{"id":5639,"date":"2026-02-18T19:02:38","date_gmt":"2026-02-19T00:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5639"},"modified":"2026-02-18T19:02:40","modified_gmt":"2026-02-19T00:02:40","slug":"a-fruta-que-o-gado-nao-come-producao-de-pitaya-ganha-espaco-no-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5639","title":{"rendered":"A fruta que o gado n\u00e3o come: produ\u00e7\u00e3o de pitaya ganha espa\u00e7o no Acre"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Vit\u00f3ria Messias<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ex\u00f3tica, colorida e cada vez mais presente no cotidiano dos rio-branquenses, a pitaya, conhecida popularmente como fruta-do-drag\u00e3o ou fruta do cacto, vem ganhando destaque nas ruas de Rio Branco. O crescimento do consumo \u00e9 impulsionado por uma rede de com\u00e9rcio administrada por m\u00e3e e filho, que desde 2020 atua em dois pontos da capital acreana, no Vila Acre e na Avenida Rio de Janeiro, com a proposta de popularizar a fruta e valorizar a produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, a pitaya possui registros de consumo desde as civiliza\u00e7\u00f5es Asteca e Maia, na regi\u00e3o que hoje corresponde ao M\u00e9xico. Introduzida no Brasil na d\u00e9cada de 1990, a fruta passou a ser cultivada em Rio Branco h\u00e1 cerca de seis anos, a partir da produ\u00e7\u00e3o de Kelarkian Brilhante e de sua m\u00e3e, Ivanna Brilhante, com o apoio de outros familiares que enxergaram no cultivo da pitaya uma alternativa sustent\u00e1vel de renda extra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"987\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg.jpeg?resize=740%2C987&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5643\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg-scaled.jpeg?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg-scaled.jpeg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg-scaled.jpeg?resize=1152%2C1536&amp;ssl=1 1152w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg-scaled.jpeg?resize=1536%2C2048&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg-scaled.jpeg?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260121-WA0092.jpg-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Ivanna e Kelarkian Brilhante, donos da planta\u00e7\u00e3o de pitaya. Foto: Vit\u00f3ria Messias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Anteriormente, a fam\u00edlia Brilhante se dedicava ao cultivo de maracuj\u00e1 e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado na propriedade. No entanto, um epis\u00f3dio de descuido, aliado a uma cerca mal conservada, permitiu a entrada dos animais na \u00e1rea de plantio, ocasionando a perda total da lavoura.<br><br>Segundo Ivanna, a situa\u00e7\u00e3o motivou uma reflex\u00e3o sobre o que era plantado ali. \u201cMeu filho queria plantar algo e ter uma produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, fruto do esfor\u00e7o dele. Chegou a pensar em macaxeira, mas eu o alertei que o gado poderia comer a planta\u00e7\u00e3o, como fez com o maracuj\u00e1\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse pensamento, e em meio \u00e0 pandemia, m\u00e3e e filho conseguiram se reerguer. Kelarkian se inspirou ao assistir v\u00eddeos sobre a Pitaya no Youtube e conta sobre aconselhamentos da av\u00f3 para dar in\u00edcio ao que seria a maior fonte de produ\u00e7\u00e3o de Pitaya do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMinha av\u00f3, que era viva na \u00e9poca, foi uma fonte de orienta\u00e7\u00e3o. Ela desencorajou a ideia de plantar maracuj\u00e1 novamente. Um dia, navegando no YouTube, encontrei um v\u00eddeo sobre pitaya. Fiquei fascinado e pesquisei a fundo. No dia seguinte, mostrei para minha av\u00f3, e ela confirmou que a pitaya era a escolha certa, pois o gado n\u00e3o a comeria\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O agricultor explica que a decis\u00e3o de iniciar o cultivo amadureceu ao longo dos primeiros meses do ano. \u201cA ideia surgiu entre fevereiro e mar\u00e7o. Em junho, fui buscar as mudas e conheci o seu Celeste, um produtor muito atencioso. No in\u00edcio, o plano era plantar mil mudas, mas, por quest\u00f5es financeiras, comecei com 400. A partir da\u00ed, passei a reaproveitar as pr\u00f3prias mudas: todo ano eu retirava e replantava. Fiz isso desde 2020. Em 2021, ampliei o plantio e continuei expandindo a \u00e1rea, at\u00e9 chegar ao que temos hoje\u201d, relata.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"416\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-1024x576.jpg?resize=740%2C416&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5642\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?resize=2048%2C1153&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_152113-scaled.jpg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Planta\u00e7\u00e3o das pitayas Brilhante. Foto: Vit\u00f3ria Messias.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje os agricultores somam 2.800 mudas, com apenas 2.500 em produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, a fam\u00edlia enfrentou dificuldades para vender no primeiro e segundo ano de safra. \u201cNo primeiro a gente colhia mais fruto do que vendia. O pessoal n\u00e3o conhecia e n\u00e3o queria comprar um alto valor agregado em cima e foi dif\u00edcil nos dois primeiros anos, mas de 2023 para c\u00e1, a pitaya s\u00f3 vem avan\u00e7ando e aumentando o sucesso\u201d, conta Ivanna.<\/p>\n\n\n\n<p>Os produtores comercializam mais de 2 mil mudas de pitaya desde 2023. A partir desse per\u00edodo, o p\u00fablico tamb\u00e9m variou. \u201cAntes eram mais idosos, pessoas que frequentavam a academia. Depois mudou para o p\u00fablico infantil. V\u00e1rias crian\u00e7as queriam, aperreavam o pai para comprar\u201d, conta Kelarkian.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a barraca montada na Avenida Rio de Janeiro, e planta\u00e7\u00e3o ativa no bairro Vila Acre, a fam\u00edlia tem conquistado o p\u00fablico e planeja exportar o produto futuramente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seja pitaya vermelha, branca ou roxa, em meio \u00e0s varia\u00e7\u00f5es da fruta, os valores nutricionais variam, como aponta o nutricionista Inau\u00e3 Rodrigues. \u201cA pitaya vermelha e roxa tem mais compostos antioxidantes do que a branca. Um grande benef\u00edcio \u00e9 a praticidade, ela congelada n\u00e3o perde nenhum nutriente, perfeito para s\u00f3 depois bater no liquidificador e fazer um sorvete ou vitamina\u201c, recomenda Inau\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"382\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg.jpeg?resize=740%2C382&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5640\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?resize=1024%2C529&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?resize=300%2C155&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?resize=768%2C397&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?resize=1536%2C794&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?resize=2048%2C1058&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/IMG-20260123-WA0023.jpg-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Inau\u00e3 Rodrigues, nutricionista. Foto: arquivo pessoal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A fruta cont\u00e9m minerais como magn\u00e9sio e vitaminas, incluindo a vitamina C, que, segundo o nutricionista, s\u00e3o antioxidantes importantes, respons\u00e1veis por auxiliar na redu\u00e7\u00e3o de processos inflamat\u00f3rios no organismo, tanto os mais comuns, como a acne, quanto os mais complexos, como a fibromialgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues complementa. \u201c\u00c9 uma fruta leve, com baixo teor cal\u00f3rico e rica em \u00e1gua e fibras. Essa composi\u00e7\u00e3o a torna ben\u00e9fica para a saciedade e a regula\u00e7\u00e3o intestinal, promovendo uma sensa\u00e7\u00e3o de leveza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pitaya pode ser inclu\u00edda em diferentes planos alimentares, seja para quem busca emagrecimento, ganho de massa muscular, preven\u00e7\u00e3o ou tratamento de doen\u00e7as. Para Maria Luiza, consumidora fiel da fam\u00edlia Brilhante, a fruta virou parte do cotidiano. Devido sua praticidade, a cliente faz quest\u00e3o de garantir seu estoque pessoal a cada nova safra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu nunca tinha comido pitaya antes, eu j\u00e1 tinha visto, mas eu fui comer primeiro as pitayas da Dona Ivanna, em 2023. Eu compro muitas pitayas para consumo pr\u00f3prio. Eu como elas o ano todo, s\u00f3 congelo, e fa\u00e7o suco ou shake, porque eu gosto do sabor, e ela faz muito bem ao meu intestino, \u00e9 por isso que eu compro muitas\u201d, diz Luiza.<\/p>\n\n\n\n<p>E, assim como fez a diferen\u00e7a na trajet\u00f3ria da fam\u00edlia Brilhante, a pitaya segue conquistando espa\u00e7o e se popularizando entre os mais diversos p\u00fablicos. Presente nas feiras, nas ruas e na mesa dos acreanos, a fruta deixa de ser vista apenas como ex\u00f3tica e passa a integrar o cotidiano, unindo sa\u00fade, sabor e fortalecimento da agricultura familiar.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o familiar encontrou na pitaya uma alternativa resistente ao pasto, garantindo renda e evitando preju\u00edzos causados pelo gado<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3,4,1],"tags":[189,8,89],"coauthors":[136],"class_list":["post-5639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","category-nascente","category-ultimas-noticias","tag-alimentacao","tag-destaque","tag-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260121_162130-1-scaled.jpg?fit=2560%2C1441&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5646,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5639\/revisions\/5646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5639"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=5639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}