{"id":7114,"date":"2026-10-28T23:53:46","date_gmt":"2026-10-29T04:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=7114"},"modified":"2026-10-28T23:53:49","modified_gmt":"2026-10-29T04:53:49","slug":"os-agentes-dos-grandes-espetaculos-partidarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=7114","title":{"rendered":"Os agentes dos grandes espet\u00e1culos partid\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Das bandeiradas nas ruas aos compartilhamentos nas redes sociais, por ideais ou por dinheiro, o cabo eleitoral continua sendo pe\u00e7a importante na milit\u00e2ncia para os candidatos\u00a0<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Matheus Miranda<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No passado, a pol\u00edtica se fazia quase que ao redor da mesa. Entre um churrasco, uma conversa, uma bebida e quase sempre em troca daquele singelo favor, os eleitores se aproximavam dos seus candidatos, enquanto os cabos eleitorais cumpriam a tarefa de reunir eleitorado e dar corpo \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Os currais eleitorais tornaram-se parte do imagin\u00e1rio pol\u00edtico acreano ao lado da famosa balsa de Manacapuru do advogado e jornalista Alo\u00edsio Macedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era uma pol\u00edtica de encontros e de rela\u00e7\u00f5es pessoais, mais acalorada. O cabo eleitoral j\u00e1 era um conhecido, um vizinho, o amigo que ocupava um lugar estrat\u00e9gico. N\u00e3o bastava ao candidato ter nome, discurso ou dinheiro para ser eleito: era preciso gente que enchesse e conhecesse a cidade, soubesse onde encontrar os eleitores e tivesse disposi\u00e7\u00e3o para transformar uma candidatura em um corpo control\u00e1vel. O cabo era, e continua sendo, uma esp\u00e9cie de extens\u00e3o inegoci\u00e1vel do candidato fora dos palanques.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo passou, a propaganda eleitoral ganhou novas regras e um algoritmo peculiar que misteriosamente define o que ser\u00e1 entregue ou n\u00e3o; a tecnologia mudou a maneira de fazer campanha. Os antigos santinhos dividem espa\u00e7o com v\u00eddeos de at\u00e9 30 segundos, as conversas de rua disputam aten\u00e7\u00e3o com os grupos de WhatsApp e os bandeira\u00e7os surgem a partir da milit\u00e2ncia digital, muitas das vezes. Mas, apesar de toda a moderniza\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a f\u00edsica continua sendo a maior prova do eleitorado. Afinal, por tr\u00e1s de uma publica\u00e7\u00e3o que viraliza ou de uma caminhada que toma as ruas, ainda existe algu\u00e9m encarregado de mobilizar pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Acre, onde a pol\u00edtica tamb\u00e9m se alimenta de hist\u00f3rias e contos, apelidos e personagens que sobrevivem \u00e0 passagem dos anos, os cabos eleitorais seguem compondo o cen\u00e1rio das elei\u00e7\u00f5es. Alguns trabalham por acreditarem em ideiais partid\u00e1rios; outros, enxergam no balan\u00e7o de bandeiras uma oportunidade de complementar a renda do m\u00eas. \u00c9 a diferen\u00e7a entre os que vestem a camisa do candidato com euforia e fervor e os que cumprem a jornada contando as horas para o fim da escala 6&#215;1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em comum, todos ajudam a dar forma \u00e0quilo que, visto de longe, parece ser apenas uma multid\u00e3o agitando bandeiras ao som de batidas gen\u00e9ricas de um estilo musical que fora das elei\u00e7\u00f5es tentam a todo custo criminalizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 justamente a\u00ed que reside a curiosidade dessa figura: o cabo eleitoral costuma aparecer muito durante a campanha e desaparecer quase por completo quando as urnas s\u00e3o fechadas. Por alguns meses, torna-se parte indispens\u00e1vel da paisagem pol\u00edtica; depois, volta \u00e0 rotina, enquanto os eleitos assumem seus mandatos e suas promessas desaparecem, na maior parte dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cada quatro anos, portanto, eles reaparecem \u201cdo nada\u201d, como diz o senso comum. Mas nunca estiveram exatamente ausentes. Nas terras onde comumente se diz n\u00e3o gostar de pol\u00edtica, eles permanecem \u00e0 espera de uma nova elei\u00e7\u00e3o e de uma nova bandeira. A campanha volta e com ela as profiss\u00f5es tempor\u00e1rias das ruas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Acre, pelo menos, a hist\u00f3ria dos cabos eleitorais mostra que certos personagens podem at\u00e9 mudar de roupa, de lado e de discurso, mas dificilmente deixam de fazer parte do grandioso espet\u00e1culo eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das bandeiradas nas ruas aos compartilhamentos nas redes sociais, por ideais ou por dinheiro, o cabo eleitoral continua sendo pe\u00e7a importante na milit\u00e2ncia para os candidatos\u00a0 Por Matheus Miranda No passado, a pol\u00edtica se fazia quase que ao redor da mesa. 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