{"id":6985,"date":"2026-09-28T10:48:09","date_gmt":"2026-09-28T15:48:09","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6985"},"modified":"2026-09-28T10:48:50","modified_gmt":"2026-09-28T15:48:50","slug":"por-que-imprimir-uma-foto-se-tornou-a-melhor-forma-de-nao-esquecer-o-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6985","title":{"rendered":"Por que imprimir uma foto se tornou a melhor forma de n\u00e3o esquecer o passado?"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>Em meio ao excesso de imagens, fotografia impressa resgata o valor das lembran\u00e7as<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Victor Hugo Santos e Isabelle Magalh\u00e3es<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Vivemos a era&nbsp; digital, onde tudo precisa ser registrado, basta tirar o celular do bolso para capturar dezenas de imagens em quest\u00e3o de segundos. No entanto, o que deveria ser a garantia de que n\u00e3o esquecer\u00edamos o passado tornou-se, muitas vezes, um ac\u00famulo de milhares de fotos que perdem seu significado, esquecidas no armazenamento do smartphone ou nas redes sociais. Por\u00e9m, e indo na contram\u00e3o dessa satura\u00e7\u00e3o que o movimento do resgate da fotografia impressa ganha for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para muitas pessoas, revelar uma foto deixou de ser apenas uma forma de guardar uma imagem e passou a representar uma escolha afetiva.&nbsp; Essa necessidade de materializar a mem\u00f3ria \u00e9 o que motiva a estudante de administra\u00e7\u00e3o Rafaela Souza. Para ela, a diferen\u00e7a entre a tela e o papel dita o valor daquele momento, servindo como uma ponte direta para a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;Eu vejo minha vida nesses momentos. N\u00e3o tenho nada contra as fotos por telefone, jamais. Mas quando eu tiro um tempo, pego em um \u00e1lbum e vejo fotos da minha av\u00f3, da minha irm\u00e3 que j\u00e1 faleceu, eu estou viajando naqueles momentos, entende? Eu penso: poxa, que dia incr\u00edvel. \u00c0s vezes eu vou a momentos em que eu nem existia, mas vejo que existe uma vida, que existe amor, carinho e que, por causa de tudo aquilo, hoje eu estou aqui. \u00c9 essa a sensa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Longe de ser apenas uma nostalgia passageira, esse fen\u00f4meno \u00e9 sustentado por n\u00fameros de mercado. Gigantes da ind\u00fastria da imagem, como a Fujifilm, viram sua linha de c\u00e2meras instant\u00e2neas e produtos anal\u00f3gicos se tornarem fen\u00f4menos mundiais de vendas na \u00faltima d\u00e9cada. O movimento revela que a impress\u00e3o n\u00e3o tornou-se obsoleta, pelo contr\u00e1rio, ganhou novo status diante de um p\u00fablico que busca ir al\u00e9m das telas digitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para Rafaela, o crit\u00e9rio para tirar uma imagem da galeria e pass\u00e1-la para o papel \u00e9 o desejo de proximidade no cotidiano. &#8220;Eu amei tanto esse momento, as pessoas que est\u00e3o comigo, ou aquilo que eu estava fazendo, que eu quero que aquilo esteja sempre presente comigo, seja na capinha do meu celular ou em um porta-retrato do lado da cama. Eu quero que aquela mem\u00f3ria componha o meu dia&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Valoriza\u00e7\u00e3o emocional no toque<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A sensa\u00e7\u00e3o descrita por Rafaela atinge diretamente o que pesquisas sobre cogni\u00e7\u00e3o chamam de psicologia da tangibilidade. Estudos mostram que o ato f\u00edsico de tocar e segurar um objeto gera o efeito de propriedade psicol\u00f3gica, acionando redes neurais de pertencimento e valoriza\u00e7\u00e3o emocional muito mais profundas do que a simples observa\u00e7\u00e3o de uma tela bidimensional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mais do que um objeto decorativo, a fotografia impressa pode mudar a forma como uma pessoa se relaciona com determinada lembran\u00e7a. Para a psic\u00f3loga cl\u00ednica Maynara Valieri, o contato f\u00edsico com a fotografia contribui para tornar aquele momento mais presente no cotidiano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;Vivemos em uma \u00e9poca em que vemos milhares de imagens todos os dias. Passamos por elas, na maioria das vezes, rapidamente, quase sem perceber, devido aos in\u00fameros est\u00edmulos. Uma foto impressa faz o oposto: ela nos convida a parar&#8221;, analisa a psic\u00f3loga. &#8220;Quando seguramos uma fotografia nas m\u00e3os, muitas vezes n\u00e3o estamos olhando apenas para uma imagem, estamos reencontrando um momento da nossa vida. Quem \u00e9ramos naquela \u00e9poca, quem estava ao nosso lado e como nos sent\u00edamos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Maynara ressalta que o ato de imprimir \u00e9, em si, uma declara\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia que ajuda a integrar a mem\u00f3ria \u00e0 narrativa pessoal. &#8220;As fotografias guardam muito mais do que rostos. Elas preservam v\u00ednculos, momentos de pertencimento, de despedidas, reencontros e experi\u00eancias que ajudaram a construir nossa identidade. Na psicologia, entendemos que nossa sa\u00fade emocional tamb\u00e9m depende de conseguirmos dar sentido \u00e0 nossa hist\u00f3ria&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Mercado de imagens<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O resgate da fotografia f\u00edsica tamb\u00e9m abriu espa\u00e7o para novas formas de empreendedorismo em Rio Branco. Hoje o mercado se reinventa no ambiente digital para entregar afeto no mundo f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"766\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?resize=960%2C766&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6993\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?resize=1024%2C817&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?resize=300%2C239&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?resize=768%2C612&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?resize=1536%2C1225&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-6.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Fotografias no estilo Polaroid ganham espa\u00e7o entre consumidores de Rio Branco. Foto: Victor Santos.\u00a0<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Pequenas lojas virtuais e iniciativas locais surgem como uma conex\u00e3o entre as galerias lotadas do celular e a materialidade do papel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u00c9 o caso da Singulari, loja virtual \u00e9 comandada pela policial e empreendedora Vanessa Silva Soares, que atua no neg\u00f3cio h\u00e1 sete anos. Apostando em formatos est\u00e9ticos, como fotos impressas no estilo Polaroid, o neg\u00f3cio atende majoritariamente mulheres entre 25 e 40 anos. A empreendedora observa de perto o contraste entre o ac\u00famulo digital e o valor do f\u00edsico em sua clientela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;Hoje, \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil fazer um clique, que acabamos acumulando milhares de fotos no celular, muitas delas esquecidas. A gente registra tudo, mas quase nunca imprime, e tamb\u00e9m nunca volta para ver&#8221;, reflete Vanessa. &#8220;Talvez seja por isso que uma foto no papel emociona tanto. Ela sai da tela e ganha um lugar na nossa vida. Pode ser colocada na geladeira, dentro de um \u00e1lbum ou na mesa de cabeceira. Ela pode ser tocada, presenteada e compartilhada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=960%2C640&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6995\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=330%2C220&amp;ssl=1 330w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=420%2C280&amp;ssl=1 420w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?resize=510%2C340&amp;ssl=1 510w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-6.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A fotografia impressa ganha espa\u00e7o no dia a dia. Foto: Victor Santos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">No fim, a fotografia impressa prova que a inova\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 facilitar o registro, mas a necessidade humana de tocar e sentir a pr\u00f3pria hist\u00f3ria continua imune ao tempo. Em uma sociedade que consome imagens de forma descart\u00e1vel, escolher imprimir uma foto \u00e9 declarar que aquele momento merece ser lembrado de verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao excesso de imagens, fotografia impressa resgata o valor das lembran\u00e7as Por Victor Hugo Santos e Isabelle Magalh\u00e3es Vivemos a era&nbsp; digital, onde tudo precisa ser registrado, basta tirar o celular do bolso para capturar dezenas de imagens em quest\u00e3o de segundos. 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