Setembro Verde: a decisão de doar órgãos transforma a dor da perda na esperança de um novo recomeço

Com mais de 94 acreanos na fila de espera, Setembro Verde reforça a importância da doação de órgãos e do diálogo em família para salvar vidas

Por Ariely Casas e Rian Pablo

Atualmente, mais de 45 mil pessoas aguardam por um transplante de órgão no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Apenas no Acre, mais 94 potenciais receptores estão na lista de espera gerenciada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Os números, divulgados pelo portal Brasil 61, evidenciam que a necessidade de novos doadores é um desafio compartilhado por todo o país, tornando crucial a conscientização da sociedade.

Com o objetivo de sensibilizar a população e marcar as ações do Setembro Verde, cujo ponto alto é o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, profissionais de saúde e pacientes transplantados reforçam que o ato de doar depende fundamentalmente de um passo simples: a comunicação entre familiares. No Brasil, a doação só é realizada após autorização expressa da família do doador falecido.

Histórias de recomeço

Para quem aguarda na fila, o transplante representa a única oportunidade de continuar vivendo. É o caso de Sayonara Filgueiras, de 35 anos, que passou por um transplante de fígado em 2023. Ela relata o impacto ao receber o diagnóstico e a reviravolta em sua trajetória.

“A parte de descobrir que eu precisaria de um transplante foi um choque, porque eu já vinha cuidando há quase dois anos até o doutor chegar para mim e dizer que eu entraria para a fila de transplante. Foi desesperador no momento, mas Deus foi misericordioso”, recorda Sayonara.

Sayonara depois do transplante. Foto: cedida

A data da cirurgia trouxe também uma coincidência carregada de simbolismo. “Três anos antes, no dia 18 de outubro, eu tinha perdido a minha mãe. E, exatamente no dia 18 de outubro, três anos depois, eu recebi uma nova chance de viver através do transplante. É uma data que carrega dois sentimentos muito fortes na minha vida: a saudade de quem eu perdi e a gratidão por ter recebido uma nova oportunidade de continuar vivendo”, relata.

Para Sayonara, a decisão tomada por uma família desconhecida foi o divisor de águas em sua história. “O que a doação significa para mim? Significa renascimento. Significa uma segunda chance. Porque, quando uma pessoa parte e sua família decide pela doação, ela não conhece quem vai receber. Mesmo assim, toma uma decisão de uma generosidade imensa, capaz de transformar completamente a vida de outra pessoa”, destaca.

A perspectiva médica e o cuidado com a vida

Para o médico cirurgião dr. Leonardo Toledo Mota, a decisão tomada pelos parentes no momento da perda é o elo que possibilita o milagre da vida para quem espera por um receptor.

Leonardo Toledo Moda após um transplante. Foto: cedida

“A atitude das famílias que doam é a verdadeira essência da bondade. Mesmo em um momento de profunda dor e despedida, eles transformaram a perda em esperança para outras pessoas que aguardam uma nova chance de viver”, afirma o médico.

Dr. Leonardo enfatiza que o procedimento vai além do ato cirúrgico: “A doação de órgãos é um gesto de solidariedade, amor e generosidade que pode salvar vidas e proporcionar um novo recomeço a pacientes que dependem de um transplante. Por isso, é fundamental conscientizar a população sobre a importância de conversar com a família e manifestar o desejo de ser doador, pois uma única decisão pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas”.

Acompanhando todo o processo ao lado das equipes de saúde na Fundhacre, a enfermeira Doriana Moreira destaca o valor do acolhimento humano em cada etapa da jornada.

Doriana Moreira Feliz em acompanhar várias histórias. Foto: Gleison Luz.

“Tenho a alegria de acompanhar cada trajetória dos pacientes, desde o início da sua jornada no programa de transplantes até esse momento tão especial. Tudo isso só foi possível graças ao ‘sim’ de uma família que, mesmo em meio à dor, escolheu doar órgãos e oferecer uma nova oportunidade de vida”, aponta Doriana.

A enfermeira conclui reforçando o apelo central da campanha do Setembro Verde: “Ver a emoção e a gratidão renova a nossa esperança. Por isso, deixamos um convite: converse com a sua família sobre a doação de órgãos. Um ‘sim’ pode salvar muitas vidas”.

Redação

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