infantis em bom estado por preços mais acessíveis.

A presença dos brechós em Rio Branco mostra diferentes formas de consumo e geração de renda na cidade. Mais do que uma opção econômica, esses espaços incentivam o consumo consciente, fortalecem o empreendedorismo feminino e permitem que consumidores tenham acesso a peças de marcas conhecidas e em bom estado por preços mais acessíveis.

Redação

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