O Programa de Iniciativas de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal do Governo realiza programação em parceria com Ufac
Por Aldeir Oliveira e Miguel França
Estão abertas as inscrições para diversas palestras que fazem parte da programação do Mês do Meio Ambiente, todas online e com certificação. Esta é uma iniciativa do Programa REM, do Governo do Estado do Acre, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, que é comemorado no dia 05 de junho.
Imagem: Divulgação/Decom Seplag
Estão programadas quatro palestras para os dias 08 e 09, que acontecem em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac). Os links de acesso às palestras serão disponibilizados pela instituição para os participantes por e-mail após a realização das inscrições. A programação completa do Mês do Meio Ambiente pode ser visualizada por meio do link no site da Seplag:
“Inscrevam-se nas palestras, nós teremos aí palestrantes de primeira linha, pessoas que realmente podem fazer com que esses temas cheguem de uma forma mais simples e numa linguagem que seja acessível e reconhecida por todos. Será um momento de grandes aprendizados e de muitas surpresas”, convida a coordenadora-geral do Programa REM, Roseneide Sena.
De acordo com a diretoria do Programa REM, que atua dentro da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), as programações do Mês do Meio Ambiente fazem parte do acordo firmado entre o programa e o KfW. O acordo visa disseminar conhecimentos sobre o meio ambiente e sua preservação, bem como medidas públicas e empresariais para a redução de emissão de gases de efeito estufa, bem como a preservação ambiental em geral. Desta forma, com esta programação o programa pretende não só dar transparência a suas ações, como também educar os cidadãos sobre ações de preservação florestal.
Programação e palestras
Na quarta-feira, 08, a primeira palestra Pioneirismo do Acre em iniciativas de Serviços Ambientais e Mercado de Carbono: Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa) e Iniciativas em Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), será ministrada pela mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Mônica Julissa de Los Rios de Leal. Mônica Leal atua como coordenadora do Earth Innovation Institute, no Brasil.
Os interessados em participar desta palestra devem efetuar suas inscrições por meio do link https://forms.gle/Fdcn41MenMgHiHYA6, até o dia 07.
A segunda palestra do dia 08 será sobre Produtos e Serviços do Acre que promovem a Sustentabilidade Econômica e a Conservação da Biodiversidade. Será ministrada pela Economista formada pela Ufac, Tatiana Balzon, Diretora de Bioeconomia e Cadeias de Valor da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).
Os interessados em participar desta palestra devem efetuar suas inscrições por meio do link https://forms.gle/ZpN5e59vjqBbxHYu8, até o dia 07.
No segundo dia de palestras, o tema é Mercado de Crédito de Carbono e a Legislação de Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD). Será ministrada pelo advogado José Luiz Gondim dos Santos. Ele é presidente da Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais do Estado do Acre (CDSA) e é Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC, especialista em Direito Constitucional pela Universidade do Sul de Santa Catarina, e também possui especialização em Modelos de Gestão; em Ciência de Dados e Big Data Analytics; e em Economia Brasileira Contemporânea.
Os interessados em participar desta palestra devem efetuar suas inscrições por meio do link https://forms.gle/9GVMvjz8fcBc2U7a6, até o dia 08.
Por fim, teremos a palestra sobre o Pioneirismo no Acre em Agentes Agroflorestais Indígenas (AFFIS), Povos Indígenas no Programa REM no Acre. A palestra será ministrada pela Professora Francisca Arara. Francisca é do Povo Arara (Shawadawã) do Acre. Graduada em Licenciatura Indígena pela Ufac, atualmente é chefe de Departamento de Regulação no Instituto de Mudanças Climáticas do Acre (IMC) e presidente do Comitê Global e Regional para Parcerias com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da Força Tarefa dos Governadores.
Os interessados em participar desta palestra devem efetuar suas inscrições por meio do link https://forms.gle/W7BBjtGYQdZgwf3M9, até o dia 08.
“A sociedade, nossos servidores públicos, nossos agentes responsáveis pelas políticas de gestão climática do Estado, participem dessa atividade. Conheçam, sejam sabedores do que o Estado vem fazendo, porque é um trabalho de formiguinha, é um trabalho de bastidor, mas é um trabalho que ele vai refletir bastante nesta e nas próximas gerações”, afirma a coordenadora-geral da Unidade de Coordenação do Programa REM , Roseneide Sena.
Dia Mundial do Meio Ambiente
Durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo, em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, que passou a ser comemorado todo dia 05 de junho. A data foi escolhida para coincidir com a data de realização da conferência que tinha como objetivo chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais.
Em 2022, a Suécia foi palco da Conferência que aconteceu no domingo, 05. Na oportunidade foi celebrado o aniversário de 50 anos da primeira Conferência e também da criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Com o tema “Uma Só Terra”, o evento foi transmitido online e pode ser assistido no site oficial do evento, por meio do link: https://www.worldenvironmentday.global/latest/watch-live.
Quer saber mais sobre as iniciativas do Programa REM na preservação ambiental do Estado? Você pode ler o artigo da Diretora-Geral do Programa, Roseneide Sena, disponível na Agência de Noticias do Acre e acessível pelo link: https://agencia.ac.gov.br/o-acre-existe-mas-o-que-existe-no-acre-voce-tem-certeza-que-sabe/
Com 31% da população dependente de transporte público, mobilidade urbana expõe desafios em Rio Branco
Dados mostram crescimento do uso de motocicletas, aumento de acidentes e dificuldades enfrentadas por usuários do transporte público na capital acreana.
Mesmo sem registrar os congestionamentos típicos das grandes metrópoles brasileiras, Rio Branco enfrenta desafios significativos na mobilidade urbana. O modo como os moradores se deslocam pela cidade evidencia limitações no planejamento urbano e no sistema de transporte público, resultado de fatores como tempo de trajeto, segurança no trânsito e centralização de atividades econômicas.
Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que grande parte dos trabalhadores da capital acreana realiza deslocamentos relativamente curtos.
Em Rio Branco, cerca de 39% da população leva entre 15 e 30 minutos para chegar ao trabalho, enquanto aproximadamente 30% gastam entre 6 e 15 minutos no trajeto diário. Apesar disso, cerca de 21% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao trabalho, e uma pequena parcela chega a gastar até duas horas no deslocamento.
Os números mostram que, embora o tempo médio de deslocamento ainda seja inferior ao observado em grandes centros urbanos, existem sinais de desigualdade no acesso à mobilidade e desafios relacionados ao crescimento da cidade.
Outro dado relevante sobre o perfil da mobilidade na capital acreana foi apontado por pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC). O levantamento mostra que o transporte coletivo é o principal meio de deslocamento para cerca de 31,4% dos trabalhadores da cidade. Em seguida aparecem a motocicleta, utilizada por aproximadamente 16% da população, o carro próprio, com cerca de 8,5%, e a bicicleta, com aproximadamente 4,3%.
A predominância do transporte coletivo demonstra a importância desse serviço para a população. Ao mesmo tempo, a forte presença das motocicletas no cotidiano da cidade revela mudanças no padrão de mobilidade urbana, muitas vezes associadas à busca por alternativas mais rápidas diante das limitações do transporte público.
Usuários relatam atrasos e superlotação
Quem sente os impactos dessas limitações diariamente são os próprios usuários do sistema. Paulo Reis, que depende dos ônibus para se locomover pela cidade, relata as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
“Os ônibus demoram muito para passar e, quando chegam, estão superlotados. Muitas vezes, tenho que sair de casa duas horas antes do meu compromisso para não correr o risco de me atrasar. O transporte público precisa melhorar para que possamos ter mais dignidade no nosso dia a dia”, afirma.
Além das dificuldades relacionadas ao transporte coletivo, a mobilidade urbana também está diretamente ligada à segurança no trânsito. Dados do Ministério Público do Estado do Acre indicam que Rio Branco registrou 2.743 ocorrências de trânsito com vítimas em 2023, o que representa cerca de 69% de todos os casos registrados no estado.
O número de mortes também apresentou crescimento, passando de 39 em 2022 para 46 em 2023. No primeiro semestre de 2024, já haviam sido registradas 47 mortes no trânsito na capital acreana.
Esse cenário evidencia que a mobilidade urbana não envolve apenas o deslocamento das pessoas, mas também questões relacionadas à segurança viária, organização do tráfego e planejamento urbano.
Outro fator que influencia diretamente o deslocamento dos moradores é a concentração de atividades econômicas e serviços em determinadas áreas da cidade, especialmente na região central.
Esse padrão faz com que muitos trabalhadores precisem se deslocar diariamente para os mesmos pólos urbanos, aumentando a pressão sobre as principais vias e sobre o sistema de transporte coletivo.
Ao mesmo tempo, novas formas de deslocamento têm ganhado espaço em Rio Branco. O crescimento do uso de aplicativos de transporte e mototáxis tem alterado a dinâmica da mobilidade urbana, oferecendo alternativas ao transporte coletivo tradicional. Essas mudanças refletem transformações no comportamento dos usuários e na forma como a população se desloca pela cidade.
Discutir mobilidade urbana em Rio Branco, portanto, significa discutir o futuro da cidade. Investir em planejamento, infraestrutura e políticas públicas voltadas ao transporte e à acessibilidade é essencial para garantir deslocamentos mais eficientes, seguros e sustentáveis. Mais do que uma questão de trânsito, a mobilidade urbana está diretamente ligada à qualidade de vida da população e ao desenvolvimento social e econômico da capital acreana.
Por Beatriz Guedes, Islana Wiciuk, Lauana Brito e Laylanne Barros*
O projeto “Frente Animal” disponibiliza sete atendimentos veterinários e uma castração por semana para animais resgatados das ruas, oferecendo serviços gratuitos como consultas, exames e cirurgias. O cadastro é feito por formulário on-line e os atendimentos ocorrem na Clínica Veterinária da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.
A iniciativa é voltada para protetores que resgatam animais e não têm condições de arcar com os custos do tratamento. Entre os serviços oferecidos estão consultas clínicas, exames laboratoriais e exames de imagem, como ultrassonografia e radiografia, com laudo opcional ao custo de R$50. O programa também realiza cirurgias de tecidos moles e castrações.
Não há oferta de vacinas, medicamentos para levar para casa, testes de cinomose e parvovirose ou procedimentos ortopédicos. Caso o animal necessite permanecer internado, o tutor recebe encaminhamento para uma clínica particular e assume os custos. O projeto também não realiza resgates, sendo o tutor totalmente responsável pelo animal durante todo o processo. Os serviços são realizados por médicos veterinários contratados pela Ufac e também por alunos dos programas de aprimoramento e residência, sempre sob supervisão profissional.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h, mediante agendamento prévio. Após o preenchimento do formulário, o cadastro entra em fila de espera e o responsável é chamado conforme a ordem de inscrição e a gravidade do caso. A voluntária Isabella Macowski, que faz a ponte entre a comunidade e a clínica, alerta: “Em caso de desistência, é necessário avisar com antecedência, pois a ausência é contabilizada como uma vaga perdida”.
Para facilitar o acesso ao serviço, o programa também disponibiliza transporte para levar os animais até a clínica. A ambulância funciona às segundas e quintas-feiras e pode buscar o pet na residência do tutor. No entanto, o responsável deve acompanhar o animal durante todo o trajeto, segurá-lo e colocá-lo no veículo, já que a equipe não realiza resgates.
O atendimento contempla principalmente cães e gatos, mas também pode atender animais considerados não convencionais, como coelhos, jabutis e capivaras, ampliando o acesso ao cuidado veterinário para diferentes espécies resgatadas.
O médico veterinário Lucas Carvalho, que atua nos atendimentos, destaca que a iniciativa contribui para garantir diagnóstico e tratamento para animais que passam longos períodos sem qualquer tipo de cuidado. “A evolução da medicina, dos medicamentos e dos tratamentos faz com que os animais tenham uma expectativa de vida maior e também uma melhor qualidade de vida”, afirma.
Viver em Rio Branco, capital do Acre, envolve desafios que vão além da distância geográfica em relação aos grandes centros do país. O custo de vida elevado pressiona o orçamento das famílias e evidencia um descompasso entre renda média e despesas básicas. Alimentação, combustível, moradia e mercado de trabalho são fatores que ajudam a explicar o peso crescente no bolso da população.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal dos trabalhadores no Acre foi de aproximadamente R$2.563 em 2024. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mostra que o valor está R$662 abaixo da média nacional, estimada em R$3.225.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
Essa realidade é sentida diariamente pela população e aparece de forma direta no orçamento de trabalhadores, famílias e até estudantes.
“A gente sente no bolso todo mês. O salário praticamente acaba só com as contas básicas. Quando paga aluguel, energia e mercado, já sobra muito pouco para outras coisas”, afirma a auxiliar administrativa Maria das Dores Silva, moradora de Rio Branco.
Alimentação fora de casa
O custo das refeições também reflete esse cenário. Em restaurantes considerados de padrão médio ou elevado na capital acreana, o valor de uma refeição varia entre R$45 e R$100.
Embora os preços sejam menores do que os de outras capitais brasileiras, o impacto é proporcionalmente maior quando comparado à renda média do estado.
Combustíveis entre os mais caros do país
Outro fator que influencia diretamente o custo de vida é o preço dos combustíveis. A gasolina comercializada em Rio Branco figura entre as mais caras do país, reflexo das dificuldades logísticas da região Norte.
Atualmente, o litro é vendido em média entre R$6,69 e R$7,68, dependendo do posto e da localização. Em municípios do interior, especialmente durante o período do verão amazônico, o preço pode alcançar R$10 por litro.
Esse custo elevado impacta toda a cadeia de preços, desde o transporte individual até o valor final de alimentos, serviços e deslocamentos em comunidades mais isoladas.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
Aluguel compromete grande parte da renda
A moradia também representa uma parcela significativa das despesas. Em Rio Branco, o aluguel de um apartamento de um quarto varia entre R$700 e R$1.200, enquanto imóveis maiores podem alcançar R$2.000 ou R$2.500, dependendo da localização e da infraestrutura.
Em cidades como Florianópolis ou Santos, imóveis semelhantes podem custar entre R$1.800 e R$3.000. No entanto, nesses municípios a renda média da população é significativamente maior.Em Rio Branco, trabalhadores com rendimento mensal próximo de R$2.500 podem comprometer entre 30% e 50% da renda apenas com aluguel, o que limita o acesso a moradias próximas ao trabalho ou a áreas com melhor oferta de serviços públicos.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
Mercado de trabalho ainda apresenta desafios
O cenário econômico também é influenciado pelo mercado de trabalho. Dados do IBGE indicam que a taxa de desocupação no Acre variou entre 7,3% e 8,2% no primeiro semestre de 2025, o que representa cerca de 30 mil pessoas fora do mercado de trabalho.
Mesmo em períodos de leve redução da taxa de desemprego, a pesquisa aponta que os indicadores devem ser analisados em conjunto com outros fatores, como informalidade, renda média e oferta de empregos qualificados.
Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia
A dificuldade de conseguir emprego ou de encontrar trabalhos com melhor remuneração também afeta diretamente jovens que ainda estão em processo de formação.
“Não é só o custo de vida que pesa, é a dificuldade de encontrar um trabalho que pague melhor. Muita gente acaba aceitando o que aparece para conseguir se manter”, avalia a estudante de economia Carla Mendes, de 23 anos.
Para ela, enfrentar o alto custo de vida no estado depende de uma combinação de fatores, incluindo investimentos em infraestrutura logística, incentivo à produção regional e ampliação de oportunidades de trabalho e renda.
Enquanto essas medidas não avançam de forma consistente, o custo de vida segue sendo um dos principais desafios para quem vive na capital acreana.