{"id":6853,"date":"2026-09-11T10:19:35","date_gmt":"2026-09-11T15:19:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6853"},"modified":"2026-09-11T10:19:37","modified_gmt":"2026-09-11T15:19:37","slug":"como-os-doces-acreanos-se-reinventam-sem-perder-a-identidade-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=6853","title":{"rendered":"Como os doces acreanos se reinventam sem perder a identidade regional"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>Do bolo de cupua\u00e7u \u00e0s novas cria\u00e7\u00f5es das docerias, ingredientes da Amaz\u00f4nia atravessam gera\u00e7\u00f5es e ganham novas formas sem deixar para tr\u00e1s a mem\u00f3ria de quem cresceu com esses sabores<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Danniely Avlis e Ranelly Pinheiro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">H\u00e1 sabores que n\u00e3o precisam de apresenta\u00e7\u00e3o. Basta a primeira mordida para trazer de volta uma lembran\u00e7a: a cozinha de casa, o bolo preparado para uma visita, a sobremesa das festas ou aquele doce feito pelas m\u00e3os de algu\u00e9m da fam\u00edlia. No Acre, muitas dessas mem\u00f3rias t\u00eam gosto de cupua\u00e7u, castanha, banana e outros ingredientes que fazem parte da biodiversidade amaz\u00f4nica e da hist\u00f3ria de quem vive na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Com o passar dos anos, por\u00e9m, esses sabores deixaram de ocupar apenas as cozinhas de casa e passaram a aparecer tamb\u00e9m em vitrines de docerias, bolos elaborados, brownies, mousses, bombons e outras cria\u00e7\u00f5es. A confeitaria acreana se transforma, acompanha tend\u00eancias e experimenta novas apresenta\u00e7\u00f5es, mas mant\u00e9m nos ingredientes regionais uma esp\u00e9cie de fio que conecta passado e presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para a Chef de doces e instrutora de gastronomia do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Kelly Vicente Brito, essa rela\u00e7\u00e3o pode ser resumida em uma frase: o doce \u00e9 \u201cuma ponte viva entre o passado e o futuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=960%2C720&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6860\" style=\"width:564px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=640%2C480&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?resize=1000%2C750&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1.jpg?w=1600&amp;ssl=1 1600w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O doce \u00e9 &#8220;uma ponte viva entre o passado e o futuro&#8221;. Imagem: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>A escolha dos sabores<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Antes das vitrines, dos aplicativos de entrega e das receitas que viralizam nas redes sociais, os doces j\u00e1 faziam parte das lembran\u00e7as e dos costumes das fam\u00edlias. S\u00e3o sabores que atravessam gera\u00e7\u00f5es e que, mesmo quando ganham novas vers\u00f5es, continuam carregando hist\u00f3rias e refer\u00eancias de quem os prepara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para Maria Raimunda Honorato de Souza, de 54 anos, essa rela\u00e7\u00e3o com os doces tamb\u00e9m come\u00e7ou de forma simples, a partir da curiosidade e da vontade de aprender. Propriet\u00e1ria&nbsp; da Doce Maria, ela conta que seu primeiro produto foi justamente um bombom de cupua\u00e7u, feito a partir de uma receita que precisou ser adaptada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=960%2C720&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6859\" style=\"width:552px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=640%2C480&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?resize=1000%2C750&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2.jpg?w=1600&amp;ssl=1 1600w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na banca da Doce Maria, Maria Raimunda mant\u00e9m viva a produ\u00e7\u00e3o artesanal de doces que valorizam sabores e ingredientes da regi\u00e3o. Imagem: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cMeu primeiro doce que eu fiz foi um bombom de cupua\u00e7u. Me deram uma receita errada, mas eu sempre fui muito curiosa e fui tentando adaptar. Eu orava a Deus e pedia para o Senhor me capacitar. Fui tentando, adaptando a receita e, para a gl\u00f3ria de Deus, deu certo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Outro caso \u00e9 o de Elizardo Lima, da Mimus Doceria AC. Quando pensa em um doce que representa os sabores do Acre, ele tamb\u00e9m recorre \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de cupua\u00e7u e chocolate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cA maioria das pessoas que comem falam: meu Deus, parece aqueles bolos da inf\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A combina\u00e7\u00e3o, segundo ele, remete especialmente aos bolos de cupua\u00e7u preparados antigamente. Mais do que estar presente em diferentes receitas, o ingrediente aparece como um elo entre maneiras distintas de fazer confeitaria: pode virar bombom, bolo ou ganhar novas combina\u00e7\u00f5es, mas continua reconhec\u00edvel para quem conhece seu sabor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Da cozinha de casa para a vitrine<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A transforma\u00e7\u00e3o da confeitaria tamb\u00e9m acompanha a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de empreendedores que encontraram nos doces uma forma de recome\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A Mimus Doceria AC surgiu durante a pandemia, per\u00edodo em que os eventos da principal atividade profissional de Elizardo foram interrompidos. Sem os trabalhos, veio a necessidade de encontrar uma nova fonte de renda. A solu\u00e7\u00e3o apareceu de maneira quase improvisada: doces feitos em casa e vendidos por meio da rede de contatos que ele j\u00e1 possu\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cNo primeiro dia a gente fazia aquelas barcas de chocolate. No primeiro dia, como eu tinha muita gente, j\u00e1 tinha 30 encomendas\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O que come\u00e7ou como uma alternativa para pagar as contas cresceu. Na P\u00e1scoa seguinte, o neg\u00f3cio chegou a faturar cerca de R$12 mil, valor que ajudou na abertura de uma loja. A doceria continuou crescendo e, atualmente, segundo Elizardo, re\u00fane cerca de 15 funcion\u00e1rios, al\u00e9m dos profissionais respons\u00e1veis pelas entregas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3.jpg?resize=576%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6858\" style=\"width:364px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3.jpg?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3.jpg?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3.jpg?w=720&amp;ssl=1 720w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Segundo Elizardo, re\u00fane cerca de 15 funcion\u00e1rios, al\u00e9m dos profissionais respons\u00e1veis pelas entregas. Imagem: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria mostra tamb\u00e9m como a confeitaria contempor\u00e2nea est\u00e1 ligada \u00e0 rapidez com que novas tend\u00eancias surgem. Para Elizardo, que atualmente mora em Goi\u00e2nia, novidades costumam ganhar for\u00e7a primeiro nas redes e no mercado de grandes centros e depois chegam a outros lugares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Essa din\u00e2mica cria um desafio para quem quer unir inova\u00e7\u00e3o e identidade regional: acompanhar o que est\u00e1 em alta sem transformar o doce acreano em apenas mais uma tend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>O que faz um doce ser acreano?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A resposta n\u00e3o est\u00e1 necessariamente em uma receita espec\u00edfica. Para Elizardo, o caminho passa pela escolha dos ingredientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 alguma sobremesa mais com banana, mas com castanha, [\u2026] um pouco de a\u00e7a\u00ed\u201d, explica, ao citar elementos que, quando incorporados \u00e0s receitas, ajudam a aproximar a sobremesa de uma identidade acreana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Entre as op\u00e7\u00f5es, ele destaca ainda os doces que utilizam banana, como bolos e outras sobremesas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Kelly, por sua vez, aponta o bolo de castanha como o doce que escolheria para apresentar o Acre a algu\u00e9m que nunca visitou o estado. A escolha evidencia a import\u00e2ncia da castanha-do-brasil para al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o extrativista: quando transformada em ingrediente de confeitaria, ela tamb\u00e9m se torna uma maneira de apresentar parte da cultura amaz\u00f4nica por meio do paladar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4.jpg?resize=960%2C540&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6857\" style=\"width:593px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4.jpg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/4.jpg?w=1599&amp;ssl=1 1599w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Kelly Brito aponta o bolo de castanha como o doce que escolheria para apresentar o Acre a algu\u00e9m que nunca visitou o estado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a entre os estados da Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m aparece nessa rela\u00e7\u00e3o com os ingredientes. Na avalia\u00e7\u00e3o da chef, enquanto o Par\u00e1 possui forte associa\u00e7\u00e3o de seus doces com o a\u00e7a\u00ed e o Amazonas com o tucum\u00e3, no Acre ganham destaque prepara\u00e7\u00f5es artesanais ligadas ao cupua\u00e7u e \u00e0 castanha.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Quando a floresta chega \u00e0 sobremesa<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Cupua\u00e7u, castanha, buriti, graviola e outros ingredientes da biodiversidade amaz\u00f4nica podem assumir diferentes formas dentro da confeitaria. Viram geleias, cremes, bombons, recheios e coberturas. A receita pode mudar, mas o ingrediente mant\u00e9m uma conex\u00e3o com o territ\u00f3rio de onde veio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Essa utiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para valorizar produtos regionais e fortalecer uma identidade gastron\u00f4mica pr\u00f3pria. Em vez de apenas reproduzir receitas que poderiam estar em qualquer lugar do pa\u00eds, a confeitaria regional encontra nos ingredientes amaz\u00f4nicos uma possibilidade de contar uma hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mas transformar um ingrediente regional em doce tamb\u00e9m exige t\u00e9cnica. Kelly conta que o mousse de cupua\u00e7u foi um dos preparos que mais exigiram aprendizado por causa da acidez da fruta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cPor ser muito \u00e1cido, demorei a acertar o ponto, o sabor correto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A dificuldade revela que preservar um ingrediente n\u00e3o significa necessariamente mant\u00ea-lo na mesma receita. \u00c9 poss\u00edvel experimentar, adaptar e criar novas possibilidades, desde que o sabor original continue reconhec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>A tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ficar parada no tempo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">A reinven\u00e7\u00e3o talvez seja justamente uma das formas de manter uma tradi\u00e7\u00e3o viva. Um bolo de cupua\u00e7u pode ganhar uma nova apresenta\u00e7\u00e3o. A castanha pode aparecer combinada ao chocolate. A banana pode deixar de ser apenas acompanhamento e ocupar o centro de uma sobremesa. Ingredientes conhecidos podem ser utilizados em receitas que acompanham tend\u00eancias atuais da confeitaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Na Mimus, por exemplo, o brownie \u00e9 apontado por Elizardo como um dos produtos de destaque da doceria. J\u00e1 o \u201cChoconinho\u201d aparece como o bolo mais vendido entre os produtos citados por ele. Ainda que nem todos os produtos tenham origem regional, existe a possibilidade de incorporar elementos amaz\u00f4nicos \u00e0s receitas e, assim, aproximar a confeitaria contempor\u00e2nea da identidade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio Elizardo reconhece que esse \u00e9 um caminho que ainda pretende explorar mais. Representar o Acre por meio da confeitaria, para ele, tamb\u00e9m passa pela cria\u00e7\u00e3o de produtos que carreguem essa identidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Hist\u00f3ria em forma de ingrediente<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Um doce regional n\u00e3o come\u00e7a quando chega na vitrine. Antes disso, existe uma escolha cuidadosa dos ingredientes, o modo de preparo e a preocupa\u00e7\u00e3o em preservar a qualidade do que ser\u00e1 entregue ao cliente. Na produ\u00e7\u00e3o artesanal, cada etapa interfere no sabor e, para quem trabalha h\u00e1 anos com esses produtos, escolher uma boa mat\u00e9ria-prima tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de valorizar o pr\u00f3prio doce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Na Doce Maria, essa aten\u00e7\u00e3o acontece desde a escolha do chocolate at\u00e9 o preparo dos produtos. Para Maria Raimunda, trabalhar com ingredientes de qualidade \u00e9 parte essencial do processo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=960%2C640&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-6862\" style=\"width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=330%2C220&amp;ssl=1 330w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=420%2C280&amp;ssl=1 420w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?resize=510%2C340&amp;ssl=1 510w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na barraca da Doce Maria, sabores regionais ganham novas formas pelas m\u00e3os de quem transforma ingredientes do Acre em doces artesanais. Foto: Danniely Avlis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u201cEu procuro comprar sempre o melhor produto, o melhor chocolate. Tudo que eu vou comprar, eu procuro comprar o melhor, porque eu gosto de comer bem, de comer coisa boa. E o que a gente gosta de comer, a gente n\u00e3o vai passar para o cliente da gente coisa ruim\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata apenas de uma quest\u00e3o de sabor, a escolha dos ingredientes tamb\u00e9m revela uma preocupa\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia de quem consome. O ingrediente deixa de ser apenas parte da receita e passa a contar uma hist\u00f3ria sobre o modo de fazer. Entre o produto escolhido, o preparo e a prefer\u00eancia dos clientes, cada doce tem um pouco de quem produz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Um Acre que tamb\u00e9m se prova<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Em um estado marcado pela presen\u00e7a da floresta e pela diversidade de produtos regionais, levar a Amaz\u00f4nia para a confeitaria \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de apresentar o Acre para quem est\u00e1 de fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Para quem chega pela primeira vez, um bolo de castanha ou uma sobremesa de cupua\u00e7u pode ser apenas uma experi\u00eancia gastron\u00f4mica. Para quem nasceu ou cresceu aqui, o sabor pode representar muito mais: uma lembran\u00e7a, uma fam\u00edlia, uma \u00e9poca da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Talvez seja por isso que os doces acreanos n\u00e3o precisem escolher entre tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Eles podem ser os dois. Porque reinventar uma receita n\u00e3o significa esquecer de onde ela veio. \u00c0s vezes, \u00e9 justamente uma maneira de fazer com que ela continue existindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">E, entre uma colherada e outra, a hist\u00f3ria do Acre tamb\u00e9m pode continuar sendo contada n\u00e3o apenas em livros, fotografias ou relatos, mas pelo sabor dos doces.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do bolo de cupua\u00e7u \u00e0s novas cria\u00e7\u00f5es das docerias, ingredientes da Amaz\u00f4nia atravessam gera\u00e7\u00f5es e ganham novas formas sem deixar para tr\u00e1s a mem\u00f3ria de quem cresceu com esses sabores Por Danniely Avlis e Ranelly Pinheiro H\u00e1 sabores que n\u00e3o precisam de apresenta\u00e7\u00e3o. Basta a primeira mordida para trazer de volta uma lembran\u00e7a: a cozinha<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":6861,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[53,1],"tags":[40,8],"coauthors":[136],"class_list":["post-6853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-raizes-urbanas","category-ultimas-noticias","tag-acre","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/0.jpg?fit=1320%2C1351&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6853"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6853\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6863,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6853\/revisions\/6863"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6861"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6853"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=6853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}