Casos de SRAG atingem maior patamar dos últimos três anos no Acre

Com 1.999 internações registradas até julho, Acre enfrenta avanço da SRAG; jovem de Rio Branco conta como uma infecção pulmonar levou à hospitalização

Por Arielly Casas e Rian Pablo 

O que parecia ser apenas mais uma gripe acabou levando a estudante Keyla Wirla, de 18 anos, para um leito hospitalar em Rio Branco. Após apresentar sintomas gripais intensos e dificuldade para respirar, ela precisou procurar atendimento de urgência no Pronto-Socorro de Rio Branco (Huerb), onde exames identificaram uma infecção pulmonar. 

A jovem conta que já havia enfrentado a Covid-19 durante a pandemia, em 2020. Na época, não desenvolveu um quadro grave, mas sofreu com sintomas como gripe forte e perda do paladar. 

Keyla Wirla. Foto. Cedida.

“Quando peguei Covid, tive uma gripe muito forte e perdi o paladar. Não precisei ser internada, mas até hoje percebo algumas sequelas”, relata.

Seis anos depois, voltou a enfrentar problemas respiratórios. O que inicialmente parecia uma gripe comum evoluiu rapidamente para falta de ar, levando-a a buscar atendimento médico.

“Eu estava com uma gripe muito forte e comecei a sentir muita falta de ar. Fiquei assustada e fui às pressas para o pronto-socorro”, afirma.

Após a realização de exames, os médicos identificaram uma infecção pulmonar e determinaram a internação. Durante quatro dias, Keyla recebeu medicação e precisou utilizar oxigênio para auxiliar na recuperação.

“Quando descobri que estava com uma infecção nos pulmões fiquei muito preocupada. Precisei usar oxigênio e permanecer internada. Depois que recebi alta, o médico orientou pelo menos 14 dias de repouso e nada de esforço físico. Segui todas as recomendações e hoje estou muito bem”, conta.

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atingiram o maior patamar dos últimos três anos no Acre. Entre as semanas epidemiológicas 1 e 28 de 2026, foram registradas 1.999 internações.

O número é superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 1.732 casos, e de 2025, que registrou 1.481.

Os dados fazem parte do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) na sexta-feira, 24 de julho. Conforme o levantamento, crianças e idosos permanecem como os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.

Casos como o de Keyla ajudam a explicar a preocupação das autoridades de saúde diante do aumento das infecções respiratórias no Acre. O estado decretou situação de emergência devido ao crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição que tem aumentado a procura por atendimento médico e pressionado os serviços de saúde.

Diante desse cenário, a Diretoria de Vigilância em Saúde do Acre realizou reuniões com coordenadores das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), das Unidades de Referência de Atenção Primária (URAPs) e de outras unidades de saúde para definir estratégias de enfrentamento ao aumento dos casos. Entre as medidas adotadas estão o reforço da vacinação, a ampliação das orientações à população e o fortalecimento do atendimento nas unidades de saúde.

Segundo a diretora de Vigilância em Saúde do Estado, Socorro Martins, o momento exige mobilização coletiva para reduzir a circulação dos vírus respiratórios.

“Realizamos uma reunião de alinhamento com os coordenadores das unidades de saúde para definir novas estratégias de enfrentamento ao aumento dos casos de síndromes respiratórias. Entre as principais ações estão a intensificação da vacinação, o fortalecimento do atendimento à população e o reforço das orientações sobre os sintomas e os cuidados necessários para prevenir a transmissão das doenças”, afirmou.

Diretora de Vigilância em Saúde do Estado do Acre, Socorro Martins. Foto: Val Fernandes/ Secom

Apesar das medidas anunciadas pelo poder público, um dos principais desafios continua sendo a baixa procura pela vacinação. Dados apresentados pela Vigilância em Saúde apontam que a cobertura vacinal entre crianças, gestantes e idosos permanece abaixo de 40%, justamente entre os grupos mais vulneráveis às complicações das doenças respiratórias.

Para Socorro Martins, a baixa adesão preocupa porque reduz a proteção coletiva e aumenta o risco de agravamento dos casos. “Infelizmente, a procura pela vacinação entre os grupos prioritários ainda é muito baixa. Crianças, gestantes e idosos, que são os mais vulneráveis às complicações das doenças respiratórias, ainda apresentam uma cobertura vacinal inferior a 40%”, destacou.

O que é a SRAG? 

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) não é uma doença específica. Ela é uma complicação que pode surgir a partir de diferentes infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e outros vírus. O principal sinal de alerta é a dificuldade para respirar, que pode indicar um agravamento do quadro e a necessidade de atendimento médico imediato.

Embora nem toda pessoa com gripe ou Covid-19 desenvolva a síndrome, fatores como doenças pré-existentes, baixa imunidade e a falta de vacinação podem aumentar o risco de complicações.

Como se proteger? 

De acordo com orientações de especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a circulação dos vírus respiratórios e evitar casos mais graves da doença. A principal delas é manter a vacinação contra gripe e Covid-19 em dia. Além de reduzir o risco de infecção, as vacinas ajudam a evitar internações e complicações respiratórias.

Outro cuidado importante é lavar as mãos com frequência, especialmente antes das refeições e após contato com superfícies compartilhadas. A medida ajuda a interromper a transmissão dos vírus.

Os especialistas também recomendam manter hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, que auxilia no fortalecimento das defesas naturais do organismo. O uso de máscaras continua sendo indicado para pessoas com sintomas gripais ou que frequentam ambientes fechados e pouco ventilados. Além disso, evitar contato próximo com pessoas doentes também contribui para reduzir a transmissão das infecções respiratórias.

Diante do aumento dos casos e da baixa cobertura vacinal entre os grupos mais vulneráveis, especialistas e autoridades reforçam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir internações e aliviar a pressão sobre os hospitais do Acre. O uso de máscaras continua sendo indicado para pessoas com sintomas gripais ou que frequentam ambientes fechados e pouco ventilados. Além disso, evitar contato próximo com pessoas doentes também contribui para reduzir a transmissão das infecções respiratórias.

A experiência de Keyla reforça esse alerta. Embora tenha se recuperado, ela afirma que a internação mudou sua forma de encarar os cuidados com a saúde.

“Às vezes a gente pensa que é só uma gripe e acaba não dando importância. Mas quando falta o ar e você precisa ser internada, percebe como a situação pode ficar séria”, conclui.

Diante do aumento dos casos e da baixa cobertura vacinal entre os grupos mais vulneráveis, especialistas e autoridades fortificam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir internações e aliviar a pressão sobre os hospitais.

Redação

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