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Bicicletas : alternativa sustentável e econômica para as capitais brasileiras

O uso de bicicletas seriam uma solução sustentável, saudável e prática para mobilidade urbana

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Rotatória da Avenida Ceará em horário de fluxo intenso de veículos. Foto: Prefeitura de Rio Branco/ Dircom

Por Jaqueline Brasil

No ano de 2020, o Instituto Clima e Sociedade (ICS) realizou um levantamento sobre a troca gradual dos veículos automotores, pelas famosas bikes. Na pesquisa, foi revelado que a cada 7 brasileiros 10 estariam a favor de trocar seus carros ou motos por bicicletas.

Segundo dados da Plataforma MobiliDADOS (ITDP Brasil), apontou um crescimento elevado no fluxo de veículos automotores individuais. A pesquisa levou em consideração os últimos 20 anos, a estimativa da plataforma é que existam cerca de 471 mil automóveis para cada mil habitantes, até o ano de 2020. O aumento acelerado cria impacto na população como um todo, mesmo aqueles que não utilizam veículos automotores privados, com esse aumento os congestionamentos serão frequentes.


Fonte: MobiliDados/ ITDP

Entre os desafios, podemos destacar a poluição urbana, aumento nos índices de acidente, poluição sonora, falta de pavimentação e manutenção das vias, além da falta de espaço para receber essa grande quantidade de veículos. À medida que a população cresce e se desenvolve, maior será esse fluxo rodoviário. Uma consequência disto, são os famosos horários de pico, as ruas, avenidas e rodovias ficam congestionadas facilmente, assim dificultando a vida dos usuários de transporte privado ou público.


Ciclovia do Parque Ipê. Foto : Jaqueline Brasil

Em 2022, nossa capital foi destaque por possuir uma extensão de 26,22 km cicloviários para 100 habitantes. No estado, a população rio-branquense utiliza bicicletas como meio de transporte para ir ao trabalho, para estudar, para fazer exercícios físicos ou somente passear. Além disso, os veículos motorizados possuem gastos mensais como combustível, seguros, manutenção e taxas. As bicicletas somente exigem gastos com alguns acessórios e manutenção eventuais, para vários, adquirir esse meio de locomoção foi a melhor coisa que fizeram, como é o caso do estudante e trabalhador, Ayron Freitas.

“Quando morava no São Francisco, tinha que acordar cedo, me arrumar e ir para parada. Esperava uma eternidade na parada, cansei de chegar atrasado no trabalho, ficava estressado cedo e a luta era a mesma para chegar na UFAC. Atualmente, eu estou morando perto da UFAC e do trabalho, então decidi comprar uma bike, e foi a melhor coisa que eu fiz, consigo até almoçar em casa e descansar na hora do almoço, antes era impossível, e economizo com passagem de ônibus “. comentou.

Os entregadores de delivery, que não possuíam motos e queriam trabalhar nessas plataformas de compras agora podem utilizar esse veículo para fazer entregas, e assim conseguem trabalhar.

Para Douglas Miranda, entregador da plataforma Ifood, essa abertura para bicicletas ajudou vários pais de família. ” Eu não tinha condições de possuir uma moto, e estava desempregado e com uma família para sustentar, quando me falaram que poderia fazer entregas com bicicletas fiquei muito feliz. É mais fácil um desempregado ter bicicleta em casa do que uma moto, fora que não pagamos gasolina, e acaba sendo lucro “, explicou.

Na nossa capital, a prefeitura vem realizando a recuperação das ciclovias, buscando melhorar o tráfego dos ciclistas e da população que faz uso de bicicletas. Já foram realizados trabalhos na Antônio da Rocha Viana, via Chico Mendes, trecho do Capitão Ciríaco até a rua Epaminondas Jácome, Avenida Ceará. Destacando, que essas obras vão além reformar ciclovias, é um trabalho de iluminação, pintura e sinalização melhorando para população que faz uso das vias com bicicletas ou a pé.

Recentemente, o governo anunciou que está preparando uma revitalização do Parque Ipê, a área é um ponto de lazer para as famílias acreanas. Estão nos planos, a ampliação e modernização da ciclovia, tendo no projeto a construção de uma praça de alimentação, academia, espaço infantil e contando com espaço para animais de estimação, quadras esportivas e aumento dos estacionamentos. Além de fazer manutenções nas ciclovias existentes no estado, para o uso da população.

Redação

Corriqueiras

Com 31% da população dependente de transporte público, mobilidade urbana expõe desafios em Rio Branco

Dados mostram crescimento do uso de motocicletas, aumento de acidentes e dificuldades enfrentadas por usuários do transporte público na capital acreana.

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Por Davi Mansour e Daniel Alysson 

Mesmo sem registrar os congestionamentos típicos das grandes metrópoles brasileiras, Rio Branco enfrenta desafios significativos na mobilidade urbana. O modo como os moradores se deslocam pela cidade evidencia limitações no planejamento urbano e no sistema de transporte público, resultado de fatores como tempo de trajeto, segurança no trânsito e centralização de atividades econômicas.

Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que grande parte dos trabalhadores da capital acreana realiza deslocamentos relativamente curtos. 

Em Rio Branco, cerca de 39% da população leva entre 15 e 30 minutos para chegar ao trabalho, enquanto aproximadamente 30% gastam entre 6 e 15 minutos no trajeto diário. Apesar disso, cerca de 21% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao trabalho, e uma pequena parcela chega a gastar até duas horas no deslocamento.

Os números mostram que, embora o tempo médio de deslocamento ainda seja inferior ao observado em grandes centros urbanos, existem sinais de desigualdade no acesso à mobilidade e desafios relacionados ao crescimento da cidade.

Outro dado relevante sobre o perfil da mobilidade na capital acreana foi apontado por pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC). O levantamento mostra que o transporte coletivo é o principal meio de deslocamento para cerca de 31,4% dos trabalhadores da cidade. Em seguida aparecem a motocicleta, utilizada por aproximadamente 16% da população, o carro próprio, com cerca de 8,5%, e a bicicleta, com aproximadamente 4,3%.

A predominância do transporte coletivo demonstra a importância desse serviço para a população. Ao mesmo tempo, a forte presença das motocicletas no cotidiano da cidade revela mudanças no padrão de mobilidade urbana, muitas vezes associadas à busca por alternativas mais rápidas diante das limitações do transporte público.

Usuários relatam atrasos e superlotação

Quem sente os impactos dessas limitações diariamente são os próprios usuários do sistema. Paulo Reis, que depende dos ônibus para se locomover pela cidade, relata as dificuldades enfrentadas no dia a dia.

“Os ônibus demoram muito para passar e, quando chegam, estão superlotados. Muitas vezes, tenho que sair de casa duas horas antes do meu compromisso para não correr o risco de me atrasar. O transporte público precisa melhorar para que possamos ter mais dignidade no nosso dia a dia”, afirma.

Além das dificuldades relacionadas ao transporte coletivo, a mobilidade urbana também está diretamente ligada à segurança no trânsito. Dados do Ministério Público do Estado do Acre indicam que Rio Branco registrou 2.743 ocorrências de trânsito com vítimas em 2023, o que representa cerca de 69% de todos os casos registrados no estado. 

O número de mortes também apresentou crescimento, passando de 39 em 2022 para 46 em 2023. No primeiro semestre de 2024, já haviam sido registradas 47 mortes no trânsito na capital acreana.

Esse cenário evidencia que a mobilidade urbana não envolve apenas o deslocamento das pessoas, mas também questões relacionadas à segurança viária, organização do tráfego e planejamento urbano.

Outro fator que influencia diretamente o deslocamento dos moradores é a concentração de atividades econômicas e serviços em determinadas áreas da cidade, especialmente na região central. 

Esse padrão faz com que muitos trabalhadores precisem se deslocar diariamente para os mesmos pólos urbanos, aumentando a pressão sobre as principais vias e sobre o sistema de transporte coletivo.

Ao mesmo tempo, novas formas de deslocamento têm ganhado espaço em Rio Branco. O crescimento do uso de aplicativos de transporte e mototáxis tem alterado a dinâmica da mobilidade urbana, oferecendo alternativas ao transporte coletivo tradicional. Essas mudanças refletem transformações no comportamento dos usuários e na forma como a população se desloca pela cidade.

Discutir mobilidade urbana em Rio Branco, portanto, significa discutir o futuro da cidade. Investir em planejamento, infraestrutura e políticas públicas voltadas ao transporte e à acessibilidade é essencial para garantir deslocamentos mais eficientes, seguros e sustentáveis. Mais do que uma questão de trânsito, a mobilidade urbana está diretamente ligada à qualidade de vida da população e ao desenvolvimento social e econômico da capital acreana.

Redação

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AMOR EM QUATRO PATAS

Projeto “Frente Animal” oferece atendimento veterinário gratuito para animais resgatados em Rio Branco

Iniciativa realiza consultas, exames e castrações na Clínica Veterinária da Ufac e já ajudou mais de 200 animais

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Por Beatriz Guedes, Islana Wiciuk, Lauana Brito e Laylanne Barros*

O projeto “Frente Animal” disponibiliza sete atendimentos veterinários e uma castração por semana para animais resgatados das ruas, oferecendo serviços gratuitos como consultas, exames e cirurgias. O cadastro é feito por formulário on-line e os atendimentos ocorrem na Clínica Veterinária da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.

A iniciativa é voltada para protetores que resgatam animais e não têm condições de arcar com os custos do tratamento. Entre os serviços oferecidos estão consultas clínicas, exames laboratoriais e exames de imagem, como ultrassonografia e radiografia, com laudo opcional ao custo de R$50. O programa também realiza cirurgias de tecidos moles e castrações.

Não há oferta de vacinas, medicamentos para levar para casa, testes de cinomose e parvovirose ou procedimentos ortopédicos. Caso o animal necessite permanecer internado, o tutor recebe encaminhamento para uma clínica particular e assume os custos. O projeto também não realiza resgates, sendo o tutor totalmente responsável pelo animal durante todo o processo. Os serviços são realizados por médicos veterinários contratados pela Ufac e também por alunos dos programas de aprimoramento e residência, sempre sob supervisão profissional.

O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h, mediante agendamento prévio. Após o preenchimento do formulário, o cadastro entra em fila de espera e o responsável é chamado conforme a ordem de inscrição e a gravidade do caso. A voluntária Isabella Macowski, que faz a ponte entre a comunidade e a clínica, alerta: “Em caso de desistência, é necessário avisar com antecedência, pois a ausência é contabilizada como uma vaga perdida”.

Para facilitar o acesso ao serviço, o programa também disponibiliza transporte para levar os animais até a clínica. A ambulância funciona às segundas e quintas-feiras e pode buscar o pet na residência do tutor. No entanto, o responsável deve acompanhar o animal durante todo o trajeto, segurá-lo e colocá-lo no veículo, já que a equipe não realiza resgates. 

O atendimento contempla principalmente cães e gatos, mas também pode atender animais considerados não convencionais, como coelhos, jabutis e capivaras, ampliando o acesso ao cuidado veterinário para diferentes espécies resgatadas. 

O médico veterinário Lucas Carvalho, que atua nos atendimentos, destaca que a iniciativa contribui para garantir diagnóstico e tratamento para animais que passam longos períodos sem qualquer tipo de cuidado. “A evolução da medicina, dos medicamentos e dos tratamentos faz com que os animais tenham uma expectativa de vida maior e também uma melhor qualidade de vida”, afirma.

Para ter acesso ao formulário, clique aqui.

*Matéria escrita sob orientação da professora Giselle Lucena, para a disciplina de Redação 1.

Redação

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Corriqueiras

Renda média de R$ 2,5 mil e gasolina acima de R$ 6,69: o peso do custo de vida em Rio Branco

Diferença entre renda e despesas expõe os desafios econômicos enfrentados pela população na capital acreana

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Por Rosely Cabral e Beatriz Ohrana

Viver em Rio Branco, capital do Acre, envolve desafios que vão além da distância geográfica em relação aos grandes centros do país. O custo de vida elevado pressiona o orçamento das famílias e evidencia um descompasso entre renda média e despesas básicas. Alimentação, combustível, moradia e mercado de trabalho são fatores que ajudam a explicar o peso crescente no bolso da população.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal dos trabalhadores no Acre foi de aproximadamente R$2.563 em 2024. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mostra que o valor está R$662 abaixo da média nacional, estimada em R$3.225.

Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia

Essa realidade é sentida diariamente pela população e aparece de forma direta no orçamento de trabalhadores, famílias e até estudantes.

“A gente sente no bolso todo mês. O salário praticamente acaba só com as contas básicas. Quando paga aluguel, energia e mercado, já sobra muito pouco para outras coisas”, afirma a auxiliar administrativa Maria das Dores Silva, moradora de Rio Branco.

Alimentação fora de casa

O custo das refeições também reflete esse cenário. Em restaurantes considerados de padrão médio ou elevado na capital acreana, o valor de uma refeição varia entre R$45 e R$100.

Embora os preços sejam menores do que os de outras capitais brasileiras, o impacto é proporcionalmente maior quando comparado à renda média do estado.

Combustíveis entre os mais caros do país

Outro fator que influencia diretamente o custo de vida é o preço dos combustíveis. A gasolina comercializada em Rio Branco figura entre as mais caras do país, reflexo das dificuldades logísticas da região Norte.

Atualmente, o litro é vendido em média entre R$6,69 e R$7,68, dependendo do posto e da localização. Em municípios do interior, especialmente durante o período do verão amazônico, o preço pode alcançar R$10 por litro.

Esse custo elevado impacta toda a cadeia de preços, desde o transporte individual até o valor final de alimentos, serviços e deslocamentos em comunidades mais isoladas.

Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia

Aluguel compromete grande parte da renda

A moradia também representa uma parcela significativa das despesas. Em Rio Branco, o aluguel de um apartamento de um quarto varia entre R$700 e R$1.200, enquanto imóveis maiores podem alcançar R$2.000 ou R$2.500, dependendo da localização e da infraestrutura.

Em cidades como Florianópolis ou Santos, imóveis semelhantes podem custar entre R$1.800 e R$3.000. No entanto, nesses municípios a renda média da população é significativamente maior.Em Rio Branco, trabalhadores com rendimento mensal próximo de R$2.500 podem comprometer entre 30% e 50% da renda apenas com aluguel, o que limita o acesso a moradias próximas ao trabalho ou a áreas com melhor oferta de serviços públicos.

Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia

Mercado de trabalho ainda apresenta desafios

O cenário econômico também é influenciado pelo mercado de trabalho. Dados do IBGE indicam que a taxa de desocupação no Acre variou entre 7,3% e 8,2% no primeiro semestre de 2025, o que representa cerca de 30 mil pessoas fora do mercado de trabalho.

Mesmo em períodos de leve redução da taxa de desemprego, a pesquisa aponta que os indicadores devem ser analisados em conjunto com outros fatores, como informalidade, renda média e oferta de empregos qualificados.

Fonte: IBGE/PNAD. Gráfico: Jornal A Catraia

A dificuldade de conseguir emprego ou de encontrar trabalhos com melhor remuneração também afeta diretamente jovens que ainda estão em processo de formação.

“Não é só o custo de vida que pesa, é a dificuldade de encontrar um trabalho que pague melhor. Muita gente acaba aceitando o que aparece para conseguir se manter”, avalia a estudante de economia Carla Mendes, de 23 anos.

Para ela, enfrentar o alto custo de vida no estado depende de uma combinação de fatores, incluindo investimentos em infraestrutura logística, incentivo à produção regional e ampliação de oportunidades de trabalho e renda.

Enquanto essas medidas não avançam de forma consistente, o custo de vida segue sendo um dos principais desafios para quem vive na capital acreana.

Redação

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