{"id":7031,"date":"2026-09-30T09:00:35","date_gmt":"2026-09-30T14:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=7031"},"modified":"2026-09-30T09:00:38","modified_gmt":"2026-09-30T14:00:38","slug":"um-seculo-de-historia-a-beira-do-barranco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=7031","title":{"rendered":"Um s\u00e9culo de hist\u00f3ria \u00e0 beira do barranco"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong><em>Interdi\u00e7\u00f5es e eros\u00f5es \u00e0s margens do Rio Acre revelam os desafios de preservar um patrim\u00f4nio cultural na capital acreana\u00a0<\/em><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Rosely Cabral e Beatriz Ohana\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Inaugurado em 15 de junho de 1929 sob a gest\u00e3o do governador Hugo Carneiro, o Novo Mercado Velho representa um marco hist\u00f3rico ao provar a viabilidade da alvenaria sobre o solo argiloso \u00e0s margens do Rio Acre. No entanto, quase um s\u00e9culo depois, o primeiro pr\u00e9dio de tijolos do estado enfrenta uma crise que amea\u00e7a n\u00e3o apenas sua estrutura, mas a pr\u00f3pria mem\u00f3ria da Amaz\u00f4nia urbana.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">As severas eros\u00f5es e desbarrancamentos na regi\u00e3o agravados pelas recorrentes enchentes resultaram na interdi\u00e7\u00e3o de trechos do cal\u00e7ad\u00e3o e da Passarela Joaquim Macedo. Alguns comerciantes locais sentem de perto o isolamento econ\u00f4mico e se preocupam com o cen\u00e1rio de apagamento cultural diante das dificuldades do poder p\u00fablico. \u201cO mercado parece que t\u00e1 morto\u2019\u2019, diz a comerciante do local, Aldione Lessa. Ela destaca a falta de manuten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio &#8211; com goteiras e pintura desgastada &#8211; como preju\u00edzos econ\u00f4micos e culturais. Afirma ainda que a obra de conten\u00e7\u00e3o assusta, pois j\u00e1 entrou novamente em eros\u00e3o.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Diante da grave situa\u00e7\u00e3o, como forma de serem ouvidos, os comerciantes da constru\u00e7\u00e3o&nbsp; tombada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia iniciaram um abaixo assinado na busca por serem atendidos pelo Governo do Estado.<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-14.jpeg?resize=960%2C540&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-7033\" style=\"aspect-ratio:1.775811209439528;width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-14.jpeg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-14.jpeg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-14.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-14.jpeg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-14.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Aldione Lessa, Comerciante da Casa Lessa. Foto: Rosely Cabral<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Com o isolamento provocado pelas interdi\u00e7\u00f5es decorrentes das eros\u00f5es, os permission\u00e1rios enfrentam uma severa crise financeira, com queda expressiva no faturamento e dificuldades para arcar com os custos operacionais b\u00e1sicos.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Isso afeta diretamente a sustentabilidade dos micro neg\u00f3cios familiares, gerando o risco de fechamento definitivo de pontos comerciais hist\u00f3ricos e a aus\u00eancia em um dos principais polos culturais de Rio Branco. O com\u00e9rcio local concentra a venda de produtos tradicionais da identidade acreana, como ervas medicinais, artesanato e a culin\u00e1ria regional, a exemplo da Baixaria.<\/h4>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Interdi\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia constante<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Caminhar pelas proximidades do Mercado Velho hoje \u00e9 testemunhar as rachaduras, fendas e desn\u00edveis que se espalham em toda a extens\u00e3o do cal\u00e7ad\u00e3o. A gravidade de uma instabilidade geol\u00f3gica parece ignorada pelas autoridades. Cada nova interdi\u00e7\u00e3o imposta pela Defesa Civil isola ainda mais o complexo, criando barreiras f\u00edsicas que impedem o fluxo de pedestres e prejudicam a economia e o turismo na capital.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sem um plano emergencial apresentado para a conten\u00e7\u00e3o das margens, a amea\u00e7a ao desbarrancamento avan\u00e7a a passos largos, deixando a comunidade em um estado de vig\u00edlia constante, sob o medo real de que o pr\u00f3ximo grande desabamento atinja a estrutura secular do pr\u00f3prio Mercado.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg?resize=960%2C540&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-7035\" style=\"aspect-ratio:1.775811209439528;width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg?resize=766%2C431&amp;ssl=1 766w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg?w=1170&amp;ssl=1 1170w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Antes da interdi\u00e7\u00e3o do cal\u00e7ad\u00e3o do Novo Mercado Velho, as rachaduras j\u00e1 indicavam a eros\u00e3o. Foto: Cedida<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A ge\u00f3loga da Secretaria de Estado de Obras P\u00fablicas (Seop) Patr\u00edcia Maia, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que \u201cos desbarrancamentos e movimentos de massa frequentes na regi\u00e3o resultam da eros\u00e3o fluvial natural e do escoamento das chuvas.\u201d Segundo ela, esse processo \u00e9 agravado pelo solo argilo-arenoso, pelo ciclo anual de cheias e secas dos rios, e pela&nbsp; remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa das margens e pela ocupa\u00e7\u00e3o de encostas, que s\u00e3o naturalmente inst\u00e1veis pelos seres humanos, muitas vezes em \u00e1reas de risco.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u201cEssas \u00e1reas s\u00e3o consideradas de risco porque apresentam caracter\u00edsticas naturais que favorecem a ocorr\u00eancia de deslizamentos, eros\u00f5es e desmoronamentos, especialmente durante per\u00edodos de chuvas intensas ou varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel dos rios\u201d. A ocupa\u00e7\u00e3o humana sem planejamento adequado, as chamadas \u201cinvas\u00f5es\u201d, podem aumentar a instabilidade do terreno, colocando em risco moradias, infra estruturas e a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, explica ge\u00f3loga.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"692\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg?resize=960%2C692&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-7034\" style=\"aspect-ratio:1.492537313432836;width:600px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg?resize=1024%2C738&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg?resize=768%2C553&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg?resize=300%2C216&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg?w=1284&amp;ssl=1 1284w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Patricia Maia, Geologa, Doutora em\u00a0 An\u00e1lise de Bacias e Faixas M\u00f3veis. Foto: Cedida<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Avaliando as causas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ao ser questionado sobre um plano de conting\u00eancia, as assessorias do Deracre e da Defesa Civil n\u00e3o se manifestaram at\u00e9 o fechamento desta reportagem. Em nota oficial no dia 07 de julho deste ano, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Acre (MPAC) anunciou que instaurou um inqu\u00e9rito civil para apurar as causas do desbarrancamento, a extens\u00e3o dos danos e os respons\u00e1veis pelas rachaduras e problemas estruturais registrados no cal\u00e7ad\u00e3o do Novo Mercado Velho.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Segundo o MPAC, caso sejam confirmados v\u00edcios na execu\u00e7\u00e3o da obra, falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o do poder p\u00fablico, os fatos podem configurar improbidade administrativa, al\u00e9m de gerar responsabilidades nas esferas civil e penal.&nbsp;<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interdi\u00e7\u00f5es e eros\u00f5es \u00e0s margens do Rio Acre revelam os desafios de preservar um patrim\u00f4nio cultural na capital acreana\u00a0 Por Rosely Cabral e Beatriz Ohana\u00a0 Inaugurado em 15 de junho de 1929 sob a gest\u00e3o do governador Hugo Carneiro, o Novo Mercado Velho representa um marco hist\u00f3rico ao provar a viabilidade da alvenaria sobre o<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":7032,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[6,1],"tags":[40,8],"coauthors":[136],"class_list":["post-7031","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","category-ultimas-noticias","tag-acre","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-13.jpeg?fit=739%2C415&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7031"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7031\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7036,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7031\/revisions\/7036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7032"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7031"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=7031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}