{"id":5721,"date":"2026-02-26T17:26:57","date_gmt":"2026-02-26T22:26:57","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5721"},"modified":"2026-02-26T17:26:59","modified_gmt":"2026-02-26T22:26:59","slug":"do-oriente-medio-ao-acre-como-o-quibe-foi-adaptado-a-culinaria-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5721","title":{"rendered":"Do Oriente M\u00e9dio ao Acre: como o quibe foi adaptado \u00e0 culin\u00e1ria local"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Ana Keli Flores e Rai\u00e7a Sousa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Presente em padarias, feiras livres, lanchonetes, festas e at\u00e9 nas bicicletas de vendedores ambulantes que circulam com caixas t\u00e9rmicas pelas ruas de Rio Branco, o quibe se tornou parte do cotidiano alimentar no Acre. A vers\u00e3o mais emblem\u00e1tica dessa populariza\u00e7\u00e3o \u00e9 o quibe de macaxeira, adapta\u00e7\u00e3o regional que substitui o trigo pela raiz amaz\u00f4nica e consolidou o salgado como s\u00edmbolo da identidade culin\u00e1ria local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Originalmente preparado na regi\u00e3o do Levante, \u00e1rea que abrange pa\u00edses como L\u00edbano e S\u00edria, o quibe \u00e9 feito com carne de cordeiro, trigo para quibe (bulgur), hortel\u00e3 e especiarias, podendo ser assado ou frito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A receita chegou ao Brasil com imigrantes s\u00edrios e libaneses entre o fim do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX e, ao longo do tempo, passou por adapta\u00e7\u00f5es conforme os ingredientes dispon\u00edveis e os h\u00e1bitos alimentares locais.<\/p>\n\n\n\n<p>No Acre, a transforma\u00e7\u00e3o foi al\u00e9m da simples substitui\u00e7\u00e3o de itens. Surgiram vers\u00f5es que dialogam diretamente com a cultura alimentar amaz\u00f4nica, como o quibe de arroz e, principalmente, o de macaxeira tamb\u00e9m conhecida como mandioca ou aipim. Ao trocar o trigo pela raiz ralada ou amassada, o salgado ganhou textura mais macia por dentro, crocante por fora e sabor mais suave, criando uma identidade profundamente regional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"607\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.46.jpeg?resize=740%2C607&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5724\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.46.jpeg?resize=1024%2C840&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.46.jpeg?resize=300%2C246&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.46.jpeg?resize=768%2C630&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.46.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Quibe de arroz, alternativa criativa e econ\u00f4mica, que reaproveita ingredientes do dia a dia sem perder sabor. Foto: arquivo pessoal<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o historiador Francisco Bento da Silva, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), a culin\u00e1ria \u00e9 uma das express\u00f5es mais vis\u00edveis da mistura cultural. \u201cA comida muda tanto quanto as pessoas que migram\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, a presen\u00e7a da macaxeira na receita representa a incorpora\u00e7\u00e3o de saberes ind\u00edgenas e amaz\u00f4nicos a um prato de origem \u00e1rabe. \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas uma troca de ingrediente; \u00e9 um encontro de hist\u00f3rias.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da base diferente, o quibe acreano apresenta temperos pr\u00f3prios, formatos variados e recheios adaptados ao gosto local, carne bem temperada, cheiro-verde e pimenta regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Rio Branco, o salgado \u00e9 facilmente encontrado em padarias de bairro, mercados, lanchonetes e feiras populares. O pre\u00e7o varia conforme o tamanho e o ponto de venda, mas, em m\u00e9dia, custa entre R$5 e R$10 a unidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em festas e encomendas, tamb\u00e9m aparece em vers\u00f5es menores, servidas como salgado de evento. Vendedores ambulantes ajudam a manter viva a tradi\u00e7\u00e3o, levando o produto para diferentes bairros e refor\u00e7ando sua presen\u00e7a na rotina urbana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nutri\u00e7\u00e3o e sabor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista nutricional, a composi\u00e7\u00e3o varia conforme a receita e o modo de preparo. De acordo com a nutricionista Fl\u00e1via Dias, o quibe feito com trigo combina carboidrato complexo e prote\u00edna, oferecendo fibras, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. J\u00e1 a vers\u00e3o com macaxeira \u00e9 fonte de energia e naturalmente sem gl\u00faten, podendo ser alternativa para pessoas com restri\u00e7\u00e3o ao trigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"655\" height=\"468\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.47-1.jpeg?resize=655%2C468&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5725\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.47-1.jpeg?w=655&amp;ssl=1 655w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.47-1.jpeg?resize=300%2C214&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Quibe de trigo, vers\u00e3o tradicional, preparada com trigo para quibe e temperos cl\u00e1ssicos da gastronomia \u00e1rabe. Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As vers\u00f5es fritas concentram mais gordura e calorias, enquanto o quibe assado tende a ser mais equilibrado. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 priorizar carnes magras, incluir vegetais na massa e utilizar ervas frescas para agregar valor nutricional.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"676\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.48.jpeg?resize=740%2C676&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5726\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.48.jpeg?resize=1024%2C935&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.48.jpeg?resize=300%2C274&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.48.jpeg?resize=768%2C702&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.48.jpeg?w=1179&amp;ssl=1 1179w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Quibe cru, prepara\u00e7\u00e3o t\u00edpica da culin\u00e1ria \u00e1rabe, servida crua, com carne fresca, trigo hidratado e especiarias. Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O quibe no Acre hoje supera a tradi\u00e7\u00e3o original para abra\u00e7ar a diversidade local. Com vers\u00f5es que utilizam trigo, arroz ou macaxeira, o salgado demonstra a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o da gastronomia do estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O prato deixou de ser apenas uma heran\u00e7a do Oriente M\u00e9dio para se tornar um s\u00edmbolo da identidade acreana, unindo o saber dos imigrantes aos ingredientes da floresta. Consolidado no cotidiano de Rio Branco, o quibe com sotaque amaz\u00f4nico segue em constante evolu\u00e7\u00e3o, sem apagar as mem\u00f3rias que o trouxeram at\u00e9 aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adaptado com ingredientes amaz\u00f4nicos, especialmente a macaxeira, o salgado de origem \u00e1rabe atravessou culturas, ganhou identidade regional<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[5,3,1],"tags":[40,191,115,8],"coauthors":[136],"class_list":["post-5721","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-afluentes","category-corriqueiras","category-ultimas-noticias","tag-acre","tag-culinaria","tag-cultura","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-09.22.47.jpeg?fit=1280%2C958&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5721"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5721\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5727,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5721\/revisions\/5727"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5721"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=5721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}