Projeto de estudante da Ufac leva divulgação científica às redes sociais

Por Ana Cristina e Joyce Beatriz

Quadro “Tô no Clima” aproxima o conhecimento acadêmico da população acreana

Uma publicação do estudante de Geografia da Universidade Federal do Acre (Ufac), João Pedro Mendes, ganhou grande repercussão nas redes sociais ao contestar, com base em evidências científicas, uma análise sobre os possíveis impactos do fenômeno El Niño no Acre apresentada pelo meteorologista Davi Friale, um dos nomes mais conhecidos quando o assunto é clima no estado. A repercussão do vídeo chamou a atenção para o trabalho desenvolvido pelo universitário que, por meio do quadro “Tô no Clima”, publicado regularmente em seu perfil no Instagram, utiliza o conhecimento adquirido na graduação para aproximar a ciência da população acreana.

A iniciativa surgiu durante o período das queimadas de 2024, quando o Acre enfrentou uma das mais severas crises de poluição atmosférica dos últimos anos. Na época, o acadêmico cursava o quarto período da graduação e acompanhava o caso por meio de estudos sobre os impactos da fumaça na saúde, além da própria experiência ao vivenciar o período. A partir da situação, o estudante relata que sentiu a necessidade de levar informações científicas para além do ambiente acadêmico.

O projeto começou de forma simples, com publicações sobre a qualidade do ar nos stories do instagram. No entanto, a grande quantidade de dúvidas enviadas pelos seguidores sobre chuvas, friagens, estiagens, queimadas e outros fenômenos meteorológicos mostrou que havia espaço para um conteúdo voltado à divulgação científica na área da climatologia. Aos poucos, a iniciativa ganhou identidade própria e passou a reunir um público interessado em compreender melhor os fenômenos que influenciam o cotidiano da região amazônica.

Com o sucesso do projeto, João vinculou a proposta ao Programa de Educação Tutorial (PET) Geografia da Ufac, integrando a produção de conteúdo às atividades de pesquisa e unindo divulgação científica e investigação acadêmica. Segundo João Pedro, a proposta sempre foi tornar a ciência mais acessível para a população.

“O conhecimento precisa ultrapassar os muros da universidade”, afirma.

Da universidade para as redes sociais

A produção dos conteúdos está diretamente ligada à formação adquirida no curso de Geografia da Ufac. Disciplinas como Quantificação e Climatologia despertaram seu interesse pela área e forneceram a base necessária para compreender fenômenos atmosféricos e interpretar dados meteorológicos. Os conhecimentos da Geografia Física e Humana, aliados às atividades de campo, também contribuíram para uma visão mais ampla da relação entre clima, território e sociedade, permitindo traduzir conceitos científicos para uma linguagem acessível ao público.

As discussões nas redes sociais reforçaram a importância da comunicação científica baseada em evidências e da interpretação responsável dos dados climáticos, especialmente em um cenário mundial marcado pela rápida circulação de informações que nem sempre são confiáveis.

Para o professor Anderson Mesquita, docente do curso de Geografia da Ufac e orientador do estudante, experiências como essa demonstram o potencial dos alunos em aplicar os conhecimentos adquiridos ainda durante a graduação e contribuem para combater a desinformação sobre temas climáticos.

“Ações como essa fortalecem o combate à desinformação, prestando um serviço positivo de orientação e educação científica para a sociedade”, destaca.

O docente também ressalta que a experiência evidencia a qualidade da formação oferecida pela universidade e o potencial dos futuros profissionais formados pela instituição.

Outro fator foi que a experiência também passou a integrar a a finalização da trajetória acadêmica do estudante. De acordo com João Pedro o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) está diretamente vinculado ao projeto e busca analisar a comunicação de riscos e informações climáticas nas redes sociais.

Com planos de ampliar o “Tô no Clima” e seguir carreira acadêmica na área da climatologia, João Pedro pretende continuar unindo pesquisa e divulgação científica.

“Os conteúdos produzidos servirão de base para pesquisas sobre o comportamento do público, permitindo compreender quais temas despertam maior interesse, quais formatos geram mais engajamento e como a divulgação científica pode ser aperfeiçoada para alcançar cada vez mais pessoas”, concluiu o estudante.

Redação

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