{"id":5696,"date":"2026-02-24T17:55:11","date_gmt":"2026-02-24T22:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5696"},"modified":"2026-02-24T17:55:13","modified_gmt":"2026-02-24T22:55:13","slug":"trilhas-em-alta-no-acre-reforcam-a-importancia-da-etica-da-seguranca-e-do-cuidado-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5696","title":{"rendered":"Trilhas em alta no Acre refor\u00e7am a import\u00e2ncia da \u00e9tica, da seguran\u00e7a e do cuidado coletivo"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Ana Keli Flores e Ra\u00ed\u00e7a Sousa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica de trilhas tem ganhado cada vez mais espa\u00e7o no Acre, impulsionada pelo interesse em atividades ao ar livre e pelo contato direto com a floresta amaz\u00f4nica. Em meio a esse crescimento, a \u00e9tica da aventura baseada em seguran\u00e7a, preparo e responsabilidade coletiva torna-se fundamental para evitar riscos e garantir experi\u00eancias positivas na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Trilhas s\u00e3o caminhos utilizados para caminhadas em ambientes naturais e t\u00eam origem muito antes do lazer. Povos ind\u00edgenas, seringueiros e comunidades tradicionais j\u00e1 utilizavam esses percursos como rotas de deslocamento e sobreviv\u00eancia. Com o passar do tempo, especialmente a partir do s\u00e9culo XX, a pr\u00e1tica passou a ser associada ao ecoturismo e \u00e0s atividades de aventura, sendo conhecida em outros pa\u00edses como hiking, caminhadas curtas feitas no mesmo dia, e trekking, percursos mais longos que envolvem pernoite.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, as trilhas ganharam maior visibilidade a partir da cria\u00e7\u00e3o de parques e unidades de conserva\u00e7\u00e3o ambiental. No Acre, muitas rotas acompanham antigos caminhos da floresta e ainda apresentam grande potencial para o ecoturismo, como ocorre no Horto Florestal, em Rio Branco, onde trilhas s\u00e3o utilizadas tanto para lazer quanto para educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o guia de trilhas Tassio F\u00faria, o envolvimento com atividades ao ar livre come\u00e7ou ainda no ciclismo e foi se aprofundando ao longo dos anos. \u201cEspecificamente com trilhas, d\u00e1 para dizer que comecei em 2018\u201d, afirma. Para atuar profissionalmente, ele explica que \u00e9 necess\u00e1rio realizar um curso t\u00e9cnico e estar registrado no Cadastro do Minist\u00e9rio do Turismo, o que permite atuar legalmente em segmentos como o ecoturismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5699\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?resize=1536%2C1023&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-1.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Guia de trilhas T\u00e1ssio F\u00faria. Foto: Ra\u00ed\u00e7a Sousa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A seguran\u00e7a coletiva \u00e9 um dos pontos centrais destacados pelo guia. De acordo com Tassio, abandonar um integrante durante a trilha \u00e9 uma falha grave na condu\u00e7\u00e3o da atividade. Ele explica que cabe ao guia organizar o grupo de acordo com a proposta do percurso, controlar o ritmo e garantir que todos permane\u00e7am juntos do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema do abandono em trilhas chama aten\u00e7\u00e3o para os riscos da pr\u00e1tica sem planejamento adequado. Em situa\u00e7\u00f5es relatadas por praticantes, pessoas j\u00e1 foram deixadas para tr\u00e1s por n\u00e3o conseguirem acompanhar o ritmo do grupo, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, desorienta\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o a animais silvestres, especialmente em \u00e1reas de floresta fechada.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora-geral da TV5, Simone Oliveira, de 39 anos, pratica trilhas h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos e relata que a experi\u00eancia come\u00e7ou a partir de um convite para participar de uma competi\u00e7\u00e3o. \u201cFoi amor \u00e0 primeira ida\u201d, conta. Formada em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, ela passou a levar alunos de um projeto solid\u00e1rio para as trilhas como forma de incentivo \u00e0 atividade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.03.jpeg?resize=682%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5700\" style=\"aspect-ratio:0.6660244942892528;width:475px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.03.jpeg?resize=682%2C1024&amp;ssl=1 682w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.03.jpeg?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.03.jpeg?resize=768%2C1153&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.03.jpeg?resize=1023%2C1536&amp;ssl=1 1023w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.03.jpeg?w=1066&amp;ssl=1 1066w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Simone Oliveira, trilheira. Foto: cedida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as experi\u00eancias mais marcantes, Simone destaca uma trilha em que acompanhou uma aluna que pesava 115 quilos. \u201cEla conseguiu concluir o percurso. Todos n\u00f3s choramos na linha de chegada\u201d, relembra. Para ela, a trilha \u00e9 uma atividade que deve ser feita em grupo, como forma de incentivo e supera\u00e7\u00e3o do sedentarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e9tica na aventura, segundo Simone, est\u00e1 diretamente ligada ao cuidado com o outro. \u201c\u00c9 n\u00e3o deixar o grupo para tr\u00e1s, ajudar nos obst\u00e1culos e cruzar a linha de chegada todos juntos\u201d, afirma. Ela refor\u00e7a que cada participante tem seu pr\u00f3prio ritmo e limita\u00e7\u00e3o, e que o apoio coletivo faz toda a diferen\u00e7a para a conclus\u00e3o do percurso.<\/p>\n\n\n\n<p>O preparo antes da trilha tamb\u00e9m \u00e9 citado como essencial. Simone destaca o uso de blusa de manga, cal\u00e7a, cal\u00e7ado adequado e alimenta\u00e7\u00e3o leve antes do in\u00edcio da atividade. Para quem est\u00e1 come\u00e7ando, o conselho \u00e9 simples: \u201cV\u00e1 com calma, tenha cautela e esteja sempre ao lado de algu\u00e9m de confian\u00e7a que j\u00e1 tenha experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator que interfere diretamente na seguran\u00e7a \u00e9 o clima amaz\u00f4nico. Durante o per\u00edodo chuvoso, \u00e1reas alagadi\u00e7as fazem com que animais busquem locais mais secos, aumentando a possibilidade de encontros com cobras, insetos e outros animais silvestres. Nessas condi\u00e7\u00f5es, as atividades ao ar livre ficam mais limitadas e exigem ainda mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia de trilha no Horto Florestal, em Rio Branco, refor\u00e7a o car\u00e1ter educativo da atividade. Considerada de n\u00edvel f\u00e1cil, a trilha pode ser feita em poucos minutos, mas costuma se estender por mais tempo devido \u00e0s paradas para orienta\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es. Durante o percurso, o guia recomenda o uso de roupas coloridas para facilitar a visualiza\u00e7\u00e3o do grupo e alerta sobre cuidados b\u00e1sicos de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5701\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?resize=1536%2C1023&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02-2.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Guia de trilhas T\u00e1ssio F\u00faria. Foto: Ra\u00ed\u00e7a Sousa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da seguran\u00e7a, a trilha se transforma em um espa\u00e7o de aprendizado ambiental. Ao longo do trajeto, os participantes conhecem rios, aprendem sobre a extra\u00e7\u00e3o da borracha das seringueiras e observam a fauna local, fortalecendo a rela\u00e7\u00e3o de respeito com a floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma atividade f\u00edsica, as trilhas no Acre mostram-se uma experi\u00eancia de conviv\u00eancia e conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental. Nesse contexto, a \u00e9tica da aventura se consolida como um princ\u00edpio essencial para que a pr\u00e1tica aconte\u00e7a de forma segura, respons\u00e1vel e sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e1tica cresce no Acre e especialistas alertam que a maioria dos riscos em trilhas est\u00e1 ligada \u00e0 falta de preparo e ao abandono de integrantes<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5698,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3,123,1],"tags":[40,8,121,132],"coauthors":[136],"class_list":["post-5696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","category-fluxo","category-ultimas-noticias","tag-acre","tag-destaque","tag-esporte","tag-seguranca"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-24-at-15.44.02.jpeg?fit=1600%2C1066&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5696"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5696\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5702,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5696\/revisions\/5702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5696"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=5696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}