{"id":5747,"date":"2026-02-27T22:27:28","date_gmt":"2026-02-28T03:27:28","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5747"},"modified":"2026-03-01T18:39:18","modified_gmt":"2026-03-01T23:39:18","slug":"cine-teatro-recreio-resiste-as-cheias-do-rio-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5747","title":{"rendered":"Cine Teatro Recreio resiste \u00e0s cheias do Rio Acre"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Interior do Cine Teatro Recreio alagado durante a cheia do Rio Acre, em mar\u00e7o de 2024. O espa\u00e7o precisou ser fechado por seguran\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio. Imagem: Eld\u00e9rico Silva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Daniel Alysson e Davi Mansour<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Cine Teatro Recreio ocupa um lugar central na hist\u00f3ria cultural de Rio Branco. Localizado no cal\u00e7ad\u00e3o da Gameleira, \u00e0s margens do Rio Acre, o espa\u00e7o atravessou quase um s\u00e9culo como ponto de exibi\u00e7\u00e3o de filmes, espet\u00e1culos de m\u00fasica, dan\u00e7a, teatro entre outros eventos culturais. Essa mesma localiza\u00e7\u00e3o, no entanto, tornou o Cine um dos equipamentos p\u00fablicos mais expostos \u00e0s cheias do rio, que ao longo dos anos provocaram alagamentos, paralisa\u00e7\u00f5es e preju\u00edzos recorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, o espa\u00e7o foi afetado pelas grandes enchentes de 2015, 2023 e 2024, quando o n\u00edvel do Rio Acre ultrapassou os 17 metros e invadiu o Segundo Distrito da capital. Em todos esses epis\u00f3dios, o Cine Teatro precisou ser fechado temporariamente por quest\u00f5es de seguran\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"494\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-15.jpg?resize=740%2C494&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5750\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-15.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-15.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-15.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fachada do Cine Teatro Recreio. Foto: Ingrid Kelly\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das cheias provocadas pela subida do Rio Acre, o Cine Teatro Recreio enfrenta dificuldades relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es urbanas do entorno. Em per\u00edodos de enchente, o alagamento do espa\u00e7o exige a retirada de equipamentos, a suspens\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o cultural e interven\u00e7\u00f5es emergenciais para evitar danos maiores \u00e0 estrutura. As chuvas intensas passaram a causar transtornos, ampliando a frequ\u00eancia das paralisa\u00e7\u00f5es e evidenciando a vulnerabilidade do pr\u00e9dio hist\u00f3rico diante das mudan\u00e7as na din\u00e2mica urbana da Gameleira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um patrim\u00f4nio que ajudou a formar a cidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Cine Teatro Recreio surgiu ainda nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, quando Rio Branco dava seus primeiros passos como n\u00facleo urbano. Inicialmente conhecido como Cine Ideal e depois Cine \u00c9den, o pr\u00e9dio foi inaugurado oficialmente como Cine Teatro Recreio em 13 de junho de 1948, consolidando-se como uma das principais casas de espet\u00e1culo da capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas, o Cine Teatro Recreio concentrou exibi\u00e7\u00f5es regulares de filmes, sess\u00f5es especiais e apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que marcaram a vida cultural de Rio Branco. No Segundo Distrito, o espa\u00e7o se firmou como um dos principais pontos de encontro do p\u00fablico com o cinema e as artes, sendo frequentado por gera\u00e7\u00f5es de moradores que tiveram ali uma das principais op\u00e7\u00f5es de lazer em uma cidade que ainda contava com poucas alternativas culturais organizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de assumir definitivamente o nome que mant\u00e9m at\u00e9 hoje, o pr\u00e9dio integrava a rotina urbana quando funcionava como Cine \u00c9den. Inaugurado em 1946, no Cal\u00e7ad\u00e3o da Gameleira, o cinema de rua exibia produ\u00e7\u00f5es nacionais e estrangeiras, al\u00e9m de seriados bastante populares \u00e0 \u00e9poca, especialmente os ambientados no velho oeste norte-americano. Registros hist\u00f3ricos indicam que t\u00edtulos como <em>Tambores de Fu Manchu<\/em>, <em>Adaga de Salom\u00e3o<\/em>, <em>Perigos de Nioka<\/em> e <em>O Segredo da Ilha Misteriosa<\/em> eram repetidos em cartaz, atraindo um p\u00fablico fiel, mesmo diante da dificuldade de acesso a novos filmes, que chegavam a Rio Branco com meses de atraso por via fluvial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"339\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem1.jpg.jpeg?resize=602%2C339&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5751\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem1.jpg.jpeg?w=602&amp;ssl=1 602w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem1.jpg.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Produ\u00e7\u00e3o estrangeira exibida no Cine \u00c9den: Tambores de Fu Manchu, seriado popular entre o p\u00fablico do cinema na d\u00e9cada de 1940. Imagem: arquivo MUBI<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A programa\u00e7\u00e3o do Cine \u00c9den tamb\u00e9m inclu\u00eda longas-metragens de aventura, faroestes e dramas, com nomes populares do cinema da \u00e9poca, como Roy Rogers, Bill Elliott e Charles Starrett, al\u00e9m de exibi\u00e7\u00f5es especiais que combinavam cinema e apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. O espa\u00e7o n\u00e3o era considerado uma sala de luxo nem voltada \u00e0 elite local. Classificado nos registros da \u00e9poca como um cinema \u201cpopular\u201d, o \u00c9den funcionava como ponto de encontro acess\u00edvel, frequentado por trabalhadores, fam\u00edlias e jovens, em sess\u00f5es que reuniam p\u00fablicos diversos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em reportagem da \u00e9poca, o antigo frequentador Raimundo Ferreira, morador do bairro Quinze, no Segundo Distrito, relatou que \u201cquando o alto-falante tocava anunciando as matin\u00eas, as pessoas que iam de um lado a outro corriam para a sess\u00e3o, esperando com ansiedade os filmes, que demoravam a chegar cerca de tr\u00eas meses, porque tudo era feito por transporte fluvial, eram as chatas que traziam os filmes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"460\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem2.jpg.jpeg?resize=596%2C460&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5752\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem2.jpg.jpeg?w=596&amp;ssl=1 596w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem2.jpg.jpeg?resize=300%2C232&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fachada do Cine \u00c9den, no Cal\u00e7ad\u00e3o da Gameleira, em Rio Branco, onde funcionou o cinema que antecedeu o atual Cine Teatro Recreio. Imagem: arquivo DPHC<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das proje\u00e7\u00f5es, o palco do Cine \u00c9den tamb\u00e9m recebia apresenta\u00e7\u00f5es musicais e eventos culturais. Em 1948, por exemplo, o cinema sediou a despedida do tenor pernambucano Jos\u00e9 Brasileiro, em uma noite que combinou apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo e exibi\u00e7\u00e3o de filme, pr\u00e1tica comum naquele per\u00edodo. Ao longo dos anos seguintes, o espa\u00e7o passou por adapta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, incluindo a moderniza\u00e7\u00e3o das lentes para formatos como Cinemascope e Vistavision, acompanhando as transforma\u00e7\u00f5es do cinema e da pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mem\u00f3ria tamb\u00e9m aparece no relato de Terezinha Maria, que chegou ao Acre vinda da Bahia ainda jovem e passou a frequentar o Cine Teatro Recreio nos anos seguintes \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o oficial. \u201cEra um dos poucos lugares onde a gente se encontrava para se distrair.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema fazia parte da rotina. As pessoas se arrumavam para ir, encontravam conhecidos, conversavam antes da sess\u00e3o come\u00e7ar\u201d, lembra. Segundo ela, o Cine Teatro reunia p\u00fablicos diferentes e funcionava como ponto de conviv\u00eancia em uma cidade que ainda se estruturava. \u201cN\u00e3o era s\u00f3 assistir ao filme. A gente ia para ver o filme, mas tamb\u00e9m para ver as pessoas, saber das novidades, passar a noite ali.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"394\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem3.jpg.jpeg?resize=596%2C394&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5753\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem3.jpg.jpeg?w=596&amp;ssl=1 596w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem3.jpg.jpeg?resize=300%2C198&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>O p\u00fablico acompanhou a sess\u00e3o no Cine \u00c9den, no Cal\u00e7ad\u00e3o da Gameleira, em Rio Branco. Imagem: arquivo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a historiadora da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Elias Mansour (FEM), Iri Nobre, o Cine Teatro sempre teve papel central na forma\u00e7\u00e3o cultural de Rio Branco. \u201cMuitas pessoas iniciaram suas trajet\u00f3rias art\u00edsticas ali. Mesmo hoje, quando existem outros espa\u00e7os culturais, o Cine Teatro continua sendo procurado, principalmente para exibi\u00e7\u00e3o audiovisual e festivais de cinema\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vulnerabilidade hist\u00f3rica em \u00e1rea de v\u00e1rzea<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A vulnerabilidade do Cine Teatro Recreio est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 forma como Rio Branco se desenvolveu. O pr\u00e9dio est\u00e1 localizado em uma \u00e1rea de v\u00e1rzea, pr\u00f3xima ao leito do Rio Acre, regi\u00e3o naturalmente sujeita a alagamentos durante o per\u00edodo chuvoso, que vai de dezembro a mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, o edif\u00edcio n\u00e3o foi projetado para conviver com cheias frequentes. \u201cN\u00e3o h\u00e1 registros de que o pr\u00e9dio tenha sido pensado para resistir \u00e0 subida do rio. Na d\u00e9cada de 1920, a rela\u00e7\u00e3o da cidade com o rio era outra, e n\u00e3o existia preocupa\u00e7\u00e3o com hidrografia ou drenagem urbana\u201d, explica a historiadora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"601\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem4.png?resize=602%2C601&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5754\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem4.png?w=602&amp;ssl=1 602w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem4.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem4.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem4.png?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Registro comparativo do Cal\u00e7ad\u00e3o da Gameleira antes e ap\u00f3s a cheia de 2015, que deixou a regi\u00e3o alagada com a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do Rio Acre. Imagem: Google Street View e Iry\u00e1 Rodrigues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na enchente de 2015, considerada a maior da hist\u00f3ria do Acre, o Rio Acre atingiu 18,40 metros e a \u00e1gua invadiu o interior do Cine Teatro. O espa\u00e7o permaneceu fechado por cerca de dois meses para recupera\u00e7\u00e3o. Segundo a historiadora, n\u00e3o houve perda documental porque o material havia sido retirado preventivamente, e o pr\u00e9dio n\u00e3o abrigava acervo hist\u00f3rico permanente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reformas, urbaniza\u00e7\u00e3o e novos problemas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, o Cine Teatro Recreio passou por reformas importantes, como as realizadas em 1987 e 2010. A mais recente incluiu a constru\u00e7\u00e3o de um novo espa\u00e7o de alvenaria, numa tentativa de tornar o pr\u00e9dio mais resistente a interrup\u00e7\u00f5es causadas pelas cheias do Rio Acre. Apesar das interven\u00e7\u00f5es, os alagamentos continuaram a ocorrer, especialmente nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"399\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem5.png?resize=602%2C399&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5755\" style=\"width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem5.png?w=602&amp;ssl=1 602w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem5.png?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Audit\u00f3rio do Cine Teatro Recreio ap\u00f3s as reformas da d\u00e9cada de 1990, per\u00edodo de retomada das atividades culturais no espa\u00e7o. Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Para o arquiteto e chefe da Coordena\u00e7\u00e3o de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Elias Mansour (FEM), \u00cdtalo Facundes, parte da vulnerabilidade atual do Cine Teatro est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0s mudan\u00e7as ocorridas no entorno do pr\u00e9dio. Segundo ele, interven\u00e7\u00f5es recentes de infraestrutura e saneamento alteraram o comportamento natural da \u00e1gua na regi\u00e3o da Gameleira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cObras de infraestrutura e saneamento mudaram a din\u00e2mica do solo e do escoamento da \u00e1gua. Hoje, o solo satura mais rapidamente e a drenagem n\u00e3o funciona como deveria. Por isso, o Cine Teatro \u00e9 um dos primeiros pr\u00e9dios a sentir os alagamentos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Facundes destaca que, al\u00e9m da subida do Rio Acre, a \u00e1gua passou a retornar pelo solo e pelo sistema de escoamento urbano. \u201cAntes, o impacto vinha basicamente do transbordamento do rio. Agora, mesmo chuvas intensas j\u00e1 provocam alagamentos internos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o arquiteto, uma solu\u00e7\u00e3o definitiva exigiria uma interven\u00e7\u00e3o estrutural profunda, com obras de drenagem de grande porte sob o pr\u00e9dio, o que envolve alto custo e complexidade t\u00e9cnica. Ainda assim, ele ressalta que n\u00e3o h\u00e1 garantia total de prote\u00e7\u00e3o em cheias extremas. \u201cQuando o rio sobe muito, n\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica que segure completamente\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fechamentos e impacto cultural<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As paralisa\u00e7\u00f5es frequentes do Cine Teatro Recreio provocam impactos diretos na rotina cultural de Rio Branco. Durante os per\u00edodos de cheia, apresenta\u00e7\u00f5es programadas s\u00e3o suspensas, eventos s\u00e3o cancelados ou adiados, e grupos art\u00edsticos precisam buscar outros espa\u00e7os para ensaios e apresenta\u00e7\u00f5es, muitas vezes com limita\u00e7\u00f5es de estrutura e agenda. A interrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta festivais, mostras audiovisuais e atividades formativas que costumam ocorrer no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a historiadora Antonia Odiceula de Souza, o fechamento do Cine Teatro durante as cheias n\u00e3o atinge apenas o Segundo Distrito, mas repercute em toda a cidade. \u201cA Gameleira sempre foi um espa\u00e7o de encontro, lazer e manifesta\u00e7\u00f5es culturais desde a funda\u00e7\u00e3o de Rio Branco. Quando o Cine Teatro fecha, a cidade perde um ponto de refer\u00eancia cultural e simb\u00f3lica\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, o fechamento tempor\u00e1rio se torna inevit\u00e1vel nos per\u00edodos de cheia. No entanto, ressalta que essas interrup\u00e7\u00f5es comprometem a continuidade das atividades culturais e o acesso do p\u00fablico a um dos principais espa\u00e7os hist\u00f3ricos de programa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da capital.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Funcionamento entre cheias e interrup\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2024, com o Rio Acre acima de 17,60 metros, o Cine Teatro Recreio voltou a ser atingido e precisou ser fechado novamente, junto a outros espa\u00e7os culturais da Gameleira. O epis\u00f3dio evidenciou um problema recorrente: a dificuldade de manter em funcionamento um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico localizado em uma \u00e1rea cada vez mais impactada por eventos clim\u00e1ticos extremos e por interven\u00e7\u00f5es urbanas que alteraram a din\u00e2mica natural do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto solu\u00e7\u00f5es estruturais mais amplas n\u00e3o s\u00e3o viabilizadas, o Cine Teatro Recreio segue funcionando entre per\u00edodos de reabertura e novas interrup\u00e7\u00f5es. Um espa\u00e7o que ajudou a formar a vida cultural de Rio Branco e que, ainda hoje, depende do comportamento do Rio Acre para manter suas atividades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma d\u00e9cada, o teatro hist\u00f3rico precisou fechar ao menos tr\u00eas vezes ap\u00f3s o Rio Acre ultrapassar os 17 metros<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[53,50,1],"tags":[40,115,8,159],"coauthors":[136],"class_list":["post-5747","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-travessias","category-ultimas-noticias","tag-acre","tag-cultura","tag-destaque","tag-rio-acre"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-8.png?fit=1000%2C634&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5747"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5768,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5747\/revisions\/5768"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5747"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=5747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}