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Exercícios ao ar livre: refúgios na pandemia

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A prática do Yoga ganhou muitos adeptos no Brasil. Foto: Reprodução/Yoga em Casa

Por Maria Fernanda Arival e Pedro Henrique Nobre

Não importa a idade, sexo ou peso, a prática de exercício físico é fundamental para o aumento da qualidade de vida de toda a população. Há vários tipos, para todos os gostos, desde os mais populares como natação, corrida e ciclismo, aos menos conhecidos como a yoga. Todos são igualmente saudáveis para o corpo humano.

Com o surgimento da pandemia em 2020, várias academias e espaços ao ar livre precisaram fechar temporariamente em decorrência das orientações dos órgãos locais, nacionais e internacionais de saúde. No entanto, diversas formas para se exercitar foram reinventadas durante o isolamento. Academias lançaram planos de vídeo-aulas com exercícios para serem realizados em casa, exercícios físicos foram realizados sem aglomerações, explorando mais locais abertos, e o brasileiro deu seu “jeitinho”. As pessoas descobriram várias formas de se exercitar respeitando as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

O ciclismo na pandemia

O grupo de ciclismo Pedal dos Perobas foi criado em julho de 2020, tem corridas semanalmente e hoje conta com mais de 40 participantes. Richard Brilhante, participante do grupo,  diz que o principal benefício foi a melhora na qualidade de vida. “Eu entendia que precisava praticar um esporte, mas não encontrava nenhuma modalidade que me identificasse. E no ciclismo eu me identifiquei”.

Além da melhora no condicionamento físico, ele contou que foi primordial no combate à ansiedade. “Eu tomava remédio, tinha problema de ansiedade e a prática de ciclismo ajudou a combater isso. Eu tirei até os remédios controlados, porque o ciclismo melhorou minha vida.” (nota do editor: só deixe de tomar remédios controlados com orientação e acompanhamento médico)

De Rio Branco a Bujari. Foto: Arquivo Pessoal/Richard Brilhante

Richard acredita que tende a aumentar a prática do ciclismo na capital e em todo o estado, no entanto, reclama da falta de iluminação, arborização e de sinalização na cidade. “Com o aumento da manutenção, vai ter um aumento considerável de ciclistas, não só praticando atividade esportiva nos finais de semana e folgas, mas também indo pro seu trabalho, indo para suas atividades, utilizando a sua bicicleta”

É preciso destacar que Rio Branco já foi considerada uma das capitais com mais ciclovias per capta do país. Mas, como relatado, as ciclovias precisam de manutenção regularmente. O clima tropical, somado com a poeira e pedregulhos, acaba deteriorando as vias.

De acordo com os dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, em 2020 o crescimento nas vendas de bicicletas teve, aproximadamente, 50% de aumento em relação ao ano de 2019, quando as práticas de exercícios físicos em lugares abertos não eram tão necessárias.

Foto: Arquivo Pessoal/Richard Brilhante

Para entender melhor os benefícios para corpo e mente que a atividade física traz, o Profissional de Educação Física José Elcivandro, formado pelo Centro Universitário Uninorte, fala sobre a prática. “Toda atividade física te proporciona saúde e qualidade de vida, traz benefícios, como a parte de fortalecimento tanto de quadríceps quanto panturrilha, sem falar do condicionamento físico. E, consequentemente, dá mais disposição para os afazeres do dia a dia”.

Segundo o profissional de educação física, a falta de exercício é um fator de risco pois, somado a uma alimentação não balanceada, traz aumento de peso e indisposição. E ainda pode ser agravante para o infarto, diabetes, doenças crônicas e aumento do colesterol.   A atividade física também ajuda a fortalecer a imunidade. “Um fator tão preocupante em tempos de pandemia! Por isso é recomendado fazer exercício regularmente, no mínimo por 30 minutos, moderando sempre com uma boa alimentação, se possível acompanhado de profissional de educação física e nutricionista”, explica.

Yoga: uma prática diária

No Brasil, a prática do yoga tem sido cada vez mais comum, principalmente pela busca em exercitar o corpo, alongar e relaxar. Mas o yoga vai além disso. Essa prática, de mais de cinco mil anos, possibilita uma reconexão com a verdadeira essência entre corpo, mente e espírito. 

De acordo com a jornalista e praticante Priscila Viudes, o yoga ajuda no autoconhecimento e uma consciência corporal que poucas atividades físicas oferecem, como o equilíbrio e a respiração. “Hoje em dia, com o estresse e com o corre-corre do dia a dia, a gente acaba não dando valor para a respiração, então, muitas vezes não respiramos da forma correta. O yoga traz a consciência corporal e o cuidado físico, mas de forma afetuosa, respeitando o corpo”.

Priscila dando aula de Yoga ao ar livre durante a pandemia de Covid-19. Foto: Arquivo pessoal/Priscila Viudes.

De acordo com dados de 2011 da Associação Brasileira de Yoga, a atividade é praticada por mais de 500 mil pessoas. “Eu comecei o yoga em 2017, faz cinco anos, porque eu queria ganhar flexibilidade, já que tinha começado a fazer tecido [acrobático]. Tentei uma aula de balé e vi que era muito complicado, então tentei o yoga e me apaixonei”, afirma a jornalista.

Priscila, que também é professora de yoga, explica que qualquer pessoa pode praticar, contanto que não tenha nenhuma limitação física causada por cirurgia, doença ou medicamento. Grávidas, pessoas com mais de 60 anos e crianças também podem praticar yoga, mas no caso das crianças, as aulas devem seguir uma lógica mais infantil.

“Não pretendia dar aula de yoga mas, quando surgiu o curso de formação de professores, eu fiz porque queria me aprofundar nas teorias do yoga, essa filosofia que a prática acompanha. No curso eu fiz amigas maravilhosas e acabei me contagiando com a energia delas, me empolguei para dar aula e aqui estou. É uma sensação muito boa poder conduzir uma prática que leva a uma certa prospecção nesses tempos em que somos tão bombardeados com informações”, conta Priscila.

Priscila e as alunas em uma variação da postura do gato, chamada catuspadasana. Foto: Arquivo Pessoal/Priscila Viudes.

O yoga apresenta diversos benefícios como diminuição do estresse e ansiedade; promove condicionamento físico; facilita o emagrecimento; alivia dores corporais; melhora o sono; e além disso, traz benefícios emocionais.

“Fui para o yoga procurando flexibilidade e encontrei muito mais como consciência corporal, concentração, trabalho de força, trabalho respiratório e trabalho mental. A gente acaba levando os ensinamentos do yoga para a vida, para além do tapete, de ter mais calma, respirar em momentos de crise e aceitar o que está acontecendo e não se deixar abalar”, ressalta a jornalista.

Redação

Corriqueiras

Quem faz turismo no Acre?

Guia revela diferenças entre visitantes de fora e acreanos que redescobrem o próprio estado

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Por Beatriz Ohrana e Rosely Cabral

Com um dos menores fluxos de visitantes do país em 2023, segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo e da Embratur, o Acre enfrenta o desafio de fortalecer sua presença no cenário turístico nacional e internacional. Diante desse cenário, guias e demais profissionais do setor buscam alternativas para inovar, diversificar as ofertas e manter a atividade em funcionamento. Nesse contexto, compreender o perfil de quem escolhe visitar o estado se torna uma etapa estratégica para orientar ações de reposicionamento e impulsionar o turismo local.

Segundo o guia de turismo Tássio Fúria, o perfil predominante dos turistas atendidos está entre 25 e 45 anos, faixa etária que concentra a maior parte do público. Além da idade, outro ponto também chama atenção: diferente do que se imagina, muitos visitantes chegam sozinhos. “Eu atendo bastante gente solo. Depois vêm casais, famílias e grupos de amigos, nessa ordem”, conta.

Guia de Turismo Tássio Fúria Foto: arquivo pessoal

O destaque vai para mulheres que viajam sozinhas, em busca de experiências mais seguras e planejadas. “Com a presença de um guia, muitas mulheres conseguem visitar lugares que sozinhas não iriam”, relata.

Os turistas que chegam ao Acre, geralmente, passam por Belém ou Manaus e vêm com expectativas ligadas à Amazônia: floresta, aldeias indígenas, rios e animais estão entre os principais atrativos.

“O que mais atrai esses turistas, primeiro, são as aldeias. As pessoas querem muito ter contato com as etnias; quanto mais cultural parecer, melhor para elas”, explica o guia.

Além disso, a natureza e a fauna despertam curiosidade. “Se a pessoa entra na floresta e consegue ver uma cobra, uma preguiça ou um boto na água, isso é satisfatório para elas”, comenta.

Os pratos típicos também fazem parte do roteiro dos visitantes. Eles não saem daqui sem experimentar tacacá, baixaria, peixe e suco de cupuaçu.

Turistas no mercado quebrando castanha  Foto: Tássio Fúria

O guia conta ainda que muitos turistas se surpreendem ao conhecer a cidade. Muitos chegam a acreditar que tudo é apenas floresta e se deparam com uma realidade diferente do que imaginavam.

“Se impressionam com o centro organizado, as distâncias curtas, o fato de em 15 minutos do hotel estarem dentro de uma área de floresta, como também de haver espaços de visitação gratuitos com guiamento, são pontos que chamam a atenção deles”, relata.

O turismo visto de dentro

Quem mora no estado costuma enxergar o turismo de forma diferente. Para muitos acreanos, os atrativos locais fazem parte do cotidiano e, por isso, acabam passando despercebidos ou sendo subestimados.

“O acreano é também um turista na própria terra. Ele desconhece as potencialidades do lugar onde vive e, muitas vezes, subestima o que tem aqui”, afirma Fúria.

Nesse contexto, o desafio é apresentar os mesmos destinos sob outra perspectiva. Assim, o acreano tende a buscar trilhas, atividades de aventura, roteiros alternativos, eventos culturais e experiências de lazer que ofereçam novidades dentro do que já é conhecido. Para estimular esse interesse, o guia afirma que cria propostas específicas voltadas ao público regional, explorando novas formas de vivenciar o estado.

“Entre os períodos de chegada de visitantes, eu fico inventando coisas para proporcionar lazer, entretenimento e conscientização para o público local”, relata.

Trilha na Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá  Foto: arquivo pessoal

Dessa forma, o turismo, para quem mora no Acre, deixa de ser apenas visita a pontos turísticos tradicionais e passa a ser uma forma de redescoberta do próprio território, revelando que o estado guarda experiências que nem sempre são percebidas por quem convive com elas todos os dias.

Em meio aos dados e números apresentados, permanece a pergunta: a escassez de turistas no Acre é resultado da falta de investimentos consistentes, de sua localização geográfica e das dificuldades de acesso, ou de um conjunto mais amplo de fatores que ainda precisam ser enfrentados?

A equipe do jornal A Catraia entrou em contato com a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo do Acre (Sete) para comentar os dados e esclarecer as estratégias adotadas pelo governo para ampliar o fluxo de visitantes no estado. Até o fechamento desta edição, no entanto, não houve retorno.

Redação

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Afluentes

Do Oriente Médio ao Acre: como o quibe foi adaptado à culinária local

Adaptado com ingredientes amazônicos, especialmente a macaxeira, o salgado de origem árabe atravessou culturas, ganhou identidade regional

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Por Ana Keli Flores e Raiça Sousa

Presente em padarias, feiras livres, lanchonetes, festas e até nas bicicletas de vendedores ambulantes que circulam com caixas térmicas pelas ruas de Rio Branco, o quibe se tornou parte do cotidiano alimentar no Acre. A versão mais emblemática dessa popularização é o quibe de macaxeira, adaptação regional que substitui o trigo pela raiz amazônica e consolidou o salgado como símbolo da identidade culinária local. 

Originalmente preparado na região do Levante, área que abrange países como Líbano e Síria, o quibe é feito com carne de cordeiro, trigo para quibe (bulgur), hortelã e especiarias, podendo ser assado ou frito. 

A receita chegou ao Brasil com imigrantes sírios e libaneses entre o fim do século XIX e o início do século XX e, ao longo do tempo, passou por adaptações conforme os ingredientes disponíveis e os hábitos alimentares locais.

No Acre, a transformação foi além da simples substituição de itens. Surgiram versões que dialogam diretamente com a cultura alimentar amazônica, como o quibe de arroz e, principalmente, o de macaxeira também conhecida como mandioca ou aipim. Ao trocar o trigo pela raiz ralada ou amassada, o salgado ganhou textura mais macia por dentro, crocante por fora e sabor mais suave, criando uma identidade profundamente regional.

Quibe de arroz, alternativa criativa e econômica, que reaproveita ingredientes do dia a dia sem perder sabor. Foto: arquivo pessoal

Segundo o historiador Francisco Bento da Silva, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), a culinária é uma das expressões mais visíveis da mistura cultural. “A comida muda tanto quanto as pessoas que migram”, afirma. 

Para ele, a presença da macaxeira na receita representa a incorporação de saberes indígenas e amazônicos a um prato de origem árabe. “Não é apenas uma troca de ingrediente; é um encontro de histórias.”

Além da base diferente, o quibe acreano apresenta temperos próprios, formatos variados e recheios adaptados ao gosto local, carne bem temperada, cheiro-verde e pimenta regional.

Em Rio Branco, o salgado é facilmente encontrado em padarias de bairro, mercados, lanchonetes e feiras populares. O preço varia conforme o tamanho e o ponto de venda, mas, em média, custa entre R$5 e R$10 a unidade. 

Em festas e encomendas, também aparece em versões menores, servidas como salgado de evento. Vendedores ambulantes ajudam a manter viva a tradição, levando o produto para diferentes bairros e reforçando sua presença na rotina urbana.

Nutrição e sabor

Do ponto de vista nutricional, a composição varia conforme a receita e o modo de preparo. De acordo com a nutricionista Flávia Dias, o quibe feito com trigo combina carboidrato complexo e proteína, oferecendo fibras, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Já a versão com macaxeira é fonte de energia e naturalmente sem glúten, podendo ser alternativa para pessoas com restrição ao trigo. 

Quibe de trigo, versão tradicional, preparada com trigo para quibe e temperos clássicos da gastronomia árabe. Foto: reprodução

As versões fritas concentram mais gordura e calorias, enquanto o quibe assado tende a ser mais equilibrado. A recomendação é priorizar carnes magras, incluir vegetais na massa e utilizar ervas frescas para agregar valor nutricional.

Quibe cru, preparação típica da culinária árabe, servida crua, com carne fresca, trigo hidratado e especiarias. Foto: reprodução

O quibe no Acre hoje supera a tradição original para abraçar a diversidade local. Com versões que utilizam trigo, arroz ou macaxeira, o salgado demonstra a capacidade de adaptação da gastronomia do estado. 

O prato deixou de ser apenas uma herança do Oriente Médio para se tornar um símbolo da identidade acreana, unindo o saber dos imigrantes aos ingredientes da floresta. Consolidado no cotidiano de Rio Branco, o quibe com sotaque amazônico segue em constante evolução, sem apagar as memórias que o trouxeram até aqui.

Redação

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Corriqueiras

Trilhas em alta no Acre reforçam a importância da ética, da segurança e do cuidado coletivo

Prática cresce no Acre e especialistas alertam que a maioria dos riscos em trilhas está ligada à falta de preparo e ao abandono de integrantes

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Por Ana Keli Flores e Raíça Sousa

A prática de trilhas tem ganhado cada vez mais espaço no Acre, impulsionada pelo interesse em atividades ao ar livre e pelo contato direto com a floresta amazônica. Em meio a esse crescimento, a ética da aventura baseada em segurança, preparo e responsabilidade coletiva torna-se fundamental para evitar riscos e garantir experiências positivas na natureza.

Trilhas são caminhos utilizados para caminhadas em ambientes naturais e têm origem muito antes do lazer. Povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais já utilizavam esses percursos como rotas de deslocamento e sobrevivência. Com o passar do tempo, especialmente a partir do século XX, a prática passou a ser associada ao ecoturismo e às atividades de aventura, sendo conhecida em outros países como hiking, caminhadas curtas feitas no mesmo dia, e trekking, percursos mais longos que envolvem pernoite.

No Brasil, as trilhas ganharam maior visibilidade a partir da criação de parques e unidades de conservação ambiental. No Acre, muitas rotas acompanham antigos caminhos da floresta e ainda apresentam grande potencial para o ecoturismo, como ocorre no Horto Florestal, em Rio Branco, onde trilhas são utilizadas tanto para lazer quanto para educação ambiental.

Segundo o guia de trilhas Tassio Fúria, o envolvimento com atividades ao ar livre começou ainda no ciclismo e foi se aprofundando ao longo dos anos. “Especificamente com trilhas, dá para dizer que comecei em 2018”, afirma. Para atuar profissionalmente, ele explica que é necessário realizar um curso técnico e estar registrado no Cadastro do Ministério do Turismo, o que permite atuar legalmente em segmentos como o ecoturismo.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

A segurança coletiva é um dos pontos centrais destacados pelo guia. De acordo com Tassio, abandonar um integrante durante a trilha é uma falha grave na condução da atividade. Ele explica que cabe ao guia organizar o grupo de acordo com a proposta do percurso, controlar o ritmo e garantir que todos permaneçam juntos do início ao fim.

O tema do abandono em trilhas chama atenção para os riscos da prática sem planejamento adequado. Em situações relatadas por praticantes, pessoas já foram deixadas para trás por não conseguirem acompanhar o ritmo do grupo, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, desorientação e exposição a animais silvestres, especialmente em áreas de floresta fechada.

A diretora-geral da TV5, Simone Oliveira, de 39 anos, pratica trilhas há cerca de três anos e relata que a experiência começou a partir de um convite para participar de uma competição. “Foi amor à primeira ida”, conta. Formada em Educação Física, ela passou a levar alunos de um projeto solidário para as trilhas como forma de incentivo à atividade física.

Simone Oliveira, trilheira. Foto: cedida

Entre as experiências mais marcantes, Simone destaca uma trilha em que acompanhou uma aluna que pesava 115 quilos. “Ela conseguiu concluir o percurso. Todos nós choramos na linha de chegada”, relembra. Para ela, a trilha é uma atividade que deve ser feita em grupo, como forma de incentivo e superação do sedentarismo.

A ética na aventura, segundo Simone, está diretamente ligada ao cuidado com o outro. “É não deixar o grupo para trás, ajudar nos obstáculos e cruzar a linha de chegada todos juntos”, afirma. Ela reforça que cada participante tem seu próprio ritmo e limitação, e que o apoio coletivo faz toda a diferença para a conclusão do percurso.

O preparo antes da trilha também é citado como essencial. Simone destaca o uso de blusa de manga, calça, calçado adequado e alimentação leve antes do início da atividade. Para quem está começando, o conselho é simples: “Vá com calma, tenha cautela e esteja sempre ao lado de alguém de confiança que já tenha experiência”.

Outro fator que interfere diretamente na segurança é o clima amazônico. Durante o período chuvoso, áreas alagadiças fazem com que animais busquem locais mais secos, aumentando a possibilidade de encontros com cobras, insetos e outros animais silvestres. Nessas condições, as atividades ao ar livre ficam mais limitadas e exigem ainda mais atenção.

A experiência de trilha no Horto Florestal, em Rio Branco, reforça o caráter educativo da atividade. Considerada de nível fácil, a trilha pode ser feita em poucos minutos, mas costuma se estender por mais tempo devido às paradas para orientações e explicações. Durante o percurso, o guia recomenda o uso de roupas coloridas para facilitar a visualização do grupo e alerta sobre cuidados básicos de segurança.

Guia de trilhas Tássio Fúria. Foto: Raíça Sousa

Além da segurança, a trilha se transforma em um espaço de aprendizado ambiental. Ao longo do trajeto, os participantes conhecem rios, aprendem sobre a extração da borracha das seringueiras e observam a fauna local, fortalecendo a relação de respeito com a floresta.

Mais do que uma atividade física, as trilhas no Acre mostram-se uma experiência de convivência e conscientização ambiental. Nesse contexto, a ética da aventura se consolida como um princípio essencial para que a prática aconteça de forma segura, responsável e sustentável.

Redação

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