{"id":5090,"date":"2025-10-31T15:59:57","date_gmt":"2025-10-31T20:59:57","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5090"},"modified":"2026-01-14T08:28:00","modified_gmt":"2026-01-14T13:28:00","slug":"da-teoria-a-pratica-o-que-muda-quando-o-estudante-vira-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5090","title":{"rendered":"Da teoria \u00e0 pr\u00e1tica: o que muda quando o estudante vira professor"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Jhenyfer Souza e Gabriel Vitorino<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Conciliar a vida acad\u00eamica com a doc\u00eancia, lidar com baixos sal\u00e1rios e ainda enfrentar a falta de reconhecimento s\u00e3o desafios comuns para quem escolhe a carreira de professor em Rio Branco. Apesar disso, a procura por profissionais cresce e abre espa\u00e7o para trajet\u00f3rias que come\u00e7am ainda durante a gradua\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de Izabele Alves, de 21 anos, que cursa o s\u00e9timo per\u00edodo da licenciatura em Letras Ingl\u00eas na Universidade Federal do Acre (Ufac) e j\u00e1 ministra aulas online.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela decidiu o curso por conta da afinidade com o idioma e pela admira\u00e7\u00e3o que tinha pelos professores. No entanto, a estudante reconhece que a vis\u00e3o inicial que tinha sobre o mercado de trabalho mudou ao longo da forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu entrei na faculdade, eu tinha uma vis\u00e3o bem estereotipada do trabalho do professor. A partir do momento que comecei a procurar emprego como professora de Ingl\u00eas, percebi que existe grande procura em Rio Branco\u201d, conta Izabele Alves. Com essa experi\u00eancia ela percebeu que h\u00e1 portas abertas na \u00e1rea, pois muitas pessoas querem fazer curso ou contratar um professor particular.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante destaca ainda que o ensino remoto facilita a concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e gradua\u00e7\u00e3o, mas admite que h\u00e1 per\u00edodos em que a carga se torna pesada. Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a baixa remunera\u00e7\u00e3o, especialmente quando h\u00e1 v\u00ednculo com escolas particulares. Segundo ela, o ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es \u00e9 frequente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO professor de ingl\u00eas acaba precisando assumir outras disciplinas ou preparar materiais pedag\u00f3gicos. Isso acontece muito e o sal\u00e1rio nem sempre compensa\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio apontado pela graduanda dialoga com dados do Censo Escolar, que revelam a fragilidade da carreira docente no Acre. Mais de 69% dos professores da rede b\u00e1sica atuam com contratos tempor\u00e1rios, chegando a 75% na rede estadual. Al\u00e9m disso, mesmo com n\u00edvel superior, o sal\u00e1rio-base de um professor licenciado no estado gira em torno de R$ 2,6 mil para 40 horas semanais, segundo o levantamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses n\u00fameros contrastam com a alta demanda da profiss\u00e3o. Em 2025, por exemplo, o governo abriu um processo seletivo com mais de 18 mil vagas tempor\u00e1rias para professores em todo o estado, sinalizando que o mercado est\u00e1 aquecido, mas ainda preso \u00e0 instabilidade dos contratos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Experi\u00eancia&nbsp;&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A realidade vivida por Izabele Alves dialoga com a de Renata da Silva, 30 anos, professora formada em Letras Ingl\u00eas pela Ufac. Diferente da estudante, Renata come\u00e7ou a trabalhar durante o segundo per\u00edodo da gradua\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia que tornou a transi\u00e7\u00e3o para a vida profissional menos abrupta. Apesar disso, ela tamb\u00e9m reconhece as dificuldades da profiss\u00e3o. Para a professora, o maior choque est\u00e1 na diferen\u00e7a entre teoria e pr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa faculdade, tudo \u00e9 muito did\u00e1tico, at\u00e9 ut\u00f3pico. A teoria diz que o aluno vai aprender conforme o per\u00edodo estipulado, mas sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim, especialmente no Acre, onde o contato com o ingl\u00eas fora da sala de aula ainda \u00e9 bem restrito\u201d, explica ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"507\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?resize=740%2C507&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5092\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?resize=1024%2C701&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?resize=300%2C206&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?resize=768%2C526&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?resize=1536%2C1052&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/86493880-6abe-4e2d-ae1c-75d95eb891c5.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Jhenyfer Souza<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Renata Silva ressalta que a \u00e1rea segue desvalorizada, tanto pela baixa remunera\u00e7\u00e3o quanto pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Segundo ela, o aprendizado do ingl\u00eas exige mais do que livro e professor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeveriam haver ambientes mais imersivos e ferramentas adequadas, mas muitas vezes isso n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel. A valoriza\u00e7\u00e3o peca e n\u00e3o s\u00f3 em quest\u00e3o de sal\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto levantado pela profissional \u00e9 a concorr\u00eancia com pessoas que dominam o idioma, mas n\u00e3o possuem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Para ela, a viv\u00eancia universit\u00e1ria traz diferenciais que v\u00e3o al\u00e9m da gram\u00e1tica e da conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA forma\u00e7\u00e3o em Letras nos prepara para lidar com alunos neurodivergentes, com diferentes contextos familiares, al\u00e9m de oferecer base em fon\u00e9tica, lingu\u00edstica aplicada, educa\u00e7\u00e3o especial. Isso faz diferen\u00e7a no trabalho em sala de aula\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, Renata segue motivada pela intera\u00e7\u00e3o com os alunos e pela dimens\u00e3o cultural que o ensino da l\u00edngua possibilita. \u201cEnsinar ingl\u00eas vai al\u00e9m da gram\u00e1tica, envolve pontos de vista, debates, diferen\u00e7as. Isso enriquece a gente tamb\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O contraste entre as experi\u00eancias de Izabele e Renata revela uma realidade marcada por dificuldades, mas tamb\u00e9m por reconhecimento e oportunidades. Esse debate \u00e9 essencial quando o assunto \u00e9 o mercado de trabalho, j\u00e1 que boa parte dos estudantes acabam sendo muito otimistas quanto \u00e0s oportunidades que ter\u00e3o. Aqueles que j\u00e1 s\u00e3o profissionais e possuem anos de experi\u00eancia percebem, cedo ou tarde, a fragilidade de sua posi\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguran\u00e7a e a estabilidade s\u00e3o muitas vezes varridas pela vis\u00e3o que as grandes e pequenas empresas t\u00eam de lucro, valorizando profissionais mais novos na \u00e1rea, com rotatividade maior, favorecendo o ac\u00famulo de experi\u00eancias \u00e0 estabilidade financeira e a seguran\u00e7a no ambiente de trabalho. Com isso, muitos profissionais que se encontram no mercado h\u00e1 mais tempo acabam tendo dificuldade em se manterem neste contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se pensar na realidade do mercado de trabalho e em como as novas gera\u00e7\u00f5es criam expectativas profissionais, o debate acaba sendo mais profundo quando se envolve adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas refer\u00eancias e tecnologias que passam a interferir nas pr\u00e1ticas, no cen\u00e1rio da sociedade da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale refletir se o mercado de fato \u00e9 receptivo e possui muitas oportunidades, ou se ele v\u00ea o estudante universit\u00e1rio como m\u00e3o de obra barata de f\u00e1cil acesso, mas com prazo de validade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jhenyfer Souza e Gabriel Vitorino Conciliar a vida acad\u00eamica com a doc\u00eancia, lidar com baixos sal\u00e1rios e ainda enfrentar a falta de reconhecimento s\u00e3o desafios comuns para quem escolhe a carreira de professor em Rio Branco. 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