{"id":7040,"date":"2026-10-02T08:28:54","date_gmt":"2026-10-02T13:28:54","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=7040"},"modified":"2026-10-02T08:51:49","modified_gmt":"2026-10-02T13:51:49","slug":"redes-sociais-nas-eleicoes-2026-inimiga-ou-amiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=7040","title":{"rendered":"Redes sociais nas elei\u00e7\u00f5es 2026: inimiga ou amiga ?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Por Aniely Cordeiro e Maria Eduarda Ruiz<\/strong><\/em><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">As redes sociais deixaram de ser meras plataformas de conviv\u00eancia digital para se tornarem a principal arena e o verdadeiro campo de batalha da pol\u00edtica contempor\u00e2nea. No Brasil, \u00e0s v\u00e9speras de mais uma elei\u00e7\u00e3o de grande relev\u00e2ncia nacional, a discuss\u00e3o sobre o impacto dessas redes ganha urg\u00eancia e profundidade: afinal, as plataformas digitais atuam como propulsoras da democracia ou como catalisadoras de polariza\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">A resposta a essa provoca\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume a um simples dualismo. Por um lado, as plataformas digitais democratizaram o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, permitindo que candidatos sem muito tempo de televis\u00e3o alcancem o eleitorado e possibilitando o contato direto entre a popula\u00e7\u00e3o e seus representantes. Por outro, a arquitetura dessas plataformas, desenhada para privilegiar o engajamento atrav\u00e9s da emo\u00e7\u00e3o e do conflito, acaba aprisionando o eleitor em &#8220;bolhas informacionais&#8221;, onde o que \u00e9 fato frequentemente perde espa\u00e7o para narrativas sensacionalistas.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">Diante da r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o do consumo de not\u00edcias nas m\u00eddias digitais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou as diretrizes para as elei\u00e7\u00f5es de 2026: liberou o uso de redes oficiais por candidatos, o impulsionamento pago identificado e o apoio espont\u00e2neo de eleitores, com restri\u00e7\u00e3o a servidores p\u00fablicos fora do expediente, como no Acre. E proibiu disparos em massa, uso de perfis empresariais, bases de dados sem consentimento, influenciadores pagos e novas postagens no dia da vota\u00e7\u00e3o; a regra veda ainda o uso de deepfakes e exige sinaliza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita em qualquer conte\u00fado gerado por Intelig\u00eancia Artificial.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">Apesar dessas regras estabelecidas pela Justi\u00e7a Eleitoral e do empenho das ag\u00eancias de checagem de fatos como o \u2018Fato ou Fake\u2019 da Globo, a fiscaliza\u00e7\u00e3o enfrenta o gargalo da escala. O volume de postagens, memes e v\u00eddeos produzidos e compartilhados diariamente por milh\u00f5es de usu\u00e1rios ultrapassa a capacidade de modera\u00e7\u00e3o em tempo real, gerando um desafio constante para a transpar\u00eancia eleitoral.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">Al\u00e9m disso, nosso pa\u00eds vive um momento muito delicado no Supremo Tribunal Federal (STF). Querendo ou n\u00e3o, h\u00e1 uma grande influ\u00eancia e disputa de narrativas nas plataformas digitais. Isso acaba ganhando for\u00e7a quando observamos no X (antigo Twitter), WhatsApp ou no Instagram formas de tentar moldar as opini\u00f5es das pessoas. Apesar de existirem regras e limites no uso das redes nas elei\u00e7\u00f5es, o que fazer quando as postagens feitas por usu\u00e1rios t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de desinformar o p\u00fablico? Talvez um dos maiores erros do pa\u00eds tenha sido n\u00e3o ter fortalecido a educa\u00e7\u00e3o digital da popula\u00e7\u00e3o, ou seja, o letramento digital. Isso n\u00e3o mudaria tudo, mas as informa\u00e7\u00f5es talvez fossem interpretadas e repassadas de outras formas.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">Esse cen\u00e1rio joga luz sobre o papel e a responsabilidade das grandes empresas propriet\u00e1rias dessas plataformas. As big techs n\u00e3o podem se esquivar da responsabilidade social e democr\u00e1tica, precisam atuar de forma rigorosa na remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados ilegais e aprimorar a transpar\u00eancia de seus algoritmos. A perman\u00eancia de perfis ou conte\u00fados falsos, sem contexto err\u00f4neos, especialmente quando afetam a integridade do processo eleitoral, pode gerar puni\u00e7\u00f5es financeiras e legais sobre as plataformas digitais.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">Apesar do debate sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o das redes sociais digitais no pa\u00eds, no fundo sabemos que as big techs s\u00e3o contr\u00e1rias porque possuem um sistema que lucra bastante com isso. Alguns pol\u00edticos argumentam que a regulamenta\u00e7\u00e3o seria uma &#8216;censura&#8217; sobre o que postam nas redes &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 verdade, pois essas leis existem em v\u00e1rios pa\u00edses com a inten\u00e7\u00e3o de proteger a popula\u00e7\u00e3o de crimes e abusos.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">Diante disso, percebemos que h\u00e1 um sistema que lucra e uma democracia que sofre. Quanto maior o tempo de perman\u00eancia das pessoas nas plataformas, mais alto \u00e9 o ganho das empresas, por isso o interesse em incentivar conte\u00fados que geram rea\u00e7\u00f5es como medo, raiva ou indigna\u00e7\u00e3o, que geram mais cliques, curtidas, coment\u00e1rios ou compartilhamentos. E atos violentos como o de 8 de janeiro de 2023 tendem a acontecer quando discursos antidemocr\u00e1ticos s\u00e3o fomentados nessas plataformas.<\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns alignfull are-vertically-aligned-bottom is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7387b849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left alignfull\">O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um bem inestim\u00e1vel e um direito fundamental para a nossa democracia. No entanto, em um cen\u00e1rio em que as redes sociais digitais moldam a percep\u00e7\u00e3o coletiva, a prote\u00e7\u00e3o desse direito exige mais do que a atua\u00e7\u00e3o \u2018punitiva\u2019 do Estado. Exige, sobretudo, o fortalecimento da educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Antes dela, por\u00e9m, necessitamos do letramento digital que \u00e9 uma quest\u00e3o estrutural que ainda precisa ser melhor debatida no Brasil para capacitar o cidad\u00e3o a atuar de forma cr\u00edtica e consciente antes, durante e depois das elei\u00e7\u00f5es.<\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Aniely Cordeiro e Maria Eduarda Ruiz As redes sociais deixaram de ser meras plataformas de conviv\u00eancia digital para se tornarem a principal arena e o verdadeiro campo de batalha da pol\u00edtica contempor\u00e2nea. 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