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Conheça a Seleção Acreana de Basquete de Cadeira em Rodas
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Redação

A primeira modalidade paralímpica praticada no Brasil foi o basquete em cadeira de rodas. Este esporte coletivo é jogado por pessoas com deficiências físico-motoras, que são aquelas com paraplegia ou deficiência nos membros inferiores. Atletas andantes podem jogar, mas devem usar a cadeira de rodas durante a prática do esporte. Atualmente é um dos esportes mais procurados no cenário paralímpico mundial. No Brasil, 110 clubes integram e se destacam nesta modalidade.
O basquete em cadeira de rodas surgiu como uma alternativa de reabilitação para ex-soldados norte-americanos que se feriram na 2ª Guerra Mundial. No Brasil, o esporte ficou conhecido em 1958, quando brasileiros com deficiência, que se tratavam nos Estados Unidos, conheceram a prática esportiva e a trouxeram para o país. Com ajuda do amigo Aldo Miccolis, que também é desportista, Robson Sampaio de Almeida criou, em abril do mesmo ano, o primeiro time de jogadores de basquete em cadeira de rodas, na época se chamava “Clube do Otimismo”.
Em 1960, a modalidade esportiva integrou a 1ª edição das Paralimpíadas, que aconteceu em Roma. Apesar de ser um esporte inclusivo, a primeira participação feminina aconteceu somente oito anos depois, em 1968, na cidade de Tel Aviv. Esse esporte também tem levado qualidade de vida às atletas femininas que participam da Seleção de Basquetebol em Cadeiras de Rodas do Estado do Acre/Brasil e que treinam juntamente com os atletas masculinos.
Maria Tailine da Silva Marques tem 28 anos e é estudante do curso de técnico em Enfermagem. Ela foi atingida por um tiro nas costas, quando assaltantes tentaram roubar sua moto. “A bala ficou alojada minha coluna e causou uma grande lesão em minha medula e, assim, fiquei sem o movimento de meus membros inferiores. Antes do acidente eu fazia estágio do curso técnico em Enfermagem e no ano passado voltei para concluir o curso”, relata.
A jovem participa da seleção desde maio de 2022 e fala do quanto o basquete melhorou sua qualidade de vida e a ajudou a sair de um quadro de depressão. Acompanhe, abaixo, o depoimento da atleta:
Benefícios do basquete
Além de melhorar a qualidade de vida, essa prática esportiva traz muitos benefícios para a saúde física e mental dos atletas. Para as pessoas com deficiência, os ganhos são ainda maiores. “Essa modalidade de esporte desenvolve a coordenação motora, o espírito de equipe, ajuda o atleta a ter noção de espaço(temporal), a ganhar resistência, flexibilidade e velocidade, a respeitar as regras e seus adversários, a tomar decisões. Também aumenta a independência na vida diária, oferece oportunidades sociais, melhora a autoconfiança, a autoestima e auxilia na prevenção de doenças secundárias”, afirma Manielden Lima Távora, professor de Educação Física e treinador da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas do Acre.

Segundo o técnico desportivo do Núcleo de Esporte Paralímpico da Secretaria Adjunta de Articulação Esportiva e Juventude, João Paulo Sena Fernandes, ter uma boa performance é muito importante para o atleta e o trabalho do fisioterapeuta contribui para isso.
“O fisioterapeuta esportivo pode atuar não apenas na avaliação, mas também na prevenção, recuperação (tratamento) de lesões e classificação funcional, que é específica para o esporte paralímpico. Esse trabalho auxilia o atleta a se sentir mais seguro, consequentemente, ajuda a ter um melhor rendimento e se sentir mais confiante para praticar sua modalidade desportiva”, acrescenta o profissional.

De acordo com a Aristeia Nunes Sampaio, professora do Centro de Ciências da Saúde e Desporto, da Universidade Federal do Acre (Ufac), ao analisarmos a prática do basquete em cadeiras de rodas é possível vislumbrar diversos aspectos de saúde, como a melhoria da condição cardiopulmonar.
“Esse aluno vai ter uma capacidade respiratória pulmonar aumentada e isso favorece, não só a prática esportiva, mas também as atividades do cotidiano, como impulsionar a cadeira por longas distâncias, por exemplo. Essa melhoria se dá a partir do preparo do atleta, pelo tempo de prática e condições fisiológicas que foram impostas pela lesão ou do tipo de lesão que o praticante tem”, comenta a professora.
Ainda segundo Aristeia Sampaio, a prática esportiva auxilia na diminuição da gordura corporal e no aumento da massa magra dos membros que são funcionais, sendo condições, de uma maneira geral, que ajudam na prática esportiva e no cotidiano. Abaixo, você pode ouvir um pouco mais sobre os benefícios do basquete em cadeira de rodas.
Com relação aos demais aspectos que perpassam a questão física, a professora do Centro de Ciências da Saúde e Desporto destaca a questão da socialização do atleta que sairá do ambiente de casa ou de tratamentos para ocupar outros locais. “Ele vai conhecer outras pessoas, outras histórias, e, consequentemente, ampliar suas amizades. Isso acaba o inspirando para ter força, para continuar tentando, se esforçando. Esse resultado é muito interessante para a sua própria autoestima, para que se sinta valorizado, para que desenvolva bem sua função”, ressalta.

Sobre os benefícios para a saúde, Márcio Cleide José de Lima, que é atleta e ex-presidente da Federação Acreana de Basket Cadeirante (FEABC), declara que o esporte melhorou a coordenação motora e batimentos cardíacos. “Não tem coisa melhor do que fazer o que a gente gosta. No meu caso é jogar basquete. Uma das melhores coisas que me aconteceu, depois do acidente, foi ter conhecido o basquete. De lá para cá, só tenho a agradecer a Deus e as nossas atividades físicas dentro do esporte adaptado”.

O atleta ainda ressalta que com a prática esportiva até mesmo seu humor mudou. “Foi onde eu vi pessoas com menos mobilidade que eu, brigando por espaço na quadra. Eu vi que a gente tinha que ser mais ativo e ter amor pelo que faz. Criei um amor tão grande pelo basquete que não me vejo fora dele. Mesmo quando eu não tiver mais condições de jogar, quero fazer parte de alguma forma para ajudar e incentivar outras pessoas a praticarem esporte”.
Regras e como de jogar
De acordo com as regras oficiais aprovadas em 2018, pela Confederação Internacional de Basquetebol em Cadeira de Rodas (International Wheelchair Basketball Federation – IWBF), Regra Um – O jogo, art. 1, o jogo de Basquetebol em Cadeira de Rodas é jogado por 2 equipes de 5 jogadores cada. O objetivo de cada equipe é converter pontos na cesta do adversário e evitar que a outra equipe converta pontos em sua própria cesta.
Com poucas diferenças da modalidade convencional, no basquete em cadeira de rodas os atletas devem arremessar ou passar a bola a cada dois toques dados na cadeira de rodas. Com duas equipes, cada uma com cinco jogadores, as partidas duram em média 40 minutos e são divididas em quatro sets.
Na modalidade é obrigatório que todos os jogadores utilizem um tipo de cadeira de rodas, que é específica para a esporte. A cadeira deve possuir uma barra protetora lateral para evitar acidentes e na parte de trás do equipamento, uma roda de apoio que tem a função antiqueda.
Seguindo as regras da IWBF, esta modalidade é monitorada pela Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC). Para quem tem o desejo de praticar e competir no basquete em cadeira de rodas, é preciso procurar um clube para se filiar e seguir todas as regras de proteção.
O Acre presente no basquete em cadeira de rodas
As federações de basquete ganham um papel muito importante no desenvolvimento do esporte no país por diversos motivos. A promoção da inclusão de pessoa com deficiência por meio dessa atividade esportiva é uma delas. No Acre, a Federação Acreana de Basket Cadeirante (FEABC) foi fundada no dia 9 de janeiro 2010 e atua em vários âmbitos.
Segundo Frank Thieny Brito de Lima, presidente da FEABC, a organização “tem por objetivo atuar no âmbito do esporte adaptado e busca desenvolver e executar programas de formação continuada nas áreas de assistência social, direitos humanos, saúde, prevenção, educação, reabilitação, cultura, esportes, lazer, visando à inclusão e emancipação social das pessoas com deficiência física no Estado do Acre”.
A Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas faz parte da Federação, mas sua data de criação é anterior. O atleta e ex-presidente da FEABC, Márcio Cleide, relata que em 2008 conheceu Raimundo Correia, presidente da Associação Riobranquense de Pessoas com Deficiência Física do Acre (Ardef). Na época, desenvolveu um projeto de incentivo ao esporte do Acre.
“Com a aprovação do projeto, foram compradas oito cadeiras de rodas adaptadas e a partir dessa aquisição começamos a desenvolver o basquete”, conta Márcio Cleide. O time da época foi fundado por Manielden Távora (atual treinador), Frank Thieny Brito de Lima (presidente em exercício), Emerson de Souza Monte, José Ricardo Freitas da Silva, Luiz Carlos Aragão Ferreira, Raimundo Rocha Pereira, Wemerson Pereira Sobrinho, entre outros atletas. Porém, em 2010 a equipe começou a enfrentar dificuldades, foi então que criaram a Federação Acreana de Basket Cadeirante.
José Firmino Lima tem 41 anos e é atleta da equipe acreana de basquete em cadeira de rodas. Ele conta que não imaginava encontrar no basquete uma paixão, uma forma de se ressignificar. Ele ainda comenta que pretende ficar por muito mais tempo praticando a modalidade. No vídeo abaixo, você assiste ao depoimento do atleta falando sobre o esporte.
Lourenço Moreira Vieira Neto tem 25 anos e é o atleta mais nova da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas. Ele é tecnólogo em Logística e trabalha como autônomo. Neto já foi atleta paralímpico de natação e chegou para o time há dois meses, graças ao convite de um colega atleta. “É um esporte bem diferente do que eu vim, mas quero dar o meu melhor e ajudar a equipe”.
Márcio Cleide José de Lima tem 47 anos e é ex-presidente da (FEABC). Hoje é o atleta mais velho da equipe acreana. Começou a jogar quando tinha 32 anos. Ele conta que percebeu a importância do esporte, após participação de sua primeira competição em Manaus, no ano de 2008.

Francisco Lima de Souza, mais conhecido como Manoel Izo, é acadêmico de Jornalismo, na Universidade Federal do Acre, e integra a equipe de basquete da Federação Acreana. Ele conta que conheceu o basquete por intermédio de um amigo, no ano de 2010, quando foi convidado para participar de um jogo. Na época, o atleta não deu a devida atenção, mas a situação mudou em 2021.
“No início de 2021, ao retornar os treinos após a pandemia, eu voltei a participar dos treinos, me apaixonei pelo basquete e estou lá até hoje. Além da diversão, tem a questão do alto rendimento. Nossa Federação é de alto rendimento e tem a parte social também. Participar do basquete é muito gratificante. Mudou meu ritmo de vida, melhorou muito. Fico contando as horas pra chegar o dia do basquete. Sou apaixonado pelo esporte”, conta o atleta.
Assista abaixo um trecho do depoimento de Manoel Izo sobre a prática do basquete em cadeira de rodas.
Da Seleção Acreana de Basquete em Cadeiras de Rodas para o time ADD Magic Hands e Seleção Brasileira
O atleta João Vitor (JJ), que tem 20 anos e é natural de Ariquemes (RO), é apaixonado pelo esporte. Antes mesmo de fazer parte da equipe da ADD Magic Hands, jogou futebol na base dos Santos no Acre. Em 2015, após sofrer um acidente no terminal urbano de Rio Branco (AC), perdeu seu membro inferior esquerdo, e durante sua reabilitação os fisioterapeutas recomendaram a prática de esportes. “Fui para natação e depois de um ano conheci o basquete, por meio da Federação Acreana de Basquete, como uma nova paixão no meu coração”, afirma.

Segundo JJ, após integrar ao time da Seleção Acreana de Basquete em Cadeiras de Rodas, aos 14 anos foi morar em Goiás em busca de novas oportunidades. Por sua habilidade conseguiu chamar a atenção dos treinadores do Brasil. Em 2022, alcançou um de seus sonhos que era jogar na equipe da ADD MAGIC HANDS. Junto com seu novo time, João Vitor já se tornou campeão brasileiro e paulista de basquete em cadeira de rodas.
A história de João Vitor não parou por aí. Durante esse processo, ele foi convocado para integrar as Seleção Brasileira Sub-23, garantindo vaga para o mundial e se classificando na oitava posição. Na Seleção Sub-21, junto com sua equipe, o jovem conquistou o 2º lugar no Parapan de Jovens em Bogotá.
“Os jogos escolares foram de suma importância para meu desenvolvimento de atleta e pessoa. Contribuíram para que eu fosse visto até para as seleções e outros times. Eu saí dos escolares, mas os escolares nunca vão sair de mim. Espero que mais atletas tenham a oportunidade de integrar outros times”, relata o jovem.
Um esporte com muitos parceiros
O presidente da Federação, Frank Thieny Brito de Lima, revela que ao longo desses 13 anos, a FEABC enfrentou e ainda enfrenta diversas dificuldades. Segundo ele, a principal delas “é a pessoa com deficiência reconhecer que a vida não parou, que sempre tem mais uma chance e oportunidade de vencer e viver dignamente. Seja na área do esporte, da educação ou do lazer”
Brito avalia que, atualmente, a Federação está entre as melhores da região Norte, mas que ainda é preciso muito investimento para continuar o trabalho e, dessa forma, conseguirem se filiar à Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC).
Hoje, a FEABC funciona em uma sala da Comissão de Acessibilidade e de Atletas Paralímpicos, situada na região do Distrito Industrial. Para alcançar suas metas, a instituição tem firmado cada vez mais parcerias. Desde o final do ano de 2019, empresas e órgãos públicos têm contribuído para a permanência da prática do basquete em cadeira de rodas no Acre. Abaixo, estão alguns dos parceiros e recentes ações realizadas.
Caixa Econômica Federal: Em 2019, por meio do projeto Caixa Mais Desenvolvimento, que tem o objetivo de levar investimentos diversos para várias regiões do país, a FEABC recebeu, por meio da Prefeitura de Rio Branco, a doação de 12 cadeiras de rodas;
Universidade Federal do Acre: De acordo com Jefferson Feitosa de Almeida, Coordenador do Programa de Esporte Paralímpico da Ufac/comunidade, a universidade em parceria com a Federação e o Centro de Referência Paralímpico do Acre, possibilita o treinamento dos atletas, dentre outras outros eventos. Além disso, a instituição também cede espaço para treinos e eventos. “Por enquanto, prestadores de serviços e bolsistas atletas recebem recurso financeiro no valor de R$ 400,00, por meio de assinatura de convênio, mas as propostas estão passando por tramites legais para haver alterar para o valor de R$ 700,00”, informa o coordenador do programa Almeida.
Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes: Um dos investimentos mais recentes feitos pela SEE, conforme explica o secretário estadual Aberson Carvalho, foi a realização de um convênio para aquisição de cadeiras de rodas adaptadas. Ao todo foram investidos R$ 50 mil em recursos. “O que estiver ao alcance do Governo para contribuir na transformação da vida desses atletas, vamos fazer”.

Outra ação promovida pela SEE foi a compra de passagens aéreas para os atletas do basquete em cadeira de rodas disputares os Jogos Brasileiros Universitários. A equipe acreana voltou para casa com medalhas de bronze.
Secretaria Municipal do Esporte: Para que os atletas possam realizar os treinos e competições, a Secretaria disponibiliza o espaço do Centro de Iniciação ao Esporte (CIE).
Medplus: Atualmente, é o principal patrocinador da FEABC, dando suporte com material hospitalar, além de ajudar os atletas em momentos de doença e com a aquisição de uniformes.
Uma equipe muito premiada
A primeira competição da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas aconteceu em 2008, em Manaus. “O time não tinha experiência e acabou ficando na última colocação, mas isso nos motivou e no ano seguinte ficamos em oitavo lugar entre as 16 equipes que participaram”, revela Manielden Lima.
Um troféu muito importante para a equipe veio em 2021, com a participação nas Paralimpíadas Universitárias. Os atletas trouxeram para o Acre a medalha de bronze. No ranking geral, a equipe que disputou em nome da Ufac ficou em primeiro lugar. O evento aconteceu no Centro de Treinamento da Confederação Paralímpica do Brasil, em São Paulo, entre os dias 16 e 19 de setembro.

Para 2023, a Seleção Acreana de Basquete em Cadeiras de Rodas quer conquistar ainda mais. A ideia é integrar competições regionais, participar do Campeonato Universitário, da Copa da Revolução e também da Copa Acre x Rondônia, que acontecerá em Porto Velho. A ideia, segundo o presidente da Federação, Frank Thieny, é retornar dessas competições com mais medalhas e troféus.
Conheça a atual equipe da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas: Manielden Lima Távora (técnico) e Pâmela Jhemiule (auxiliar), além dos atletas Agnaldo Casoti Borges, Ana Clara Alves de Lima, Ana Keyla da Silva Macedo, Elizeu Barros Machado Junior, Emerson de Souza Monte, Fabio Mendes de Souza, Francisco Lima de Souza, Frank Thieny Brito de Lima, Jhonathan Mendes do Vale, José Firmino de Lima, José Ricardo Freitas da Silva, Lourenço Moreira Vieira Neto, Luiz Carlos Aragão Ferreira, , Márcio Cleide José de Lima, Maria Nisse Rodrigues Ferreira, Maria Tailine da Silva Marques, Raimundo da Rocha Pereira, Thomas Rodrigues Silva, Wanderley Matos e Wemerson Pereira Sobrinho.
O esporte contra o capacitismo
O capacitismo é toda a forma de preconceito que acontece contra a pessoa com deficiência. A crença do capacitista é alimentada toda vez que há a ideia de que a deficiência é um empecilho determinante para a independência, realização de tarefas cotidianas, inserção no mercado de trabalho, entre outras atividades.
Contrariando princípios de equidade, o comportamento capacitista é um crime de discriminação e opressão contra a pessoa com deficiência. O capacitismo vai além da inferiorização, ele mostra âmbitos que ferem a dignidade da pessoa que sofre o preconceito. Muitas vezes, as ações e falas capacitistas vêm disfarçadas de discursos de que pessoas com deficiência são heróis ou pessoas especiais que precisam sempre ser cuidadas. São atos como estes que ignoram as competências individuais de cada um, a partir de um olhar humanizado.
De acordo com Francisco Héliton do Nascimento, professor do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Acre (IFAC), na legislação brasileira está caracterizado, apesar de não aparecer, o termo capacitismo ou capacitista, que é justamente é o preconceito e discriminação que as pessoas com deficiência sofrem na sociedade.
“A sociedade pode permitir, que as pessoas com deficiência interajam, ocupem seus lugares. Se elas têm deficiência, não cabe a sociedade julgar se ela é digna ou não estar. Devemos combater toda e qualquer forma de capacitismo. Conforme a Lei Brasileira de Inclusão, Capítulo II – Da Igualdade e da Não Discriminação, Art. 4º, “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

Elizeu de Souza é atleta, tem de 27 anos e pratica basquete em cadeira de rodas desde os sete anos de idade. A iniciativa veio de sua mãe, Francelina de Souza, que conta que o inseriu no esporte para seu filho levasse uma vida saudável e possível. Ela ressalta que o esporte desempenha medidas contra doenças, como depressão e ansiedade.
No vídeo abaixo, você confere um pouco do que a mãe de Elizeu de Souza diz sobre a prática do basquete em cadeira de rodas:
Texto: Edilárdia Idalgo, Gercineide Maia, Marcos Jorge Dias, Petronilio Neto e Vitória Lauane Araújo
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ESTAMOS DE VOLTA
A Catraia celebra 21 anos e resgata memórias de ex-integrantes
O jornal A Catraia conversou com a ex-estudante de jornalismo, Adrielle Farias, que atua como repórter do jornal Estadão em São Paulo
Publicado há
2 semanas atrásem
3 de abril de 2026por
Redação
Por Danniely Avilis e Isabelle Magalhães
Ao completar 21 anos de existência, A Catraia entra em um ano especial, que retoma a própria história por meio de relato da ex-integrante. A proposta é revisitar memórias, experiências acadêmicas e trajetórias profissionais que começaram ainda na graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Mais do que relembrar capas ou reportagens antigas, a equipe da A Catraia conversou com Adrielle Farias sobre o período em que era estudante e os primeiros passos na profissão. Adrielle que atuou como editora-chefe do jornal em 2018, ano que define como um dos mais intensos da formação acadêmica.

Foto: Instagram @adriellefarias
Escolha profissional e descoberta no curso
A decisão de cursar Jornalismo não foi imediata. Ainda na escola, Adrielle dividia interesses entre áreas criativas como audiovisual, escrita e comunicação.
“A gente nunca entra na faculdade totalmente sem dúvida, né? Eu gostava de muitas coisas”, afirma Adrielle.
Sem conhecer profundamente o curso da Ufac, ela se inscreveu e, somente após o ingresso, passou a pesquisar sobre professores, disciplinas e possibilidades profissionais. A identificação com a área ocorreu já durante a graduação.
“Eu só entendi que era aquilo que eu queria quando comecei a estudar, ver as matérias. Eu ficava ansiosa para acompanhar a grade curricular”, conta a jornalista.

“Meu pai sempre dizia que eu agarro o mundo com as pernas. Eu queria participar de tudo”, diz Adrielle Farias. Foto: cedida
Rotina intensa e desafios
Durante o curso, a participação nas disciplinas não foi suficiente. Adrielle também esteve envolvida em mostras acadêmicas, eventos e projetos extracurriculares, tendo A Catraia como principal espaço de atuação.
O fato de o curso ser noturno possibilitava trabalhar e estagiar durante o dia, realidade compartilhada por muitos estudantes. A conciliação das atividades, no entanto, trouxe desafios.
A sobrecarga resultou em ansiedade e na necessidade de aprender a administrar o tempo, habilidade que, segundo ela, não costuma aparecer formalmente na grade curricular. Ainda assim, considera que foi nesse período de intensidade que surgiram aprendizados decisivos.
Entre as experiências no jornal, uma reportagem sobre cinema ganhou destaque na trajetória profissional de Adrielle. O tema, que sempre esteve entre seus interesses pessoais, acabou influenciando também a escolha do Trabalho de Conclusão de Curso.
“Eu fui falar sobre cinema, que sempre foi algo de que eu gostei muito e ainda gosto. Inclusive, acho que isso acabou influenciando um pouco a escolha do meu TCC. Eu também usava isso como portfólio, para mostrar meu trabalho; quando me inscrevi para o treininho do Estadão, por exemplo, utilizei esse material como parte do portfólio”, conta a profissional.
Segundo ela, a experiência no jornal contribuiu para a conquista do atual emprego como repórter no Estadão.

Participação de Adrielle Faria no Intercom. Foto: cedida
Trabalho em equipe
Ao relembrar a atuação como editora-chefe, Adrielle destaca o papel do trabalho coletivo no exercício da profissão e orienta como dica para futuros jornalistas que ainda não atuam na profissão.
“O trabalho em equipe é essencial no jornalismo, porque ninguém faz um jornal sozinho. Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito, saber se comunicar e manter o diálogo, para que todos trabalhem pelo mesmo objetivo sem conflitos”, finaliza Adrielle.

“Mesmo em cargos de liderança, é importante agir com respeito”, afirma a profissional. Foto: cedida
Especiais
Rio cheio e políticas vazias
Mudanças climáticas, cheias históricas e a fragilidade das políticas públicas que agravam a situação do Rio Acre
Publicado há
2 semanas atrásem
2 de abril de 2026por
Redação
Por Aniely Cordeiro e Maria Eduarda Ruiz
O Rio Acre, que nasce no Peru e atravessa municípios acreanos de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia, Xapuri, Rio Branco, Capixaba, Senador Guiomard e Porto Acre, é um dos principais responsáveis pelo abastecimento e pelo sustento de milhares de famílias no estado. No entanto, ao longo dos últimos anos, o manancial tem enfrentado transformações profundas, impulsionadas pelas mudanças climáticas, pelo desmatamento e pela fragilidade das políticas públicas ambientais.
Essas mudanças se refletem tanto nos períodos de cheia quanto nos de seca extrema, que têm se tornado cada vez mais frequentes, afetando diretamente comunidades ribeirinhas e bairros urbanos situados em áreas de risco da capital acreana
Segundo Victor Manoel, do Comitê Chico Mendes, Rio Branco possui um plano de contingência estruturado contra enchentes, algo inexistente até mesmo nas maiores capitais do país brasileiras. Ainda assim, o problema persiste.
“Rio Branco tem um plano de contingência contra enchentes. Esse estudo já foi feito. O que falta, na verdade, é prioridade. Falta uma leitura do material que já existe. A gente vive em um mandato político onde se prioriza muito mais a infraestrutura urbana”, avalia.
Manoel explica que, embora o poder público não tenha controle sobre o clima ou as chuvas, é responsável por não desenvolver ações que reduzem o impacto das cheias. “A prefeitura não controla a chuva nem as mudanças climáticas, mas é totalmente responsável por políticas públicas que mitiguem os impactos dessas mudanças na população e na própria máquina estatal”, completa.
Cheias atípicas e extremos cada vez mais frequentes
Em dezembro de 2025, o Rio Acre registrou uma cheia considerada atípica. De acordo com a Defesa Civil Municipal, foram acumulados 561,6 milímetros de chuva, o que representa 97% acima do esperado para todo o mês, um volume que não era observado havia pelo menos uma década.
O coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Cláudio Falcão, explica que o comportamento do rio é marcado por variações extremas de vazão
“Quando o Rio Acre está abaixo de 11 metros, a vazão chega a cerca de 1 milhão e 100 mil litros de água por segundo. No outro extremo, essa vazão pode cair para cerca de 25 mil litros por segundo. A diferença é muito grande”, explica.

Foto: cedida.
Segundo ele, parte desse comportamento se deve às características naturais do rio. “O Rio Acre é um rio novo, ainda em formação, e por isso muda o curso de vez em quando”, afirma.
Desmatamento e perda da mata ciliar agravam o problema
Além das características naturais, questões ambientais agravam a situação. Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) publicado no site InfoAmazonia aponta que o Rio Acre perdeu cerca de 40% da sua mata ciliar ao longo de 55 anos, equivalente a aproximadamente 4,5 mil hectares de vegetação nativa degradada, de um total original estimado em 11,6 mil hectares.
A mata ciliar é fundamental para a regulação do rio por ajudar a conter a erosão das margens, reduz o assoreamento e permite que a água seja absorvida e liberada gradualmente.
“Ao longo do Rio Acre há muito assoreamento e desmatamento das margens. Com isso, o rio não consegue manter o nível da mesma maneira. Quando a água chega, chega de uma vez só”, explica o coronel Falcão.
Ele destaca o papel da floresta na regulação dos extremos hídrico: “A floresta segura a água no período de cheia e vai soltando aos poucos durante a seca. Além disso, evita o desbarrancamento e o aceleramento do rio. Se tivéssemos a floresta preservada ao longo do rio, não teríamos extremos tão intensos”, afirma
A vida em áreas vulneráveis: relatos de quem convive com o rio
No bairro Cidade Nova, em Rio Branco, as moradoras Vitória Yasmin, de 23 anos, e Alderina Costa, de 65, relatam as dificuldades enfrentadas durante os períodos de cheia do Rio Acre, fenômeno que se repete ano após ano e afeta diretamente a rotina de quem vive em áreas consideradas vulneráveis.
“Quando começa a encher, a gente já levanta tudo. A água é contaminada por causa do esgoto. Eu preciso ir para a casa da minha avó. Em 2015, a água chegou a subir pela parede”, conta Vitória.
Alderina relembra que, diante da recorrência das enchentes, a família precisou investir por conta própria para reduzir os riscos. Sem apoio financeiro do poder público, a solução encontrada foi adaptar a própria estrutura da casa.
“A água entrou bem aqui. Em 2015, na época, não tinha esse apartamento alto. Então a gente fez um segundo andar para ficar lá em cima quando alaga”, relata.
Segundo Alderina, a decisão de construir um segundo pavimento veio do desejo de permanecer no local onde sempre viveu. Para ela, sair da própria moradia e ser levada para abrigos distantes é uma alternativa que muitos moradores não querem enfrentar. Destaca, ainda, que não vê possibilidade de deixar a casa, pois não teria para onde ir: “Se eu pedir 100 mil, aqui na minha casa, eu não vendo. Entendeu? E se eu pedir menos de 50 mil, eu vou comprar outra onde?”, questiona.
Ela defende que o governo ofereça apoio financeiro para que as famílias possam adaptar suas casas com segurança, evitando o deslocamento forçado durante as cheias. Para Alderina, a permanência no território também representa dignidade, pertencimento e menor desgaste emocional.
As adaptações feitas pelas famílias evidenciam como a responsabilidade de lidar com os impactos das cheias acaba sendo transferida do poder público para os próprios moradores. Embora existam políticas públicas voltadas à prevenção de desastres, ainda há um hiato significativo entre o que está previsto no papel e o que, de fato, é executado.
Além disso, moradores que vivem em áreas de risco defendem que as soluções não se limitem apenas à retirada compulsória das famílias de suas casas. Para eles, é fundamental que haja diálogo, escuta e participação das comunidades diretamente afetadas, por meio de audiências públicas e espaços de debate que considerem suas realidades e necessidades. Essas populações não são culpadas pelos desastres recorrentes e precisam ser incluídas na construção das soluções.
As estratégias adotadas por famílias como a de Alderina revelam não apenas a precariedade das políticas habitacionais em áreas vulneráveis, mas também a criatividade, a resistência e a determinação de quem convive há décadas com o avanço das águas.
Diante da ausência de respostas efetivas, são os próprios moradores que buscam alternativas para proteger suas famílias e preservar o vínculo com o território onde construíram suas histórias.
Apesar do cenário preocupante, existem iniciativas públicas voltadas à prevenção e à recuperação ambiental. Em Rio Branco, foi instituído o Plano Municipal de Prevenção e Combate às Enchentes, que prevê ações como o mapeamento de áreas de risco, recuperação de áreas degradadas, melhorias na drenagem urbana e educação ambiental. No entanto, grande parte dessas medidas ainda depende de orçamento, continuidade administrativa e prioridade política.
No campo ambiental, o Governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco firmaram um acordo de cooperação técnica para fortalecer ações de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Em 2025, por exemplo, mais de 400 mudas de espécies nativas foram plantadas em áreas de preservação permanente às margens do Rio Acre, como tentativa de conter a erosão do solo.
O estado também conta com iniciativas como o Viveiro da Floresta, em Rio Branco, responsável pela produção de mudas destinadas à recuperação de áreas degradadas e de matas ciliares em diferentes regiões do Acre. Apesar disso, estudos científicos, avaliam que as ações ainda avançam em ritmo lento diante da dimensão do problema e da frequência cada vez maior das cheias.
Limites orçamentários e desafios estruturais
De acordo com o coronel Falcão, outro entrave importante é a limitação de recursos e a complexidade das soluções necessárias.
“Não existe solução simples. Algumas ações envolvem diplomacia entre países, porque o rio nasce no Peru, e outras dependem de recursos que a Defesa Civil não tem para atender todos os problemas ao mesmo tempo”, afirma.
Ele explica que mudanças estruturais no comportamento do rio demandam tempo. “Nada pode ser mudado em menos de 10 anos. Qualquer ação que a gente faça agora não muda o cenário do Rio Acre em curto prazo”, ressalta.
O futuro do Rio Acre
O coordenador da Defesa Civil alerta ainda para projeções preocupantes. Segundo ele, o climatólogo Carlos Nobre prevê um cenário crítico para o Rio Acre até 2032, caso o modelo atual de ocupação e degradação ambiental continue.
“A gente pode enfrentar uma seca tão severa que o rio pode praticamente parar de correr, como diziam nossos antepassados”, alerta.
O problema é recorrente, que se repete ano após ano, a situação do Rio Acre evidencia que, mais do que planos e ações emergenciais, são necessárias políticas públicas transparentes, contínuas e preventivas, capazes de articular preservação ambiental, planejamento urbano e proteção social. Sem isso, moradores continuarão convivendo com cheias, secas e a incerteza de um rio cada vez mais imprevisível.
Especiais
O rio sob seus pés: as pontes que conectam história, comércio e vida em Rio Branco
Ponte Metálica e Passarela Joaquim Falcão Macedo integram Primeiro e Segundo Distritos de Rio Branco e facilitam o trânsito de carros e pedestres na região
Publicado há
2 semanas atrásem
1 de abril de 2026por
Redação
Por Lis Gabriela e Rhawan Vital
Onde centenas de pés passam, pneus deixam borracha no asfalto e bicicletas atravessam em meio aos pedestres, comerciantes contam sobre a importância e de duas das pontes mais famosas do estado.
Em destaque pela influência, tanto histórica como atual, a Passarela e a Ponte Metálica (também conhecidas, respectivamente, como Passarela Joaquim Falcão Macedo e Ponte Juscelino Kubitschek), são referências quando se trata da história e da identidade acreanas.
Passos sobre o Metal
A Ponte Juscelino Kubitschek, popularmente conhecida como “Ponte Metálica”, pode ser considerada um símbolo de resistência. Inaugurada na década de 60, é uma das principais formas de ligação entre o Primeiro e o Segundo Distrito da capital acreana. Sua construção foi um marco na engenharia para a época, em uma resposta direta ao isolamento do Segundo Distrito em relação ao centro administrativo e comercial de Rio Branco.
Antes dela, a travessia era feita, na maioria das vezes, por catraias, que limitavam o fluxo de mercadorias e pessoas. Dessa forma, a estrutura montada com treliças de aço não apenas facilitou o transporte de veículos, mas integrou definitivamente as duas margens da capital. Batizada em homenagem ao presidente do Brasil entre 1956 e 1961, a ponte tornou-se o principal corredor logístico da cidade por décadas, e resiste ao tempo e a inúmeras cheias históricas do Rio Acre, que testaram sua robustez ao longo de mais de 60 anos.

Ponte Juscelino Kubitschek. Foto: Rhawan Vital
Quem atravessa do Primeiro ao Segundo distrito, avista o imponente “Ponto Certo Agropecuária”, loja de agronegócio que há mais de dez anos dispõe de sementes, ferramentas, grãos e alimentos de diversos tipos, até maquinário pesado. Pedro Fernandes, de 30 anos, trabalha lá há dez meses e, pelo lugar estratégico em que a loja se coloca, sabe que a importância da ponte reflete no sucesso do estabelecimento e que, por ser logo em frente à uma das saídas, se coloca como uma opção mais fácil para quem procura esse tipo de mercado.
“A ponte, tanto para veículos, para pedestres e para o comércio, é muito importante. Quando a ponte fica interditada, atrapalha muito, mas o fluxo de pessoas aumentou nesse espaço depois da interdição da passarela”, diz Pedro
Cultura e Identidade sobre as águas
A passarela Joaquim Falcão Macedo, uma das primeiras na Região Norte a ser projetada exclusivamente para pedestres e ciclistas, convida a outro ritmo e se torna um local de passeios e encontros. Inaugurada em 2006, é uma ponte estaiada, ou seja, uma ponte de cabos. Com cerca de 200 metros de extensão, busca amenizar o conflito entre o tráfego pesado de carros e pedestres, e possibilitar ao cidadão o prazer de contemplar o rio.

Passarela Joaquim Falcão Macedo. Foto: Rhawan Vital
Porém, desde 2024, a Passarela está interditada e, por ser parte do espaço, o Mercado Velho também é afetado pela reforma, com tapumes de metal espalhados pela praça que chamam mais atenção do que o próprio rio.
“A passarela é muito importante. Vejo por aí jovens escrevendo, professoras que trazem alunos para conhecer e contemplar a região. É uma passagem livre. Ela atrai vida para nossas praças, para a encosta do rio. Agora nós não temos mais isso. Não pode ficar assim.” relata Francisco Marufo Lessa, dono da loja Ervas do Lessa há 40 anos.

Francisco Marufo Lessa, dono da loja Ervas. Foto: Rhawan Vital
Para além da sua importância comercial e social, uma ponte também compõe histórias individuais ao fazer parte do dia a dia de quem depende delas para locomoção. Maria Bárbara, de 18 anos, voluntária em uma associação que cuida de crianças (ASBVIN), fala que a ponte é justamente algo que facilita e oferece maior comodidade para o seu trajeto de casa para o trabalho. “Uma ponte facilita muito a vida. É, literalmente, cortar um caminho. Ajuda muito depois de um dia cansativo, já que não preciso mais andar tanto”, diz a voluntária.
Essas pontes apontam para um conjunto arquitetônico que compõe a história de Rio Branco e sua caminhada para uma capital cada vez mais moderna, que utiliza a engenharia para encurtar distâncias e criar espaços de convivência. Apesar disso, elas ainda carecem de segurança e maior comodidade para os transeuntes que podem ficar à mercê de assaltos, chuvas e sol. Seus vãos não sustentam apenas o peso de quem passa, mas sustentam a história de um povo que aprendeu a construir caminhos sobre os desafios vividos na Amazônia.
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