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Transporte público de Rio Branco está “uma década atrasado”, afirma sindicato da categoria

Diante do aumento de casos de ônibus quebrados em 2025, sindicato relata frota insuficiente e defende ampliação para ao menos 140 veículos

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Por Vanessa Sousa

Os frequentes registros de ônibus quebrados em vias de Rio Branco ao longo de 2025 reacenderam o debate sobre a precariedade do transporte público na capital acreana. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo de Passageiros de Rio Branco (Sinttpac), as falhas mecânicas são reflexo de problemas estruturais antigos e da falta de investimento adequado na frota.

Panes no meio do trajeto, atrasos constantes e longas esperas nas paradas fazem parte da rotina de quem depende do serviço. Ônibus parados em avenidas e rodovias têm causado transtornos no trânsito e aumentado a sensação de insegurança entre passageiros e motoristas.

Ônibus perde eixo traseiro na Via Chico Mendes em novembro de 2025. Foto: arquivo pessoal

Para Mauricélio Freire, diretor financeiro do Sinttpac, a situação evidencia o desgaste do sistema. “Hoje o transporte público no Acre está praticamente uma década atrasado. Muitas linhas operam com veículos quebrados, e os horários não são cumpridos, obrigando a população a buscar transporte alternativo”, afirma.

Contrato e operação

Desde fevereiro de 2022, a empresa Ricco é a única responsável pela operação do transporte coletivo em Rio Branco. Atualmente, a concessionária opera 42 linhas com 92 ônibus em circulação. O contrato, que deveria ter sido encerrado em julho de 2022, acabou sendo prorrogado.

Em novembro de 2025, a Prefeitura de Rio Branco informou, por meio de coletiva de imprensa, que está adotando medidas para modernizar o sistema de transporte coletivo, com a atualização do Marco Regulatório, lei responsável pela abertura de um novo processo licitatório. Segundo o vice-prefeito, Alysson Bestene, a gestão iniciou melhorias na frota.

“Conseguimos colocar novos ônibus em circulação, inclusive os articulados, que há anos não rodavam na cidade”, afirma. O novo marco foi protocolado na Câmara Municipal de Rio Branco, e, segundo Bestene, tem o objetivo de oferecer um serviço de melhor qualidade à população.

Impacto na rotina dos usuários

As falhas constantes afetam diretamente a rotina de quem utiliza o transporte público. Em alguns episódios recentes, passageiros precisaram descer antes do destino final por conta de panes mecânicas em vias de grande circulação.

“Tive compromissos prejudicados várias vezes por causa dos atrasos ou de ônibus quebrados. A gente nunca sabe ao certo que horas o ônibus vai passar”, relata Rafael Soares, usuário semanal do transporte coletivo na capital.

Segundo ele, a imprevisibilidade tem afastado passageiros do sistema. “Na maioria das vezes, compensa mais pagar mais caro e usar transporte por aplicativo do que perder tempo com o ônibus”, diz.

Frota insuficiente e manutenção precária

De acordo com o sindicato, o número de ônibus em circulação é insuficiente para atender a demanda da cidade de forma regular e segura. Mauricélio Freire explica que, para o porte de Rio Branco, o ideal seria uma frota de aproximadamente 140 veículos, sendo cerca de 120 em operação diária e 20 de reserva para manutenção e substituições emergenciais.

“Se tivesse uma frota nova, com veículos de reserva e totalmente qualificados, incluindo pneus em bom estado e toda a estrutura em condições adequadas, seria possível ter uma frota compatível com a demanda de uma cidade como Rio Branco. Infelizmente, isso não acontece. A manutenção precária, resultado das condições do contrato emergencial, impede que o sistema funcione de forma segura e eficiente”, avalia.

Enquanto soluções estruturais não são adotadas, o transporte público de Rio Branco segue marcado por incertezas, falhas recorrentes e dificuldades que impactam diretamente a rotina de milhares de usuários. Para o sindicato, sem investimentos na frota, manutenção adequada e revisão do modelo de operação, os problemas tendem a se repetir ao longo do ano. “Para melhorar, é necessária uma licitação responsável. Muitas promessas foram feitas, mas a situação continua crítica, e sem medidas estruturais o sistema tende a piorar”, finaliza o diretor.

Redação

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