Por Algleísia Veloso, Felipe Souza e Maria de Fátima
Em um cenário cada vez mais urgente, projetos educacionais que abordam a violência contra a mulher têm se mostrado essenciais nas escolas públicas, especialmente entre os jovens do gênero masculino.
Em Rio Branco, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) idealizou o projeto “Papo Reto: combatendo a violência contra mulheres e meninas negras”. Lançado em agosto de 2024, a ação é uma alternativa para tentar reduzir os índices de violência contra a população negra feminina, por meio da realização de rodas de conversa e oficinas sobre gênero nas escolas da capital.
A primeira instituição de ensino que recebeu o projeto foi a escola Professora Ester Maia de Oliveira, no bairro Cidade do Povo, no dia 17 de setembro do ano passado. Além dela, outros 23 colégios estaduais localizados na capital do estado foram contemplados com o ‘Papo Reto’. Até o mês de março, 13 escolas já receberam as palestras.
De acordo com a responsável pelo projeto, Silvânia Silva, as escolas foram escolhidas a partir de dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e são em áreas com maior número de ocorrências de violência doméstica na capital.
“O projeto surgiu da necessidade de trabalhar o combate ao racismo dentro das escolas e a discussão de gênero. Selecionamos os colégios em cima de dados da segurança pública, que ficam em áreas que mais recebiam denúncias do 190”, destacou Silvania.
Projeot Papo Reto é aliado no combate à violência de gênero. Foto: cedida
Recepção nas escolas
A recepção nas escolas foi positiva, segundo a organização do projeto. A psicóloga da Semulher, Paula Luana Braga, destacou que, apesar de ser focado para os meninos, as mulheres são as que mais aproveitam as explicações.
Com o corrente sucesso da ação, a Secretaria da Mulher pretende expandir o número de escolas e levar o projeto para outras regiões da capital. “Infelizmente, as mulheres e meninas negras são as mais atingidas com a violência. Por isso, a longo prazo, a nossa expectativa, enquanto Secretaria, é continuar com o projeto, trabalhar a conscientização e, futuramente, abrir portas para novos projetos e políticas voltadas à temática”, contou a psicóloga.
Paula Luana Braga é psicóloga da Semulher. Foto: cedida
Violência contra a mulher em Rio Branco
Segundo dados do Ministério Público do Acre (MPAC), nos meses de janeiro e fevereiro de 2025 foram registrados 469 casos de violência doméstica na capital. Vale ressaltar que esta ação está relacionada ao preconceito de gênero, pois no contexto doméstico essa violência se manifesta em diversas formas, como agressões físicas, psicológicas, sexuais e até financeiras, refletindo o controle e o abuso do poder sobre as mulheres dentro de suas próprias casas.
O MPAC exerce um papel na tentativa de coibir práticas abusivas contra pessoas do gênero feminino. Por isso, todos os meses as informações criminais são coletadas e um levantamento é feito para mostrar a realidade do estado.
Para a promotora de Justiça e atuante do Observatório de Gênero (OBSGenero) do Ministério Público, Patrícia Rêgo, os índices de feminicídio vêm diminuindo em todo o estado, com uma redução de mais de 40% entre 2023 e 2024.
“O combate à violência de gênero no Estado do Acre deve permanecer firme e incansável. Temos motivos para criar esperança, pois estamos em uma curva descendente. Quando olhamos para as estatísticas, entre 2018 e 2024, observamos uma redução de 43% no número de feminicídios, ou seja, tivemos uma queda adicional de 20% só de 2023 para 2024”, observou Patrícia Rêgo.