{"id":6933,"date":"2026-09-16T10:46:35","date_gmt":"2026-09-16T15:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6933"},"modified":"2026-09-16T10:47:10","modified_gmt":"2026-09-16T15:47:10","slug":"pertencer-para-proteger-a-juventude-amazonida-reflete-sobre-caminhos-possiveis-para-viver-no-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6933","title":{"rendered":"Pertencer para proteger: A juventude amaz\u00f4nida reflete sobre caminhos poss\u00edveis para viver no Acre"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>Na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Jovens do Futuro, o legado de Chico Mendes se encontra com os sonhos de uma nova gera\u00e7\u00e3o para pensar territ\u00f3rio, clima e cultura<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Jo\u00e1s Linhares<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">H\u00e1 sonhos que n\u00e3o terminam quando quem os sonhou parte. Alguns atravessam o tempo, encontram novos rostos e continuam sendo constru\u00eddos por outras pessoas que resolveram escutar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u00c9 assim que o legado de Chico Mendes chega \u00e0 juventude acreana. Sete edi\u00e7\u00f5es depois de nascer em meio \u00e0 pandemia, o Festival Jovens do Futuro continua reunindo quem vive a Amaz\u00f4nia e acredita que pensar o futuro da regi\u00e3o tamb\u00e9m exige lembrar de quem lutou para que ela pudesse existir e resistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Nos dias 5 e 6 de setembro, em Rio Branco, jovens, artistas, comunicadores, ativistas e lideran\u00e7as se encontraram para a s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do festival, promovido pelo Comit\u00ea Chico Mendes e pelo Movimento Jovens do Futuro. Neste ano, o convite \u00e9 tamb\u00e9m um chamado: \u201cPertencer para Proteger\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A escolha do tema nasceu de uma oficina realizada pela organiza\u00e7\u00e3o, a partir de uma reflex\u00e3o sobre as edi\u00e7\u00f5es anteriores e, principalmente, sobre aquilo que o festival precisava dizer em um ano considerado decisivo para a juventude e para a Amaz\u00f4nia. Foi nas conversas entre os integrantes do movimento que uma ideia ganhou for\u00e7a: antes de proteger um territ\u00f3rio, \u00e9 preciso reconhec\u00ea-lo como parte importante de si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cDe todas as conversas, a gente percebeu que precisamos falar de pertencimento porque a gente s\u00f3 protege aquilo que ama, que sente que faz parte\u201d, explica Huana Anast\u00e1cio, diretora de comunidades do Comit\u00ea Chico Mendes e uma das apresentadoras do festival.\u201cEssa terra \u00e9 nossa, somos parte da floresta e ela \u00e9 nossa casa. A gente precisa proteger o nosso lar\u201d, afirma. E uma pergunta que atravessa o festival: que futuro existe para quem quer continuar vivendo no pr\u00f3prio territ\u00f3rio?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Pertencer tamb\u00e9m \u00e9 poder ficar<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Se pertencer a um territ\u00f3rio envolve reconhec\u00ea-lo como casa, a possibilidade de permanecer nele tamb\u00e9m depende das condi\u00e7\u00f5es encontradas para construir uma carreira e uma vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse ponto que a pesquisa \u201cJuventudes, Clima e Economia\u201d, desenvolvida pelo n\u00facleo de pesquisas do Comit\u00ea Chico Mendes, encontra o tema desta edi\u00e7\u00e3o do festival.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o surgiu de uma inquieta\u00e7\u00e3o observada entre jovens acreanos: o desejo de deixar o estado diante da dificuldade de encontrar oportunidades de emprego, forma\u00e7\u00e3o e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Segundo Gleiciane Pismel, coordenadora de pesquisas do Comit\u00ea, a equipe buscou compreender melhor esses desafios e investigar o conhecimento e o interesse da juventude por economias de baixo carbono, al\u00e9m de perceber se esses setores poderiam representar novas possibilidades de trabalho no Acre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Um dos principais resultados acabou confirmando uma hip\u00f3tese que j\u00e1 vinha sendo percebida pela equipe do Comit\u00ea: a falta de oportunidades aparece como um dos grandes obst\u00e1culos para a juventude. \u201cEsse grande desafio da juventude \u00e9 a falta de oportunidades, tanto de empregos quanto de estudo\u201d, explica Gleiciane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A crise clim\u00e1tica tamb\u00e9m aparece nesse cen\u00e1rio. De acordo com a pesquisa, seus efeitos j\u00e1 interferem na situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos jovens e s\u00e3o percebidos por parte deles como um fator que contribui para o aumento do custo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, os dados revelam uma disposi\u00e7\u00e3o para pensar alternativas. A maioria dos entrevistados acredita que \u00e9 poss\u00edvel conciliar crescimento econ\u00f4mico e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Mais de 60% tamb\u00e9m consideram positivo que o Acre invista em atividades que emitem menos carbono. O interesse existe, mas ainda h\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre o desejo e as oportunidades dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cEssa juventude at\u00e9 tem desejo de permanecer no territ\u00f3rio, mas acaba que esse territ\u00f3rio n\u00e3o d\u00e1 as oportunidades que essa juventude necessita\u201d, explica Gleiciane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A aus\u00eancia de determinados cursos universit\u00e1rios, as dificuldades de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e a busca por acesso \u00e0 cultura, ao lazer e \u00e0 arte fazem parte desse conjunto de fatores. Para muitos jovens, deixar o Acre acaba sendo uma alternativa para encontrar aquilo que n\u00e3o conseguem construir no pr\u00f3prio estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A pesquisa, nesse sentido, acrescenta uma dimens\u00e3o importante \u00e0 discuss\u00e3o sobre pertencimento: amar o territ\u00f3rio e desejar permanecer nele n\u00e3o s\u00e3o suficientes quando faltam condi\u00e7\u00f5es para construir um projeto de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente para aproximar essa discuss\u00e3o da juventude que os resultados da pesquisa foram apresentados antes da programa\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">No dia 5 de setembro, das 14h \u00e0s 17h, o Anfiteatro Garibaldi Brasil, na Universidade Federal do Acre (Ufac), recebeu o 3\u00ba painel Crias de Chico, encontro que antecedeu a programa\u00e7\u00e3o principal do festival.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O tema deste ano \u00e9 \u201cA Amaz\u00f4nia no centro das decis\u00f5es\u201d, com debates sobre carreiras verdes, engajamento pol\u00edtico, transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa e agroecologia. A programa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reuniu apresenta\u00e7\u00f5es de MAG, 21 MC e Kaemiz\u00ea, al\u00e9m do lan\u00e7amento da pesquisa sobre juventudes, clima e economia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para Gleiciane, o p\u00fablico formado especialmente por estudantes do ensino m\u00e9dio torna o momento ainda mais significativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 um momento muito importante para que esses jovens percebam que os desafios agora est\u00e3o revelados atrav\u00e9s de dados e que existem tamb\u00e9m solu\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A programa\u00e7\u00e3o foi pensada tamb\u00e9m para aproximar os n\u00fameros de trajet\u00f3rias concretas. Jovens profissionais que j\u00e1 atuam em \u00e1reas relacionadas ao meio ambiente participar\u00e3o de um painel para apresentar experi\u00eancias e possibilidades de carreira. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar que, mesmo diante das dificuldades apontadas pela pesquisa, existem caminhos sendo constru\u00eddos dentro do pr\u00f3prio estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 justamente para inspirar quem vai estar presente, para eles entenderem que, apesar dos desafios, existem sim oportunidades no nosso estado e \u00e9 poss\u00edvel crescer nos nossos territ\u00f3rios\u201d, explica Gleiciane.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-1.png?resize=960%2C540&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6939\" style=\"width:650px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-1.png?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-1.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-1.png?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-1.png?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-1.png?w=1600&amp;ssl=1 1600w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Coleta de dados da pesquisa. Foto: Jo\u00e1s Linhares<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Quando proteger tamb\u00e9m significa decidir<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o sobre perman\u00eancia n\u00e3o termina nas oportunidades de trabalho. Ela se amplia para o direito de participar das decis\u00f5es sobre o territ\u00f3rio e para a forma como diferentes juventudes ocupam esse debate. A programa\u00e7\u00e3o do festival re\u00fane quest\u00f5es como justi\u00e7a clim\u00e1tica, transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa, agroecologia, cultura e alternativas econ\u00f4micas para a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A edi\u00e7\u00e3o deste ano tamb\u00e9m integra a campanha \u201cCultura de floresta \u00e9 caminho de futuro\u201d, que busca aproximar experi\u00eancias da floresta e das periferias urbanas. S\u00e3o espa\u00e7os diferentes, mas que carregam dificuldades hist\u00f3ricas de acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas e oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para Huana, aproximar essas realidades \u00e9 uma forma de reconhecer que a defesa da Amaz\u00f4nia n\u00e3o diz respeito somente a quem vive em \u00e1reas de floresta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A necessidade de discutir essas quest\u00f5es se torna ainda mais evidente diante do cen\u00e1rio clim\u00e1tico vivido pela regi\u00e3o. Em 2024, a intensa presen\u00e7a de fuma\u00e7a em Rio Branco fez com que a organiza\u00e7\u00e3o precisasse repensar a realiza\u00e7\u00e3o do festival. Agora, novas preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas voltam a atravessar os debates.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cQuando a gente fala de proteger a floresta, a gente tamb\u00e9m fala das pessoas que vivem nela. Isso inclui todo mundo: da cidade, das reservas, das aldeias\u201d, afirma Huana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A crise clim\u00e1tica, portanto, aparece tamb\u00e9m como uma quest\u00e3o de sa\u00fade, economia, territ\u00f3rio e perman\u00eancia. Para quem vive na Amaz\u00f4nia, discutir esses assuntos significa participar das decis\u00f5es sobre o lugar onde se vive e reivindicar o direito de construir os caminhos para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse debate que tamb\u00e9m se insere uma voz ind\u00edgena. Yaka Shanenawa, comunicadora ind\u00edgena, coordenadora da Rede de Comunicadores Ind\u00edgenas do Acre (RCIA) e uma das apresentadoras desta edi\u00e7\u00e3o, v\u00ea o pertencimento como algo diretamente ligado ao territ\u00f3rio e \u00e0 identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cPertencer \u00e9 territorial. Significa que \u00e9 onde a gente est\u00e1 fortalecendo as nossas comunidades, nossos territ\u00f3rios, nossa floresta\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a de uma comunicadora ind\u00edgena no palco tamb\u00e9m carrega um significado particular. Yaka fala sobre a import\u00e2ncia de mostrar para outras jovens ind\u00edgenas que esses espa\u00e7os podem ser ocupados por elas e que suas hist\u00f3rias tamb\u00e9m t\u00eam lugar nos grandes encontros da juventude amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"1007\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-2.png?resize=828%2C1007&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6936\" style=\"aspect-ratio:0.8222522001670199;width:556px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-2.png?w=828&amp;ssl=1 828w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-2.png?resize=247%2C300&amp;ssl=1 247w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2-2.png?resize=768%2C934&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Yaka Shanenawa no Acampamento Terra Livre. Foto: Ila Verus\u00a0<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cComo uma comunicadora ind\u00edgena, jovem, m\u00e3e, me sinto muito honrada de estar naquele local e mostrar tamb\u00e9m para a juventude ind\u00edgena que a gente tamb\u00e9m \u00e9 capaz de subir em um palco, representar\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Sua trajet\u00f3ria encontra a de Chico Mendes pela mem\u00f3ria da luta em defesa da Amaz\u00f4nia. Para Yaka, a hist\u00f3ria deixada pelo seringueiro continua chegando \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, inclusive aos povos ind\u00edgenas. \u201cA nossa luta ainda continua. Foi onde o Chico Mendes batalhou pela gente, e hoje ele deixou uma hist\u00f3ria tamb\u00e9m para a gente, n\u00f3s ind\u00edgenas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A comunica\u00e7\u00e3o aparece, para ela, como uma das possibilidades de continuidade dessa hist\u00f3ria. Ao ocupar o palco e falar diretamente com outros jovens, Yaka tamb\u00e9m leva consigo a defesa de que a juventude n\u00e3o abandone seus sonhos e encontre na comunica\u00e7\u00e3o um caminho poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cQue a juventude leve experi\u00eancia, que n\u00e3o desista do seu sonho de comunica\u00e7\u00e3o, que comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem futuro. Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A m\u00fasica e a arte ocupam o mesmo espa\u00e7o nessa constru\u00e7\u00e3o. As apresenta\u00e7\u00f5es de artistas locais acontecem ao lado dos debates, criando um encontro em que a reflex\u00e3o sobre o territ\u00f3rio encontra as express\u00f5es culturais de quem vive nele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para Huana, essa dimens\u00e3o faz parte da pr\u00f3pria maneira como o Comit\u00ea Chico Mendes e o Movimento Jovens do Futuro trabalham com a juventude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 muito importante proteger a juventude e apresentar caminhos poss\u00edveis atrav\u00e9s da cultura, do artivismo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Nesse encontro entre arte, comunica\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o, o festival procura mostrar que discutir o futuro da Amaz\u00f4nia n\u00e3o precisa acontecer distante daquilo que produz identidade. A cultura tamb\u00e9m conta hist\u00f3rias sobre o territ\u00f3rio e ajuda a criar v\u00ednculos com ele.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Um futuro que n\u00e3o esquece o passado<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"442\" height=\"553\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-1.png?resize=442%2C553&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6937\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-1.png?w=442&amp;ssl=1 442w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-1.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O Festival Jovens do Futuro nasceu em 2020, durante a pandemia, inspirado no legado de Chico Mendes e na carta-testamento deixada pelo seringueiro em 1988. Desde ent\u00e3o, tornou-se um espa\u00e7o de encontro entre diferentes juventudes do Acre e de discuss\u00e3o sobre os caminhos que a regi\u00e3o pode construir para o futuro. A cada edi\u00e7\u00e3o, a proposta se transforma, mas a mem\u00f3ria que sustenta o movimento permanece. \u00c9 justamente nessa continuidade que Huana encontra uma das maiores for\u00e7as do festival.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cO festival continua sendo t\u00e3o importante porque ele celebra um futuro que n\u00e3o esquece de jeito nenhum do passado\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A frase ajuda a compreender a rela\u00e7\u00e3o entre a juventude que organiza o evento e a hist\u00f3ria que o inspira. Os jovens ocupam o centro da discuss\u00e3o, mas n\u00e3o come\u00e7am essa hist\u00f3ria do zero. H\u00e1 uma mem\u00f3ria anterior a eles, constru\u00edda por quem enfrentou conflitos, defendeu a floresta e imaginou possibilidades para um territ\u00f3rio que ainda hoje enfrenta desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para Huana, a mensagem deixada por Chico Mendes transformou-se em uma esp\u00e9cie de miss\u00e3o para as novas gera\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 justamente a juventude que toma a frente desse festival, sem esquecer do passado e daqueles que lutaram nele.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mais do que preservar uma mem\u00f3ria, por\u00e9m, o movimento tenta transform\u00e1-la em a\u00e7\u00e3o. Para Huana, uma das maiores li\u00e7\u00f5es deixadas pelo seringueiro est\u00e1 justamente na confian\u00e7a depositada nas novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cAcho que uma das grandes li\u00e7\u00f5es que o Chico deixa \u00e9 acreditar na juventude. Confiar em n\u00f3s mesmos e na revolu\u00e7\u00e3o que a gente pode fazer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Uma juventude que escolhe continuar sonhando<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O Festival Jovens do Futuro acontece alguns meses antes da Semana Chico Mendes, realizada anualmente em dezembro entre Xapuri e Rio Branco para preservar a mem\u00f3ria e o legado do seringueiro acreano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A proximidade entre as duas iniciativas cria uma esp\u00e9cie de prepara\u00e7\u00e3o para esse per\u00edodo de celebra\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de Chico, especialmente porque o festival tamb\u00e9m retoma quest\u00f5es que atravessam sua trajet\u00f3ria: juventude, territ\u00f3rio, defesa da floresta e participa\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mais de tr\u00eas d\u00e9cadas depois de sua morte, a hist\u00f3ria do seringueiro continua sendo contada por pessoas que sequer haviam nascido quando ele foi assassinado. O que poderia ter ficado restrito \u00e0 mem\u00f3ria transformou-se em inspira\u00e7\u00e3o para novas formas de organiza\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e defesa do territ\u00f3rio. Para Huana, essa perman\u00eancia est\u00e1 ligada ao car\u00e1ter coletivo do sonho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cO sonho continua vivo porque ele \u00e9 coletivo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u00c9 a partir desse sonho compartilhado que a juventude se re\u00fane para discutir os pr\u00f3prios caminhos. A pesquisa apresentada no festival revela as dificuldades que muitos enfrentam para estudar, trabalhar e permanecer no Acre, mas tamb\u00e9m mostra que existe interesse em construir alternativas econ\u00f4micas e ambientais dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Entre os palcos, as pesquisas, os debates e as manifesta\u00e7\u00f5es culturais, o Festival Jovens do Futuro encontra uma juventude que ainda quer participar das decis\u00f5es sobre o lugar onde vive. Uma juventude que carrega a mem\u00f3ria de quem veio antes, mas que tamb\u00e9m procura escrever a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Talvez seja essa a continuidade mais bonita do legado de Chico Mendes: n\u00e3o a repeti\u00e7\u00e3o de um sonho antigo, mas a possibilidade de que cada gera\u00e7\u00e3o encontre novas maneiras de sonh\u00e1-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Jovens do Futuro, o legado de Chico Mendes se encontra com os sonhos de uma nova gera\u00e7\u00e3o para pensar territ\u00f3rio, clima e cultura Por Jo\u00e1s Linhares H\u00e1 sonhos que n\u00e3o terminam quando quem os sonhou parte. Alguns atravessam o tempo, encontram novos rostos e continuam sendo constru\u00eddos por outras pessoas<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":6938,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[5,1],"tags":[],"coauthors":[136],"class_list":["post-6933","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-ultimas-noticias"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/0-1.png?fit=1500%2C1000&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6933"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6933\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6941,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6933\/revisions\/6941"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6938"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6933"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=6933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}