Aos 17 anos, o acreano Diego Heitor da Silva Monteiro alcançou um feito histórico: foi aprovado na Princeton University (Universidade de Princeton), uma das instituições mais prestigiadas do mundo, localizada nos Estados Unidos. Ex-aluno do Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Acre (Ufac), onde concluiu o terceiro ano do ensino médio, Diego se prepara agora para iniciar uma nova fase da vida acadêmica fora do Brasil, com interesse na área de Psicologia.
A decisão de estudar fora do país começou cedo na adolescência, por volta dos 12 ou 13 anos, Diego sonhava em cursar parte de sua formação no exterior. A primeira tentativa foi por meio do programa United World Colleges (UWC), oportunidade que não se concretizou e trouxe frustração naquele momento. No entanto, a notícia ruim não o fez desistir, pelo contrário: serviu como combustível para continuar tentando.
A construção da aprovação
Durante o ensino médio, Diego acumulou experiências internacionais que fortaleceram seu percurso. Aos 16, foi selecionado para o programa Jovens Embaixadores, conquistando uma bolsa completa para os Estados Unidos. Também participou do Global Youth Sustainability Academy, na China, onde teve contato com diferentes cidades e culturas do país. Foi justamente durante essa experiência no país asiático que a ideia de estudar em Princeton se tornou uma certeza.
O processo de candidatura foi intenso e exigiu disciplina. Conciliando aulas em tempo integral, provas, projetos escolares e atividades extracurriculares, Diego precisou se preparar para o ACT (American College Testing), exame equivalente ao Exame Nacional do Ensino Medio (Enem) brasileiro.
“Era uma rotina muito cansativa e desgastante”, relembra.
Segundo ele, o processo seletivo de universidades como Princeton vai muito além das notas. São avaliados o histórico escolar, redações autobiográficas em inglês, premiações, experiências pessoais, domínio do idioma e desempenho em testes padronizados. Mesmo assim, as notas continuam sendo um critério rigoroso. Diego foi aprovado com média 9,7, acima do padrão exigido para estudantes brasileiros que ingressam em instituições norte-americanas de elite.
Durante o ensino médio no Acre, Diego conciliou uma rotina intensa de estudos e preparação para processos seletivos internacionais. Foto: reprodução.
Entre os diferenciais que acredita terem pesado a seu favor, está a aprovação no programa Tech Education Student Support (TESS), um dos mais concorridos programas de verão dos Estados Unidos, que aceita apenas cerca de 3% dos inscritos. Além disso, Diego destaca a força de sua história pessoal. Nos textos enviados à universidade, fez questão de ressaltar o orgulho de ser acreano, as dificuldades enfrentadas, a escassez de recursos e o fato de ter aprendido inglês de forma autodidata, por meio da internet, já que não tinha condições de pagar um curso.
A resposta da universidade chegou no dia 11 de dezembro, após Diego ter enviado sua candidatura em período antecipado, no dia 1º de novembro. Exausto após meses de preparação, ele não alimentava grandes expectativas. Ao abrir o e-mail de Princeton veio a surpresa. A aprovação, considerada inédita para um estudante acreano, provocou uma reação de incredulidade e emoção. O momento, registrado em vídeo, marcou a concretização de esforço e incertezas.
Além da vaga, Diego recebeu uma bolsa integral, que cobre todos os custos da graduação da alimentação aos materiais acadêmicos em um valor estimado em 97 mil dólares por ano (480 mil convertidos em reais). Para ele, a confirmação veio como um alívio e, ao mesmo tempo, como a prova de que todo o caminho percorrido havia valido a pena.
Diego Heitor da Silva Monteiro, de 17 anos, aprovado na Universidade de Princeton. Foto: arquivo pessoal
Expectativa antes da partida
Mesmo com a alegria, o sentimento está sendo assimilado aos poucos. A mudança para outro país, prevista para setembro, traz ansiedade. Muito ligado à família e aos amigos, Diego reconhece o desafio de passar quatro anos nos Estados Unidos, mas acredita que as experiências anteriores o prepararam para esse momento.
Para o futuro, ele espera explorar diferentes áreas do conhecimento, confirmar se a Psicologia será mesmo o caminho escolhido e, principalmente, conhecer pessoas de diversas partes do mundo. “Sempre gostei de estudar e aprender um pouco de tudo”, afirma.
A mensagem que Diego deixa para outros jovens que sonham em trilhar o mesmo caminho é clara: arriscar-se. “Nunca perder uma oportunidade de tentar. Tudo o que vivi desde novo foi necessário para chegar até aqui. No final, você não perde nada só ganha e soma na sua vida”.