{"id":5875,"date":"2026-03-10T20:47:26","date_gmt":"2026-03-11T01:47:26","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5875"},"modified":"2026-03-11T09:48:25","modified_gmt":"2026-03-11T14:48:25","slug":"samanta-bullock-e-o-desafio-sobre-a-moda-acessivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5875","title":{"rendered":"Samanta Bullock e o desafio sobre a moda acess\u00edvel"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Aniely Cordeiro e Maria Eduarda Ruiz<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aos 14 anos, Samanta Bullock j\u00e1 trabalhava como modelo quando um acidente com arma de fogo interrompeu sua carreira nas passarelas. A les\u00e3o a deixou parapl\u00e9gica e redesenhou seu caminho. Se a moda ficou em suspenso, o esporte entrou em cena. No t\u00eanis em cadeira de rodas, representou o Brasil e conquistou medalha de prata nos Jogos Parapan-Americanos de 2007.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que poderia ter sido um ponto final tornou-se transi\u00e7\u00e3o. Anos depois, entre treinos e competi\u00e7\u00f5es, Samanta voltaria ao universo que conhecia desde a adolesc\u00eancia, desta vez, com outro prop\u00f3sito. N\u00e3o apenas como modelo, mas como articuladora de mudan\u00e7as em um setor historicamente excludente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, a ind\u00fastria da moda sustentou padr\u00f5es r\u00edgidos de corpo, g\u00eanero e comportamento. A aus\u00eancia de pessoas com defici\u00eancia nas campanhas e nas passarelas n\u00e3o era apenas simb\u00f3lica; revelava um problema estrutural. As roupas simplesmente n\u00e3o eram pensadas para esses corpos. Nos \u00faltimos anos, a chamada \u201cmoda inclusiva\u201d passou a ganhar visibilidade, impulsionada por debates sociais e por consumidores mais atentos. Ainda assim, permanece a d\u00favida: trata-se de mudan\u00e7a estrutural ou estrat\u00e9gia de mercado?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio que Samanta passou a enxergar a moda como ferramenta pr\u00e1tica de autonomia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da representatividade \u00e0 modelagem&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto ainda competia, ela se tornou embaixadora do projeto Fashion Inclusivo, em Bras\u00edlia. A experi\u00eancia marcou uma virada. \u201cEu entendi que n\u00e3o bastava estar na passarela. A roupa precisava funcionar para aquele corpo\u201d, diz. \u201cA representatividade \u00e9 importante, mas ela precisa vir acompanhada de solu\u00e7\u00e3o.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se aposentar do esporte, em 2012, decidiu concentrar esfor\u00e7os na moda adaptada. Percebeu que o desafio ia al\u00e9m da imagem. Era necess\u00e1rio redesenhar modelagens, repensar tecidos, adaptar aberturas, rever etiquetas, ajustar caimentos para corpos sentados ou usu\u00e1rios de pr\u00f3tese.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"370\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-10-at-11.26.17.jpeg?resize=740%2C370&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5877\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-10-at-11.26.17.jpeg?w=941&amp;ssl=1 941w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-10-at-11.26.17.jpeg?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-10-at-11.26.17.jpeg?resize=768%2C384&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Enquanto ainda competia, ela se tornou embaixadora do projeto Fashion Inclusivo. Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O jeans, pe\u00e7a universal nos guarda-roupas, tornou-se exemplo recorrente em suas an\u00e1lises. Para uma pessoa amputada acima do joelho, a necessidade \u00e9 uma; para outra, abaixo, \u00e9 outra. Algumas usam pr\u00f3tese. Outras n\u00e3o. Algumas s\u00e3o plus size. Outras n\u00e3o. \u201cA defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma coisa \u00fanica\u201d, afirma. \u201cCada corpo tem uma necessidade diferente. Quando a ind\u00fastria trabalha s\u00f3 com padr\u00e3o, ela deixa muita gente de fora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A complexidade revela um dos principais entraves da ind\u00fastria: a escala. Grandes marcas operam com padroniza\u00e7\u00e3o e volume. A moda adaptada exige varia\u00e7\u00f5es, testes e investimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a discuss\u00e3o se cruza com a desigualdade econ\u00f4mica. Muitas pessoas com defici\u00eancia vivem em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e dependem de benef\u00edcios sociais. Pe\u00e7as adaptadas, por envolverem desenvolvimento espec\u00edfico, tendem a custar mais caro. O resultado \u00e9 um ciclo dif\u00edcil de romper: quem mais precisa da adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 quem menos pode pagar por ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Samanta, a responsabilidade \u00e9 compartilhada. \u201cSe as grandes marcas entendem que isso \u00e9 uma demanda real, elas conseguem incorporar a inclus\u00e3o de forma permanente. N\u00e3o pode ser s\u00f3 uma cole\u00e7\u00e3o pontual\u201d, diz. Pequenas empresas, segundo ela, podem come\u00e7ar com ajustes na comunica\u00e7\u00e3o e na escolha de modelos diversos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre pr\u00eamios e autonomia&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, Samanta participou de eventos ligados \u00e0 London Fashion Week, colaborou com marcas internacionais e desenvolveu projetos com universidades no Brasil e no exterior, conectando moda, fisioterapia e comunica\u00e7\u00e3o. Foi reconhecida cinco vezes como uma das 100 pessoas com defici\u00eancia mais influentes do Reino Unido e integrou um projeto que entrou para o Guinness World Records.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela relembra a abertura dos Jogos Paral\u00edmpicos de Londres, em 2012, a medalha de prata pelo Brasil e os desfiles internacionais. Ainda assim, afirma que o mais marcante n\u00e3o est\u00e1 nos grandes eventos, mas no impacto direto que teve na vida das pessoas. \u201cVoc\u00ea d\u00e1 autonomia e v\u00ea o olho brilhando\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre passarelas e quadras, Samanta Bullock sustenta que a inclus\u00e3o s\u00f3 se consolida quando deixa de ser discurso e passa a fazer parte da estrutura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Com o objetivo de ampliar o debate sobre a reportagem, a equipe tentou contato com pessoas e estabelecimentos locais que participaram das produ\u00e7\u00f5es sobre acessibilidade de vestu\u00e1rio. Por\u00e9m, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obtivemos retorno. O jornal segue aberto a contribui\u00e7\u00f5es, que podem ser feitas pelo perfil do Instagram <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jornal.acatraia\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/jornal.acatraia\/\">@jornal.acatraia<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ex-atleta paral\u00edmpica Samanta Bullock defende que a moda inclusiva precisa ir al\u00e9m da representatividade e enfrentar barreiras estruturais<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5876,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[50,1],"tags":[195,115,8,194],"coauthors":[136],"class_list":["post-5875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-travessias","category-ultimas-noticias","tag-acessibilidade","tag-cultura","tag-destaque","tag-moda"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-10-at-11.26.16.jpeg?fit=634%2C729&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5875"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5887,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5875\/revisions\/5887"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5875"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=5875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}