{"id":6958,"date":"2026-09-23T09:31:43","date_gmt":"2026-09-23T14:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6958"},"modified":"2026-09-23T09:31:45","modified_gmt":"2026-09-23T14:31:45","slug":"por-tras-das-garrafas-termicas-conheca-as-historias-dos-cafes-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6958","title":{"rendered":"Por tr\u00e1s das garrafas t\u00e9rmicas: conhe\u00e7a as hist\u00f3rias dos caf\u00e9s de rua"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>Bancas alimentam trabalhadores, geram o sustento de fam\u00edlias e boas amizades<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Beatriz Ohana e Rosely Cabral<br><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Todos os dias, antes mesmo do nascer do sol, as cal\u00e7adas de Rio Branco est\u00e3o movimentadas. As pequenas bancas de caf\u00e9 da manh\u00e3 fazem parte da rotina de quem sai cedo para trabalhar, estudar ou simplesmente procura uma refei\u00e7\u00e3o antes de come\u00e7ar o dia. Por tr\u00e1s de garrafas t\u00e9rmicas, p\u00e3es e bolos, est\u00e3o hist\u00f3rias de pessoas que encontraram nesse lugar uma alternativa para a busca por autonomia financeira e o sustento do lar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">No dia 3 de setembro de 2019, nasceu o Caf\u00e9 da Rotat\u00f3ria, quando Marilene Gomes do Nascimento decidiu abrir sua pr\u00f3pria banca na rua. Ex-cozinheira, ela enfrentava uma rotina de trabalho que a mantinha fora de casa, muitas vezes das 5h \u00e0s 17h. M\u00e3e solo de quatro filhos, o custo de pagar algu\u00e9m para cuidar das crian\u00e7as no per\u00edodo de trabalho inviabilizava seu or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;A vontade de trabalhar e ser independente veio porque eu sou m\u00e3e solo, crio meus filhos sozinha. Em 2019, eles eram muito pequenos. Para trabalhar para os outros, eu tinha que pagar algu\u00e9m para ficar com eles. A ideia surgiu porque eu queria ter mais tempo com eles\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A banca funciona de segunda a s\u00e1bado, das 6h40 \u00e0s 10h30, na rotat\u00f3ria da entrada do bairro Habitasa. No card\u00e1pio, a comerciante oferece itens tradicionais da culin\u00e1ria local como baixaria, tapioca, misto-quente, sandu\u00edche natural, banana frita, bolo de macaxeira, bolo de milho e p\u00e3o de milho no leite da castanha e outras op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-5.jpg?resize=768%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6963\" style=\"width:374px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-5.jpg?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-5.jpg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-5.jpg?resize=1152%2C1536&amp;ssl=1 1152w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-5.jpg?w=1536&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Do tradicional ao regional. Foto: Beatriz Ohrana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O neg\u00f3cio tornou-se a \u00fanica fonte de renda da casa e paga a faculdade de Medicina do filho mais velho, que cursa a gradua\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia. No dia a dia, Marilene conta com a ajuda dos filhos. Andr\u00e9 Nascimento, um dos filhos que a auxilia diariamente, recorda com carinho o in\u00edcio dif\u00edcil e a evolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;No come\u00e7o era meio chato, a gente trazia tudo a p\u00e9. N\u00e3o tinha a estrutura de hoje, o carrinho que a gente chama de &#8216;tanque de guerra&#8217;. Eu n\u00e3o tinha for\u00e7a para carregar as coisas. Fui crescendo, ganhando for\u00e7a e tamo a\u00ed at\u00e9 hoje. \u00c9 gratificante ver o crescimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A perman\u00eancia no mesmo ponto ao longo de quase sete anos criou uma clientela fixa, tanto para quem come no local, quanto para quem pede para entrega. Marilene compartilha sua rela\u00e7\u00e3o com T\u00e2nia, uma cliente que virou amiga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cEla frequenta aqui diariamente, me auxilia no atendimento, recebe pagamento e entrega o pedido pronto pros outros clientes durante os hor\u00e1rios mais movimentados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">No bairro pr\u00f3ximo dali, a hist\u00f3ria aconteceu no Caf\u00e9 da Rosinha. H\u00e1 quase seis anos, Rosa de Arag\u00e3o vivia o des\u00e2nimo de um emprego em uma cl\u00ednica particular e a incerteza de ver o marido afastado do trabalho por conta de um acidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Sem saber por onde come\u00e7ar, mas com a convic\u00e7\u00e3o de que o caf\u00e9 da manh\u00e3 era a refei\u00e7\u00e3o mais importante do dia, Rosa fez uma ora\u00e7\u00e3o \u00e0 noite. No dia seguinte, a ideia estava clara. Com a caracoragem e um or\u00e7amento extremamente enxuto, ela deu o primeiro passo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;Na \u00e9poca, eu tinha 700 reais e um sonho. Fui num ponto onde j\u00e1 tinha visto outra mo\u00e7a trabalhar, perguntei se estava vago e montei. Hoje, olhando para tr\u00e1s, foi a melhor escolha que fiz\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"541\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?resize=960%2C541&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6960\" style=\"width:514px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?resize=1024%2C577&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?resize=1536%2C865&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-5.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Rosinha e seu marido Alexandre s\u00e3o felizes com a banca de caf\u00e9. Foto: Beatriz Ohrana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Hoje, a banca \u00e9 a \u00fanica fonte de renda da fam\u00edlia, operada por ela e pelo marido das 5h \u00e0s 10h, na rua Quintino Bocai\u00fava, no bairro Bosque. Apesar dos altos custos de aluguel na regi\u00e3o impedirem momentaneamente a transi\u00e7\u00e3o para um ponto comercial fixo, Rosinha expandiu sua atua\u00e7\u00e3o, faz entregas em bairros distantes e aceita encomendas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">No card\u00e1pio, o grande diferencial \u00e9 o X-Caboquinho, um sandu\u00edche tradicional amazonense \u00e0 base de tucum\u00e3 e queijo coalho, uma raridade na capital acreana que conquistou o paladar local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"708\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-3.jpg?resize=708%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6959\" style=\"aspect-ratio:0.6914205070806365;width:428px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-3.jpg?resize=708%2C1024&amp;ssl=1 708w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-3.jpg?resize=207%2C300&amp;ssl=1 207w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-3.jpg?resize=768%2C1111&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-3.jpg?resize=1062%2C1536&amp;ssl=1 1062w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-3.jpg?w=1179&amp;ssl=1 1179w\" sizes=\"(max-width: 708px) 100vw, 708px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Diversas op\u00e7\u00f5es para o caf\u00e9 da manh\u00e3. Foto: Beatriz Ohrana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mas o que realmente segura os clientes, al\u00e9m do sabor da comida, \u00e9 o calor humano. Samara Machado, cliente ass\u00eddua, resume o sentimento de quem para na banca da Rosinha logo cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">&#8220;Conheci por acaso, passando na rua. Hoje, praticamente todos os dias estou aqui. Conforme voc\u00ea vai vindo, cria um v\u00ednculo de afeto muito bonito. A Rosinha e o Alexandre viraram meus amigos de sair. S\u00e3o anjos de Deus. O dia que n\u00e3o venho, sinto falta; no outro j\u00e1 t\u00f4 aqui pra gente se abra\u00e7ar, comer e conversar\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=960%2C720&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6962\" style=\"width:486px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=640%2C480&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?resize=1000%2C750&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4-2.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Amizades que nascem do encontro di\u00e1rio. Foto: Beatriz Ohrana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Entre o aroma do caf\u00e9 fresco e os salgados t\u00edpicos, as bancas de rua v\u00e3o al\u00e9m de alimentar quem tem pressa para come\u00e7ar a jornada. Elas garantem renda e transformam caminhos para tantas fam\u00edlias de Rio Branco, cultivando al\u00e9m de clientes, amigos. Por tr\u00e1s de cada garrafa t\u00e9rmica, resiste a for\u00e7a de trabalhadores que acolhem cidad\u00e3os logo cedo com afeto e sabor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bancas alimentam trabalhadores, geram o sustento de fam\u00edlias e boas amizades Por Beatriz Ohana e Rosely Cabral Todos os dias, antes mesmo do nascer do sol, as cal\u00e7adas de Rio Branco est\u00e3o movimentadas. 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